Mensagem de condolências pelas vítimas do terremoto em são juliano de apúlia



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4. Sede santos! Em diversas ocasiões, afirmei que a santidade é a necessidade pastoral urgente dos nossos tempos. É uma experiência premente, em primeiro lugar para aqueles que Deus chamou para O servir mais intimamente. Com efeito, a fim de serem guardiães vigilantes do rebanho do Senhor, de o protegerem contra todos os tipos de perigo e de o nutrirem com o alimento da palavra e da Eucaristia, os próprios Pastores devem ser alimentados pela oração intensa e constante, cultivando uma profunda intimidade com Cristo. Somente desta forma eles conseguirão tornar-se, tanto para os sacerdotes como para os fiéis em geral, exemplos de fidelidade e testemunhas de um zelo apostólico, iluminado pelo Espírito Santo.

O apoio e o desenvolvimento de todo o empreendimento apostólico encontram-se na comunhão com Deus. Assim vós, dilectos e veneráveis Irmãos, deveis ser os primeiros a fortalecer a vossa vida interior, bebendo na fonte da graça divina, sempre consciente da imagem bíblica de Moisés, que reza na montanha: "Enquanto ele [Moisés] ficava com as mãos levantadas, Israel triunfava" (Êx 17, 11).

5. Nenhuma actividade, por mais importante que possa ser, deveria distrair-vos desta prioridade espiritual, que orienta o mandato apostólico recebido mediante a Ordenação episcopal. Jesus, o Bom Pastor, une-vos a Ele no serviço ao povo cristão como pais, mestres e pastores. Acompanhai a proclamação incessante da fé com um testemunho coerente e jubiloso do Evangelho, porque é "pelo seu testemunho vivido com fidelidade ao Senhor Jesus, testemunho de pobreza, de desapego e de liberdade frente aos poderes deste mundo, numa palavra, testemunho de santidade" (Evangelii nuntiandi, 41).

Nas vossas comunidades, há uma memória viva de santos, mártires e confessores da fé, pregadores corajosos da mensagem da salvação, pessoas que, mais pela sua própria vida do que pelas suas palavras, tornaram visível o amor de Cristo e poderíamos mesmo dizer quase tangível fisicamente. Segui as suas pegadas! Sede pastores que, mais pelo vosso exemplo do que pelas palavras, honrem o Evangelho e inspirem nas pessoas que estiverem à sua volta o desejo de o conhecer melhor e de o pôr em prática.

Que a Bem-Aventurada Virgem Maria, Rainha das Missões, vos proteja. Asseguro-vos a lembrança diária nas minhas orações e abençoo-vos cordialmente, juntamente com todas as vossas comunidades.


DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II DURANTE UM ENCONTRO COM OS BISPOS NOMEADOS NOS ÚLTIMOS DOZE MESES

18 de Setembro de 2003

Caríssimos Irmãos no Episcopado

1. É com alegria que saúdo cada um de vós, novos bispos, vindos de vários países para o tradicional Encontro de estudo, promovido pela Congregação para os Bispos. Agradeço-vos de coração esta visita e trasmito um pensamento de gratidão ao Cardeal Giovanni Battista Re, que se fez intérprete dos sentimentos de todos.

No início do vosso ministério episcopal, quisestes realizar uma peregrinação ao Túmulo do Apóstolo Pedro, para renovar a vossa profissão de fé e consolidar a comunhão com o Sucessor de Pedro.

Além disso, num clima de fraternidade e de oração, quisestes reflectir sobre os desafios que hoje se apresentam aos pastores da Igreja, em ordem a realizar um anúncio mais eficaz do Evangelho de Cristo aos homens do nosso tempo.

Quanto a mim, desejo assegurar-vos a minha proximidade e o meu encorajamento a continuar com generosidade e magnanimidade a vossa missão específica de pastores.

2. Caros Irmãos, vós estais bem conscientes de que o ministério do Bispo é de importância fundamental para a vida da Igreja.

Com efeito, segundo a expressão de São Paulo, a Igreja foi edificada sobre o fundamento dos Apóstolos (cf. Ef 2, 20). E os Bispos são, por vontade divina, os sucessores dos Apóstolos como pastores da Igreja, de tal maneira que: "Quem os ouve, ouve a Cristo; quem os despreza, despreza a Cristo e Àquele que O enviou" (Lumen gentium, 20).

