Mensagem de condolências pelas vítimas do terremoto em são juliano de apúlia



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3. Apraz-me saber que as Autoridades do seu país têm o propósito firme de lançar fundamentos sólidos que hão-de permitir a instauração de uma ordem social mais justa e participativa, revigorando a democracia e as estruturas públicas, e também promovendo um sistema educativo que favoreça o sentido cívico dos cidadãos e o respeito da legalidade. Para construir uma sociedade mais justa e fraterna, serão úteis as orientações da doutrina social católica e os ensinamentos morais da Igreja, valores dignos de ser tomados em consideração pelas pessoas que desempenham as suas actividades ao serviço da nação. Não se pode caminhar rumo a uma paz social verdadeira, sem uma ordem em que as liberdades dos indivíduos sejam cada vez mais sólidas e, ao mesmo tempo, sem estimular também a confiança dos cidadãos nas instituições públicas, em vista de uma colaboração mais activa e de uma participação responsável de todos em benefício do bem comum.

4. Os Bispos, juntamente com o seu presbitério e as diferentes comunidades religiosas presentes na Nicarágua, desempenham a sua missão de evangelização e santificação, que é própria do seu ministério. Neste sentido, as Autoridades do seu país podem continuar a contar com a colaboração leal dos Pastores da Igreja e de todos os fiéis católicos, nos campos específicos da sua actividade, para que seja mais viva em cada um a responsabilidade em vista de tornar mais favoráveis as condições de vida para todos (cf. Gaudium et spes, 57), pois o serviço integral ao homem faz também parte da missão eclesial. A Igreja local procura fomentar a reconciliação e favorecer o desenvolvimento de uma sociedade mais democrática, oferecendo a sua colaboração para que os valores como a justiça e a solidariedade, o respeito pelo Direito e o Amor pela verdade estejam sempre presentes na vida dos nicaraguenses.

5. Senhor Embaixador, antes de concluir este acto, desejo formular-lhe os meus melhores votos para que seja muito fecunda a missão a que hoje Vossa Excelência dá início. Peço-lhe que se faça intérprete dos meus sentimentos e esperanças diante do Senhor Presidente e das demais Autoridades da República, enquanto invoco as abundantes Bênçãos do Altíssimo sobre Vossa Excelência, a sua ilustre família e os seus colaboradores, assim como sobre todos os filhos da nobre nação nicaraguense, que confio à constante intercessão maternal da Virgem Maria, tão venerada na sua defesa da Puríssima Conceição.
DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II AO GRUPO DE BISPOS DA CONFERÊNCIA EPISCOPAL DOS PAÍSES BAIXOS EM VISITA "AD LIMINA APOSTOLORUM"

Sexta-feira, 12 de Março de 2004

Senhor Cardeal Queridos Irmãos no Episcopado!

1. Sinto-me feliz em vos receber, Bispos dos Países Baixos, que viestes a Roma como peregrinos aos túmulos dos Apóstolos Pedro e Paulo, para viver uma bonita experiência de comunhão fraterna com o Sucessor de Pedro e entre vós. Faço votos por que esta visita constitua para vós o apoio e a ocasião para um dinamismo renovado, para que desempenheis sempre com coragem e confiança o cargo do ministério apostólico nas vossas dioceses. Agradeço ao Senhor Cardeal Simonis as suas palavras, mediante as quais me expressou as vossas preocupações de pastores e as vossas esperanças para o futuro.

