Mensagem de condolências pelas vítimas do terremoto em são juliano de apúlia



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6. Finalmente, é-me grato formular-lhe os meus melhores votos para que a missão que hoje inicia seja fecunda de abundantes frutos e êxitos. Peço-lhe de novo, que se faça intérprete dos meus sentimentos e esperanças junto do Senhor Presidente da República e das demais Autoridades do seu País, enquanto invoco a Bênção de Deus, por intercessão da Virgem de Altagraça, que, sendo venerada desde 1541, acompanha com a sua presença amorosa os fiéis dessa nobre Nação, sobre Vossa Excelência, sobre a sua distinta família e colaboradores, e sobre os amadíssimos filhos dominicanos.

PALAVRAS DO PAPA JOÃO PAULO II A VÁRIOS GRUPOS DE PEREGRINOS

13 de Dezembro de 2003

Caríssimos Irmãos e Irmãs

1. Estou verdadeiramente feliz por me encontrar convosco e dirijo-vos a todos uma cordial saudação de boas-vindas.

Aos Comités Olímpicos: o valor e a importância do desporto na formação da juventude Saúdo, em primeiro lugar, o Presidente, Sua Ex.cia Mário Pescante, e os membros dos 49 Comités Olímpicos Europeus, que participam na Assembleia anual do Comité Olímpico Internacional.

Aproveito esta ocasião para realçar, mais uma vez, o valor e a importância do desporto, especialmente para a formação da juventude. A Europa é o berço do desporto moderno, que descende das práticas desportivas dos antigos gregos, caracterizadas pelo respeito recíproco e a amizade. O importante lema das Olimpíadas modernas, "Citius, Altius, Fortius", continue a orientar a prática desportiva das novas gerações.

Às Associações Italianas dos Ópticos e para a investigação das doenças oculares: Santa Lúcia vos ajude no vosso serviço

2. Saúdo, ainda, o grupo da Associação Italiana dos Ópticos e o da Associação Italiana para a investigação das doenças oculares. A vossa padroeira, Santa Lúcia, que hoje celebramos, vos ajude a desenvolver sempre com grande empenho a vossa actividade em favor daqueles que têm problemas de vista. Trata-se de um importante serviço que prestais à sociedade.

Ao Grupo "Interdis": obrigado pelo generoso apoio que ofereceis às iniciativas de caridade do Papa

3. Dirijo-vos ainda a vós, membros do Grupo "Interdis", o meu pensamento, enquanto vos agradeço esta visita. Estou-vos grato também pelo generoso apoio que ofereceis às iniciativas de caridade do Papa, em prol dos mais necessitados.

Caríssimos, na proximidade do Santo Natal, formulo-vos, bem como aos vossos familiares, os meus ardentes bons votos, enquanto garanto para cada um uma lembrança na oração.

Abençoo-vos a todos de coração.
SAUDAÇÃO DO PAPA JOÃO PAULO II AOS ARTISTAS DO "XI CONCERTO DE NATAL NO VATICANO"

Sexta-feira, 12 de Dezembro de 2003

Ilustres Senhores Gentis Senhoras

Estou feliz por me encontrar convosco, por ocasião do concerto de "Natal no Vaticano", manifestação organizada para ajudar a construção de novas igrejas, especialmente nas regiões de periferia da cidade de Roma.

Formulo calorosos bons votos para que possais alcançar os objectivos que vos propusestes. Desejo, ao mesmo tempo, estender a cada um dos promotores, dos organizadores e dos artistas, os cordiais bons votos pelas Festas de Natal, já iminentes. O Natal recorda que o Filho de Deus, assumindo a natureza humana, se tornou companheiro de caminhada do homem de todos os tempos. Possa esta Festividade, tão sentida pelas famílias, tornar-se uma ocasião propícia para experimentar a proximidade e o amor de Deus.

Acompanho estes votos com uma especial Bênção Apostólica, que faço extensiva de bom grado aos vossos entes queridos e a quantos assistem ao concerto pela televisão.

