Mensagem de condolências pelas vítimas do terremoto em são juliano de apúlia



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A Maria, que nunca deixou de contemplar o Rosto de seu Filho Jesus, confio cada um de vós e as vossas famílias. Invoco sobre vós a protecção de São José Maria, bem como de todos os Santos das vossas terras e abençoo-vos de coração.
DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II AO SENHOR ABEL PACHECO DE LA ESPRIELLA PRESIDENTE DA REPÚBLICA DA COSTA RICA

Segunda-feira, 5 de Abril de 2004

Senhor Presidente!

Estou feliz por receber Vossa Excelência nesta visita que desejou fazer-me, na qual quer renovar as demonstrações de afecto e de estima do povo da Costa Rica ao Papa. Apraz-me a colaboração existente entre a Igreja e as Autoridades do seu País, que tenho muito presente nas minhas recordações desde quando tive a oportunidade de visitá-lo. Espero, de coração, que o seu povo continue a caminhar tendo como base sólida uma sociedade justa, solidária, responsável e pacífica.

Agradeço a Vossa Excelência a sua presença aqui e renovo os meus votos para o progresso espiritual e material do seu povo, para a sua convivência na concórdia e na liberdade, enquanto invoco do Altíssimo, através da materna intercessão de Nossa Senhora dos Anjos, abundantes bênçãos para os amadíssimos filhos e filhas da Costa Rica, aos quais concedo de coração a Bênção Apostólica.
DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II À COMUNIDADE PAROQUIAL DE SANTA ANA NO 75° ANIVERSÁRIO DA INSTITUIÇÃO

Sábado, 3 de Abril de 2004

Caríssimos Irmãos e Irmãs!

1. Acolho-vos com grande alegria e saúdo-vos com afecto. Saúdo o vosso pároco, Padre Gioele Schiavella, ao qual agradeço as gentis palavras com que se fez intérprete dos sentimentos comuns. Saúdo o Vigário-Geral da Ordem, que não quis faltar a este encontro, os beneméritos religiosos agostinianos, juntamente com os seus colaboradores. Saúdo os eclesiásticos presentes, os representantes das comunidades religiosas que trabalham no território paroquial, as famílias e todos os queridos fiéis da Pontifícia Paróquia de Santa Ana.

2. É vossa intenção celebrar, com iniciativas oportunas, o 75º aniversário de fundação da paróquia, instituída por vontade do meu venerado predecessor, o Papa Pio XI, com a Constituição apostólica Ex Lateranensi pacto de 30 de Maio de 1929. Depois da estipulação dos Pactos Lateranenses, que constituíam o Estado da Cidade do Vaticano, ele quis providenciar o bem espiritual dos fiéis domiciliados no território do novo Estado, e confiou a nova paróquia ao cuidado pastopral da Ordem Agostiniana.

Desde então a comunidade paroquial conduziu uma zelosa acção pastoral, crescendo na experiência da fé e na comunhão entre as suas diversas componentes. Graças ao esforço constante de todos, a igreja de Santa Ana tornou-se um oásis do espírito, onde rezar e participar em celebrações litúrgicas, realizadas com grande decoro e devoção.

Também sei que no interior da paróquia existem não poucos grupos que se dedicam a numerosas actividades apostólicas e evangelizadoras. Ao compromisso de difundir a Boa Nova, eles unem um incessante testemunho de caridade fraterna e de solicitude pelos irmãos mais necessitados.

3. A celebração dos 75 anos transcorridos constitui uma feliz ocasião para dar graças a Deus pela fecunda experiência do passado. Ao mesmo tempo, ela é uma circunstância oportuna para tirar estímulos e encorajamento a prosseguir o caminho empreendido, olhando com confiança para o futuro. Os meus votos são por que os religiosos agostinianos, os sacerdotes que os ajudam, assim como os agentes pastorais e os paroquianos cresçam cada vez mais no impulso espiritual e apostólico.

Caríssimos Irmãos e Irmãs! A vossa igreja, situada precisamente à entrada do Vaticano, é a paróquia à qual me sinto particularmente unido. Garanto-vos para essa finalidade a constante recordação na oração. Peço ao Senhor que guie com o seu Espírito a vossa comunidade, para que seja centro de irradiação do Evangelho e da paz de Cristo.

