Mensagem de condolências pelas vítimas do terremoto em são juliano de apúlia



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3. A Bíblia apresenta-nos riquezas inesgotáveis desta revelação de Deus e do seu amor para com a humanidade. A tarefa do vosso empenho comum é o de facilitar ao povo cristão o acesso a estes tesouros.

Desejando-vos um frutuoso prosseguimento dos vossos estudos, invoco sobre vós e sobre o vosso trabalho a luz do Espírito Santo e concedo a todos a minha afectuosa Bênção.


DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II À SENHORA LEONIDA L. VERA NOVA EMBAIXADORA DA REPÚBLICA DAS FILIPINAS JUNTO DA SANTA SÉ

19 de Abril de 2004

Excelência

É-me grato dar-lhe as boas-vindas ao Vaticano e aceitar as Cartas Credenciais que a designam Embaixadora Extraordinária e Plenipotenciária da República das Filipinas junto da Santa Sé. Agradeço-lhe as amáveis saudações que me comunica da parte da Presidente, Sua Excelência a Senhora Glória Macapagal Arroyo, enquanto peço que lhe transmita a certeza das minhas preces pelo seu país e povo.

Durante as minhas visitas pastorais às Filipinas, fiquei sempre impressionado com a hospitalidade e o afecto que me foram manifestados. As palavras da minha primeira visita, realizada em 1981, ainda são verdadeiras: "Há que prestar a devida homenagem às conquistas do povo filipino, mas aquilo que sois também corresponde a uma obrigação, conferindo à Nação uma missão específica" (Discurso dirigido ao povo das Filipinas, 17 de Fevereiro de 1981). Vós sois um país que conservou com vigor a fé cristã, até mesmo quando teve de enfrentar graves obstáculos, e isto demonstra que tendes a nobre tarefa não apenas de preservar os valores de tal herança, mas também de ajudar a espalhar os ideais da cultura cristã pelo mundo inteiro. A experiência do Dia Mundial da Juventude, em 1995, constituiu um exemplo do desejo que a vossa Nação tem de exercer esta responsabilidade, e será sempre um momento de alegria particular no meu ministério ao serviço da Igreja universal. Aqueles dias que passei com o seu povo, aos quais se reuniram jovens de todas as partes do mundo, confirmaram em mim o facto de que, como Vossa Excelência já observou, as Filipinas são realmente uma "luz" para a evangelização do continente asiático.

Uma das obrigações das culturas que se fundamentam nos valores humanos autênticos deve ser a solicitude profunda e constante pelo povo. Infelizmente, as Filipinas e uma boa parte dessa região asiática ainda continuam a ser atingidas pelo flagelo da pobreza extrema. Por vezes, este facto pode levar os governos a adoptar soluções a curto prazo que, na realidade, muitas vezes levam a políticas que não trazem qualquer benefício concreto para o povo. Para que se possa abordar a questão da pobreza de maneira efectiva, todos os sectores da sociedade devem trabalhar em conjunto, na busca de soluções. A fim de que as pessoas atingidas pela pobreza tenham uma liberdade duradoura, é necessário que os governos não apenas reconheçam e assistam os pobres, mas inclusivamente os façam participar na busca de soluções a longo prazo para os seus problemas. A luta aparentemente frívola contra a pobreza é uma das principais fontes de desamor e de marginalização entre os jovens. Tentados a procurar o lucro material rápido, eles são muitas vezes introduzidos na vida do crime ou então, como actualmente está a ser experimentado no mundo inteiro, associam-se a movimentos radicais que prometem a mudança social através da violência e do derramamento de sangue. A luta contra tais tendências exige um esforço concertado em vista de acolher, aceitar e promover os talentos e as dádivas dos menos afortunados, ajudando-os a dar-se conta de que são uma parte integrante da sociedade.

Rezo para que os filipinos continuem a fomentar os preceitos da sua Constituição, que reconhece de maneira explícita a santidade da vida familiar e a salvaguarda do nascituro, desde o momento da concepção (cf. Constituição das Filipinas, Artigo II, Secção 12). Consciente de que a pena capital e o recurso à mesma voltaram a tornar-se um tema importante no debate nacional, gostaria de reiterar o facto de que as finalidades da justiça no mundo contemporâneo parecem ser melhor servidas, quando não se recorre à pena de morte. "Com efeito, a sociedade moderna dispõe de possibilidades para reprimir eficazmente o crime, de forma que, enquanto torna inofensivo aquele que o cometeu, não lhe tira definitivamente a possibilidade de se redimir" (cf. Carta Encíclica Evangelium vitae, 27). Enquanto têm o dever de ser justas, as sociedades civis têm também a obrigação de ser misericordiosas.