Feliz Natal a todos!
DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II NA APRESENTAÇÃO DAS CARTAS CREDENCIAIS DOS NOVOS EMBAIXADORES DA DINAMARCA, SINGAPURA, QATAR E ESTÓNIA

12 de Dezembro de 2003

Excelências

1. Sinto-me feliz em vos receber no momento em que apresentais as Cartas que vos acreditam como Embaixadores extraordinários e plenipotenciários dos vossos respectivos países: Dinamarca, Singapura, Qatar e Estónia. Ao agradecer-vos as gentis palavras que me transmitistes da parte dos vossos Chefes de Estado, ficar-vos-ia grato se vos dignardes exprimir-lhes os meus deferentes votos pelas suas pessoas e pela sua nobre missão ao serviço dos seus povos. Através de vós, saúdo as Autoridades civis e religiosas dos vossos países, e todos os vossos compatriotas, pedindo-vos que lhes transmitais os meus votos cordiais e fervorosos.

2. O fim do ano civil é um período propício para analisar a situação do mundo e os acontecimentos dos quais somos testemunhas. Como todos os diplomatas, vós dedicais-vos a criar vínculos entre pessoas e países, favorecendo com isto a paz, a amizade e a solidariedade entre os povos. Fazeis isto em nome dos vossos Governos, que têm a preocupação de uma mundialização da fraternidade e da solidariedade, com a certeza de que o que une os homens é mais importante de quanto os separa. O futuro para os povos e a esperança para o mundo têm o preço do respeito destes valores humanos fundamentais.

3. Para um progresso duradouro e para a estabilidade internacional e a própria credibilidade dos órgãos de governo, nacionais e internacionais, seria bom que todos os protagonsitas da vida pública, sobretudo nos campos político e económico, tivessem um sentido moral cada vez mais agudo na gestão dos assuntos públicos, propondo-se como finalidade primordial o bem comum, que é muito mais do que a soma dos bens individuais. Por conseguinte, faço apelo a todas as pessoas de boa vontade chamadas a servir o seu país, para que se dediquem sempre mais a pôr as suas competências ao serviço dos seus compatriotas, e mais amplamente ao serviço da comunidade internacional!

4. Neste período no qual os homens de toda a terra se apresentarão uns aos outros votos de paz e de bem-estar, também eu desde já formulo os mesmos votos para vós, para os vossos governos e para todos os habitantes dos vossos países, assim como para toda a humanidade. No momento em que começais a vossa nobre missão junto da Santa Sé, apresento-vos os meus melhores votos, invocando a abundância das Bênçãos divinas sobre vós próprios, sobre as vossas famílias, os vossos colaboradores e sobre as nações que representais.
DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II AO SENHOR MOHAMAD JAHAM ABDULAZIZ AL-KAWARI, PRIMEIRO EMBAIXADOR DO QATAR JUNTO DA SANTA SÉ

12 de Dezembro de 2003

Senhor Embaixador

1. Sinto-me feliz em receber Vossa Excelência por ocasião da apresentação das Cartas que o acreditam como primeiro Embaixador extraordinário e plenipotenciário do Estado do Qatar junto da Santa Sé e agradeço-lhe as suas amáveis palavras.

Ficar-lhe-ia grato, Senhor Embaixador, por transmitir a Sua Alteza o Emir do Qatar, Xeque Hamad ben Khalifa Al-Thani, os meus agradecimentos pelas saudações gentis que me enviou por seu intermédio, e por lhe expressar em troca os meus votos cordiais de bem-estar e de paz para todos os habitantes do país.

2. Senhor Embaixador, o seu jovem país, que se encontra situado numa parte do globo considerado pelo mundo como estratégico, está comprometido a assumir o seu lugar no concerto das Nações, abrindo-se aos intercâmbios regionais e internacionais e a participar de várias maneiras na vida internacional. Convencido do interesse e da fecundidade do encontro entre as culturas e as religiões, ele esforça-se por promover o diálogo como meio para resolver as tensões entre os povos e de progredir rumo a um melhor entendimento, para o bem de todos. Isto constitui também, como é do conhecimento de Vossa Excelência, uma preocupação constante da Santa Sé, que encoraja as nações a fazer o possível para resolver as numerosas e graves dificuldades que estão presentes hoje na vida internacional e para evitar os riscos de confrontos, através de um diálogo corajoso e infatigável que respeite todas as partes em causa. Desta forma, as condições para uma paz sólida e duradoura serão verdadeiramente garantidas.

