Mensagem de condolências pelas vítimas do terremoto em são juliano de apúlia



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A respeito disto, apraz-me recordar o fascínio espiritual que suscitou na história da minha vocação a figura do Santo Frei Alberto, Adam Chmielowski era este o seu nome que não era sacerdote. Frei Alberto era um pintor de grande talento e cultura. Pois bem, a um certo ponto da sua vida cortou as relações com a arte, porque compreendeu que Deus o chamava para tarefas muito mais importantes. Foi para Cracóvia e fez-se pobre entre os mais pobres, oferecendo-se a si próprio para servir os mais desfavorecidos. Encontrei nele um particular apoio espiritual e um exemplo para o meu afastamento da literatura e do teatro, para fazer a opção radical da vocação ao sacerdócio. Sucessivamente, uma das minhas maiores alegrias foi a de elevá-lo às honras dos altares como, anteriormente, a de lhe dedicar uma obra dramática "Irmão do nosso Deus".

Vede, seguir Cristo não significa mortificar os dons que Ele nos concede, mas optar por uma vida de doação radical a Ele! Se Ele nos chama a isto, este "sim" torna-se necessário! Por conseguinte, não tenhais medo de vos entregar a Ele. Jesus sabe como deveis levar hoje a sua Cruz ao mundo, para encontrar as expectativas de muitos outros corações juvenis.

6. Como são diferentes os jovens de hoje em relação aos de há vinte anos! Como mudou o contexto cultural e social no qual vivemos! Mas Cristo não, Ele não mudou! Ele é o Redentor do homem ontem, hoje e sempre!

Portanto, colocai os vossos talentos ao serviço da nova evangelização, para criar de novo um tecido de vida cristã!

O Papa está convosco! Acreditai em Jesus, contemplai o seu Rosto de Senhor crucificado e ressuscitado! Aquele Rosto que muitos desejam ver, mas que com frequência está escondido pela nossa escassa paixão pelo Evangelho e pelo nosso pecado!

Ó Jesus amado, ó Jesus procurado, revela-nos o teu Rosto de luz e de perdão! Preserva-nos, renova-nos, envia-nos!

Muitos jovens aguardam-Te e, se não Te virem, não serão capazes de viver a sua vocação, não serão capazes de viver a vida por Ti e Contigo, para renovar o mundo sob o teu olhar, dirigido ao Pai e ao mesmo tempo à nossa pobre humanidade.

7. Caríssimos amigos, com criatividade sempre nova sugerida pelo Espírito Santo na oração, continuai juntos a levar a Cruz que vos entreguei há vinte anos.

Os jovens de então mudaram, como também eu mudei, mas o vosso coração, como o meu, está sempre sequioso de verdade, de felicidade, de eterno, e por conseguinte, é sempre jovem!

Eu, esta tarde, volto a propôr a minha confiança em vós, esperança da Igreja e da sociedade! Não tenhais medo! Levai a toda a parte e em qualquer ocasião oportuna e inoportuna (cf. 2 Tm 4, 2) a poder da Cruz, para que todos, também graças a vós, possam continuar a ver e a crer no Redentor do homem! Amém.


DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II À COMUNIDADE DO PONTIFÍCIO COLÉGIO PIO BRASILEIRO POR OCASIÃO DO 70° ANIVERSÁRIO DE FUNDAÇÃO

1 de Abril de 2004

Senhor Reitor e Superiores queridos alunos do Pontifício Colégio Pio Brasileiro de Roma

1. É-me muito grato dar-vos as boas-vindas a este encontro com o qual quereis renovar o afeto e a adesão ao Sucessor de Pedro em coincidência com o septuagésimo aniversário de fundação do vosso Colégio. Agradeço ao Reitor, Padre Geraldo Antônio Coelho de Almeida, S.J., as amáveis palavras que me dirigiu para manifestar-me vossos sentimentos e esperanças.

Vossa presença aqui me traz à memória a visita que realizei ao Colégio em 1982, quando celebrei a Eucaristia na vossa Capela e tive a oportunidade de vos dirigir a palavra e visitar algumas instalações do centro.

