Mensagem de condolências pelas vítimas do terremoto em são juliano de apúlia



Baixar 3.59 Mb.
Página71/105
Encontro19.07.2016
Tamanho3.59 Mb.
1   ...   67   68   69   70   71   72   73   74   ...   105

Com estes sentimentos, invoco sobre vós e sobre as vossas famílias a assistência divina enquanto, de coração, vos concedo a todos uma especial Bênção Apostólica


DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II AO ARCEBISPO TITULAR DE VERTARA D. MICHAEL MILLER

Terça-feira, 13 de Janeiro de 2004

Excelência Estimados Irmãos e Irmãs em Cristo

É com grande prazer que dou as boas-vindas ao Arcebispo D. Miller, aqui presente com os seus Irmãos Basilianos, os membros da sua família e outros amigos, que o acompanharam nesta alegre circunstância. Transmito-vos a todos as minhas calorosas saudações!

O mote episcopal do Arcebispo D. Miller, Veritati Servire, "Servir a verdade", constitui um resumo eloquente do compromisso que caracterizou a sua vida presbiteral, tanto na Universidade de S. Tomás em Houston, no Texas, como durante os cinco anos de serviço prestado no Vaticano. Estou persuadido de que esta mesma dedicação continuará a inspirá-lo e a fortalecê-lo, também agora que ele voltou a Roma para assumir as suas responsabilidades de Secretário da Congregação para a Educação Católica. Com sinceros bons votos pelo seu novo ministério, concedo-lhe cordialmente a minha Bênção apostólica, tanto a ele como a todos os que se encontram aqui reunidos.
DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II AO CORPO DIPLOMÁTICO ACREDITADO JUNTO DA SANTA SÉ NA TRADICIONAL APRESENTAÇÃO DOS BONS VOTOS PARA O ANO NOVO

Segunda-feira, 12 de Janeiro de 2004

Excelências Senhoras e Senhores

É-me sempre grato, na aurora de um novo ano, encontrar-me no meio de vós para o tradicional intercâmbio de bons votos. Fiquei particularmente sensibilizado pelos votos que Sua Excelência o Senhor Embaixador Giovanni Galassi me transmitiu com amabilidade em vosso nome. É de todo o coração que vos agradeço os vossos nobres sentimentos, assim como o profundo interesse com que acompanhais diariamente a actividade da Sé Apostólica. Através das vossas pessoas, sinto-me próximo dos povos por vós representados; que todos estejam certos da oração e do afecto do Papa, que os convida a unir os seus talentos e os seus recursos para construir em conjunto um futuro de paz e de prosperidade compartilhadas!

Este encontro é também para mim um momento privilegiado, que me oferece a ocasião de lançar, juntamente convosco, um olhar sobre o mundo, tal como os homens e as mulheres deste tempo o modelam.

A celebração do Natal acaba de nos recordar a ternura de Deus para com a humanidade, manifestada em Jesus, e fez ressoar uma vez mais a mensagem sempre nova de Belém: "Paz na terra aos homens que Deus ama"!

No corrente ano, esta mensagem chega até nós, enquanto ainda há muitos povos que continuam a sofrer as consequências de conflitos armados, a padecer a pobreza e a ser vítimas de injustiças aberrantes ou de epidemias difíceis de vencer. Sua Excelência o Senhor Galassi fez-se eco disto com a acuidade que lhe reconhecemos. Por minha vez, gostaria de compartilhar convosco quatro convicções que, neste início do ano de 2004, permeiam a minha reflexão e a minha oração.

Nestes últimos meses, ela foi ameaçada pelos acontecimentos que se verificaram no Médio Oriente, que se revelou, uma vez mais, como uma região de contrastes e de guerras. As numerosas iniciativas tomadas pela Santa Sé, em ordem a evitar o conflito lamentável que teve lugar no Iraque, já são conhecidas. Hoje, é importante que a comunidade internacional ajude os iraquianos, livres de um regime que os oprimia, a fim de que sejam postos em condições de retomar o governo do seu país, de consolidar a sua soberania, de determinar democraticamente um sistema político e económico, em conformidade com as suas aspirações, e que o Iraque volte a tornar-se, assim, um parceiro credível no seio da comunidade internacional.

