Mensagem de condolências pelas vítimas do terremoto em são juliano de apúlia



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3. Pois bem, agora eu digo-vos, prezados jovens: não tenhais medo de vos encontrardes com Jesus: pelo contrário, procurai-O na leitura atenta e disponível da Sagrada Escritura e na oração pessoal e comunitária; buscai-O na participação activa da Eucaristia; ide à sua procura, encontrando-vos com um Sacerdote no sacramento da Reconciliação; ponde-vos à sua busca na Igreja, que se manifesta a vós através dos grupos paroquiais, dos movimentos e das várias associações; procurai-O no rosto do irmão que sofre, que está em necessidade, que é estrangeiro. Esta busca caracteriza a existência de muitos jovens coetâneos que percorrem a via, a caminho da Jornada Mundial da Juventude que, no Verão do próximo ano, vai ser celebrada em Colónia.

Convido-vos cordialmente desde já, inclusive vós, para este grande encontro de fé e de testemunho.

Como vós, um dia também eu tive vinte anos. E eu gostava de praticar desportos, esquiar e recitar. Eu estudava e trabalhava. Tinha aspirações e preocupações. Naqueles anos já distantes, naquela época em que a minha terra natal tinha sido ferida, primeiro pela guerra e depois pelo regime totalitário, eu buscava um sentido a dar à minha vida. E encontrei-o no seguimento do Senhor Jesus.

4. A juventude é o momento em que também tu, dilecto jovem, querida jovem, te interrogas sobre o que fazer da tua existência, como contribuir e para fazer do mundo um lugar um pouco melhor, como promover a justiça e construir a paz.

Este é o segundo convite que te dirijo: "Escuta!". Nunca te canses de treinar na difícil disciplina da escuta. Escuta a voz do Senhor que te fala através dos acontecimentos da vida quotidiana, mediante as alegrias e os sofrimentos que a acompanham, através das pessoas que se encontram ao teu lado, da voz da consciência sequiosa de verdade, de felicidade, sedenta de bondade e de beleza.

Se tu souberes abrir o teu coração e a tua mente com disponibilidade, descobrirás a "tua vocação", ou seja, aquele projecto que, desde sempre, Deus no seu amor pensou para ti.

5. E poderás constituir uma família, alicerçada no matrimónio como pacto de amor, entre um homem e uma mulher que se comprometem numa comunhão de vida estável e fiel. Poderás afirmar com o teu testemunho pessoal que, não obstante todas as dificuldades e obstáculos, é possível viver plenamente o matrimónio cristão, como experiência repleta de sentido e como "boa notícia" para todas as famílias.

Se tal for a tua vocação, poderás ser sacerdote, religioso ou religiosa, entregando com coração inconsútil a tua vida a Cristo e à Igreja, tornando-te desta maneira um sinal da presença amorosa de Deus no mundo contemporâneo. Poderás ser, como muitos já foram antes de ti, um apóstolo intrépido e indefesso, vigilante na oração, feliz e disponível no serviço em benefício da comunidade. Sim, também tu poderias ser um deles! Bem sei que, diante desta proposta, te sentes vacilante.

Contudo, eu digo-te: não tenhas medo! Deus não se deixa vencer em generosidade! Depois de quase sessenta anos de sacerdócio, sinto-me feliz por prestar aqui, perante todos vós, o meu testemunho: é bonito poder despender-se até ao fim pela causa do Reino de Deus!

6. Há ainda o terceiro convite: jovem da Suíça, "põe-te a caminho!". Não te contentes com os debates; não esperes, para fazer o bem, as ocasiões que talvez nunca se apresentaram. Chegou a hora de agir!

No início deste terceiro milénio também vós, jovens, sois chamados a proclamar a mensagem do Evangelho com o testemunho da vida. A Igreja tem necessidade das vossas energias, do vosso entusiasmo, dos vossos ideais juvenis, para fazer com que o Evangelho permeie o tecido da sociedade e suscite uma civilização de justiça autêntica e de amor sem discriminações. Hoje, mais do que nunca, num mundo muitas vezes desprovido de luz e sem a coragem dos ideais nobres, não é a hora de te envergonhares do Evangelho (cf. Rm 1, 16). Pelo contrário, chegou o momento de o anunciares dos telhados (cf. Mt 10, 27).

O Papa, os vossos Bispos e a comunidade cristã inteira contam com o vosso compromisso e com a vossa generosidade, enquanto vos acompanham com confiança e esperança: jovens da Suíça, ponde-vos a caminho! O Senhor caminha convosco.

