Mensagem de condolências pelas vítimas do terremoto em são juliano de apúlia



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3. A Europa, que surgiu do encontro de diversas culturas com a mensagem cristã, vê crescer hoje no seu seio, devido à imigração, a presença de várias tradições culturais e religiosas. Não faltam experiências de colaboração frutuosa e os actuais esforços para um diálogo intercultural e inter-religioso deixam entrever uma perspectiva de unidade na diversidade, que faz ter esperança no futuro.

Isto não exclui um adequado reconhecimento, também legislativo, das específicas tradições religiosas nas quais cada Povo está radicado, e com as quais muitas vezes se identifica de maneira peculiar. A garantia e a promoção da liberdade religiosa constituem uma "prova" do respeito dos outros direitos e realizam-se através da previsão de uma adequada disciplina jurídica para as diversas confissões religiosas, como garantia da sua respectiva identidade e da sua liberdade. O reconhecimento do específico património religioso de uma sociedade exige o reconhecimento dos símbolos que o qualificam. Se, em nome de uma errada interpretação do princípio de igualdade, se renuncia a exprimir tal tradição religiosa e os relativos valores culturais, a fragmentação das hodiernas sociedades multiétnicas e pluriculturais poderia transformar-se facilmente num factor de instabilidade e, por conseguinte, de conflito. A consecução da unidade social e da paz não se pode verificar eliminando as peculiaridades religiosas de cada Povo: além de ser vão, esse propósito mostrar-se-ia ser pouco democrático, porque está em contraste com a alma das Nações e com os sentimentos da maioria das suas populações.

4. Depois de acontecimentos dramáticos como aos atentados terroristas de 11 de Setembro de 2001, também os representantes de numerosas religiões multiplicaram as iniciativas em favor da paz. O Dia de oração que promovi em Assis, a 24 de Janeiro de 2002 , concluiu-se com uma declaração dos representantes religiosos presentes, que por alguns foi definida "o decálogo de Assis". Entre outras coisas, empenhámo-nos a desenraizar as causas do terrorismo, fenómeno que está em contraste com o autêntico espírito religioso; a defender o direito de todas as pessoas a uma existência digna segundo a própria identidade cultural e a formarem livremente a própria família; a apoiar-se no esforço comum por derrotar o egoísmo e os abusos, o ódio e a violência, aprendendo da experiência do passado que a paz sem a justiça não é paz verdadeira.

Expressei aos representantes das religiões presentes em Assis a convicção de que "o próprio Deus inseriu no coração do homem um impulso instintivo a viver na paz e na harmonia. É um anseio mais íntimo e tenaz do que qualquer instinto de violência". Por isso "as tradições religiosas possuem os recursos necessários para ultrapassar as fragmentações e para favorecer a amizade recíproca e o respeito entre os povos... quem recorre à religião para fomentar a violência contradiz a sua inspiração mais autêntica e profunda".

5. Apesar de se registarem por vezes insucessos nas iniciativas de paz, é necessário continuar a ter esperança. O diálogo a todos os níveis económico, político, cultural, religioso dará os seus frutos. A confiança dos crentes baseia-se não só nos recursos humanos, mas também em Deus omnipotente e misericordioso. Ele é a luz que a todos os homens ilumina. Todos os crentes sabem que a paz é dom de Deus e que só n'Ele tem a sua fonte verdadeira. Só Ele nos pode dar a força para enfrentar as dificuldades e para perseverar na esperança de que o bem triunfará. Com estas convicções, certo de que as partilhais, desejo um bom êxito aos trabalhos da Conferência e invoco sobre todos a bênção de Deus omnipotente.

DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II A UMA DELEGAÇÃO DO CORPO DIPLOMÁTICO ACREDITADO JUNTO DA SANTA SÉ

Sexta-feira, 31 de Outubro de 2003

Senhores Embaixadores

Agradeço de coração as ardentes expressões de bons votos que, em vosso nome e em nome de todo o Corpo Diplomático acreditado junto da Santa Sé, o vosso Decano me dirigiu recordando o XXV aniversário do meu Pontificado. Agradeço ainda o significativo presente que, por essa ocasião, me foi apresentado.

