Mensagem de condolências pelas vítimas do terremoto em são juliano de apúlia



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Segunda-feira, 22 de Dezembro de 2003

Senhores Cardeais Ilustres Membros da Cúria e da Prelazia Romana

1. Na iminência do Natal, torna-se mais intenso o convite da Liturgia: Descendit de caelis Salvator mundi. Gaudeamus!

É um convite à alegria do espírito, da qual a Liturgia explica o porquê: "O Salvador do mundo desceu do céu". Em Belém, numa pobre gruta, nasceu o Messias esperado e invocado pelos profetas: o Filho de Deus tornou-se um de nós. Maria continua a oferecê-lo aos homens de todas as épocas e de todas as culturas: com efeito, ele nasceu para a salvação de todos.

Eis os sentimentos que experimento durante este tradicional e desejado encontro de fim de ano. O Cardeal Decano formulou em vosso nome os fervorosos bons votos pelas festividades já iminentes, tendo como pano de fundo as celebrações do XXV ano de Pontificado. Saúdo-o e agradeço-lhe, assim como vos saúdo a todos vós, Senhores Cardeais, Bispos e Prelados, compreendendo num único acto de reconhecimento e de afecto os Oficiais e Colaboradores da Cúria Romana, do Vicariato de Roma e do Governatorato do Estado da Cidade do Vaticano.

Estou espiritualmente próximo de todos vós, agradecido pelo trabalho que tendes prestado ao serviço desta Cátedra de Pedro, cada qual em conformidade com as suas próprias competências e os seus próprios cargos. Jesus que nasce derrame sobre vós os seus dons de graça e de bondade, recompensando-vos pelos esforços quotidianos, que realizais com frequência no silêncio e no escondimento. Fazei-vos intérpretes destes meus sentimentos com os sacerdotes, os religiosos e os leigos que colaboram convosco.

2. Volto com a mente ao primeiro encontro com os Membros da Cúria Romana, que teve lugar no dia 22 de Dezembro precisamente como hoje de 1978. Há vinte e cinco anos!

Caríssimos Irmãos, desejo dizer-vos em primeiro lugar que, durante estes anos, pude admirar com gratidão a inteligência e a dedicação com que prestastes o vosso serviço ao Sucessor de Pedro. Vos estis corona mea, eu disse-vos então, juntamente com São Paulo (cf. Fl 4, 1). E repito-vos de bom grado também no dia de hoje, porque vós "vos tornastes de maneira muito especial os meus "entes queridos", segundo aquela comunhão transcendente... que se chama e é a vida eclesial" (Insegnamenti, I, 1978, pág. 394).

Como poderia cumprir as tarefas que me foram confiadas, sem a vossa colaboração fiel? Recordo com a alma reconhecida todos aqueles que, durante os anos passados, se substituíram nas respectivas funções. Rezo todos os dias por quantos o Senhor já chamou para junto de Si, invocando para eles a merecida recompensa.

3. Uma só é a finalidade pela qual todos nós labutamos em conjunto: anunciar o Evangelho de Cristo para a salvação do mundo. É uma missão que queremos realizar com espírito de fé e com a alma disposta ao sacrifício, se necessário, até à "passio sanguinis", de que fala Santo Agostinho. Com efeito, como observa o Bispo de Hipona, estamos ao serviço de um rebanho comprado não com o ouro nem com a prata, mas com o sangue de Cristo (cf. Sermo 296, 4, em: Discorso V, Città Nuova, pág. 326).

Por conseguinte, nunca falte no nosso ministério a fidelidade Àquele que nos associou intimamente ao seu sacerdócio! No centro da nossa existência viva sempre e somente Ele: Cristo! Com o passar dos anos torna-se cada vez mais profunda em mim esta consciência: Jesus pede que sejamos suas testemunhas, preocupados unicamente com a sua glória e com o bem das almas.

Foi isto que desejei pôr em evidência, na Carta Encíclica Ecclesia de Eucharistia, como também nas Exortações Apostólicas pós-sinodais Ecclesia in Europa e na Pastores gregis, promulgadas durante o ano de 2003. Foi nisto que pensei quando, recentemente, decidi publicar a Carta Apostólica Spiritus et sponsa, no quadragésimo aniversário da Sacrosanctum concilium, e o Quirógrafo por ocasião do centenário do Motu proprio "Tra le sollecitudini" sobre a música sacra.

