Mensagem de condolências pelas vítimas do terremoto em são juliano de apúlia



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Nos vossos relatórios e boletins diocesanos, vemos os frutos que as Jornadas mundiais da Juventude de Paris, das quais me recordo com emoção, continuam a dar nos jovens. É importante chamá-los a viver a sua relação com Cristo na fidelidade, para tomar consciência de que a vida de fé e a prática sacramental não estão relacionadas com a simples vontade do momento, nem podem constituir uma actividade entre outras na existência. Faço votos por que os educadores os ajudem a discernir as prioridades, pois não podemos conhecer verdadeiramente Cristo se não fizermos o esforço de nos aproximarmos e ter com Ele encontros regulares. É também necessário que os jovens sejam os principais evangelizadores dos jovens, para serem uma força convidativa para os seus companheiros. Eles possuem, neste âmbito, recursos que seria bom explorar.

5. A pastoral dos jovens exige da parte dos acompanhadores perseverança, atenção e espírito de iniciativa. Para esta finalidade, não hesiteis em destinar sacerdotes qualificados, que tenham uma boa formação e uma vida espiritual e moral irrepreensível, para acompanhar os jovens, para lhes transmitir o ensinamento cristão, partilhar com eles tempos fraternos e de lazer, para que se tornem missionários. Faço votos por que as dioceses se mobilizem sempre mais para esta finalidade, mesmo se vos encontrais em períodos difíceis. Que os adultos forneçam aos jovens os meios concretos para que se possam reencontrar, a fim de viver e aprofundar a sua fé, formando-os no estudo e na meditação da Palavra de Deus, e na oração pessoal, e chamando-os a conformar-se cada vez mais com Cristo. É importante também ajudá-los a interrogarem-se sobre a sua existência e sobre o seu projecto de vida, para que se tornem disponíveis à chamada do Senhor para uma vocação específica na Igreja: o sacerdócio, o diaconado ou a vida consagrada.

Os pais e os educadores não tenham receio em apresentar aos jovens a questão de uma eventual vocação sacerdotal ou religiosa! Isto não significa minimamente uma limitação da liberdade de escolha, mas ao contrário, um convite a reflectir sobre o seu futuro, a fim de "fazer com que a sua vida seja uma vida de amor", como recordei por ocasião da minha viagem a Lião em 1986. Compete a todos os agentes da pastoral dos jovens ajudá-los a terem uma fé que lhes permita confrontarem-se de maneira crítica com a cultura actual, adquirindo um discernimento sadio acerca das questões que estão no centro dos debates da sociedade.

Recordais com preocupação as rupturas do mundo da juventude e as precariedades com as quais eles se confrontam, que por vezes os leva ao individualismo, à violência e a comportamentos destruidores. No seguimento de Cristo, a Igreja deseja permanecer próxima dos jovens feridos pela vida, pelos quais o Senhor tem um amor preferencial. Congratulo-me e encorajo o trabalho das pessoas que, nos movimentos, nos serviços e no mundo caritativo, promovem a fantasia da caridade, fazendo-se próximos dos excluídos, de quantos sofrem, permitindo-lhes voltar a sentir prazer em viver. Que eles lhes façam descobrir o rosto de Cristo, que ama todos os homens, seja qual for o seu caminho e as suas fragilidades!

6. Desejo também chamar a vossa atenção para o apoio que deve ser dado aos jovens que se preparam para o matrimónio. Muitas vezes eles conheceram sofrimentos nas suas famílias de origem e por vezes fizeram múltiplas experiências. Na sociedade, existem diversos modelos de relação, sem qualquer qualificação antropológica ou moral. Por seu lado, a Igreja deseja propor o caminho de uma evolução gradual nas relações afectivas, que começa no tempo do noivado e que propõe o ideal da castidade; ela recorda que o matrimónio entre um homem e uma mulher, e uma família, se constróem antes de mais sobre um vínculo forte entre as pessoas e sobre um comprometimento definitivo, e não sobre o aspecto meramente afectivo, que não pode constituir a única base da vida conjugal. Que os pastores e os casais cristãos tenham a audácia de ajudar os jovens a reflectir sobre estas questões delicadas e fundamentais, com catequeses e diálogos vigorosos e adequados, fazendo resplandecer a profundidade e a beleza do amor humano!

