Mensagem de condolências pelas vítimas do terremoto em são juliano de apúlia



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Por conseguinte, convém dedicar especial atenção à formação dos sacerdotes, para que possam chegar ao centro da fé que devem comunicar. A vida cristã não pode basear-se numa simples atitude sociológica, nem sobre o conhecimento de alguns elementos da mensagem cristã, que não levariam a uma participação na vida da Igreja. Significaria que a fé permaneceria totalmente exterior às pessoas. Os pastores e os catequistas recordar-se-ão de igual modo de que as crianças e os jovens são particularmente sensíveis à coerência entre a palavra das pessoas e a sua vida concreta. Com efeito, como podem os jovens tomar consciência da necessidade da participação na Eucaristia dominical ou da prática do sacramento da penitência se os seus pais ou educadores não levam uma vida religiosa e eclesial? Quanto mais o testemunho de fé e de vida moral estiver em harmonia com a profissão de fé, tanto mais os jovens compreenderão em que aspectos a vida cristã ilumina toda a existência e lhe confere a sua força e profundidade. O testemunho quotidiano constitui o elemento de autenticidade do ensinamento oferecido.

Convido-vos a ter a preocupação da formação dos jovens, procurando formas de ensino que, tendo em conta o seu desejo de fazer uma experiência humana calorosa, lhes proponha conhecer Cristo e encontrá-lo numa vida de oração pessoal e comunitária forte e estruturante. A respeito disto, sei que é vossa solicitude renovar continuamente os instrumentos catequéticos e pedagógicos usados para os serviços de catequese, em conformidade com o Catecismo da Igreja católica e com as Directrizes gerais para a Catequese, que contêm os fundamentos teológicos e os pontos-chave do ensinamento catequético para todas as categorias de pessoas.

4. Nesta perspectiva, a vocação e a missão dos baptizados na comunidade eclesial e no mundo só se podem compreender à luz do mistério da Igreja, "sinal e instrumento da união íntima com Deus e da unidade de todo o género humano" (Lumen gentium, 1). Neste espírito, é importante que seja proposta aos fiéis uma forma de inteligência da fé, que lhes permita harmonizar melhor os seus conhecimentos religiosos com o saber humano, a fim de poderem realizar uma síntese cada vez mais sólida entre as suas aquisições científicas e técnicas, e a experiência religiosa. Alegro-me com a proposta feita para promover escolas da fé no âmbito de instituições universitárias ou nas suas proximidades, mas com o seu apoio, pois elas estão particularmente habilitadas para proporcionar um ensino de qualidade, em fidelidade ao Magistério, numa perspectiva não apenas intelectual, mas com a preocupação de desenvolver a vida espiritual e litúrgica do povo cristão, e de o ajudar a descobrir as exigências morais ligadas à vida segundo o Evangelho. Congratulo-me com a acção da Escola-catedral de Paris, da qual beneficiam numerosas pessoas da vossa província e que convida cada um a aprofundar incansavelmente o mistério da fé, para, depois de o ter compreendido e assimilado melhor, o transmitir numa linguagem adequada, sem contudo transformar a substância. Esta harmonização entre uma compreensão racional do dado revelado e uma transmissão inculturada é, a meu parecer, um dos desafios do mundo de hoje. Desejo também congratular-me e encorajar a experiência lançada pelos pastores de um certo número de capitais europeias, que se associaram para dar um novo impulso à evangelização nas grandes cidades do Continente, contribuindo para reavivar a alma cristã da Europa e recordar aos Europeus os elementos da fé dos seus antepassados, que contribuíram para a edificação dos povos e das relações entre as Nações.