A não-resolução do problema israelense-palestino continua a constituir um factor de desestabilização permanente para toda essa região, sem mencionar os sofrimentos indizíveis impostos às populações israelense e palestina. Nunca me cansarei de repetir aos responsáveis desses dois povos: a escolha das armas, o recurso, por um lado ao terrorismo e, por outro, às represálias, à humilhação do adversário e à propaganda hedionda, não levam a lugar algum. Somente o respeito pelas aspirações legítimas de uns e de outros, a volta à mesa das negociações e o compromisso concreto da comunidade internacional são susceptíveis de levar a um início de solução. A paz verdadeira e duradoura não pode reduzir-se a uma simples atitude entre as forças presentes; ela é sobretudo o fruto de uma acção moral e jurídica.

Outras tensões e conflitos, sobretudo na África, ainda poderiam ser mencionadas. O seu impacto sobre as populações é dramático. Aos efeitos da violência acrescentam-se o depauperamento e a deterioração do tecido institucional, mergulhando povos inteiros no desespero. Seria preciso evocar também o perigo que representam sempre a fabricação e o comércio das armas, que alimentam abundantemente essas regiões em risco.

Hoje de manhã, gostaria de prestar uma homenagem verdadeiramente particular a D. Michael Courtney, Núncio Apostólico no Burundi, recentemente assassinado. Como todos os Núncios e todos os Diplomatas, ele quis servir em primeiro lugar a causa da paz e do diálogo. Estimo a sua coragem e a solicitude com que ajudou o povo burundinês no seu caminho rumo à paz e a uma maior fraternidade, em nome do seu ministério episcopal e da sua missão diplomática. Quero recordar também a memória do Senhor Sérgio Vieira de Mello, Representante Especial da Organização das Nações Unidas no Iraque, morto num atentado durante a sua missão. Desejo evocar ainda todos os membros do Corpo Diplomático que, ao longo dos últimos anos, perderam a vida ou sofreram por causa do mandato que lhes era próprio.

E como deixar de mencionar o terrorismo internacional que, semeando o medo, o ódio e o fanatismo, desonra todas as causas que ele mesmo pretende servir? Não me contentaria simplesmente com dizer que toda a civilização digna deste nome supõe a rejeição categórica das relações de violência. Eis por que motivo e digo-o diante de uma representação de diplomatas nós jamais nos podemos resignar, aceitando passivamente que a violência conserve a paz como refém!

Mais do que nunca, é urgente alcançar uma segurança colectiva mais eficaz, que dê à Organização das Nações Unidas o lugar e o papel que lhe pertencem. Mais do que nunca, é preciso aprender a tirar lições do passado distante e recente. Em todo o caso, uma coisa é certa: a guerra não resolve os conflitos entre os povos!

Embora eu fale aqui em nome da Igreja católica, sei que as diferentes confissões cristãs e os fiéis de outras religiões se consideram como testemunhas de um Deus de justiça e de paz.

Quando se acredita que todas as pessoas humanas receberam do Criador uma dignidade singular, que cada um de nós é sujeito de direitos e de liberdades inalienáveis, que servir o outro significa crescer em humanidade, ainda mais quando se considera discípulo daquele que disse: "Se tiverdes amor uns para com os outros, todos reconhecerão que sois meus discípulos" (Jo 13, 35), pode-se compreender facilmente o capital que representam as comunidades de crentes na edificação de um mundo pacificado e pacífico.

No que lhe diz respeito, a Igreja católica põe à disposição de todos o exemplo da sua unidade e da sua universalidade, o testemunho de numerosos Santos, que souberam amar os seus inimigos, de muitos homens políticos que encontraram no Evangelho a coragem de viver a caridade nos conflitos. Onde quer que a paz esteja em perigo, existem cristãos para testemunhar, com palavras e acções, que a paz é possível. Vós sabeis que este é o sentido das intervenções da Santa Sé nos debates internacionais.

