Mensagem de condolências pelas vítimas do terremoto em são juliano de apúlia



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5. A missão apostólica do bispo é, em primeiro lugar, o anúncio do Evangelho, que nos faz repetir com São Paulo: "Ai de mim, se eu não anunciar o Evangelho!" (1 Cor 9, 16), comunicando ao mundo a verdade de que a Igreja é portadora. Isto faz parte da missão de conduzir e de santificar o povo de Deus, a exemplo do Bom Pastor, e de edificar assim a porção da Igreja confiada a cada um dos bispos, imagem do único Corpo de Cristo. Compete ao bispo cuidar de modo totalmente especial da sua Igreja local, assegurando da melhor maneira a missão de governar, coadjuvado nisto pelos colaboradores que ele escolher. Quanto menor e mais frágil é o povo, tanto menos numerosos são os sacerdotes, e tanto mais é indispensável que o bispo cuide de governar o rebanho que foi confiado à sua solicitude, atento a não se afastar prolongadamente dele, a visitar as diversificadas comunidades, a escutá-las e a encorajá-las. Para se centralizar bem nesta missão e nela colocar todas as forças vivas, actualmente a vossa Conferência Episcopal está a reflectir sobre uma reforma dos organismos que a compõem. Aprecio esta decisão humana, testemunho de que os bispos têm a consciência de que as mudanças no seio da sociedade e na Igreja exigem novas formas de colaboração e de funcionamento, a fim de que as estruturas estejam verdadeiramente ao seu serviço e ao serviço da missão, sob todas as suas formas. A renovação das estruturas, embora às vezes seja doloroso para certas pessoas, constitui um empreendimento necessário, de maneira periódica, em vista de evitar formas de esquecimento e de eventuais atrofiamentos no dinamismo pastoral e na investigação eclesial. A este propósito, saúdo os sacerdotes e os leigos que aceitam humildemente colaborar para a vida da Igreja nas instâncias nacionais da Conferência e que, mediante a sua dedicação, dão testemunho da sua preocupação por servir a Cristo.

6. Desejei centralizar a minha primeira intervenção sobre a Igreja e sobre a missão episcopal, com referência à recente Exortação Apostólica pós-sinodal Pastores gregis. Por ocasião das visitas das diferentes Províncias Eclesiásticas francesas, terei a oportunidade de abordar outros temas, mencionados nos relatórios quinquenais que me são enviados pelos bispos da vossa Conferência. No termo deste nosso encontro, peço-vos que transmitais as minhas saudações fraternais e o meu encorajamento confiante aos presbíteros e aos diáconos que, como vós mesmos ressaltastes, cumprem com fidelidade e generosidade a sua missão e que se sentem responsáveis pelo anúncio do Evangelho e pela edificação da Igreja. Transmiti o meu pensamento afectuoso a todos os vossos diocesanos, especialmente às pessoas e às famílias que têm passado por dificuldades ligadas à situação económica da vossa região, assegurando-lhes a minha fervorosa oração. Enquanto vos confio à intercessão da Virgem Maria, Padroeira do vosso País, Mãe da Igreja e "Espelho da Igreja", como gostava de lhe chamar o Padre Henri de Lubac, concedo-vos a todos do íntimo do coração, assim como a todos os vossos diocesanos, a minha Bênção apostólica.
DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II AO PRESIDENTE DA REPÚBLICA DA MOLDOVA

Sexta-feira, 28 de Novembro de 2003

Senhor Presidente

1. Fico feliz em poder saudá-lo cordialmente e expressar-lhe sentimentos de gratidão pela visita que Vossa Excelência me fez esta manhã. Trata-se do primeiro encontro entre a suprema Autoridade da República da Moldova e o Sucessor de Pedro, desde quando o Seu País apareceu no cenário internacional como Nação soberana e independente. Seja bem-vindo!

Ao dirigir-me a Vossa Excelência, desejo fazer chegar também aos seus concidadãos num afectuoso pensamento, unido ao meu encorajamento para que prossigam com confiança a edificação de uma Nação digna das suas nobres tradições. O País que Vossa Excelência representa conseguiu conquistar há pouco a liberdade e pede, portanto, para ser apoiado com simpatia nos próprios esforços para superar as inevitáveis dificuldades que são típicas sobretudo no início. A Moldova, estando situada na fronteira entre o mundo latino e o mundo eslavo, não pode deixar de fazer do diálogo um instrumento operativo essencial da própria acção, a fim de fazer emergir as possibilidades concretas de paz, de justiça e de bem-estar.

