Mensagem de condolências pelas vítimas do terremoto em são juliano de apúlia



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8. Conheço a generosidade de muitos jovens nas vossas Dioceses, certo de que o Senhor continua a agir no seu coração para que possam responder com generosidade às suas específicas chamadas. Desejo, hoje, encorajá-los a não ter receio de se doarem a Cristo pobre, casto e obediente, na vida consagrada, caminho de alegria e de liberdade autêntica, e repetir-lhes com vigor e convicção "Se sentirdes o chamamento do Senhor, não o recuseis! Entrai, antes corajosamente nas grandes correntes de santidade, que foram iniciadas por santas e santos insignes no seguimento de Cristo. Cultivai os anseios típicos da vossa idade, mas aderi prontamente ao projecto de Deus sobre vós, se Ele vos convida a procurar a santidade na vida consagrada" (Vita consecrata, n. 106). Possam as Dioceses, por seu lado, chamar sempre à vida consagrada!

Convido-vos a ter sempre um olhar vigilante e uma atenção renovada pelos jovens que desejam comprometer-se na vida religiosa. A sua experiência eclesial é com frequência recente. Por conseguinte, é fundamental oferecer-lhes uma sólida formação humana, intelectual, moral, espiritual, comunitária e pastoral, que os prepare para se consagrarem totalmente a Deus na sequela Christi. Neste espírito, os inter-noviciados instituídos permitem formar juntos um maior número de jovens, dando um dinamismo evidente ao seu caminho e permitindo-lhes conhecer-se e confortar-se na sua opção de vida. Muitas Congregações acolheram também jovens estrangeiros, provenientes da África, da Ásia ou da América Latina. Isto constitui um sinal evidente do carácter universal da Igreja. Contudo, tendes uma profunda consciência das dificuldades que isto pode acarretar, sobretudo a possível atracção pela vida ocidental em desvantagem da missão na sua Igreja local. Jamais convidaria o suficiente as Congregações a instituir casas de formação nos Países em que as vocações são mais numerosas, de maneira a não isolar totalmente os jovens do seu ambiente cultural, na perspectiva de os preparar para a sua missão específica no seu País, onde as necessidades são numerosas.

9. No final do nosso encontro, queridos Irmãos no Episcopado e no Sacerdócio, desejo encorajar-vos a prosseguir com fervor e zelo a apaixonante missão de guiar o povo que o Senhor vos confiou. A Igreja tem necessidade como nunca de testemunhas autênticas que manifestem que a radicalidade evangélica é fonte de alegria e de liberdade. Levai aos sacerdotes, aos diáconos e a todos os leigos das vossas Dioceses o meu pensamento afectuoso e a minha fervorosa oração, recordando-lhes a minha confiança e o meu encorajamento pelo trabalho que desempenham ao serviço da Igreja. Renovo a minha cordial saudação a todas as pessoas consagradas aos contemplativos, aos membros das Congregações e dos Institutos de vida religiosa apostólica, dos Institutos seculares, das Sociedades de vida apostólica e das novas Comunidades, recordando-lhes a minha estima pelo testemunho insubstituível de gratuidade, de fraternidade e de esperança que oferecem não só à Igreja, mas também a toda a sociedade, permanecendo os sinais proféticos do amor do Senhor que deseja transformar o coração do homem para o conformar cada vez mais com a sua vocação. Garanto a minha proximidade espiritual também aos religiosos e às religiosas idosos ou doentes que, através do seu testemunho de santidade e de oração, assim como mediante a sua experiência e a sua sabedoria, participam amplamente na fecundidade missionária dos seus Institutos e de toda a Igreja. Maria, que acolheu Cristo numa resposta de amor e de doação total à vontade do Pai, vos ampare com a sua solicitude materna! O meu pensamento afectuoso dirige-se também a todas as pessoas que, ao longo das últimas semanas, foram atingidas pelas graves enundações no sul da França. Peço-vos que lhes leveis a certeza da minha oração e da minha proximidade espiritual. A todos vós e a todos os vossos diocesanos, concedo de coração a Bênção apostólica.
DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II AOS PRELADOS DA CONFERÊNCIA EPISCOPAL DO SUDÃO POR OCASIÃO DA VISITA «AD LIMINA APOSTOLORUM»

