Mensagem de condolências pelas vítimas do terremoto em são juliano de apúlia



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Não há dúvida de que uma das maiores necessidades da Estónia contemporânea consiste em assegurar que seja garantida e promovida a instituição sagrada do matrimónio, desejada por Deus no próprio acto da criação, com a consequente vida familiar estável. Tanto os líderes civis como os religiosos de todas as denominações devem trabalhar em conjunto, visando esta finalidade. Com efeito, numerosos factores culturais, sociais e políticos estão a conspirar para criar uma crise cada vez mais óbvia da família. A tragédia do divórcio arrasa a vida familiar e prejudica as comunidades e os indivíduos, de modo especial os filhos. O flagelo do aborto, além de violar a dignidade fundamental da vida humana, muitas vezes causa dores emocionais e psicológicas inauditas à mãe que, ela mesma, é frequentemente vítima de circunstâncias contrárias às suas esperanças e aspirações mais profundas. Diante de tais aflições, volto a recordar aos líderes civis que eles têm o dever de fazer opções corajosas em ordem a proteger a vida através de medidas legislativas (cf. Carta Encíclica Evangelium vitae, 90) e a fomentar os valores e as exigências da família, mediante políticas sociais que sejam realmente eficazes. Exorto também a comunidade cristã que está na Estónia a dar testemunho constante da beleza sublime da comunhão íntima de vida e de amor, que define a família e incute alegria na sociedade humana.

Os membros da Igreja católica, embora sejam pouco numerosos no seu país, continuarão a rezar e a trabalhar pela continuidade do desenvolvimento do povo e da nação estonianos. Agradeço-lhe, Senhor Embaixador, as suas amáveis palavras de estima a respeito daquilo que a Igreja católica está a realizar através das suas organizações humanitárias, nomeadamente mediante a Cáritas, levando um espírito de esperança e assistência concreta aos grupos mais vulneráveis. A sua missão de serviço a todos os povos, particularmente aos pobres e marginalizados, encontra-se no cerne do seu testemunho do amor totalmente misericordioso de Jesus Cristo.

Senhor Embaixador, durante o período do seu mandato como representante da Estónia junto da Santa Sé, os vários departamentos da Cúria Romana farão tudo o que puderem para o ajudar no cumprimento dos seus deveres. Formulo os meus melhores votos pelo bom êxito dos seus esforços em vista de fortalecer as relações de cordialidade que já existem entre nós. Sobre Vossa Excelência, a sua família e todos os seus compatriotas, invoco as copiosas bênçãos de Deus Todo-Poderoso.


DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II AO SENHOR WALTER WOON NOVO EMBAIXADOR DE SINGAPURA JUNTO DA SANTA SÉ

12 de Dezembro de 20003

Excelência

É-me grato dar-lhe as boas-vindas ao Vaticano e aceitar as Cartas Credenciais que O designam como Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário de Singapura junto da Santa Sé. Agradeço-lhe as amáveis saudações que o Senhor Embaixador me transmitiu da parte de Sua Excelência S. R. Nathan e do governo e o povo de Singapura, e peço-lhe a amabilidade de comunicar os meus bons votos e a certeza das minhas preces pela paz e pelo bem-estar da nação.

A sua presença hoje aqui traz à minha mente a visita que tive o privilégio de realizar ao seu país em 1986. O período que passei em Singapura ofereceu-me a oportunidade de experimentar pessoalmente uma cultura forjada pela influência dos numerosos e diferentes grupos étnicos e religiosos que, desde há muitos anos, têm vivido em harmonia recíproca. Singapura tem sido enriquecida em grande medida pela sua variedade de culturas e de povos, e deveria orgulhar-se da sua tradição de respeito e de estima por este património. Com efeito, o compromisso do seu país na promoção de um autêntico espírito de unidade na diversidade ofereceu uma contribuição significativa para essa região e Vossa Excelência pode justamente afirmar que se trata de um dos mais desenvolvidos na Ásia. Embora Singapura seja pequena em termos de território e de população, desempenha contudo um papel importante nessa área e, com frequência, age como ponte de intercâmbio cultural entre o Oriente e o Ocidente.