5. Desejo também chamar a vossa atenção para a função catequética e evangelizadora da liturgia, que deve ser compreendida como um caminho de santidade, a força interior do dinamismo apostólico e do carácter missionário da Igreja (cf. Carta apostólica Spiritus et sponsa no quadragésimo aniversário da Constituição conciliar Sacrosanctum concilium, 6). Com efeito, a finalidade da catequese é poder proclamar na Igreja a fé no Deus único: Pai, Filho e Espírito Santo e renunciar "a servir qualquer outro absoluto humano", formando assim o ser e o agir do homem (cf. Directrizes gerais para a Catequese, 82-83). Desta forma, é importante que os pastores se preocupem sempre, com a colaboração dos leigos, da preparação das liturgias dominicais, dedicando especial atenção ao rito e à beleza da celebração. Com efeito, toda a liturgia fala do mistério divino. Em continuidade com as Jornadas mundiais da Juventude de Paris, a vossa Conferência trabalha com alegria na renovação da catequese, para que o anúncio da fé se baseie incessantemente sobre a experiência da Vigília pascal, centro do mistério cristão, que proclama a morte e a Ressurreição do Salvador, até à sua vinda na glória. Nas suas homilias, os sacerdotes terão a solicitude de ensinar aos fiéis os fundamentos doutrinais da fé e da Sagrada Escritura. Exorto mais uma vez vigorosamente todos os fiéis a enraizar a sua experiência espiritual e a sua missão na Eucaristia, ao redor do Bispo, ministro e garante da comunhão na Igreja diocesana, pois "onde está o Bispo, ali se encontra a Igreja" (Santo Inácio de Antioquia, Carta aos Esmirneus 8, 2).

6. No final do nosso encontro, peço-vos que transmitais as minhas saudações afectuosas às vossas comunidades. Agradecei aos sacerdotes e às comunidades religiosas das vossas dioceses, que se dedicam com generosidade ao anúncio do Reino de Deus! O meu pensamento dirige-se hoje para todas as pessoas que se dedicam generosamente aos jovens, na catequese paroquial, nas instituições e nos movimentos nos quais se realizam acções catequéticas; a Igreja agradece a todos a sua dedicação para que Cristo seja melhor conhecido e mais amado. Transmiti o reconhecimento do Papa às pessoas que, em nome do Evangelho, se consagram às obras de caridade. Porventura não constituem elas, de certa maneira, catequeses vivas que contribuem para fazer descobrir o amor de Cristo? A terra de França deu numerosos santos que souberam juntar ensinamento catequético e obras de caridade, como São Vicente de Paulo, São Marcelino Champagnat, educador qualificado, que tive a alegria de canonizar.

Confio as vossas dioceses à protecção da Santíssima Virgem Maria, que me apraz invocar convosco com o título de Estrela do mar; ela guia o povo cristão na fidelidade ao seu Baptismo, no meio de qualquer adversidade, para que ele caminhe jubiloso ao encontro de Cristo Salvador. Concedo-vos a vós, aos sacerdotes, aos diáconos, às pessoas consagradas e a todos os fiéis, uma afectuosa Bênção apostólica.
MENSAGEM DO PAPA JOÃO PAULO II AOS BISPOS AMIGOS DO MOVIMENTO DOS FOCOLARES

Venerados Irmãos no Episcopado

Sinto-me feliz em vos enviar a minha cordial saudação, por ocasião do anual congresso de Bispos amigos do Movimento dos Focolares, que constitui um momento propício para aprofundar em conjunto a espiritualidade da Obra de Maria.

Apreciei muito o facto de que, para este encontro, vos propusestes reflectir e confrontar-vos sobre o tema da santidade, como exigência primária a ser proposta a todos os membros do Povo de Deus. O Concílio Ecuménico Vaticano II recordou que a santidade é a vocação de todos os baptizados. Também eu quis realçar esta mesma verdade na Carta apostólica Novo millennio ineunte, no final do Grande Jubileu do Ano 2000. De facto, só uma comunidade cristã resplandecente de santidade pode realizar eficazmente a missão que lhe foi confiada por Cristo, isto é, a de difundir o Evangelho até aos extremos confins da terra.

"Para uma santidade de povo": esta especificação realça precisamente o carácter universal da vocação à santidade na Igreja, verdade que representa um dos pilares da Constituição conciliar Lumen gentium. Devem ser oportunamente evidenciados dois aspectos gerais. Antes de tudo, o facto de que a Igreja é intimamente santa e que está chamada a viver e a manifestar esta santidade em todos os seus membros. Em segundo lugar, a expressão "santidade de povo" leva a pensar no carácter ordinário, ou seja, na exigência que os baptizados saibam viver com coerência o Evangelho na vida quotidiana: em família, na actividade de trabalho, em qualquer relação e ocupação. É precisamente no ordinário que se deve viver o extraordinário, de forma que a "medida" da vida tenda para o "alto", isto é, para a "plena maturidade de Cristo", como ensina o apóstolo Paulo (cf. Ef 4, 13).