Segunda-feira, 15 de Dezembro de 2003

Amados Irmãos no Episcopado

1. "O Senhor da paz vos conceda Ele mesmo a paz, sempre e de todas as maneiras" (2 Tm 3, 16). Nesta hora decisiva para o vosso país, no momento em que duas décadas de conflitos violentos e de derramamento de sangue parecem estar prestes a ceder o caminho à reconciliação e à pacificação, saúdo-vos a vós, membros da Conferência dos Bispos católicos do Sudão, com estas palavras do Apóstolo Paulo, expressões de consolação e de segurança, palavras fundamentadas sobre o Verbo, que é "a vida e a luz dos homens" (cf. Jo 1, 4), Jesus Cristo, nossa esperança e nossa paz.

Estes dias da vossa visita ad limina Apostolorum são momentos privilegiados de graça, durante os quais revigoramos os vínculos de comunhão fraternal e de solidariedade que nos unem na tarefa de dar testemunho da Boa Nova da salvação. Enquanto reflectimos em conjunto sobre esta missão recebida do Senhor e sobre as particulares implicações que ela tem para vós e para as vossas comunidades locais, desejo recordar duas testemunhas corajosas da fé, duas pessoas santas, cujas vidas estão intimamente vinculadas à vossa terra: Santa Josefina Bakhita e São Daniel Comboni.

Estou persuadido de que o exemplo de compromisso determinado e de caridade cristã oferecido por estes dois servos fiéis do Senhor pode derramar muita luz sobre as realidades contemporâneas que a Igreja no vosso país está a enfrentar.

2. Desde a infância, Santa Josefina Bakhita experimentou a crueldade e a brutalidade com que o homem pode chegar a tratar os seus semelhantes. Tendo sido raptada e em seguida vendida como escrava quando ainda era criança, ela conheceu profundamente o sofrimento e a vitimização que ainda hoje afligem inúmeros homens e mulheres na pátria, em toda a extensão da África e no mundo inteiro. A sua vida é fonte de inspiração de uma determinação perseverante em trabalhar com eficácia para libertar as pessoas da opressão e da violência, fazendo com que a sua dignidade seja respeitada no pleno exercício dos seus direitos. É esta mesma determinação que deve orientar a Igreja no Sudão contemporâneo, enquanto a nação está a realizar a sua transição da hostilidade e do conflito para a paz e a concórdia. Santa Josefina Bakhita é uma fautora esplendorosa da emancipação autêntica. A sua vida demonstra com clareza que o tribalismo e as formas de discriminação fundamentadas sobre a origem étnica, a língua e a cultura não fazem parte de uma sociedade civil e não têm absolutamente qualquer lugar no seio da comunidade dos fiéis.

A Igreja que peregrina no vosso país está profundamente consciente das dificuldades e do sofrimento que atingem aqueles que fogem das guerras e da violência, de modo particular as mulheres e as crianças, e não mobiliza apenas os seus próprios recursos para ajudar a fazer face às suas necessidades, mas haure inclusive da generosidade de voluntários e de benfeitores estrangeiros. A este propósito, é particularmente digno de ser relevado o trabalho levado a cabo pela "Sudanaid", a agência de assistência nacional, superintendida pelo Departamento para a Ajuda e o Desenvolvimento, da vossa Conferência Episcopal, que justamente é muito estimada pelos diversos projectos caritativos em que se encontra comprometida. Irmãos, gostaria de sugerir que uma base sólida para procurar uma representação da Igreja, no processo de normalização hoje em dia em acto, pode ser precisamente a assistência, tão necessária, que ela oferece aos numerosos refugiados e pessoas deslocadas, que foram obrigados a afastar-se das suas casas e das suas terras de família.