A mundialização que caracteriza o nosso tempo não deve ser vista apenas como um fenómeno económico, assinalado pela interdependência cada vez mais estreita de intercâmbios financeiros e comerciais, nem como uma aceleração prodigiosa da comunicação entre os homens, graças ao considerável progresso feito pela técnica. Ela exprime mais fundamentalmente a tomada de consciência "de que há valores comuns a todas as culturas, porque radicados na natureza da pessoa. É nesses valores que a humanidade exprime os seus traços mais autênticos e qualificantes" (Mensagem para o Dia Mundial da Paz, 1 de Janeiro de 2001, n. 16). Por conseguinte, o reconhecimento da nossa pertença comum ao mesmo mundo e à mesma família humana deve transformar as relações entre as pessoas e entre os povos, para que seja sempre respeitado o bem comum e cessem os confrontos violentos e mortíferos entre os homens, dado que eles são todos irmãos, criados para glória do único Deus.

3. Para a Igreja católica, a liberdade faz parte dos direitos humanos mais fundamentais, porque exprime precisamente a dignidade inviolável de cada homem na sua dimensão mais nobre, isto é, a sua relação com o Criador, e porque ela pertence à liberdade de consciência. Eis o motivo pelo qual a Santa Sé se esforça por recordar a todo o mundo o necessário respeito deste direito, que é válido para todos os crentes de todas as religiões. Alegro-me profundamente por saber que o Estado do Qatar reconhece a todos os crentes a liberdade de culto, e aprecio a atitude acolhedora do seu governo em relação aos cristãos, sobretudo da Igreja católica. Agradeço calorosamente a quantos se empenharam neste âmbito. Estou consciente de que, por seu lado, os fiéis católicos se comprometem a trabalhar de coração para o bem do país onde vivem, no respeito das suas leis e das suas tradições, e com a preocupação pelo diálogo da vida com todos, sobretudo com os Muçulmanos.

O diálogo desejado entre as nações deve consentir superar a violência e preparar as condições de uma paz verdadeira. Ele impõe-se também como uma necessidade entre as religiões. A respeito disto, aprecio a atenção que as Autoridades do seu País dedicam à promoção activa do diálogo entre cristãos e muçulmanos. Por meu lado, estou convencido de que, "as confissões cristãs e as grandes religiões da humanidade devem colaborar entre si para eliminar as causas sociais e culturais do terrorismo, ensinando a grandeza e a dignidade da pessoa e incentivando uma maior consciência da unidade do género humano. Tratando-se de um campo concreto do diálogo e da colaboração ecuménica e inter-religiosa, colocando as religiões ao serviço da paz entre os povos" (Mensagem para o Dia Mundial da Paz, 1 de Janeiro de 2002, n. 12).

4. Estou-lhe grato, Senhor Embaixador, por ter recordado a situação dramática da Terra Santa e pelo seu ardente desejo de que este conflito tenha fim num futuro próximo. A Santa Sé partilha esta preocupação de modo constante e aproveita todas as ocasiões para recordar à comunidade internacional o seu dever de trabalhar com insistência junto das partes em causa para que sejam empreendidas verdadeiras negociações, convidando também as Autoridades e os povos envolvidos a não perder ocasião alguma para procurar um futuro de paz e de fraternidade. De facto, só haverá paz verdadeira nessa região mediante a renúncia à violência recíproca e recorrendo a um diálogo corajoso que possa levar ao reconhecimento do direito que cada qual tem de viver livremente na sua terra, no respeito da justiça e da segurança para todos, particularmente nos lugares santos.

Possa chegar o dia tão desejado em que esta terra, tão querida a todos os filhos de Abraão, verá instaurar-se a paz!

Senhor Embaixador, permita que eu, através da sua pessoa, envie uma saudação calorosa à comunidade católica que vive no Qatar, bem como a todos os fiéis cristãos de outras confissões. Que eles tenham a preocupação de se comportar como verdadeiros discípulos de Cristo, pondo em prática o dúplice mandamento do amor de Deus e do próximo! Os meus votos fervorosos alcancem também todos os habitantes da vossa nobre terra.