A Bem-Aventurada Virgem Maria, da qual sei que sois filialmente devotos, seja o modelo sublime no qual vos inspirais sempre: nela está compendiada a santidade do Povo de Deus, porque nela resplandece na máxima humildade a perfeição da vocação cristã. Confio cada um e vós, queridos e venerados Irmãos, à sua materna protecção, enquanto desejo todos os bens para o vosso congresso e vos concedo de coração uma especial Bênção Apostólica.

Vaticano, 18 de Fevereiro de 2004.

DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II A UMA DELEGAÇÃO DA UNIVERSIDADE DE OPOLE (POLÓNIA)

Terça-feira, 17 de Fevereiro de 2004

Excelência Senhor Reitor Magnífico Ilustres Senhores e Senhoras

Agradeço quer a benevolência que me manifestastes com a vossa visita ao Vaticano, quer o conferimento à minha pessoa do título de Doutor honoris causa da vossa Universidade. Este gesto tem para mim uma eloquência muito particular, pois coincide com o décimo aniversário da existência da Universidade de Opole. Já se estão a completar dez anos da histórica unificação da Escola Superior de Pedagogia e do Instituto Teológico Pastoral, que deu início à Universidade de Opole com a Faculdade de Teologia. Quando dei o meu consentimento à instituição daquela Faculdade e à sua inserção nas estruturas de uma Universidade estatal, tinha a consciência de que o nascimento daquele Ateneu era muito importante para a terra de Opole. Sinto-me feliz porque no espaço deste decénio a Universidade se está a desenvolver e a tornar-se um dinâmico centro de pesquisa, onde milhares de jovens podem adquirir a ciência e a sabedoria.

Dou graças a Deus pelo facto de que a Universidade como disse o Arcebispo coopera com a Igreja na obra de integração da sociedade da terra de Opole. Sei que está a fazer isto da maneira que lhe é própria. Se a Igreja anima os processos de unificação com base na fé comum, os valores espirituais e morais comuns, a própria esperança e a mesma caridade que sabe perdoar, por seu lado a Universidade possui para esta finalidade meios próprios, de particular valor, que apesar de crescer sobre o mesmo fundamento, tem carácter diverso poder-se-ia até dizer um carácter mais universal. Dado que esses meios se baseiam no aprofundamento do património da cultura, do tesouro do saber nacional e universal e sobre o desenvolvimento de vários ramos da ciência, são acessíveis não só a quantos partilham o mesmo Credo, mas também a todos aqueles que têm convicções diversas. É um facto muito importante. Com efeito, se falamos da integração da sociedade, não podemos compreendê-la no sentido do anulamento das diferenças, da unificação do modo de pensar, do esquecimento da história muitas vezes marcada por acontecimentos que originavam divisões mas como uma busca perseverante daqueles valores que são comuns aos homens, que têm raízes diversas, uma história diferente e, como resultado disto, uma própria visão do mundo e das referências à sociedade na qual eles têm que viver.

A Universidade, criando as possibilidades para o desenvolvimento das ciências humanísticas, pode servir de ajuda para uma purificação da memória que não esqueça as faltas e as culpas, mas permita perdoar e pedir perdão, e depois, abrir a mente e o coração à verdade, ao bem e à beleza, valores que constituem a riqueza comum e que devem ser concordemente cultivados e desenvolvidos. Também as ciências podem ser úteis à obra da união. Parece até que, graças ao facto que elas estão livres das premissas filosóficas e especialmente das ideológicas, podem realizar essa tarefa de modo mais directo. Sim, podem surgir diferenças em referência à avaliação ética das pesquisas e não devemos ignorá-las. Contudo, se os pesquisadores reconhecem os princípios da verdade e do bem comum, não se recusarão em colaborar para conhecer o mundo com base nas mesmas fontes, em métodos semelhantes e no fim comum que é submeter a terra, em sintonia com a recomendação do Criador (cf. Gn 1, 28).

