Mensagem de condolências pelas vítimas do terremoto em são juliano de apúlia



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7. É evidente que, para um crente, a estas motivações, juntam-se também as que lhe dão a fé num Deus criador e pai de todos os homens, que lhe confia a gestão da terra e o dever do amor fraterno. Isto significa que o Estado tem todo o interesse em velar para que a liberdade religiosa, direito natural isto é, ao mesmo tempo, individual e social seja efectivamente garantida a todos. Como já tive ocasião de afirmar, os crentes que se sentem respeitados na sua fé, que vêem as suas comunidades reconhecidas juridicamente, colaboram com muito mais convicção no projecto comum da sociedade civil da qual são membros. Então vós compreendeis por que me faço o porta-voz de todos os cristãos que, da Ásia até à Europa, ainda são vítimas de violência e de intolerância, como se verificou muito recentemente por ocasião da celebração do Natal. O diálogo ecuménico entre cristãos e os contactos respeitosos entre as outras religiões, sobretudo com o Islão, são o melhor antídoto contra os desvios sectários, o fanatismo ou o terrorismo religioso.

No que se refere à Igreja católica, gostaria de mencionar uma só situação, que é para mim motivo de grande sofrimento: o destino reservado às comunidades católicas na Federação Russa que, depois de alguns meses, vêem alguns dos seus pastores impedidos de se unirem a eles, por razões administrativas. A Santa Sé espera das autoridades governamentais decisões concretas, que ponham fim a esta crise e que sejam conformes com os compromissos internacionais assinados pela Rússia moderna e democrática. Os católicos russos desejam viver como os seus irmãos de todo o mundo, com a mesma liberdade e dignidade.

8. Excelências, minhas Senhoras e meus Senhores, oxalá nós, aqui reunidos neste lugar, símbolo de espiritualidade, de diálogo e de paz, possamos contribuir com a nossa acção quotidiana para que todos os povos da terra progridam, na justiça e na concórdia, para situações mais felizes e justas, longe da pobreza, da violência e das ameaças da guerra! Queira Deus cumular as vossas pessoas, bem como os povos que aqui representais, com abundantes Bênçãos! Um bom e feliz Ano para todos!


DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II À COMUNIDADE DO COLÉGIO PORTUGUÊS DE ROMA

11 de Janeiro de 2003

Senhor Cardeal Patriarca Queridos sacerdotes do Pontifício Colégio Português Amados irmãos e irmãs,

Com grande alegria, dou-vos as boas-vindas à casa de Pedro, recordando a visita que fiz à vossa, há 18 anos. Saúdo-vos um a um, incluindo na minha saudação as vossas famílias e países de origem que trago no coração.

Na pessoa do senhor Cardeal - que amavelmente me apresentou a família do Colégio e, na qualidade de presidente, representa a Conferência dos Bispos Portugueses - quero congratular-me pela aposta que eles fizeram e pela solicitude e confiança investidas nestes cem anos de vida da Instituição; aproveito o ensejo para agradecer aos responsáveis pelos serviços da casa e pela formação a diligência e competência que demonstram; e aos alunos, a seriedade e entusiasmo postos em corresponder às expectativas das respectivas dioceses.

Pela minha parte, associo-me de bom grado ao vosso louvor a Deus pelos cem anos desta Instituição e renovo a esperança nela deposta pelos meus Predecessores, a começar do Papa Leão XIII que, pelo Breve Rei Catholicæ apud Lusitanos de 20 de Outubro de 1900, instituiu o Pontifício Colégio Português, provendo-o também de residência e direcção estável, a fim de «proporcionar - lê-se no documento - aos que se dedicam ao sacerdócio uma educação mais esmerada, pois com este único benefício se fornecem à Igreja (portuguesa) quase todos os auxílios de que precisa».

Numa Igreja local, é muito útil que alguns membros do clero aprofundem o seu conhecimento da mensagem cristã no quadro dos estudos universitários; sei do cuidadoso empenho com que os Bispos portugueses têm procurado oferecer meios de formação qualificada aos seus sacerdotes, nomeadamente com a instituição e incessante alargamento da Universidade Católica no país, mas pertence ao espírito das próprias instituições universitárias que uma parte dos seus estudantes frequente centros académicos no estrangeiro a fim de adquirir outra visão e uma formação complementar. Daí a grande utilidade que teve e continuará a ter o Colégio Português para acolher dignamente os sacerdotes, aos quais é dada a graça de prosseguirem a sua formação teológico-pastoral, aproveitando todos os recursos que lhes oferece a Cidade Eterna.

