Mensagem de condolências pelas vítimas do terremoto em são juliano de apúlia



Baixar 3.59 Mb.
Página55/105
Encontro19.07.2016
Tamanho3.59 Mb.
1   ...   51   52   53   54   55   56   57   58   ...   105

Ao Reverendo Padre Joseph Tobin Superior-Geral da Congregação do Santíssimo Redentor

1. O Capítulo Geral que este Instituto está a celebrar oferece-me a agradável oportunidade de dirigir a Vossa Reverência bem como aos Delegados, e a todos os Irmãos de hábito a minha cordial saudação. Uno de bom grado as minhas fervorosas felicitações, estimado Padre, pela renovação do cargo de Superior-Geral, e faço votos de proveitoso trabalho tanto a Vossa Reverência como ao Conselho Geral. Nestes dias de intensa oração e reflexão comum, tendes a intenção de recolher energias para dar um renovado impulso ao anúncio da "copiosa redemptio" aos pobres, que constitui o núcleo central do carisma da Congregação do Santíssimo Redentor. Com efeito, a ideia-guia do Capítulo Geral é a reflexão sobre "dar a vida pela copiosa redenção". O Espírito Santo conceda a cada um aquela sabedoria do coração e aquele fervor profético que são indispensáveis para garantir à vossa Família religiosa um impulso missionário mais vigoroso.

Nesta importante ocasião, tenho o prazer de dar continuidade, com a vossa Congregação, a um diálogo que, nos anos passados, conheceu momentos de particular intensidade. Na Carta apostólica Spiritus Domini, por ocasião do segundo centenário da morte de Santo Afonso (1987), tive a ocasião de recordar a actualidade da mensagem moral e pastoral do Padroeiro dos Confessores e dos Moralistas, "mestre de sabedoria no seu tempo", que "com o exemplo de vida e com o ensinamento continua a iluminar, como luz reflectida de Cristo, luz dos povos, o caminho do Povo de Deus" (cf. AAS 79 [1987], 1365).

Dez anos mais tarde, por ocasião do terceiro centenário da sua morte, escrevi: "É necessário anunciar com vigor a plenitude de significado que Cristo abre à vida do homem, o fundamento inabalável que oferece aos valores, a esperança nova que introduz na nossa história. É necessário encarnar esta pregação no concreto dos desafios que a humanidade de hoje deve enfrentar e das quais depende o seu próprio futuro. Só assim poderá tomar forma aquela civilização do amor por todos desejada" (AAS 89 [1997], 142).

2. O Capítulo Geral leva-vos agora a examinar a situação do vosso Instituto que, assim como outros, está a atravessar em algumas partes do mundo uma fase de encorajadora retomada, enquanto que em outras, regista sinais de crise e de cansaço. Se, por exemplo, em certos Países florescem as vocações, noutros elas escasseiam de maneira tão preocupante que se põe em dúvida o próprio futuro da vossa presença em certas regiões. Se a tentação de se conformar com estilos de vida, hoje culturalmente dominantes, conquistasse a simpatia das vossas comunidades, correria o risco de enfraquecer o seu espírito religioso e o estímulo evangelizador. De igual modo, um fechamento resignado em formas pastorais que já não dão respostas adequadas à necessidade de redenção dos homens de hoje poderia impedir o desejado despertar missionário de toda a vossa família religiosa.

Por conseguinte, como é oportuno o discernimento que, perscrutando profeticamente os sinais dos tempos, desejais realizar à luz da Palavra de Deus! Tenho a certeza de que o Capítulo Geral dará um impulso mais decisivo à obra de renovação que empreendestes, detectando prioridades e opções apostólicas corajosas, envolvendo todos os Irmãos de hábito nos consequentes compromissos de generosa aplicação.