2. A Comunidade católica, embora pequena a nível numérico, está activamente comprometida sob a guia do seu zeloso Pastor, neste processo, colocando-se como interlocutora vivaz e generosa em relação à sociedade.

Apraz-me sublinhar que a Igreja na Moldova pode cumprir livremente a própria missão evangelizadora e caritativa, e que o Estado reconhece a sua personalidade jurídica. É desejável que, sem prejuízo para ninguém, o diálogo entre as Autoridades do Estado e a Igreja católica possa continuar de modo frutuoso, para benefício de toda a sociedade moldova, em relação às normas da democracia e da igualdade de todas as confissões religiosas.

Senhor Presidente, enquanto renovo a expressão do meu apreço pela sua cordial visita, peço-lhe que leve aos seus compatriotas a certeza da minha oração e da minha constante lembrança, a fim de que possam progredir cada vez mais no caminho da prosperidade e da paz, nisto confortados pelas bênçãos celestiais.


MENSAGEM DO PAPA JOÃO PAULO II AOS BISPOS AMIGOS DOS FOCOLARES

Venerados Irmãos

1. É com alegria que envio a cada um de vós a minha cordial saudação, Bispos amigos do Movimento dos Focolares, que participais no vigésimo segundo Congresso ecuménico que, por causa dos trágicos acontecimentos dos últimos dias, tivestes que transferir de Istambul para Rocca di Papa.

Não pudestes visitar a venerada Igreja de Santo André de Constantinopla, mas acolhe-vos contudo, com grande alegria, a Igreja dos Santos Pedro e Paulo em Roma e oferece-vos a hospitalidade reservada aos irmãos em Cristo.

2. O programa deste vosso encontro anual está centrado na frase da Sagrada Escritura: "Todos vós sois um em Cristo" (Gl 3, 28). Trata-se de um tema actual como nunca: ele pode dar uma resposta válida às graves dilacerações que afligem o mundo de hoje.

Possa o vosso Congresso fortalecer-vos no compromisso ecuménico e acelerar o caminho rumo àquela unidade plena pela qual Jesus rezou ao Pai e pela qual ofereceu a sua vida!

Vós bem sabeis quanto tenho a peito a unidade dos Cristãos e a atenção constante que lhe dediquei, desde o início do meu Pontificado.

3. Repito a vós, caríssimos Irmãos no Episcopado, quanto escrevi recentemente à Assembleia plenária do Pontifício Conselho para para a Promoção da Unidade dos Cristãos: "A força do amor estimula-nos uns aos outros e ajuda-nos a predispor-nos à escuta, ao diálogo, à conversão, à renovação (cf. Unitatis redintegratio, 1)". E ainda: "Somente uma intensa espiritualidade ecuménica, vivida na docilidade a Cristo e na plena disponibilidade às inspirações do Espírito, nos ajudará a viver com o necessário impulso este período intermédio durante o qual nos devemos confrontar com os nossos progressos e com os nossos desafios, com as luzes e com as sombras do nosso caminho de reconciliação" (Mensagem).

4. Encorajo-vos com afecto fraterno a perseverar no itinerário apostólico empreendido e, ao garantir-vos a minha oração pelas vossas actividades pastorais, concedo uma especial Bênção apostólica a todos vós, fazendo-a de bom grado extensiva à Senhora Chiara Lubich, que vos recebeu, e a quantos vivem no centro do Movimento dos Focolares.

Vaticano, 25 de Novembro de 2003.
DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II AO PRESIDENTE DA REPÚBLICA DA BULGÁRIA

Quinta-feira, 27 de Novembro de 2003

Senhor Presidente

1. A visita que Vossa Excelência hoje me faz é por mim apreciada de modo particular. Ao saudar Vossa Excelência, Senhor Presidente, e o Séquito que o acompanha, desejo renovar os meus ardentes votos a toda a Nação búlgara, para que continue a percorrer o seu caminho com confiança.

O encontro de hoje leva-me com a mente à inesquecível visita que a Providência me concedeu realizar em Maio do ano passado a Sófia, a São João de Rila e a Plovdiv. Recordo com particular intensidade os rostos das numerosas pessoas que quiseram manifestar-me a sua vibrante alegria espiritual. Pude aperceber-me do firme propósito de edificar o País com reencontrada serenidade e cofiança no futuro, no âmbito da grande casa europeia.