A título de homenagem, como não recordar que, ao longo dos primeiros cem anos, passaram pelo Colégio 867 alunos, a grande maioria deles sacerdotes que se revelaram pastores esclarecidos e zelosos - entre eles, contam-se 3 cardeais e 64 bispos -, para cuja formação esta Instituição deu um contributo de primeira qualidade? Roma ajudou a consolidar neles uma mentalidade universal e católica com as linhas essenciais da acção a desenvolver, quando mais tarde, impregnados de um autêntico espírito apostólico, colocavam ao serviço da evangelização o saber acumulado, valendo-se muitas vezes do conhecimento directo de pessoas e situações que os dias romanos lhes forneceram. Uma lição, que nos deixa este centenário, é a grande fecundidade espiritual que advém da colocação desta Instituição portuguesa aqui, mesmo no coração da catolicidade, proporcionando excepcionais oportunidades não só para o trabalho académico mas também para a vivência pessoal.

O Colégio, que recorda sob vários aspectos o Cenáculo de Jerusalém, entrou já no segundo século de existência. Sobre quantos formam a sua família, imploro a vinda do Espírito Santo com os seus dons. Como disse o senhor Cardeal, hoje abrigam-se nele sacerdotes de diferentes países e línguas, tornando-se um lugar privilegiado de encontro sacerdotal e um laço promotor de unidade entre distintas Igrejas locais. No fim do grande Jubileu do ano 2000, convidei todo o povo de Deus a «fazer da Igreja a casa e a escola da comunhão: eis o grande desafio que nos espera no milénio que começa, se quisermos ser fiéis ao desígnio de Deus e corresponder às expectativas mais profundas do mundo» (Carta Ap. Novo millennio ineunte , 43). Como recordação deste nosso encontro, confio-vos um desejo: que todos saibam dar o próprio contributo para aprofundar e consolidar esta unidade da Igreja, de que Roma é sinal e centro posto ao seu serviço.

Como sabeis, uma comunidade cristã vive do esforço de comunicação e cooperação de cada um dos seus membros, obedecendo ao amor que lhe vem da Santíssima Trindade, cujas Pessoas subsistem na recíproca e incessante comunicação e intercâmbio de ser e vida. Esta comunhão trinitária é o modelo que deve transparecer do ser e do serviço sacerdotal, que «tem radical forma comunitária e pode apenas ser assumido como obra colectiva» (Exort. Ap. Pastores dabo vobis , 17), na comunhão hierárquica com o próprio Bispo e em relação com os outros presbíteros e com os fiéis leigos.

Amados irmãos e irmãs,

Estes são alguns dos sentimentos que me inspira o centenário do vosso e nosso Colégio. Continuai a progredir, sem desfalecimento, na formação cristã e sacerdotal, apostólica e cultural, que a Igreja espera de vós; amai apaixonadamente o Evangelho e os homens a que sois enviados, segundo o exemplo e a medida do Coração de Cristo (cf. Jer 3,15), ao qual está solenemente consagrado o Colégio por acto de entrega que as sucessivas gerações de Superiores e alunos renovaram, n'Ele encontrando serenidade, inspiração e santidade.

Assim essa Instituição há-de continuar a ser, como no passado, viveiro de apóstolos, ponto de ligação da Roma católica com os vossos países, testemunho vivo da dedicação e fidelidade dos mesmos a esta Sé de Pedro. Com estes votos pelo melhor futuro do Colégio Português, de coração concedo aos superiores e alunos, aos benfeitores e colaboradores, presentes e ausentes, a minha Bênção Apostólica.

MENSAGEM DO PAPA JOÃO PAULO II PARA OS 160 ANOS DE HISTÓRIA DA PONTIFÍCIA OBRA DA INFÂNCIA MISSIONÁRIA

Caríssimas crianças missionárias!

1. Na primeira metade de 1800, a Europa conheceu uma grande expansão missionária, e a Igreja, consciente do poder missionário da infância, começou a pedir às crianças para se fazerem protagonistas do anúncio do Evangelho aos seus coetâneos.

