Mensagem de condolências pelas vítimas do terremoto em são juliano de apúlia



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Queridos estudantes, na Universidade vós não sois apenas destinatários de serviços, mas os verdadeiros protagonistas das actividades que nela se desenvolvem. Não é ocasional que o período dos estudos universitários constitua uma fase fundamental da vossa existência, durante a qual vos preparais para assumir a responsabilidade de opções decisivas que orientarão todo o vosso futuro. Por este motivo é necessário que enfrenteis o percurso universitário em atitude de pesquisa das justas respostas às questões fundamentais sobre o significado da vida, da felicidade da plena realização do homem, da beleza como esplendor da verdade.

Felizmente hoje diminuiu muito a influência das ideologias e das utopias fomentadas por aquele ateísmo messiânico que tanto incidiu no passado em muitos ambientes universitários. Contudo, não faltam novas correntes de pensamento que reduzem a razão ao unicamente ao horizonte da ciência experimental e, por conseguinte, dos conhecimentos técnicos e instrumentais , para a encerrar por vezes numa visão céptica e niilista. Além de serem inúteis, estas tentativas de evitar a questão do sentido profundo da existência podem tornar-se também perigosas.

3. Mediante o dom da fé encontramos Aquele que se apresenta com estas palavras surpreendentes "Eu sou a verdade" (Jo 14, 6). Jesus é a verdade da criação e da história, o sentido e o destino da existência humana, o fundamento de qualquer realidade! A vós, que acolhestes esta Verdade como vocação e certeza da vossa vida, compete demonstrar a racionalidade também no ambiente e no trabalho universitário. Então, impõe-se a pergunta quanto incide a verdade de Cristo no vosso estudo, na pesquisa, no conhecimento da realidade, na formação integral da pessoa? Pode acontecer, mesmo entre os que se professam cristãos, que alguns nas Universidades se comportem realmente como se Deus não existisse. O cristianismo não é uma simples preferência religiosa subjectiva, em última análise irracional, limitada ao âmbito privado. Como cristãos, temos o dever de testemunhar quanto afirma o Concílio Vaticano II na Gaudium et spes "a fé ilumina todas as coisas com uma luz nova e faz-nos conhecer a vontade divina sobre a vocação integral do homem, orientando assim o espírito para soluções plenamente humanas" (n. 11). Devemos demonstrar que fé e razão não são inconciliáveis, aliás, "a fé e a razão são como as duas asas com as quais o espírito humano se eleva para a contemplação da verdade" (cf. Fides et ratio , Intr.).

4. Jovens amigos! Vós sois os discípulos e as testemunhas de Cristo na Universidade. Por conseguinte, o tempo universitário seja para todos vós, um tempo de grande maturação espiritual e intelectual, que vos leve a aprofundar a vossa relação pessoal com Cristo. Mas se a vossa fé está relacionada simplesmente com fragmentos de tradição, de bons sentimentos ou de uma genérica ideologia religiosa, certamente não estareis em condições de enfrentar o impacto ambiental. Procurai, pois, permanecer firmes na vossa identidade cristã e radicados na comunhão eclesial. Alimentai-vos por isso com a oração assídua. Escolhei, sempre que seja possível, bons mestres universitários. Não permaneçais isolados em ambientes que muitas vezes são difíceis, mas participai activamente na vida das associações, dos movimentos e das comunidades eclesiais que trabalham no âmbito universitário. Aproximai-vos das paróquias universitárias e deixai-vos ajudar pelas capelanias. É preciso ser construtores da Igreja na Universidade, isto é, de uma comunidade visível que crê, reza, que diz a razão da esperança e que acolhe na caridade qualquer vestígio de bem, de verdade e de beleza da vida universitária. Tudo isto não só dentro do "campus" universitário, mas onde quer que vivam e se encontrem os estudantes. Tenho a certeza de que os Pastores não deixarão de reservar um cuidado especial aos ambientes universitários e destinarão a esta missão sacerdotes santos e competentes.

