Mensagem de condolências pelas vítimas do terremoto em são juliano de apúlia



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No corrente ano, no contexto dos meus encontros com os diversos grupos de Prelados provenientes dos Estados Unidos da América, que estão a realizar as respectivas visitas "ad limina Apostolorum", desejo reflectir sobre o mistério da Igreja e, de forma particular, sobre o exercício do ministério episcopal. Formulo votos a fim de que estas reflexões sirvam como ponto de partida para a vossa meditação e oração e, deste modo, cheguem a contribuir para um discernimento pastoral que seja útil para a renovação e a edificação da Igreja que está nos Estados Unidos da América. Assim, podemos começar com uma consideração sobre o munus sanctificandi do Bispo, ou seja, o serviço à santidade da Igreja de Cristo, que ele é chamado a prestar como arauto do Evangelho, como administrador dos mistérios de Deus (cf. 1 Cor 4, 1) e como pai espiritual do rebanho confiado aos seus cuidados.

2. A missão santificadora do Bispo encontra o seu manancial na santidade indefectível da Igreja. Dado que "Jesus Cristo amou a Igreja e se entregou por ela, a fim de a santificar" (cf. Ef 5, 25-26), ela foi dotada de uma santidade infalível, tornando-se "em Cristo e através de Cristo, a fonte e a origem de toda a santidade" (Gaudium et spes, 47). Esta verdade fundamental da fé, confirmada em toda a recitação do Credo, tem necessidade de ser mais claramente compreendida e estimada por todos os membros do Corpo de Cristo, porque constitui uma parte essencial da autoconsciência da Igreja e o fundamento da sua missão universal.

A fé da Igreja na santidade que lhe é própria constitui, em primeiro lugar, uma confissão humilde da fidelidade misericordiosa de Deus ao seu plano de salvação em Jesus Cristo. Considerada sob esta luz, a santidade da Igreja torna-se uma nascente de gratidão e de alegria pela dádiva completamente gratuita da redenção e da vida nova que recebemos em Cristo, através da pregação apostólica e dos sacramentos da nova e eterna Aliança. Renascendo no Espírito Santo e tornando-nos filhos adoptivos do Pai no seu amado Filho, somos um reino de sacerdotes, um povo santo (cf. Êx 19, 6; Ap 5, 10), chamados a oferecer-nos "como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus" (cf. Rm 12, 1), intercedendo por toda a família humana.

Ao mesmo tempo, a santidade da Igreja sobre a terra permanece real e contudo imperfeita (cf. Lumen gentium, 8). A sua santidade é um dom e um chamamento, uma graça constitutiva e uma exortação à fidelidade constante à graça. O Concílio Vaticano II, como fundamento deste programa em vista da renovação do testemunho eclesial de Cristo perante o mundo, apresentou a todos os baptizados os elevados ideais da vocação universal à santidade, recebida de Deus. O mesmo Concílio confirmou que "todos os cristãos, em qualquer condição ou estilo de vida, são chamados à plenitude da vida cristã e à perfeição da caridade" (Lumen gentium, 40), convidando todos os membros da Igreja a um reconhecimento honesto do pecado e da necessidade da conversão permanente, ao longo do caminho do arrependimento e da renovação.

A grandeza da visão da fé da santidade infalível da Igreja e do reconhecimento realista da pecaminosidade dos seus membros deveria inspirar todos a comprometer-se de modo mais determinado na fidelidade à vida cristã. Em particular, ela exorta-nos, como Bispos, a um discernimento permanente sobre a direcção e a finalidade da nossa actividade de ministros da graça de Cristo. O desafio que nos foi apresentado, assim como a toda a Igreja, tanto pelo Concílio como pelo grande Jubileu, permanece mais válido do que nunca: a vida de cada cristão e as estruturas da Igreja devem ser claramente orientadas para a promoção da santidade.