Na vossa Delegação, representativa de diversas áreas geográficas do mundo, estou feliz por saudar todos os Países com os quais a Santa Sé mantém relações diplomáticas. Aproveito com prazer também esta oportunidade para manifestar vivo reconhecimento pelas numerosas manifestações de proximidade que nestes dias me foram obsequiadas por todos.

A vós, ilustres Senhores, renovo o meu desejo de um sereno e profícuo cumprimento da vossa nobre missão, ao serviço da concórdia e da paz. Com estes sentimentos, invoco sobre vós, sobre os que vos são queridos e sobre o vosso trabalho a abundância das bênçãos de Deus omnipotente.

DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II AO TERCEIRO GRUPO DE PRELADOS DA CONFERÊNCIA EPISCOPAL DAS FILIPINAS POR OCASIÃO DA VISITA "AD LIMINA APOSTOLORUM"

Quinta-feira, 30 de Outubro de 2003

Meus queridos Irmãos no Episcopado

1. É com grande alegria que vos dou as boas-vindas, membros do terceiro grupo de Bispos filipinos, no final desta série de visitas ad Limina. É-me grato saudar de modo especial o Arcebispo D. Diosdado Talamayan, enquanto lhe agradeço os bons votos que exprimiu em nome das Províncias Eclesiásticas de Manila, Lingayen-Dagupan, Nova Segóvia, São Fernando e Tuguegarao, e do Ordinariado Militar. Dou graças a Deus todo-poderoso por me ter dado a alegria, nos últimos meses, de me encontrar com quase todos os Bispos do vosso País, que hospeda a maior presença católica na Ásia, uma das mais vibrantes comunidades católicas do mundo. Estas visitas não só revigoraram os vínculos entre nós, mas também nos ofereceram uma singular oportunidade para analisar mais pormenorizadamente os bons êxitos alcançados e os desafios que ainda se apresentam à Igreja que está nas Filipinas. A este propósito, desejo elogiar todos vós pelo vosso excelente trabalho na Consulta Pastoral Nacional. Vós estais conscientes de que realizar um plano tão complexo não é uma tarefa fácil, mas dais-vos também conta de que não estais sozinhos neste empreendimento. Com efeito, como "Pastores do rebanho do Senhor", vós sabeis que podeis contar com uma graça especial no cumprimento do vosso ministério de Bispos (cf. Pastores gregis, 1).

Dado que já abordei os temas relativos à Igreja dos pobres e à comunidade dos discípulos do Senhor, agora quero reflectir sobre o empenhamento em ordem do compromisso numa "renovada evangelização integral".

2. Cristo deixou às pessoas que amava, o mandamento de anunciar o Evangelho a todos os povos, em todos os lugares (cf. Mc 16, 15). A garantia da Igreja que está nas Filipinas, de se comprometer em prol de uma renovada evangelização integral, demonstra o seu desejo de assegurar que a fé e os valores cristãos permeiem todos os aspectos da sociedade. A vossa Declaração sobre a Visão-Missão descreve a evangelização da seguinte maneira: "Daremos início a uma nova evangelização integral e a um testemunho do Evangelho de salvação e de libertação de Jesus Cristo mediante as nossas palavras, empreendimentos e vidas". Esta descrição da "nova evangelização" reconhece claramente que um elemento essencial deste processo é o testemunho. O mundo de hoje é constantemente bombardeado por palavras e informações. Por este motivo, e talvez mais do que nunca na história recente, as coisas que os cristãos fazem são mais eloquentes do que as coisas que eles dizem. Esta é, talvez, a razão pela qual a Madre Teresa de Calcutá fala a um número tão elevado de corações. Ela praticou aquilo que ouviu, anunciando o amor de Cristo a todas as pessoas com quem se encontrava, reconhecendo sempre que o que mais importa "não é tanto o que fazemos, mas quanto amor pomos naquilo que realizamos". Com efeito, "hoje em dias as pessoas confiam mais nas testemunhas do que nos mestres, mais na experiência do que no ensinamento, mais na vida e nas acções do que nas teorias". Por conseguinte, o testemunho amoroso da vida cristã será sempre "a primeira e insubstituível forma de missão" (Redemptoris missio, 42).