Caríssimos Redentoristas! Deixai-vos guiar pelo Espírito do Senhor crucificado e ressuscitado. Repito-vos aqui, o que escrevi a todo o povo de Deus na Carta apostólica Novo millennio ineunte: "Sigamos em frente, com esperança! Diante da Igreja abre-se um novo milénio como um vasto oceano onde aventurar-se com a ajuda de Cristo. O Filho de Deus, que encarnou há dois mil anos por amor do homem, continua também hoje a agir: devemos possuir um olhar perspicaz para a contemplar, e sobretudo um coração grande para nos tornarmos instrumentos dela" (n. 58).

3. Segui em frente com esperança! Como o vosso Fundador, esforçai-vos por manter o olhar fixo no Redentor e deixai-vos guiar por Maria, sua e nossa Mãe. Só assim podereis ser "colaboradores, sócios e ministros de Jesus Cristo na grande obra da Redenção" (Constituições e Estatutos da Congregação do Santíssimo Redentor, Roma 2001, n. 2).

Vós sois chamados a participar "na missão da Igreja", unindo a vida de especial dedicação a Deus com a actividade missionária, a exemplo do nosso Salvador Jesus Cristo ao pregar aos pobres a palavra divina, como Ele já disse de si mesmo: "Evangelizare pauperibus misit me" (Lc 4, 18). Para levar a bom termo este especial serviço missionário, é necessário, antes de mais, que cultiveis uma intensa oração pessoal e comunitária.

O povo que vos encontra deve sentir que sois "homens de Deus" e, no contacto convosco, experimentar o amor do Pai celeste misericordioso, que não hesitou em oferecer o seu Filho Unigénito (cf. 1 Jo 4, 9-10) para a salvação da humanidade. Deve entrever em vós a atitude interior de Jesus Bom Pastor, sempre à procura da ovelha perdida, e disposto a festejar quando a encontra (cf. Lc 15, 3-7).

4. As Constituições do vosso Instituto convidam-vos a identificar as urgências pastorais do momento, tendo em conta que o vosso ministério se caracteriza, mais do que por algumas formas de actividade específicas, por um serviço de amor prestado àqueles homens e grupos mais abandonados e pobres devido à condição espiritual e social.

Desempenhai este apostolado com uma "fidelidade criativa", que conserve o espírito das origens, propondo de novo a criatividade, a imaginação e a santidade do vosso Fundador como resposta aos sinais dos tempos emergentes no mundo de hoje (cf. Exort. Apost. Vita consecrata, 37). Com efeito, também nos nossos dias, devido a numerosas causas, muitas pessoas estão afastadas de Cristo e da Igreja e muitas outras esperam o primeiro anúncio do Evangelho. Estimulados pelo exemplo de Santo Afonso, e de outros Santos e Beatos do vosso Instituto, não hesiteis em ir ao encontro delas, para lhes apresentar o Evangelho com uma linguagem adequada às várias situações pessoais e ambientais.

5. Na escola do Fundador, tornai-vos mestres de vida evangélica e, fazendo uso do estilo popular que distingue os vossos métodos pastorais, recordai a todos os baptizados a sua chamada à santidade, "medida alta" da vida cristã ordinária" (Carta apost. Novo millennio ineunte, 31). Santo Afonso Maria de Liguori comprometeu-se a fazer crescer no Povo cristão esta consciência. "É um grande erro escrevia ele o que alguns dizem: Deus quer que todos sejam santos. Não, diz São Paulo: Haec est... voluntas Dei sanctificatio vestra (1 Ts 4, 3). Deus quer que todos sejam santos, e cada um no seu estado" (Prática do amor Jesus Cristo, em Obras Ascéticas, vol. 1, Roma 1993, 79).