A missão pastoral que vos foi enviada é exaltante, mas hoje é também particularmente árdua e cansativa. Com efeito, o nosso tempo, com os problemas que lhe são próprios, caracteriza-se por confusões e incertezas. Muitas pessoas, mesmo entre os cristãos, parecem desorientadas e desprovidas de esperança. Neste contexto, nós pastores somos chamados a anunciar o Evangelho e a ser testemunhas da esperança, com o olhar voltado para a Cruz, para o mistério do triunfo e da fecundidade de Cristo crucificado. Ele, o Vivo, acompanha-nos pelos caminhos de história, com a força do seu Espírito. Esta certeza iluminadora deve inspirar profundamente a nossa mentalidade pastoral, corroborando a nossa confiança em Deus e nos homens, e incrementando a nossa coragem apostólica.

À luz da esperança teologal, o ministério episcopal constituiu o tema da última Assembleia Ordinária do Sínodo dos Bispos. Depois de ter reflectido e rezado pelas conclusões do Sínodo, preparei a habitual Exortação Apostólica pós-sinodal, que entregarei à Igreja no dia 16 do próximo mês de Outubro, na significativa celebração do XXV aniversário do meu Pontificado.

3. Ainda é nítida em vós a lembrança da vossa Ordenação episcopal. Naquele dia, mediante o gesto sacramental da imposição das mãos e a invocação do Espírito Santo, foi-vos conferida a plenitude do sacerdócio ministerial. A vida do Bispo é uma dádiva de si a Cristo e à Igreja. O nosso ministério exorta-nos a levar uma vida santa. Sede a imagem viva e visível do Bom Pastor. Velai sobre o vosso rebanho, "como aqueles que servem". Amai a Igreja mais do que a vós mesmos! Vivei nela e por ela, consumindo-vos no serviço pastoral!

O nosso apostolado deve ser sempre um transbordamento da nossa vida interior. Sem dúvida, ele deverá ser também uma actividade intensa e laboriosa, mas uma actividade que seja expressão da caridade pastoral. A fonte da caridade pastoral é a contemplação do rosto de Cristo Bom Pastor. Sede homens de oração! Com o vosso exemplo, indicareis o primado da vida espiritual, ou seja, o primado da graça, que é a alma de todo o apostolado. Cada Bispo deve poder dizer, juntamente com o Apóstolo São Paulo: "Para mim, viver é Cristo" (Fl 1, 21).

4. Além disso, gostaria de vos exortar a prestar atenção aos vossos primeiros colaboradores, os presbíteros. Os Bispos admoesta o Concílio tratem com amor especial os sacerdotes; sejam repletos de desvelo pelas suas condições espirituais, intelectuais e materiais (cf. Christus Dominus, 28). Sem dúvida, é uma bênção para uma Diocese, quando cada um dos membros do seu presbitério pode alegrar-se por ter encontrado no Bispo o seu melhor amigo e o seu pai.

No alvorecer do terceiro milénio, sente-se mais do que nunca a necessidade de uma pastoral vocacional adequada.

As vocações ao sacerdócio e à vida consagrada constituem um dom de Deus, que é necessário pedir com insistência na oração (cf. Mt 9, 38), mas são também o fruto de famílias fortes e sadias, e de comunidades eclesiais em que a figura do presbítero é oportunamente considerada e valorizada. A escolha dos educadores nos Seminários deve ser realizada com o máximo cuidado, porque somente o testemunho pessoal de uma vida generosa e alegre é capaz de atrair o ânimo dos jovens de hoje. É nestes âmbitos que os jovens poderão ouvir e seguir a voz do Mestre, que os convida para O seguirem (cf. Mt 19, 21) e os leva a um dom generoso de si mesmos ao serviço dos irmãos.

5. Estimados Irmãos, quando regressardes às vossas Dioceses, depois destes dias de estudo e de comunhão intensa, sirva-vos de conforto a certeza de que o Papa compartilha as vossas alegrias, as vossas dificuldades e também as vossas esperanças.

Confio a Maria, Mãe da Igreja, os propósitos amadurecidos durante estes dias, para que torne fecundo cada um dos vossos esforços no campo da pastoral.