Além disso, as numerosas contribuições que a Igreja continua a oferecer para a vida social e cultural do vosso país podem ajudar-vos a instaurar relações mais estreitas e positivas com as instituições nacionais. Na presença de cristãos no Governo actual e no restabelecimento da Comissão para o Diálogo Inter-Religioso já se pode vislumbrar uma certa abertura por parte dos líderes civis. Deveis fazer tudo o que vos for possível para encorajar isto, enquanto insistis para que seja respeitado o pluralismo religioso, como é garantido pela Constituição do Sudão.

A este propósito, um corolário importante é o dever que tendes de abordar as questões relevantes que dizem respeito à vida social, económica, política e cultural do país (cf. Ecclesia in Africa, 110). Como bem sabeis, compete à Igreja falar sem ambiguidades em nome daqueles que não têm voz e ser fermento de paz e de solidariedade, sobretudo onde estes ideais são mais frágeis e mais ameaçados. Como Bispos, as vossas palavras e as vossas acções nunca devem ser a expressão de preferências políticas individuais, mas hão-de reflectir sempre a atitude de Cristo, Bom Pastor.

3. Tendo presente esta imagem do Bom Pastor, agora desejo voltar a minha atenção para a figura de São Daniel Comboni que, como sacerdote e como Bispo missionário, trabalhou de maneira incansável para fazer com que Jesus Cristo fosse conhecido e acolhido na África Central, e inclusive no Sudão. São Daniel Comboni preocupou-se profundamente a fim de que os africanos desempenhassem um papel importante na evangelização do Continente e teve a inspiração de redigir um plano missionário para essa região, um "plano para o renascimento da África", que previa também a ajuda por parte dos próprios povos indígenas. Durante a sua actividade missionária, ele não permitiu que os grandes sofrimentos e as numerosas dificuldades que teve de suportar como as privações, a debilidade, as enfermidades e a desconfiança o distraíssem da sua tarefa de anunciar a Boa Nova de Jesus Cristo.

Além disso, o Bispo D. Daniel Comboni foi um grande fautor da inculturação da fé. Ele comprometeu-se profundamente no conhecimento das culturas e das línguas das populações locais que servia. Desta forma, conseguiu apresentar o Evangelho segundo modos e em conformidade com os costumes que os seus ouvintes pudessem compreendê-lo prontamente. Hoje, de maneira muito concreta, a sua vida é para nós um exemplo que demonstra com clarividência que "a evangelização da cultura e a inculturação do Evangelho são uma parte integrante da nova evangelização e, consequentemente, uma tarefa própria do múnus episcopal" (Pastores gregis, 30).

Irmãos, este mesmo fervor apostólico, este mesmo zelo missionário e esta profunda solicitude pela salvação das almas devem distinguir também o vosso ministério episcopal. Fazei com que o vosso primordial e principal dever consista em preocupar-vos pelo cuidado da grei que vos foi confiada, velando sobre o bem-estar espiritual e físico, transcorrendo uma boa parte do vosso tempo com os fiéis, de modo particular com os sacerdotes e os religiosos das vossas respectivas dioceses. Com efeito, o ministério pastoral do Bispo "exprime-se num "ser para" os outros fiéis, que não o desenraiza do seu "estar com" eles" (Pastores gregis,, 10).

Em tudo isto, o vosso convite à conversão do coração e da mente deve ser amável e, ao mesmo tempo, insistente. A fé alcança a sua maturidade quando os discípulos de Jesus Cristo são educados e formados no conhecimento profundo e sistemático da sua pessoa e da sua mensagem (cf. Catechesi tradendae, 19). Por conseguinte, a formação permanente dos leigos constitui uma prioridade da vossa missão de pregadores e de mestres. A formação espiritual e doutrinal deve orientar-se para ajudar os fiéis leigos a desempenhar o papel profético que lhes é próprio no seio de uma sociedade que nem sempre reconhece ou aceita a verdade e os valores do Evangelho. Isto vale de maneira particular para os vossos catequistas: estes servos fiéis do Verbo têm necessidade de uma formação adequada, tanto do ponto de vista espiritual como intelectual, e também de um apoio moral e material (cf. Ecclesia in Africa, 91).