A busca da santidade esteja na base de qualquer programação pastoral e as vossas comunidades apresentem-se como "oásis" de misericórdia e de acolhimento, escolas de intensa oração, que todavia não afaste do compromisso com a história (cf. Carta Apost. Novo millennio ineunte, 33). Os percursos da santidade são pessoais, e exigem uma verdadeira e própria pedagogia da santidade, capaz de se adaptar aos ritmos de cada um dos indivíduos (cf. ibid., 31). A sociedade complexa, em que vivemos, faz aumentar ainda mais a importância deste serviço apostólico, começando pelos jovens, que com frequência se confrontam com propostas de vida contraditórias. Partilhar este vosso carisma com os leigos, para que também eles estejam prontos a "dar a vida pela copiosa redenção". Assim, a vossa acção apostólica tornar-se-á "serviço à cultura, à política, à economia, à família" (ibid., 51).

6. Se anunciardes com alegria e coerência de vida a "copiosa redemptio", suscitareis ou corroborareis a esperança evangélica no coração de muitas pessoas, sobretudo entre os que mais necessidade têm, porque estão marcados pelo pecado e pelas suas nefastas consequências. Faço ardentes votos por que da assembleia capitular surjam directrizes úteis para uma programação apostólica incisiva, que responda às expectativas e aos desafios do nosso tempo. Ampare-vos nesta missão Maria, Mãe do Perpétuo Socorro, o vosso Fundador e todos os santos e Beatos da vossa família espiritual.

Ao assegurar-vos uma constante recordação no altar, envio-lhe de coração, Reverendo Padre, assim como aos Padres Capitulares e a toda a Congregação do Santíssimo Redentor uma especial Bênção.


MENSAGEM DO PAPA JOÃO PAULO II À SUA SANTIDADE BARTOLOMEU I, PATRIARCA ECUMÉNICO POR OCASIÃO DA SOLENIDADE DE SANTO ANDRÉ APÓSTOLO

A Sua Santidade Bartolomeu I Arcebispo de Constantinopla Patriarca Ecuménico

Depois de ter recebido com sentimentos de alegria a Delegação que Vossa Santidade enviou a Roma para a festa dos Santos Pedro e Paulo, é com a mesma alegria que eu participo hoje, mediante esta mensagem, na festa do Apóstolo André, padroeiro da Igreja que está em Constantinopla, e me associo à vossa oração. Estas festas patronais permitem-nos viver melhor a alegria de sermos irmãos e de partilhar a mesma comunhão de intenções e uma só esperança; elas são também um sinal do nosso desejo de unidade e de comunhão plena que é preciso encorajar e dar-lhe continuidade de modo evidente para o mundo, para os nossos fiéis e para todas as pessoas que trabalham e rezam pela comunhão do Oriente e do Ocidente cristãos. Desde o começo da sua instituição, compreendemos a importância da participação recíproca nestas festas patronais, pois ela constitui a expressão mais completa do nosso desejo recíproco de criar entre nós um contexto de amor e de participação na oração uns dos outros, de modo a alimentar e a aprofundar o nosso desejo da plena comunhão.

O dia 16 de Outubro passado foi para mim um momento que eu vivi com uma intensidade espiritual particular. Confiei ao Senhor os vinte e cinco anos que transcorreram depois da minha eleição à Sé de Pedro. Por ocasião da celebração deste aniversário, percorri igualmente de novo com o pensamento os numerosos acontecimentos que marcaram o meu empenho para que a única Igreja de Cristo possa respirar mais amplamente com os seus dois pulmões; para que as Igrejas do Ocidente e do Oriente, que durante um milénio souberam crescer juntas e conciliar as suas grandes tradições vitais, caminhem cada vez mais rumo à plena comunhão que as circunstâncias históricas do segundo milénio tinham danificado [cf. Discurso do Patriarca Dimitrios I, 29 de Novembro de 1979 em AAS 16 (1979), pág. 1590].