4. Depois, na iminência da Páscoa, é-me grato desejar-vos que a luz da paixão, morte e ressurreição de Cristo ilumine toda a vossa existência. Só Jesus pode encher o vosso coração de serenidade, e suscitar em vós o desejo de anunciar o seu Evangelho com alegria e dedicação total. Desejo a vós, às vossas famílias e a quantos vos são queridos uma santa Páscoa, e invoco a intercessão da Virgem Maria e da sua santa mãe Ana, e concedo a vós aqui presentes a minha Bênção, fazendo-a extensiva a toda a Comunidade paroquial.


DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II AOS BISPOS DAS PROVÍNCIAS ECLESIÁSTICAS DE ATLANTA E MIAMI E DO ORDINARIATO MILITAR DOS E.U.A. EM VISITA "AD LIMINA APOSTOLORUM"

Sexta-feira, 2 de Abril de 2004

Estimados Irmãos Bispos!

1. "Graça e paz da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo" (Ef 1, 2). No início desta série de visitas ad limina Apostolorum dos Bispos dos Estados Unidos da América, apresento-vos cordiais boas-vindas a vós, meus Irmãos no Episcopado das províncias eclesiásticas de Atlanta, Miami e do Ordinariato Militar.

A vossa visita ao túmulo de Pedro e à casa do seu Sucessor é, de facto, uma peregrinação espiritual ao centro da Igreja. Que ela seja para vós um convite a um encontro mais intenso com Jesus Cristo, uma pausa de reflexão e de discernimento à luz da fé, e um estímulo para um renovado vigor na missão! Tenho confiança em que esta série de visitas ad Limina dará também frutos particulares através de uma consideração mais aprofundada do mistério da Igreja em toda a sua riqueza, e um amplo discernimento dos desafios pastorais que se apresentam aos Bispos dos Estados Unidos da América no alvorecer do novo milénio.

Os nossos encontros realizam-se num momento difícil na história da Igreja nos Estados Unidos. Muitos de vós já me falaram acerca do sofrimento suscitado pelo escândalo dos abusos sexuais nos últimos dois anos e da urgente necessidade de restabelecer a confiança e de promover a reconciliação entre os Bispos, os sacerdotes e os leigos no vosso País. Tenho a esperança de que a disponibilidade que demonstrastes em reconhecer e enfrentar os erros e as faltas do passado, procurando simultaneamente tirar deles uma lição, contribuirá muito para esse trabalho de reconciliação e de renovação. Este tempo de purificação levará, com a graça de Deus, "a um sacerdócio mais santo, a um Episcopado mais santo e a uma Igreja mais santa" (Discurso aos Cardeais e aos Bispos dos Estados Unidos, 23 de Abril de 2002, n. 4), a uma Igreja cada vez mais convencida da verdade da mensagem cristã, da força redentora da Cruz de Cristo e da necessidade de unidade, fidelidade e convicção ao testemunhar o Evangelho ao mundo.

2. A história da Igreja demonstra que não pode verificar-se uma reforma eficaz sem uma renovação interior. Isto é válido não só para os indivíduos, mas também para cada grupo e instituição na Igreja. Na vida de cada Bispo, o desafio da renovação interior deve incluir uma compreensão integral do seu serviço como pastor gregis, por vontade de Cristo, de um ministério específico de governo pastoral na Igreja, e das responsabilidades e do poder apostólico que acompanham esse ministério. Para ser um pastor gregis eficaz, o Bispo deve procurar também constantemente ser forma gregis, (cf. 1 Pd 5, 3); a sua autoridade apostólica deve ser vista, em primeiro lugar e antes de mais, como um testemunho religioso do Senhor Ressuscitado, da verdade do Evangelho e do mistério da Salvação presente e operante na Igreja. A X Assembleia Ordinária do Sínodo dos Bispos recordou que "a vida (do Bispo) deve estar totalmente submetida à palavra de Deus na dedicação quotidiana à pregação do Evangelho com toda a paciência e doutrina" (Pastores gregis, 28; cf. 2 Tm 4, 2).