Gostaria de aproveitar este ensejo para expressar a minha preocupação constante pelo aumento da violência que, desde há muito tempo, tem provocado grandes devastações no seu país. Volto a dirigir o meu apelo a todas as partes interessadas, para que ponham fim ao terrorismo, que continua a causar tanto sofrimento à população civil, e para que empreendam o caminho do diálogo, o único que poderá tornar o povo dessa região capaz de criar uma sociedade que garanta a justiça, a paz e a harmonia para todos. Analogamente, é essencial que o Estado continue a promover o diálogo no seio da sociedade, fomentando a compreensão recíproca e o apreço entre as várias religiões. Este processo é mais eficaz quando todos os níveis da educação pública incluem componentes curriculares que ajudam as pessoas a reconhecer o valor da tolerância, ajudando-as a lutar por uma cultura fundamentada na paz e na justiça genuínas. Em conjunto, podemos eliminar as causas sociais e culturais do terrorismo, "ensinando a grandeza e a dignidade da pessoa humana, e esclarecendo melhor o sentido da unicidade de toda a família humana" (Mensagem para o Dia Mundial da Paz de 2002, n. 12).

A construção de uma sociedade assente sobre a dignidade humana só poderá ser alcançada, se aqueles que desempenham funções de autoridade promoverem os princípios do bom governo e da honestidade na sua vida pessoal e pública, oferecendo um serviço incondicional aos seus compatriotas, em ordem ao bem comum. Por conseguinte, os funcionários públicos têm a obrigação especialmente grave de assegurar que são modelos-base de comportamento moral e, ao mesmo tempo, de fazer o melhor que podem para ajudar os outros a formar uma consciência recta que há-de evitar constantemente qualquer tipo de adesão à corrupção. Estas qualidades de liderança genuína são de importância singular, no momento em que o seu país se prepara para as próximas eleições. Com efeito, um critério para julgar o bom êxito da democracia pode encontrar-se na qualidade das suas eleições, que devem ser justas, honestas e livres, promovendo sempre, ao mesmo tempo, o processo constitucional e a força da lei (cf. Conferência dos Bispos Católicos das Filipinas, Pastoral Statement on the Coming 2004 Elections Declaração pastoral sobre as próximas eleições de 2004). A este propósito, estou persuadido de que a boa vontade das pessoas comprometidas nas eleições levará a fortalecer uma nação verdadeiramente fundamentada sobre a equidade e a justiça para todos.

Excelência, estou convicto de que, ao desempenhar as tarefas da sua missão, os vínculos de amizade entre a República das Filipinas e a Santa Sé serão ulteriormente revigorados. Transmito-lhe os meus bons votos e asseguro-lhe que os vários departamentos da Cúria Romana estarão sempre prontos a assisti-la no desempenho dos seus deveres. Sobre a Senhora Embaixadora e os seus concidadãos, invoco as abundantes bênçãos divinas de Deus Todo-Poderoso.


MENSAGEM DO PAPA JOÃO PAULO II AO PRESIDENTE DO PONTIFÍCIO COMITÉ DAS CIÊNCIAS HISTÓRICAS

17 de Abril de 2004

Ao Rev.mo Monsenhor WALTER BRANDMÜLLER Presidente do Pontifício Comité das Ciências Históricas

1. A Igreja de Cristo tem para com o homem uma responsabilidade que, de certa forma, alcança todas as dimensões da sua existência. Por esta razão, sentiu-se sempre empenhada na promoção do desenvolvimento da cultura humana, favorecendo a busca da verdade, do bom e do belo, a fim de que o homem possa corresponder cada vez mais à ideia criadora de Deus.

Para este fim, é importante também o cultivo de um sério conhecimento histórico dos vários campos em que se articula a vida do indivíduo e da comunidade. Nada existe de mais inconsistente do que homens ou grupos sem história. A ignorância do próprio passado conduz fatalmente à crise e à perda de identidade dos indivíduos e da comunidade.