3. A busca da santidade pessoal deve constituir um elemento fulcral da vida e da identidade de cada Bispo. Ele há-de reconhecer a sua própria necessidade de ser santificado, enquanto se compromete também na santificação dos outros. O próprio Bispo é, em primeiro lugar e sobretudo, um cristão vobiscum sum Christianus (cf. Santo Agostinho, Sermo 340.1) chamado a ser obediente na fé (cf. Rm 1, 5), consagrado mediante o baptismo e dotado de vida nova por intermédio do Espírito Santo. Ao mesmo tempo, graças ao dom da sua Ordenação e ao carácter sagrado que ela lhe impõe, cada Bispo ocupa o lugar do próprio Cristo e age em sua Pessoa (cf. Lumen gentium, 21). Assim, ele é chamado a progredir ao longo do caminho específico da santidade (cf. Pastores gregis, 13): o âmago do seu apostolado deve ser aquela caridade pastoral que conforma o seu coração com o Coração de Jesus Cristo, num amor sacrifical pela Igreja e por todos os seus membros.

O Sínodo dos Bispos mais recente insistiu sobre o facto de que a santificação objectiva, que deriva da Ordenação e do exercício do ministério episcopal, há-de coincidir com a santificação subjectiva, em que o Bispo, com o auxílio da graça de Deus, deve progredir de maneira contínua (cf. Pastores gregis, 11). Analogamente, o princípio unificador do ministério do Bispo será a sua contemplação do rosto de Cristo e a sua proclamação do Evangelho da salvação: uma interacção dinâmica de oração e de acção, que enriquecerá espiritualmente tanto a sua actividade exterior como a sua vida interior.

4. Com efeito, o Sínodo desafiou os Bispos a tornar-se, de maneira cada vez mais activa, ouvintes da palavra de Deus, através da oração quotidiana e da leitura contemplativa da Sagrada Escritura. Efectivamente, para a renovação da Igreja na santidade, é essencial que o Bispo seja não apenas uma pessoa contemplativa; ele deverá ser também um mestre no caminho da contemplação (cf. Pastores gregis, 17). A sua oração deveria ser alimentada sobretudo pela Eucaristia: "Não apenas quando aparece à vista de todo o povo de Deus como Sacerdos et Pontifex, mas inclusive quando dedica uma parte razoavelmente longa do seu próprio tempo à adoração diante do Sacrário" (cf. ibid., n. 16). Para que a sua oração alcance a realização e o cumprimento na Eucaristia, deve ser alimentada também pelo recurso regular ao sacramento da Penitência e, de maneira especial, pela celebração da Liturgia das Horas. Desta maneira, toda a sua vida de oração, tanto pessoal como litúrgica, se tornará fonte de fecundidade apostólica, dado que é apresentada ao Pai no Espírito Santo como intercessão de todo o Corpo de Cristo.

Por este motivo, o Bispo deverá certamente cultivar a espiritualidade eclesial, "porque tudo na sua vida está orientado para a amorosa edificação da Santa Igreja" (Ibid., n. 11). No início do recente Sínodo dos Bispos, desejei estabelecer um vínculo entre esta atitude de serviço à comunidade eclesial e a adopção de um estilo de vida que imite a pobreza de Cristo; assim, convidei os Bispos a "verificar até que ponto a conversão pessoal e comunitária à pobreza evangélica efectiva se está a realizar no seio da Igreja" (Homilia de abertura, 30 de Setembro de 2001, n. 3). Agora encorajo-vos, assim como os vossos irmãos Bispos, a empreender este discernimento no que diz respeito ao exercício concreto do ministério episcopal no vosso país, em ordem a garantir que seja considerado de maneira cada vez mais evidente como uma forma de serviço sacrifical no meio do rebanho de Cristo. Sem dúvida, isto dará frutos abundantes, criando mais liberdade interior no exercício do ministério, um testemunho mais evangélico de Jesus Cristo, "que completou a obra da redenção na pobreza e opressão" (Lumen gentium, 8), e mais solidariedade diante das dificuldades e dos sofrimentos dos pobres.

5. Estou profundamente persuadido de que, numa Igreja chamada de maneira permanente à renovação interior e ao testemunho profético, o exercício da autoridade episcopal deve alicerçar-se sobre o testemunho da santidade pessoal. O grande desafio representado pela nova evangelização, ao qual a Igreja é chamada neste nosso tempo, requer uma credibilidade que derive da fidelidade pessoal ao Evangelho e às exigências do discipulado cristão. Em conformidade com as palavras memoráveis do Papa Paulo VI, "será pois, pelo seu comportamento e pela sua vida que a Igreja há-de, antes de mais nada, evangelizar este mundo; ou seja, pelo seu testemunho vivido com fidelidade ao Senhor Jesus, testemunho de pobreza, de desapego e de liberdade frente aos poderes deste mundo; numa palavra, pelo testemunho de santidade" (Evangelii nuntiandi, 41).