5. Queridos participantes no VIII Foro Internacional dos Jovens, estou feliz por saber que estareis na Praça de São Pedro, quinta-feira próxima, no encontro com os jovens da diocese de Roma e domingo na Missa de Ramos, quando celebraremos juntos a XIX Jornada Mundial da Juventude sobre o tema "Queremos ver Jesus" (Jo 12, 21). Será a última etapa de preparação espiritual para o grande encontro de Colónia em 2005. Não é suficiente "falar" de Jesus aos jovens universitários é preciso também "mostrar-lho" através do testemunho eloquente da vida (cf. Novo millennio ineunte , 16). Faço votos por que este encontro em Roma contribua para fortalecer o vosso amor pela Igreja universal e o vosso compromisso ao serviço do mundo universitário. Conto com cada um e cada uma de vós para transmitir às vossas Igrejas locais e aos vossos grupos eclesiais a riqueza dos dons que nestes dias intensos estais a receber.

Ao invocar a protecção da Virgem Maria, Sede da Sabedoria, para o vosso caminho, concedo de coração uma especial Bênção Apostólica a vós e a quantos, juntamente convosco estudantes, reitores, professores, capelães e pessoal administrativo compõem a grande "comunidade universitária".

Vaticano, 25 de Março de 2004.


SAUDAÇÃO DO PAPA JOÃO PAULO II AO COMITÉ "AMERICAN JEWISH JOINT DISTRIBUTION"

Segunda-feira, 29 de Março de 2004

Distintos hóspedes

É para mim um grande prazer receber-vos, Presidente e Membros do Comité "American Jewish Joint Distribution". A vossa visita é mais um sinal dos vínculos de amizade entre o povo hebreu e a Igreja Católica, vínculos que desejamos se tornem cada vez mais fortes.

Deus criou o homem à sua imagem e dotou os seres humanos da capacidade de amar. É através do amor que realizamos o nosso destino de agir à semelhança de Deus. Deriva disto o nosso dever de nos servirmos uns dos outros de acordo com o mandamento que se encontra no Livro do Levítico: "amarás o teu próximo como a ti mesmo. Eu sou o Senhor" (19, 18). Somos chamados de modo particular a servir todos aqueles que precisam da nossa ajuda para viver na segurança, na justiça e na liberdade.

Encorajo com prazer a actividade do vosso Comité Conjunto. Deus abençoe os vossos esforços e vos conceda o bom êxito de ajudar todos os que tiverem necessidade.


DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II AOS PARTICIPANTES DO CURSO PROMOVIDO PELO TRIBUNAL DA PENITENCIARIA APOSTÓLICA

Sábado, 27 de Março de 2004

Senhor Cardeal Venerados Irmãos no Sacerdócio Caríssimos Jovens!

1. Estou feliz por acolher todos os participantes no Curso sobre o Foro íntimo, neste tempo santo da Quaresma, caminho da Igreja para a Páscoa no seguimento de Jesus Cristo. O Curso, promovido todos os anos pelo Tribunal da Penitenciaria Apostólica, é seguido com particular interesse não só pelos sacerdotes e confessores, mas também por seminaristas que pretendem preparar-se e exercer com generosidade e solicitude o ministério da Reconciliação, tão essencial para a vida da Igreja.

Antes de mais, saúdo o Senhor Cardeal James Francis Stafford que, como Penitenciário-Mor, acompanha pela primeira vez este distinto grupo de mestres e alunos, juntamente com os Oficiais do mesmo Tribunal. Vejo com alegria que estão presentes também os beneméritos Religiosos de várias Ordens dedicados ao ministério da Penitência nas Basílicas patriarcais de Roma, em benefício dos fiéis da Urbe e do Orbe. Saúdo todos com afecto.

2. Há trinta anos entrava em vigor na Itália o novo Rito da Penitência, promulgado alguns meses antes pela Congregação para o Culto Divino. Parece-me justo recordar esta data que colocou nas mãos dos sacerdotes e dos fiéis um precioso instrumento de renovação da Confissão sacramental, tanto nos preâmbulos doutrinais quanto nas indicações para uma digna celebração litúrgica. Gostaria de chamar a atenção para a ampla seara de textos da Sagrada Escritura e de orações, que o novo Rito apresenta, a fim de dar ao momento sacramental toda a beleza e a dignidade de uma confissão de fé e de louvor na presença de Deus.

Além disso, merece ser realçada a novidade da fórmula da absolvição sacramental, que esclarece a dimensão trinitária deste sacramento: a misericórdia do Pai, o mistério pascal da morte e da ressurreição do Filho, a efusão do Espírito Santo.

