Mensagem de condolências pelas vítimas do terremoto em são juliano de apúlia



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Queridos Irmãos Bispos

1. É com grande alegria que vos saúdo, Bispos das Províncias Eclesiásticas de Detroit e de Cincinati, por ocasião da vossa visita ad limina Apostolorum. Através de vós, saúdo os sacerdotes, os diáconos, os religiosos e os fiéis leigos das vossas Dioceses: que a graça e a paz do Senhor ressuscitado estejam com todos vós, que fostes "santificados em Jesus Cristo e chamados a ser santos" (1 Cor 1, 2)!

Nos meus encontros com os Prelados dos Estados Unidos da América ao longo deste ano, procurei oferecer algumas reflexões pessoais sobre o ministério episcopal de santificar, de ensinar e de governar o Povo de Deus. Na presente reflexão, desejo dar continuidade à nossa consideração acerca do munus sanctificandi, à luz da responsabilidade do Bispo no que diz respeito à edificação da comunhão de todos os baptizados na santidade, na fidelidade ao Evangelho e no zelo pela difusão do Reino de Deus.

2. À maneira da sua santidade, a unidade da Igreja constitui uma dádiva infalível de Deus e uma exortação constante a uma comunhão cada vez mais perfeita na fé, na esperança e na caridade. "(O próprio) Deus é comunhão, Pai e Filho e Espírito Santo, unidade na distinção, que chama todos os homens a participar da mesma comunhão trinitária" (Ecclesia in America, 33). Mediante a abundância do Espírito Santo, dom de Cristo ressuscitado, a Igreja foi instituída como "povo congregado na unidade do Pai e do Filho e do Espírito Santo" (Lumen gentium, 4). Como sinal e sacramento daquela unidade, que é a vocação e o destino de toda a família humana, a Igreja vive e cumpre a sua missão salvífica como "um só corpo" (cf. 1 Cor 12, 12 ss.), que o Espírito Santo orienta pelo caminho da verdade, congrega na comunhão e nas obras do ministério, guia através da variedade dos dons hierárquicos e carismáticos e adorna com os seus frutos (cf. Lumen gentium, 4). Este mistério de unidade na diversidade é especialmente evidente na celebração da Eucaristia por parte do Bispo, quando ele fica circundado pelos presbíteros, ministros, religiosos e todo o Povo de Deus (cf. Sacrosanctum concilium, 41); na Eucaristia, aquela "santa comunhão", que constitui a verdadeira alma da Igreja, é tanto representada como realizada (cf. Lumen gentium, 3).

Este relacionamento íntimo entre a santidade da Igreja e a sua unidade é o fundamento para aquela espiritualidade de comunhão e de missão que estou persuadido disto devemos fomentar no alvorecer deste novo milénio, "se quisermos ser fiéis ao desígnio de Deus e corresponder às expectativas mais profundas do mundo" (Novo millennio ineunte, 43). Como ícone de Cristo Bom Pastor, presente no meio do seu povo santo, o Bispo tem o dever primário de promover e de animar esta espiritualidade (cf. Pastores gregis, 22). Enquanto insiste que a edificação do corpo de Cristo tem lugar numa rica diversidade de membros, funções e dons, o Concílio Vaticano II observava também que "de entre esses dons sobressai a graça própria dos Apóstolos" (Lumen gentium, 7), cujos sucessores são chamados a discernir e coordenar os carismas e os ministérios dados para a edificação da Igreja na obra de santificação da humanidade e de glorificação de Deus, que constitui a finalidade de toda a sua vida e actividade (cf. Sacrosanctum concilium, 10).

3. Esta espiritualidade de comunhão, de que os Bispos são chamados a dar o seu exemplo pessoal, levá-la-á naturalmente a "um estilo pastoral cada vez mais aberto à colaboração de todos" (Pastores gregis, 44). Isto exige de vós, em primeiro lugar, um relacionamento cada vez mais estreito com os vossos presbíteros que, mediante a Ordenação sacramental, se tornam participantes no único Sacerdócio de Cristo, e na única missão apostólica confiada à sua Igreja (cf. Christus Dominus, 11). Através das Ordens sagradas, tanto os Bispos como os presbíteros receberam um sacerdócio ministerial que difere do sacerdócio ordinário de todos os baptizados, "essencialmente, e não apenas em grau" (Lumen gentium, 10). Ao mesmo tempo, no seio da comunhão do Corpo de Cristo, vós e os vossos sacerdotes sois chamados a cooperar para tornar todo o Povo de Deus capaz de desempenhar o sacerdócio real que lhe foi conferido pelo Baptismo.