E não foi porventura o amor a Cristo que, em Outubro, levou o Colégio Cardinalício a reunir-se juntamente com os Presidentes das Conferências Episcopais e os Patriarcas para uma ampla e aprofundada reflexão sobre as exigências hodiernas da evangelização?

O amor a Cristo orientou inclusivamente as Viagens Apostólicas que, ao longo deste ano, realizei à Espanha, à Croácia, à Bósnia e Herzegovina e à República Eslovaca. Por fim, a consciência do anseio de Cristo pela unidade dos crentes "ut unum sint" (Jo 17, 22) impeliu-me a intensificar os contactos ecuménicos com os representantes das veneradas Igrejas ortodoxas, com o Primaz da Comunhão Anglicana e com os representantes das demais Igrejas e Comunidades eclesiais, de modo particular das que estão presente na Europa.

4. A Europa! Não posso deixar de observar que no corrente ano o Continente europeu atravessou, e continua a viver, uma frase crucial da sua história, enquanto alarga os seus confins a outros povos e nações. É importante que a Europa, enriquecida ao longo dos séculos com os tesouros da fé cristã, confirme estas suas origens e reaviva estas raízes. A contribuição mais importante que os cristãos são chamados a oferecer à construção da nova Europa é, em primeiro lugar, o da sua fidelidade a Cristo e ao Evangelho.

A Europa tem necessidade sobretudo de santos e de testemunhas. As cerimónias de beatificação e de canonização, celebradas durante o ano, permitiram indicar, como modelos insignes a imitar, alguns filhos e filhas da Europa. É suficiente recordar Madre Teresa de Calcutá, ícone do Bom Samaritano, que se tornou para todos, crentes e não crentes, mensageira de amor e de paz.

5. Ser testemunhas de paz; educar para a paz! Eis outro compromisso mais urgente do que nunca para este nosso tempo, que ainda vê adensar no horizonte perigos e ameaças para a serena convivência da humanidade. A solene comemoração da Carta Encíclica Pacem in terris do Beato João XXIII, no quadragésimo aniversário de promulgação, faz-nos reviver o optimismo, imbuído de esperança cristã, daquele grande Sumo Pontífice em momentos não menos difíceis do que os nossos. A paz é possível ainda hoje e, se é possível, é obrigatória. Desejei repeti-lo na Mensagem para o próximo Dia Mundial da Paz.

O Menino de Belém, que nos preparamos para acolher no mistério de Natal, conceda ao mundo o dom da sua paz. Que no-lo obtenha Maria, a cujo Santuário de Pompeia fui em peregrinação no passado mês de Outubro, para coroar de maneira solene o Ano do Rosário.

Com estes sentimentos, apresento os meus bons votos a todos vós, pelas próximas festividades de Natal e de Ano Novo, enquanto vos abençoo de todo o coração. Feliz Natal!


SAUDAÇÃO DO PAPA JOÃO PAULO II A UM GRUPO DA ACÇÃO CATÓLICA ITALIANA

19 de Dezembro de 2003

Caríssimos jovens da Acção Católica Italiana

Também neste ano viestes encontrar-me, por ocasião do Santo Natal: obrigado por esta vossa visita agradável. Saúdo com grande afecto cada um de vós, assim como o Presidente nacional da vossa Associação e o Assistente-Geral. Vós, aqui presentes, representais todos os vossos amigos da Acção Católica de Jovens, aos quais envio a minha mais cordial saudação.

Faltam poucos dias para o Natal, a grandiosa festa que nos recorda o nascimento de Jesus.

Passaram dois mil anos desde quando Ele veio ao mundo para salvar a humanidade inteira, e vem visitar-nos constantemente. Nossa Senhora, que em Belém lhe deu à luz, vos ajude a acolhê-lo com generosidade. Cristo traz o dom da paz. Peço-vos, queridos jovens, que sejais mensageiros da sua paz nas vossas famílias e entre os vossos coetâneos.

Ao voltardes para as vossas casas, levai os meus bons votos de Natal também aos vossos entes queridos e não esqueçais de rezar pelo Papa.

Abençoo-vos a todos vós de coração.
DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II A UMA DELEGAÇÃO INTERNACIONAL DE JURISTAS

Sexta-feira, 19 de dezembro de 2003

Ilustres Senhores

1. É com muito prazer que vos recebo hoje, para a apresentação de um exemplar da colectânea de reflexões e comentários de eminentes cultores do direito, sobre assuntos de grande interesse.