As comunidades de crentes estão presentes em todas as sociedades, expressão da dimensão religiosa da pessoa humana. Por conseguinte, os fiéis esperam poder participar legitimamente no diálogo público. Infelizmente, deve-se observar que nem sempre é assim. Nestes últimos tempos, em certos países da Europa, nós somos testemunhas de uma atitude que poderia pôr em perigo o respeito efectivo pela liberdade de religião. Se o mundo inteiro concorda em respeitar o sentimento religioso dos indivíduos, não se pode dizer a mesma coisa do "facto religioso", ou seja, da dimensão social das religiões, esquecendo-se dos compromissos assumidos no contexto daquela que então se chamava a "Conferência sobre a Cooperação e a Segurança na Europa". Evoca-se com frequência o princípio da laicidade, em si mesma legítima, quando é compreendida como distinção entre a comunidade política e as religiões (cf. Gaudium et spes, 76). Todavia, distinção não quer dizer ignorância! Laicidade não é laicismo! Ela não é senão o respeito por todos os credos por parte do Estado, que assegura o livre exercício das actividades cultuais, espirituais, culturais e caritativas das comunidades dos crentes. Numa sociedade pluralista, a laicidade é um lugar de comunicação entre as diferentes tradições espirituais e a nação. Pelo contrário, as relações Igreja-Estado podem e devem dar lugar a um diálogo respeitoso, portador de experiências e de valores fecundos para o futuro de uma nação. Um diálogo sadio entre o Estado e as Igrejas que não são concorrentes, mas parceiros pode, sem dúvida, favorecer o desenvolvimento integral da pessoa humana e a harmonia da sociedade.

A dificuldade de aceitar o facto religioso no espaço público verificou-se de maneira emblemática por ocasião do recente debate sobre as raízes cristãs da Europa. Certas pessoas releram a história através do prisma de ideologias redutoras, esquecendo-se de que o cristianismo contribuiu para a cultrura e as instituições do continente: a dignidade da pessoa humana, a liberdade, o sentido do universal, a escola, a Universidade e as obras de solidariedade. Sem subestimar as outras tradições religiosas, permanece o facto de que a Europa se afirmou na medida em que se evangelizou. Há que recordar, justamente, que até há pouco tempo, os cristãos, promovendo a liberdade e os direitos do homem, contribuíram para a transformação pacífica de regimes autoritários, assim como para a restauração da democracia na Europa central e oriental.

4. Como cristãos, todos juntos, nós somos responsáveis pela paz e pela unidade da família humana Como sabeis, o compromisso ecuménico constitui uma das atenções do meu Pontificado. Com efeito, estou persuadido de que se os cristãos fossem capazes de ultrapassar as divisões, o mundo seria mais solidário. Eis por que motivo sempre favoreci encontros e declarações comuns, vendo em cada um deles um exemplo e um estímulo para a unidade da família humana.

Como cristãos, nós temos a responsabilidade do "Evangelho da paz" (Ef 6, 15). Todos juntos, nós podemos contribuir eficazmente para o respeito pela vida, a salvaguarda da dignidade da pessoa humana e dos seus direitos inalienáveis, a justiça social e a preservação do meio ambiente. Além disso, a prática de um estilo de vida evangélica torna os cristãos capazes de ajudar os seus companheiros em humanidade a superar os instintos, a realizar gestos de compreensão e de perdão, a socorrer em comum os mais necessitados. Não se avalia suficientemente a influência pacificadora que os cristãos unidos poderiam ter no seio da sua própria comunidade, assim como na sociedade civil em geral.

Se digo isto, não é apenas para recordar a todos os que invocam Cristo, a necessidade imperiosa de percorrer resolutamente o caminho que leva para a unidade, como Cristo quer, mas também para indicar aos responsáveis das sociedades os recursos que eles são susceptíveis de haurir do património cristão, assim como daqueles que dele vivem.

Neste campo, pode-se citar um exemplo concreto: a educação para a paz. Vós reconheceis nisto o tema da minha Mensagem , de 1 de Janeiro do corrente ano. À luz da razão e da fé, a Igreja propõe uma pedagogia da paz, a fim de preparar tempos melhores. Ela deseja pôr à disposição de todos, as suas energias espirituais, convencida de que "a justiça deve ser completada pela caridade" (n. 10). Eis o que nós propomos humildemente a todos os homens de boa vontade, porque "o esforço de nos educar a nós mesmos e aos outros para a paz, nós cristãos sentimo-lo como que fazendo parte da própria índole da nossa religião" (n. 3).