Enquanto consideramos com fé o desígnio de Deus para a família humana reconciliada e unida em Jesus Cristo, de quem a Igreja constitui o sacramento e a visão profética, podemos observar com clarividência cada vez mais acentuada a relação inseparável entre a santidade e a missão da Igreja (cf. Redemptoris missio, 90). Por conseguinte, uma parte essencial da nova evangelização deve ser um renovado zelo pela santidade, que inspire todas as nossas iniciativas e encontre a sua expressão concreta numa renovação da fé e da vida cristã. Não podemos deixar de escutar a exortação profética dirigida a toda a Igreja, através da experiência do grande Jubileu: a Igreja é chamada a oferecer uma genuína "formação na santidade", adaptada às necessidades de todos, em vista de assegurar que cada comunidade cristã se torne uma autêntica escola de oração e de santificação pessoal (cf. Novo millennio ineunte, 33).

6. Assim, este é o grande desafio que a Igreja está a enfrentar no alvorecer do novo milénio e o caminho seguro para a sua autêntica renovação interior. Enquanto a comunidade católica que vive nos Estados Unidos da América, sob a vossa liderança, procura assumir este desafio, garanto-vos as minhas preces para que vós e todo o clero, os religiosos e igualmente os fiéis leigos confiados aos vossos cuidados pastorais, cresçam diariamente em santidade e se tornem o verdadeiro fermento do Evangelho no seio da sociedade norte-americana.

Queridos Irmãos, nos esforços em vista do cumprimento do vosso exigente ministério de santificação na Igreja que está nos Estados Unidos da América, tendes a bênção de poder contar com o modelo eminente de santidade episcopal, oferecido por São João Neumann, cuja vida foi despendida no serviço generoso e incondicional à sua grei. Inspirados pelo seu exemplo e orientados pelas suas orações, oxalá possais crescer todos os dias na graça do vosso ministério, de maneira a poderdes cumprir o dever perfeito do amor pastoral (cf. Lumen gentium, 41).

Enquanto confio todos vós à sua intercessão, concedo-vos cordialmente a minha Bênção Apostólica como penhor de alegria e de paz no Senhor.
DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II AOS MEMBROS DA CONGREGAÇÃO PARA A EDUCAÇÃO CATÓLICA NO 25° ANIVERSÁRIO DA "SAPIENTIA CHRISTIANA"

Terça-feira, 27 de Abril de 2004

Senhor Cardeal Venerados Irmãos no Episcopado e no Sacerdócio Caríssimos Irmãos e Irmãs

1. Sinto-me verdadeiramente feliz por terdes desejado celebrar o vigésimo quinto aniversário da importante Constituição Apostólica Sapientia christiana, que eu assinei quase no início do meu Pontificado. É uma constituição que me é muito querida, porque está directamente relacionada com a prática do "munus docendi" da Igreja. A "tarefa de ensinar" reveste uma importância particular na realidade de hoje, que, por um lado, se distingue por um impressionante progresso técnico e, por outro, pelas mais diversificadas contradições, rupturas e tensões.

Na realidade, o Evangelho exerce o seu efeito benéfico e duradouro unicamente na medida em que, através do seu contínuo anúncio "opportune importune" (cf. Tm 4, 2) influencia os modos de pensar e penetra a cultura em profundidade (cf. Const. apost. Sapientia christiana, Preâmbulo I). Eis a alta vocação que distingue as Universidades e Faculdades eclesiásticas: comprometer-se com toda a sua força para recompor e unir o mundo da ciência e da cultura com a verdade da fé, a fim de fazer descobrir a ordem salvífica do plano divino na realidade deste mundo.

2. Alegro-me pelo crescente número de Centros eclesiásticos de ensino académico. A sua primeira missão permanece o aprofundamento e a transmissão do Mistério divino, que Cristo nos revelou. É o Espírito Santo, efundido na Igreja, que nos introduz no Mistério e que nos guia para que o penetremos mediante o estudo cada vez mais aprofundado (cf. Hb 6, 4).