A 9 de Maio de 1843, o Bispo de Nancy, D. Charles de Forbin-Janson, desejoso de apoiar as actividades dos católicos na China, propôs às crianças de Paris que apoiassem os seus coetâneos recitando uma Ave Maria por dia e oferecendo um vintém por mês. Em pouco tempo, esta iniciativa missionária de apoio material e espiritual ultrapassou as fronteiras da França e difundiu-se noutros Países.

A 30 de Setembro de 1919, escrevia o meu venerado Predecessor, Bento XV: "Nós recomendamos vivamente a todos os fiéis a Obra da Santa Infância, que tem por objectivo garantir o baptismo às crianças não cristãs. Recomendamos que todas as crianças cristãs possam aderir a esta Obra, para que, graças a ela, aprendam a ajudar a evangelização do próximo e compreendam já na sua idade o valor precioso da fé" (Maximum illud).

A festa da Epifania deste ano reveste um valor singular, porque se celebram os 160 anos de história da Obra da Santa Infância, que actualmente está presente em 110 Nações. Ela propõe às crianças de todas as dioceses do mundo um programa, que tem como fundamento a oração, o sacrifício e gestos de solidariedade concreta: assim elas podem tornar-se evangelizadoras dos seus coetâneos.

2. Queridas crianças missionárias, sei com que cuidado e generosidade procurais prosseguir este empenho apostólico. Esforçais-vos de tantas formas por partilhar o destino das crianças obrigadas a trabalhar antes do tempo e por socorrer a indigência das mais pobres; sede solidárias com os anseios e os dramas das crianças envolvidas nas guerras dos adultos, sendo muitas vezes vítimas da violência bélica; rezai todos os dias para que o dom da fé, que vós recebestes, seja transmitido a milhões de pequenos amigos vossos que ainda não conhecem Jesus.

Estais justamente persuadidas de que todo aquele que encontra Jesus e aceita o seu Evangelho se enriquece de muitos valores espirituais: a vida divina da graça, o amor que irmana, a dedicação ao próximo, o perdão dado e recebido, a disponibilidade para acolher e ser acolhidos, a esperança que nos projecta na eternidade, a paz como dom e como compromisso.

Neste tempo natalício, em muitas Igrejas locais, as crianças da Obra da Santa Infância, vestidas de Magos ou de pastores, passam de casa em casa para anunciar jubilosamente o Natal. É um costume simpático dos Cantores da Estrela, que teve início por iniciativa da Obra dos Países Germânicos e, depois, se espalhou em muitas outras Nações: meninos e meninas batem às portas, cantam hinos natalícios, recitam orações, apresentam às famílias projectos de solidariedade. Assim os pequeninos evangelizam também os grandes.

3. Este compromisso de evangelização e de solidariedade vós sabei-lo bem não se limita a algumas semanas e unicamente ao período de Natal, mas prolonga-se por toda a vida. Eis por que vos encorajo a responder generosamente aos numerosos pedidos de ajuda que chegam dos Países pobres.

Quantas crianças na Europa, na América, na Ásia, na África e na Oceânia rezam e trabalham por este mesmo ideal! Foi instituído um Fundo Mundial de solidariedade, incrementado por ofertas que chegam de todas as partes da Terra. Ele é usado para financiar pequenos e grandes projectos destinados à infância.

Existem bonitas histórias de crianças que, para adoptar à distância os seus pequenos amigos, se tornaram vendedoras de estrelas ou coleccionadoras de selos; para libertar os seus coetâneos obrigados a combater, renunciaram a um brinquedo ou a um divertimento caro; para financiar os livros de catequese ou para construir escolas em zonas de missão, comprometeram-se em várias formas de poupança. E os exemplos poderiam continuar. São mais de três mil os projectos que as crianças missionárias estão a financiar com os seus contributos. Não é um verdadeiro milagre do amor de Deus, vasto e silencioso, que deixa uma marca no mundo?

Deveis participar todas neste milagre, queridas crianças missionárias! E quem não possui mesmo nada, pode oferecer o contributo da oração juntamente com as dificuldades da sua pobreza.

4. Queridos meninos e meninas, o compromisso missionário ajuda-vos a vós mesmos a crescer na fé e torna-vos discípulos alegres de Jesus.

A solidariedade para com os menos afortunados abre o vosso coração às grandes exigências da humanidade. Nas crianças pobres e necessitadas podeis reconhecer o rosto de Jesus. Agiram assim insignes missionários como Francisco Xavier, Mateus Ricci, Carlos de Foucauld, Madre Teresa de Calcutá e muitos outros em todas as regiões do mundo.

