Mensagem de condolências pelas vítimas do terremoto em são juliano de apúlia



Baixar 3.59 Mb.
Página70/105
Encontro19.07.2016
Tamanho3.59 Mb.
1   ...   66   67   68   69   70   71   72   73   ...   105

2. A Igreja compostelana, que desde tempos imemoráveis recebeu o privilégio de conservar o Sepulcro do Amigo do Senhor, sente-se chamada a acolher generosamente e a transmitir o profundo sentido da vida, inspirado na fé proclamada por São Tiago, o Boanerges (cf. Mc 3, 17). Por isso, o Caminho de Santiago, através do qual numerosos peregrinos purificaram e aumentaram a sua fé ao longo da história e que deixaram os seus vestígios claramente cristãos na cultura humana, não pode esquecer a sua dimensão espiritual. O fenómeno jacobino, que faz referência unicamente ao itinerário secular a Compostela, não pode desfigurar a sua identidade por causa dos factores culturais, económicos e políticos que comporta. Qualquer iniciativa que procurasse desvirtuar ou deturpar a sua índole especificamente religiosa constituiria um desvio das suas origens autênticas. A este respeito, o peregrino não é, pois, apenas uma pessoa que caminha: ele é, em primeiro lugar, um crente que, através desta experiência de vida e com o olhar fixo na intrepidez do Apóstolo, quer seguir Cristo com fidelidade.

"Peregrinos por Graça. Sobre o que falais ao longo do caminho?". O tema do presente Ano Santo faz referência à narração evangélica dos discípulos de Emaús e é uma imagem da peregrinação cristã, muito adequada para os peregrinos do novo milénio.

3. Ao longo dos séculos, a essência da peregrinação a Santiago de Compostela tem sido a conversão ao Deus vivo, através do encontro com Jesus Cristo. A celebração deste Jubileu propõe-se também como caminho de conversão. Com efeito, povos de todos os Continentes marcarão encontro em Compostela, para confessar a sua fé cristã e implorar e acolher o perdão de Deus misericordioso, cuja plenitude se manifesta na graça da indulgência jubilar, que comporta a remissão total da pena temporal devida pelos pecados. O peregrino, abandonando progressivamente o seu comportamento anterior, é chamado a revestir-se do "homem novo", assumindo a sua nova mentalidade, proposta pelo Evangelho. O rito do Turíbulo é, por sua vez, sinal da sua pruficação, do seu novo ser oferecido como incenso que se eleva à presença do Senhor.

Assim, a peregrinação à Basílica Compostelana durante o Ano jubilar deve supor um renovado impulso para a comunidade cristã, no compromisso de revitalizar a fé. Para isto, são essenciais os sacramentos da Penitência e da Eucaristia.

O gesto tradicional do abraço ao Apóstolo, testemunha e mártir de Jesus Cristo, simboliza o acolhimento jubiloso da fé que São Tiago, o Maior, pregou sem se cansar, até dar a sua própria vida. Por isso, o Caminho de Santiago não é somente uma meta. Cruzando o limiar do majestoso Pórtico da Glória os peregrinos, orientando a sua vida à luz das Escrituras, voltam para os seus lugares de origem, a fim de serem ali testemunhas vivas e credíveis do Senhor.

Deste modo, os dintéis desta Porta de Graça, imagem que evoca a Jerusalém celestial, serão testemunhas da audácia de quem não teme o futuro nem os obstáculos que ainda devem ser superados, para que se manifeste a humanidade nova, e recordar-nos-ão que a própria vida é um caminho por Cristo através de Deus Pai no Espírito.

4. Assim, apesar da sua dureza e do seu cansaço, a peregrinação é um anúncio jubiloso da fé. Um caminho pessoal em que os peregrinos, seguindo o exemplo do "Filho do Trovão", se transformam em apóstolos intrépidos e zelosos. Com a sua caminhada reflexiva, entregues à intimidade com o Senhor na oração e no silêncio, sustentados pelo cajado da sua Palavra, contemplando as maravilhas que o Criador plasmou na natureza, com a sua ascese pessoal, livres de equipamentos e provisões, evitando os perigos da experiência gnóstica de preocupantes movimentos pseudo-religiosos e culturais, são convidados a anunciar o Reino de Deus.