Precisamente porque os membros do seu presbitério são os seus colaboradores mais próximos no ministério ordenado, cada um dos Bispos deveria procurar entrar constantemente em contacto com eles, "como pai e irmão que os ama, escuta, acolhe corrige, conforta, busca a sua colaboração e cuida o melhor possível do seu bem-estar humano, espiritual, ministerial e económico" (Pastores gregis, 47). Assim como o Apóstolo Paulo recomendava Timóteo à comunidade cristã de Tessalonica, também os Bispos deveriam poder apresentar cada um dos seus sacerdotes às comunidades paroquiais, dizendo: "(Ele é) nosso irmão e colaborador (de Deus) na pregação do Evangelho de Cristo. Nós enviámo-lo para vos fortalecer e encorajar na fé" (1 Ts 3, 2). Como pai espiritual e irmão dos seus sacerdotes, o Bispo deveria fazer tudo o que está ao seu alcance para os animar na fidelidade à sua vocação e à necessidade de levarem uma vida digna do chamamento que eles receberam (cf. Ef 4, 1).

Aqui, gostaria de transmitir-vos uma palavra de reconhecimento e de louvor, pela dedicação e pelo trabalho fiel que é levado a cabo por um número tão elevado de sacerdotes comprometidos nos Estados Unidos da América, especialmente por aqueles que se encontram empenhados diariamente na resolução dos desafios e das exigências ligados ao ministério no âmbito das paróquias. Convido-vos, a vós que sois os seus Bispos, a unir-vos a mim em acção de graças por eles, reconhecendo com gratidão a sua dedicação incansável de "pastores, evangelizadores e animadores da comunhão eclesial" (Ecclesia in America, 39).

4. O revigoramento de uma espiritualidade de comunhão e de missão exigirá um esforço constante em ordem a renovar os laços de unidade fraterna com os presbíteros. Isto exige uma reconquista consciente e um compromisso quotidiano em benefício daquilo que compartilhamos como o próprio fondamento da nossa identidade de sacerdotes: a busca da santidade, a prática da oração sincera de intercessão, a espiritualidade ministerial alimentada pela palavra de Deus e pela celebração dos sacramentos, o exercício diário da caridade pastoral e a vida de castidade no celibato, como expressão de um compromisso radical na sequela de Cristo. Como valores espirituais que unem os sacerdotes, eles deveriam constituir a base da renovação do ministério presbiteral e da promoção da unidade no apostolado, de tal maneira que, sob a orientação dos seus sacerdotes, a comunidade dos discípulos possa verdadeiramente constituir "um só coração e uma só alma" (Act 4, 32).

Naturalmente, uma espiritualidade de comunhão redundará no desenvolvimento de uma espiritualidade diocesana, fundamentada nas singulares dádivas e carismas concedidas pelo Espírito Santo, para a edificação de cada uma das Igrejas particulares. Cada sacerdote deveria encontrar "precisamente na sua pertença e dedicação à Igreja particular, uma fonte de significados, de critérios de discernimento e de acção, que configuram quer a sua missão pastoral quer a sua vida espiritual" (Pastores dabo vobis, 31). Ao mesmo tempo, um autêntico "espírito diocesano" inspirará e motivará também toda a comunidade cristã a um maior sentido de responsabilidade, em vista do cumprimento fecundo da missão da Igreja, através da sua diversificada rede de comunidades, instituições e apostolados (cf. Apostolicam actuositatem, 10).

5. É nos seminários maiores e menores que são lançadas as sementes de uma espiritualidade de comunhão e de missão, e de um sacerdócio sadio. Encorajo-vos a fazer visitas frequentes aos seminários, a fim de conhecer pessoalmente aqueles que um dia poderão ser presbíteros no âmbito das vossas Igrejas particulares. Estes contactos directos contribuirão inclusivamente para "formar personalidades maduras e equilibradas, capazes de estabelecer relações humanas e pastorais sólidas, teologicamente preparadas, fortes na vida espiritual e amantes da Igreja" (Pastores gregis, 48). Os desafios da vida eclesial interpelam cada vez mais o sacerdote a ser, em todos os sentidos, um "homem de comunhão" (Pastores dabo vobis, 43), comprometido numa cooperação concreta com os outros, ao serviço da comunidade eclesial.