Depois, o encontro cordial com as Autoridades civis de todas as ordens e graus, persuadiu-me da determinação de todos a prosseguir com coragem a edificação pacífica de toda a sociedade, sem receio de enfrentar os desafios que se apresentam de dia para dia.

2. O meu pensamento dirige-se, agora, para o venerado Patriarca Máximo, Chefe da Igreja Ortodoxa da Bulgária que, durante a minha viagem, me quis receber na sua habitação com atenção fraterna. Tratou-se de uma ulterior etapa de um crescimento progressivo na comunhão eclesial. Com ele, pude verificar como a Europa aguarda o comum compromisso de católicos e ortodoxos na defesa dos direitos do homem e da cultura da vida.

Verifiquei os mesmos sentimentos de disponibilidade para o diálogo e para a colaboração na pequena mas fervorosa Comunidade católica, activamente comprometida em dar testemunho de Cristo na terra búlgara, em constante colaboração também com as outras Comunidades religiosas do País. Os meus votos fervorosos são por que esse clima de entendimento efectivo possa crescer em total benefício da compreensão recíproca e do bem de toda a sociedade.

3. Senhor Presidente, ao renovar o meu apreço pelo gesto que Vossa Excelência houve por bem realizar hoje, peço-lhe que se digne levar aos seus compatriotas a minha renovada saudação afectuosa e a certeza da minha constante recordação na oração, para que Deus continue a amparar a obra do seu País com as suas abundantes bênçãos.

MENSAGEM DO PAPA JOÃO PAULO II AOS MEMBROS DA ASSOCIAÇÃO RELIGIOSA DOS INSTITUTOS SÓCIO-SANITÁRIOS (ARIS) NO 40° ANIVERSÁRIO DE FUNDAÇÃO

Caríssimos Irmãos e Irmãs

1. Sinto-me feliz em enviar-vos uma Mensagem por ocasião do 40º aniversário de fundação da Associação Religiosa dos Institutos Sócio-Sanitários (ARIS). Ao saudar com afecto cada um dos presentes, gostaria de dirigir através de vós a minha saudação a todos os que fazem parte desta benemérita Associação, que oferece uma contribuição preciosa para a renovação profissional e espiritual no mundo da saúde.

Exorto-vos a continuar servindo os doentes com competência e dedicação. O Senhor, Doador de todo o bem, continue a vos acompanhar e abençoar como tem feito nestes quarenta anos.

2. Nestes dias em que se encerra o ano litúrgico, os crentes quase naturalmente tendem a dirigir o olhar para as realidades últimas, quando o Senhor, no Juízo final, nos perguntar se e como amámos, acolhemos e servimos o próximo em necessidade (cf. Mt 25, 31-46). A fim de nos prepararmos para aquele encontro decisivo, é preciso que nos comprometamos diariamente a buscar e contemplar nos nossos irmãos o rosto de Jesus, único Salvador do mundo. Podemos reconhecer, especialmente nos doentes e nos sofredores, o rosto sofrido de Cristo, que na cruz nos revelou o amor misericordioso do Pai; amor redentor, que salvou definitivamente a humanidade ferida pelo pecado.

À luz dessas verdades perenes da fé, como é importante a vossa missão ao lado dos doentes! Fazeis com que o apostolado da misericórdia, ao qual vos dedicais, se torne uma autêntica diaconia de caridade que, no tempo e no espaço, a ternura do coração de Deus se torna visível e quase tangível.

3. Frequentemente, quem vive numa situação de dor e sofrimento profundos tem dificuldade para compeender o sentido e o significado da existência. Portanto, é importante que ao seu lado esteja alguém que, como o bom samaritano, o ajude e acompanhe. Pessoas como Madre Teresa, recentemente beatificada, testemunham de modo simples e concreto a caridade e a compaixão do Senhor para com os marginalizados, os sofredores, os doentes e os moribundos. Ao mesmo tempo que dão alívio às feridas do corpo, eles ajudam-nos a encontrar Cristo que, vencendo a morte, revelou o valor pleno da vida em cada fase e condição.

Nunca deixeis, caríssimos Irmãos e Irmãs, de anunciar o Evangelho do sofrimento! Testemunhai com o vosso serviço o poder redentor do Amor divino.