Além disso, o Caminho é um espaço e um tempo para o diálogo, a reconciliação e a paz; um itinerário de fraternidade espiritual e um impulso do compromisso ecuménico, de acordo com a vocação universal da Igreja. A hospitalidade, característica inerente à peregrinação, supõe também uma importante contribuição para a actual sociedade europeia, onde o fenómeno da migração requer uma atenção especial.

5. Este Ano Santo oferece-nos uma ocasião propícia para impelir, com renovado vigor, o compromisso com os valores da Boa Nova, propondo-os de maneira persuasiva às novas gerações e impregnando com eles a vida pessoal, familiar e social.

É isto que têm em vista as várias actividades pastorais, programadas para o Jubileu, particularmente a reunião da Comissão do Episcopado da Comunidade Europeia (COMECE) e o Encontro Europeu dos Jovens. Trata-se de acontecimentos que manifestam a vitalidade da fé da Igreja, fundamentada na pregração apostólica e que se devem projectar fraternalmente para a América e os demais Continentes. Compostela deve continuar a ser uma voz profética, um farol luminoso de vida cristã e de esperança para os novos caminhos da evangelização (cf. Discurso na "Plaza del Obradoiro", 19 de Agosto de 1989, n. 2).

6. A Santa Maria do Caminho, Virgem peregrina, Ícone da Igreja a caminho pelo deserto da história, que acompanhará os peregrinos no seu itinerário penitencial, e à protecção do Senhor São Tiago, que os receberá com um sorriso à sua chegada ao Pórtico da Glória, confio este Ano Jacobino, na confiança de que os frutos abundantes desta celebração jubilar ajudem a revitalizar a vida cristã, conservando-nos firmes na fé, convictos na esperança e constantes na caridade. Com estes bons votos, e em sinal de benevolência, concedo-vos de bom grado a Bênção apostólica.

Vaticano, 30 de Novembro de 2003, primeiro Domingo de Advento.

SAUDAÇÃO DO PAPA JOÃO PAULO II AOS MEMBROS DE UMA DELEGAÇÃO ECUMÉNICA DA FINLÂNDIA

Segunda-feira, 19 de Janeiro de 2004

Queridos Amigos da Finlândia

Uma vez mais neste ano, é-me grato a dar as boas-vindas à vossa Delegação Ecuménica, durante a sua visita a Roma para a Festa de Santo Henrique, Padroeiro da Finlândia. Nesta Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, quero expressar a minha gratidão pelo progresso ecuménico alcançado entre os católicos e os luteranos, nos cinco anos desde a assinatura da Declaração Conjunta sobre a Doutrina da Justificação. Um sinal promissor deste progresso no nosso caminho rumo à plena unidade visível foi a criação de um novo grupo de diálogo entre os luteranos e os católicos, na Finlândia e na Suécia. Formulo votos a fim de que os luteranos e os católicos pratiquem cada vez mais uma espiritualidade de comunhão, que se inspire naqueles elementos de vida eclesial que eles já estão a compartilhar e que hão-de fortalecer a sua fraternidade na oração e no testemunho do Evangelho de Jesus Cristo.

Sobre cada um de vós, invoco cordialmente as abundantes bênçãos de Deus.


DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II NO FINAL DO "CONCERTO DA RECONCILIAÇÃO"

Sábado, 17 de Janeiro de 2004

1. Participei do Concerto desta noite, dedicado ao tema da reconciliação entre Judeus, Cristãos e Muçulmanos, com grande comoção. Escutei a esplêndida execução musical, que foi uma ocasião de reflexão e de oração para todos nós, com participação interior. Saúdo e agradeço de coração os promotores da iniciativa e quantos contribuíram para a sua concreta realização.

Saúdo os Presidentes e os componentes dos Pontifícios Conselhos que patrocinaram este evento altamente significativo. Saúdo as personalidades e os representantes das várias Organizações Judaicas Internacionais, das Igrejas e Comunidades eclesiais e do Islão, que com a sua participação tornam ainda mais sugestivo este nosso encontro. Transmito um agradecimento especial aos Cavaleiros de Colombo, que ofereceram o seu apoio concreto ao concerto, e à RAI, aqui representada pelos seus Dirigentes, que assegurou a adequada difusão do acontecimento.