Agradeço-vos por terdes desejado, por ocasião do XXV aniversário do meu Pontificado, realizar esta iniciativa, que contou com a participação de quatrocentos e vinte juristas de várias partes do mundo, entre os quais ilustres estudiosos das religiões hebraica e muçulmana. Todos vós tendes a convicção conjunta de que para salvaguardar o homem e a sua dignidade, como também para buscar o bem comum e o entendimento entre os povos, o único caminho a percorrer é a de fazer valer a "força" do ius, no devido respeito a cada pessoa, sejam quais forem a cultura, a língua e a religião a que ela pertença.

2. Foi o que também eu quis realçar na Mensagem para o próximo Dia Mundial da Paz recordando, ao mesmo tempo, a importância e a urgência de educar para a paz. Faço ardentes votos para que esta vossa obra contribua para evidenciar melhor o dever fundamental da salvaguarda dos direitos humanos, as vantagens mas também os limites da globalização e o valor da integração europeia e da paz.

Renovo-vos o meu reconhecimento por este vosso estudo cuidadoso e, enquanto formulo fervorosos bons votos na iminência das Festas de Natal e do Ano Novo, abençoo-vos de todo o coração, bem como as vossas famílias e os vossos entes queridos.

DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II AOS BISPOS FRANCESES DA PROVÍNCIA ECLESIÁSTICA DE MARSELHA POR OCASIÃO DA VISITA "AD LIMINA APOSTOLORUM"

18 de Dezembro de 2003

Senhor Cardeal Estimados Irmãos no Episcopado e no Sacerdócio

1. Neste tempo de Advento, durante o qual a Igreja aguarda com esperança a vinda do Salvador, sinto-me feliz em vos receber, Bispos e Administrador Diocesano, que viestes da província eclesiástica de Marselha, assim como o Arcebispo de Mónaco, e saúdo-vos cordialmente. Como o Apóstolo Paulo, viestes "ver Pedro" (Gl 1, 18), para confirmar os vínculos de comunhão que vos unem a ele e para lhe apresentar a vida das vossas Dioceses, evangelizadas pela fé e pela audácia missionária das testemunhas dos primeiros séculos. Agradeço ao Senhor Cardeal Bernard Panafieu, Arcebispo de Marselha, as suas palavras ao expor as realidades pastorais da vossa província, as suas ricas esperanças e o seu dinamismo pastoral, assim como os vossos interrogativos e preocupações de pastores, exprimiu o vosso desejo comum de enraizar o vosso serviço apostólico num acolhimento cada vez maior da graça de Deus e numa intimidade sempre mais profunda com Cristo, ao serviço do povo de Deus que vos está confiado. Faço votos por que a vossa peregrinação aos túmulos dos Apóstolos e os vossos encontros com os diversos organismos da Cúria vos permitam regressar reconfirmados no desejo de prosseguir com alegria a vossa missão apostólica.

2. No final do Grande Jubileu da Encarnação, convidei toda a Igreja a recomeçar de Cristo, com o impulso do Pentecostes e com um entusiasmo renovado, chamando cada um dos seus membros a caminhar mais resolutamente pelo caminho da santidade, mediante uma vida de oração e uma escuta sempre mais atenta e amorosa da Palavra de Deus. É da renovação da vida espiritual dos pastores, dos fiéis e de todas as comunidades que surgirá um novo impulso pastoral e missionário. Nesta perspectiva e é disto que vos desejo falar hoje as pessoas que estão comprometidas na vida consagrada têm uma tarefa primordial para desempenhar. A vida consagrada sob todas as suas formas, antigas e novas, é um dom de Deus para a Igreja. É preciso pedir incansavelmente ao Senhor que chame homens e mulheres para o seu seguimento numa vida de total doação. Os vossos relatórios quinquenais manifestam uma dedicação generosa das vossas Igrejas diocesanas em relação à vida consagrada, e disto me alegro. No dinamismo do acontecimento de graça que foi o Sínodo sobre a vida consagrada e a sua missão na Igreja e no mundo, e baseando-me na Exortação apostólica Vita consecrata que recolheu os seus frutos, desejo repetir com vigor e convicção a necessidade da vida consagrada para a Igreja e para o mundo. De facto, uma diocese que ficasse sem comunidades de vida consagrada, "para além de perder tantos dons espirituais, lugares privilegiados da busca de Deus, actividades apostólicas e metodologias pastorais específicas, arriscar-se-ia a ficar enormemente enfraquecida naquele espírito missionário que é próprio da maioria dos Institutos" (Vita consecrata, n. 48). Encarrego-vos desde já a transmitir a todos os Institutos e a todas as Congregações a profunda estima e as saudações afectuosas do Sucessor de Pedro, garantindo-lhes a minha oração e convidando-os a não desesperar do Senhor, que nunca abandona o seu povo.