2. Depois, o estudioso crente sabe que possui nas Escrituras Sagradas da Antiga e da Nova Aliança, uma ulterior chave de leitura para um conhecimento adequado do homem e do mundo. De facto, é na mensagem bíblica que se conhece a vicissitude humana nos seus aspectos mais escondidos: a criação, a tragédia do pecado, a redenção. Define-se assim o verdadeiro horizonte interpretativo dentro do qual podem ser incluídos eventos, processos e figuras da história no seu significado mais oculto.

Neste contexto, devem ser indicadas também as possibilidades de que um quadro histórico renovado pode manifestar uma convivência harmoniosa dos povos, sustentada por uma compreensão recíproca e por um mútuo intercâmbio de aquisições culturais. É conferido um papel insubstituível ao abatimento das barreiras existentes entre os povos a uma pesquisa histórica livre de preconceitos e vinculada unicamente à documentação científica. De facto, com muita frequência no curso dos séculos, foram levantados grandes impedimentos devido à parcialidade da historiografia e ao ressentimento recíproco. Como consequência disto, ainda hoje persistem incompreensões que são obstáculo para a paz e a fraternidade entre os homens e os povos.

A aspiração mais recente de superar os confins da historiografia nacional para uma visão alargada a contextos geográficos e culturais mais amplos poderia também revelar-se de grande proveito, pois garantiria um olhar comparativo sobre os eventos, permitindo uma sua avaliação mais equilibrada.

3. A revelação de Deus aos homens realizou-se no espaço e no tempo. O seu momento culminante, o fazer-se homem do Verbo divino, o seu nascimento da Virgem Maria na cidade de David no tempo do Rei Herodes, o Grande, foi um acontecimento histórico: Deus entrou na história humana. Por este motivo, contamos os anos da nossa história a partir do nascimento de Cristo.

Também a fundação da Igreja, através da qual Ele quis transmitir, depois da sua ressurreição e ascensão, o fruto da redenção à humanidade é um facto histórico. A própria Igreja é um fenómeno histórico e, portanto, um objecto eminente da ciência histórica. Muitos estudiosos alguns dos quais nem pertencem à Igreja católica dedicaram-lhe o próprio interesse, dando um contributo importante à elaboração das suas vicissitudes terrenas.

4. A finalidade essencial da Igreja consiste, além da glorificação do Deus trinitário, em transmitir os bens salvíficos confiados por Jesus Cristo aos Apóstolos o seu Evangelho e os seus sacramentos a cada geração da humanidade carente de verdade e de salvação. Este receber do Senhor e transmitir aos homens a salvação é precisamente o modo em que a Igreja se realiza e se cumpre a si mesma no curso da história.

Visto que este processo de transmissão, quando se desenvolve através dos órgãos legítimos, é guiado pelo Espírito Santo de acordo com a promessa de Jesus Cristo, adquire ele mesmo um significado teológico, sobrenatural. Portanto, quanto se verificou no curso da história a nível de desenvolvimento da doutrina, da vida sacramental e do ordenamento da Igreja, em sintonia com a tradição apostólica, deve ser considerado como sua evolução orgânica. Por isso, a história da Igreja manifesta-se como o lugar oportuno do qual haurir para conhecer melhor a própria verdade da fé.

5. Por seu lado, a Santa Sé encorajou sempre as ciências históricas através das suas instituições científicas, como testemunha, entre outras, a fundação deste Pontifício Comité das Ciências Históricas, feita há cinquenta anos pelo Papa Pio XII.

Com efeito, a Igreja está muito interessada no conhecimento cada vez mais aprofundado da própria história. Para esta finalidade, hoje é necessário como nunca um ensino cuidadoso das disciplinas histórico-eclesiásticas, sobretudo para os candidatos ao sacerdócio, como aconselhava o decreto Optatam totius do Concílio Vaticano II (cf. n. 16). Contudo, para se aplicar com bom êxito ao estudo da tradição eclesiástica, são absolutamente indispensáveis sólidos conhecimentos das línguas latina e grega, sem as quais o acesso às fontes da tradição eclesiástica permanece fechado. Somente com o auxílio delas hoje é possível também redescobrir a riqueza da experiência de vida e de fé que a Igreja, sob a guia do Espírito Santo, foi acumulando ao longo dos dois mil anos transcorridos.

