Mensagem de condolências pelas vítimas do terremoto em são juliano de apúlia



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Bem sabeis que, na base dessa difusão, há também muitas vezes uma grande carência de formação religiosa com a consequente indecisão acerca da necessidade da fé em Cristo e da adesão à Igreja por Ele instituída. Tende-se a apresentar as religiões e as várias experiências espirituais como niveladas a um mínimo denominador comum, que as tornaria praticamente equivalentes, com o resultado de que toda a pessoa seria livre de percorrer indiferentemente um dos muitos caminhos propostos para alcançar a desejada salvação. Se a isto se acrescentar o proselitismo arrojado, que caracteriza algum grupo particularmente ativo e invadente destas seitas, compreende-se logo como é urgente hoje sustentar a fé dos cristãos, dando-lhes a possibilidade de uma contínua formação religiosa, para aprofundarem cada vez melhor a relação pessoal com Cristo. O vosso esforço deve ser principalmente prevenir esse perigo, consolidando nos fiéis a prática da vida cristã e favorecendo o crescimento do espírito de autêntica fraternidade no seio de cada uma das comunidades eclesiais.

3. Desde Roma, acompanhei com especial interesse o desenrolar do XIV Congresso Eucarístico Nacional realizado em Campinas, que contou com a participação de uma multidão de brasileiros reunida à volta da Eucaristia, na presença do meu representante e Legado especial, o Cardeal José Saraiva Martins. Aquele foi, sobretudo, um momento de comunhão, de vitalidade e de esperançosa celebração da Igreja de hoje no Brasil. Faço votos de que este acontecimento tenha despertado a consciência cristã do povo fiel da vossa terra, encorajando-o para o compromisso de uma vida exemplar que estreite os vínculos de comunhão e reconciliação na fé e no amor, para ser também fermento daquela renovação interior a que antes me referia.

A Eucaristia é, com efeito, o supremo bem espiritual da Igreja porque contém o próprio Cristo, nossa Páscoa e Pão vivo, que com sua carne dá a vida ao mundo (cf. Presbyterorum ordinis, 5). Deste modo, assim como o coração leva a vitalidade a todas as partes do corpo humano, também a vida eucarística chegará - a partir do altar do sacrifício, da presença real e da comunhão - a todas as zonas do corpo eclesial, e fará sentir os seus efeitos salutares também nos complexos tecidos da sociedade, por meio dos cristãos que prolongam hoje a ação de Redentor no mundo.

4. A Eucaristia deve estar, pois, no centro da Pastoral para irradiar a sua força sobrenatural em todos os ambientes cristãos tanto de evangelização, de catequese e da múltipla ação caritativa, quanto no compromisso de renovação social e de justiça em favor de todos, começando pelo respeito da vida e dos direitos de cada pessoa, e no empenho em favor da família, do ensino a todos os níveis, da reta ordem política e de promoção da moralidade pública e privada.

Mas para dar toda a sua eficácia à ação eucarística, deve-se cuidar sempre da digna e genuína celebração do mistério, segundo a doutrina e as diretrizes da Igreja, como recordei em diversas ocasiões (cf. Carta Dominicae Caenae, 12).

Com efeito, a celebração da Eucaristia a Igreja, além de participar na eficácia redentora do mistério de Cristo, desempenha uma pedagogia da fé e da vida através da proclamação da Palavra, das orações, dos ritos e de todo o simbolismo eclesial da liturgia. Por isso, qualquer manipulação destes elementos incide negativamente na pedagogia da fé; por outro lado, a reta, ativa e conseqüente participação litúrgica, segundo as normas aprovadas pela Igreja, constrói a fé e a vida dos fiéis.

Quero, pois, exortar-vos a conservar a genuína celebração da liturgia, esforçando-vos para que sejam seguidas as indicações da Santa Sé e as que competem à vossa Conferência Episcopal. Recordai nisto o dever de os Bispos serem "moderadores, promotores e guardiães de toda a vida litúrgica" nas suas respectivas Dioceses (cân. 835,1).

5. Na esteira deste serviço pastoral, desejaria submeter à vossa consideração alguns temas sobre os quais venho insistindo, para dar novo impulso à evangelização nas Comunidades que vos estão sujeitas.