A fim de alcançar a globalização autêntica, os governos e os povos deveriam encorajar a diversidade cultural, assegurando que ela permaneça sempre fundamentada nos princípios e valores morais que governam o comportamento e os relacionamentos do homem. Singapura tem demonstrado a sua dedicação a tais preceitos, mediante um compromisso permanente em favor da tolerância religiosa, que tem sido promovida desde a independência do país. Formulam-se votos a fim de que a harmonia, que tradicionalmente tem prevalecido entre os seguidores das várias religiões em Singapura, se torne cada vez mais vigorosa. Isto é particularmente importante agora, que os momentos recentes de tensão e de trágicos incidentes na sua região estão a desafiar o respeito mútuo, fundamental para a coexistência pacífica de todos os povos. Em conformidade com as melhores tradições do seu país, há necessidade de diálogo, compreensão e cooperação constantes entre os seguidores das várias religiões, em vista de assegurar que todos os povos trabalhem em conjunto por uma civilização edificada sobre os valores universais da solidariedade, da justiça e da liberdade.

A sociedade singapuriana está imbuída de um profundo apreço pela importância das dimensões espirituais e transcendentes da vida humana. Isto tem contribuído para o reconhecimento da necessidade de desenvolver uma cultura em que "as pessoas vivam juntas", evitando sempre a tentação de ser tornar uma sociedade que rejeita, marginaliza, debilita e oprime ou outros (cf. Carta Encíclica Evangelium vitae, 18). Esta responsabilidade fundamental em relação aos nossos irmãos e irmãs é uma característica da interacção social, que deve ser exercida a níveis tanto nacional como internacional. A decisão tomada pelo seu país, de ajudar os povos que vivem para além das suas fronteiras nacionais, é evidente na impressionante assistência internacional que ele oferece. Com efeito, o nosso compromisso conjunto em favor dos menos afortunados é uma das numerosas áreas que unem Singapura e a Santa Sé no nosso desejo de servir o bem comum. Um exemplo desta cooperação pode ser visto nos nossos esforços conjuntos em ordem a formar jovens profissionais naturais dos países mais pobres nessa região, através do Programa de Formação no Terceiro Mundo, entre Singapura e o Vaticano, iniciado há cinco anos. A educação é um elemento fulcral para o desenvolvimento sustentável. Por conseguinte, estou convicto de que as nossas tentativas em vista de formar os jovens como cidadãos conscientes e honestos não apenas beneficiará os seus próprios países individualmente, mas também contribuirá para o bem da Ásia e de toda a comunidade mundial.

A responsabilidade pelo bem-estar do próximo inclui todos os sectores da vida. A este propósito, estou consciente das contribuições significativas que o seu país pode oferecer, de maneira especial nos campos da ciência e da tecnologia. A capacidade de servir a humanidade através delas é um dom que exige um grande respeito. Os governos nunca podem apoiar iniciativas que ameaçam a santidade da vida humana, em ordem a obter resultados científicos ou económicos. "O grande desafio moral que se apresenta às nações e à comunidade internacional, relativamente ao desenvolvimento, é ter a coragem de uma nova solidariedade, capaz de dar passos engenhosos e eficazes para vencer quer o subdesenvolvimento desumanizante, quer o "sobredesenvolvimento", que tende a reduzir a pessoa a uma mera unidade económica" (Exortação Apostólica pós-sinodal Ecclesia in Asia, 32). Por este motivo, o juízo adequado e a deliberação prudente no controle destes campos, são essenciais. Tais debates deveriam incluir as diferentes tradições religiosas, que desempenham um papel significativo na vida da vossa nação. Estes grupos oferecem uma contribuição fundamental para o progresso genuíno da sociedade, chamando a atenção para as interrogações e os valores humanos mais profundos e imprimindo uma orientação espiritual e moral, que deve acompanhar sempre os progressos científicos e tecnológicos.