3. Os relatórios quinquenais das diferentes dioceses da França realçam a crise que a vida consagrada atravessa no vosso país, marcado, de maneira mais evidente nas congregações apostólicas, pela diminuição progressiva e constante do número dos membros dos diversos Institutos presentes no território e pela escassa afluência ao noviciado. Esta crise tem uma influência também na fisionomia de um grande número de comunidades cujos membros envelhecem, com consequências inevitáveis sobre a vida dos Institutos, sobre o seu testemunho, sobre o seu governo e até sobre as opções relacionadas com as suas missões e com o destino dos seus recursos. Certos Institutos são até obrigados a reunirem-se em federações a fim de poder continuar a existir, o que nem sempre é fácil de realizar, considerando as histórias diferentes das comunidades. Para que estas realizações de unificação possam ter verdadeiramente bom êxito, convém centrar-se sobre os carismas fundadores e recordar-se de que a vida religiosa é para a missão da Igreja e que ela se funda em Cristo, o qual chama a doar-se totalmente a ele, na perspectiva recordada por São Paulo é Deus que dá o crescimento (cf. 1 Cor 3, 6). Mais do que nunca, para responder a qualquer tipo de mudança, os responsáveis dos Institutos de vida consagrada devem estar atentos à formação permanente dos seus membros, em particular a nível teológico e espiritual.

Grande número de Congregações antigas desejaram realizar corajosamente uma obra em vista de aprofundar o seu carisma, assim como renovar as suas obras, dedicando-se de maneira muito particular à escuta, com grande disponibilidade, das novas chamadas do Espírito e a procurar, em relação com as dioceses, as urgências espirituais e missionárias do momento. É agradável verificar que os carismas dos Institutos, cujos membros estão a envelhecer na Europa, continuam a responder às profundas expectativas de numerosos jovens vindos da África, da Ásia ou da América Latina, que desejam consagrar-se com generosidade ao Senhor. Alegro-me também por ver que as Congregações se preocupam em propor o seu carisma aos leigos de todas as idades e condições, e de os associar à sua missão, dando-lhes assim a possibilidade de edificar a sua vida cristã numa espiritualidade específica e garantida, e de se comprometerem antes de tudo no serviço aos seus irmãos. Um tal caminho não deixa de incidir positivamente também na própria vida dos Institutos.

4. Por conseguinte, encorajo-vos a não poupar os vossos esforços para "promover a vocação e missão específica da vida consagrada, que pertence estável e firmemente à vida e à santidade da Igreja" (Pastores gregis, n. 50). Através do seu eloquente testemunho de consagração no seguimento de Cristo casto, pobre e servo, no centro das realidades humanas nas quais se encontram inseridos, os membros dos Institutos de vida consagrada são para o mundo e para a Igreja sinais proféticos; eles manifestam, mediante a sua vida, o amor de Deus por todos os homens, mantendo viva na Igreja a exigência de reconhecer o rosto de Cristo no rosto dos pobres. Eles convidam também as Comunidades diocesanas a tomar cada vez mais consciência do carácter universal da missão da Igreja, e recordam-lhe a urgência de procurar antes de mais o Reino de Deus e a sua justiça, bem como a fraternidade sempre maior entre os homens.