Excelências, Senhoras e Senhores, estes são os pensamentos que gostaria de compartilhar convosco, agora que se nos oferece um novo ano. Eles amadureceram perante o presépio, diante de Jesus, que compartilhou e amou a vida dos homens. Ele continua a ser contemporâneo de cada um de nós e de todos os povos aqui representados. Confio a Deus, na oração, os seus projectos e as suas realizações, enquanto invoco sobre vós e sobre os vossos entes queridos a abundância das suas Bênçãos.

Feliz ano novo!


DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II AOS PARTICIPANTES NA ASSEMBLEIA PLENÁRIA DA CONGREGAÇÃO PARA O CLERO

Sábado, 10 de Janeiro de 2004

Senhores Cardeais Venerados Irmãos no Episcopado e no Sacerdócio Caríssimos Irmãos e Irmãs

1. É com imenso prazer que vos recebo, na conclusão da Assembléia Plenária da Congregação para o Clero. Saúdo o Prefeito do Dicastério, Cardeal Darío Castrillón Hoyos e estou-lhe grato por se ter feito intérprete dos sentimentos de devoção e de afecto de todos. Saúdo os Senhores Cardeais, os venerados Irmãos no Episcopado e quantos participaram neste encontro, que abordou dois temas de grande interesse: "Os organismos consultivos secundum legem et praeter legem" e "A Pastoral dos Santuários".

Desejo agradecer a cada um pelo difícil trabalho realizado. Ao mesmo tempo, formulo os melhores bons votos para que, destas jornadas de reflexão, resultem indicações e orientações úteis para a vida da Igreja.

2. A Constituição dogmática Lumen gentium apresenta a Igreja como um povo que tem por Chefe Cristo, por condição a dignidade e a liberdade dos filhos de Deus, por lei o preceito antigo e sempre novo do amor e por fim o reino de Deus (cf. n. 9). De tal povo fazem parte aqueles que, em virtude do Baptismo, são "empregados como pedras vivas para a construção de um edifício espiritual, por um sacerdócio santo, para oferecer sacrifícios espirituais agradáveis a Deus, por meio de Jesus Cristo" (1 Pd 2, 5). Deste sacerdócio, que associa todos os fiéis, difere essencialmente o ministerial ou hierárquico. Ambos, porém, são unidos por uma estreita relação e ordenados um para o outro, pois "um e outro, cada um no seu próprio modo, participam do único sacerdócio de Cristo" (Lumen gentium, 10). Os pastores têm a tarefa de formar, governar e santificar o Povo de Deus, enquanto os fiéis leigos, juntamente com eles, tomam parte activa na missão da Igreja, numa constante sinergia de esforços e no respeito pelas vocações e pelos carismas específicos.

3. Esta útil colaboração por parte dos leigos desenvolve-se igualmente nos diversos Conselhos previstos pelo ordenamento canónico, a níveis diocesano e paroquial. Trata-se de organismos de participação que oferecem a possibilidade de cooperar para o bem da Igreja, considerando a ciência e a competência de cada um (cf. Código de Direito Canónico, cân. 212 3).

Hoje tais estruturas, derivadas das indicações do Concilio, tem necessidade de ser actualizadas nas suas modalidades de acção e nos estatutos, segundo as normas do Código de Direito Canónico, promulgado em 1983. É preciso salvaguardar uma relação equilibrada entre o papel dos leigos e o que compete propriamente ao Ordinário diocesano ou ao pároco.

Os Pastores legítimos, no exercício de seu ofício, jamais são considerados como simples executores das decisões que derivam das opiniões da maioria, que sobressaem na assembleia eclesial. A estrutura da Igreja não pode ser concebida segundo modelos políticos simplesmente humanos. A sua constituição hierárquica fundamenta-se sobre a vontade de Cristo e, como tal, faz parte do "depositum fidei", que deve ser conservado e transmitido integralmente ao longo dos séculos.