6. A história ensina que todas as vezes que, no passado, se adquiriu um novo conhecimento das fontes, foram lançadas as bases para um novo florescimento da vida eclesial. Se "historia magistra vitae", como afirma a antiga expressão latina, a história da Igreja pode muito bem ser chamada "magistra vitae christianae".

Portanto, desejo que o presente Congresso imprima uma nova motivação para os estudos históricos. Isto garantirá às novas gerações um conhecimento cada vez mais profundo do mistério da salvação que actua no tempo, e suscitará num número cada vez maior de fiéis o desejo de ir beber em abundância nas fontes da graça de Cristo.

Com estes votos, envio a Vossa Excelência Reverendíssima, aos Relatores e aos participantes no Congresso a minha afectuosa Bênção.

Vaticano, 16 de Abril de 2004.


DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II AOS PARTICIPANTES NO CONGRESSO INTERNACIONAL DA UNIÃO CRISTÃ DAS ENTIDADES ENTRE E PARA OS MIGRANTES ITALIANOS - U.C.E.M.I.

Sábado, 17 de Abril de 1997

Estimados e venerados Irmãos no Episcopado e no Sacerdócio Caríssimos Irmãos e Irmãs

1. É-me grato receber-vos por ocasião do Congresso Internacional da União Cristã das Entidades entre e para os Migrantes Italianos. Saúdo-vos cordialmente e, através de vós, dirijo um pensamento afectuoso a todas as comunidades de migrantes italianos, espalhadas pelo mundo. Agradeço ao Presidente, Senhor Adriano Degano, as amáveis palavras que me dirigiu em nome dos presentes.

Vós trabalhais nas numerosas associações cristãs dos emigrados, bem inseridos nas comunidades paroquiais, em espírito de colaboração fraterna e generosa. Estou-vos grato por isto, enquanto vos encorajo a cultivar sempre a dimensão religiosa das vossas associações, para conservar vivos os valores herdados dos pais e para os transmitir às novas gerações. Desta forma, vós ofereceis uma contribuição importante à evangelização. Com efeito, assim como no passado, também na nossa época ela está estreitamente vinculada aos fenómenos migratórios. Exorto-vos a fazer com que a vossa fé seja sempre acompanhada pelo testemunho de amor fraternal e pela atenção efectiva a quantos se encontram em dificuldade.

2. Enquanto vos agradeço a vossa visita, confio-vos, assim como às vossas respectivas associações, a Maria Santíssima, invocando-a como Mãe dos Migrantes.

Com estes sentimentos, concedo-vos a todos do íntimo do coração a minha Bênção, enquanto a faço extensiva às pessoas com quem vos encontrais quotidianamente, no vosso trabalho apostólico.


DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II AO PRESIDENTE DE MOÇAMBIQUE E DA UNIÃO AFRICANA, SUA EX.CIA O SENHOR JOAQUIM ALBERTO CHISSANO

Sábado, 17 de Abril de 2004

Senhor Presidente,

É com grande prazer que o recebo por ocasião desta sua Visita a Roma, nas vestes de Presidente de Moçambique e da União Africana, trazendo na bagagem os graves desafios e grandes esperanças desse Continente, cujas populações sempre tenho no coração e me apraz saudar neste tempo pascal de Ressurreição.

Senhor Presidente Chissano, a minha saudação deferente com votos dos melhores êxitos nas nobres tarefas confiadas à Instituição a que actualmente preside. O Espírito celeste desça sobre a grande família humana e suscite no coração de todos a paixão e o dom da vida! Deus abençoe a sua família e todo o povo de Moçambique; abençoe a África e quantos a ajudam!

VIA-SACRA NO COLISEU

MEDITAÇÃO DO SANTO PADRE JOÃO PAULO II

Sexta-feira Santa, 9 de Abril de 2004

1. Venit hora! Chegou a hora! A hora do Filho do homem.

Como todos os anos, percorremos diante do Coliseu romano a Via crucis de Cristo e participamos naquela hora em que se cumpriu a obra da Redenção.