Sobre cada um de vós, invoco do íntimo do coração uma especial Bênção do Senhor que, de bom grado, faço extensiva às Comunidades confiadas aos vossos cuidados pastorais.
MENSAGEM DO PAPA JOÃO PAULO II AOS PARTICIPANTES NA ASSEMBLÉIA EXTRAORDINÁRIA DA ACÇÃO CATÓLICA ITALIANA (ACI)

Caríssimos participantes na Assembleia Extraordinária da Acção Católica Italiana

1. Desejo saudar-vos a todos com alegria e com afecto, caros Irmãos e Irmãs, reunidos em Roma para a vossa Assembleia Extraordinária subordinada ao tema: "A história faz-se profecia". Dirijo uma cordial e particular saudação ao Assistente-Geral, Mons. Francesco Lambiasi, e à Presidente Nacional, Dra. Paola Bignardi.

A finalidade específica e verdadeiramente importante, que vos espera nos próximos dias, é a de rever o Estatuto da sempre querida Acção Católica, para o actualizar com base nas novas exigências dos tempos e nas perspectivas apostólicas do novo milénio. Durante estes anos, a vossa Associação seguiu as normas e as indicações contidas no Estatuto de 1969, que compreendeu o espírito e as opções do Concílio Vaticano II, e ajudou-vos a descobrir cada vez mais, vivendo-a "como leigos", a grandeza da vocação cristã e do compromisso apostólico, num contexto eclesial e cultural muito diverso, em relação aos anos precedentes.

Actualizar o Estatuto significa dizer hoje a nós mesmos, à comunidade cristã e à sociedade civil qual é a fisionomia que adquire uma Associação como a vossa, quando se mede com as exigências da missão da Igreja e da evangelização do mundo. O novo Estatuto realçará qual é a vossa alma, as elevadas metas que vos propondes, as orientações que qualificam a vossa experiência eclesial madura, e que lhe dão um rosto inconfundível, assim como uma posição singular no contexto das associações laicais.

2. A vossa longa história teve origem a partir de um carisma, ou seja, de um dom especial do Espírito do Ressuscitado, que nunca deixa faltar à sua Igreja os talentos e os recursos de que os fiéis têm necessidade para servir a causa do Evangelho. Caríssimos, voltai a ponderar com orgulho humilde e com íntima alegria sobre o carisma próprio da Acção Católica!

Foi nele que se inspiraram jovens como Mário Fani e João Acquaderni, que a fundaram há mais de 130 anos. Este carisma orientou e acompanhou o caminho de santidade de Pedro Jorge Frassati, de Joana Beretta-Molla, de Luís e Maria Beltrame-Quattrocchi e de muitos outros leigos que viveram com extraordinária normalidade uma fidelidade heróica às promessas baptismais. Este vosso carisma foi reconhecido pelos Sumos Pontífices e pelos Pastores que, ao longo das décadas, abençoaram e ajudaram a vossa Associação, a ponto de a acolher como fez a Conferência Episcopal Italiana [CEI] como Associação escolhida de maneira especial e promovida pela Autoridade eclesiástica, para estar mais intimamente vinculada ao seu múnus apostólico (cf. Nota pastoral da CEI, 22 de Maio de 1981, n. 25).

3. Trata-se de um carisma que encontrou a sua descrição mais completa no Decreto conciliar sobre o apostolado dos leigos, Apostolicam actuositatem (cf. n. 20): vós sois leigos cristãos peritos na maravilhosa aventura de levar o Evangelho a encontrar-se com a vida e de mostrar como a "boa nova" corresponde às profundas exigências do coração de cada pessoa e é a luz mais excelsa e mais verdadeira que pode orientar a sociedade na construção da "civilização do amor". Como leigos, quisestes viver para a Igreja e para a globalidade da sua missão, "dedicados como vos escreveram os vossos Bispos com um vínculo directo e orgânico à comunidade diocesana", para voltar a descobrir em todos o valor de uma fé que se vive em comunhão e para fazer de cada comunidade cristã uma família solícita por todos os seus filhos (cf. Carta do Conselho Episcopal Permanente da CEI, 12 de Março de 2002, n. 4).

Como leigos, quisestes seguir de forma associada o ideal evangélico da santidade na Igreja particular, de forma a cooperar em conjunto, "como corpo orgânico", na missão evangelizadora de cada comunidade eclesial.