Desejo de coração que os vossos Pastores, Bispos e sacerdotes, assim como os vossos catequistas e animadores, os vossos pais e professores se interessem pela Obra da Infância Missionária. Desde a sua fundação, ela deu frutos de heroísmo missionário, e escreveu páginas muito bonitas na história da Igreja. As primeiras crianças chinesas, salvas pelas "crianças missionárias", tornaram-se professores, catequistas, médicos e sacerdotes. O dom do Baptismo transformou-se em luz para eles e para as suas famílias.

Entre as crianças ajudadas pela oferta e pela oração de outras crianças, encontram-se o mártir Paulo Tchen e o primeiro Arcebispo de Pequim, o Cardeal Tien Kenhsin. Depois, ao longo dos anos, desabrochou em muitos meninos e meninas a vocação à total consagração à evangelização.

Como não recordar a pequena Teresa de Lisieux que, aos sete anos, a 12 de Maio de 1882, se inscreveu na Obra da Santa Infância e, aos 14, já tinha decidido doar-se a Jesus pela salvação do mundo? Hoje, esta fecundidade espiritual não se extinguiu. Oremos para que um número cada vez maior de crianças ponha à disposição do Evangelho, não só um período da sua vida, mas toda a sua existência. Peçamos também a Deus que se difunda em toda a parte a acção benéfica da Infância Missionária.

5. As necesidades das crianças do mundo são tão numerosas e complexas que não existe um mealheiro ou um gesto de solidariedade, por maior que seja, capaz de as resolver. É necessária a ajuda do Alto. Vós, queridas crianças missionárias, inscrevendo-vos na Obra da Santa Infância, assumis como primeiro compromisso a recitação de uma Ave Maria por dia. De facto, sabeis que a eficiência da missão se baseia antes de mais na oração e, por isso, vos dirigis a Nossa Senhora, Estrela da evangelização.

Há 160 anos que a invocais em nome das crianças de todo o mundo. Exorto-vos a perseverar nesta bonita prática com um compromisso renovado neste "Ano do Rosário". As mais crescidas poderiam tentar, pelo menos algumas vezes, recitar uma dezena do Rosário ou até todo o Terço. É muito sugestivo o Terço missionário: uma dezena, a branca, é pela velha Europa, para que seja capaz de voltar a apropriar-se da força evangelizadora que gerou tantas Igrejas; a dezena amarela é pela Ásia, que explode de vida e de juventude; a dezena verde é pela África, provada pelo sofrimento, mas disponível para o anúncio; a dezena vermelha é pela América, promessa de novas forças missionárias; a dezena azul é pelo Continente da Oceânia, que espera uma difusão do Evangelho mais profunda.

Queridas crianças missionárias, Nossa Senhora vos acompanhe no vosso compromisso!

Confio-vos a ela juntamente com os vossos familiares e com as comunidades cristãs a que pertenceis. Abençoo-vos a todas com afecto.

Vaticano, 6 de Janeiro de 2003, Solenidade da Epifania do Senhor.

DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II AOS "NETTURBINI" E SEUS DIRIGENTES

5 de Janeiro de 2003

Caríssimos Irmãos e Irmãs!

1. Bem-vindos à casa do Papa! Saúdo-vos a todos cordialmente, assim como às vossas famílias. Dirijo um respeitoso pensamento para as autoridades presentes, em particular o Senhor Presidente da Câmara e o Presidente da AMA, a quem agradeço as palavras amáveis com que interpretaram os sentimentos de todos vós.

É já tradição, há diversos anos, que o Papa vá visitar o característico presépio, conhecido como O Presépio dos "Netturbini", aperfeiçoado todos os anos pelo realizador, o Senhor José Ianni. Desta vez, não fui pessoalmente visitá-lo na vossa sede da "Via dei Cavalleggeri"; contento-me em apreciá-lo, num certo sentido, através da fotografia que dele me fizestes chegar, juntamente com um pequeno presépio construído com os mesmos materiais.