Dirijo a minha cordial saudação ao ilustre Maestro Gilbert Levine e aos componentes da Orquestra Sinfónica de Pitsburgo e dos coros de Ancara, Cracóvia, Londres e Pitsburgo. A escolha dos trechos desta noite quis chamar a nossa atenção para dois pontos importantes que, de certo modo, aproximam quantos seguem o Judaísmo, o Islão e o Cristianismo, embora os respectivos textos sagrados os tratem de maneira diferenciada. Os dois pontos são: a veneração pelo Patriarca Abraão e a ressurreição dos mortos. Escutámos o magistral comentário no motete sagrado "Abraão", de John Harbison, e na sinfonia número 2 de Gustav Malher, inspirada no poema dramático "Dziady", do ilustre dramaturgo polaco Adam Mickiewicz.

2. A história das relações entre Judeus, Cristãos e Muçulmanos foi marcada por luzes e sombras e, infelizmente, conheceu momentos dolorosos. Hoje, sente-se a necessidade urgente de uma sincera reconciliação entre os crentes no único Deus.

Esta noite, estamos aqui reunidos para dar uma concreta expressão a este empenho de reconciliação, confiando-nos à mensagem universal da música. Recordou-se a advertência "Eu sou o Deus todo-poderoso. Comporta-te de acordo comigo e sê íntegro" (Gn 17, 1). Cada ser humano ouve ressoar em si estas palavras: ele sabe que um dia deverá prestar contas àquele Deus que, do alto, observa o seu caminho sobre a terra.

Os votos que todos juntos expressamos são para que os homens sejam purificados do ódio e do mal que ameaçam continuamente a paz, e saibam estender reciprocamente as mãos livres da violência, mas prontas a oferecer ajuda e conforto a quem precisa.

3. O judeu honra o Omnipotente como protector da pessoa humana, e Deus das promessas de vida. O Cristão sabe que o amor é o motivo pelo qual Deus entra em contacto com o homem e que o amor é a resposta que Ele espera do homem. Para o Muçulmano, Deus é bom e sabe cumular o crente com as suas misericórdias. Nutridos com estas convicções, Judeus, Cristãos e Muçulmanos não podem aceitar que a terra seja ferida pelo ódio, que a humanidade seja devastada por guerras sem fim.

Sim! Devemos encontrar em nós a coragem da paz. Devemos implorar o dom da paz do Alto. E esta paz alargar-se-á como óleo que alivia, se percorrermos sem parar a estrada da reconciliação. Então o deserto tornar-se-á um jardim onde reinará a justiça, e o efeito da justiça será a paz (cf. Is 32, 15-16).

Omnia vincit amor!

MENSAGEM DO PAPA JOÃO PAULO II A SUA BEATITUDE MICHEL SABBAH PATRIARCA DE JERUSALÉM DOS LATINOS

A Sua Beatitude D. Michel SABBAH Patriarca de Jerusalém dos Latinos

Foi com alegria que tomei conhecimento de que no domingo 11 de Janeiro de 2004, Festa do Baptismo do Senhor, Vossa Beatitude presidirá ao rito de Dedicação da Capela da Domus Galilaeae, situada no Monte das Bem-Aventuranças Korazim. Recordo-me com emoção da peregrinação apostólica de 24 de Março de 2000 quando, precisamente no Monte das Bem-Aventuranças, não muito distante do lugar onde Jesus realizou a primeira multiplicação dos pães, tive a oportunidade de celebrar a Eucaristia diante de muitos fiéis da Terra Santa e de um grande número de jovens do Caminho Neocatecumenal. Nessa mesma circunstância, foi-me concedido visitar e benzer o Santuário da palavra, lugar de acolhimento para quem deseja estudar as Sagradas Escrituras num clima de oração e de contemplação.

A Capela, que agora é solenemente dedicada, oferece a possibilidade de contemplar o sumo mistério de Cristo no Sacramento da Eucaristia, enquanto o afresco do Juízo Final, que enriquece a sua abside, convida a dirigir o olhar para aquelas realidades últimas da fé, que iluminam a nossa peregrinação diária sobre a terra.

É de bom grado que me uno ao intenso momento espiritual, que esta comunidade cristã se prepara para viver e transmito-lhe a minha afectuosa saudação. Saúdo de modo particular os Prelados, os representantes das comunidades religiosas, do clero e dos movimentos eclesiais e as autoridades civis presentes. Saúdo os iniciadores do Caminho Neocatecumenal, que orientam o encontro, programado na Domus Galilaeae, de 7 a 16 de Janeiro, assim como os irmãos e as irmãs que nele participarem.