Embora a Igreja católica em Singapura seja relativamente exígua, os seus membros sentem-se orgulhosos de contribuir para o desenvolvimento político, cultural e social. Num período em que a sua nação e uma boa parte da Ásia procuram reconsiderar as suas políticas passadas nos campos da vida familiar e da demografia, os católicos têm muito a oferecer. Como afirmei em 1986, "as famílias ocupam um lugar singular no seio da igreja, como comunidade de vida e de amor. Como comunhão de pessoas em diálogo com Deus, elas têm um papel importante a desempenhar na sociedade em geral. Assim, devem permanecer abertas à comunidade mais vasta, de tal maneira que a solicitude amorosa que elas manifestam nos seus lares se torne extensiva também aos outros, para o bem de todos" (Homilia em Singapura, n. 9). Um compromisso firme em prol da cultura da vida e da cultura da família constitui uma pedra angular fundamental para o tecido social de cada país, além de ser um requisito para o bom êxito a longo prazo.

Formulo votos a fim de que, no momento em que o Senhor Embaixador assume as suas novas responsabilidades, os laços de amizade entre a Santa Sé e Singapura sejam revigorados cada vez mais. Excelência, tenha a certeza de que os vários departamentos da Cúria Romana estão prontos a assisti-lo no cumprimento da sua missão. Invoco as abundantes bênçãos divinas sobre a sua pessoa e sobre o querido povo da sua nação.


PALAVRAS DO PAPA JOÃO PAULO II AOS OFICIAIS DA AERONÁUTICA MILITAR ITALIANA

Quarta-feira, 10 de Dezembro de 2003

Caríssimos Oficiais e Aviadores da Aeronáutica Militar Italiana

Sede bem-vindos! Saúdo-vos a todos cordialmente, a começar pelo Ordinário Militar, D. Ângelo Bagnasco, e do Chefe de Estado-Maior da vossa Arma.

A festa da vossa Padroeira celeste oferece-me a oportunidade para vos convidar a dirigir sempre o olhar a Nossa Senhora de Loreto. Seja Ela o modelo ao qual fazer constantemente referência, e a guia segura da vossa existência. Invocai-a com confiança em todas as situações: Ela será para vós apoio, conforto e esperança.

Aproveito esta ocasião para desejar-vos um feliz e Santo Natal, a vós e às vossas famílias.

Concedo-vos a todos a minha Bênção!
DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II DURANTE A AUDÊNCIA CONCEDIDA AOS ESTUDANTES DO SEMINÁRIO MAIOR DE RADOM (POLÓNIA)

Terça-feira, 9 de Dezembro de 2003

Dou cordiais boas-vindas a todos. Sinto-me feliz por poder receber o Seminário Maior da Diocese de Radom, num certo sentido, em restituição da minha visita. Sem dúvida, aqueles que encontrei em Radom já deixaram o Seminário e hoje servem a Igreja como sacerdotes com grande experiência. Contudo, um aspecto característico de qualquer comunidade é a continuidade histórica e espiritual, que constitui a sua riqueza. Por conseguinte, seja-me consentido colocar nas vossas mãos e nas mãos do vosso Bispo o agradecimento pelas boas-vindas, que em 1991 o vosso Seminário me apresentou, na sua nova sede, a qual tive a oportunidade de abençoar. Agradeço a D. Zygmunt Zimowski as palavras que acabou de me dirigir. Dou as boas-vindas aos Bispos auxiliares e ao Bispo Emérito. Sinto-me feliz por que todos os Bispos de Radom acompanham paternalmente os seminaristas na sua peregrinação à Sé apostólica. Saúdo também o reitor, os formadores, os padres espirituais, os professores, assim como os leigos colaboradores do Seminário e as outras pessoas que vos acompanham.

Comecei com o pensamento sobre a continuidade histórica e espiritual do Seminário. Por conseguinte, é necessário abranger com o pensamento, pelo menos brevemente, todo o património, do qual o vosso Seminário surgiu e do qual é herdeiro. Sabeis bem que o vosso Seminário tem a sua origem na Diocese de Cracóvia. A ela pertencia Sandomierz em 1635, quando o Rev.do Mikolaj Leopoldowicz deu início ao novo Seminário Maior. Ele foi idealizado não só como uma casa de formação, mas também como um centro científico. Ao longo dos decénios, muitas vezes por iniciativa dos Bispos e dos cónegos de Cracóvia, foram criadas as cátedras de teologia escolástica, de direito canónico, de bíblia e de história da Igreja. Elas devem servir para uma preparação versátil do clero para a Diocese de Cracóvia.