A formação adequada na castidade e no celibato permanece um elemento essencial da educação a receber no seminário, juntamente com a apresentação de um entendimento teológico sólido e correcto da Igreja e do sacerdócio, incluindo uma identificação clara e específica das posições que não são compatíveis com a autocompreensão autorizada da própria Igreja, como está expresso no Concílio e nos documentos da renovação pós-conciliar. Trata-se de uma responsabilidade pessoal que compete a vós, Pastores preocupados pelo futuro das vossas Igrejas locais, e que não pode ser delegada. Uma vez que a formação sacerdotal não termina com a ordenação, o vosso ministério de santificação deve incluir também o cuidado pela constância da vida espiritual dos vossos sacerdotes e a eficácia do seu ministério. Isto exige uma formação pessoal permanente, destinada a aprofundar e harmonizar os aspectos humanos, espirituais, intelectuais e pastorais da sua vida presbiteral (cf. Directório sobre a vida e o ministério dos sacerdotes, n. 70). Desta forma, eles hão-de tornar-se cada vez mais plenamente "homens de Igreja", impregnados de um verdadeiro espírito católico e de um autêntico dinamismo missionário. Pessoalmente, estou convencido de que a oração é a força primordial que inspira e forma as vocações sacerdotais. Como escrevi na minha Exortação Apostólica pós-sinodal Pastores gregis, "as vocações necessitam de uma ampla rede de intercessores junto do "Senhor da messe". Quanto mais o problema da vocação for enfrentado no contexto da oração, tanto mais ela ajudará o escolhido a escutar a voz daquele que o chama" (n. 48).

6. Estimados Irmãos, as nossas reflexões hodiernas estão a frisar a ligação existente entre o munus sanctificandi e a espiritualidade da comunhão e da missão. Formulo-vos votos a fim de que, no exercício quotidiano do vosso ministério episcopal, sejais edificadores de comunhão no diálogo e no encontro pessoal com os vossos presbíteros, diáconos, religiosos, religiosas e os fiéis leigos das vossas Igrejas particulares. Este é o caminho seguro que os tornará capazes de amadurecer naquela santidade, que constitui "a fonte secreta e a medida infalível da sua operosidade apostólica e do seu dinamismo missionário" (Christifideles laici, 17).

Com gratidão pelo dom e pelo mistério extraordinários que nos foram confiados no ministério sagrado, exprimo a minha firme solidariedade para convosco e os vossos irmãos no sacerdócio. A vós e a todos os fiéis confiados ao vosso cuidado pastoral, concedo cordialmente a minha Bênção Apostólica como penhor de alegria e de paz no Senhor ressuscitado.


MENSAGEM DO PAPA JOÃO PAULO II AO BISPO DE ALEXANDRIA (ITÁLIA) POR OCASIÃO DO V CENTENÁRIO DO NASCIMENTO DE SÃO PIO V

Ao venerado Irmão D. FERNANDO CHARRIER Bispo de Alexandria

1. É-me grato enviar-lhe uma cordial saudação por ocasião das celebrações promovidas para o V centenário do nascimento do meu Predecessor, São Pio V. O meu afectuoso pensamento torna-se extensivo aos fiéis dessa amada Diocese, que justamente recorda, com alegria e gratidão a Deus, este seu ilustre filho.

As várias manifestações programadas para comemorar este feliz aniversário oferecem a oportunidade de reavivar a memória deste grande Pontífice, e de reflectir sobre a rica herança de exemplos e de ensinamentos, por ele deixados, que são válidos como nunca também para os cristãos do nosso tempo.

A celebração do V centenário do seu nascimento seja motivo de bênção para toda a Igreja e, de modo especial, para a amada Diocese de Alexandria, assim como para a Comunidade eclesial do Piemonte. A intercessão de São Pio V e o exemplo das suas virtudes sirvam de estímulo para cada um, a fim de tornar a sua fé mais firme, mantendo-a incontaminada e em permanente contacto com as fontes da Revelação, e difundindo-a na sociedade para edificar uma humanidade aberta a Cristo e incline à construção da civilização do amor.