Venerado Irmão, peço-lhe que se faça intérprete, junto de todos os presentes, dos meus cordiais sentimentos, enquanto formulo votos a fim de que este importante acontecimento sirva de encorajamento para todos renovarem a sua adesão a Cristo, Redentor do mundo. A Virgem de Nazaré, Mãe da Igreja e Estrela da nova evangelização, oriente o caminho dos crentes na Terra Santa e obtenha para eles a dádiva de uma fidelidade cada vez mais corajosa ao Evangelho. É com estes sentimentos que lhe concedo, bem como aos promotores do encontro, a quantos fazem parte da família espiritual da Domus Galilaeae e aos participantes no sagrado rito, uma especial Bênção apostólica.

Vaticano, 6 de Janeiro de 2004.


DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II À COMUNIDADE DO ALMO COLÉGIO CAPRÂNICA

17 de Janeiro de 2004

Senhor Cardeal Venerados Irmãos no Episcopado Caros Alunos e ex-Alunos do Almo Colégio Caprânica

A aproximação da memória anual de Santa Inês, oferece-me a grata oportunidade de encontrar a comunidade do vosso Colégio, que venera a jovem mártir romana como padroeira. Com imensa cordialidade transmito a cada um de vós a minha saudação. Antes de tudo, saúdo o Cardeal Camillo Ruini, Presidente da Comissão Episcopal para a Alta Direcção do Colégio, e agradeço-lhe as palavras que me dirigiu em nome de todos. Saúdo os Prelados presentes, o Reitor, Mons. Alfredo Abbondi, com os seus colaboradores, os alunos e os ex-alunos e quantos fazem parte da família capranicense. Agradeço-vos a todos essa agradável visita.

Caríssimos, o vosso Colégio caracteriza-se por uma acentuada atenção à "vida de família", como amais dizer entre os Capranicenses, fundada sobre sólidas referências humanas, teológicas e espirituais. Sei quanto insistis sobre este espírito de fraterna comunhão, que vos prepara para o futuro ministério pastoral que vos será confiado. Este espírito bem o sabeis deve nutrir-se primeiramente de intensa e incessante oração, sendo Deus a fonte da nossa unidade. Além disso, exige que se compartilhem os mesmos objectivos e ideais propendendo para a união das mentes e dos corações. Nunca pode faltar o cimento da unidade, isto é, a caridade, verdadeira "vis unitiva", juntamente com o exercício das virtudes, especialmente da obediência e da humildade, buscando sem cessar a perfeição evangélica. O Senhor, que vos escolheu como seus ministros, deseja que sejais santos, isto é, que vos consagreis totalmente a Ele e à sua Igreja. Seja esta a vossa ocupação principal, à qual se deve unir o empenho diário para uma sólida formação humana e doutrinal.

A celeste Mãe da Igreja vele sobre o vosso Colégio e o proteja, e interceda por vós também a Santa Mártir Inês. Asseguro-vos a lembrança constante ao Senhor e, do íntimo do coração, abençoo-vos a todos.


DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II AO GRÃO-RABINADO DE ISRAEL

Sexta-feira, 16 de Janeiro de 2004

Ilustres Senhores

Estou feliz por terdes vindo a Roma para assistir ao "Concerto da Reconciliação" no Vaticano, e é-me grato transmitir-vos neste dia as minhas calorosas e cordiais saudações. Nos vinte e cinco anos do meu Pontificado, procurei promover o diálogo judaico-católico e fomentar entre nós uma compreensão, um respeito e uma cooperação cada vez maiores. Com efeito, um dos pontos salientes do meu Pontificado permanecerá sempre a Peregrinação jubilar à Terra Santa, que incluiu intensos momentos de lembrança, reflexão e oração no Memorial ao Holocausto "Yad Vashem" e no Muro Ocidental.

O diálogo oficial, instaurado entre a Igreja católica e o Grão-Rabinado de Israel, constitui um sinal de grande esperança. Não podemos poupar quaisquer esforços no trabalho conjunto em vista de construir um mundo de justiça, de paz e de reconciliação para todos os povos. Que a Providência Divina abençoe o nosso trabalho e o coroe de bom êxito!

DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II ÀS DELEGADAS DO CENTRO ITALIANO FEMININO

Sexta-feira, 16 de Janeiro de 2004

Caríssimas Irmãs!