2. Como é evidenciado nos vossos relatórios quinquenais, o vosso país conhece desde há trinta anos um fenómeno intenso de secularização, que atingiu plenamente a Igreja católica e que infelizmente continua a marcar a sociedade holandesa, "a tal ponto que a referência evangélica parece desaparecer de certas opções e orientações dos indivíduos e da vida pública, sobretudo no âmbito ético" (Mensagem para o 150° aniversário do restabelecimento da hierarquia episcopal nos Países Baixos, n. 2). Ao mesmo tempo, as vossas dioceses e comunidades cristãs que as constituem enfrentaram uma debilitação notável e contínua, que diz respeito ao número dos fiéis e dos Pastores, e que representa para vós objecto de grave preocupação. Em 1980 eu convoquei em Roma um Sínodo especial dos Bispos dos Países Baixos para manifestar a minha solicitude pela vossa Igreja e para fortalecer nela os vínculos "da comunhão da Igreja; comunhão, ao mesmo tempo, local e universal" (Homilia da Missa conclusiva, n. 3). Face às persistentes dificuldades, antigas e novas, poderíamos ser tentados pelo desencorajamento ou por um fechamento, como fizeram também os discípulos (cf. Lc 24, 17-21). Como recordei recentemente, (cf. Pastores dabo vobis, n. 26), é a palavra de Cristo ressuscitado que nos indica da maneira mais clara o caminho a seguir: "Ide por todo o mundo e anunciai a Boa Nova" (Mt 16, 15). De facto, "a Boa Nova da esperança, entregue à Igreja e por ela assimilada, pede para ser anunciada e testemunhada todos os dias. Eis a vocação própria da Igreja em todos os tempos e em todos os lugares" (Ecclesia in Europa, n. 45).

3. A necessidade de anunciar a Boa Nova do amor de Cristo é particularmente evidente entre os jovens, que já não são orientados por pontos de referência válidos, e que vivem numa sociedade que se caracteriza cada vez mais pelo relativismo moral e pelo pluralismo religioso. É necessário que, juntamente com as famílias, as paróquias e as escolas católicas garantam, por seu lado, a transmissão da herança cristã, não só oferecendo às crianças e aos jovens os conhecimentos necessários para assimilar e compreender a doutrina católica, mas proporcionando-lhes também, através do testemunho quotidiano, o exemplo de uma vida cristã exigente, alimentada pelo amor de Deus e do próximo. Nesta perspectiva, convido a instrução católica a conservar e a fortalecer a sua própria identidade, harmonizando-a com as exigências sempre novas da educação no seio de uma sociedade pluralista, no respeito do próximo, mas sem renunciar ao que constitui a sua riqueza original. Faz parte da vossa responsabilidade de Pastores fazer com que isto se realize, encorajando todos os professores a trabalhar neste sentido.

4. Ser testemunhas de Cristo com as palavras e as acções é uma responsabilidade partilhada por todos os baptizados e que requer diversas condições. Como se pode oferecer aquilo que não se possui? Como se pode falar de Cristo e suscitar a vontade de o conhecer se não somos, primeiro, seus discípulos? Para anunciar o Evangelho temos todos necessidade de voltar a partir de Cristo (cf. Novo millennio ineunte), e haurir a nossa força apostólica da fonte de água viva, que é Ele. Sinto-me feliz por tomar conhecimento de que as vossas comunidades paroquiais redescobrem a Eucaristia dominical como fundamento e centro da sua vida cristã. Curando a beleza da celebração litúrgica e preocupando-se por respeitar fielmente as normas litúrgicas estabelecidas pela Igreja, elas acolhem os ensinamentos da palavra transmitida e realizada pelos Pastores da Igreja, e alimentam-se e nutrem-se com o Pão da Vida. Como recordei a toda a Igreja, ""o Sacrifício Eucarístico, mesmo sendo sempre celebrado numa comunidade particular, nunca é celebração apenas daquela comunidade" (...). Disto deriva que uma comunidade verdadeiramente eucarística não pode fechar-se em si mesma, como se fosse auto-suficiente, mas deve manter-se em sintonia com todas as outras comunidades católicas. A comunhão eclesial da assembleia eucarística é comunhão com o próprio Bispo e com o Romano Pontífice" (Ecclesia de Eucharistia, 39).