2. A época em que ele viveu foi na verdade muito diferente da actual e, contudo, não faltam entre elas analogias singulares. Os dois períodos históricos viram a consolidação de energias religiosas convergentes e, ao mesmo tempo, registraram crises profundas na sociedade com confrontos entre cidades e povos que, por vezes, desembocaram em dolorosos conflitos armados. Nas duas épocas a Igreja empenhou-se na busca de novos caminhos para reavivar a fé e propô-la de maneira adequada nas mudadas condições culturais e sociais, também mediante a celebração do Concílio de Trento, então, e do Concílio Ecuménico Vaticano II, no século passado. A cada um destes Concílios seguiu-se o esforço, nem sempre fácil, de aplicar fielmente os seus ensinamentos, dando vida a processos de autêntica reforma da Igreja.

Neste contexto histórico e religioso, que caracterizou o século XVI, situa-se a vicissitude humana e espiritual de São Pio V, que se concluiu em 1 de Maio de 1572. Desde a infância, Michele Ghislieri conheceu o mal-estar da pobreza e teve de contribuir, com o seu trabalho, para o sustento da sua família. Inspirou-se nos valores típicos da sua amada terra de Alexandria, à qual permeneceu sempre ligado, a ponto de ser conhecido, quando foi chamado a fazer parte do Colégio cardinalício, como o Cardeal Alexandrino.

Aos 14 anos entrou na Ordem dos Pregadores e realizou o itinerário formativo nos conventos de Vigevano, Bolonha e Génova, dedicando-se incansavelmente a percorrer o caminho da perfeição evangélica mediante a oração e o estudo, e haurindo abundantemente das fontes da palavra de Deus segundo o carisma dominicano.

Já então manifestava um gosto particular pela Sagrada Escritura e pela doutrina dos Padres, apaixonando-se também pelo estudo das obras de São Tomás de Aquino que ele mesmo, tornando-se Sumo Pontífice, incluiu entre os Doutores da Igreja. Foi ordenado sacerdote em Génova no ano de 1528.

Encarregado pelo Papa Paulo III de vigiar sobre a pureza da fé nas regiões de Pádua, Pavia e Como inspirou-se, tendo-os como modelos e protectores, em São Domingos, em São Pedro mártir de Verona, em São Vicente Ferrer e em Santo António de Florença, preocupando-se unicamente por procurar sempre a maior glória de Deus e o autêntico bem dos irmãos, fiel ao mote "caminhar na verdade" que quis fazer seu. Prosseguiu com o mesmo zelo quando foi nomeado em Roma Comissário para a Doutrina da Fé, e nos outros cargos que lhe foram confiados pelos Papas Júlio III, Paulo IV e Pio IV. Eleito Bispo de Nepi e Sutri em 1556, foi criado Cardeal no ano de 1557, e em 1560 tornou-se Bispo de Mondovì.

3. Aos 62 anos, em Janeiro de 1566, foi eleito Sucessor de Pedro e durante os anos de Pontificado dedicou-se a reavivar a prática da fé em todos os componentes do Povo de Deus, dando à Igreja um providencial estímulo evangelizador. Incansável no trabalho pastoral, procurava contactos directos com todos, sem ter em consideração a fragilidade do seu estado de saúde. Preocupou-se por aplicar fielmente as decisões do Concílio de Trento: em campo litúrgico, com a publicação do Missal Romano renovado e do novo Breviário; no âmbito catequético, confiando sobretudo aos párocos o "Catecismo do Concílio de Trento"; em matéria teológica, introduzindo nas Universidades a Summa de São Tomás. Recordou aos Bispos o dever de residir na Diocese para um atento cuidado pastoral dos fiéis, aos religiosos a oportunidade da clausura e ao clero a importância do celibato e da santidade de vida.

Consciente da missão recebida de Cristo Bom Pastor, dedicou-se a apascentar a grei que lhe fora confiada, convidando a recorrer quotidianamente à oração, privilegiando a devoção a Maria, que contribuiu para incrementar notavelmente dando um grande estímulo à prática do Rosario. Ele mesmo o recitava todos os dias, apesar de desempenhar numerosas tarefas empenhativas.