A vossa Congregação, que tem um papel de relevo na aplicação das directrizes conciliares a respeito desta matéria, não deixará de acompanhar com atenção a evolução de tais organismos de consulta. Estou certo de que também as sugestões e as contribuições evidenciadas neste vosso encontro ajudarão a tornar a colaboração entre os leigos e os Pastores cada vez mais profícua e plenamente fiel às orientações do Magistério.

4. O segundo tema, que considerastes nesta Sessão Plenária, diz respeito à Pastoral dos Santuários. Estes lugares sagrados atraem numerosos fiéis que se põem à procura de Deus, disponíveis portanto a um anúncio mais incisivo da Boa Nova e abertos à aceitação do convite à conversão. Por conseguinte, é importante que neles trabalhem sacerdotes dotados de uma clara sensibilidade pastoral, animados pelo zelo apostólico, dotados de espírito paterno de hospitalidade e experimentados na arte da pregação e da catequese.

O que dizer, depois, acerca do sacramento da Penitência? O confessor, particularmente nos Santuários, é chamado a reflectir em cada um dos seus gestos e palavras, o amor misericordioso de Cristo. Exige-se, portanto, uma adequada formação doutrinal e pastoral.

No centro de cada peregrinação há celebrações litúrgicas, dentre as quais a Santa Missa ocupa o primeiro lugar. Elas são sempre preparadas com cuidado e animadas por uma profunda devoção, suscitando a participação activa dos fiéis.

A vossa Congregação não deixará de elaborar sugestões oportunas para ajudar a Pastoral dos Santuários a ser cada vez mais renovada e correspondente às exigências dos tempos.

5. Caríssimos Irmãos e Irmãs! Com estes dias de estudo e de diálogo, realizastes um serviço meritório à Igreja. Agradeço-vos e asseguro-vos a todos a minha fraterna lembrança na oração.

A Virgem Maria, Mãe da Igreja, que no tempo de Natal pudemos contemplar ao lado do Menino no Presépio, vos sustente e torne frutuoso todos os vossos bons propósitos. A vós e às pessoas que vós são queridas, é com prazer que formulo os melhores bons votos para o novo ano há pouco iniciado, enquanto vos concedo de coração, a todos, uma especial Bênção Apostólica.


DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II AO SENHOR BAMBANG PRAYITO, NOVO EMBAIXADOR DA INDONÉSIA JUNTO À SANTA SÉ POR OCASIÃO DA APRESENTAÇÃO DAS CARTAS CREDENCIAIS

10 de Janeiro de 2004

Senhor Embaixador

Dou-lhe as calorosas boas-vindas a Vossa Excelência, no momento em que recebo as Cartas Credenciais que o designam Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário da República da Indonésia junto da Santa Sé. Esta ocasião renova as lembranças da visita que realizei ao seu País, em 1989, quando pude experimentar pessoalmente a hospitalidade, o calor e as ricas tradições culturais do povo indonésio. Com tais recordações, agradeço as saudações e os bons votos que Vossa Excelência me transmite da parte da Presidente, Senhora Megawati Soekarnoputri. É de bom grado que retribuo os seus amáveis sentimentos, enquanto lhe peço que transmita a ela, ao governo e ao povo da Indonésia, as expressões da minha estima e a certeza das preces pelo desenvolvimento e prosperidade permanentes da Nação.

Como o Senhor Embaixador frisou, o seu País e a Santa Sé gozam de vínculos de amizade e de cooperação que se estão a tornar cada vez mais vigorosos, em virtude dos nossos compromissos mútuos em vista de trabalhar pela paz e pelo bem-estar de todas as pessoas, a cada nível da sociedade. Trata-se de um empreendimento que empenha todos os homens e mulheres de boa vontade e, hoje, constitui uma tarefa de importância singular, dado que toda a família humana está à procura de meios eficazes para contrastar o terrorismo internacional. Não há dúvida de que este flagelo funesto se tornou mais virulento ao longo dos últimos anos, gerando massacres brutais que só servem para exacerbar situações já difíceis, aumentar as tensões e diminuir as possibilidades de paz entre os povos e as nações. Infelizmente, o seu próprio País experimentou de maneira directa estes hediondos actos de violência e de desrespeito pela inviolabilidade da vida humana inocente.

O profundo abalo sentido no mundo inteiro há quinze meses, quando uma bomba terrorista explodiu em Bali, ainda permanece fortemente presente na mente e no coração da comunidade internacional.