4. De bom grado aproveito a ocasião para vos manifestar o meu apreço pela obra generosa que a vossa Associação cumpre em muitos países, e especialmente nos territórios de missão. Vós ajudais aquelas Igrejas jovens a administrar estruturas de acolhimento para os doentes e sofredores e a preparar operadores qualificados no campo da saúde e da pastoral.

É bom que esta colaboração profícua entre as Comunidades eclesiais do norte e do sul do mundo se intensifique cada vez mais, a fim de que em cada parte da terra, sobretudo lá onde a crise de valores religiosos e morais é mais profunda, os crentes estejam prontos a demonstrar a sua fé. Com estes votos, renovo a todos a expressão do meu reconhecimento por quanto fazeis.

Asseguro-vos a minha oração e concedo-vos de coração a Bênção Apostólica, que estendo de bom grado às respectivas famílias religiosas e aos numerosos doentes internados nas estruturas da ARIS.

Vaticano, 24 de Novembro de 2003.

MENSAGEM DO PAPA JOÃO PAULO II POR OCASIÃO DO II CONGRESSO AMERICANO MISSIONÁRIO (CAM 2)

Ao Cardeal Rodolfo QUEZADA TORUÑO Arcebispo de Guatemala e Presidente do II Congresso Americano Missionário

1. O II Congresso Americano Missionário, que se celebra na Cidade de Guatemala, subordinado ao tema: "Igrejas na América, a tua vida é missão", oferece-me a oportunidade de saudar com imenso afecto todos os presentes e evocar com profunda gratidão a vossa calorosa hospitalidade que recebi, como peregrino do amor e da esperança, aquando da minha última viagem a esse Continente, durante a qual tive o júbilo de canonizar o Irmão Pedro de São José Betancur.

A canonização deste missionário extraordinário foi, de certa forma, como que o prelúdio do presente Congresso. A sua poderosa intercessão e o testemunho da sua santidade orientar-vos-ão nesta Assembleia, da qual a Igreja universal aguarda com expectativa uma abundante messe de fé, de santidade e de generosidade missionária.

Antes de mais nada, desejo saudar o Cardeal Rodolfo Quezada Toruño, Arcebispo de Guatemala, e os numerosos Irmãos no Episcopado, que se encontram neste "Cenáculo" missionário continental. Dirijo também a minha afectuosa saudação a quantos colaboraram para a preparação do Congresso e a cada um dos seus participantes: sacerdotes, religiosos, religiosas e fiéis leigos, especialmente jovens e crianças. O meu Enviado Especial, Senhor Cardeal Crescenzio Sepe, Prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos, transmite o testemunho da minha proximidade espiritual e do meu interesse por este importante acontecimento.

Penso de maneira particular em vós, que recebestes a vocação do Senhor, para o anunciar ad gentes, vocação esta que é feita de entrega e de santidade, que vos exorta a servir todos os homens e cada um dos povos da terra. "Como são belos sobre os montes os pés do mensageiro que anuncia a paz, que traz a boa notícia, que anuncia a salvação e que diz a Sião: "O teu Deus [já] reina"!" (Is 52, 7).

2. Queridos Irmãos e Irmãs, a história da evangelização do continente americano demonstra a íntima relação entre santidade e missão. Considerando esta obra missionária a partir de uma perspectiva histórica, é realmente gratificante observar o grande impacto do Evangelho e a vivência cristã das primeiras comunidades, assim como o testemunho dos numerosos missionários santos que delas nasceram.

Desde o início da evangelização e ao longo da sua interessante história, o Espírito do Senhor suscitou nessas terras abençoadas bonitos frutos de santidade em homens e mulheres que, fiéis ao mandato missionário do Senhor, consagraram a sua própria vida ao anúncio da mensagem cristã, inclusivamente em circunstâncias e condições heróicas. Sem dúvida, na base deste maravilhoso dinamismo missionário encontravam-se a sua santidade e também a das respectivas comunidades. Um renovado impulso da missão ad gentes, na América e a partir da América, exige também hoje missionários santos e comunidades eclesiais santas.