Como leigos, quisestes organizar-vos numa Associação em que o vínculo peculiar com os Pastores respeita e promove a distinção laical constitutiva dos sócios. O espírito da "sintaxe de comunhão" que caracteriza a eclesiologia do Concílio Vaticano II e as regras da participação democrática na vida associativa ajudam-vos a exprimir plenamente a unidade de todo o Corpo eclesial de Cristo e, ao mesmo tempo, a variedade dos carismas e das vocações, no pleno respeito da dignidade e da responsabilidade de cada um dos membros do Povo de Deus.

A síntese orgânica destas características a níveis de missão, de diocese, de unidade e de laicado constitui a forma mais madura e eclesialmente integrada do apostolado dos leigos. Ao renovardes o Estatuto, vós desejais confirmar o valor que estas características têm nos dias de hoje, e dizer como elas devem ser interpretadas para continuar a falar ao coração de muitas comunidades e de numerosos leigos que, neste ideal, poderiam encontrar a forma da sua vida.

4. "A Igreja não pode renunciar à Acção Católica": estas foram as expressões que vos dirigi no ano passado, durante a vossa XI Assembleia. Assim vos repito no termo de um ano singularmente intenso, dedicado ao caminho de renovação da ACI.

A Igreja tem necessidade de vós, precisa de leigos que, na Acção Católica, encontraram uma escola de santidade, onde aprenderam a viver a radicalidade do Evangelho na normalidade de todos os dias. Os Beatos, que saíram das vossas fileiras, e os Veneráveis como Alberto Marvelli, Pina Suriano e Pe. António Seghezzi, estimulam-vos a continuar a fazer da vossa Associação um lugar em que se cresce como discípulo do Senhor, na escola da Palavra, na mesa da Eucaristia; uma escola onde se hão-de pôr em prática o amor e o perdão, para aprender a vencer o mal com o bem, e para tecer com paciência e tenacidade uma rede de fraternidade que inclua todos, sobretudo os mais pobres.

Queridos jovens e adultos da Acção Católica! A vossa Associação renova-se se cada um dos seus membros volta a descobrir as promessas do Baptismo, escolhendo com plena consciência e disponibilidade a santidade cristã como a ""medida alta" da vida cristã ordinária" (Novo millennio ineunte, 31) nas condições de todos os dias. Por isso, é necessário deixar-se formar pela liturgia da Igreja, cultivar a arte da meditação e da vida interior e realizar em cada ano os exercícios espirituais. Caríssimos, fazei com que cada um dos vossos grupos constitua uma verdadeira escola de oração e que a cada membro seja assegurada a ajuda para o discernimento e a fidelidade à sua vocação.

5. A Igreja tem necessidade de vós, porque escolhestes o serviço à Igreja particular, à sua missão como orientação do vosso compromisso apostólico; porque fizestes da vossa paróquia o lugar em que, no dia-a-dia, exprimis uma dedicação fiel e apaixonada. Desta maneira, continuais a conservar vivo o espírito missionário das mulheres e dos homens da Acção Católica que, na humildade e no silêncio, contribuíram para tornar mais vivazes as comunidades cristãs nas várias regiões do País.

Exorto-vos a dedicar todas as vossas energias ao serviço da comunhão, em íntima união com o Bispo, colaborando com ele e com o Presbitério no "ministério da síntese", em ordem a tecer vínculos cada vez mais estreitos daquela comunhão cordial que é muito humana, precisamente porque é cristã de modo autêntico. Ajudai a vossa paróquia a descobrir de novo a paixão pelo anúncio do Evangelho e a cultivar a solicitude pastoral que vai à procura de todos para ajudar cada um a experimentar a alegria do encontro com o Senhor. Que cada comunidade, também em virtude da vossa presença, brilhe nos bairros das vossas cidades e nas vossas aldeias, como um sinal vivo da presença de Jesus, Filho de Deus, que veio habitar no meio de nós!