3. Os homens e as mulheres de hoje desejam ter modelos de testemunho autêntico do Evangelho. Eles aspiram a ser mais como Cristo e isto transparece nas numerosas formas de expressão da fé dos católicos filipinos. Um exemplo do esforço em vista de anunciar Cristo aos outros encontra-se no desenvolvimento de programas de assistência social destinados aos pobres e aos abandonados, a níveis tanto nacional como local. Esta dedicação à proclamação da Boa Nova é também evidente no vosso recurso efectivo aos mass media, para enobrecer a sensibilidade moral e promover uma maior solicitude pelas questões sociais.

Não obstante estas notáveis conquistas, ainda subsistem diversos obstáculos, como a participação de alguns católicos em seitas que só dão testemunho da superstição; a falta de familiaridade com os ensinamentos da Igreja; a defesa de determinadas atitudes contra a vida, que incluem a promoção activa do controle demográfico, do aborto e da pena de morte; e ainda, como observei no meu último discurso aos Bispos filipinos, a dicotomia insistente entre fé e vida (cf. Proceedings and Addresses of the NPCCR, Janeiro de 2001, pág. 146).

Uma forma concreta de abordar estas questões encontra-se no vosso compromisso em vista de animar e de desenvolver a missão ad gentes. Jesus, o "sumo evangelizador", pediu que os seus Apóstolos seguissem as suas pegadas, tornando-se os seus "emissários" pessoais. Como seus sucessores, tendes o dever sagrado de fazer com que aqueles que vos assistem no vosso ministério pastoral estejam prontos para transmitir a mensagem de Cristo ao mundo (cf. Catecismo da Igreja Católica, nn. 858-859). Vós só podereis assegurar esta disponibilidade, se garantirdes aos filipinos uma grande oportunidade de ouvir a palavra de Deus, de rezar, de contemplar, de celebrar o mistério de Jesus nos Sacramentos, especialmente na Eucaristia, e de ver exemplos da "verdadeira comunhão de vida e de integridade do amor" (Ecclesia in Asia, 23). Uma vez mais, afirmo que "quanto mais a comunidade cristã estiver radicada na experiência de Deus, que promana da fé viva, tanto mais credível poderá proclamar aos outros o cumprimento do Reino de Deus em Jesus Cristo" (Ibidem).

4. Os acontecimentos dos últimos anos nas Filipinas têm evidenciado a urgente necessidade de uma evangelização integral em todos os sectores da sociedade, especialmente nos campos governamental e de interesse público. Como cristãos solícitos e cidadãos do mundo, nunca podemos ignorar "o mal da corrupção, que está a debilitar o desenvolvimento social e político de numerosos povos" (Mensagem para o Dia Mundial da Paz de 1998, n. 5). A este propósito, deve-se esclarecer que nenhum ofício de serviço público jamais pode ser tratado como se fosse uma propriedade particular ou como um privilégio pessoal. A consideração de um cargo público como um benefício leva, necessariamente, ao favoritismo que, por sua vez, dá origem ao abuso, ao uso impróprio dos fundos públicos, ao suborno, à desonestidade, à venda de favores e à corrupção (cf. Proceedings and Addresses of the NPCCR, Janeiro de 2001, pág. 120).

O povo das Filipinas está consciente de que é necessária uma grande coragem para denunciar publicamente a corrupção. A eliminação da corrupção exige a ajuda concertada da parte de todos os cidadãos, a determinação resoluta das autoridades e uma sólida consciência moral. Nisto, a Igreja desempenha um papel importante, dado que ela é agente primário para formar adequadamente a consciência do povo. Em geral, a sua função não deveria ser a de uma intervenção directa em questões que são estrictamente políticas mas, pelo contrário, converter os indivíduos e evangelizar a cultura, de tal maneira que a própria sociedade possa assumir a tarefa de promoção da transformação social e desenvolver um sentido específico da transparência no governo e de rejeição da corrupção (cf. Apostolicam actuositatem, 7; cf. também Mensagem para o Dia Mundial da Paz de 1998 , n. 5).