2. O Pio Brasileiro foi inaugurado a 3 de Abril de 1934, por vontade do Papa Pio XI e do Episcopado do Brasil, de modo especial pelo Cardeal Dom Sebastião Leme. Enviado cada um pelo seu Bispo, o Colégio Pio Brasileiro vos acolhe proporcionando-vos um ambiente propício para uma mais ampla formação acadêmica e espiritual, tão necessária em vossa missão sacerdotal. Residir alguns anos em Roma vos oferece muitas possibilidades de entrar em contato com as memórias históricas dos primeiros séculos do cristianismo, de abrir-vos à dimensão universal da Igreja, de fomentar a comunhão eclesial e a boa disposição a acolher os ensinamentos do Magistério.

3. Mesmo que longe fisicamente, sei que em vosso coração tendes viva a lembrança das pessoas que estavam sob os vossos cuidados pastorais; na verdade, o pastor não pode se esquecer dos seus fiéis, quando vive a caridade pastoral ao estilo de Cristo. Apraz-me recordar aquela mensagem sempre nova que vos deixei na minha precedente visita: A Igreja no Brasil tem necessidade de ministros de Cristo bem formados (cf. Discurso de 24 de Janeiro de 1982). É uma responsabilidade que recai de modo especial em vossos formadores, não só das Universidades que freqüentais, mas, nomeadamente, nos religiosos da Companhia de Jesus, encarregados da direção e animação deste Colégio. Deus queira que o espírito fundacional deixado por Santo Inácio vos anime continuamente, pois o Episcopado brasileiro e todo o Povo de Deus anseiam por sacerdotes santos e doutos, verdadeiros pastores de almas. Essa responsabilidade faz-se ainda maior, se pensamos que alguns sacerdotes provêm de outros países latino-americanos e da África, Oceania e Europa.

4. Não quero terminar estas palavras sem deixar de agradecer a Comunidade de religiosas, e todos os que colaboram para o atendimento do Colégio, e peço a Deus que vos saiba recompensar pela generoso e dedicado serviço que prestais à Comunidade.

Nossa Senhora Aparecida, venerada no vosso Colégio, que sempre acompanhou a todos seus filhos, ela, que é a Mãe dos Sacerdotes, vos alcance as graças necessárias para imitar a Jesus Cristo Sumo e Eterno Sacerdote. Como confirmação destes vivos desejos, vos concedo uma propiciadora Bênção Apostólica, que, de coração estendo aos vossos familiares e amigos.

MENSAGEM DO PAPA JOÃO PAULO II PARA O ENCERRAMENTO DO MÊS MARIANO

Venerados Irmãos no Episcopado e no Sacerdócio Caríssimos Irmãos e Irmãs

1. Desejo unir-me espiritualmente a vós, que participais no tradicional encontro mariano, na conclusão do mês de Maio no Vaticano. Dirijo a minha cordial saudação aos Senhores Cardeais e Prelados, aos sacerdotes, aos religiosos, às religiosas e a todos os presentes. Agradeço a quantos colaboraram para a realização deste sugestivo momento de oração.

2. O mês de Maio termina com a festa litúrgica da Visitação: segundo mistério gozoso, que infunde nos corações um sopro de esperança sempre novo. O encontro de Maria com Isabel é completamente animado pelo Espírito Santo, que enche de júbilo as mães e faz saltar de alegria o profeta nascituro. Além disso, celebramos neste ano esta festa depois de Pentecostes, e isto faz pensar no sopro do Espírito que estimula Maria, e com ela a Igreja, pelos caminhos do mundo, para levar a todos Cristo, esperança da humanidade.

3. Também as chamas das velas, que levastes em procissão, significam a esperança que Cristo, morto e ressuscitado, deu à humanidade. Caríssimos Irmãos e Irmãs, sede sempre portadores desta luz. Aliás, como recomenda o Senhor aos discípulos, sede vós próprios luz (cf. Mt 5, 14) nas vossas casas, em todos os ambientes e em qualquer circunstância da vida. Sede luz com o vosso fiel testemunho evangélico, pondo-vos todos os dias na escola de Maria, discípula perfeita do seu Filho divino.

Ela obtenha para vós este dom do Mestre interior, que é o Espírito Santo. Também eu o peço para vós ao Senhor, enquanto vos renovo o minha afectuosa saudação e vos abençoo de coração.

Vaticano, 31 de Maio de 2004.

DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II ÀS PARTICIPANTES NO CAPÍTULO GERAL DAS IRMÃS DA FAMÍLIA MONÁSTICA DE BELÉM

31 de Maio de 2004

Queridas Irmãs da Família monástica de Belém e da Assunção da Virgem e de São Bruno!