No momento em que Vossa Excelência inicia a sua nobre missão, asseguro-lhe a atenciosa disponibilidade de todos os meus colaboradores, e apresento-lhe os meus melhores votos para um trabalho frutuoso, a fim de que se desenvolvam relações harmoniosas entre a Santa Sé e o Estado do Qatar.

Sobre Vossa Excelência, sobre a sua família, os seus colaboradores e sobre todos os seus compatriotas, invoco a abundância das Bênçãos do Altíssimo.


DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II AO NOVO EMBAIXADOR DA DINAMARCA JUNTO DA SANTA SÉ POR OCASIÃO DA APRESENTAÇÃO DAS CARTAS CREDENCIAIS

Excelência

É-me grato dar-lhe as boas-vindas hoje e aceitar as Cartas Credenciais mediante as quais Vossa Excelência é designado Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário do Reino da Dinamarca junto da Santa Sé. Embora a minha visita ao seu país teve lugar há vários anos, recordo com prazer o afecto e a hospitalidade com que fui recebido. Agradeço as amáveis palavras de saudação que Vossa Excelência me transmite da parte de Sua Majestade a Rainha Margarida II, e pedir-lhe-ia que comunicasse a Sua Majestade, aos membros do governo e a todo o povo da Dinamarca os meus bons votos e a certeza das minhas preces pela paz e pelo bem-estar da nação.

O compromisso constante da Santa Sé na promoção da dignidade da pessoa humana encontra-se no coração da sua actividade diplomática. Sem uma compreensão autêntica do valor incomparável dos homens e das mulheres, as pretensões de defesa dos direitos humanos fundamentais e os esforços em vista de obter uma coexistência pacífica entre os povos serão vãos. É somente no respeito e na salvaguarda da dignidade inviolável de cada pessoa que a busca da solidariedade e da harmonia no nosso mundo encontra o seu fundamento seguro. Com efeito, a necessidade urgente que toda a família humana tem de dar uma expressão concreta àquilo que o meu Predecessor, o Beato Papa João XXIII, definiu como os quatro pilares da paz verdade, justiça, caridade e liberdade deriva precisamente do facto de eles serem "os requisitos prévios do espírito do homem" (Mensagem para o Dia Mundial da Paz, n. 3).

No seio da comunidade internacional, a Dinamarca é reconhecida pela generosidade com que tem caracterizado os seus relacionamentos com as nações em vias de desenvolvimento, no mundo inteiro. Uma expressão tangível desta solidariedade encontra-se na liderança dinamarquesa nas operações de manutenção da paz, na participação altruísta aos projectos de assistência e na disponibilidade a contribuir para as exigências da estabilidade internacional e da segurança necessária para o progresso no mundo. A este propósito, é-me particularmente grato reconhecer a observação que Vossa Excelência fez em relação ao modo como a Dinamarca e a Santa Sé apoiaram mutuamente a Declaração do Milénio. O compromisso exemplar da sua nação, em ordem a corresponder às finalidades dessa Declaração, não passou despercebido, e estou convicto de que a Dinamarca contribuirá com determinação para o recém-proposto Programa Financeiro Internacional, cujas iniciativas são corroboradas pela Santa Sé.

A solidariedade concreta constitui sempre a expressão de um desejo firme e perseverante de promover o bem comum. Não obstante este desejo ressoe no interior do coração de todos os homens e mulheres, ele exige também a determinação em vista de promover activamente a cultura da aceitação. Para esta finalidade, o seu país procura introduzir programas de educação para a paz, contribuir para projectos de combate à fome e à injustiça, e encorajar a tolerância, de modo especial no que diz respeito à comunidade de imigrantes. No seu nível mais significativo, estas iniciativas dignas de louvor ajudam a descobrir o reconhecimento da natureza essencial da vida humana como uma dádiva e do nosso mundo como uma família de pessoas. Com efeito, o compromisso genuíno em prol da solidariedade humana, a nível internacional, encontra a sua raiz no núcleo familiar. Se a comunhão autêntica e madura entre as pessoas no seio da família a primeira e insubstituível escola de vida social não for valorizada e salvaguardada, as relações da solidariedade internacional, caracterizadas pelo respeito, a justiça, o diálogo e a caridade, que servem o bem comum, serão gravemente limitadas (cf. Exortação Apostólica Familiaris consortio, 43).