3. Com o novo Rito da Penitência, tão rico de sugestões bíblicas, teológicas e litúrgicas, a Igreja colocou nas nossas mãos uma ajuda oportuna para viver o Sacramento do perdão à luz de Cristo ressuscitado. No próprio dia da Páscoa, como recorda o evangelista, Jesus entrou no Cenáculo, estando as portas fechadas, soprou sobre os discípulos e disse: "Recebei o Espírito Santo. Os pecados daqueles que perdoardes, serão perdoados. Os pecados daqueles que não perdoardes, não serão perdoados" (Jo 20, 22-23). Jesus comunica o seu Espírito, que é a "remissão de todos os pecados", como está escrito no Missal Romano (cf. sábado da VII semana da Páscoa, oração sobre as ofertas), a fim de que o penitente obtenha, pelo ministério dos presbíteros, a reconciliação e a paz.

Não só a remissão dos pecados, necessária para quem pecou, é fruto deste sacramento. Ele "leva a uma verdadeira "ressurreição espiritual", à restituição da dignidade e dos bens próprios da vida dos filhos de Deus, o mais precioso dos quais é a amizade do mesmo Deus" (Catecismo da Igreja Católica, 1468). Seria ilusório querer alcançar a santidade, segundo a vocação que cada um recebeu de Deus, sem se aproximar com frequência e fervor deste sacramento da conversão e da santificação.

O horizonte da chamada universal à santidade, que propus como caminho pastoral da Igreja no início do terceiro milénio (cf. Novo millennio ineunte, 30) tem no Sacramento da reconciliação uma premissa decisiva (cf. Ibid., 37). De facto, é o sacramento do perdão e da graça, do encontro que regenera e santifica, o sacramento que, juntamente com a Eucaristia, acompanha o caminho do cristão para a perfeição.

4. Pela sua natureza, ele exige uma purificação, tanto nos actos do penitente, que esvazia a sua consciência devido à profunda necessidade de ser perdoado e regenerado, quanto na efusão da graça sacramental que purifica e renova. Nunca seremos suficientemente santos a ponto de não precisar desta purificação sacramental: a confissão humilde, feita com amor, suscita uma pureza cada vez mais delicada no serviço de Deus e nas motivações que o sustentam.

A Penitência é sacramento de iluminação. A palavra de Deus, a graça sacramental, as exortações do confessor cheias do Espírito Santo, verdadeiro "guia espiritual", a humilde reflexão do penitente iluminam a sua consciência, fazem-lhe entender o mal que cometeu e dispõem-no a empenhar-se novamente no bem. Quem se confessa com frequência, e o faz com o desejo de progredir, sabe que recebe no sacramento, com o perdão de Deus e a graça do Espírito, uma luz preciosa para o seu caminho de perfeição.

Enfim, o Sacramento da penitência realiza um encontro unificador com Cristo. Progressivamente, de Confissão em Confissão, o fiel experimenta uma comunhão cada vez mais profunda com o Senhor misericordioso, até à plena identificação com Ele, que se tem naquela perfeita "vida em Cristo", na qual consiste a verdadeira santidade.

Visto o encontro com Deus Pai por Cristo no Espírito, o Sacramento da penitência revela assim não só a sua beleza, mas também a oportunidade da sua celebração assídua e fervorosa. Isso é um dom para nós, sacerdotes, que apesar de sermos chamados a exercer o ministério sacramental, temos também as nossas faltas, que nos devem ser perdoadas. A alegria de perdoar e de ser perdoado caminham paralelamente.

5. Exercer com bondade, sabedoria e coragem este ministério é a grande responsabilidade de todos os confessores. A sua tarefa é tornar amável e desejável este encontro, que purifica e renova o caminho para a perfeição cristã e a peregrinação para a Pátria.

Enquanto faço a todos vós, queridos confessores, os votos para que a graça do Senhor vos torne dignos ministros da "palavra da reconciliação" (cf. 2 Cor 5, 19), confio o vosso precioso serviço à Virgem Mãe de Deus e nossa Mãe, que a Igreja neste tempo de Quaresma invoca, numa das Missas a ela dedicada, como "Mãe da Reconciliação".