Sinto-me feliz em vos receber por ocasião do vosso Capítulo geral. Saúdo particularmente a Irmã Isabel, vossa Priora, bem como os membros do Conselho geral. Transmito também as cordiais boas-vindas aos membros do Conselho do ramo masculino da vossa Família monástica, presentes aqui convosco. Neste tempo de Pentecostes, faço votos por que o Espírito vos confirme na vossa missão específica e vos esclareça nas decisões que devereis tomar. Reavivando a vossa sede de beber na fonte do carisma do Fundador, o Sopro de Deus permitir-vos-á entrar numa intimidade cada vez maior com Cristo, fonte da eficiência do vosso testemunho e motor da vossa caridade fraterna!

Através da humilde e audaciosa fidelidade, no silêncio que caracteriza a vossa vida escondida, sois amparadas pela oração da Virgem Maria. Por meio da vossa vida contemplativa, elevais o mundo a Deus e recordais aos homens do nosso tempo o lugar que o silêncio e a oração têm na existência.

Que São Bruno, sentinela incansável do Reino que virá, interceda para que permaneçais vigilantes na oração, permanecendo "em guarda, santa e perseverante, na expectativa da vinda do Mestre, para lhe abrir a porta quando ele bater" (cf. Carta a Raul, n. 4)! Convido sobretudo a vossa Família monástica, que tem no seu título o nome Belém, lugar de nascimento de Emanuel, a intensificar a sua oração pelo Próximo Oriente, implorando ao Senhor para que conceda a graça da paz e da reconciliação a todos os habitantes desta região martirizada pela violência.

De todo o coração, concedo-vos de bom grado uma afectuosa Bênção apostólica, que faço extensiva a todas as Irmãs da vossa Família monástica, aos membros do ramo masculino e a todas as pessoas que vos estão próximas.


DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II AOS SUPERIORES E ALUNOS DA PONTIFÍCIA ACADEMIA ECLESIÁSTICA

29 de Maio de 2004

Senhor Presidente Queridos Sacerdotes alunos da Pontifícia Academia Eclesiástica!

1. Sinto-me feliz por vos receber em audiência especial, na conclusão do vosso ano académico, e saúdo-vos a todos com afecto. Saúdo em primeiro lugar o Presidente, D. Mullor García, ao qual manifesto profunda gratidão por se ter feito intérprete dos comuns sentimentos de afecto e de adesão filial ao Sucessor do apóstolo Pedro. Renovo-lhe cordiais bons votos para o XXV aniversário de Ordenação episcopal.

Faço a minha saudação extensiva a todos os que fazem parte da Pontifícia Academia Eclesiástica, e em particular a quantos se dedicam à vossa formação, queridos alunos que provindes de várias nações. Envio um deferente pensamento também aos Pastores das vossas respectivas dioceses, agradecendo-lhes por vos ter destinado para este peculiar serviço pastoral.

2. Como o vosso Presidente acabou de recordar, o nosso encontro realiza-se na vigília de Pentecostes, solenidade litúrgica que realça a vocação missionária da Igreja. Depois de ter recebido o Espírito Santo, os Apóstolos partiram cheios de coragem e de entusiasmo de Jerusalém, e começaram a percorrer o mundo anunciando a Boa Nova. Desde então nunca mais deixou de ressoar entre os homens este anúncio: Cristo, Filho unigénito de Deus, é o Salvador do homem, de cada homem e de todos os homens.

Com o passar dos séculos, a evangelização tornou-se confronto com culturas diversas e, sobretudo recentemente, também diálogo com as instituições civis nacionais e internacionais.

Queridos alunos da Pontifícia Academia Eclesiástica, insere-se neste contexto a vossa participação específica na missão evangelizadora da Igreja. Mantendo-se em contacto com o Papa, as Representações Pontifícias são chamadas a representá-lo junto das Comunidades eclesiais dos Países onde se encontram a trabalhar, junto dos governos das Nações e dos Organismos internacionais. Isto exige que o pessoal que desempenha tais missões tenha a capacidade do diálogo, conhecimento dos vários povos, das suas expressões culturais e religiosas, bem como das suas legítimas expectativas. É indispensável, ao mesmo tempo, uma adequada formação teológica e pastoral, e sobretudo uma fidelidade madura e total a Cristo. Unicamente se vos mantiverdes unidos a Ele com a oração e com a busca constante da sua vontade, o vosso trabalho poderá ser proveitoso e sentireis o vosso sacerdócio plenamente realizado.