7. A Igreja tem uma palavra original nos debates sobre a educação, sobre os fenómenos de sociedade, sobretudo sobre as questões da vida afectiva, dos valores morais e espirituais. A formação não pode consistir unicamente numa aprendizagem técnica e científica. Ela tem principalmente por finalidade uma educação do ser integral. Congratulo-me com os sacerdotes, os diáconos, os religiosos e as religiosas, e com os leigos que têm esta nobre preocupação do acompanhamento da juventude. Sei que a sua tarefa é difícil e por vezes árida, e os resultados nem sempre parecem estar à altura dos esforços feitos; que eles não desanimem, porque ninguém conhece o segredo do coração dos jovens! "Se Cristo lhes for apresentado com o seu verdadeiro rosto, os jovens reconhecem-no como resposta convincente e conseguem acolher a sua mensagem, mesmo se exigente" (Novo millennio ineunte, 9).

Queridos Irmãos no Episcopado, no final do nosso encontro, juntamente convosco dou graças pelo trabalho que o Espírito realiza no coração dos jovens. Eles pedem que a Igreja os acompanhe, porque desejam ardentemente viver um ideal exigente e verdadeiro, não obstante as referências muitas vezes pouco claras que o mundo actual lhes oferece. É vossa tarefa guiá-los a Cristo e propor-lhes o caminho exigente da santidade, para que possam assumir uma parte cada vez mais activa na vida da Igreja e da sociedade. Encorajo as comunidades cristãs das vossas dioceses a dar-lhes o lugar que lhes compete, a escutar as questões que eles apresentam e a responder-lhes em verdade. Pela intercessão da Virgem Maria, Nossa Senhora de Lourdes que acabamos de festejar, concedo-vos de bom grado uma afectuosa Bênção apostólica, assim como a todos os membros das vossas comunidades diocesanas, em particular aos jovens, aos quais peço que transmitais esta mensagem: o Papa conta com eles.

DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II AO MINISTRO DOS NEGÓCIOS ESTRANGEIROS DO IRÃO

12 de Fevereiro de 2004

Excelência

É-me grato dar-lhe as boas-vindas ao Vaticano no dia de hoje. A sua presença aqui constitui um sinal da cooperação que, por mais de cinquenta anos, caracterizou as relações oficiais entre a Santa Sé e o seu País. Estou convicto de que este espírito de colaboração continuará a revigorar-se cada vez mais, ao abordarmos em conjunto as questões de interesse mútuo.

A este propósito, não é menos importante o compromisso permanente em ordem a salvaguardar os direitos e a dignidade inalienáveis da pessoa humana, especialmente nos esforços que visam a promoção de um melhor entendimento entre os povos de diferentes religiões, formações culturais e tradições étnicas.

Senhor Ministro, asseguro-lhe os meus bons votos pela sua estadia em Roma, enquanto invoco sobre Vossa Excelência as bênçãos do Todo-Poderoso.

SAUDAÇÃO DO PAPA JOÃO PAULO II AO PRIMEIRO-MINISTRO DA AUTORIDADE PALESTINA SUA EX.CIA SENHOR AHMAD QUREI

Quinta-feira, 12 de Fevereiro de 2004

Senhor Primeiro-Ministro

Estou feliz por receber Vossa Excelência no Vaticano. A sua presença aqui traz-me à mente memórias vivas da minha peregrinação à Terra Santa, durante a qual me foi dado rezar ardentemente pela paz e pela justiça nessa Região. Embora os sinais de esperança não estejam totalmente ausentes, contudo a triste situação na Terra Santa constitui uma causa de sofrimento para todos.

Ninguém pode ceder à tentação de desencorajamento, nem se abandonar ao ódio e à represália. A Terra Santa tem necessidade da reconciliação: de perdão e não de vingança, de pontes e não de muros. Isto exige que todos os líderes dessa Região sigam, com a ajuda da comunidade internacional, o caminho do diálogo e da negociação, que leva para a paz duradoura.

Sobre Vossa Excelência e o seu povo, invoco cordialmente a abundância das bênçãos divinas.
DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II AO SENHOR ÁLVARO URIBE VÉLEZ PRESIDENTE DA COLÔMBIA

12 de Fevereiro de 2004

Senhor Presidente

É com prazer que o recebo nesta visita, com que Vossa Excelência me desejou homenagear, renovando-me as manifestações de afecto e de estima ao Papa, que caracterizam os colombianos.