Falo desta ligação com Cracóvia para realçar as raízes comuns, isto é, também a herança comum, que nos une. Sem dúvida ela contém a herança da fé e da coragem de Santo Estanislau, da sabedoria e da magnanimidade de João de Kety, do zelo e da misericórdia de Pedro Skarga e de muitos outros grandes sacerdotes das nossas terras. É preciso ter sempre presente esta herança de santidade e de dedicação sacerdotal a Cristo, à Igreja e aos fiéis, para que as multidões dos sacerdotes de hoje possam frutuosamente continuar a sua obra.

O fim do século XVIII, depois da supressão da Companhia de Jesus, ligou o vosso Seminário com Kielce, até à criação da Diocese de Sandomierz, em 1818. Dois anos mais tarde, ele pude voltar a Sandomierz. Nos tempos modernos verificou-se, primeiro, uma parcial ligação com Radom e, por fim, a fundação de um Seminário separado para esta Diocese, à qual garantiu a existência de uma instituição tão importante, como é o Seminário Maior. Sinto-me feliz porque esta comunidade nova, mas com uma rica tradição se consolida e cresce. Creio fervorosamente que dele sairão bons pastores segundo o modelo de Cristo.

Sei que neste ano de formação vos acompanha o mote: "Imita o que celebras" "Imitare quod tractabis". É um convite que cada um de vós, seminaristas se Deus quiser ouvirá durante a liturgia das ordenações. Normalmente ele refere-se aos mistérios que estão contidos na Eucaristia e na sua celebração. Na realidade, o conteúdo mais profundo desta chamada parece surgir directamente das palavras de Cristo: "Fazei isto em Minha memória" (Lc 22, 19). E a "memória de Cristo" é toda a sua vida terrena, mas sobretudo a sua conclusão pascal. Como não ver o vínculo entre esta chamada e o gesto humilde e cheio de amor do lava-pés, no Cenáculo: "Compreendeis o que vos fiz" [...] Dei-vos o exemplo, para que, como Eu vos fiz, façais vós também" (Jo 13, 12.15). Como não o referir ao convite cheio de poder: "Tomai e comei todos, este é o meu corpo oferecido em sacrificio por vós" palavras que no dia seguinte se completaram no madeiro da Cruz. Eis a doação total de si mesmo no amor ao Pai e aos homens. Tal doação também vos será pedida por Deus e pelos homens, quando a Igreja vos chamar: "Imita o que celebras". E então, é preciso recordar que na "memória de Cristo" se inscreve também a ressurreição e o Pentecostes. Não vos abandone a fé de que pelos caminhos do mundo vos acompanha o próprio Ressuscitado, que vos concedeu o poder do Espírito Santo. Então a vossa dedicação a Deus e aos homens nao será um peso, mas uma participação confiante e jubilosa no sacerdócio eterno de Cristo. Preparai-vos desde já para este acto de entrega que está ligado com o gesto de assumir a responsabilidade para "memória de Cristo".

"Imita o que celebras". O serviço pastoral de um sacerdote é constituído por uma diversidade de acções, das quais como diz o Concilio a Eucaristia é fonte e auge (cf. GS 5). Seja qual for o seu género, o convite a imitar o seu sentido mais profundo é sempre actual e justo. Se um sacerdote celebra o Baptismo o sacramento da justificação não é porventura também esta uma sua tarefa, ser testemunha da graça justificante de cada uma das suas acções? Se prepara os jovens para o sacramento da Confirmação, que torna capazes de participar na missão profética da Igreja, não deveria ser ele próprio, antes de tudo, um portador do Evangelho? Quando concede a absolvição e chama à fidelidade, não deveria pedi-la para si mesmo e ser um exemplo de fidelidade? E o mesmo quando ensina, quando abençoa os matrimónios, quando acompanha os doentes e prepara para a morte, quando encontra as famílias deveria ser sempre a primeira testemunha do conteúdo do seu serviço.