3. Queridos alunos, desejo-vos que mantenhais aceso na mente e no coração o fogo vivificante do Espírito Santo, que nestes dias imploramos fervorosamente, e que sejais testemunhas de paz e de amor onde quer que a Providência divina vos conduzir.

A Virgem Maria vigie sobre vós e vos torne apóstolos mansos e corajosos do seu Filho divino. Que as dificuldades nunca impeçam a vossa generosa dedicação a Cristo e à sua Igreja.

Garanto-vos a recordação quotidiana na oração e abençoo-vos com afecto, juntamente com as vossas famílias e quantos vos são queridos.

DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II AOS BISPOS DAS PROVÍNCIAS ECLESIÁSTICAS DE INDIANÁPOLIS, CHICAGO E MILWAUKEE (E.U.A.) EM VISITA «AD LIMINA APOSTOLORUM»

28 de Maio de 2004

Dilectos Irmãos Bispos

1. É com alegria e afecto fraterno que vos dou as boas-vindas, Bispos oriundos das Províncias Eclesiásticas de Indianápolis, Chicago e Milwaukee, por ocasião da vossa visita quinquenal ad limina Apostolorum. Que estes dias de reflexão e oração no âmago da Igreja vos confirmem no vosso testemunho de Jesus Cristo, "o mesmo ontem, hoje e por toda a eternidade" (Hb 13, 8) e na "palavra da Sua graça, que possui o poder de edificar e de vos conceder a herança entre todos os santificados" (Act 20, 32).

Nas minhas constantes reflexões convosco e com os vossos Irmãos Bispos, sobre o exercício do múnus episcopal, agora desejo passar da missão de santificação, confiada aos Sucessores dos Apóstolos, à missão profética, que eles realizam como "arautos da fé e doutores autênticos que anunciam a fé" (Lumen gentium, 25), na comunhão de todo o Povo de Deus. Com efeito, existe uma relação intrínseca entre santidade e testemunho cristão. Mediante o renascimento no Baptismo, "todos os fiéis formam um sacerdócio santo e real, oferecendo a Deus hóstias espirituais por intermédio de Jesus Cristo e anunciando a grandeza daquele que os chamou, para os tirar das trevas e acolher na sua luz maravilhosa" (Presbyterorum ordinis, 2; cf. 1 Pd 2, 9). No cumprimento desta missão profética, cada cristão assumiu a responsabilidade pessoal da verdade divina, revelada no Verbo encarnado, transmitida na tradição viva da Igreja e manifestada no esforço dos fiéis, em vista de difundir a fé e de transformar o mundo mediante a luz e o vigor do Evangelho (cf. Redemptor hominis, 19).

2. Esta "responsabilidade pela verdade" exige da Igreja um testemunho directo e credível do Depósito da Fé. Requer uma compreensão correcta do próprio acto de fé, como consenso repleto de graça à Palavra de Deus, que ilumina a mente e reforça o espírito a fim de que se eleve à contemplação da verdade incriada e para que, conhecendo e amando Deus, os homens e as mulhers possam chegar também à verdade integral acerca de si mesmos (cf. Fides et ratio, Proémio). Uma proclamação eficaz do Evangelho, na sociedade ocidental contemporânea, deverá ter em conta directamente o difundido espírito de agnosticismo e de relativismo que tem suscitado dúvidas sobre as capacidades da razão, de conhecer tais verdades, a única que pode satisfazer a busca incansável de significado por parte do coração humano. Ao mesmo tempo, é necessário defender com determinação a Igreja, enquanto ela é, em Jesus Cristo, o ministro autêntico do Evangelho e "a coluna e o sustentáculo" da sua verdade salvífica (cf. 1 Tm 3, 15; cf. também Lumen gentium, 8).