Quis, porém, na conclusão das Festividades natalícias, convidar-vos, como que para retribuir a gentileza que sempre tivestes para comigo. Aqui, no Palácio apostólico e noutros lugares do Vaticano, foram levantados vários presépios, com estátuas, personagens e paisagens que reflectem a universalidade da Igreja. Podeis admirar um muito bonito nesta sala. Outro, maior, está na Praça de São Pedro e outro ainda na Basílica Vaticana. Os presépios congregam à sua volta os peregrinos e visitantes e ajudam a comemorar o mistério da Noite Santa.

2. Caríssimos, obrigado do coração, por haverdes aceitado o meu convite. Este encontro, que pretende ser simples e familiar, oferece-me a oportunidade de renovar o meu grato apreço ao Presidente, aos Dirigentes e a todo o pessoal da AMA pelo importante serviço que, dia e noite, a vossa Empresa presta à Cidade e aos seus habitantes. Deus vos ajude a exercê-lo com cuidado e dedicação.

Estamos já no início do novo ano e, por isso, formulo afectuosamente os meus fervorosos votos de felicidades: que o 2003 seja um ano de serenidade e de paz para todos. A solenidade da Epifania, que amanhã celebraremos, recorda-nos a manifestação de Jesus ao mundo.

Maria Santíssima, que apresentou Jesus à adoração dos Magos, vos proteja, assim como os que vos são queridos, as vossas actividades e os vossos projectos. Com estes sentimentos, concedo a todos, do coração, a minha Bênção.


MENSAGEM DO PAPA JOÃO PAULO II AO ARCEBISPO DE CANTUÁRIA PRIMAZ DE TODA A INGLATERRA E PRESIDENTE DA COMUNHÃO ANGLICANA

A Sua Graça o Reverendíssimo e Ilustríssimo Rowan DOUGLAS WILLIAMS Arcebispo de Cantuária

Saúdo Vossa Graça em nome do "único Deus e Pai de todos nós", bem como do seu Filho, nosso Senhor Jesus Cristo (cf. Ef 4, 5-6), e é com sentimentos de alegria e de estima cordial que lhe formulo os meus sinceros bons votos por ocasião da sua entronização como Arcebispo de Cantuária.

A liturgia da sua entronização será uma ocasião, tanto para Vossa Graça como para a Comunhão Anglicana, de celebrar a glória de Deus, contemplando a visão que São João teve, de uma multidão que clamava: "Aleluia! A salvação, a glória e o poder pertencem ao nosso Deus" (Ap 19, 1). Vossa Graça há-de reflectir sobre o mistério de Deus, que chama e envia aqueles que, como Isaías, não se consideram preparados para isto (Is 6, 5-8).

Vossa Graça dá início ao seu ministério de Arcebispo de Cantuária num doloroso momento da história, cheio de tensão, mas caracterizado pela esperança e a promessa. Marcado por conflitos duradouros e implacáveis, o mundo encontra-se perto de mais uma guerra. A dignidade da pessoa humana está a ser ameaçada e debilitada de várias formas. Populações inteiras, especialmente as mais vulneráveis, estão a viver no meio do medo e do perigo. Por vezes, a ardente e legítima aspiração do homem à liberdade e à segurança, manifesta-se com instrumentos inoportunos, violentos e até destruidores. É precisamente no meio destas tensões e dificuldades do nosso mundo que somos chamados a servir.

Sinceramente, podemos alegrar-nos pelo facto de que, nas últimas décadas, os nossos predecessores desenvolveram relações cada vez mais íntimas e até vínculos de afecto, através do diálogo construtivo e de uma comunicação mais estreita. Eles encaminharam a Igreja católica e a Comunhão anglicana por sendas que esta era a sua esperança conduzissem para a plena comunhão. Apesar das incompreensões e dos obstáculos, ainda estamos a percorrer este caminho, irrevogavelmente comprometidos no mesmo itinerário. Ao longo das últimas décadas, as várias oportunidades de encontro com o Dr. George Carey foram particularmente úteis e encorajadoras, sinais de progresso na nossa peregrinação ecuménica. O trabalho da Comissão Internacional entre Anglicanos e Romano-Católicos e da Comissão Internacional entre Anglicanos e Romano-Católicos para a Unidade e a Missão, mais recentemente instituída, continua a progredir.

Ambos estamos conscientes de que a superação das divisões não é uma tarefa simples, e que a plena comunhão se há-de manifestar como uma dádiva do Espírito Santo. É o mesmo Espírito que continua a estimular-nos e a orientar-nos na procura de uma solução para os outros sectores de incompreensão doutrinal, mais profundamente comprometidos no testemunho e na missão de uns e outros.