Como não recordar, inicialmente, aquele meu apelo de dar «particular relevo à Eucaristia dominical e ao próprio domingo, considerado um dia especial de festa, dia do Senhor ressuscitado e dom do Espírito, verdadeira Páscoa da semana» (Novo Millennio Ineunte , 35)? Numa época de grandes manifestações populares movidas, às vezes, por objetivos superficiais, faz-se necessário restaurar, pela ação da graça, o mundo interior das almas infinitamente mais rico de valores e de esperanças. «As nossas comunidades, amados irmãos e irmãs - dizia eu - devem tornar-se autênticas "escolas" de oração, onde o encontro com Cristo não se exprima apenas em pedidos de ajuda, mas também em ação de graças, louvor, adoração, contemplação» (ib., 33 ).

O que significa isto senão dar novo impulso aos valores da Eucaristia, tanto na Santa Missa quanto nas diferentes manifestações eucarísticas: Congressos, Procissões eucarísticas, Adorações do Santíssimo, Horas Santas e assim por diante? É preciso ensinar a rezar pessoalmente, e não a coletivizar a oração. E o encontro semanal do cristão com Deus, na Missa e nas outras manifestações litúrgicas, deve poder proporcionar uma maior intimidade com o seu Senhor, porque o «Reino de Deus está no meio de vós» (Lc 17,21), assim como o sacerdote reza juntamente com o povo, pedindo a Deus no Pai-Nosso: "venha a nós o vosso Reino».

Se a Liturgia da Palavra é um "diálogo de Deus com o seu povo", este «sente-se chamado a corresponder a este diálogo de amor, agradecendo e louvando, mas, ao mesmo tempo, verificando a própria fidelidade no esforço por uma contínua conversão» (Carta ap. Dies Domini , 41). Os meios proporcionados para um correto entendimento da Eucaristia: a homília e a preparação catequética, os Folhetos do Domingo etc... devem poder enriquecer a expectativa do povo por este dia. Caso contrário tendem a esvaziar o conteúdo do Sacramento e da mesma mensagem litúrgica. Por isso, a Celebração eucarística não pode e nem deve transformar-se numa ocasião para reivindicações de cunho político, como, às vezes, são sugeridas em publicações a caráter nacional editadas para as Missas do domingo.

6. Outro dos temas de considerável importância para as vossas Dioceses consiste na religiosidade popular.

O necessário crescimento na fé e o testemunho evangélico na transformação das realidades temporais segundo os desígnios de Deus, devem levar os fiéis da Igreja a uma participação ativa na vida litúrgica e sacramental. Com efeito, o Concílio recorda-nos que a liturgia é «a meta para a qual se encaminha a ação da Igreja e a fonte de onde promana toda a sua força. Na verdade, o trabalho apostólico ordena-se a que todos os que se tornaram filhos de Deus pela fé e pelo Batismo, ... participem no sacrifício e comam a Ceia do Senhor» (Sacrosanctum Concilium, 10).

Daí decorre que as ações litúrgicas enquanto "celebrações da Igreja, que é «sacramento da unidade»" (ib., 26) devem ser disciplinadas unicamente pela autoridade competente (cân. 838,4) exigindo de todos grande e respeitosa fidelidade aos ritos e aos textos autênticos. Uma errada aplicação do valor da criatividade e da espontaneidade nas celebrações, mesmo se típica de tantas manifestações da vida do vosso povo, não deve alterar os ritos e os textos e, sobretudo, o sentido do mistério que se celebra na Liturgia.

7. Não me é desconhecido, todavia, que a vossa pastoral litúrgica convive com a presença de vários grupos culturais, que são uma manisfestação a mais da catolicidade da Igreja. Muitos destes grupos vivem nas áreas urbanas, um ao lado do outro, transformando a sua cultura em perfeita simbiose. Este fenômeno implica uma resposta particularmente sensível, confiada ao vosso critério e prudência pastoral.

Como compreenderão, o respeito pelas diversas culturas e a correspondente inculturação evangélica aborda questões que merecem um destaque a parte.