A vocação para a missão está vinculada à vocação para a santidade, que constitui "um pressuposto fundamental e uma condição totalmente insubstituível para se cumprir a missão salvífica da Igreja" (Redemptoris missio, 90). Perante esta vocação universal, devemos tomar consciência da nossa própria responsabilidade na difusão do Evangelho. A este propósito, a cooperação na missão ad gentes deve ser sinal de uma fé madura e de uma vida cristã capaz de produzir frutos, de tal maneira que as Igrejas particulares mais necessitadas recebam um impulso humano e espiritual que as ajude a caminhar em companhia dos seus Pastores.

Por isso, "não basta explorar com maior perspicácia as bases teológicas e bíblicas da fé, nem renovar os métodos pastorais, nem ainda organizar e coordenar melhor as forças eclesiais: é preciso suscitar um novo "ardor de santidade" entre os missionários e em toda a comunidade cristã, especialmente entre aqueles que são os colaboradores mais íntimos dos missionários" (Ibidem).

3. Depois das minhas viagens pastorais a diferentes nações onde o Evangelho, nalgumas delas, acaba de ser anunciado cheguei à íntima convicção de que a humanidade aguarda, com anseio cada vez mais intenso, "a plena realização dos filhos de Deus" (Rm 8, 19). Com efeito, muitas pessoas desejam encontrar o mistério de santidade e de comunhão, que é fundamental na Igreja e é também uma epifania "daquele amor que, brotando do coração do Pai eterno, se derrama em nós através do Espírito que Jesus nos dá (cf. Rm 5, 5), para fazer de todos nós "um só coração e uma só alma" (Act 4, 32)" (Novo millennio ineunte, 42).

Milhões de homens e de mulheres que não conhecem Cristo, ou que só O conhecem superficialmente, vivem à espera às vezes de modo inconsciente de descobrir a verdade sobre o homem e sobre Deus, sobre o caminho que leva para a libertação do pecado e da morte. Para esta humanidade, que aspira ou que tem saudade da beleza de Cristo, da sua luz clarividente e serena, que resplandece sobre a face da terra, o anúncio da Boa Nova é uma tarefa vital e inadiável. Este Congresso está orientado para tal tarefa. Respondei, pois, com prontidão ao chamamento do Senhor. Manifestai o desejo de ser testemunhas jubilosas e apóstolos entusiastas do Evangelho, até aos últimos confins da terra, mediante o testemunho de uma vida santa!

4. Depois da alegre experiência do Grande Jubileu do Ano 2000, indiquei o caminho da santidade como fundamento sobre o qual se deveria basear a programação pastoral de cada uma das Igrejas particulares. Trata-se de "propor de novo a todos, com convicção, esta "medida alta" da vida cristã ordinária" (Ibid., 31). Queridos Irmãos e Irmãs, isto exige uma pedagogia pastoral adequada e paciente uma pedagogia da santidade que se deve distinguir pelo primado a dar à Pessoa de Jesus Cristo, à escuta e ao anúncio da sua Palavra, à participação plena e activa nos sacramentos, e à promoção da oração como encontro pessoal com o Senhor.

Toda a actividade pastoral deve centralizar-se na iniciação cristã e na formação que, ajudando a amadurecer e a refortalecer a fé daqueles que já se aproximaram dela e atraindo-lhe todos os que ainda estão distantes, representam a maior garantia para que as Igrejas particulares da América desenvolvam uma eficaz obra de cooperação e animação missionárias. Com efeito, ela há-de ser o "elemento fulcral da sua pastoral ordinária" (cf. Redemptoris missio, 83).

5. Animado pelo Espírito Santo e pelo testemunho do crescente número de missionários ad gentes, provenientes dos vossos países, desejo renovar perante esta Assembleia sinal de unidade de todos os povos do Continente aquilo que já afirmei na Exortação Apostólica pós-sinodal Ecclesia in America, ao dirigir-me às vossas comunidades cristãs: "As Igrejas particulares da América são chamadas a estender este ímpeto evangelizador para além das fronteiras do seu Continente. Não podem reservar só para elas as riquezas imensas do seu património cristão. Devem levá-lo ao mundo inteiro e comunicá-lo a quantos ainda o ignoram. Trata-se de muitos milhões de homens e mulheres que, sem a fé, padecem da mais grave das pobrezas. Diante de tal pobreza, seria um erro deixar de promover a actividade evangelizadora fora do Continente, com o pretexto de que ainda há muito para fazer na América, ou à espera de se chegar primeiro a uma situação, fundamentalmente utópica, de plena realização da Igreja na América" (n. 74).