Recordo-me do encontro em Jerusalém, durante o Concílio Vaticano II, entre o meu predecessor, o Papa Paulo VI, e o Patriarca Atenágoras. Eles inauguraram o diálogo da caridade que levou ao diálogo da verdade. Recordo-me da minha visita ao Fanar pouco tempo depois da minha eleição, a visita a Roma do seu predecessor de venerada memória, o Patriarca Dimitrios. São numerosos os momentos que recordo, e por eles agradeço ao Senhor, são muitos os gestos que realçaram o nosso desejo de comunhão desde quando, pela graça de Deus, Roma e Constantinopla se comprometeram no mesmo caminho e, diante do Concílio reunido, realizaram o acto mediante o qual as excomunhões de 1054 foram anuladas. As nossas celebrações na ocasião do quadragésimo aniversário deste acontecimento, símbolo e garantia do nosso compromisso e das nossas decisões.

Ao recordar o caminho percorrido, recordo-me com emoção das ocasiões dos nossos encontros, sobretudo da sua visita a Roma em 1995, para a festa dos Santos Pedro e Paulo, quando proclamámos juntos na Basílica de São Pedro o símbolo da fé na língua litúrgica do Oriente, e quando abençoamos juntos os fiéis, da fachada da Basílica. E mais recentemente, quando Sua Santidade se uniu a mim, em Assis, para implorar o dom da paz para o mundo ameaçado pelo ódio e cada vez mais em busca de Deus. Tudo isto dá a medida da continuidade do nosso compromisso e permite-nos ter confiança no Senhor. Deus é bondoso connosco; de facto, ao longo destes anos, os nossos laços manifestaram o espírito da família que nos unem e que, apesar das dificuldades, nos fazem progredir para a finalidade que nos é fixada por Cristo e que os nossos predecessores se dedicaram a traçar com vigor.

Podemos dizer que vivemos sob o sinal da Cruz e na esperança da Páscoa. Estamos repletos da esperança que o Senhor levará a termo a obra de restabelecimento da unidade que Ele inspirou. Por seu lado, a Igreja de Roma manterá esta opção irreversível do Concílio Vaticano II, que abraçou esta causa e este dever. Na liturgia romana, associamo-nos todos os dias à oração de Cristo que, nas vésperas da sua morte, rezou ao Pai pela unidade dos seus discípulos. Temos a certeza de que o Senhor nos concederá um dia, quando ele quiser, a alegria de nos encontrarmos na plena comunhão e na unidade visível que Ele deseja para a sua Santa Igreja.

Estimado Irmão, Sua Eminência o Cardeal Walter Kasper trocará com Vossa Santidade o ósculo da paz no final da Liturgia que Vossa Santidade presidirá hoje na Igreja Patriarcal de São Jorge. Tenha a certeza de que é o Bispo de Roma que lhe oferece este ósculo com sentimentos de gratidão pelo caminho que Vossa Santidade aceitou percorrer até agora com ele. Peço ao Senhor que abençoe o seu Ministério para a Igreja de Constantinopla e todas as santas Igrejas ortodoxas, para que elas possam crescer e prosperar, na proclamação d'Aquele que é Santo e que derrama em abundância sobre nós os seus dons de santidade, de sabedoria e de paz.

Vaticano, 26 de Novembro de 2003.


DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II AO PRIMEIRO GRUPO DE BISPOS DA FRANÇA, DAS PROVÍNCIAS ECLESIÁSTICAS DE CAMBRAIA E DE REIMS

28 de Novembro de 2003

Caros Irmãos no Episcopado

1. É com alegria que vos recebo a todos, Bispos das Províncias de Cambraia e de Reims. Vós inaugurais a série de encontros que terei com os Pastores da Igreja que está na França, e assim alegro-me por ter a ocasião, nas semanas vindouras, de dialogar com o conjunto dos Prelados da Conferência Episcopal. É com emoção que me recordo da minha viagem à vossa região e das Jornadas Mundiais da Juventude, que vós acabais de evocar. Elas mobilitaram em grande medida os jovens e, como vós o dizeis e como salientam os vossos relatórios e, de maneira regular, os vossos boletins diocesanos, elas deram um novo impulso aos jovens católicos do vosso país.