Com estes sentimentos, concedo a todos com afecto a minha Bênção.


DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II AOS BISPOS DA AUSTRÁLIA EM VISITA "AD LIMINA" APOSTOLORUM

26 de Março de 2004

Eminência Caros irmãos no Episcopado

1. "Graça, misericórdia e paz da parte de Deus Pai e de Cristo Jesus, Nosso Senhor" (1 Tm 1, 2). Com afecto fraterno dou-vos calorosas boas-vindas a vós, Bispos da Austrália. Agradeço ao Arcebispo Carroll pelos bons votos e gentis sentimentos expressos em vosso nome. Retribuo-os cordialmente e asseguro-vos as minhas orações por vós e por quantos estão confiados ao vosso cuidado pastoral. A vossa primeira visita ad Limina Apostolorum neste novo milénio é uma oportunidade para agradecer a Deus pelo imenso dom da fé em Jesus Cristo que foi acolhido de bom grado e preciosamente conservado pelos povos do vosso país (cf. Ecclesia in Oceania, 1). Como servidores do Evangelho para a esperança do mundo, a vossa vinda para ver Pedro (cf. Gl 1, 18) afirma e consolida aquela colegialidade que dá vida à unidade na diversidade e salvaguarda a integridade da tradição transmitida pelos Apóstolos (cf. Pastores gregis, 57).

2. O convite de Nosso Senhor "vem e segue-me" (Mt 4, 19) é tão válido hoje como foi nas margens do mar da Galileia há mais de dois mil anos. A alegria e a esperança do discipulado cristão marcam a vida de inúmeros padres australianos, religiosos, homens e mulheres de fé que juntos procuram responder ao chamado de Cristo e trazem sua verdade para ser exercida na vida eclesial e cívica da vossa nação. Não obstante isso, perniciosas ideologias de secularismo encontraram terreno fértil na Austrália. Na raíz desse desenvolvimento preocupante, há a tentação de promover uma visão da humanidade sem Deus. Isso aumenta o individualismo, rompe o vínculo essencial entre a liberdade e a verdade e corrompe o relacionamento que caracteriza a vida social genuína. Os vossos relatórios descrevem algumas das consequências destrutivas desta eclipse do sentido de Deus: o enfraquecimento da vida familiar; o afastamento da Igreja; uma limitada visão de vida que não consegue despertar nas pessoas a chamada sublime a "voltar-se também para uma realidade que o transcende" (Fides et ratio, 5).

Diante destes desafios, quando os ventos nos são contrários (cf. Mt 6, 48), diz o próprio Senhor: "Coragem, sou eu, não temais" (Mc 6, 50). Permanecendo firmes na esperança também vós podeis afastar a apreensão e o medo. Sobretudo numa cultura do "aqui e agora" os Bispos devem distinguir-se como impávidos profetas, testemunhas e servos da esperança de Cristo (cf. Pastores gregis , 3). Ao proclamar esta esperança que emana da Cruz, estou confiante de que guiareis os homens e as mulheres das sombras da confusão moral e do modo de pensar ambíguo para o fulgor da verdade e do amor de Cristo. De facto, somente compreendendo a destinação final da humanidade, ou seja, a vida eterna no Céu, é possível explicar a multiplicidade das alegrias e dos desprazeres quotidianos, consentindo às pessoas de abraçar o mistério de sua vida com confiança (cf. Fides et ratio, 81).

3. O testemunho da Igreja a respeito da fé que ela detém (cf. 1 Pd 3, 15) é particularmente poderoso quando se reúne para o culto. A Missa dominical, dada a sua especial solenidade e a presença obrigatória dos fiéis, e porque vem celebrada no dia em que Cristo venceu a morte, expressa com grande ênfase a dimensão eclesial inerente à Eucaristia: o mistério da Igreja torna-se presente de modo muito tangível (cf. Dies Domini , 34). Consequentemente, o domingo é o "dia supremo da fé", "um dia indispensável", "o dia da esperança cristã!".