Revestem um peculiar prestígio e responsabilidade, entre as Faculdades eclesiásticas, as de Teologia, de Direito canónico e de Filosofia, "considerando a sua particular natureza e importância para a Igreja" (Const. apost. Sapientia christiana, art. 65). Mas, além destas disciplinas fundamentais, as Faculdades eclesiásticas incluem muitos outros âmbitos, como o da História eclesiástica, da Liturgia, das Ciências da educação e da Música sacra.

Nos anos recentes, foi dedicado grande empenho para responder às necessidades actuais: foi dedicada particular atenção, por exemplo, à bioética, aos estudos islâmicos, à mobilidade humana, etc. Neste sentido, não posso deixar de encorajar as iniciativas que têm por finalidade aprofundar os vínculos que existem entre a Revelação divina e as áreas sempre novas do saber na realidade de hoje.

3. Actualmente, mais do que nunca, as Universidades e Faculdades eclesiásticas devem desempenhar um papel na "grande primavera" que Deus está a preparar para o Cristianismo (cf. Enc. Redemptoris missio, 86). O homem contemporâneo presta mais atenção a certos valores: à tutela da dignidade da pessoa, à defesa dos débeis e dos marginalizados, ao respeito da natureza, à recusa da violência, à solidariedade mundial, etc. À luz da Constituição Sapientia christiana, as Instituições académicas da Igreja estão comprometidas a cultivar esta sensibilidade em sintonia com o Evangelho, com a Tradição e com o Magistério. Sabemos como o mundo contemporâneo está ameaçado por rupturas cada vez mais profundas, por exemplo, entre os países ricos e os países pobres. Trata-se de rupturas que têm na sua origem o facto de o homem se afastar de Deus.

Procurei indicar, em várias Encíclicas, o caminho para realizar a reconciliação em profundidade entre a fé e a razão (cf. Fides et ratio), entre o bem e o verdadeiro (cf. Veritatis splendor), entre a fé e a cultura (cf. Redemptoris missio), entre as leis civis e a lei moral (cf. Evangelium vitae), entre o Ocidente e o Oriente (cf. Slavorum apostoli), entre o Norte e o Sul (cf. Centesimus annus), etc. É necessário que as instituições culturais eclesiásticas recebam estes ensinamentos, os estudem, os apliquem e desenvolvam as suas consequências. Desta forma, em sintonia com a sua vocação, elas podem contribuir para curar o homem dos seus receios e das suas dilacerações internas.

4. São bem conhecidas as actuais insídias do individualismo, do pragmatismo, do racionalismo, que se difundem até nos ambientes que têm a tarefa da formação. As instituições culturais eclesiásticas esforçar-se-ão por unir sempre a obediência da fé com a "audácia da razão" (Fides et ratio, 48), deixando-se guiar pelo zelo da caridade. Os professores não devem esquecer-se de que a actividade do ensino é inseparável do compromisso do aprofundamento da verdade, sobretudo da verdade revelada. Por conseguinte, eles não devem separar o rigor da sua actividade universitária da abertura humilde e disponível à Palavra de Deus, escrita ou transmitida, recordando-se sempre de que a interpretação autêntica da Revelação foi confiada unicamente "ao Magistério vivo da Igreja", o qual exerce esta tarefa em nome de Jesus Cristo (Const. Dei Verbum, 10).

5. Neste vigésimo quinto aniversário da Constituição apostólica Sapientia christiana, desejo agradecer calorosamente a todos os que estão comprometidos em dar continuidade à missão eclesiástica do ensino e da investigação científica na Igreja: reitores, deões e decanos de Universidades e Faculdades eclesiásticas, o corpo docente e o pessoal auxiliar, bem como a Congregação para a Educação Católica e, no seu âmbito, a Repartição para as Universidades. Dirijo a cada um a expressão do meu reconhecimento por todo o trabalho desempenhado com generosa dedicação.

Encorajo todos a prosseguir a sua importante missão de evangelização através da inteligência da Revelação, continuando a perseguir aquela "síntese vital" das verdades reveladas e dos valores humanos que é constitutiva da "sabedoria cristã" (Const. Apost. Sapientia christiana, Preâmbulo I). Dela o mundo de hoje tem tanta necessidade.