De resto, seria útil preparar e pôr à disposição de todos um catecismo simples, na linguagem do povo. De maneira análoga, textos oportunos nas línguas locais poderiam ser preparados e distribuídos, como forma de apresentar Jesus Cristo àqueles que não conhecem a mensagem cristã e como instrumento para o diálogo inter-religioso. Isto poderia resultar particularmente útil nas áreas isentas da lei da Shari'ah, sobretudo na Capital Federal, Cartum. A este propósito, desejo também exortar-vos a retomar os vossos esforços em vista de instituir uma Universidade Católica em Cartum. Tal instituição permitiria que a grande contribuição, oferecida pela Igreja no campo da educação elementar e secundária, produzisse os seus frutos inclusivamente no sector da educação superior. Além disso, a Universidade católica ser-vos-ia de grande ajuda no cumprimento da vossa tarefa de garantir que haja professores adequadamente formados para oferecer uma educação católica nas escolas públicas.

4. Pensando agora em quantos vos assistem no vosso ministério pastoral, exorto-vos a cuidar dos vossos sacerdotes com amor especial e a considerá-los como vossos colaboradores preciosos e como amigos (cf. Christus Dominus, 16). A sua formação deve ser levada a cabo de tal forma, que se tornem prontos para pôr de lado toda e qualquer ambição terrestre, em ordem a agir in persona Christi. Eles são chamados a desapegar-se das coisas materiais e a dedicar-se ao serviço dos outros através da entrega total de si mesmos no celibato. O comportamento escandaloso deve ser sempre averiguado, enfrentado e corrigido. Com a vossa amizade e o vosso apoio fraternal e o dos seus irmãos no sacerdócio, para os vossos presbíteros será mais fácil dedicar-se integralmente, na castidade e na simplicidade, ao seu ministério de serviço.

Naturalmente, as atitudes e as inclinações de um pastor autêntico devem ser alimentadas no coração dos futuros presbíteros, desde muito antes da sua ordenação. Esta é a finalidade da formação humana, espiritual, intelectual e pastoral, que eles recebem no Seminário. As orientações contidas na minha Exortação Apostólica pós-sinodal Pastores dabo vobis serão inestimáveis para avaliar os candidatos e para melhorar a sua formação. Ao mesmo tempo, é necessário tomar algumas medidas, para assegurar que uma formação sacerdotal adequada continue mesmo depois da ordenação, de modo especial nos primeiros anos de ministério. Na vida de fé das vossas comunidades, os Institutos religiosos e missionários continuam a desempenhar um papel decisivo. Enquanto respeita a autonomia interna legítima, estabelecida para as comunidades religiosas, o Bispo deve ajudá-las a cumprir, no seio da Igreja particular, o seu dever de testemunhar a realidade do amor de Deus pelo seu povo. Como pastores do rebanho de Jesus Cristo, deveis insistir sobre um discernimento atento acerca da oportunidade dos candidatos à vida religiosa e ajudar os Superiores a oferecer uma sólida formação espiritual e intelectual, tanto antes como depois da profissão.

5. No cumprimento dos vossos numerosos deveres, vós e os vossos sacerdotes deveis estar sempre atentos às necessidades humanas e espirituais do vosso povo. Nunca se devem dedicar tempo e recursos para as estruturas diocesanas ou paroquiais ou para projectos de desenvolvimento, em desvantagem das pessoas; além disso, tais estruturas ou projectos jamais podem obstaculizar o contacto pessoal com aqueles para cujo serviço fomos chamados por Deus. A equidade e a transparência devem ser as características indispensáveis que distinguem todas as questões financeiras, enquanto é necessário realizar todos os esforços possíveis para assegurar que os subsídios sejam realmente utilizados para as finalidades destinadas. A missão pastoral da Igreja e o dever dos seus ministros, "não de ser servidos, mas de servir" (cf. Mt 20, 28), hão-de constituir sempre a vossa principal preocupação.