Por conseguinte, a renovação da Igreja está estreitamente relacionada com a renovação do mistério episcopal. Visto que o Bispo é chamado de maneira única a ser um alter Christus, um vigário de Cristo na sua Igreja local e para ela, ele deve ser o primeiro a conformar a própria vida com Cristo na santidade e na conversão constante. Só assumindo ele próprio os sentimentos de Cristo (cf. Fl 2, 5) e renovando-se "no espírito da [...] mente" (Ef 4, 23), poderá desempenhar de maneira eficaz o seu papel de sucessor dos Apóstolos, guia da fé da comunidade e coordenador daqueles carismas e missões que o Espírito Santo infunde constantemente sobre a Igreja.

3. O recente Sínodo dos Bispos e a Exortação Apostólica pós-sinodal Pastores gregis falaram com insistência acerca da necessidade de fazer própria uma eclesiologia de comunhão e de missão, que "é necessário ter sempre presente" (Pastores gregis, 2). Assim fazendo, retomarão a visão fundamental do Concílio Vaticano II, que exortou a uma compreensão renovada do mistério da Igreja, fundada na vida trinitária do Pai, do Filho e do Espírito Santo (cf. Ad gentes, 2; Lumen gentium, 24) como base para reconfirmar a sua unidade e o seu impulso missionário no mundo. Este apelo do Concílio é válido hoje como nunca. O retorno ao centro da Igreja, a recuperação de uma visão de fé sobre a natureza e a finalidade da Igreja no desígnio de Deus e a compreensão mais clara da sua relação com o mundo, devem formar uma parte fundamental daquela constante conversão à palavra revelada de Deus que é exigida a cada membro do Corpo de Cristo, renascido no Baptismo e chamado a comprometer-se na difusão do Reino de Deus na terra (cf. Lumen gentium, 36).

Ecclesia sancta simul et semper purificanda. O convite premente do Concílio a rezar, a comprometer-se e a ter esperança para que a imagem de Cristo possa resplandecer cada vez mais claramente no rosto da Igreja (cf. Lumen gentium, 15), exige uma reconfirmação constante do consentimento da fé à palavra revelada de Deus e um regresso à única fonte de qualquer renovação eclesial autêntica as Sagradas Escrituras e a Tradição Apostólica, como foram autorizadamente interpretadas pelo Magistério da Igreja. De facto, a visão do Concílio, que encontrou expressão nas grandes Constituições Lumen gentium e Gaudium et spes, permanece "uma bússula certa que nos orienta no caminho do século que começa" (Novo millennio ineunte, 57).

4. Queridos Irmãos, no início destes encontros do Sucessor de Pedro com os Bispos dos Estados Unidos, desejo reconfirmar a minha confiança na Igreja que está na América, o meu apreço pela fé profunda dos católicos na América e a minha gratidão pelos numerosos contributos que eles dão à sociedade americana e à vida da Igreja em todo o mundo. Visto com os olhos da fé, o actual momento de dificuldades é também um tempo de esperança, daquela esperança que "não desilude" (Rm 5, 5) porque se radica no Espírito Santo, que suscita sempre novas energias, novas chamadas e novas missões no interior do Corpo de Cristo.

A Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos, celebrada após os acontecimentos de 11 de Setembro de 2001, observou justamente que o Bispo é chamado a ser profeta, testemunha e servidor do mundo (cf. Pastores gregis, 3) não só porque proclama a todos o fundamento da nossa esperança cristã (cf. 1 Pd 3, 15), mas também porque torna presente essa esperança através do seu ministério pastoral, estando ele centrado sobre três munera santificar, ensinar e guiar. O exercício deste testemunho profético na sociedade americana contemporânea, como muitos de vós realçaram, tornou-se cada vez mais difícil devido às consequências do recente escândalo e da hostilidade aberta ao Evangelho em certos sectores da opinião pública, mas contudo ele não pode ser evitado ou delegado a outrem. Precisamente porque a sociedade americana se encontra perante uma perda preocupante do sentido do transcendente e o afirmar-se de uma cultura materialista e transitória, ela tem urgente necessidade de um tal testemunho de esperança. Foi na esperança que fomos salvos (cf. Rm 8, 24); o Evangelho da esperança permite-nos discernir a presença confortadora do Reino de Deus neste mundo, e oferece confiança, serenidade e orientação no lugar daquela falta de esperança que inevitavelmente gera receio, hostilidade e violência no coração das pessoas e na sociedade em geral.