Não obstante o desprezo pela vida humana, representado por estes ataques terroristas, a nossa resposta jamais deve ser de ódio e de vingança. E não são suficientes as medidas meramente punitivas ou repressivas. A luta contra o terrorismo deve ser enfrentada também a nível da política e da educação. É necessária a mobilização da política, para eliminar as causas subjacentes às situações de injustiça, que podem levar as pessoas a cometer actos de desespero e de violência. É também necessário empenhar-se em programas de educação que se inspirem no respeito pela vida humana e o promovam em todas as circunstâncias. Só deste modo é que a unidade da raça humana prevalecerá, demonstrando que é mais poderosa do que as divisões contingentes que separam os indivíduos, os grupos e os povos (cf. Mensagem para o Dia Mundial da Paz de 2004, n. 8). E é precisamente a este respeito que as grandes religiões do mundo têm um importante papel a desempenhar.

Efectivamente, a compreensão e a cooperação entre as religiões empenham-se em grande medida na promoção de um sentido mais clarividente da unicidade de toda a humanidade, contribuindo para erradicar as causas sociais e culturais do terrorismo. De resto, estou convencido de que os líderes religiosos do islão, do cristianismo e do judaísmo devem ocupar a linha de vanguarda, ao condenar o terrorismo e negar aos terroristas qualquer forma de legitimidade religiosa ou moral. O diálogo deve ser promovido como forma de consciência mútua, intercâmbio de patrimónios espirituais e instrumento para uma superação pacífica das diferenças. Este é o único modo de garantir a unidade, assegurar a estabilidade e edificar a democracia, tão ardentemente almejada pela grande Nação que Vossa Excelência representa.

A este mesmo propósito, é-me grato observar o compromisso concreto do seu governo, em ordem a manter a harmonia entre os seguidores das diferentes religiões presentes na Indonésia. Com efeito, o mote representado no brasão nacional Bihneka Tungal Ika, "unidade na diversidade" exprime um importante princípio-guia, enquanto o seu País procura edificar e fortalecer uma sociedade fundamentada nos princípios democráticos da liberdade e da igualdade, independentemente da língua, da tradição étnica, da herança cultural ou da religião. As eleições presidenciais, programadas para o final do corrente ano um momento realmente histórico para a Indonésia oferecem uma excelente oportunidade para reforçar estes princípios nas instituições democráticas do País e para fomentar a plena participação de todos os cidadãos na vida pública da Nação. Este clima político pode demonstrar-se também como um grandioso benefício para a transformação permanente da sociedade indonésia, enquanto se realizam esforços em vista de eliminar a corrupção e de assegurar que sejam respeitados os direitos humanos de todos os cidadãos, de forma especial dos que pertencem às minorias étnicas e religiosas.

Por sua vez, a Igreja católica contribui activamente para a continuação do programa nacional de desenvolvimento de estruturas capazes de satisfazer as expectativas e as aspirações de todos os povos do arquipélago. O seu papel no campo da educação é de importância particular: embora os católicos representem apenas uma pequena porção do total da população, eles desenvolveram um sistema escolar abrangente e eficaz. O compromisso em prol da tolerância religiosa e do princípio fundamental da liberdade religiosa permite que a Igreja ofereça uma contribuição inestimável para a vida do País. Formulo votos a fim de que o Governo continue a assisti-lo no cumprimento da sua missão, respeitando a identidade católica das suas escolas e actividades educativas.

Senhor Embaixador, estou convicto de que a sua missão fortalecerá ainda mais os vínculos de compreensão e de amizade já existentes entre nós. Vossa Excelência pode ter a certeza de que a Santa Sé continuará a ser um parceiro comprometido do seu País, enquanto ele procura fazer progredir o seu próprio desenvolvimento e a fortalecer a estabilidade e a paz na Ásia e no seio da comunidade mais vasta das nações. Sobre Vossa Excelência e o querido povo da República da Indonésia, invoco cordialmente as abundantes bênçãos de Deus Todo-Poderoso.

1   ...   67   68   69   70   71   72   73   74   ...   105


©principo.org 2016
enviar mensagem

    Página principal