Desejo dirigir uma saudação especial aos três Bispos nomeados recentemente. Agradeço a D. Thierry Jordan, Arcebispo de Reims, que se fez vosso intérprete, as palavras com que quis manifestar o vosso affecto collegialis, o vosso ardor apostólico e a vossa esperança, e os bons votos de que se fez portador por ocasião dos meus vinte e cinco anos de Pontificado. Fico particularmente sensibilizado pela perspectiva em que vós realizais a vossa visita "ad Limina", que constitui um tempo forte na vida espiritual e na missão de um bispo, além de uma significativa experiência de comunhão entre os Pastores.

2. No mundo contemporâneo, como se pode denotar dos vossos relatórios quinquenais, a vossa missão tornou-se sem qualquer dúvida mais complexa e delicada, nomeadamente em virtude da situação de crise que continuais a enfrentar, em grande parte caracterizada pela fragilidade espiritual e pastoral, e por um clima social em que os valores cristãos e a própria imagem da Igreja não são compreendidos de maneira positiva, no seio de uma sociedade onde reina com frequência um comportamento moral de subjectivismo e lassidão. De igual modo, vós estais a enfrentar o grave problema da diminuição do clero e das pessoas consagradas. Entretanto, independentemente das circunstâncias apostólicas em que viveis, para que a esperança de Jesus Cristo não cesse de habitar em vós e de orientar o vosso ministério, encorajo-vos, como recordei na Exortação Apostólica pós-sinodal Pastores gregis, retomando aquilo que já tinha sido salientado pelos Bispos, durante a Assembleia sinodal, a prestar atenção à vossa própria vida espiritual, alicerçando o vosso ministério num vigoroso relacionamento com Jesus Cristo, na meditação prolongada da Sagrada Escritura e numa intensa vida sacramental. Desta forma, sereis capazes de comunicar aos fiéis o desejo de viver em união íntima com Deus, para que eles consigam confirmar a sua fé, e que, em conjunto, vós possais propor a fé aos vossos compatriotas, no espírito dos documentos que acabastes de redigir, sobre o anúncio do Evangelho. Com efeito, toda a missão se fundamenta sobre este vínculo privilegiado com o Salvador porque, como afirma o Apóstolo, em todas as circunstâncias, é Deus quem proporciona o crescimento (cf. 1 Cor 3, 6). Desde as origens da Igreja, os Apóstolos estavam conscientes do perigo que corriam perante as exigências que podiam derivar do seu ministério. Assim, tiveram o cuidado de lhes recordar que é importante "ser assíduos na oração e no serviço da palavra" (Act 4, 6), para persistir numa fé que não pode ser erradicada, capazes de permanecer vigilantes e de enfrentar todos os desafios que se apresentam no anúncio da verdade e nos relacionamentos entre as pessoas (cf. São Gregório Magno, Homilia sobre Ezequiel, I, 11, 4-6). Em toda a vida cristã, como já tive o ensejo de evocar na Carta Apostólica Novo millennio ineunte (cf. n. 39) e, a fortiori, na missão apostólica, o vínculo a Jesus Cristo e a frequência da Palavra, sobretudo através da lectio divina, que permite assimilar a Palavra de Deus e que modela a existência do homem, são fundamentais.