Por este motivo, a nova evangelização exorta a uma apresentação da fé desprovida de ambiguidades, como virtude sobrenatural, por intermédio da qual permanecemos unidos a Deus e chegamos a compartilhar o seu conhecimento, em resposta à sua Palavra revelada. A apresentação de uma interpretação genuína do acto de fé, que ressalte as dimensões do conhecimento e da fé, contribuirá para a superação de abordagens simplesmente subjectivas e facilitará também uma profunda valorização do papel da Igreja, propondo de forma autorizada "a fé em que acreditar e a pôr em prática" (cf. Lumen gentium, 25). Um elemento essencial do diálogo eclesial com a sociedade contemporânea deve ser inclusivamente a apresentação correcta da relação entre a fé e a razão, no âmbito da catequese e da pregação. Tudo isto levará a uma compreensão mais fecunda das dinâmicas espirituais da conversão, como a obediência à palavra de Deus, a disponibilidade aos "mesmos sentimentos que havia em Jesus Cristo" (Fl 2, 5) e a sensibilidade ao sensus fidei sobrenatural, através do qual "o povo de Deus, sob a orientação do magistério sagrado, ao qual se há-de conformar com fidelidade, adere indefectivelmente "à fé transmitida aos santos"" (Lumen gentium, 12).

3. A palavra de Deus não pode ser acorrentada (cf. 2 Tm 2, 9); pelo contrário, deve ressoar no mundo em toda a sua verdade libertadora, como Palavra de graça e de salvação. "Cristo, que é o novo Adão, revela o homem ao homem, levando-o a compreender a sua excelsa vocação" (Gaudium et spes, 22); por conseguinte, todos os esforços da Igreja devem concentrar-se e orientar-se para esta única finalidade: fazer com que Cristo seja conhecido e amado em toda a parte, como "caminho, verdade e vida" (Jo 14, 5). Isto exigirá uma profunda renovação do sentido missionário profético de todo o Povo de Deus e a mobilização consciente dos recursos da Igreja numa evangelização que permita a todos os cristãos explicar a razão da sua própria esperança (cf. 1 Pd 3, 15) e leve a Igreja a falar corajosamente e com voz unânime, na hora de enfrentar as importantes questões morais e espirituais que interpelam os homens e as mulheres do nosso tempo.

Mediante a sua rede impressionante de instituições caritativas e educativas, a Igreja que está nos Estados Unidos da América deve enfrentar o desafio de uma evangelização da cultura, que seja capaz de haurir da sabedoria do Evangelho "coisas novas e coisas antigas" (Mt 13, 52). Ela é chamada a responder às profundas necessidades e aspirações religiosas de uma sociedade que corre cada vez mais o perigo de esquecer as suas raízes espirituais e que está a ceder a uma visão do mundo meramente materialista e sem alma. Todavia, enfrentar este desafio exigirá uma leitura realista e completa da fé católica e, em particular, a preparação dos jovens para o diálogo com os seus coetâneos, sobre a mensagem evangélica e sobre a sua importância para a edificação de um mundo mais justo, humano e pacífico. Então, esta é sobretudo a hora dos fiéis leigos que, em virtude da sua vocação específica de plasmar o mundo em conformidade com o Evangelho, são chamados a desempenhar a missão profética da Igreja, evangelizando os diversos sectores da vida familiar, social, profissional e cultural (cf. Ecclesia in America, 44).

4. Nestas reflexões sobre a missão profética da Igreja, não posso deixar de expressar o meu apreço pelos esforços que os Bispos norte-americanos têm levado a cabo, a partir do Concílio Ecuménico Vaticano II, quer a nível individual quer como Conferência Episcopal dos Bispos Católicos dos Estados Unidos da América, contribuindo assim para um debate informado e respeitador sobre as importantes problemáticas que dizem respeito à vida da vossa nação.

Desta maneira, a luz do Evangelho esclareceu determinadas questões controversas, como o respeito pela vida humana, os problemas da justiça e da paz, a imigração, a defesa dos valores familiares e a importância da solidez do matrimónio. Este testemunho profético, que foi prestado através da abordagem de alguns temas tirados não só das convicções religiosas que os católicos compartilham, mas inclusivamente da recta razão e da jurisprudência, constitui um serviço significativo em benefício do bem comum, numa democracia como a vossa.

Queridos Irmãos Bispos, no exercício quotidiano do vosso ministério de ensinamento, encorajo-vos a garantir que a espiritualidade de comunhão e de missão encontre a expressão de um compromisso sincero da parte de todos os fiéis e de cada uma das instituições, em vista da proclamação do Evangelho como "a única resposta plenamente válida aos problemas e às esperanças que a vida apresenta a cada homem e a todas as sociedades" (Christifideles laici, 34).