5. A fim de predispor melhor a Igreja que está nos Países Baixos às necessidades da missão, destes início com coragem à adaptação das instituições eclesiais, sobretudo reorganizando os serviços da vossa Conferência Episcopal e reagrupando nas vossas Dioceses as paróquias em unidades mais coerentes. Vigiai para que esta actualização não se limite apenas a uma restruturação formal, mas constitua também a ocasião para uma redescoberta do papel fundamental da paróquia e da missão própria dos fiéis que a compõem, para um melhor envolvimento de todos, em vista do anúncio do Evangelho. Convido-vos a propor aos fiéis leigos meios para alimentar a sua fé, através de uma vida sacramental forte, da leitura frequente da Palavra de Deus e do aprofundamento dos ensinamentos que o Magistério oferece a todos. Estou consciente de que muitos fiéis estão comprometidos como voluntários no serviço da comunidade cristã, na catequese e no cuidado pastoral dos jovens, nos serviços aos doentes. Muitos deles desempenham por um determinado período de tempo uma missão que lhes é confiada pelo Bispo, trabalhando ao lado dos sacerdotes e dos diáconos. A Igreja apraz-se por isto, porque precisa da colaboração de todos para desempenhar a sua missão. Como Bispos, sabei chamar e formar autênticos responsáveis e demonstrar-lhes o vosso apoio, sobretudo propondo-lhes uma formação e um acompanhamento espirituais adequados. Possam estas pessoas sentir-se enviadas e apoiadas pela Igreja diocesana, respeitando as diferenças e a necessária complementaridade dos papéis na comunidade cristã, da qual o sacerdote é pastor (cf. 1 Cor 12, 12-30)! Em muitas das vossas paróquias, hoje, as assembleias assumiram um rosto mais cosmopolita graças à presença dos fiéis imigrados. Encorajo-vos a acolhê-los como irmãos, para que contribuam com a sua pedra para a construção da casa comum, pondo o seu dinamismo ao serviço de todos, e para que este intercâmbio de dons, que é sempre uma riqueza para a Igreja, reavive em todos a consciência da fraternidade cristã.

6. Preocupai-vos por dar às vossas comunidades os sacerdotes de que têm necessidade, apesar da crise das vocações que continua a atingir gravemente o vosso País. Para esta finalidade fizestes esforços notáveis para promover uma pastoral vocacional mais vigorosa nas vossas Dioceses, e para oferecer aos futuros pastores uma formação humana, teológica, espiritual e pastoral de qualidade. Não poupeis esforços neste âmbito, mesmo se os investimentos feitos nas pessoas vos podem parecer muito dispendiosos num tempo em que os sacerdotes são tão necessários. Sem dúvida, o que vós preparais é o futuro da Igreja, e isto constitui uma missão absolutamente prioritária. Algumas dioceses servem-se da presença de jovens sacerdotes que vêm de outras Igrejas locais, e até de outros continentes, para realizar os seus estudos, e sentem-se felizes desta colaboração pastoral e deste "intercâmbio de dons". Mesmo se é legítimo apreciar estas partilhas, sabemos bem que cada uma das Igrejas se deve comprometer a suscitar vocações, para dar a si mesma os meios para a própria vida em Jesus Cristo, fazendo frutificar os dons que recebeu. Conto em primeiro lugar com os jovens do vosso País, para que sintam, como Pedro, a chamada do Senhor: "Não tenhas receio, de agora em diante serás pescador de homens" (Lc 5, 10), e para que respondam com generosidade. Convido também as famílias a serem lugares de fé e centros de vocações, sem recear transmitir aos jovens a chamada do Senhor.

Os jovens sacerdotes são pouco numerosos nas vossas Dioceses, e com frequência são chamados a desempenhar muito cedo responsabilidades pastorais numerosas e importantes. Devem ser acompanhados no seu ministério, sobretudo através de programas de formação permanente, e devem poder contar com o seu Bispo como com um Pai (cf. Pastores dabo vobis, n. 47), esperando também um apoio por parte da comunidade cristã que os recebe, sobretudo na colaboração com os seus irmãos e irmãs leigos comprometidos. Todos se recordem que a missão, qualquer que seja, é antes de mais um serviço a Cristo e à sua Igreja! Por conseguinte, é no amor do Senhor, que nunca abandona os seus (cf. Is 49, 15) e que os convida a permanecer com ele (cf. Mc 3, 14), que eles encontrarão a força e a alegria do seu apostolado. Proporcionai-lhes os meios para esta amizade com Cristo através dos tempos de retiro, para que possam ler de novo a sua vida diante de Deus e dar graças por tudo aquilo que recebem dele no serviço generoso aos seus irmãos e irmãs!