Durante a minha visita à Dinamarca, observei que a sua bandeira, chamada Dannebrog, está marcada pelo sinal da Cruz. Então sugeri que, em fidelidade a este símbolo histórico da sua existência como povo, a Dinamarca será fiel à sua própria identidade. Uma parte integrante da vossa história é o Evangelho cristão que, como inspiração e ajuda ao vosso povo (cf. Discurso de chegada, Copenhaga, 6 de Junho de 1989), é tão crucial hoje como o foi por mais de mil anos. Contudo, não se pode deixar de observar que um obscurecimento do sentido de Deus lançou a sua sombra não apenas sobre o seu país, mas inclusivamente sobre todo o Continente europeu. Muitas pessoas se sentem desorientadas, confusas, e outras até mesmo sem esperança. Com numerosos europeus que vivem desprovidos de raízes espirituais, não causa admiração o facto de existirem movimentos políticos e sociais que procuram criar uma visão da Europa que ignora a sua herança religiosa e, em particular, a sua alma profundamente cristã (cf. Exortação Apostólica pós-sinodal Ecclesia in Europa, 7). Os defensores destes esforços desvirtuados reclamam os direitos dos povos europeus, e afirmam que falam no nome deles, mas permanecem cegos diante da realidade da lei objectiva superior, inscrita no coração de cada homem e de cada mulher, que a consciência humana conhece bem.

A visão da Europa desapegada de Deus só pode levar à fragmentação social, à confusão moral e à desunião política. Perante os sinais perturbadores que ofuscam o horizonte do continente europeu, desejo repetir de novo as palavras tiradas da Escritura, que eu citei durante a minha visita ao seu país: "Deus amou de tal forma o mundo, que entregou o seu Filho único... a luz veio ao mundo... mas quem age conforme a verdade, aproxima-se da luz, para que as suas acções sejam vistas, porque são feitas como Deus quer" (Jo 3, 16.19.21). A verdade de Cristo não desilude. Ela ilumina e orienta o nosso caminho, dissipando as sombras da desorientação e do medo. Cristo convida-nos todos, de novo, "para traçar caminhos sempre novos que desemboquem na "Europa do espírito", a fim de fazer dela uma verdadeira "casa comum" onde haja alegria de viver" (Exortação Apostólica pós-sinodal Ecclesia in Europa, 121).

Com estas palavras de encorajamento, asseguro-lhe que a Igreja católica, em irmandade ecuménica com os seus irmãos e irmãs cristãos na sua terra, Senhor Embaixador, continuará a trabalhar em benefício do enriquecimento espiritual e do desenvolvimento social do povo dinamarquês. Através do testemunho da caridade, a Igreja alcança todos os homens e mulheres, independentemente da sua etnia ou religião, promovendo o crescimento de uma "cultura da solidariedade" e dando nova vida aos valores universais da existência humana (cf. ibid., n. 85). Senhor Embaixador, estou persuadido de que a missão que Vossa Excelência começa no dia de hoje ajudará a revigorar os vínculos cordiais de compreensão e de cooperação entre a Dinamarca e a Santa Sé. No momento em que Vossa Excelência assume as suas novas responsabilidades, tenha a certeza de que os diversos departamentos da Cúria Romana estão prontos para o assistir no cumprimento dos seus deveres. Invoco sobre o Senhor Embaixador, sobre a sua família e os seus compatriotas, as abundantes bênçãos de Deus Todo-Poderoso.


DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II AO SENHOR PRIIT KOLBRE NOVO EMBAIXADOR DA ESTÓNIA JUNTO DA SANTA SÉ

12 de Dezembro de 2003

Excelência

É com prazer que lhe dou as boas-vindas ao Vaticano, no momento em que Vossa Excelência apresenta as Cartas Credenciais mediante as quais é designado como Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário da República da Estónia junto da Santa Sé. Pedir-lhe-ia a amabilidade de transmitir a Sua Excelência o Senhor Arnold Rüütel o meu apreço pelos seus bons votos, que gostaria de retribuir calorosamente assegurando-lhe, assim como a toda a população da Estónia as minhas orações pelo bem-estar da sua nação. Há dez anos, realizei a minha "peregrinação da paz" a vários países bálticos, inclusivamente à sua querida nação, onde dei graças a Deus pela "lâmpada da liberdade", que então acabava de ser novamente acesa. Essa visita permanece vivamente gravada na minha mente, enquanto recordo de bom grado o afecto e a hospitalidade que então me foram reservados pelos líderes tanto civis como religiosos da nação.