5. Por este motivo, rezo a fim de que os nossos encontros não só fortaleçam a comunhão hierárquica que une o Sucessor de Pedro com os seus Irmãos Bispos nos Estados Unidos, mas dêem também abundantes frutos para o crescimento das vossas Igrejas locais na unidade e no zelo missionário para a difusão do Evangelho. Desta forma, elas reflectirão cada vez mais plenamente o "grande mistério" da Igreja que, nas palavras do Concílio, está em Cristo como que "sacramento [...] da união íntima com Deus e da unidade de todo o género humano" (Lumen gentium, 1), primeiros frutos do Reino de Deus e previsão profética de um mundo reconciliado e em paz.

Nos próximos meses desejo comprometer-vos a vós e os vossos Irmãos no Episcopado numa série de reflexões sobre a prática do ministério episcopal à luz do tríplice múnus mediante o qual o Bispo, através da ordenação sacramental, é conformado com Jesus Cristo, sacerdote, profeta e rei. Faço votos por que uma firme reflexão sobre o dom e sobre o mistério que nos foram confiados contribuam para o desenvolvimento do vosso ministério como anunciadores do Evangelho e para a renovação da Igreja nos Estados Unidos.

6. Queridos Irmãos, asseguro-vos as minhas orações por cada um de vós e por todo o clero, os religiosos e os fiéis leigos confiados aos vossos cuidados pastorais. Enquanto procuramos enfrentar os desafios que se nos apresentam, nunca deixemos de agradecer a Deus Uno e Trino a rica variedade de dons que ofereceu à Igreja na América e de olhar com confiança para o futuro que a sua providência, também agora, está a abrir à nossa frente. Recomendo com grande afecto todos vós à amorosa intercessão de Maria Imaculada, Padroeira dos Estados Unidos da América, e concedo cordialmente a minha Bênção Apostólica como penhor de alegria e de paz no Senhor.


DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II AO SENHOR NAJI ABI ASSI NOVO EMBAIXADOR DO LÍBANO JUNTO DA SANTA SÉ

Sexta-feira, 2 de Abril de 2004

Senhor Embaixador

1. Sinto-me feliz em receber Vossa Excelência no Vaticano por ocasião da apresentação das Cartas que o acreditam como Embaixador extraordinário e plenipotenciário da República do Líbano junto da Santa Sé.

Agradeço-lhe as palavras gentis que houve por bem dirigir-me e ficar-lhe-ia grato se se dignar transmitir a Sua Excelência o General Emílio Lahoud, Presidente da República libanesa, os meus agradecimentos pelos votos cordiais que me transmitiu por seu intermédio. Através da sua pessoa, desejo saudar com afecto todo o povo libanês, recordando-me com emoção o seu acolhimento caloroso por ocasião da minha viagem no seu país.

2. Senhor Embaixador, Vossa Excelência recordou as incertezas da actual situação internacional, marcada por uma instabilidade profunda das relações entre as Nações sob a pressão dos acontecimentos que se verificaram no Iraque, mas também e sobretudo devido à recrudescência injustificável e preocupante do terrorismo internacional. Face a esta situação precária, a Santa Sé não deixa de se comprometer em favor de um regresso à estabilidade e à ordem internacional, graças ao reconhecimento do papel regulador das Organizações internacionais, sobretudo a Organização das Nações Unidas, e ao fortalecimento dos seus meios de decisão e de acção, a fim de diminuir os focos de tensão e de garantir a paz.