Venit hora crucis! "A hora da passagem deste mundo para o Pai" (Jo 13, 1). A hora do sofrimento horrível do Filho de Deus, um sofrimento que, depois de vinte séculos, continua a comover-nos profundamente e a interpelar-nos. O Filho de Deus chegou a esta hora (cf. Jo 12, 27) precisamente para dar a vida em benefício dos irmãos. É a hora da oferenda a hora da revelação do amor infinito.

2. Venit hora gloriae! "Chegou a hora de se revelar a glória do Filho do Homem" (Jo 12, 23). Eis a hora em que a nós, homens e mulheres de todos os tempos, nos foi concedido o dom do amor mais forte do que a morte. Estamos aos pés da cruz sobre a qual foi crucificado o Filho de Deus, para que, com o poder que o Pai lhe concedeu sobre todos os seres humanos, Ele dê vida eterna a quantos lhe foram confiados (cf. Jo 17, 2).

Não é porventura um dever, nesta hora, prestar glória a Deus Pai "que nem sequer poupou o seu próprio Filho, mas o entregou por todos nós" (Rm 8, 32)?

Não chegou porventura o tempo de glorificar o Filho que "se rebaixou a si mesmo, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz" (Fl 2, 7)?

Como não glorificar o Espírito d'Aquele que ressuscitou Cristo dos mortos e habita agora em nós para dar a vida também aos nossos corpos mortais (cf. Rm 8, 11)?

3. Esta hora do Filho do homem, que vivemos Sexta-Feira Santa, permaneça na nossa mente e nos nossos corações como a hora do amor e da glória.

O mistério da Via crucis do Filho de Deus seja para todos fonte inesgotável de esperança. Conforte-nos e fortifique-nos também quando chegar a nossa hora.

Venit hora redemptionis. Glorificemus Redemptorem!

Amém.

MENSAGEM DO PAPA JOÃO PAULO II AO CARDEAL MAJELLA AGNELO POR OCASIÃO DA COMEMORAÇÃO DOS 250 ANOS DA BASÍLICA DO BONFIM

Ao Venerável Irmão Geraldo MAJELLA AGNELO Cardeal Arcebispo de São Salvador da Bahia e Primaz do Brasil

A festa do Senhor do Bonfim deste ano tem uma alta significação porque a Basílica, que leva o seu nome, estará comemorando duzentos e cinqüenta anos da sua inauguração. Esta celebração constitui um forte apelo a descobrir o sentido da Basílica do Bonfim: uma particular presença do Redentor dos homens e Filho de Maria, sempre Virgem, entre nós. Através do seu Santuário, Ele continua a ser, de modo humilde e concreto, Deus-Conosco, Deus no meio de nós. A terra de todos os santos fez-se terra do Senhor do Bonfim. Em Porto Seguro, uma grande cruz de madeira ficou implantada no solo pátrio, aí, porém, o crucificado reina no coração da Bahia.

Por esta razão, desejo fazer-me presente espiritualmente nas celebrações promovidas para rememorar, com agradecimento a Deus, aquela Páscoa da Ressurreição do Senhor de 18 de Abril de 1745, quando o Capitão de Mar e Guerra Theodozio Rodrigues de Faria colocou a imagem para a veneração dos fiéis em Itapagipe, transladada posteriormente para a colina do Bonfim. Pelos caminhos misericordiosos da Providência, aprouve à bondade do Senhor crucificado que seu culto especial tivesse início em terras de Portugal, para chegar até ao Brasil, aportasse na cidade de São Salvador e, daqui, a fé e a generosidade da gente baiana espalhasse sua devoção em todo o território nacional.

Em 1991, diante do altar do Senhor do Bonfim, me detive com particulares sentimentos de afeto por todo o Povo dessa terra generosa. Assim como naquele momento de recolhimento, hoje renovo meus votos de que a vinculação da Bahia com o Senhor do Bonfim não diminua, mas, ao contrário, se intensifique; e isto, não só como expressão de sua fé, mas também como penhor de um progresso que não sacrifique suas tradições sadias, seus costumes puros e sua tão rica e diversificada cultura.