As relações diplomáticas da Igreja fazem parte da sua missão de serviço em prol de toda a família humana. O seu desejo ardente de promover relações fecundas com a sociedade civil está fundamentado sobre a sua convicção de que a esperança de edificar um mundo mais justo um mundo mais digno do homem não pode ignorar a compreensão da vocação sobrenatural do homem. Por conseguinte, a actividade diplomática da Santa Sé procura promover um entendimento da pessoa humana, que "recebe de Deus a sua dignidade essencial e com ela a capacidade de transcender todo o regime da sociedade, rumo à verdade e ao bem" (Carta Encíclica Centesimus annus, 38). A partir deste fundamento, a Igreja aplica os valores universais relativos à verdade e ao amor, à vasta gama de culturas e de nações que constituem o nosso mundo contemporâneo.

Como Vossa Excelência quis observar, a chegada da Igreja católica à Estónia remonta ao século XII. Juntamente com os outros europeus, os estonianos compreendem justamente que as verdades e os valores da cristandade constituíram o fundamento do próprio tecido da sociedade europeia. Contudo, esta herança não pertence ao passado. Ela é um projecto sempre em acto. Por conseguinte, é imperativo que, enquanto as nações da Europa estão a procurar uma nova configuração, a proclamação perene da cristandade deveria ser reconhecida e reclamada. É mediante a recuperação da verdadeira identidade da Europa, sobre a qual estão fundamentadas a sua liberdade e democracia, que se poderá assegurar o progresso autêntico das suas instituições culturais e cívicas (cf. Exortação Apostólica pós-sinodal Ecclesia in Europa, 109).

O povo da Estónia sabe muito bem que, quando o tesouro da fé cristã é ignorado ou até mesmo negado, definham o desenvolvimento social autêntico e a visão de uma sociedade caracterizada pela esperança. Na linha de um trágico período de medo e de intimidação na história da Europa, em que está a prevalecer a supremacia da força, a fé cristã propõe o seu Evangelho de vida, garantindo um futuro de esperança e de liberdade, um porvir em que a supremacia do amor e da verdade hão-de prevalecer. Não se pode permitir que um sentido desnorteado ou superficial da inclusão negue às futuras gerações este caminho de realização pessoal autêntica e de solidariedade sustentável entre os povos, arraigado sobre a esperança que "não desilude" (Rm 5, 5). A este propósito, estou persuadido de que o governo da Estónia ajudará os esforços da Santa Sé, em vista de assegurar que o Tratado da Constituição da Europa reconheça o lugar da cristandade no âmago da vida e do futuro deste Continente.

Enquanto a Estónia continua a comprometer-se na delicada mas profundamente satisfatória tarefa de forjar o seu espírito nacional, há muito que agradecer. A liberdade de pensamento e de expressão, de que gozam os seus cidadãos hoje em dia, constitui uma condição para a busca da verdade que define a pessoa humana. Todavia, a experiência da história ensina-nos que a caminhada da opressão rumo à liberdade é árdua. Ela é frequentemente assinalada por promessas vazias de esperança e pela miragem da falsas formas de liberdade, desapegadas de um vínculo essencial com a verdade. Não se deve permitir que a passagem de uma era de ideologia política repressiva leve a uma era de ideologia secularista destruidora. A pessoa humana que busca a verdade vive também pela fé (cf. Carta Encíclica Fides et ratio, 31). Por conseguinte, é nas comunidades de crentes que as autoridades políticas e civis podem encontrar com confiança um compromisso em benefício da humanização da sociedade, forjando uma ordem social europeia no respeito de cada homem e de cada mulher e, desta maneira, de acordo com o bem comum (cf. Exortação Apostólica pós-sinodal Ecclesia in Europa, 117).

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