Qualquer enfraquecimento na observância dominical da Santa Missa, enfraquece o discipulado cristão e ofusca a luz do testemunho da presença de Cristo no nosso mundo. Quando o domingo perde o seu significado fundamental e se torna subordinado a um conceito secular de "fim de semana" dominado por coisas como o entretenimento e o desporto, as pessoas permanecem fechadas num horizonte tão limitado que não conseguem mais ver o céu (cf. Dies Domini , 4). Em vez de ser verdadeiramente satisfeita ou animada permanece aprisionada em considerações sem sentido do novo e privada do vigor perene da "água viva" (Jo 4, 11) de Cristo. É evidente que a secularização do dia do Senhor compreensivelmente vos causa muita preocupação; porém, podeis obter conforto da fidelidade do próprio Senhor, que continua a convidar o seu povo com um amor que desafia e convoca (cf. Ecclesia in Oceania , 3). Exortando os caros fiéis na Austrália e de modo especial os jovens a permanecerem fiéis à celebração da Missa dominical, faço minhas as palavras da Carta aos Hebreus: "Sem esmorecer, continuemos a afirmar a nossa esperança (...) não deixando as nossas reuniões (...) mas animando-nos uns aos outros" (Hb 10, 23-25).

A vós, como Bispos, sugiro, enquanto moderadores da liturgia, que deis a prioridade pastoral a programas catequéticos que ensinem aos fiéis o verdadeiro significado do domingo e lhes inspirem a observá-lo plenamente. Para tal fim, reitero a leitura da minha Carta Apostólica Dies Domini . Ela delineia o carácter peregrino e escatológico do Povo de Deus que hoje pode ser tão facilmente esmaecido por uma compreensão sociológica superficial da comunidade. Memorial de um evento passado e celebração da presença viva do Senhor Ressuscitado em meio do seu povo, o domingo olha também para a glória futura da Sua nova vinda e para a plenitude da esperança e da alegria cristã.

4. Intimamente ligada à liturgia está a missão da Igreja de evangelizar. Enquanto a renovação litúrgica, ardentemente desejada pelo Concílio Vaticano II, levou justamente a uma participação mais ativa e consciente dos fiéis em suas próprias tarefas, este envolvimento não deve tornar-se um fim em si mesmo. "A finalidade que tem o estar com Jesus, é partir de Jesus, sempre contando com o seu poder e a sua graça" (Ecclesia in Oceania , 3). É precisamente esta dinâmica que vem articulada pela oração depois da comunhão e pelo rito conclusivo da Missa (cf. Dies Domini, 45). Mandados pelo mesmo Senhor para a vinha a própria casa, o lugar de trabalho, a escola, as organizações cívicas os discípulos de Cristo não podem estar "numa praça desocupados" (Mt 20, 3), nem podem estar tão profundamente imersos na organização interna da vida paroquial a ponto de serem desobrigados do mandamento de evangelizar os outros de modo activo (cf. Christifideles laici, 2). Renovados pela força do Senhor Ressuscitado e pelo seu Espírito, os seguidores de Cristo devem retornar para a sua "vinha" ardentes do desejo de "falar" de Cristo e de "mostrá-lo" ao mundo (cf. Novo Millennio ineunte, 16).

5. A communio existente entre o Bispo e os seus sacerdotes exige que o bem-estar do presbitério esteja no coração de cada Bispo. O relatório conclusivo de 1998 (Encontro interdicasterial com uma representação de bispos australianos), considerou, com razão, a grande dedicação dos sacerdotes que servem a Igreja na Austrália (cf. n. 19). Expressando a minha satisfação pelo seu trabalho incansável e gratuito, encorajo-vos a ouvir sempre os vossos presbíteros como um pai ouviria o próprio filho. Num contexto secular como o vosso, é particularmente importante que ajudeis os vossos sacerdotes a compreender que a identidade espiritual deles deve caracterizar de modo consciente toda a sua actividade pastoral. O sacerdote jamais é um administrador ou um simples defensor de um particular ponto de vista. Imitando o Bom Pastor, ele é um discípulo que procura transceder os próprios limites pessoais e alegrar-se por uma vida de intimidade com Cristo. Um relacionamento de profunda comunhão e de amizade com Cristo, no qual o sacerdote habitualmente fala "de coração para o coração com nosso Senhor" (Instrução O presbítero, Pastor e guia da comunidade paroquial, n. 27), alimentará a sua busca da santidade enriquecendo não apenas a sua pessoa, mas igualmente toda a comunidade a quem serve.