A imagem do Crucificado é a mais tranqüilizadora expressão de paz, é a decisiva vitória de Deus. Essa imagem endereçou-a o Pai dos Céus para a Bahia. É Jesus Cristo ontem, hoje e sempre. Desta cruz, reinará por todos os séculos. Pelo Brasil afora sua gente canta assim: prova de amor maior não há que doar a vida pelo irmão por todos os irmãos, de todas as terras e de todos os tempos. Ali aprendemos a vida, recolhemos as bem-aventuranças e somos felizes como irmãos. Peço ao Pai das misericórdias que, mediante as chagas sacrossantas e o precioso Sangue do seu Divino Filho, morto na Cruz, os fiéis da Arquidiocese de São Salvador, como das paróquias do interior, descubram no Santuário do Bonfim a verdadeira casa de Deus: lugar de oração e porta do Céu, espaço privilegiado de encontro de Deus com os homens.

Possa, enfim, a Devoção do Senhor Bom Jesus do Bonfim estimular o crescimento da fé e da piedade cristã entre todos os fiéis da Bahia e da querida nação brasileira. Com estes auspícios concedo ao Senhor Cardeal e a todos os devotos e peregrinos do Senhor do Bonfim, com Mons. Walter Jorge Pinto de Andrade, Reitor da Basílica e Capelão da Devoção, junto a todos os membros da Entidade, uma particular Bênção Apostólica.

Vaticano, 6 de Abril de 2004.
DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II AOS PARTICIPANTES NO ENCONTRO INTERNACIONAL UNIV 2004

Segunda-feira, 5 de Abril de 2004

Caríssimos jovens!

1. Sinto-me feliz em vos receber também este ano, e apresento a cada um as minhas cordiais boas-vindas. Viestes a Roma de diversos Países e de muitas Universidades para viver juntos a Semana Santa e para participar no encontro internacional da UNIV. Desta forma tendes a possibilidade de confrontar as experiências adquiridas participando nas actividades de formação cristã que a Prelazia do Opus Dei promove nas vossas respectivas cidades e nações.

Saúdo-vos com afecto, e saúdo quantos vos acompanharam, assim como os sacerdotes que vos guiam espiritualmente. Ontem, Domingo de Ramos, ouvimos ressoar em São Pedro estas palavras: "Queremos ver Jesus". Elas são o tema da Mensagem que quis escrever aos jovens do mundo inteiro por ocasião da Jornada Mundial da Juventude.

Caríssimos, nunca falte no profundo do vosso coração o desejo de ver Cristo! Sabei superar todas as emoções superficiais, resistindo às seduções dos prazeres e às ambições do egoísmo e das comodidades.

2. No vosso Congresso Internacional estais a enfrentar uma temática de grande actualidade: "Projectar a cultura: a linguagem da publicidade". Há necessidade de saber usar linguagens adequadas para transmitir mensagens positivas e para dar a conhecer de modo atraente ideais e iniciativas nobres. É também necessário saber discernir quais são os limites e as insídias das linguagens que os meios de comunicação social nos propõem. Por vezes os anúncios publicitários oferecem, de facto, uma visão superficial e inadequada da vida, da pessoa, da família e da moralidade.

3. Para realizar esta missão empenhativa, é necessário seguir Jesus de perto na oração e na contemplação. Ser seus amigos no mundo em que nos encontramos exige, além disso, o esforço de ir contra a corrente.

Na universidade, na escola e em todas as partes onde viveis, não tenhais medo de ser, quando for necessário, anticonformistas! Convido-vos de modo particular a difundir a visão cristã da virtude da pureza, sabendo mostrar aos vossos coetâneos que ela "nasce do amor e que a força e a alegria da juventude não são um obstáculo ao amor" (S. José María Escrivá de Balaguer, É Jesus que passa, 40, 6).

4. Neste mundo que procura Jesus, por vezes sem nem sequer o saber, vós, queridos jovens da UNIV, sois fermento de esperança. Os votos que dirigi aos vossos amigos num dos nossos primeiros encontros foi o seguinte: "Se o homem... caminha juntamente com Deus, é capaz de mudar o mundo" (cf. Discurso à UNIV, em L'Osserv. Rom., 13 de Abril de 1982, 1, 3). Repito o mesmo hoje a vós: para melhorar o mundo, esforçai-vos antes de tudo por vos transformar a vós próprios mediante o recurso ao sacramento da Penitência e da íntima identificação com Cristo na Eucaristia.

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