Humanamente, não é fácil cumprir uma tarefa como esta. Precisamente por isto, é preciso procurar a ajuda d'Aquele que envia os operários para a sua messe (cf. Mt 9, 38). Na vossa vida de hoje, e sobretudo no sacerdócio, nunca falte tempo para a oração. Sim, fazei todos os esforços para vos preparardes o melhor possível para as tarefas sacerdotais mediante um sólido estudo da doutrina não só teológica, mas também de outras disciplinas que vos ajudarão no contacto com o homem de hoje ou mediante a compreensão de uma praxe pastoral, mas fundamentai esta preparação na base sólida da oração. Digo isto aos vossos corações: sede homens de oração, e conseguireis imitar o que celebrais.

Confio-vos a todos à Padroeira do vosso Seminário, a Imaculada Mãe de Deus. Que ela vos acompanhe, vos proteja, e vos obtenha todas as graças de que precisais para uma boa preparação para o sacerdócio. Abençôo-vos a todos de coração: em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.


DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II AO NOVO EMBAIXADOR DO PARAGUAI SENHOR MARCOS MARTINEZ MENDIETA JUNTO DA SANTA SÉ

Terça-feira, 9 de Dezembro de 2003

Senhor Embaixador

1. É com muito prazer que recebo Vossa Excelência neste acto no qual me apresenta as Cartas Credenciais que o acreditam como Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário da República do Paraguai junto da Santa Sé. Peço-lhe que transmita ao Presidente da República, Dr. Nicanor Duarte Frutos, os meus melhores votos e a certeza das minhas orações pela sua importante missão, juntamente com os votos de prosperidade e de bem espiritual para todos os filhos da querida terra paraguaia, renovando o que disse ao deixar aquela Nação durante a minha Viagem Pastoral: "O Papa parte mas leva-vos a todos no seu coração" (Discurso de despedida, 18 de Maio de 1998).

2. A sua presença aqui é uma ocasião propícia para reconfirmar as boas relações entre o Paraguai e a Santa Sé, fundadas também nas profundas raízes cristãs do povo paraguaio, que são "parte da sua alma nacional, tesouro da sua cultura, conforto e força para construir um futuro melhor na liberdade, na justiça e na paz" (ibid.). Desde o começo da evangelização do continente americano, a fé cristã arraigou-se no Paraguai e conformou inclusivamente a sua vida pública. Este património inicial da fé, com as diversas expressões de religiosidade popular através dos séculos, é o mesmo que os Bispos, juntamente com o próprio presbitério e com as diferentes comunidades religiosas presentes no Paraguai, desejam preservar e incrementar através da nova evangelização.

A Igreja no Paraguai conta 14 circunscrições eclesiásticas, além do Bispado castrense. Nas Igrejas particulares os Pastores trabalham para continuar a lançar a semente do Evangelho no coração dos paraguaios, de maneira que os frutos de vida cristã sejam abundantes nos vários ambientes onde a Igreja exerce a missão que recebeu do seu divino Fundador. Os Bispos, os sacerdotes e as comunidades religiosas prosseguirão incansáveis no cumprimento da sua tarefa evangelizadora, assistencial e educativa para o bem da sociedade. Chama-os a isto a sua vocação de serviço a todos sem excluir ninguém, contribuindo desta forma para a promoção integral do homem paraguaio e para a tutela e promoção dos valores supremos. E mesmo se a missão da Igreja é primordialmente religiosa, sem dúvida, dela "fluem uma missão, luz e forças que podem servir para estabelecer e consolidar a comunidade humana segundo a Lei divina" (Gaudium et spes, 42).

Nesta ocasião desejo garantir-lhe, Senhor Embaixador, a vontade constante da Igreja no Paraguai de continuar a colaborar com as Autoridades e com as diferentes instituições públicas ao serviço das grandes causas do homem, como cidadão e como filho de Deus (cf. Ibid., 76). É desejável que o diálogo construtivo e frequente entre as Autoridades civis e os Pastores da Igreja incremente as relações entre as duas Instituições. A respeito disto desejo recordar como "a Igreja tem uma palavra a dizer... a respeito da natureza, das condições, das exigências e das finalidades do desenvolvimento autêntico e, de igual modo, a respeito dos obstáculos que o entravam. Ao fazê-lo, a Igreja está a cumprir a missão de evangelizar, porque dá a sua primeira contribuição para a solução do urgente problema do desenvolvimento, quando proclama a verdade acerca de Cristo, de si mesma e do homem aplicando-a a uma situação concreta" (Sollicitudo rei socialis, 41).