6. A Igreja tem necessidade de vós, porque a Acção Católica é um ambiente aberto e hospitaleiro, em que todos podem exprimir a sua própria disponibilidade para o serviço e encontrar ocasiões úteis para o diálogo de formação, num clima capaz de favorecer opções generosas. Na vossa Associação, existem testemunhas e mestres dispostos a acompanhar o caminho dos irmãos para uma fé convicta, madura e capaz de dar testemunho no mundo. Exorto-vos a valorizar uma formação sólida, adequada para a urgência da nova evangelização. Cuidai sempre de cada pessoa e ajudai todos a defender o tesouro da fé, difundindo-o em todos os ambientes da vida. Que a Acção Católica volte a tornar-se, para um número crescente de pessoas e de comunidades, a grande escola da espiritualidade laical e do apostolado conjunto!

7. A Igreja tem necessidade de vós, porque não cessais de contemplar o mundo com o olhar de Deus e, assim, conseguis perscrutar este nosso tempo para nele vislumbrar os sinais da presença do Espírito. Na vossa tradição, contais com grandes testemunhos de leigos que ofereceram uma contribuição determinante para o crescimento da cidade do homem.

Continuai a pôr à disposição das cidades e das aldeias, dos lugares de trabalho e da escola, da saúde e do tempo livre, da cultura, da economia e da política, presenças competentes e credíveis, capazes de contribuir para fazer do mundo contemporâneo o grandioso campo de trabalho da civilização do amor. A Acção Católica ajude a comunidade eclesial a evitar a ameaça de alheamento dos problemas da vida e da família, da paz e da justiça, e dê testemunho da confiança na força renovadora e transformadora do cristianismo. Deste modo, poderá influenciar eficazmente a sociedade civil, em ordem à construção da casa comum, no sinal da dignidade e da vocação do homem, em conformidade com as directrizes do "Projecto cultural" da Igreja italiana.

8. Estimados membros da Acção Católica, enquanto vos encorajo a explorar cada vez mais profundamente a riqueza do vosso carisma, exorto as comunidades diocesanas e paroquiais a considerar com renovada atenção a vossa Associação como lugar de crescimento da vocação laical e como escola em que se aprende a expressá-la com uma maturidade cada vez maior.

"A história faz-se profecia": escolhestes este tema para a vossa Assembleia. Formulo-vos votos a fim de que volteis a ler com discernimento sábio a grande história de que provindes, distinguindo o que é fruto do tempo daquilo que é dádiva do Espírito e traz consigo os germes de um novo futuro já começado. Estou persuadido de que esta Assembleia Extraordinária mostrará o rosto maduro e sereno do laicado associado, e tenho profunda confiança de que sabereis tomar decisões clarividentes e vigorosas, para fazer com que a Acção Católica esteja à altura da missão que lhe foi confiada.

Maria, Mãe da Igreja, vos ajude neste vosso compromisso. A Ela, venerada na Casa Santa de Loreto, aonde tendes a intenção de ir em peregrinação no próximo ano, confio-vos todos vós, as vossas famílias e cada um dos vossos projectos.

Com estes sentimentos, concedo-vos a todos, do íntimo do coração, a Bênção apostólica.

Castel Gandolfo, 8 de Setembro de 2003.


VIAGEM APOSTÓLICA À ESLOVÁQUIA

DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II DURANTE UM ENCONTRO INTER-RELIGIOSO

Banská Bystrica, 12 de Setembro de 2003

Saúdo-vos com afecto em nome do Senhor, caríssimos Irmãos!

Agradeço-vos a vossa vinda a Banská Bystrica para vos encontrardes com o Papa: a vossa presença manifesta, de maneira eloquente, a cordial colaboração e compreensão que caracterizam a vida dos discípulos de Cristo em terra eslovaca.

Este encontro familiar reveste uma especial importância e significado. De facto, é a ocasião para fazer ressoar no fundo do coração a premente oração do Divino Mestre: "Para que todos sejam um só [...] para que o mundo creia que Tu me enviaste" (Jo 17, 21).

Juntamente convosco, peço a Deus Todo-Poderoso que nos fortaleça na tarefa comum de anunciar e testemunhar o Evangelho aos homens e às mulheres do nosso tempo. Que Ele apresse o dia em que, juntos, possamos louvar o Seu Nome, em plena comunhão de fé e caridade.

"Que o Deus da paz vos santifique inteiramente, e que todo o vosso ser espírito, alma e corpo se conserve irrepreensível para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo" (1 Ts 5, 23). Estes são os meus votos e a minha oração por vós e por todos aqueles que estão confiados ao vosso cuidado pastoral.