Certamente, não é possível descurar aqui a consideração da cultura afro-brasileira no quadro mais amplo da evangelização "ad gentes", e que hoje é bem presente na vossa reflexão teológica e pastoral. Trata-se da delicada questão de aculturação, especialmente nos ritos litúrgicos, no vocabulário, a nas expressões musicais e corporais típicas da cultura afro-brasileira. É bem sabido que a interação do cristianismo com os costumes e as tradições africanas trouxe ao vocabulário, à sintaxe e à prosódia da língua portuguesa falada no Brasil uma feição própria. A presença do elemento negro na arte sacra barroca do período colonial, que deixou tão belos monumentos arquitetônicos e de escultura religiosa, e incorporou a música sacra e profana nos festejos da religiosidade popular, marcou, de modo inconfundível, as expressões culturais mais autênticas desta sociedade multirracial que é o Brasil.

É evidente, porém, que se estaria distanciando da finalidade específica da evangelização, acentuar um destes elementos formadores da cultura brasileira, isolá-lo deste processo interativo tão enriquecedor, de modo quase a se tornar necessária a criação de uma nova liturgia própria para as pessoas de cor. Seria incomprensível dar ao rito litúrgico uma apresentação externa e uma estruturação - nas vestes, na linguagem, no canto, nas cerimônias e objetos litúrgicos - baseada nos assim chamados cultos afro-brasileiros, sem a rigorosa aplicação de um discernimento sério e profundo acerca da sua compatibilidade com a Verdade revelada por Jesus Cristo. É necessário manter, por exemplo, uma adequada e prudente vigilância em certos ritos que inspiram a aproximação do augusto Mistério Trinitário ao panteão dos espíritos e divindades dos cultos africanos, pois corre-se o risco de modificar as fórmulas sacramentais em sua referência trinitária; mais ainda, deve-se assinalar, corrigindo oportunamente, a introdução no rito sacramental de ritos, cantos e objetos pertencentes explicitamente ao universo dos cultos afro-brasileiros.

A Igreja Católica vê com interesse estes cultos, mas considera nocivo o relativismo concreto de uma prática comum de ambos ou de uma mistura entre eles, como se tivessem o mesmo valor, pondo em perigo a identidade da fé católica. Ela sente-se no dever de afirmar que o sincretismo é danoso quando compromete a verdade do rito cristão e a expressão da fé, em detrimento de uma autêntica evangelização.

A tarefa de adaptação e de inculturação é importante para o futuro do renovamento da vida litúrgica. A Constituição conciliar sobre a Sagrada Liturgia estabeleceu os seus princípios (37-40). Por sua vez, a Instrução sobre a "Liturgia Romana e a inculturação" aprofundou o tema e precisou os procedimentos que devem ser seguidos por parte das Conferências Episcopais, à luz do Direito Canônico, depois da reforma litúrgica (cf. Ins. Varietates legitimae, 62 e 65-68).

8. Na vossa ação evangelizadora, um setor que merece toda atenção da solicitude pastoral é o das comunidades indígenas. No ano passado, vossa Conferência Episcopal propôs como tema da Campanha da Fraternidade: «A Fraternidade e os povos indígenas». Alegra-me saber que a Pastoral diocesana de algumas Igrejas Particulares vem contribuindo decididamente para que as comunidades indígenas tomem maior consciência da sua própria identidade, dos valores das suas culturas e do lugar que devem ocupar no conjunto da população brasileira.

A celebração do V Centenário da Evangelização do Brasil propiciou também a ocasião para renovar o empenho na evangelização das comunidades indígenas do País. O Evangelho deve continuar penetrando na cultura indígena, e tornar possível a sua expressão na vida comunitária, na fé e na liturgia. Sirva-me a ocasião para reiterar aqui, que uma Igreja viva e unida à volta de seus Pastores será a melhor defesa, para rebater a obra desagregadora que certas seitas estão realizando entre os vossos fiéis, semeando entre eles a confusão e desvirtuando o conteúdo da mensagem cristã.

9. Ao terminar este encontro, desejo reiterar-vos, queridos Irmãos, a minha gratidão pelos esforços realizados nos diferentes campos da ação pastoral; pelo bom espírito com que guiais o Povo de Deus; pela decidida vontade de servir o homem, através do anúncio do Evangelho que salva todo aquele que crê em Jesus Cristo (Rom 1,16). Ao encorajar-vos a prosseguir com renovado empenho na vossa missão, peço-vos que leveis a minha afetuosa saudação e bênção aos vossos sacerdotes, religiosos, religiosas e fiéis, em especial àqueles que estão doentes, são idosos ou sofrem por qualquer causa, os quais têm sempre um lugar particular no coração do Papa.