A terra do Líbano, que foi tão provada pelos sofrimentos de uma longa e terrível guerra, procura restabelecer de novo a sua tradição exemplar de diálogo e de equilíbrio entre os diversos componentes culturais e religiosos que constituem desde sempre a nação libanesa. Os habitantes retomaram as suas actividades a fim de reconstruir o seu país e de restabelecer condições económicas e sociais que consintam a renovação do Líbano e que façam florescer as variadas riquezas da cultura libanesa. É desejável que o vosso país reencontre condições estáveis, que favoreçam um desenvolvimento económico e social duradouro, proveitoso para todos, sobretudo para os mais desfavorecidos. Evitar-se-á também deixar que se proliferem situações de injustiça ou de dificuldades económicas, e sentimentos de frustração que podem enfraquecer o tecido social, desencorajando certas camadas da população de permanecer no país e favorecendo a emigração, que empobrece a nação, privando-a dos seus recursos mais preciosos, que são os homens. Faço votos para que todos os libaneses se esforcem corajosamente por participar na vida económica, social e política da sua terra e por garantir um futuro de paz e de progresso aos seus filhos, o que exige também, como já tive ocasião de realçar, "que o país adquira a sua independência total, uma soberania completa e uma liberdade sem ambiguidades" (Uma renovada esperança para o Líbano, n. 121). Que os seus concidadãos não tenham receio de se comprometerem activamente ao serviço do bem comum, a fim de promover uma prática sadia dos costumes políticos e de garantir o bom funcionamento da democracia, para a salvaguarda e a consolidação da identidade do Líbano, cuja vocação é ser "luz para os povos da região e sinal da paz que vem de Deus" (ibid., n. 125).

Desejo que as diferentes comunidades humanas e religiosas que formam o Líbano gozem sempre dos mesmos direitos e do mesmo respeito condição primordial do caminho democrático e da liberdade das pessoas e que participem, por seu lado, nesta obra comum, convidando incessantemente ao respeito e ao diálogo recíprocos, expressando-se no seio de uma sociedade civil para recordar a todos os princípios que devem orientar o caminho comum, participando principalmente na educação da juventude, a fim de despertar cada vez mais o amor pela justiça e pela paz, e o respeito da dignidade de cada homem.

Como Vossa Excelência, Senhor Embaixador, realçou com vigor, a posição geográfica do Líbano situa-o no centro do Médio Oriente e do terrível conflito que continua a dilacerá-lo, começando pelo confronto permanente dos povos Israelita e Palestino que dura há mais de cinquenta anos, e o seu país, que deve enfrentar uma afluência de pessoas ao seu território, evidentemente sente-se parte em causa deste drama. Como recordei em várias ocasiões, a comunidade internacional não deve evitar as suas responsabilidades sob o pretexto de outras urgências, mas deve assumi-las corajosamente, convidando todas as partes em causa, e em primeiro lugar os Israelitas e os Palestinos, a restabelecer imediatamente o diálogo, para pôr fim ao ciclo infernal das violências recíprocas. Eis o preâmbulo necessário para um regulamento global do conflito que deverá associar o conjunto dos países da região. Desejo recordar de igual modo que nunca se poderá restabelecer uma paz duradoura nesta região do mundo sem a coragem política, sem a firme determinação a reconhecer os direitos de cada um, inclusive os do adversário, para se pôr com ele no caminho da paz no respeito da justiça, nem sem a aceitação do recurso ao perdão recíproco, para curar as terríveis feridas infligidas pelas violências recíprocas durante longuíssimos anos e por tantas vidas arruinadas. Possam todos os responsáveis políticos ouvir este apelo, a fim de trabalhar activamente para não adiar a instauração tão desejada da paz!

4. Permita-me Senhor Embaixador, alcançar agora, por seu intermédio, os Patriarcas, os Bispos e todos os fiéis das comunidades católicas do Líbano. Sei quanto estão afeiçoados ao seu país e a parte activa que assumem, em nome da sua fé, para o seu desenvolvimento material e espiritual. Encorajo-os a trabalhar juntos, católicos de diferentes ritos, ao serviço da comunhão, e a prosseguir o caminho da unidade com os irmãos de outras confissões. Que eles se dediquem, de modo específico, ao diálogo inter-religioso com os muçulmanos, sobretudo no campo da educação dos jovens através das instituições universitárias e escolares, bem como no diálogo da vida desta forma, eles serão verdadeiros artífices da paz, contribuindo para edificar um Líbano novo, capaz de vencer as incompreensões e de promover o bem comum, ao serviço de todos os seus filhos!

5. No final do nosso encontro, Senhor Embaixador, sinto-me feliz por lhe dirigir os meus calorosos votos pela feliz realização da nobre tarefa que inicia hoje junto da Santa Sé. Saiba que encontrará sempre um bom acolhimento junto dos meus colaboradores dos diferentes serviços da Cúria Romana.

Sobre Vossa Excelência, os seus colaboradores da Embaixada, os seus familiares, os responsáveis da Nação e sobre todo o povo libanês, invoco de coração a abundância das Bênçãos divinas.


DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II NO ENCONTRO COM A JUVENTUDE DA DIOCESE DE ROMA EM PREPARAÇÃO PARA O DOMINGO DE RAMOS

Quinta-feira, 1 de Abril de 2004

1. "Senhor, nós queremos ver Jesus" (Jo 12, 21). É o pedido que alguns "gregos", que chegaram a Jerusalém para a Páscoa, fazem a Filipe. O Mestre, avisado deste desejo, compreende que chegou a sua "hora"! A "hora" da cruz, da obediência ao Pai no seguimento do destino do grão de trigo que, ao cair na terra, desaparece e morre para dar fruto!

Também para Jesus chegou a "hora" da glória! A "hora" da paixão, morte, ressurreição e ascenção ao céu. A "hora" em que oferecerá a sua vida para depois a retomar novamente e oferecê-la a todos. A "hora" em que, na cruz, vencerá o pecado e a morte para benefício de toda a humanidade.

Também nós somos chamados a viver aquela "hora" para sermos, com Ele, "honrados" pelo Pai.

Caríssimos jovens de Roma e do Lácio, sinto-me feliz por me encontrar convosco. Saúdo o Cardeal Vigário, os demais Bispos aqui presentes, aqueles que, em nome de todos vós, me dirigiram saudações oferecendo o próprio testemunho. Saúdo os vários artistas que participam neste encontro e a todos vós, caríssimos amigos, presentes na Praça e que nos seguis através da televisão.

2. Há vinte anos, no final do Ano Santo da Redenção, entreguei aos jovens a Cruz, o madeiro sobre o qual Cristo foi elevado da terra e viveu a "hora" para a qual viera ao mundo! Desde então esta Cruz, peregrinando de uma Jornada da Juventude para outra, está a caminhar pelo mundo levada pelos jovens e anuncia o amor misericordioso de Deus que vai ao encontro de cada uma das suas criaturas para lhe restituir a dignidade perdida por causa do pecado.

Graças a vós, queridos amigos, milhões de jovens, olhando para aquela Cruz, mudaram a sua existência comprometendo-se a viver como autênticos cristãos.

3. Caríssimos jovens permanecei unidos à Cruz! Olhai para a glória que um dia será também a vossa. Quantas feridas afligem os vossos corações, muitas vezes causadas pelo mundo dos adultos! Confiando-vos idealmente à Cruz, convido-vos a crer que somos muitos a ter confiança em vós, que Cristo tem confiança em vós e que somente n'Ele se encontra a salvação que procurais!

Quanta necessidade há, hoje, de reconsiderar o modo de se aproximar dos jovens para lhes anunciar o Evangelho. Devemos sem dúvida pôr-nos em questão para evangelizar o mundo juvenil, mas com a certeza de que também hoje Cristo deseja fazer-se ver, que também hoje deseja mostrar a todos o seu Rosto!

4. Queridos jovens, não tenhais medo de empreender também novos caminhos de doação total ao Senhor e de missão; sede criativos e sugeri-vos vós mesmos como levar hoje a Cruz ao mundo!

A este propósito desejo congratular-me pela preparação, que se está a realizar na Diocese de Roma, de uma Missão dos jovens para os jovens, no centro histórico, de 1 a 10 de Outubro próximos, com o significativo título "Jesus no centro!". Congratulo-me de igual modo com o Pontifício Conselho para os Leigos que nestes dias quis organizar um Foro internacional de jovens. Saúdo-vos queridos participantes no Foro e encorajo-vos a comprometer-vos generosamente na realização do projecto de uma presença cristã cada vez mais eficaz no mundo da Universidade.

Alimentados pela Eucaristia, unidos à Igreja, aceitando as próprias cruzes, fazei explodir no mundo a vossa carga de fé e anunciai a todos a misericórdia divina!

5. Neste caminho, não receeis confiar-vos a Cristo. Sem dúvida amais o mundo, e fazeis bem, porque o mundo foi criado para o homem. Contudo, a um certo ponto da vida, é preciso fazer uma opção radical. Sem renegar nada do que é expressão da beleza de Deus e dos talentos que d'Ele recebemos, devemos saber declarar-nos do lado de Cristo, para testemunhar face a todos o amor de Deus.

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