Além disso, os conceitos de serviço e de solidariedade podem fazer muito para favorecer uma maior cooperação ecuménica e inter-religiosa. Uma iniciativa específica que poderia ajudar a fomentar o progresso neste âmbito é a instituição de uma agência para coordenar os vários programas que visam prestar assistência e ajuda humanitária nas diversas regiões do país. Sem dúvida, esta coordenação serviria para aumentar a eficácia de tais programas e poderia revelar-se mesmo útil para entreitar contactos para a concessão de autorizações governamentais, necessárias para visitar algumas regiões. A Conferência dos Bispos católicos do Sudão poderia apoiar e promover activamente esta agência de coordenação. Segundo o modelo do acordo já existente no Sul do Sudão com alguns membros da Comunhão Anglicana, a agência permaneceria aberta aos representantes das outras denominações cristãs e das demais religiões, inclusivamente do islão, favorecendo deste modo um clima de confiança recíproca através da cooperação comum nos âmbitos da assistência educativa e humanitária.

6. Prezados Irmãos Bispos, as palavras que hoje vos dirijo desejam oferecer-vos o meu encorajamento no Senhor. Estou consciente dos vossos afãs quotidianos e da enorme dor e sofrimento de que o vosso povo ainda hoje continua a padecer: uma vez mais, asseguro-vos, bem como ao vosso povo, as minhas preces e a minha solidariedade. Juntamente com todos vós, imploro ao Deus da paz a fim de que permita que o processo de diálogo e de negociação em acto nestes dias obtenha bom êxito, de maneira que a verdade, a justiça e a reconciliação possam voltar a reinar no Sudão. Confio-vos, assim como as vossas dioceses, à solicitude amorosa de Maria, Rainha dos Apóstolos, e à intercessão celestial de Santa Josefina Bakhita e de São Daniel Comboni. Neste tempo de Advento, enquanto nos preparamos para celebrar a Natividade do nosso Salvador, possais vós, os sacerdotes, os religiosos e os fiéis leigos das vossas Igrejas particulares, ser renovados na esperança que brota da "boa notícia de uma grande alegria", proclamada em Belém!

Concedo-vos a todos, do íntimo do coração, a minha Bênção apostólica.

DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II AO SENHOR CARLOS RAFAEL CONRADO MARION-LANDAIS CASTILLO NOVO EMBAIXADOR DA REPÚBLICA DOMINICANA JUNTO DA SANTA SÉ

15 de dezembro de 2003

Senhor Embaixador

1. É com grande prazer que o recebo neste acto solene de apresentação das Cartas Credenciais que o acreditam como Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário da República Dominicana junto da Santa Sé, e agradeço-lhe sinceramente as amáveis palavras que houve por bem dirigir-me. Estou-lhe muito reconhecido pelas expressões de felicitação pela recente celebração do XXV aniversário da minha eleição para a Cátedra de São Pedro, à qual o Supremo Pastor me quis chamar para prestar este serviço à Igreja e, em geral, a toda a humanidade. Por isso, agradeço-lhe muito as suas orações para que Deus me continue a confortar com a sua ajuda no exercício deste ministério eclesial.

2. Vossa Excelência vem para representar uma Nação que, como recordou no seu discurso, se sente profundamente católica. No solo da actual República Dominicana celebrou-se a primeira Missa no início da Evangelização do continente americano, e mais tarde foram administrados os primeiros baptismos de indígenas. Com estes dois Sacramentos cresce e edifica-se a Igreja de Cristo e pode dizer-se que foi nessa Ilha espanhola que surgiu a Igreja católica na América. Dali partiram imediatamente os evangelizadores para a terra firme americana; aqueles homens iam anunciar Jesus Cristo, defender a dignidade inviolável e os direitos dos povos indígenas, favorecer a sua promoção e a igualdade entre todos os membros da grande família humana.

Num período relativamente breve, os anunciadores da fé atravessaram a geografia dominicana. O Papa Júlio II no início do século XVI erigiu na Ilha Espanhola a Igreja Metropolitana de Yaguate, com as sufragâneas de Bainoa e Maguá, as primeiras do Novo Mundo. Sabemos que estas Dioceses foram as primeiras a ser abolidas algum tempo mais tarde e o mesmo Pontífice, a 8 de Agosto de 1511, erigiu definitivamente as dioceses de Santo Domingo, Concepción de la Vega e San Juan, como sufragâneas da Sede Metropolitana de Sevilha. Para celebrar os quinhentos anos de existência o Episcopado dominicano prepara um Plano Nacional de Pastoral de Evangelização, ao que desejo desde já os melhores frutos.