Estou grato pela colaboração que já existe entre a Igreja e as Autoridades do seu País. A Colômbia está muito presente na minha recordação e na minha oração, mediante as quais peço que as suas populações caminhem sem desanimar rumo à paz social autêntica, rejeitando todas as formas de violência e gerando renovadas formas de convivência pelo caminho seguro e firme da justiça, promovendo profundamente em todos os quadrantes da Nação, a unidade, a fraternidade e o respeito por todos e cada um.

Chegou a hora de lançar bases sólidas para a reconstrução moral e material da vossa comunidade nacional, em vista do restabelecimento de uma sociedade justa, solidária, responsável e pacífica.

Agradeço-lhe a sua visita e renovo os meus bons votos pelo progresso espiritual e material dos colombianos, e pela sua convivência em concórdia e liberdade, enquanto invoco do Altíssimo todas as formas de bênção sobre os amadíssimos filhos e filhas da Colômbia, sobre as famílias, as comunidades eclesiais, as diferentes instituições públicas e as pessoas que as regem, confiando estes bons votos à intercessão maternal de Nossa Senhora de Chiquinquirá, Rainha da Colômbia, e concedendo-vos a Bênção apostólica a todos.
DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II NA MEMÓRIA LITÚRGICA DA BEM-AVENTURADA VIRGEM MARIA DE LOURDES E XII DIA MUNDIAL DO DOENTE

11 de Fevereiro de 2004

Caríssimos Irmãos e Irmãs

1. Uma vez mais, a Basílica de São Pedro escancarou as suas portas aos doentes: a vós, que estais aqui presentes e, idealmente, a todos os doentes do mundo. Caríssimos, saúdo-vos com grande afecto. Desde a manhã do dia de hoje, a minha oração foi dedicada de modo especial a vós, e agora estou feliz por me encontrar convosco. Juntamente convosco, saúdo também os vossos familiares, os amigos e os voluntários que vos acompanham. Saúdo os membros da UNITALSI, assim como os responsáveis e os agentes da Obra Romana de Peregrinações, que no corrente ano celebra setenta anos de vida. Saúdo e agradeço, de modo particular, o Cardeal Camillo Ruini, que presidiu à Santa Missa, os Bispos e os Sacerdotes concelebrantes, os religiosos, as religiosas e todos os fiéis aqui presentes.

2. Precisamente há vinte anos, na memória litúrgica da Bem-Aventurada Virgem de Lourdes, publiquei a Carta Apostólica Salvifici doloris, sobre o sentido cristão do sofrimento humano. Então, escolhi esta data pensando na mensagem especial que, de Lourdes, a Virgem dirigiu aos doentes e a todos as pessoas que sofrem.

Também hoje o nosso olhar volta-se para a venerada imagem de Maria, que se encontra na gruta de Massabielle. Aos seus pés, estão escritas as palavras: "Eu sou a Imaculada Conceição". Palavras que, no corrente ano, encontram uma ressonância especial aqui, na Basílica do Vaticano onde, há 150 anos, o Beato Papa Pio IX, proclamou solenemente o dogma da Imaculada Conceição de Maria. E foi precisamente da Imaculada Conceição, verdade que nos introduz no âmago do mistério da criação e da redenção, que a minha Mensagem para o hodierno Dia Mundial do Doente tirou a sua inspiração.

3. Olhando para Maria, o nosso coração abre-se para a esperança, para podermos ver as maravilhas que Deus realizou quando nos tornamos humildemente disponíveis à sua vontade. A Imaculada é um sinal grandioso da vitória da vida sobre a morte, do amor sobre o pecado, da salvação sobre todas as enfermidades do corpo e do espírito. É sinal de consolação e de esperança certa (cf. Lumen gentium, 68). Aquilo que admiramos já realizado nela é penhor de quanto Deus quer conceder a cada uma das criaturas humanas: plenitude de vida, de alegria e de paz.

A contemplação deste mistério inefável infunda conforto em vós, prezados enfermos; ilumine o vosso trabalho, estimados médicos, enfermeiros e agentes que trabalhais no campo da saúde; e contribua para as vossas preciosas actividades, dilectos voluntários que, em qualquer pessoa necessitada, sois chamados a reconhecer e a servir Jesus. Sobre todos vele a materna Virgem de Lourdes. Obrigado pelas orações e pelos sacrifícios que, generosamente, ofereceis também por mim! Garanto-vos a minha recordação constante e, com afecto, abençoo-vos todos!


DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II ÀS IRMÃS DA ORDEM DO SANTÍSSIMO SALVADOR DE SANTA BRÍGIDA NO ENCERRAMENTO DO IX CAPÍTULO GERAL

Prezadas Irmãs

1. A vossa visita hodierna é para mim motivo de grande alegria e é de bom grado que vos recebo, ao encerrardes o IX Capítulo Geral da vossa Ordem do Santíssimo Salvador de Santa Brígida. Convosco, estão aqui idealmente reunidas, em redor do Sucessor de Pedro, as vossas Irmãs que trabalham em vários países do mundo. A todas e a cada uma, transmito a minha mais cordial saudação.

De modo especial, saúdo com afecto a Abadessa-Geral, Madre Tekla Famiglietti, que foi reconfirmada para mais um período de seis anos. Enquanto lhe agradeço os sentimentos expressos no discurso que houve por bem dirigir-me, formulo-lhe, assim como ao novo Conselho geral, votos de trabalho profícuo ao serviço da benemérita Família "brigidina", que nestes anos cresceu progressivamente, enriquecendo-se com novas obras e actividades. Dou graças a Deus, juntamente convosco, por este encorajador desenvolvimento apostólico e também pelo promissor florescimento vocacional.

"Voltai às raízes... para uma renovação da vida religiosa": este é o tema sobre o qual desejastes reflectir durante a vossa assembleia capitular. Numa atmosfera de silêncio e de oração, pusestes-vos à escuta do Espírito Santo para discernir quais são as prioridades da vossa Ordem nesta nossa época. Toda a renovação autêntica exige uma recuperação sábia do espírito das origens, de maneira a traduzir o carisma de fundação em opções apostólicas que estejam em sintonia com as exigências dos tempos. Por isso, fiéis à vocação monástica peculiar que caracteriza a família brigidina, quisestes confirmar o primado absoluto que Deus tem na existência de cada uma de vós e das vossas comunidades. Sois chamadas sobretudo a ser "especialistas do espírito", ou seja, almas que ardem de amor divino, contemplativas e constantemente dedicadas à oração.

3. Somente se fordes "especialistas do espírito", como Santa Brígida, podereis encarnar fielmente nesta nossa época o carisma de radicalidade evangélica e de unidade, herdado pela Beata Isabel Hesselblad. Através da hospitalidade e do acolhimento que ofereceis nas vossas casas, podereis dar testemunho do amor misericordioso de Deus por todos os homens e da aspiração na unidade, que Cristo deixou aos seus discípulos.

Na Carta Apostólica Novo millennio ineunte , escrevi que o grandioso desafio do terceiro milénio consiste em "fazer da Igreja a casa e a escola da comunhão" e que, em vista desta finalidade, é necessário "promover uma espiritualidade da comunhão" (n. 43). Estimadas Religiosas, peço-vos que sejais em toda a parte construtoras incansáveis do "grande ecumenismo da santidade". A vossa acção ecuménica é particularmente apreciada, porque diz respeito às nações do Norte da Europa, onde é menor a presença dos católicos e é importante a promoção do diálogo com os irmãos de outras Confissões cristãs.

A Virgem Maria, Mãe de Cristo e da Igreja, vele sobre a vossa Ordem e intercedam por vós Santa Brígida e a Beata Isabel Hesselblad. Acompanho-vos com uma recordação diária diante do Senhor, enquanto de coração vos abençoo, a vós e a todas as vossas comunidades.


DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II AO VI GRUPO DE BISPOS FRANCESES DAS PROVÍNCIAS ECLESIÁSTICAS DE CLERMONT E LIÃO EM VISITA "AD LIMINA APOSTOLORUM"

Sábado, 7 de Fevereiro de 2004

Senhor Cardeal Estimados Irmãos no Episcopado

1. É com alegria que vos recebo, Bispos das províncias eclesiásticas de Lião e de Clermont, no final da vossa visita ad Limina. Trata-se sempre de um momento forte de revigoramento espiritual, graças à oração celebrada em comum junto dos túmulos dos Apóstolos Pedro e Paulo, oração que fortalece em nós a consciência do valor insubstituível do testemunho cristão, por vezes até ao martírio, e do enraizamento apostólico da nossa fé. É também um tempo de partilha fraterna e de trabalho, que permite fortalecer o nosso sentido de Igreja, graças aos encontros com o Sucessor de Pedro, garante da comunhão eclesial, e com os diferentes Dicastérios. Dou particulares boas-vindas aos novos Bispos, que são numerosos no vosso grupo, e agradeço calorosamente ao Senhor Cardeal Philippe Barbarin, Arcebispo de Lião e Primaz da Gália, que acaba, em vosso nome, de me apresentar as vossas duas regiões e algumas das vossas preocupações pastorais. Fazeis presente uma situação por vezes difícil, devido à falta de pastores e à secularização das mentalidades, quando as vossas dioceses se esforçam com coragem por preparar o futuro.

2. Hoje, desejo reflectir convosco sobre a vida da Igreja diocesana. Depois da última visita ad Limina dos Bispos da França em 1997, muitas dioceses empreenderam uma importante reflexão sobre a vida e o papel das paróquias, que se tornou necessária devido à evolução demográfica e à urbanização crescente, mas também devido à diminuição do número de sacerdotes, que se fará sentir ainda mais nos anos vindouros. Em muitas dioceses, este trabalho foi realizado no âmbito de um sínodo diocesano, noutras, foi empreendido aquele a que se chama um "procedimento sinodal", procurando em qualquer caso comprometer pastores e fiéis, a fim de avaliar juntos o que a paróquia representa para a vida da Igreja e qual será o seu futuro. Verificou-se com mais frequência, que o Bispo decidiu sucessivamente se proceder a uma reorganização pastoral de toda a diocese, quer criando novas paróquias, menos numerosas e melhor adaptadas, quer reagrupando as paróquias existentes em conjuntos mais coerentes, a fim de servir melhor as necessidades da evangelização.

3. Longe de se limitar a uma simples reforma administrativa e a uma renovada demarcação dos limites paroquiais, esta reflexão pastoral permitiu fazer um verdadeiro trabalho de formação permanente e de catequese com os fiéis, fazendo com que eles se apropriassem de modo mais consciente das riquezas que constituem a vida de uma paróquia, ou seja, as três grandes missões da Igreja: a missão profética, caracterizada pela tarefa de anunciar a todos os homens a Boa Nova da salvação, missão confiada à Igreja pelo próprio Senhor; a missão sacerdotal, que consiste em participar do único Sacerdócio de Cristo ao celebrar os mistérios divinos; e, por fim, a missão real, que se exprime no serviço a todos, à maneira do Senhor Jesus.

Desta forma, os fiéis puderam avaliar juntos o modo como a paróquia desempenhava concretamente as suas tarefas, aprendendo completamente a relacioná-las entre si e compreendendo melhor o que constitui a unidade. De facto, é fundamental para os fiéis compreender bem que a catequese das crianças, a vida de oração, o serviço aos doentes, não são actividades paralelas, confiadas a "peritos" ou a pessoas benévolas, mas correspondem a missões fundamentais da vida cristã e, por conseguinte, são um bem de todos, como a expressou tão justamente São Paulo, ao comparar a Igreja com o corpo (cf. 1 Cor 12, 12-28). Qualquer comunidade eclesial, e de modo particular a paróquia, que é a célula básica da vida da Igreja diocesana, deve anunciar o Evangelho, celebrar o culto que é devido a Deus e servir à maneira de Cristo.

É de igual modo importante fazer com que a comunidade paroquial exprima a diversidade dos membros que dela fazem parte e a variedade dos seus carismas, e que se abra à vida das associações ou dos movimentos. Então ela será uma expressão viva da comunhão eclesial, que coloque os bens de cada qual ao serviço de todos (cf. Act 4, 32) e que nunca se detenha em si mesma. De igual modo, os fiéis terão a preocupação pela comunhão na paróquia e sentir-se-ão membros quer da diocese quer da Igreja inteira (cf. Código de Direito Canónico, cân. 529 2).