A profissão da religião católica exige de cada um dos fiéis um testemunho concreto da verdade do Evangelho e os requisitos objectivos da lei moral. Enquanto trabalhais em vista de cumprir a vossa missão de apóstolos, que consiste em anunciar a palavra, insistir em todas as ocasiões, oportuna e inoportunamente, admoestar, repreender e exortar (cf. 2 Tm 4, 2), permanecei cada vez mais unidos espiritualmente e trabalhai de forma incansável, para permitir que o rebanho confiado à vossa solicitude pastoral seja testemunha de esperança, arauto do Reino de Deus e edificador da civilização do amor, satisfazendo as aspirações mais profundas do coração humano!

Com estes sentimentos, confio-vos todos, o clero, os religiosos e os fiéis leigos das vossas Igrejas particulares à intercessão amorosa da Bem-Aventurada Virgem Maria, enquanto vos concedo a minha Bênção Apostólica como penhor de alegria e de paz no Senhor.

DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II AO SENHOR ANTON ROP PRIMEIRO-MINISTRO DA REPÚBLICA DA ESLOVÉNIA

Sexta-feira, 28 de Maio de 2004

Senhor Primeiro-Ministro Senhoras e Senhores!

1. É-me grato apresentar as minhas boas-vindas a Vossa Excelência e à Delegação que o acompanha. A sua visita de hoje realiza-se depois do acto solene do intercâmbio dos documentos de ratificação do Acordo estabelecido entre a Eslovénia e a Santa Sé sobre alguns temas jurídicos de interesse comum. Enquanto lhe agradeço as gentis expressões que me digiriu, peço-lhe que transmita a minha deferente saudação ao Senhor Janez Drnovsek, Presidente da República.

2. O acordo que hoje entrou em vigor testemunha o compromisso da República da Eslovénia por manter boas relações com a Sé Apostólica. Estas relações estão fundadas no respeito recíproco e na colaboração leal em beneficio de todos os habitantes do vosso Pais, que recentemente fez o seu ingresso na Uniao Europeia. Sei que a Eslovénia deseja contribuir para o comum compromisso de fazer da Europa uma verdadeira família de Povos num contexto de liberdade e de cooperação recíproca, salvaguardando ao mesmo tempo a própria identidade cultural e espiritual.

Senhor Primeiro-Ministro, tenho a certeza de que a Eslovénia poderá oferecer este seu contributo de maneira eficaz, porque pode fazer referencia também aos valores cristãos, que constituem uma parte integrante da sua história e da sua cultura. Permaneça sempre fiel a estes valores!

3. Dirijo mais uma vez o meu pensamento afectuoso e a certeza da minha constante oração ao amado Povo esloveno, que visitei com grande alegria duas vezes. Deus o ajude a progredir constantemente pelo caminho do desenvolvimento e da paz. Deus abençoe a querida Eslovénia!

Com estes sentimentos, concedo de bom grado a Vossa Excelência e aos seus concidadãos a minha Bênção.

DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II AO PRESIDENTE DA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DA CIDADE DE SAMPETERSBURGO (FEDERAÇÃO RUSSA)

27 de Maio de 2004

Senhor Presidente Ilustres Senhores

Estou-vos particularmente grato pelo gesto amável e apreciado que hoje vos trouxe a esta casa. Ele deseja dar testemunho dos sentimentos de atenção recíproca e de relações intensas que Sampetersburgo e a Sé Apostólica entreteceram ao longo dos três séculos desde a fundação da cidade. Sede todos bem-vindos!

Senhor Presidente, agradeço-lhe as amáveis expressões que me dirigiu em nome dos presentes e de toda a Assembleia Legislativa da vossa maravilhosa cidade, situada à margem do rio Neva. Acolho com reconhecimento a medalha comemorativa do vosso terceiro centenário, que hoje me entregais.

Em Sampetersburgo, porta que introduz no grande país da Federação Russa, tudo fala do fecundo diálogo cultural, espiritual, artístico e humano entre o Oeste e o Leste da Europa. Formulo votos a fim de que esta construtiva atitude de abertura continue a exercer a sua influência positiva, para a plena vantagem da compreensão recíproca entre os povos de diferentes tradições humanas, religiosas e espirituais. Ao invocar sobre vós e os vossos compatriotas a abundância das bênçãos de Deus, faço votos de prosperidade tranquila e de paz à querida cidade de Sampetersburgo.

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