Que Nossa Senhora Aparecida, interceda diante do Senhor pela santidade de todos os fiéis do Brasil, pela prosperidade da Nação, pelo bem-estar de cada uma das suas famílias. Com estes ardentes votos, concedo-vos de coração a Bênção Apostólica.

DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II AOS RESPONSÁVEIS REGIONAIS DAS "EQUIPAS DE NOSSA SENHORA"

Segunda-feira, 20 de Janeiro de 2003

Queridos amigos

1. Sinto-me feliz por vos receber, a vós que sois os Responsáveis regionais das Equipas de Nossa Senhora, com o vosso Conselheiro espiritual internacional, Pe. Fleischmann, e outros sacerdotes, por ocasião do vosso encontro mundial em Roma. Agradeço a Suas Excelências, o Senhor e Senhora de Roberty, responsáveis internacionais do movimento, as suas cordiais palavras.

2. Como não recordar, antes de mais, a figura do Abade Henri Caffarel, vosso fundador, que acompanhou numerosos casais e iniciou-os nas escolas de oração? Por ocasião do centenário do seu nascimento, sinto-me feliz por me unir à vossa acção de graças. O Abade Caffarel mostrou a grandeza e a bondade da vocação para o matrimónio, e, antecipando as orientações fecundas do Concílio Vaticano II, valorizou a chamada à santidade relacionado com a vida conjugal e familiar (cf. Lumen gentium, 11); soube desenvolver os grandes eixos de uma espiritualidade específica, que brota do Baptismo, realçando a dignidade do amor humano no projecto de Deus. A atenção que ele dedicava às pessoas comprometidas no sacramento do matrimónio levava-o também a pôr os seus dons ao serviço do "movimento espiritual das viúvas de guerra", que hoje se chama "Esperança e Vida", e a dar início à criação dos primeiros Centros de Preparação para o Matrimónio, actualmente muito difundidos. Em seguida, surgiram também as Equipas de Nossa Senhora dos Jovens, que evidenciam o cuidado dedicado à apresentação de um caminho de fé à juventude.

3. Face às ameaças que pesam sobre a família e aos factores que a enfraquecem, o tema dos trabalhos "Casais chamados por Cristo à nova Aliança", é particularmente oportuno. De facto, para os cristãos, o matrimónio, que foi elevado à dignidade de Sacramento, é por sua natureza sinal da Aliança e da comunhão entre Deus e o homem, entre Cristo e a Igreja. Por conseguinte, durante toda a vida, os esposos cristãos recebem a missão de manifestar, de modo visível, a aliança indefectível de Deus com o mundo. A fé cristã apresenta o matrimónio como uma Boa Nova: relação recíproca e total, única e indissolúvel, entre um homem e uma mulher, chamados a dar a vida. O Espírito do Senhor dá aos esposos um coração novo e torna-os capazes de se amarem, como Cristo nos amou, e de servirem a vida no prolongamento do mistério cristão dado que, na sua união "é o mistério pascal de morte e ressurreição que se realiza" (Paulo VI, Alocução às Equipas de Nossa Senhora, 4 de Março de 1970, n. 16).

4. Mistério de aliança e de comunhão, o compromisso dos esposos convida-os a tirar a força da Eucaristia, "fonte do matrimónio cristão" (Familiaris consortio, 57) e modelo para o seu amor. De facto, as diversas fases da liturgia eucarística convidam os cônjuges a viver a sua vida conjugal e familiar a exemplo da vida de Cristo, que se doa aos homens por amor. Eles encontrarão neste sacramento a ousadia necessária para o acolhimento, o perdão, o diálogo e a comunhão dos corações. Será também uma ajuda preciosa para enfrentar as inevitáveis dificuldades de qualquer vida familiar. Oxalá os membros das Equipas sejam as primeiras testemunhas da graça que contribui com uma participação regular na vida sacramental e na Missa do domingo, "celebração da presença viva do Ressuscitado entre os seus" (Carta apostólica Dies Domini, 31 de Maio de 1998, n. 31; cf. também n. 81) e "antídoto para vencer e superar obstáculos e tensões" (Discurso aos membros da XV Assembleia plenária do Pontifício Conselho para a Família, 18 de Outubro de 2002, n. 2)!