7. Não tenhais medo de recordar a importância do testemunho da vida consagrada. Ela deixou no vosso País uma marca profunda; infelizmente, hoje, os membros das comunidades presentes são bastante idosos e elas correm o risco, em parte, de desaparecer se não se trabalhar para suscitar novas vocações. Isto exige que, nas famílias, os pais estejam atentos a suscitar uma liberdade autêntica para os seus filhos, sem os orientar demasiado cedo segundo critérios de bons êxitos meramente sociais. A escola católica deve, por sua vez, contribuir para este despertar, fazendo com que os jovens descubram, sobretudo através dos santos, o exemplo de homens e mulheres que souberam responder à chamada do Senhor e que testemunham a beleza de uma vida totalmente devotada. Isto exige também que as comunidades cristãs saibam pôr em relevo a variedade e a complementaridade das vocações, e que os jovens possam descobrir a vida consagrada, na qual se reconhecem e que corresponde às suas exigências. Exorto os religiosos e as religiosas a viver o seu carisma com fidelidade e confiança, sem recear o surgimento de comunidades religiosas mais jovens ou de novos movimentos eclesiais, que certamente podem contribuir para tornar a vida consagrada mais próxima e mais visível, e que poderiam também reavivar as comunidades mais idosas.

8. Verificais hoje nos vossos compatriotas um renovado interesse pelas questões religiosas e uma nova sede de espiritualidade que se manifesta em alguns, sobretudo nas jovens gerações. Alegro-me por isto, exortando todos os Pastores a ter em consideração estes desenvolvimentos e a propor ao Povo de Deus caminhos espirituais fortes. Faço votos por que todos os filhos da Igreja, de modo particular os fiéis leigos, tenham verdadeiramente a peito testemunhar a sua fé, levando a luz do Evangelho aos diversos sectores da vida social. Mostrem a grandeza do matrimónio e a beleza da família numa sociedade caracterizada pela renúncia aos compromissos definitivos em favor de modelos de união mais efémeros! Além disso, é importante que testemunhem a dignidade inalienável de cada pessoa humana nas realidades do trabalho e das relações sociais, assim como nas questões éticas, suscitadas continuamente pelo progresso da técnica e da pressão económica, e que dêem testemunho dos valores cristãos que contribuíram para forjar a actual Europa. Convido os fiéis leigos a adquirir a formação humana e cristã necessária para participar nos debates que animam a sociedade dos Países Baixos, num espírito de diálogo, e preocupados por fazer descobrir a riqueza da visão cristã do homem e o seu exigente apelo a superar todos os egoísmos para viver segundo o Evangelho.

9. No final do nosso encontro, exorto-vos a modelar cada vez mais a vossa acção pastoral segundo Cristo Bom Pastor (cf. Pastores gregis, n. 42). Vós, que sois "princípio e fundamento de unidade" na vossa Diocese, sede, com coragem e abnegação, as guias do rebanho, não hesitando em tomar a palavras em tempos oportunos e inoportunos, para iluminar o seu caminho e para garantir que procedam na fé! Saúdo de modo particular os sacerdotes e os diáconos, vossos colaboradores no ministério, que precisam das vossas iniciativas e do vosso estímulo, para trabalhar juntos e estreitar os vínculos da comunhão fraterna entre todos os fiéis. Que eles tenham a certeza do encorajamento do Papa e da sua oração! Além das vossas dificuldades actuais, não esqueçais a tradição missionária da vossa Igreja: também a missão ad gentes, em terras distantes, precisa de trabalhadores! Nas vossas Dioceses vivem comunidades cristãs pertencentes a outras confissões com as quais mantendes boas relações. Encaminhai-vos com passos firmes pelo caminho do ecumenismo, prosseguindo o diálogo apesar das dificuldades e encorajando as ocasiões possíveis para manifestar o nosso comum desejo de unidade. Que os fiéis católicos se mostrem aos olhos de todos como artífices de paz, preocupados por dialogar na verdade, e animados pelo respeito do homem!

Estimados Irmãos no Episcopado, acabastes de celebrar o 150° aniversário do restabelecimento da hierarquia católica nos Países Baixos, como ocasião para dar graças a Deus por todos os dons recebidos, para fortalecer os vínculos de comunhão fraterna e para vos mobilizardes em vista da missão confiada a toda a Igreja. Ao recomendar-vos à intercessão materna da Virgem Maria, estrela da Evangelização, concedo-vos a vós, assim como aos sacerdotes, aos diáconos e a todos os fiéis das vossas Dioceses, uma afectuosa Bênção Apostólica.


DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II À PLENÁRIA DO PONTIFÍCIO CONSELHO PARA AS COMUNICAÇÕES SOCIAIS

Terça-feira, 9 de Março de 2004

Eminências Excelências Queridos Irmãos e Irmãs em Cristo

É-me grato saudar-vos, uma vez mais, a vós membros do Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais, por ocasião do vosso Encontro plenário. Quero agradecer ao vosso Presidente, o Arcebispo D. John Foley, as suas amáveis palavras.

Dado que este vosso Encontro anual se celebra na circunstância do XL aniversário do Decreto do Concílio Vaticano II sobre os Instrumentos de Comunicação Social, e de fundação desse mesmo Dicastério, bem como do XL aniversário de fundação do vosso Pontifício Conselho, encorajo-vos a inspirar-vos no documento conciliar para dar continuidade à vossa missão de ajuda àqueles que trabalham neste campo, a incutir-lhe «um espírito humano e cristão» (Inter mirifica, 3). Desta forma, os mass media encontrar-se-ão numa posição mais privilegiada para haurir da sua «enorme potencialidade positiva para promover valores humanos e familiares sólidos e, desta maneira, contribuir para a renovação da sociedade» (Mensagem para o 38º Dia Mundial das Comunicações, n. 6).

Invoco a luz orientadora do Espírito Santo sobre vós e o vosso trabalho, enquanto vos concedo a todos a minha Bênção Apostólica.


DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II NO FINAL DA SEMANA DE EXERCÍCIOS ESPIRITUAIS COM A CÚRIA ROMANA

Sábado, 6 de Março de 2004

Estimado Professor, é-me grato expressar-te, também em nome de todos os participantes, a mais cordial gratidão no termo dos Exercícios Espirituais, durante os quais tu nos orientaste na contemplação do mistério de Cristo, propondo-nos profundas meditações acerca deste tema: «Seguindo-te a ti, Luz da vida».

Penso com profundo apreço no compromisso de preparação, remota e próxima, que isto comportou para a tua pessoa. Eu e os meus colaboradores da Cúria Romana pudemos beneficiar das reflexões que tu apresentaste gradualmente, com originalidade de intuições e vastidão de conhecimentos teológicos, bíblicos e espirituais. Surpreendeu-nos, outrossim, a paixão com que desejaste expor estes conteúdos, fazendo continuamente referência às experiências ministeriais da vida de cada dia. Obrigado porque, com o estilo que caracteriza a tua investigação teológica e a tua actividade pastoral, nos ofereceste estímulos preciosos à nossa mente e ao nosso coração, em vista de um seguimento cada vez mais comprometedor daquele que é a Luz do mundo.

Desejo manifestar-te também um reconhecimento particular pela tonalidade amistosa e orante que quiseste imprimir no nosso itinerário, ajudando-nos a elevar os espíritos a Deus, naquela atitude contemplativa, imbuída de fé e de amor, para a qual não cesso de convidar o Povo de Deus, exortando as comunidades cristãs a resplandecer no meio do mundo, sobretudo através da «arte da oração» (cf. Novo millennio ineunte, 32).

Por tudo isto, saberá recompensar-te o Senhor, a quem confio a tua pessoa e o serviço eclesial que tu desempenhas com zelo e fidelidade. A Virgem Santa, que tu nos ajudaste a contemplar no contexto da nossa peregrinação terrestre rumo à pátria celestial, vele sobre ti e sobre todas as tuas actividades apostólicas.

Por fim, dirijo uma saudação carinhosa a todos vós, que quisestes participar nestes Exercícios, transmitindo um pensamento de reconhecimento também àqueles que colaboraram para a realização dos mesmos, cuidando da liturgia e dos cantos.

Confio cada um de vós à protecção celestial da Virgem Santíssima, enquanto concedo a todos vós a minha Bênção.
DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II AO PRESIDENTE DA REPÚBLICA FEDERAL DA ALEMANHA, SUA EX.CIA O SENHOR JOHANNES RAU

Sábado, 6 de Março de 2004

Ilustre Senhor Presidente

1. É com prazer que lhe dou as boas-vindas ao Vaticano, bem como à sua Esposa e ao Séquito. Vossa Exceclência veio visitar-me para dar expressão das relações de cordialidade entre a República Federal da Alemanha e a Santa Sé. Senhor Presidente, queira aceitar a minha sincera gratidão por isto!