4. Venerado Irmão, o zelo apostólico, a constante tensão para a santidade, o amor à Virgem, que caracterizaram a existência de São Pio V sejam para todos estímulo a viver com um compromisso mais intenso a própria vocação cristã. De modo especial, gostaria de convidar a imitá-lo na filial devoção mariana, descobrindo a oração do Rosário, simples e profunda, que, como quis recordar na Carta apostólica Rosarium Virginis Mariae, ajuda a contemplar o mistério de Cristo: "Na sobriedade dos seus elementos, concentra a profundidade de toda a mensagem evangélica, da qual é quase um compêndio... Com ele, o povo cristão frequenta a escola de Maria, para se deixar introduzir na contemplação da profundidade do seu amor" (n. 1).

Graças à recitação fervorosa do Rosário, podem-se obter graças extraordinárias por intercessão da celeste Mãe do Senhor. Disto estava muito bem persuadido São Pio V que, depois da vitória de Lepanto, quis instituir propositadamente a festa de Nossa Senhora do Rosário.

Confiei a Maria, Rainha do Santo Rosário, neste início do terceiro Milénio, com a recitação do Rosário o bem precioso da paz e o fortalecimento da instituição familiar. Renovo este confiante acto pela intercessão do grande devoto de Maria que foi São Pio V.

5. Garanto uma particular recordação na oração por Vossa Excelência, Venerado Irmão, pelos Bispos que estarão presentes no encerramento do centenário, pelos Comités Nacionais e de Honra, pelas Autoridades da Região, da Província e dos Municípios do território alexandrino, pelo clero e religiosos, pelos amados fiéis e por todos os que participarem na Santa Missa de 5 de Maio, na conclusão das celebrações jubilares na igreja do mosteiro da Santa Cruz em Boscomarengo.

Envio a todos de coração uma especial Bênção Apostólica.

Vaticano, 1 de Maio de 2004.

JOÃO PAULO II


DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II À ASSOCIAÇÃO MUNDIAL DE JURISTAS

4 de Maio de 2004

Ilustres Senhoras e Senhores

É-me grato saudar-vos, membros da Associação Mundial de Juristas, por ocasião do vosso encontro em Roma para a conferência do corrente ano, enquanto agradeço ao Senhor Presidente Yevdokimov as amáveis palavras que proferiu.

O tema dos vossos debates está centrado nos aspectos legais de algumas questões económicas que se estão a apresentar ao nosso mundo, cada vez mais globalizado. A fim de que realmente possam servir de ajuda para todos os homens e mulheres, especialmente para os pobres e os desvantajados, os sistemas legais e os instrumentos jurídicos devem salvaguardar a verdade integral da pessoa humana. Por conseguinte, é de primária importância que as diversas expressões do direito internacional reconheçam e respeitem as verdades morais e espirituais, necessárias para defender e promover de maneira oportuna a dignidade e a liberdade dos indivíduos, dos povos e das nações.

Na esperança certa de que o vosso trabalho oferecerá uma contribuição significativa neste campo, invoco cordialmente sobre todos vós as abundantes bênçãos de Deus Todo-Poderoso.
DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II AOS PROFESSORES E ALUNOS DO "INSTITUT DE THÉOLOGIE ORTHODOXE D'ETUDES SUPÉRIEURS" DE CHAMBÉSY (SUÍÇA)

Terça-feira, 29 de Junho de 2004

Excelência Senhor Reitor Queridos estudantes!

Alegro-me com a vossa visita de estudo e de informação a Roma no âmbito dos contactos realizados, estabelecidos há vários anos, entre o Centro Ortodoxo do Patriarcado Ecuménico, no qual tem a sua sede o Instituto de Teologia Ortodoxa de Estudos Superiores, e o Comité católico para a colaboração cultural no seio do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos. Recordo-me com gratidão da minha visita ao Centro e da longa e eficaz colaboração com o seu primeiro Director, o Metropolita Damaskinos. É com alegria que o recebo nesta cidade de Roma e faço votos por que o aspecto espiritual da vossa visita e do vosso encontro com a grande tradição da fé alimentada pela Igreja dos Apóstolos Pedro e Paulo vos permita descobrir quanto partilhamos no nosso esforço milenário para proclamar o Evangelho de Cristo.