Grande é a responsabilidade das vossas Igrejas particulares, na obra de evangelização do mundo contemporâneo! Abundantes são os frutos que elas poderão produzir nesta nova primavera missionária, "se todos os cristãos e, em particular, os missionários e as jovens Igrejas, corresponderem generosa e santamente aos apelos e desafios do nosso tempo" (Redemptoris missio, 92).

Amadíssimos Irmãos e Irmãs, para mim é motivo de profunda alegria saber que o vosso Congresso, para o qual vos preparastes conjuntamente ao longo do Ano Santo Missionário, responderá a este apelo e saberá dar respostas concretas e eficazes ao mandato evangélico da missão, que é vida para a Igreja que está na América.

Como nos Congressos Missionários anteriores, peço ao Senhor que vos permita viver uma intensa experiência de comunhão, e que a Virgem Maria de Guadalupe, Mãe e Evangelizadora da América, "exemplo daquele amor materno, do qual devem estar animados todos quantos, na missão apostólica da Igreja, cooperam para a regeneração dos homens" (Ibidem), vos acompanhe com a sua ternura e vos proteja com a sua poderosa intercessão.

Enquanto vos animo, todos e cada um de vós, a viver na própria Igreja particular em espírito de comunhão e de serviço, renovo-vos o meu convite a levar a cabo o mandato missionário no mundo contemporâneo, concedo-vos do íntimo do coração a minha Bênção apostólica.

Vaticano, 25 de Outubro de 2003.
DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II AOS MEMBROS DA CONFERÊNCIA EPISCOPAL DA BÉLGICA POR OCASIÃO DA VISITA "AD LIMINA APOSTOLORUM"

Sábado, 22 de Novembro de 2003

Senhor Cardeal Caros Irmãos no Episcopado

1. É-me grato receber-vos a todos, por ocasião da vossa visita ad Limina aos túmulos dos Apóstolos Pedro e Paulo. Saúdo de modo especial os mais jovens entre vós, que participam pela primeira vez neste encontro, enquanto agradeço ao Cardeal Godfried Danneels, Presidente da Conferência Episcopal, as palavras que acaba de me dirigir. Formulo votos a fim de que esta visita, que constitui um tempo forte de contactos e de intercâmbios com as Congregações da Santa Sé, para um melhor serviço de evangelização, mas também um momento privilegiado de celebração do affectus collegialis que nos une, seja para cada um de vós uma etapa significativa e um encorajamento na vossa árdua mas exaltante missão de pastores do Povo de Deus.

2. As informações que me chegam, a propósito da situação da vossa Igreja, são particularmente preocupantes para mim. Com efeito, não se pode ocultar a inquietude concreta e séria, diante da diminuição regular e forte da prática religiosa no vosso País, que se refere às celebrações dominicais mas também a numerosos sacramentos, em particular o Baptismo, a Reconciliação e sobretudo o Matrimónio. De igual modo, a forte diminuição do número de sacerdotes e a crise persistente das vocações constituem um motivo de graves preocupações para vós. Todavia, salientais a qualidade da colaboração pastoral existente entre vós e os sacerdotes, nos vossos conselhos presbiterais, bem como com os representantes do povo de Deus e nos conselhos pastorais diocesanos. A participação cada vez mais activa dos fiéis leigos na missão da Igreja, especialmente no contexto das paróquias, constitui igualmente um motivo de satisfação. Esta participação deve desenvolver-se segundo o espírito de co-responsabilidade, desejado pelo Concílio Vaticano II e em conformidade com as indicações pastorais contidas na Instrução interdicasterial sobre algumas questões relativas à colaboração dos fiéis leigos no ministério dos presbíteros, que recorda a diferença essencial entre o sacerdócio comum e o sacerdócio ministerial, e o carácter insubstituível do múnus ordenado. Desta forma, para evitar eventuais confusões, é necessário que sejam expressos claramente os princípios doutrinais a este propósito. Isto ajudará os fiéis a compreender de modo mais clarividente o sentido do ministério presbiteral, para o serviço ao povo de Deus. Sem dúvida, os jovens não serão capazes de se comprometer no ministério, se não descobrirem o lugar que lhes é reservado no seio da comunidade cristã, e se os fiéis questionarem o valor do seu compromisso. Consequentemente, a vossa tarefa neste campo consiste em educar o conjunto dos vossos diocesanos sobre o sentido e o valor do ministério ordenado.

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