1. É de bom grado que vos recebo por ocasião do Congresso nacional do Centro Italiano Feminino, que se está a realizar nestes dias em Roma. Saúdo o Presidente nacional e agradeço-lhe as palavras gentis com que manifestou a proximidade espiritual de toda a Associação ao meu ministério pastoral. Saúdo cada uma de vós, queridas delegadas, provenientes de várias províncias da Itália. A vossa presença oferece-me a agradável oportunidade de incluir no meu pensamento as mulheres comprometidas de várias formas na vossa Organização, bem como as que alcançais quotidianamente com as vossas actividades.

2. O Centro Italiano Feminino, inspirando-se nos princípios cristãos, esforça-se por ajudar as mulheres a desempenhar cada vez mais responsavelmente o próprio papel na sociedade. A humanidade sente com intensidade crescente a necessidade de oferecer um sentido e uma finalidade a um mundo no qual se apresentam todos os dias novos problemas que geram insegurança e confusão. Portanto, no vosso Congresso pretendeis reflectir justamente sobre: "As mulheres face às expectativas do mundo". A época actual, marcada pela rápida sucessão dos acontecimentos, viu aumentar a participação feminina em todos os âmbitos da vida civil, económica e religiosa, a partir da família, célula primária e vital da sociedade humana. Isto requer da vossa parte constante atenção às problemáticas emergentes e uma generosa clarividência ao enfrentá-las.

3. Na Carta apostólica "Mulieris dignitatem" quis realçar que "a dignidade da mulher está intimamente ligada com o amor que ela recebe pelo próprio facto da sua feminilidade e também com o amor que ela, por sua vez, doa" (n. 30). É importante que a mulher mantenha viva a consciência desta sua vocação fundamental: ela realiza-se a si mesma unicamente doando amor, com aquele seu singular "génio" que garante "a sensibilidade pelo homem em qualquer circunstância: pelo facto de ser homem!" (Ibid.).

O paradigma bíblico da mulher, "colocada" pelo Criador ao lado do homem como "auxiliar semelhante a ele" (Gn 2, 18), revela também o verdadeiro sentido da sua vocação. A sua força moral e espiritual brota da consciência de que "Deus lhe confia de modo especial o homem, o ser humano" (Ibid.).

4. Caríssimas, é esta em primeiro lugar a missão de cada mulher também no terceiro milénio. Vivei-a plenamente e não vos deixeis desencorajar pelas dificuldades e pelos obstáculos, com os quais vos podeis deparar ao longo do caminho. Ao contrário, sempre confiantes na ajuda divina, realizai-a com alegria exprimindo o "génio" feminino que vos distingue.

Deus não vos deixará faltar a luz e a orientação do seu Santo Espírito, se recorrerdes com confiança a Ele na oração. A Virgem de Nazaré, exemplo sublime de feminilidade realizada, será vosso apoio seguro.

O Papa encoraja-vos a testemunhar em todos os lugares o Evangelho da vida e da esperança, e acompanha-vos com uma recordação quotidiana. Com estes sentimentos, abençoo-vos de bom grado a vós, às vossas famílias e a todos os membros do Centro Italiano Feminino.

DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II AOS REPRESENTANTES DO LÁCIO, DO MUNICÍPIO E DA PROVÍNCIA DE ROMA

Quinta-feira, 15 de Janeiro de 2004

Ilustres Senhores e gentis Senhoras!

1. Sede bem-vindos a este encontro que no início do novo ano, nos oferece a oportunidade para um cordial intercâmbio de bons votos. Obrigado pela agradável visita. Dirijo uma deferente saudação ao Presidente da Junta Regional, Deputado Walter Vertroni, e ao Presidente da Província, o Deputado Enrico Gasbarra. Desejo expressar-lhes profundo reconhecimento pelas gentis palavras, com que se quiseram fazer intérpretes dos sentimentos de todos os presentes. Saúdo os Presidentes e os Membros das três Assembleias do Conselho, assim como os seus colaboradores. A ocasião é-me propícia para enviar um pensamento afectuoso a todos os habitantes da Urbe, da Província e da Região do Lácio.