É abraçando a vocação universal à santidade (cf. 1 Ts 4, 3) que se encontra a particular vocação à qual Deus chama cada pessoa. Neste sentido, estou certo de que as vossas iniciativas em promover uma cultura da vocação e para apreciar os diversos estados da vida eclesial que existem para que o mundo creia (Jo 17, 21) darão fruto. Quanto aos jovens que respondem generosamente ao chamado de Deus ao sacerdócio, mais uma vez insisto que eles devem receber toda a vossa ajuda enquanto buscam uma vida de simplicidade, de castidade e de serviço humilde na imitação de Cristo, o Eterno Sumo Sacerdote, do qual devem tornar-se ícones vivos (cf. Pastores dabo vobis, 33).

6. O contributo dos homens e das mulheres consagrados para a missão da Igreja e para a construção da sociedade civil teve um valor incomensurável na vossa Nação. Inumeráveis australianos beneficiaram da dedicação altruista dos religiosos no campo do ministério pastoral e da orientação espiritual, assim como no da educação, do trabalho social e médico e do cuidado aos idosos. Os vossos relatórios testemunham a vossa admiração por estes homens e por estas mulheres, cujo "dom de si por amor do Senhor Jesus e, n'Ele, por amor de cada membro da família humana" (Vita consecrata , n. 3) enriquece muito a vida das vossas Dioceses.

Esta profunda simpatia pela vida consagrada é do mesmo modo acompanhada pela vossa preocupação pela diminuição do número das vocações religiosas no vosso País. É preciso uma renovada clareza para articular a particular contribuição dos religiosos na vida da Igreja: uma missão para tornar presente entre os homens o amor de Cristo (cf. Instrução Recomeçar por Cristo: um renovado esforço da vida consagrada no terceiro milénio, n. 5). Esta clareza suscitará um novo kairós, com os religiosos que confirmam novamente com confiança a sua vocação e, sob a orientação do Espírito Santo, propõem de novo aos jovens o ideal da consagração e da missão. Os conselhos evangélicos da castidade, da pobreza e da obediência, abraçados por amor a Deus, iluminam de modo esplêndido a fidelidade, a posse de si e a liberdade autêntica necessárias para viver a plenitude da vida a que são chamados todos os homens e mulheres. Com estes sentimentos, mais uma vez, asseguro aos sacerdotes religiosos, aos irmãos e irmãs o testemunho vital que oferecem seguindo de modo radical as pegadas de Cristo.

7. Queridos Irmãos, estou feliz em reconhecer os vossos firmes esforços em sustentar a unidade do matrimónio como pacto para toda a vida, fundado no generoso dom recíproco e no amor incondicional. O ensinamento da Igreja sobre o matrimónio e sobre a estabilidade da vida familiar oferece uma verdade salvífica para as pessoas e um sólido fundamento no qual ancorar as aspirações da vossa Nação. Explicar de modo incisivo e fiel a doutrina cristã sobre o matrimónio e sobre a família é muito importante a fim de contrastar a visão secular, pragmática e individualista que ganhou terreno no ambiente da legislação e até mesmo uma certa aceitação na opinião pública (cf. Ecclesia in Oceania, 45). Particularmente preocupante é a tendência em equiparar o matrimónio com outras formas de convivência. Isto ofusca a natureza mesma do matrimónio e viola o seu fim sagrado no desígnio de Deus para os homens (cf. Familiaris consortio , 3).

Fazer crescer as famílias segundo o esplendor da verdade de Cristo significa participar da obra da criação de Deus. Está no centro da chamada para promover uma civilização do amor. O profundo amor das mães e dos pais pelos seus filhos é também o da Igreja, assim como a dor experimentada pelos pais quando os seus filhos caem vítimas de forças e de tendências que os afastam do caminho da verdade, deixando-os desorientados e confundidos. Os Bispos devem continuar a sustentar os pais que, não obstante as dificuldades sociais muitas vezes desconcertantes estão numa posição tal que exercem uma grande influência e oferecem horizontes mais amplos de esperança (cf. Pastores gregis, 51). É tarefa particular do Bispo assegurar que na sociedade civil incluindo os meios de comunicação social e os sectores da indústria de entretenimento sejam sustentados e defendidos os valores do matrimónio e da vida familiar (cf. Ibidem, n. 52).

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