3. Na vida e na missão dos Bispos, a colaboração fraternal e o cuidado pela comunhão são elementos essenciais para manifestar a unidade de todo o Corpo eclesial. Efectivamente, como afirma o Apóstolo Paulo, "vivendo o amor autêntico, nós crescemos sob todos os aspectos em direcção a Cristo, que é a Cabeça. Ele organiza e dá coesão ao corpo inteiro, através de uma rede de articulações, que são os membros, cada um com a sua própria actividade, para que o corpo cresça e se construa a si mesmo no amor" (Ef 4, 15-16). Deste modo, a coesão cada vez maior do colégio apostólico depende do crescimento do Corpo inteiro da Igreja. Conheço o cuidado com que procurais desempenhar da melhor forma possível o vosso ministério episcopal, segundo a sua própria natureza, ocupando-se da grei, e em conformidade com a natureza que é própria do ministério da Igreja. A este propósito é-me grato, no decorrer deste ano em que celebramos a festa do 50º aniversário da obra-prima do Cardeal Henri de Lubac, "Meditações sobre a Igreja", evocar em primeiro lugar convosco o mistério da Igreja, Corpo de Cristo, no seio do qual vós viveis como sucessores dos Apóstolos, encarregados de governar, de ensinar e de santificar o povo cristão, como desejei lembrar na minha recente Exortação Apostólica pós-sinodal Pastores gregis (cf. n. 5). Hoje é mais importante do que nunca levar os fiéis a descobrir o sentido e a grandeza do mistério da Igreja de Cristo, amplamente abordados no contexto da Constituição dogmática conciliar Lumen gentium, que deveria ser ulteriormente estudada. Este mistério remete para o mistério da Eucaristia, uma vez que a Eucaristia faz a Igreja e a Igreja faz a Eucaristia (cf. Ecclesia de Eucharistia, 26). A Igreja é chamada e congregada por Jesus Cristo, que lhe comunica a sua própria vida e lhe incute o Espírito Santo. Participando no sacrifício eucarístico, memorial do sacrifício da Cruz, os cristãos recebem o Salvador realmente presente, para se conformarem com o Senhor e, através dele, viverem na comunhão fraterna, unidos aos seus pastores, que representam Cristo, Cabeça e Chefe do rebanho. Sem um conhecimento sério e aprofundado do mistério da Igreja, que remete sempre para Cristo, é óbvio que não se pode compreender o sentido dos ministérios ordenados e, de maneira mais geral, da estrutura da Igreja; graças a estes ministérios, a Igreja pode, na esteira dos Apóstolos, anunciar o Evangelho até aos extremos confins da terra (cf. Mc 16, 15). Por conseguinte encorajo-vos, juntamente com todas as pessoas competentes nesta matéria, a dar continuidade, mediante catequeses adequadas, à formação do povo de Deus acerca da natureza divina da Igreja, que faz intrinsecamente parte do mistério cristão, como nós proclamamos no Credo: "Creio na Igreja, una, santa, católica e apostólica", assim como no sentido do ministério episcopal. Isto contribuirá para uma maior unidade das diferentes comunidades diocesanas.

Alimentados por esta contemplação do mistério da Igreja, os fiéis serão fortalecidos no seu amor a Jesus Cristo e ao seu Corpo místico, e compreenderão aquilo que devem fazer para participar de maneira mais integral na nova evangelização. Com efeito, para ser evangelizador, é necessário ter o cuidado de construir a Igreja em conformidade com a vontade do Senhor e as moções do Espírito Santo, e desejar ser filhos da Igreja onde, como Santa Teresa de Lisieux exprimia com entusiasmo, cada um é chamado a encontrar a sua própria vocação, para a glória de Deus e a salvação do mundo. De igual modo, isto supõe que cada um tenha a consciência de que é, à sua maneira e pessoalmente, no seio da sua família e na sua comunidade, imagem da Igreja aos olhos do mundo. Então, profundamente radicados em Cristo, os fiéis comprometer-se-ão por toda a vida a ser testemunhas da boa nova da salvação, partindo em busca da ovelha tresmalhada; eles serão mensageiros e artífices da unidade, para construir um mundo reconciliado (cf. Paulo VI, Evangelii nuntiandi, 14-15; 29 e 31).