Permiti que me congratule pelo trabalho incomparável que realizam as pessoas consagradas, na França e nos países mais pobres do planeta sobretudo na África, continente em que a vossa região está naturalmente empenhada como acabais de recordar no campo da solidariedade, com os excluídos, com as crianças analfabetas, com os meninos de rua, com as pessoas que conhecem a experiência dramática da precariedade ou da pobreza, com os doentes de sida ou afectados por outras epidemias, e ainda com os imigrados e com os refugiados. Desejo recordar também todas as pessoas consagradas que trabalham no âmbito de um serviço social, no campo da saúde e da educação, no território nacional e noutras partes do mundo. Nunca me cansarei de encorajar os responsáveis das Congregações a não descuidar nem abandonar demasiado rapidamente estes lugares essenciais onde se transmitem os valores humanos e o Evangelho, e onde também se pode fazer ouvir a chamada a seguir Cristo e a participar na vida eclesial. Apesar de hoje ser menos evidente a sua visibilidade, todavia as comunidades continuam com coragem a sua missão, mediante a sua inserção no tecido da sociedade, participando em organismos de solidariedade e fazendo-se promotoras activas do diálogo inter-religioso, ao qual vós dedicais uma particular atenção. Estou ao corrente da paciência com que as pessoas consagradas se doam, em nome da sua consagração ao Senhor, dedicando grande atenção aos mais pobres e aos excluídos, numa sociedade que, com muita frequência, os ignora. Com uma solidariedade quotidiana com os feridos pela vida, elas são as protagonistas indispensáveis da fantasia da caridade à qual chamei todas as comunidades cristãs no fim do Grande Jubileu. Esta dimensão da caridade para com os pobres e os mais pequeninos é penhor da credibilidade de toda a Igreja credibilidade da sua mensagem, mas também credibilidade das pessoas que, tendo sido arrebatadas por Cristo e tendo-o contemplado, são capazes de o reconhecer no rosto de todos aqueles com os quais Ele se quis identificar e manifestar a compaixão de Cristo por todo o ser humano (cf. Novo millennio ineunte, 49-50). As jovens gerações, que têm sede do absoluto, precisam de testemunhas audaciosas que as chamem a viver o Evangelho e a pôr-se com generosidade ao serviço dos seus irmãos. Convido-vos a jamais descuidar a experiência e o carisma profético das pessoas consagradas, sentinelas da esperança, testemunhas do absoluto e da alegria da doação total de si. O Espírito estimula-as a colocar-se ao lado dos marginalizados das nossas sociedades e a comprometer-se para restabelecer o homem desanimado, contribuindo desta forma para a edificação da caridade em todas as Igrejas particulares.

5. Para uma melhor harmonia da pastoral, é importante também que o diálogo institucional com os Institutos de Vida consagrada, a nível quer nacional, entre a Conferência dos Bispos da França e as duas Conferências de Superiores maiores, quer diocesano, entre o Bispo ou o seu delegado e os responsáveis locais das Congregações, permita uma autêntica harmonização e intercâmbios fecundos; desta forma, cada Instituto de vida consagrada, conservando o carácter específico do seu carisma, do seu modo de viver, das prioridades próprias, estará sempre mais inserido de maneira orgânica na Igreja diocesana. Isto é fundamental no momento em que as vossas Igrejas diocesanas vivem evoluções a nível pastoral com um certo número de reorganizações relacionadas com as novas realidades da missão, assim como com as mudanças culturais.

Através das actividades que os Institutos de Vida consagrada promovem no seio da sociedade, desejo realçar o papel fundamental que eles desempenham na investigação intelectual no vosso País. Os religiosos na França foram com muita frequência faróis neste âmbito, sobretudo na primeira metade do século XX, no campo filosófico e teológico, preocupando-se por realçar as razões que devem orientar o comportamento e os compromissos dos nossos contemporâneos, e fazendo emergir o sentido da existência. Contribuindo com pertinência para a busca da verdade, eles podem favorecer uma renovação da vida intelectual e estabelecer relações fecundas com os pensadores actuais, que enfrentam as questões fundamentais do nosso tempo ou que trabalham na pesquisa. Além disso, desejo mencionar os Institutos ou as Congregações que trabalham no âmbito da informação, da rádio ou da televisão. Eles participam no debate público, dando, num confronto sadio e necessário, um contributo especificamente cristão às grandes decisões que modelam o futuro da sociedade, e partilhando também as suas convicções de fé.