6. Ao garantir a minha recordação na oração pelo vosso trabalho, concedo de bom grado a todos e a cada um uma especial Bênção Apostólica.


DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II À ASSOCIAÇÃO NACIONAL DOS MUNICÍPIOS ITALIANOS (A.N.M.I.) NO CENTENÁRIO DO NASCIMENTO DE GIORGIO LA PIRA

Segunda-feira, 26 de Abril de 2004

Senhor Cardeal! Ilustres Representantes da Associação Nacional Municípios Italianos!

1. Sinto-me feliz por vos apresentar as cordiais boas-vindas a este encontro, que se coloca no contexto das celebrações para o centenário do nascimento do Professor Giorgio La Pira. Saúdo cada um de vós e as Cidades que aqui representais. Saúdo, de modo especial, o Cardeal Ennio Antonelli, Arcebispo de Florença, bem como o Presidente Municipal desta Cidade e Presidente da ANCI, Senhor Leonardo Domenici, ao qual agradeço as palavras que me dirigiu fazendo referência ao serviço prestado por Giorgio La Pira à causa da convivência fraterna entre as nações. A este propósito, apreciei que precisamente para recordar de maneira tangível o seu esforço dedicado a favorecer a amizade entre os povos que se reconhecem em Abraão judeus, cristãos e islâmicos a vossa Associação decidiu oferecer uma ajuda concreta ao Caritas Baby Hospital de Belém.

2. Expresso-vos o meu cordial apreço por este generoso gesto, que honra bem a memória de Giorgio La Pira, figura eminente da política, da cultura e da espiritualidade do século que há pouco terminou.

Face aos poderosos da Terra expôs com firmeza as suas ideias de crente e de homem amante da paz, convidando os interlocutores a um esforço comum para promover este bem fundamental nos vários âmbitos: na sociedade, na política, na economia, nas culturas e entre as religiões.

Na teoria e na práxis política, La Pira sentia a exigência de aplicar a metodologia do Evangelho, inspirando-se no mandamento do amor e do perdão. Permanecem emblemáticos os "Congressos pela paz e pela civilização cristã", que promoveu em Florença de 1952 a 1956, com a finalidade de favorecer a amizade entre cristãos, judeus e muçulmanos.

3. Numa carta ao amigo Amintore Fanfani, ele escreveu palavras de uma surpreendente actualidade: "Os políticos são guias civis, aos quais o Senhor confia, através das técnicas que mudam com o tempo, o mandamento de guiar os povos para a paz, a unidade, a promoção espiritual e civil de cada povo e de todos juntos" (22 de Outubro de 1964).

La Pira fez uma extraordinária experiência de homem político e de crente, capaz de unir a contemplação e a oração à actividade social e administrativa, com uma predilecção pelos pobres e por quantos sofrem.

Caríssimos Presidentes Municipais, possa este luminoso testemunho inspirar as vossas opções e acções quotidianas! Seguindo o exemplo de Giorgio La Pira, ponde-vos generosamente ao serviço das vossas comunidades, com uma especial atenção às camadas juvenis, favorecendo também o seu progresso espiritual. Não deixeis de cultivar aqueles valores humanos e cristãos que formam o rico património ideal da Europa. Ele deu vida a uma civilização que, ao longo dos séculos favoreceu o surgimento de sociedades autenticamente democráticas. Sem bases éticas a democracia corre o risco de se deteriorar no tempo e até de desaparecer.

Graças ao contributo de todos, o sonho de um mundo melhor pode tornar-se realidade. Deus conceda que a humanidade veja realizada esta profecia de paz!

Acompanho estes votos com a oração, enquanto abençoo a todos de coração.


DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II A UMA PEREGRINAÇÃO DE JOVENS DA ARQUIDIOCESE DE RUÃO

24 de Abril de 2004

Estimados jovens

É-me grato receber-vos na manhã de hoje, durante esta Audiência especial. Saúdo o Pe. Christian Nourrichard, Administrador diocesano.

Viestes a Roma para viver uma semana de retiro e de vida fraterna. Rezo especialmente por aqueles dentre vós que receberão a confirmação na segunda-feira. Convido-vos todos a fazer da vossa peregrinação um tempo de revigoramento espiritual. Podereis discernir a vontade do Senhor, que vos quer ajudar a levar uma existência significativa; a vossa vida interior receberá um vigor renovado. Não tenhais medo de abrir o vosso coração e de deixar que Cristo vos fale. Aprendei a dedicar regularmente um tempo à oração e à meditação do Evangelho.