Hoje, fala-se muito das raízes cristãs da Europa. Se as catedrais, as obras de arte, de música e de literatura são os seus sinais, num certo sentido elas falam em silêncio. As Universidades, ao contrário, podem falar em voz alta. Podem falar com a linguagem contemporânea, compreensível a todos. Sim, pode acontecer que esta voz não seja escutada por quantos estão entontecidos pela ideologia do laicismo no nosso continente, mas isto não dispensa os homens de ciência, fiéis à verdade histórica, da tarefa de dar testemunho através de um sólido aprofundamento dos segredos da ciência e da sabedoria, que cresceram no terreno fértil do cristianismo.

Ut ager quamvis fertilis sine cultura fructuosus esse non potest, sic sine doctrina animus (Cícero, Tusculanae disputationis, II, 4) Assim como a terra, mesmo sendo fértil, não pode dar frutos se não for cultivada, o mesmo acontece à alma sem a cultura. Cito estas palavras de Cícero, para expressar a gratidão por aquela "cultivação do espírito" que a Universidade de Opole está a desenvolver há dez anos. Faço votos por que a esta grande obra seja dada continuidade para o bem da terra de Opole, da Polónia e da Europa. Que a colaboração de todas as faculdades do vosso ateneu, inclusive a Faculdade de Teologia, sirva a todos os que desejam desenvolver a própria humanidade com base nos nobres valores espirituais.

Para este esforço abençôo de coração a vós aqui presentes, todos os Professores e os Estudantes da Universidade de Opole.


DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II A UM GRUPO DE PEREGRINOS DA REPÚBLICA ESLOVACA

Sábado, 14 de Fevereiro de 2004

Venerados Irmãos Ilustres Senhores Carissimos Irmãos e Irmãs!

1. É com alegria que vos recebo a todos e vos dou as minhas cordiais boas-vindas. Saúdo e agradeço, antes de tudo, os Bispos da Conferência Episcopal Eslovaca, que promoveram esta peregrinação nacional. Saúdo, em particular, os Senhores Cardeais Ján Chryzostom Korec e Josef Tomko, bem como D. Frantisek Tondra, ao qual agradeço as gentis palavras com que se fez intérprete dos sentimentos de todos. Exprimo ao Senhor Presidente da República viva gratidão pela sua presença e pelas calorosas palavras de saudação.

2. Por três vezes, durante o meu Pontificado, a divina Providência me concedeu visitar a Eslováquia: em 1990, pouco depois da queda do regime comunista, em 1995 e no ano passado, por ocasião do décimo aniversário da proclamação da República e da instituição da Conferência Episcopal Eslovaca.

Hoje, fostes vós que viestes para me restituir a visita que pude realizar há cinco meses e da qual conservo uma profunda recordação. Quisestes fazer coincidir a vossa estadia em Roma com a festa dos Santos Cirilo e Metódio, Padroeiros da Eslováquia e Co-Padroeiros da Europa. Este feliz contexto litúrgico permite evidenciar os antigos vínculos de comunhão que unem a Igreja que está na vossa terra com o Bispo de Roma. Ao mesmo tempo, o testemunho destes grandes apóstolos dos eslavos constitui uma forte chamada a redescobrir as raízes da identidade europeia do vosso povo, raízes que partilhais com as outras nações do Continente.

3. Tenho a alegria de vos receber junto do túmulo de São Pedro, onde viestes para confirmar a profissão daquela fé que representa o património mais rico e mais sólido do vosso povo. Convido-vos a conservar esta fé, e a alimentá-la com a oração, uma catequese adequada e uma formação contínua. Ela não deve ser escondida, mas proclamada e testemunhada com coragem e tensão ecuménica e missionária. É isto que ensinam os Irmãos Cirilo e Metódio, arquétipos de tantos Santos e Santas que surgiram ao longo dos séculos da vossa história. Firmemente ancorados na cruz de Cristo, eles puseram em prática aquilo que o Mestre divino tinha ensinado aos discípulos desde o início da sua pregação: "Vós sois o sal da terra... Vós sois a luz do mundo!" (Mt 5, 13.14).