5. Um modo de assegurar que a sociedade se comprometa activa e fielmente na evangelização integral consiste em oferecer aos jovens uma formação adequada no início da sua peregrinação de fé e de vida. A minha presença na Jornada Mundial da Juventude em Manila (1995), permitiu-me dar um testemunho pessoal do entusiasmo que os jovens podem ter por Cristo e pela sua Igreja. Este anseio por conhecer mais acerca da sua fé é evidenciado pelo elevado número de jovens que participam na vida paroquial. Quero felicitar a Igreja que está nas Filipinas, por tudo o que ela tem feito para oferecer um cuidado pastoral propício aos jovens. Muitas das vossas dioceses organizam acampamentos de Verão, retiros, missas frequentes para a juventude e cursos de assistência à formação juvenil. O que mais impressiona é o modo como as vossas comunidades locais procuram conhecer as solicitudes e escutar as sugestões dos jovens, oferecendo-lhes a possibilidade de ter voz activa na Igreja (cf. Ecclesia in Asia, 47).

Ao mesmo tempo, ainda existem obstáculos à evangelização entre os jovens. No seio de certas famílias, os pais não encorajam os filhos a participar nas actividades promovidas pela Igreja. A potencialidade dos jovens é também ameaçada pelo analfabetismo, pelo desejo de bens materiais, por uma atitude distraída em relação à sexualidade humana e pela tentação do abuso das drogas e do álcool. Vós mencionastes a vossa tristeza diante dos numerosos jovens que deixaram a Igreja católica, em favor das seitas fundamentalistas, muitas das quais salientam mais as riquezas materiais do que as espirituais. Em resposta a estas preocupações, rezo a fim de que continueis a empenhar os jovens, especialmente os que correm os maiores riscos, oferecendo-lhes uma educação católica acessível e dando-lhes a possibilidade de participar nas actividades juvenis promovidas pela própria Igreja, e ajudando-os a compreender melhor que somente Cristo tem palavras de vida eterna (cf. Jo 6, 63).

6. Enfim, queridos Irmãos, peço-vos que continueis a encorajar o clero e os religiosos, que dedicam uma boa parte do seu tempo e das suas energias, procurando desenvolver formas criativas e efectivas de difusão da mensagem salvífica de Cristo. Assegurai-lhes que o seu papel singular como arautos do Evangelho é essencial para o bom êxito da evangelização integral. A este propósito, desejo exprimir a minha gratidão, tanto aos missionários como aos religiosos do passado, que anunciaram Jesus ao povo filipino, e também àqueles que continuam a tornar a sua presença conhecida nos nossos dias. Damos graças a Deus porque, como afirmou o Concílio Vaticano II, o "Senhor chama sempre de entre os discípulos aqueles que quer, para... os enviar a evangelizar os povos" (Ad gentes, 23). Faço votos por que todos os fiéis da Igreja continuem a encorajar os homens e as mulheres a responder ao chamamento desta "vocação especial", modelada em conformidade com a dos Apóstolos (cf. Redemptoris missio, 65).

7. Meus estimados Irmãos Bispos, ao regressardes às vossas Igrejas locais, peço a Deus que vos fortaleça no vosso compromisso em favor de uma renovada evangelização integral, nos vossos esforços em vista de "apresentardes Aquele que inaugura uma nova era da história e proclamardes ao mundo a Boa Nova de uma salvação integral e universal, que contém em si o penhor de um novo mundo, onde o sofrimento e a injustiça darão lugar à alegria e à beleza" (Pastores gregis, 65). Enquanto vos confio a todos, assim como o clero, os religiosos e os fiéis leigos das Filipinas à protecção de Maria, Mãe da Igreja, concedo-vos do íntimo do coração a minha Bênção apostólica.


MENSAGEM DO PAPA JOÃO PAULO II AO ARCEBISPO-MOR DE LVIV DOS UCRANIANOS POR OCASIÃO DO 150° ANIVERSÁRIO DO NASCIMENTO DO FILÓSOFO VLADIMIR SOLOVIEV

Ao Senhor Cardeal Lubomyr HUSAR Arcebispo-Mor de Lviv dos Ucranianos

1. Foi com profunda alegria que tomei conhecimento da Assembleia internacional que a Universidade católica ucraniana, em colaboração com a Sociedade "Soloviev" de Genebra e com outras instituições culturais da Ucrânia, organizou por ocasião do sesquicentenário do nascimento de Vladimir Serghieievitch Soloviev.