5. Alimentados pelo Pão de Vida e chamados a tornar-nos luz para "os que procuram a verdade" (Lumen gentium, 35), em particular para os seus filhos, então os esposos poderão manifestar plenamente a graça do seu Baptismo nas suas missões específicas no seio da Família, na sociedade e na Igreja. Foi esta a intuição do Abade Caffarel, que não queria que se entrasse "numa Equipa para se isolar..., mas para aprender a doar-se a todos" (Carta mensal, Fevereiro de 1984, pág. 9). Ao alegrar-me com os compromissos já assumidos, exorto todos os membros das Equipas a participar cada vez mais activamente na vida eclesial, sobretudo entre os jovens, que esperam a mensagem cristã sobre o amor humano, ao mesmo tempo exigente e exaltante. Nesta perspectiva, os membros das Equipas podem ajudá-los a viver a fase da juventude e do namoro na fidelidade aos mandamentos de Cristo e da Igreja, permitindo-lhes encontrar a verdadeira felicidade no amadurecimento da sua vida afectiva.

6. O vosso movimento dispõe de uma pedagogia própria, baseada sobre "pontos concretos de esforço", que vos ajudam a crescer juntos na santidade. Encorajo-vos a vivê-los com atenção e perseverança, para vos amardes deveras. Convido-vos sobretudo a desenvolver a oração pessoal, conjugal e familiar, sem a qual um cristão corre o risco de esmorecer, como dizia o Abade Caffarel (cf. L'Anneau d'Or, Março-Abril de 1953, pág. 136). Longe de distrair do compromisso no mundo, uma oração autêntica santifica os membros do casal e da família, abre o coração ao amor de Deus e dos irmãos. Torna capazes também de construir a história segundo o desígnio de Deus" (cf. Congregação para a Doutrina da Fé, Carta sobre alguns aspectos da meditação cristã Orationis formas, 15 de Outubro de 1989).

7. Queridos amigos, agradeço a Deus os frutos dados pelo vosso movimento a todo o mundo, encorajando-vos a testemunhar incessantemente de maneira explícita a grandeza e a bondade do amor humano, do matrimónio e da família. No final desta audiência, a minha oração quer ser também pelas famílias que vivem em dificuldade. Oxalá elas encontrem ao longo do seu caminho testemunhas da ternura e da misericórdia de Deus! Desejo recordar a minha proximidade espiritual às pessoas separadas, divorciadas ou divorciadas que voltaram a casar, que, como baptizadas, são chamadas, no respeito das regras da Igreja, a participar na vida cristã (cf. Exortação apostólica Familiaris consortio, 84). Por fim, exprimo a minha gratidão aos conselheiros espirituais que vos acompanham com disponibilidade. Eles põem à disposição do vosso movimento laical a sua competência e experiência. Através desta colaboração, sacerdotes e famílias aprendem a compreender-se, estimar-se e apoiar-se. Oxalá vós, que conheceis a graça de uma presença sacerdotal, possais rezar pelas vocações e transmitir sem receio aos vossos filhos a chamada do Senhor!

Confio-vos a vós, assim como todas as Equipes e as suas famílias, à intercessão de Nossa Senhora do Magnificat, invocada todos os dias pelos seus membros, e os Beatos esposos Luís e Maria Quattrocchi, e concedo a todos uma afectuosa bênção apostólica.


DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II A UMA DELEGAÇÃO ECUMÉNICA DA FINLÂNDIA POR OCASIÃO DA FESTIVIDADE DO PADROEIRO SANTO HENRIQUE

20 de Janeiro de 2003

Excelência Queridos Irmãos e Irmãs em Cristo

É com afecto que saúdo os membros da Delegação Ecuménica da Finlândia, que veio a Roma para a celebração do seu Padroeiro, Santo Henrique. É com gratidão que recordo as várias visitas das vossas delegações a Roma, encontros estes que contribuíram de maneira significativa para fortalecer as relações entre os luteranos e os católicos.