2. As dificuldades, que marcam a actual situação do mundo, sentem-se também nesta nossa terra. Os momentos difíceis são contudo aqueles em que podem e devem sobressair mais claramente as energias positivas de uma população e dos seus representantes. Por conseguinte, apraz-me renovar-vos aquele caloroso convite à confiança e à unidade solidária, que em várias ocasiões dirigi ao povo italiano.

É indispensável o contributo de cada um para construir uma sociedade mais justa e fraterna. É preciso superar juntos as tensões e os conflitos; é necessário lutar juntos contra o terrorismo, que infelizmente, não deixou de atingir também esta nossa amada Cidade.

O caminho para derrotar e prevenir qualquer forma de violência é o de se comprometer na construção da "Civilização do amor". De facto, o amor realcei na mensagem para o recente Dia Mundial da Paz é "a forma mais nobre de relação entre os seres humanos" (Mensagem , n. 10).

3. Como não pensar na família como lugar prioritário para realizar a "Civilização do amor"? A família representa o espaço humano, no qual a pessoa, desde o início da sua existência, pode experimentar o calor do afecto e crescer de maneira harmoniosa. Precisamente por isso são vistas favoravelmente opções políticas e administrativas adequadas para apoiar o núcleo familiar, visto como "sociedade natural fundada no matrimónio", segundo quanto escreve a Constituição Italiana (art. 29). Inserem-se neste contexto as disposições lançadas pelas Administrações por vós guiadas para ir ao encontro das famílias com filhos nos primeiros anos de vida, ou para coadjuvar o papel primário da instituição familiar na educação dos filhos. Para esta finalidade, a escola reveste sempre uma importância fundamental. A Igreja sente-se feliz por contribuir para isto com os seus Institutos escolares, que desempenham um papel social apreciado e que, por isso, têm direito a serem apoiados.

4. Muitos outros sectores da vida social exigem intervenções concretas. Penso em quem se encontra em situações de maior necessidade, nos idosos que vivem sozinhos, nos menores em estado de abandono, nas camadas sociais mais débeis como as de muitos imigrados. Penso na juventude que olha com confiança para o futuro, e espera ser educada na justiça, na solidariedade e na paz. As paróquias, as comunidades religiosas, as instituições católicas e o voluntariado continuarão a oferecer em Roma, na Província e em todo o território regional, o seu minucioso contributo, pondo à disposição todos os recursos humanos e espirituais.

5. Ilustres Representantes das Administrações regional, provincial e municipal! Obrigado por tudo o que fazeis com empenho. Estou-vos grato em particular, pela atenção que reservais à acção pastoral e social da Igreja, sempre e unicamente preocupada por servir o homem e testemunhar o Evangelho da esperança.

Confio-vos a vós, assim como todos os vossos projectos, à Virgem Maria, invocada na Urbe, na Província e no Lácio com muitos títulos sugestivos, que testemunham uma intensa e radicada devoção entre o povo. Garanto-vos uma recordação na oração e invoco sobre vós, sobre os vossos colaboradores, sobre as vossas famílias e sobre as populações que representais, a bênção de Deus.

Bom Ano a todos!
SAUDAÇÃO DO PAPA JOÃO PAULO II AO 31° ESQUADRÃO DA AERONÁUTICA MILITAR ITALIANA

Caros componentes do 31º Esquadrão da Aeronáutica Militar Italiana

Alegro-me por me encontrar convosco no início do novo ano e, de coração, formulo-vos a todos os meus ardentes votos de felicidades. Saúdo-vos com afecto e aproveito esta oportuna circunstância para vos agradecer a dedicação e o empenho com que, há anos, ajudais o Sucessor de Pedro a cumprir o seu ministério pastoral.

Saúdo em particular o Chefe do Estado-Maior da Aeronáutica, que nos desejou honrar com a sua presença. Agradeço igualmente ao vosso Comandante as palavras com que interpretou os sentimentos comuns.

Nos dias passados, a liturgia convidou-nos a contemplar Jesus, que se fez homem e habitou entre nós. Ele é a luz que ilumina e dá sentido à nossa existência; é o Redentor que traz a paz ao mundo. Acolhamo-lo com confiança e alegria! Ele é-nos apresentado pela Virgem Maria que, como Mãe solícita, vela também por nós. Convido-vos a recorrer a Ela em cada momento e a confiar-lhe o ano de 2004, há pouco iniciado.

1   ...   66   67   68   69   70   71   72   73   ...   105


©principo.org 2016
enviar mensagem

    Página principal