Meu venerado Irmão, nesta feliz circunstância, é-me grato transmitir por seu intermédio aos organizadores desta Assembleia, aos oradores e às pessoas que nela participarem, as minhas cordiais saudações e o meu encorajamento por esta iniciativa, destinada a aprofundar o pensamento de um dos maiores filósofos russos cristãos dos séculos XIX-XX.

Este acontecimento, que reúne em Lviv pessoas de culturas oriental e ocidental, oferecer-lhes-á a oportunidade de confrontar as suas reflexões sobre a verdade do único Evangelho de Cristo e de constatar a sua possível fecundidade recíproca, confirmando como é necessário que a Igreja saiba respirar com os seus dois pulmões: a tradição oriental e a tradição ocidental. Por conseguinte, à dimensão propriamente cultural une-se um aspecto ecuménico inegável, extremamente importante no contexto eclesial contemporâneo.

2. Uma das principais aspirações de Vladimir Soloviev, que conhecia bem a oração que Cristo dirigiu ao seu Pai na última Ceia (cf. Jo 17, 20-23), consistia na unidade da Igreja. Formado desde a sua mais tenra idade na profunda espiritualidade ortodoxa, ele conheceu diferentes períodos culturais, durante os quais teve a ocasião de acompanhar o pensamento filosófico ocidental. Contudo, decepcionado pelas respostas incompletas que a reflexão humana oferecia às angústias que atormentavam o seu coração, em 1872 ele voltou à fé cristã da sua infância.

Tanto o seu pensamento, fundamentado sobre a Sabedoria de Deus e sobre as bases espirituais da vida, como as suas intuições relativas à filosofia moral e ao sentido da história humana, influenciaram o vigoroso florescimento do pensamento russo contemporâneo, reflectindo-se de igual modo na cultura europeia e favorecendo um diálogo fecundo e rico sobre algumas problemáticas fundamentais de teologia e de espiritualidade.

Soloviev nutriu, especialmente a partir dos anos da sua maturidade, o ardente desejo de que as Igrejas entrassem igualmente numa perspectiva de encontro e de comunhão, cada qual com os tesouros da sua tradição, mas sentindo-se mutuamente responsáveis pela unidade substancial da fé e da disciplina eclesial. Em vista de alcançar esta finalidade, tão querida ao grande pensador russo, a Igreja católica comprometeu-se de maneira irreversível a todos os níveis.

3. O tema da Assembleia, "Vladimir Soloviev, a Rússia e a Igreja universal", reflecte bem a preocupação essencial deste grande autor. O estudo do seu pensamento sobre a natureza universal da Igreja de Cristo salientará uma vez mais o dever das comunidades do Oriente e do Ocidente: pôr-se à escuta da vontade de Cristo, no que se refere à unidade dos seus discípulos. Vladimir Soloviev estava convencido de que somente na Igreja de Cristo a humanidade pode chegar a uma convivência plenamente solidária.

Que a redescoberta dos tesouros do seu pensamento favoreça uma melhor compreensão entre o Oriente e o Ocidente e, em particular, apresse o caminho de todos os cristãos rumo à plena unidade no único redil de Cristo (cf. Jo 10, 16)!

Enquanto formulo os melhores votos para o bom êxito desta Assembleia internacional, invoco a intercessão da Santíssima Mãe do Salvador e concedo-lhe uma afectuosa Bênção apostólica, manancial de abundantes dons celestiais, assim como aos demais Cardeais, aos oradores e às pessoas que, de várias maneiras, estiverem presentes neste encontro.

Vaticano, 28 de Outubro de 2003, festividade dos Santos Apóstolos Simão e Judas.


MENSAGEM DO PAPA JOÃO PAULO II AOS IRMÃOS CAPUCHINHOS ITALIANOS POR OCASIÃO DO SEU "CAPÍTULO DAS ESTEIRAS"

Caríssimos Irmãos Capuchinhos italianos!

1. Dirijo-me a vós com afecto e cordialmente vos saúdo por ocasião do Capítulo das Esteiras dos Capuchinhos italianos. Estendo a minha saudação a toda a vossa benemérita Ordem, guiada pelo Ministro-Geral Pe. John Corriveau, ao qual envio um pensamento de bons votos.