Enquanto vos confio todos à Virgem Maria, encorajo-vos a continuar a vossa busca na Igreja e concedo-vos do íntimo do coração a Bênção Apostólica, assim como aos sacerdotes, aos seminaristas, aos religiosos e aos leigos que vos acompanham.


DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II AOS SÓCIOS DO CÍRCULO DE SÃO PEDRO

Sexta-feira, 23 de Abril de 2004

Caríssimos Sócios do Círculo de São Pedro

1. Estou feliz por vos receber e saúdo-vos de coração. Faço extensivo este meu pensamento aos vossos familiares e a quantos cooperam convosco nas vossas diversas actividades caritativas. Saúdo com afecto o vosso Assistente espiritual, D. Ettore Cunial, assim como o vosso Presidente, o Marquês Marcello Sacchetti, ao qual agradeço as palavras gentilmente dirigidas a mim em nome dos presentes.

A missão que realizais com admirável zelo apostólico é preciosa. Indo ao encontro dos pobres, levando alívio aos doentes e aos sofredores, testemunhais de modo concreto a "fantasia da caridade" para a qual exortei na Carta Apostólica Novo millennio ineunte (cf. n. 50).

O óbolo de São Pedro, que, como nos anos passados, me viestes entregar, constitui um sinal ulterior desta abertura aos irmãos em dificuldade. Ao mesmo tempo, é uma participação concreta no compromisso da Sé Apostólica de responder às crescentes urgências da Igreja, especialmente nos países mais pobres.

2. Caríssimos Irmãos e Irmãs, apraz-me manifestar mais uma vez o meu grande apreço pelo vosso empenho, animado pela fidelidade convicta e pela adesão ao Sucessor de Pedro. Vós o alimentais recolhendo-vos todos os dias em oração e na escuta da Palavra de Deus. É importante, sobretudo, que a vossa existência tenha como centro o mistério da Eucaristia. O segredo da eficácia de cada um dos nossos projectos é a fidelidade para com Cristo. Este é o testemunho dos Santos. Penso, em particular, nos Servos de Deus que no próximo domingo terei a alegria de proclamar Beatos.

Seguindo o seu exemplo, cada um de vós intensifique a própria motivação missionária, pronto a fazer-se "bom Samaritano" para quantos hoje vivem em condições de dificuldade ou de abandono. Acompanhe-vos também a Virgem Maria com a sua materna protecção. Da minha parte, garanto-vos a oração por vós aqui presentes, por quantos estão ao vosso lado nas várias actividades e por aqueles que encontrais no vosso apostolado quotidiano, enquanto vos concedo com afecto uma especial Bênção Apostólica.


DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II AOS MEMBROS DA PONTIFÍCIA COMISSÃO BÍBLICA

Terça-feira, 20 de Abril de 2004

Senhor Cardeal Estimados Membros da Pontifícia Comissão Bíblica

1. Estou feliz por vos receber mais uma vez por ocasião da vossa anual Assembleia Plenária. Desejo dirigir uma saudação particular ao Presidente, Senhor Cardeal Joseph Ratzinger, a quem agradeço a interessante apresentação dos vossos trabalhos.

2. Reunistes-vos mais uma vez para aprofundar um tema muito importante: a relação entre Bíblia e moral. Trata-se de um assunto que diz respeito não só ao crente, mas num certo sentido, a cada pessoa de boa vontade. De facto, através da Bíblia, Deus fala e revela-se a Si mesmo e indica a base sólida e a orientação segura para o comportamento humano.

Conhecer Deus, Pai do nosso Senhor Jesus Cristo, reconhecer a sua infinita bondade, saber com ânimo agradecido e sincero que "toda a boa dádiva e todo o dom perfeito vêm do alto, descendo do Pai das luzes" (Tg 1, 17), descobrir nos dons que Deus nos deu as tarefas que nos confiou, agir bem conscientes da nossa responsabilidade em relação a Ele eis algumas das atitudes fundamentais de uma moral bíblica.

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