A vossa visita também vos proporciona a ocasião de vos encontrardes com os responsáveis do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, bem como de outras Instituições da Santa Sé e das Pontifícias Universidades. Os vários encontros favorecem o conhecimento recíproco. Desta forma, aproxima-se cada vez mais "a hora do encontro e da partilha dos dons de cada um, com base num conhecimento recíproco objectivo e aprofundado" (Audiência aos membros do Conselho de Gestão do Comité católico para a colaboração cultural, 18 de Janeiro de 2003).

Esta primeira "visita de estudo e de informação" do vosso Instituto a Roma coincide com o quadragésimo aniversário do histórico encontro entre o Papa Paulo VI e o Patriarca Atenágoras I em Jerusalém. Dou graças ao Senhor que concedeu à sua Igreja este maravilhoso testemunho de fraternidade e encorajo-vos a trabalhar para que o compromisso assumido na terra do Senhor permaneça um dever firme para todos. Neste espírito, alegro-me com a visita a Roma de Sua Santidade o Patriarca Bartolomeu. Ela constitui uma nova etapa do diálogo da caridade cujo alvorecer foi tão luminosamente desenhado em Jerusalém. Tende a certeza dos sentimentos de amizade com os quais o Bispo de Roma vos recebe e pede a Deus que faça descer sobre vós a abundância das suas Bênçãos.


DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II AO PATRIARCA ECUMÉNICO BARTOLOMEU I POR OCASIÃO DA SOLENIDADE DOS SANTOS APÓSTOLOS PEDRO E PAULO PADROEIROS DE ROMA

29 de Junho de 2004

Santidade Venerados e amados Irmãos do Patriarcado Ecuménico

1. Bem-vindos em nome do Senhor! Dirijamos-lhe a nossa acção de graças, porque no dia de hoje nos concede encontrar-nos, na Festa dos Santos Pedro e Paulo, venerados também pela Liturgia ortodoxa como Protóthronoi, ou seja, aqueles que se sentam nos primeiros tronos.

Além disso, damos graças a Deus comemorando em conjunto o feliz encontro que teve lugar há quarenta anos, entre o meu venerado Predecessor, o Papa Paulo VI, e o venerado Patriarca Atenágoras I. Tal encontro teve lugar em Jerusalém, onde Jesus foi elevado sobre a Cruz para redimir a humanidade e para a congregar na unidade. Como foi providencial este encontro para a vida da Igreja, corajoso e ao mesmo tempo jubiloso! Impelidos pela confiança e pelo amor a Deus, os nossos iluminados Predecessores souberam ultrapassar os preconceitos e as incompreensões seculares, e ofereceram um exemplo admirável de pastores e guias do Povo de Deus. Descobrindo-se como irmãos, eles foram invadidos por um sentimento de profunda alegria, que os levou a retomar com confiança as relações entre a Igreja de Roma e a Igreja de Constantinopla. Deus os recompense no seu Reino!

2. Santidade, é com grande afecto que o recebo. Sinto-me verdadeiramente feliz por hospedar Vossa Santidade nesta casa, em que está viva a memória dos Santos Apóstolos. Juntamente com Vossa Santidade, saúdo agora aqueles que o acompanham e, de modo particular, os Arcebispos Metropolitanos e a Delegação do Patriarcado; saúdo também o Grupo de fiéis da Arquidiocese greco-ortodoxa da América, e o Grupo de Professores e de Estudantes do Instituto de Teologia Ortodoxa de Estudos Superiores de Chambésy, acompanhados pelo Bispo Makarios. Agradeço a todos a cordial presença.

Ao longo destes quarenta anos as nossas Igrejas, nas suas relações, viveram importantes ocasiões de contacto, que favoreceram o espírito da reconciliação recíproca. Não nos podemos esquecer, por exemplo, do intercâmbio de visitas entre o Papa Paulo VI e o Patriarca Atenágoras I, em 1967. Além disso, conservo a memória viva da minha visita ao Fanar, em 1979, e do anúncio, com o Patriarca Demétrio I, do início do diálogo teológico. Além disso, recordo-me da visita a Roma do Patriarca Demétrio I em 1987, e a de Vossa Santidade em 1995, que foram seguidas de outras significativas ocasiões de encontro. Trata-se de grandes sinais do compromisso comum, em vista de continuar a percorrer o caminho empreendido, para que se realize quanto antes a vontade de Cristo: ut unum sint!

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