4. Ser "sal" e "luz" significa que deveis fazer resplandecer a verdade evangélica nas opções pessoais e comunitárias de cada dia. Significa manter inalterada a herança espiritual dos Santos Cirilo e Metódio contrastando a tendência difundida de se adaptar a modelos homologados e uniformizados. A Eslováquia e a Europa do terceiro milénio vão-se enriquecendo com muitíssimos contributos culturais, mas seria prejudicial esquecer que o Cristianismo contribuiu de modo determinante para a formação do Continente. Vós, queridos Eslovacos, ofereceis o vosso significativo contributo para a desejada construção da unidade europeia, fazendo-vos intérpretes daqueles valores humanos e espirituais que deram sentido à vossa história. É indispensável que estes ideais por vós vividos com coerência continuem a orientar uma Europa livre e solidária, capaz de harmonizar as suas diversas tradições culturais e religiosas.

Caríssimos Irmãos e Irmãs, ao renovar-vos a expressão da minha gratidão pela vossa visita, permiti que, ao despedir-me de vós, vos faça como recomendação o mesmo convite feito por Cristo a Simao Pedro: "Duc in altum Faz-te ao largo" (Lc 5, 4). É uma exortação que sinto ressoar constantemente no meu coração. Esta manhã dirijo-a a vós.

5. Povo de Deus peregrino na Eslováquia, faz-te ao largo e vai em frente neste novo milénio, mantendo o olhar fixo em Cristo. Maria, a Virgem Mãe do Redentor, seja a estrela do teu caminho. Protejam-te os teus venerados Padroeiros Cirilo e Metódio juntamente com muitos outros heróis da fé, alguns dos quais pagaram com o sangue a sua fidelidade ao Evangelho.

Com estes sentimentos, concedo de coração a vós, aos vossos familiares e a todo o Povo eslovaco uma especial Bênção apostólica.
DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II AO VII GRUPO DE BISPOS FRANCESES POR OCASIÃO DA VISITA "AD LIMINA APOSTOLORUM"

13 de Fevereiro de 2004

Queridos Irmãos no Episcopado!

1. É com alegria que vos recebo, pastores das províncias eclesiásticas de Bordéus e Poitiers, no final da vossa visita ad Limina. Ao virdes em peregrinação seguindo os passos dos Apóstolos Pedro e Paulo, confiastes-lhes os fiéis das vossas Dioceses, pedindo a sua intercessão para garantir a vossa missão de ensinar, governar e santificar o povo de Deus que vos está confiado. Agradeço a D. Jean-Pierre Ricard, Arcebispo de Bordéus e Presidente da Conferência dos Bispos da França, as palavras que acaba de me dirigir, apresentando-me as esperanças das vossas Igrejas diocesanas. Faço votos por que a estadia em Roma vos reconfirme no vosso ministério, contribuindo para dar um novo impulso ao dinamismo missionário das vossas comunidades. Acabais de recordar a atenção dedicada pelos Bispos da França à pastoral da juventude. Com efeito, o Bispo está convidado a dedicar "um cuidado especial à evangelização e ao acompanhamento espiritual dos jovens"; o seu "ministério de esperança não pode deixar de construir o futuro juntamente com aqueles precisamente os jovens aos quais está confiado o fututo" (Pastores gregis, 53).

2. Nos vossos relatórios quinquenais, mencionais o quadro complexo e difícil em que os jovens vivem. O seu mundo cultural está marcado pelas novas tecnologias da comunicação, que alteram a sua relação com o mundo, com o tempo e com o próximo, e que modelam o seu comportamento. Isto origina uma cultura do imediato e do efémero, que nem sempre é favorável ao aprofundamento, à maturação interior nem ao discernimento moral. Mas o uso dos novos meios de comunicação possuem um interesse que ninguém pode negar. A vossa Conferência e numerosas dioceses assinalaram muito bem o carácter positivo desta mudança, propondo sites internet, sobretudo para os jovens, nos quais eles podem informar-se, formar-se e descobrir as diferentes propostas da Igreja. Não posso deixar de encorajar o desenvolvimento destes instrumentos para servir o Evangelho e para alimentar o diálogo e a comunicação.