3. O seu País, Senhor Embaixador, está formado por povos nobres, capazes de dominar a natureza e superar qualquer tipo de adversidades, generosos e hospitaleiros; é, de igual modo, rico em culturas autóctones. Com este património está chamado a participar cada vez mais activamente no concerto das nações, e para isso deve fomentar de maneira permanete uma maior e mais adequada capacidade dos seus cidadãos. A este respeito, é desejável que os esforços para melhorar sempre a educação alcancem os seus objectivos, fazendo com que a formação integral da pessoa esteja ao alcance de todos, preparando as novas gerações para assumirem plenamente as suas responsabilidades como cidadãos capazes de serem os protagonistas do andamento da Nação, procurando activamente o bem comum. É necessário dedicar uma atenção especial à educação nos verdadeiros valores morais e espirituais, promovendo uma autêntica política cultural que os consolide e difunda. É necessária uma renovada proposta dos mencionados valores fundamentais, como a honestidade, a austeridade, a responsabilidade pelo bem comum, a solidariedade, o espírito de sacrifício e a cultura do trabalho, a capacidade de diálogo e a participação a todos os níveis, que possam garantir um melhor progresso para todos os membros da comunidade nacional. Trata-se, em definitiva, de continuar a promover e a beneficiar aquelas condições de vida que permitam aos indivíduos e às famílias, assim como aos grupos intermédios e associativos, a sua plena realização e a consecução das suas legítimas aspirações.

4. Senhor Embaixador, estou consciente dos momentos cruciais que o Paraguai está a viver em tantos aspectos. Acompanho com muita confiança este complexo processo recordando que uma democracia se mantém ou decai de acordo com a defesa dos valores que encarna e promove, dado que "uma democracia sem valores converte-se facilmente num totalitarismo aberto ou dissimulado, como a história demonstra" (Centesimus annus, 46).

São numerosos os desafios que devem ser enfrentados para afirmar e consolidar um clima de convivência pacífica e harmoniosa entre todos, na qual reine a confiança dos cidadãos nas diversas instituições e organizações públicas. Elas devem considerar e favorecer sempre o bem comum como razão do seu ser e objectivo prioritário da sua actividade, porque a acção governamental deve estar acima de qualquer interesse particular ou partidário, tendo em consideração que o bem da Nação deve prevalecer sobre as ambições pessoais e de qualquer grupo político.

O desejo de promover o progresso conveniente em todos os campos exige que se adoptem iniciativas que incrementem realmente a qualidade de vida dos cidadãos, preocupando-se especialmente pelo campo da saúde, da habitação, e das condições de trabalho. Estas iniciativas devem inspirar-se sempre nos princípios éticos que tenham em conta a igualdade e o contributo necessário de esforços e sacrifícios por parte de todos. O objectivo é servir o homem paraguaio nas suas prementes necessidades concretas de hoje e prevenir as de amanhã; lutar com tenacidade contra a pobreza; transformar os recursos potenciais da natureza com empenho e responsabilidade; distribuir mais justamente as riquezas, diminuindo as desigualdades que geram marginalização e ofendem a condição de irmãos, filhos do mesmo Pai e co-partícipes dos dons que o Criador colocou nas mãos de todos os homens.

5. Antes de concluir este encontro, desejo formular-lhe, Senhor Embaixador, os meus melhores votos para que a missão que hoje começa seja fecunda. Peço-lhe que se faça intérprete dos meus sentimentos e esperanças junto do Senhor Presidente e demais Autoridades da República, enquanto invoco abundantes Bênçãos do Altíssimo sobre Vossa Excelência, sobre a sua distinta família e sobre os seus colaboradores, assim como sobre todos os filhos da nobre Nação paraguaia, com a constante e maternal intercessão da Pura e Límpida Conceição de Caacupé.

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