VIAGEM APOSTÓLICA À ESLOVÁQUIA

MENSAGEM AOS MEMBROS DA CONFERÊNCIA EPISCOPAL

Baská Bystrica, 12 de Setembro de 2003

Aos venerados Pastores da Igreja que está na Eslováquia

1. É com íntima alegria que, hoje, me encontro convosco, caros Irmãos no Espiscopado, para um momento de partilha fraterna, que nos leva com o pensamento aos Apóstolos reunidos à volta de Jesus para descansar numa pausa saudável entre os cansaços da pregação e do apostolado (cf. Mc 6, 30-32).

"Ecce quam bonum et quam iucundum habitare fratres in unum!" (Sl 133, 1). Saúdo-vos a todos e abraço-vos no Senhor, e renovo a estima e a gratidão da Igreja pelo zelo que mostrais, apascentando os fiéis que vos foram confiados (cf. 1 Pd 5, 2-3).

Uno-me cordialmente à vossa acção de graças ao Senhor, na celebração do X aniversário da constituição da vossa Conferência Episcopal.

2. A Igreja de Deus que está na Eslováquia, saída dos tempos obscuros da perseguição e do silêncio, em que ofereceu uma prova luminosa de fidelidade ao Evangelho, nestes últimos anos pôde retomar as suas actividades, estabelecendo também as estruturas necessárias para o livre exercício da sua missão.

Recordo com prazer, entre outras coisas, o Acordo geral de base, assinado com a República Eslovaca em 2000, o trabalho das Comissões mistas para preparar outros Acordos parciais, a erecção do Ordinariado Militar, a abertura da Universidade Católica em Ruzomberok e o aumento da potência das transmissões da Rádio Lumen.

3. Além destas realizações, estais a comprometer-vos mais em geral em ordem à renovação da vida cristã e vários níveis. Os resultados que se estão a alcançar são confortadores. Muitas pessoas voltaram a encontrar a coragem evangélica de declarar abertamente a sua fé católica, como realça o recenseamento de 2001. O trabalho apostólico realizado com zelo sob a vossa orientação por numerosos sacerdotes, religiosos, religiosas e leigos empenhados está a dar os seus frutos. Louvado seja o Nome do Senhor!

Exorto-vos a continuar com coragem o caminho começado: a formação humana e espiritual, juntamente com uma adequada preparação cultural, seja objecto de um compromisso especial nos Seminários e nas Casas religiosas, para dar à Igreja e ao mundo sacerdotes e pessoas consagradas que saibam ser apóstolos humildes e ardentes do Evangelho. Com a oração ao "Senhor da messe", com a sensibilização das consciências, com uma sábia acção pastoral, é urgente promover um novo florescimento de vocações sacerdotais e religiosas. Em última análise, é disto que depende o futuro da Igreja que está na Eslováquia.

Além disso, venerados Irmãos, contai com confiança e sabedoria, com a colaboração de leigos comprometidos na animação cristã das realidades temporais. Acompanhai com cuidado a família, templo do amor e da vida, proclamando e defendendo a unidade e a indissolubilidade do matrimónio. Olhai com amor para os jovens, que são o presente e o futuro da Igreja e da sociedade. Cultivai um diálogo aberto com o mundo da cultura, ajudados pela convicção de que "a fé e a razão "se ajudam mutuamente", exercendo uma em prol da outra, uma função tanto de discernimento crítico e purificador, como de estímulo para progredir na investigação e no aprofundamento" (Carta Encíclica Fides et ratio, 100).

4. Tende cuidado dos fracos e dos pobres, em quem Cristo pede para ser reconhecido (cf. Mt 25, 40). Com solicitude pastoral, estai próximos dos desempregados, enfrentando a sua difícil situação e estimulando todas as forças sociais a fazer o possível para criar novos postos de trabalho, em que sobretudo os jovens possam encontrar posições oportunas para as suas capacidades, com frequência aprimoradas através de anos de preparação teórica e prática.

Sabeis muito bem como a promoção humana favorece também a evangelização, que permanece sempre o compromisso primeiro da Igreja. A este propósito, quero realçar que a celebração dos Sínodos diocesanos, já proclamados nas Dioceses de Banská Bystrica e de Kosice, será um instrumento útil para renovar e incrementar a acção pastoral e o anúncio da Boa Nova aos homens e às mulheres do nosso tempo.

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