A sociedade está caracterizada por numerosas fracturas, que tornam os jovens particularmente frágeis: separações familiares, famílias recompostas com diversos irmãos, ruptura dos vínculos sociais. Como não pensar nas crianças e nos jovens que sofrem terrivelmente devido à desintegração da célula familiar, ou naqueles que conhecem situações de precariedade que, com muita frequência, os levam a considerar-se excluídos pela sociedade? De igual modo, a evolução das mentalidades não deixa de causar preocupações: subjectividade exacerbada, excessiva liberdade nos costumes fazem crer aos jovens que qualquer comportamento, a partir do momento que é realizável, pode ser bom, e uma grave diminuição do sentido moral, que leva a pensar que já não há nem o bem nem o mal objectivo. Mencionais também situações sociais de violência, que fazem surgir graves tensões, sobretudo em certos bairros das cidades e dos subúrbios, assim como um aumento dos comportamentos suicidas e do uso de drogas. Por fim, o aumento do desemprego preocupa os jovens. Eles, por vezes, dão a impressão de terem alcançado demasiado tarde a vida adulta devido aos seus conhecimentos e comportamentos, e de não terem tido tempo suficiente para a maturação física, intelectual, afectiva e moral, cujas etapas não são concomitantes. A multiplicidade das mensagens e dos modelos de vida veiculados pela sociedade confundem em grande medida a percepção e a prática dos valores morais e espirituais, chegando a hipotecar a formação da sua identidade, a gestão da sua afectividade e a edificação da sua personalidade. Tudo isto são fenómenos que originam perigos para o crescimento dos jovens, e para a convivência entre as pessoas e as gerações.

3. Enquanto pastores, estais atentos a estas realidades, conhecendo a generosidade dos jovens, prontos a mobilizarem-se por justas causas e desejosos de alcançar o bem-estar. Trata-se de recursos pastorais que a Igreja deve ter em consideração na sua pastoral da juventude, e a vocação da Igreja consiste em contribuir para o seu pleno desenvolvimento. As comunidades cristãs francesas são herdeiras de grandes figuras de educadores, sacerdotes, religiosos, religiosas e leigos, que souberam, na sua época, inventar pedagogias adequadas. Convido-vos, apesar dos meios escassos, a não poupar esforços no campo educativo. Convido em particular as comunidades religiosas que possuem este carisma a não desertar o mundo da educação escolar ou pré-escolar, pois é sobretudo aí que se podem alcançar os jovens, anunciar-lhes o Evangelho e preparar o futuro da Igreja. Os movimentos juvenis, mesmo se numericamente são poucos, estão convidados a prosseguir a sua acção, jamais esquecendo que o caminho educativo requer uma duração. Hoje, convido a uma nova imaginação nas propostas para os jovens, a fim de lhes oferecer lugares, meios e um acompanhamento específico que lhes permitam, a nível diocesano e paroquial, nas capelanias, nos movimentos ou serviços, crescer humana e espiritualmente. As comunidades cristãs têm como missão conduzir os jovens a Cristo e fazer com que eles entrem em intimidade com ele, para que possam viver a sua vida e construir uma sociedade cada vez mais fraterna. O aspecto social não deve fazer esquecer o objectivo do andamento pastoral: conduzir os jovens a Cristo.

4. Os jovens aspiram por viver em grupos nos quais eles são reconhecidos e amados. Nenhuma criança pode viver ou crescer sem amor, ou sem o olhar benevolente dos adultos; é o próprio sentido da missão educativa. Por conseguinte, convido as comunidades diocesanas a dedicar uma atenção sempre mais importante aos lugares educativos; em primeiro lugar, à família, que é bom apoiar e ajudar, sobretudo nas relações pais-filhos, em particular no momento da adolescência. A presença de outros adultos além dos pais muitas vezes é benéfica. De igual modo, a escola é um espaço privilegiado da vida fraterna e pacífica, onde cada qual é aceite tal como é, no respeito dos seus valores e das suas crenças pessoais e familiares. Encorajo as escolas católicas a serem comunidades onde os valores cristãos fazem parte do programa e da prática educativa, e onde o ensino do Magistério é transmitido aos jovens mediante catequeses adequadas às diferentes idades da escolarização. A presença de crianças não católicas não deve ser um obstáculo a este andamento. De igual modo, congratulo-me com a missão dos capelães escolares e universitários. Apesar dos participantes serem pouco numerosos, os acompanhadores nunca se esqueçam de que tudo o que os jovens recebem transmitem-no de uma ou de outra forma aos seus companheiros! É importante encarar a pastoral da juventude, vez por vez, em forma de tempos fortes o "viver juntos" é fundamental na educação dos jovens e no âmbito das actividades regulares, para que a formação religiosa faça parte da estruturação dos jovens e da sua existência.

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