Esta vossa reunião na seráfica cidade de Assis, junto ao sepulcro de São Francisco, fonte viva do carisma franciscano, reveste uma significativa importância seja pelo número dos participantes de facto sois 500, representando aproximadamente 2.500 Irmãos da Itália , seja pelo perfil do encontro, que faz reviver aquela primeira e singular assembleia desejada por São Francisco e conhecida como o "Capítulo das Esteiras" (Leggenda perugina, n. 114; FF 1673). As temáticas que pretendeis aprofundar inspiram-se no conhecido "Pequeno Testamento" de Siena (FF 132-135), que bem evidencia a solicitude do vosso Fundador pela Ordem e as suas últimas vontades: o amor recíproco entre os Frades, o amor pela pobreza evangélica, o amor pela Igreja.

Pretendeis enquadrar as vossas reflexões no contexto eminentemente existencial e dinâmico das modificadas condições do tempo presente em contínua evolução, à luz dos desígnios providenciais de Deus, que acompanha com o seu amor a "história sagrada" desta nossa época.

2. "Como sinal da recordação da bênção e do testamento" (FF 133) de São Francisco, a vossa primeira preocupação será sublinhar o sentido e as consequências que o vosso Fundador vos deu: Quis-vos chamar "Frades", "Irmãos". Os termos Irmandade e Irmão expressam significativamente para vós a novidade evangélica do "mandamento novo". O ser irmão deve caracterizar as vossas disposições diante de Deus, diante de vós mesmos e diante de todas as criaturas. Portanto, em função do fundamental valor evangélico da fraternidade vivida, assumem para vós conotações próprias a espiritualidade, o modo de viver, as escolhas operativas, os critérios pedagógicos, os sistemas de governo e de convivência, as actividades e os métodos apostólicos, enfim, a vossa própria identidade carismática de grupo bem definido dentro da Igreja.

Este modo de vida em fraternidade constitui um desafio e uma proposta no mundo actual, muitas vezes "dilacerado pelo ódio étnico ou pela loucura homicida", açoitado pelas paixões e pelos interesses contrastantes, desejoso de unidade mas incerto sobre "qual caminho seguir" (cf. Vita consecrata, 51). Viver a fraternidade dos verdadeiros discípulos de Cristo pode constituir uma singular "bênção" para a Igreja e uma "terapia espiritual" para a humanidade (cf. ibid., 87). A fraternidade evangélica, de facto, colocando-se "quase como modelo e fermento de uma vida social, convida os homens a promover entre si relações fraternas e a unir as forças em vista do desenvolvimento e da libertação de toda a pessoa humana, assim como de um autêntico progresso social" (Constituições da O.F.M. Cap., 11, 4).

Como irmãos e membros da fraternidade, vós constituís uma "Ordem de Irmãos". Este peculiar estilo fraterno deve reflectir e favorecer o sentido de pertença de todos a uma grande família sem fronteiras. Uma conversão contínua e total à "fraternidade" por parte dos indivíduos das Fraternidades locais e das Províncias poderá conduzir-vos a um tipo de globalização da caridade vivida pelos irmãos a nível de Ordem, com a possibilidade real e plenamente normal de dispor dos recursos individuais e comunitários para o serviço fraterno e "minorítico" das exigências prioritárias e gerais da inteira Fraternidade capuchinha.

3. Outro tema ao qual pretendo ater-me é o do amor para com a pobreza à luz da "minoridade".

Este termo qualifica a vossa denominação completa ("Frades Menores") e abraça, juntamente a outros aspectos significativos do carisma capuchinho, a própria pobreza. Na dimensão da "minoridade", que deve caracterizar o vosso ser e agir, concentra-se neste momento a atenção de toda a Ordem em vista do Conselho Plenário. Estou certo de que as reflexões emergidas neste "Capítulo das Esteiras" contribuirão para compreender e realizar cada vez mais concretamente este valor, o qual especificamente vos identifica na Igreja. Como tive a oportunidade de vos dizer noutra ocasião, isso torna-vos "próximos e solidários com as pessoas humildes e simples", e faz da vossa fraternidade menor "um ponto de referência cordial e acessível aos pobres e a todos os que sinceramente buscam a Deus" (Mensagem de 18 de setembro de 1996).

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