4. Em ordem a manifestar ainda mais e de forma mais íntima a colegialidade episcopal, de realizar um trabalho pastoral cada vez mais eficaz e de aumentar as colaborações necessárias, vós aceitastes com coragem, depois de um tempo de reflexão, efectuar um determinado número de mudanças, entre as quais a reorganização das Províncias Eclesiásticas, retomando assim a antiga forma das relações entre as vossas dioceses que, ao longo dos séculos, favoreceu uma intensa vida de colaboração entre os Bispos, em particular nos planos doutrinal e pastoral, como dão testemunho disto os Concílios e os Sínodos provinciais. É suficiente evocar aqui os Concílios provinciais do século IV e a figura de São César de Arles, de quem nós conhecemos a importância do ensinamento teológico. Esta referência à história não pode deixar de suscitar, tanto junto dos Pastores como nas comunidades em geral, o desejo de fazer viver nos dias de hoje a Igreja de Cristo, mediante um compromisso renovado. Quanto a vós, a diminuição do número de sacerdotes e das forças vivas exigirá que, sem dúvida, sem prejudicar a responsabilidade própria de cada Igreja, as dioceses de uma mesma província possam unir-se para juntos, nomeadamente no campo da catequese, da formação permanente do clero e dos leigos, assim como em tudo aquilo que diz respeito às vocações, evitando assim a dispersão e suscitando novos dinamismos. A dimensão mais reduzida das novas Províncias Eclesiásticas, em relação às antigas regiões apostólicas, constituirá doravante para vós uma ocasião particularmente oportuna para realizar um trabalho colegial mais intenso, num conjunto pastoral relativamente unificado. Formulo votos a fim de que isto revigore os vossos vínculos de comunhão fraternal, vos dê ajuda e apoio na vossa vida pessoal e na vossa missão.

Os Bispos são incessantemente chamados a dar um testemunho vigoroso da comunhão apostólica, quer entre si mesmos quer com o conjunto do colégio episcopal, em redor do Sucessor de Pedro, trabalhando com grande confiança mútua e preocupando-se por não fazer nada que possa romper esta comunhão, nem transmitir uma eventual imagem negativa aos fiéis e mais em geral ao mundo inteiro, salvaguardando o respeito dos poderes que são próprios de cada bispo no território diocesano e no poder supremo do Sumo Pontífice romano (cf. Pastores gregis, 56). Na sua acção, nos seus pronunciamentos e nas suas decisões, cada um dos Bispos compromete de certa forma todo o corpo episcopal e a Igreja inteira; a unidade da Igreja arraiga-se na unidade do episcopado, e a Igreja diocesana, em redor do seu Pastor, é imagem da Igreja única e unida, uma vez que todas as "Igrejas particulares são formadas à imagem da Igreja universal" (Catecismo da Igreja Católica, 833; cf. Lumen gentium, 23). De igual modo, em cada comunidade eclesial unida ao seu Pastor, por menor que ela possa ser, está presente a Igreja de Jesus Cristo e encontra nesta última a sua origem e o manancial do seu apostolado. Entretanto, é necessário salientar que a comunhão não está em contradição com a diversidade legítima, que permite a cada Igreja diocesana ter o seu próprio rosto, em função dos pastores e das comunidades que a compõem. Seria prejudicial se o exercício da comunhão se tornasse um obstáculo ao dinamismo das diferentes comunidades locais, e de certa forma entrasse em contradição com o próprio sentido da comunhão (cf. Exortação Apostólica pós-sinodal Ecclesia in Europa, 18). Como a Constituição dogmática Lumen gentium sublinha, "por força desta catolicidade, cada parte contribui com os seus dons peculiares para as demais e para toda a Igreja, de modo que o todo e cada parte crescem por comunicação mútua e pelo esforço comum em ordem a alcançar a plenitude na unidade... É ainda por este motivo que existem legitimamente, no seio da comunhão eclesial, Igrejas particulares, gozando de tradições próprias, sem prejuízo do primado da Sé de Pedro, que preside à comunhão universal da caridade, protege as diferenças legítimas e vela por que as particularidades, longe de serem nocivas, antes contribuam unicamente para a unidade" (n. 13). É daqui que derivam os laços da comunhão íntima.

1   ...   51   52   53   54   55   56   57   58   ...   105


©principo.org 2016
enviar mensagem

    Página principal