Com o Concílio Vaticano II, a Igreja católica comprometeu-se, "de modo irreversível, a percorrer o caminho da busca ecuménica, colocando-se assim à escuta do Espírito do Senhor, que ensina a ler com atenção os "sinais dos tempos"" (Ut unum sint, 3). Trata-se de uma exortação que realcei durante todo o meu Pontificado. Actualmente, estamos a passar por um novo momento ecuménico, em que podemos vislumbrar uma comunhão real, embora ainda seja incompleta. A Declaração Conjunta da Doutrina da Justificação constitui um sinal concreto desta nova situação, como "fraternidade reencontrada" (Ibid., capítulo II, subtítulo dos nn. 41-42).

Tendo esta fraternidade como ponto de partida, rezo ardentemente a fim de podermos promover uma espiritualidade conjunta que nos há-de ajudar na nossa peregrinação rumo à plena comunhão.

Sobre vós e todas as pessoas confiadas ao vosso cuidado pastoral, invoco as abundantes bênçãos de Deus Todo-Poderoso.
DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II AOS MEMBROS DO "CONSELHO DE GESTÃO" DA COMISSÃO CATÓLICA PARA A COLABORAÇÃO CULTURAL DE APOIO ÀS IGREJAS ORTODOXAS E ÀS IGREJAS DO ORIENTE

Sábado, 18 de Janeiro de 2003

Senhores Cardeais Venerados Irmãos no Episcopado Reverendos Padres Estimados Senhores

1. Sinto-me feliz por me encontrar convosco, Membros do "Conselho de Gestão" da Comissão Católica para a Colaboração Cultural, com o vosso Presidente, D. Gérard Daucourt, e alguns Oficiais do Conselho.

Antes de tudo, desejo exprimir o meu apreço pela disponibilidade e generosidade com que as pessoas e as Entidades que pertencem a este Organismo de consulta, incluído no âmbito da Secção Oriental do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, desempenham há anos uma actividade de apoio eclesial às Igrejas ortodoxas e às antigas Igrejas do Oriente, de acordo com a vontade do meu venerado Predecessor, o Papa Paulo VI, que também eu partilho plenamente. A acção da Comissão inclui a atribuição de bolsas de estudo a candidatos ortodoxos apresentados pelas próprias autoridades eclesiais; o envio de livros de literatura, sobretudo teológica e patrística, aos seminários e às bibliotecas ortodoxas; a promoção de projectos especiais a nível dos próprios seminários e institutos de formação.

É uma obra importante que se inspira no critério da reciprocidade e que constitui, por sua natureza, um importante testemunho de comunhão. De facto, os candidatos ortodoxos titulares de bolsas de estudo seguem os cursos de vários Ateneus em Roma e noutras cidades do Ocidente e geralmente são recebidos em Colégios pontifícios ou noutras estruturas católicas. A sua presença exprime assim uma eficaz sinergia, que realiza um elemento fundamental do empenho ecuménico: o intercâmbio de dons entre as Igrejas na sua complementaridade. Isto torna a comunhão particularmente fecunda (cf. Carta Enc. Ut unum sint, 57).

2. A Comissão, no início de um novo milénio e à luz do novo contexto das relações com as Igrejas do Oriente, quis reflectir sobre o caminho percorrido e encontrar formas de ampliar a sua acção para responder cada vez melhor aos numerosos pedidos que chegam do Oriente. Faço votos para que o vosso encontro possa contribuir para fortalecer concretamente o compromisso da vossa instituição, favorecendo a sua acção cada vez mais incisiva no campo da formação.

No começo do novo milénio, neste período de transição entre o que foi realizado e o que somos chamados a realizar para promover o caminho ecuménico até à consecução da comunhão plena (cf. ibid., 3), temos uma tarefa inevitável, que também a Comissão deve assumir com decisão: isto é, favorecer o acolhimento total dos resultados alcançados nas várias iniciativas ecuménicas, não perdendo ocasião alguma para realçar que a promoção do compromisso ecuménico deve ser uma preocupação constante na obra de formação. Já não é o momento da ignorância recíproca; mas sim do encontro e da partilha dos dons de cada um, com base no mútuo conhecimento objectivo e aprofundado.

3. Nesta perspectiva encorajo-vos a prosseguir a acção que desenvolveis com louvável empenho, e garanto-vos o apoio da minha oração.




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