6. Nas vossas Dioceses, a vida consagrada tem multíplices rostos, fazendo coexistir comunidades antigas e novas. Por seu lado, as Comunidades novas, graças às energias do começo, dão indubitavelmente um novo impulso à vida consagrada assim como à missão pastoral nas Dioceses. Possuem uma audácia que por vezes falta aos Institutos que existem desde há muito tempo. Contribuem para renovar a vida comunitária, a vida litúrgica e o compromisso na evangelização em numerosos âmbitos. Uma tal situação é, sem dúvida, comparável com a que devem ter vivido São Domingos ou São Francisco. As novas Comunidades religiosas representam uma oportunidade para a Igreja. Ajudadas pelos Bispos, aos quais compete ser vigilantes, elas ainda têm necessidade de amadurecer, de se enraizarem e por vezes de se organizarem, segundo as regras canónicas vigentes e preocupando-se com a prudência. Todos se recordem de que o espírito de diálogo, de colaboração fraterna ao serviço de Cristo e da missão deve prevalecer sempre! Sem espírito de competição nem antagonismo, as Comunidades religiosas de tradição mais antiga sejam estimuladas pelo carisma que lhes é próprio, e as Comunidades novas recordem que "não são uma alternativa às anteriores instituições, que continuam a ocupar o lugar insigne que a tradição lhes conferiu... Os antigos Institutos, muitos deles acrisolados por provas duríssimas suportadas com fortaleza ao longo dos séculos, podem enriquecer-se entrando em diálogo e troca de dons com as fundações que surgem no nosso tempo" (Vita consecrata, n. 62). Convido todos a dar provas de caridade fraterna e a mover os passos necessários, para que todas as forças concorram, juntas, para a unidade do Corpo de Cristo e para a partilha da missão. Por seu lado, os responsáveis das novas Comunidades continuarão a ser vigilantes no discernimento das vocações, a níveis humano e espiritual. Para esta finalidade, será seu interesse apoiar-se em pessoas que tenham uma prática certa no discernimento, quer nos Institutos quer nas Igrejas locais, preocupando-se por separar o que emerge dos foros externo e interno, de acordo com a longa prática prudencial da Igreja. No respeito da autonomia própria de cada comunidade religiosa, compete, contudo, aos Bispos acolher, na medida do possível, assistir e apoiar o conjunto dos Institutos religiosos presentes na Diocese, e aos mesmos Institutos compete colaborar com confiança, cada um segundo o seu carisma, na missão da Igreja diocesana. Em todos os tempos, mas ainda mais nos períodos difíceis, é oportuno que todos os féis se unam para edificar a Igreja e para ser, no mundo, os sinais visíveis da unidade do povo de Deus em volta dos Pastores. Disto a missão da Igreja diocesana beneficiará em unidade e impulso apostólico.

7. Realçais em grande número o papel importante que as Comunidades de vida contemplativa desempenham nas vossas Dioceses, a título de testemunho e de oração, elevando o mundo para Deus e participando no mistério de Cristo e da Igreja na missão, segundo o exemplo de Santa Teresa de Lisieux. Estes lugares privilegiados de irradiação e de acolhimento contribuem para a fecundidade apostólica das paróquias, dos movimentos e dos serviços, e são para muitos jovens e adultos pontos de referência e espaços nos quais podem encontrar orientações sólidas para construir e fortalecer a sua vida humana e espiritual, e para fazer uma experiência forte do Absoluto de Deus, assim como portos de paz e de silêncio numa sociedade trepidante. Muitos jovens encontraram nos mosteiros o tempo para se porem à escuta das chamadas de Deus e para se prepararem para lhe responder. Os mosteiros desempenham um papel precioso também para os Bispos e para os sacerdotes, que neles podem recuperar as forças espirituais e encontrar os vínculos fraternos. Sei que estas comunidades estão bem inseridas nas Dioceses, acolhendo cada vez mais pessoas que fazem os retiros, numerosos grupos de crianças e de jovens para reflectir sobre a sua fé, para aprender a rezar ou para se prepararem a fim de receber um Sacramento da Igreja. Nesta perspectiva, exorto as comunidades monásticas a dedicarem uma especial atenção ao pedido de formação espiritual dos homens e das mulheres do nosso tempo, sobretudo dos jovens. Sinto-me feliz por tomar conhecimento de que, em numerosos mosteiros, mesmo conservando a clausura, monges e monjas se preocupam por ser guias espirituais para as pessoas que batem à porta das suas casas. Faço votos por que as Comunidades orantes e contemplativas prossigam o seu testemunho no seio das Dioceses, convidando os fiéis a radicar a sua vida e a sua acção na oração, fonte de todo o impulso missionário.

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