Com renovados sentimentos de afecto fraternal, invoco sobre a sua pessoa as bênçãos de Deus Todo-Poderoso, no momento em que Vossa Graça assume as suas exímias responsabilidades. No meio de todas as provas e tribulações que vier a encontrar, oxalá o Senhor Arcebispo conheça cada vez mais a glória do Pai, a orientação incessante do Espírito Santo e o rosto misericordioso de nosso Senhor Jesus Cristo.

Vaticano, 13 de Fevereiro de 2003.


MENSAGEM DO PAPA JOÃO PAULO II AOS PARTICIPANTES NO CONGRESSO NACIONAL ITALIANO DA "UNITALSI" NO CENTENÁRIO DE FUNDAÇÃO

Ao venerável Irmão Mons. Luigi MORETTI Assistente Eclesiástico Geral da UNITALSI

1. Foi com alegria que tomei conhecimento de que, de 28 de Fevereiro a 2 de Março de 2003, a União Nacional Italiana de Transporte de Doentes a Lourdes e a Santuários Internacionais, celebra em Rímini o Congresso Nacional por ocasião do seu centenário de vida associativa. Nesta feliz circunstância, é-me grato dirigir a si, ao Presidente Nacional, Dr. António Diella, e a todos os voluntários a minha afectuosa saudação. Agradeço ao Senhor tudo o que, através desta benéfica Associação, Ele realizou e continua a fazer em favor de muitos irmãos e irmãs doentes e em dificuldade.

É significativo que esta celebração jubilar coincida com o Ano do Rosário, considerando que as origens da UNITALSI estão ligadas a um Santuário Mariano, o de Lourdes. Precisamente naquele lugar, abençoado pela presença de Maria, o fundador João Baptista Tomassi encontrou luz e conforto. Dirigiu-se para a gruta de Massabielle com o propósito de pôr fim à vida, no final de um extenuante sofrimento físico e espiritual, mas ficou admirado com a obra amorosa e abnegada dos voluntários. Ao mesmo tempo, apercebeu-se da sua vocação para servir quem sofre, vocação apoiada e encorajada pelo Secretário do Bispo que presidia àquela peregrinação, D. Ângelo Roncalli, de Bérgamo, o futuro Papa João XXIII, hoje elevado às honras dos altares.

2. Foi assim que nasceu uma realidade eclesial, ainda hoje apreciada pelo bem que realiza e pelo espírito evangélico que a anima.

O primeiro protector da UNITALSI foi o meu santo Predecessor, o Papa Pio X, que várias vezes quis abençoar e encorajar o seu desenvolvimento. Em seguida, sucederam-se na orientação espiritual da Associação veneráveis Purpurados e Bispos. Penso, entre os últimos, nos saudosos Cardeais Luigi Traglia e Ugo Poletti. Desejo mencionar também o Arcebispo de Pisa e Vice-Presidente da Conferência Episcopal Italiana, D. Alessandro Plotti, ao qual Vossa Reverência, venerável Irmão, sucedeu como Assistente Eclesiástico. Tantos Bispos e sacerdotes, em muitas dioceses da Itália, se prodigalizam, juntamente com os voluntários da UNITALSI, para fazer experimentar aos doentes e deficientes a proximidade materna da Igreja.

3. Caríssimos Irmãos e Irmãs, graças a vós muitíssimas pessoas, nestes cem anos, puderam deslocar-se aos pés da gruta de Lourdes para confiar ao coração materno da Imaculada as suas penas e receber dela luz e conforto.

Nesta feliz circunstância, é-me grato exprimir-vos o meu profundo apreço pelo serviço que continuais a desempenhar generosamente em plena comunhão com os vossos Bispos. Perseverai na obra que outros, antes de vós, empreenderam sob o olhar materno de Maria. Prossegui com generosidade, abnegação e espírito de serviço. Aprendei, na escola do Evangelho, a ser realizadores de paz, de justiça, de misericórdia onde quer que o Senhor vos chame. Respondei ao amor de Deus, fortalecidos pela consciência de que Ele vos amou primeiro. De facto, tudo o que possuímos e o que somos recebemo-lo dele (cf. 1 Cor 4, 7), e é por isso que nos devemos dedicar ao próximo com generosidade.




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