2. A Alemanha apresenta-se à Europa e ao mundo com a riqueza dos seus Estados. A estrutura federal da República, em que a multiplicidade da tradição cultural das suas regiões se une num conjunto tanto harmonioso quanto rico de estímulos, por algumas das suas características fundamentais pode ser considerada um modelo dos povos unidos da Europa. Sem dúvida, da herança espiritual-cultural comum do continente faz parte também o cristianismo. Os Estados alemães são ricos de extraordinárias manifestações da fé cristã, que também hoje oferece uma orientação e uma dimensão à vida de numerosas pessoas, modelando assim a convivência entre as mesmas. Precisamente os cristãos comprometidos na política compartilham a responsabilidade para que esta herança preciosa possa continuar a fecundar abundantemente a sociedade na Alemanha e em toda a Europa.

3. Hoje em dia, a Alemanha goza de uma boa reputação em todas as partes do mundo. Isto depende de modo não secundário do facto de que os alemães estão dispostos a fazer participar no seu bem-estar inclusivamente as pessoas dos países economicamente mais pobres. Assim, desde o início a República Federal colocou à disposição meios notáveis em vista de contribuir para o desenvolvimento. A isto, acrescenta-se a ajuda generosa que o Estado alemão oferece, inclusive através das organizações assistenciais eclesiais, a inúmeros projectos que merecem ser promovidos – e por conseguinte também às pessoas interessadas – nos países menos abastados. São numerosos aqueles que não tiveram a oportunidade de experimentar com gratidão o facto de que os alemães não pensam exclusivamente neles mesmos e nos seus próprios problemas, mas atribuem também importância à justiça, à solidariedade e à educação, não apenas na sua pátria, mas em todas as regiões do mundo.

4. Ilustre Senhor Presidente! À sua visita hodierna, uno os bons votos e a confiança de que, tanto a cooperação consolidada entre o Estado e a Igreja na Alemanha, como os bons relacionamentos entre a República Federal, os seus Estados e a Santa Sé, possam continuar a ser aprofundados. Imploro de coração, para Vossa Excelência pessoalmente, para os seus colaboradores, para todos os habitantes da República Federal da Alemanha, bem como para a sua família, as abundantes bênçãos de Deus.

MENSAGEM DO PAPA JOÃO PAULO II AO PRESIDENTE DO PONTIFÍCIO CONSELHO «JUSTIÇA E PAZ» POR OCASIÃO DE UMA CONFERÊNCIA SOBRE O TEMA «O EMPRESÁRIO: RESPONSABILIDADE SOCIAL E GLOBALIZAÇÃO»

Ao meu venerável Irmão Card. Renato Raffaele MARTINO Presidente do Pontifício Conselho «Justiça e Paz»

Foi para mim um prazer ser informado da Conferência sobre o tema: «O empresário: responsabilidade social e globalização», que se está a realizar sob os auspícios do Pontifício Conselho «Justiça e Paz» e da União Cristã Internacional dos Empresários. Pedir-lhe-ia que tivesse a amabilidade de transmitir a todos os presentes as minhas calorosas saudações e bons votos.

Espero que esta Conferência venha a constituir uma fonte de inspiração e de renovado compromisso para os empresários cristãos, nos seus esforços em vista de dar testemunho dos valores do Reino de Deus no mundo do comércio. Efectivamente, o seu trabalho está arraigado no domínio e na administração que Deus confiou ao homem sobre a terra (cf. Gn 1, 27) e encontra a sua expressão singular na promoção de iniciativas económicas criativas, com uma enorme potencialidade de beneficiar os outros e de elevar o seu padrão de vida material. Dado que «nenhuma actividade humana, nem sequer na ordem temporal, pode subtrair-se ao império de Deus» (Lumen gentium, 36), os cristãos que ocupam lugares de responsabilidade no mundo empresarial são exortados a unir a busca legítima do lucro a uma solicitude mais profunda pela difusão da solidariedade e à eliminação do flagelo da pobreza, que continua a afligir um elevado número de membros da família humana.

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