4. Esta tomada de consciência da verdadeira identidade da paróquia, que não é apenas um território geográfico ou uma subdivisão administrativa, mas sim a comunidade eclesial fundamental, foi acompanhada também da parte dos fiéis por uma redescoberta da identidade própria da diocese. Ela não é unicamente uma circunscrição administrativa, mas antes de mais a manifestação de uma realidade eclesial: a Igreja diocesana, "porção do povo de Deus, confiada a um Bispo para que, com a ajuda do seu presbitério, seja o seu pastor" (cf. Christus Dominus, n. 11). A Diocese é por conseguinte uma entidade viva, uma realidade humana e espiritual, família de comunidades que são as paróquias e as outras realidades eclesiais presentes no território.

Apraz-me realçar a importância desta descoberta da Igreja na sua verdadeira natureza: ela não é uma administração nem um empreendimento, mas sim uma realidade espiritual, constituída de homens e de mulheres chamados pela graça de Deus a tornar-se filhos e filhas de Deus, que participam de uma nova fraternidade mediante o Baptismo que os incorporou em Cristo.

5. A redescoberta da natureza sacramental da Igreja, que é também "comunhão missionária" (Christifideles laici, n. 23), deve portanto exprimir-se mediante uma nova dinâmica completamente orientada para a evangelização. As vossas dioceses compreenderam isto muito bem, ao escolher como tema da sua reflexão sinodal uma perspectiva com finalidade missionária, como a reorganização pastoral da diocese, a evangelização dos jovens ou a pastoral dos sacramentos. A mobilização das energias de todos para um objectivo como este permite discernir as prioridades pastorais concretas, que em seguida são mais facilmente realizadas a nível local por todos os agentes pastorais. De igual modo, o facto de trabalhar por muito tempo juntos, sacerdotes e leigos, sobre uma questão tão decisiva como é o futuro da comunidade cristã, consente que eles se conheçam profundamente, que apreciem as implicações e as tarefas específicas uns dos outros na vida da Igreja, e de compreender melhor a comunhão eclesial que valoriza a estima e a complementaridade das diferenças, assim como o serviço comum de Cristo e dos nossos irmãos numa mesma fé.

Juntamente convosco, alegro-me pelos encontros diocesanos que pudestes realizar, sobretudo os encontros da juventude, aos quais vós dedicais, com toda a Igreja diocesana, uma atenção particular. Eles permitem compreender melhor o sentido de Igreja-comunhão, dado que se trata de pessoas provenientes de diferentes grupos, lugares e sensibilidades, que estão chamadas a reunirem-se para caminhar juntos, como diz precisamente a etimologia da palavra sínodo. Desejo ardentemente que haja uma unidade e uma coerência cada vez mais intensas à volta dos Pastores encarregados de guiar o rebanho. A respeito disto, sei que vos preocupais por acolher os grupos e os sacerdotes com sensibilidades mais tradicionais e, sem dúvida, é possível fazer ainda mais neste sentido. Compete aos membros dessas comunidades mais tradicionais abrir-se às realidades e sensibilidades das Igrejas locais, para participar cada vez mais activamente na vida diocesana, segundo o ensinamento do Concílio Vaticano II. Como todos os seus irmãos, os sacerdotes destas comunidades têm um papel pastoral específico para desempenhar junto dos fiéis, manifestando concretamente a sua comunhão filial com o Bispo, e também com a Igreja universal, e tornando-se disponíveis às chamadas para a missão.

Para ser fiel ao sentido da missão, que constitui uma necessidade vital para a Igreja e para a expressão da "sua identidade mais profunda" (cf. Paulo VI, Evangelii nuntiandi, n. 14), sem dúvida, não podemos contentar-nos com remodelar os instrumentos das nossas Igrejas mediante uma simples adaptação da dimensão territorial das paróquias. Convém, de igual modo, abrir-se a outras dimensões, dedicando maior atenção aos novos fenómenos sociais e a todos os "areópagos modernos" (Redemptoris missio, 37). Para obter melhor esta finalidade, algumas dioceses decidiram pôr em comum as suas forças apostólicas, pondo ao serviço das dioceses mais desprovidas sacerdotes disponíveis para a missão. Congratulo-me com esta iniciativa e faço votos por que ela possa ser realizada noutras partes, eventualmente sob outras formas, e talvez no âmbito das novas províncias, nas quais as desigualdades de meios são evidentes e correm o risco de penalizar algumas dioceses. Possam todos os sacerdotes, aos quais são feitos pedidos como estes, dar a sua disponibilidade!

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