Nestes cinco séculos a Igreja acompanhou o caminho do povo dominicano, anunciando-lhe os princípios cristãos, que são fonte de esperança sólida e infundem um renovado dinamismo à sociedade, realizando a sua obra de evangelização e promoção humana, que constituem acções que não se encontram em contraposição, mas que estão intimamente vinculadas, pois "a promoção humana deve ser a consequência lógica da evangelização, que tende para a libertação integral da pessoa" (Discurso em Santo Domingo, 12/10/1992, 13).

3. A Santa Sé compraz-se pelas boas relações entre a Igreja e o Estado, e formula votos fervorosos para que, no futuro, continuem a ser incrementadas. Existe um âmbito no qual as próprias competências e acções confluem e se inter-relacionam, como recorda o Concílio Vaticano II.

É justo reconhecer a acção realizada no seu País através das dioceses, das paróquias, das comunidades religiosas e dos movimentos de apostolado. Desejo, a respeito disto, mencionar a acção eclesial em favor dos deficientes, dos enfermos de sida, das minorias étnicas, dos emigrantes e refugiados. Também é motivo de alegria a presença da Igreja no campo educativo, através de uma Universidade Pontifícia em Santiago com um espaço também na Cidade Capital, quatro Universidades Católicas, vários Institutos Técnicos, Institutos Politécnicos Femininos e quase trezentos Centros educativos e escolas paroquais. Além disso, outras instituições católicas oferecem um contributo significativo no esforço comum por fomentar uma sociedade mais justa e atenta às necessidades dos seus membros mais débeis.

Mesmo no seu serviço à sociedade não compete à Igreja propor soluções de ordem política e técnica, sem dúvida ele deve e deseja assinalar os motivos e orientações que provêm do Evangelho para iluminar a busca de respostas e soluções. Na origem dos males sociais, económicos e políticos dos povos encontra-se a rejeição e o esquecimento dos valores éticos genuínos, espirituais e transcendentais. Faz parte da missão da Igreja recordá-los, defendê-los e consolidá-los, particularmente no momento actual, no qual causas internas e externas originaram, no seu País, uma grave deterioração e uma certa diminuição da qualidade de vida dos dominicanos. Para resolver estes problemas não se deve esquecer que o bem comum é o objectivo a ser alcançado, para o qual a Igreja, sem pretender competências que não fazem parte da sua missão, oferece a sua colaboração ao governo e à sociedade.

No mundo de hoje não é suficiente limitar-se à lei do mercado e à sua globalização; é preciso fomentar a solidariedade, evitando os males que derivam de um capitalismo que considera o lucro mais importante do que a pessoa, o que a torna vítima de tantas injustiças. Um modelo de progresso que não tenha em consideração e não enfrente decididamente essas desigualdades não pode, de modo algum, ser próspero.

Quem mais sofre com as crises são os pobres. Por isso, devem ser o objecto especial dos desvelos e atenções do Estado. A luta contra a pobreza não deve limitar-se a melhorar simplesmente as suas condições de vida, mas também a libertá-los dessa situação criando postos de trabalho e assumindo a sua causa como própria. É importante realçar a importância da educação e da formação como elementos na luta contra a pobreza, bem como no respeito dos direitos fundamentais, que não podem ser sacrificados em benefício de outros objectivos, porque isso atentaria contra a verdadeira dignidade do ser humano.

5. Senhor Embaixador, antes de concluir este encontro, desejo manifestar-lhe a minha proximidade a quantos foram atingidos pelo terremoto do passado mês de Setembro e pelas recentes inundações. Desejo louvar a solidariedade efectiva das outras regiões da República Dominicana e de outros Países do Caribe. Peço ao Senhor que conceda aos danificados força e capacidade de entrega generosa para enfrentar as devastações que os atingiram e que não lhes falte, imediatamente, a ajuda necessária, para que possam continuar a sua vida quotidiana.

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