Tende nas vossas mãos a Cruz de Cristo. Nos vossos lábios, as palavras de Vida. No vosso coração, a graça salvífica do Senhor ressuscitado!

Steh auf! Lève-toi! Alzati! Sto Se! Levanta-te! É Cristo que vos fala. Ponde-vos à sua escuta!
VIAGEM APOSTÓLICA DE JOÃO PAULO II À SUÍÇA

DISCURSO NA CERIMÓNIA DE CHEGADA

Berna, 5 de Julho de 2004

Senhor Presidente Venerados Irmãos Ilustres Senhores e Senhoras

1. É pela terceira vez que a Providência divina me traz a este nobre País, a Suíça, ponto de convergência de idiomas e culturas, para me encontrar com um povo guardião de tradições antigas e aberto à modernidade.

Dirijo a minha cordial e deferente saudação ao Senhor Presidente da Confederação Helvética e agradeço-lhe as palavras de boas-vindas. Saúdo as demais Autoridades e estou-lhes grato pela hospitalidade, assim como por tudo o que realizaram a fim de facilitar, também desta vez, a minha permanência na Suíça.

Saúdo fraternalmente o Presidente da Conferência Episcopal, os Bispos presentes e, através deles, as Comunidades eclesiais de todos os Cantões do vosso País. O meu pensamento dirige-se com deferência também aos cristãos das outras Confissões e a todas as pessoas de boa vontade que actuam neste País.

2. A finalidade desta minha peregrinação apostólica é encontrar os jovens católicos da Suíça por ocasião da sua reunião nacional. Encontrar-me-ei com eles nesta tarde, na Arena de Berna, e será uma festa para eles e também para mim.

É o dever de anunciar o Evangelho de Cristo que me impele ao longo das veredas do mundo, para o repropor aos homens e ás mulheres do terceiro milénio, em particular às novas gerações. Cristo é o Redentor do homem! Quem nele crê e O segue, torna-se construtor da civilização do amor e da paz.

3. Queridos habitantes da Suíça, permiti-me bater idealmente ao coração de cada um de vós, entrando nas vossas casas e nos vários lugares onde viveis e desempenhais as vossas actividades diárias. A todos gostaria de propor de novo o alegre anúncio evangélico de Cristo salvador, formulando a cada um os votos da sua paz.

Com estes sentimentos, imploro do Senhor a abundância dos seus dons sobre o País inteiro.

Deus abençoe a Suíça!


DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II AO PRESIDENTE DOS ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA SENHOR GEORGE WALKER BUSH

4 de Junho de 2004

Senhor Presidente

1. Dou as calorosas boas-vindas a Vossa Excelência, à Senhora Bush e à ilustre Delegação que o acompanha. Faço extensivas as minhas saudações cordiais e afectuosas a todo o povo dos Estados Unidos, que Vossa Excelência representa. Estou-lhe grato por ter desejado encontrar-se novamente comigo, não obstante as dificuldades apresentadas pelos seus numerosos compromissos durante a presente visita à Europa e à Itália, e pela minha própria partida, amanhã de manhã, para um encontro com os jovens na Suíça.

2. Vossa Excelência está a visitar a Itália para comemorar o 60º aniversário da libertação de Roma e para honrar a memória de muitos soldados norte-americanos, que deram a vida pelo seu país e pela liberdade dos povos da Europa. Uno-me à sua pessoa, recordando o sacrifício dos valorosos defuntos e pedindo ao Senhor a fim de que os erros do passado, que deram lugar a tragédias terríveis, nunca voltem a repetir-se. Hoje, também eu penso com grande emoção nos inúmeros soldados polacos que morreram pela liberdade da Europa.

No dia de hoje, o nosso pensamento volta-se também para os vinte anos, durante os quais a Santa Sé e os Estados Unidos mantêm relações diplomáticas formais, estabelecidas em 1984, sob o governo do Presidente Reagan. Tais relações promoveram a compreensão mútua sobre importantes questões de comum interesse e de cooperação concreta em diferentes áreas.

Transmito as minhas saudações ao Presidente Reagan e à sua Senhora, que lhe está tão próxima na doença. A este propósito, gostaria de expressar também a minha estima a todos os Representantes dos Estados Unidos junto da Santa Sé, juntamente com o meu apreço pela competência, a sensibilidade e o grande compromisso com que têm favorecido o desenvolvimento das nossas relações.

3. Senhor Presidente, a sua visita a Roma tem lugar num momento de grande solicitude pela situação permanente de grave agitação no Médio oriente, tanto no Iraque como na Terra Santa. Vossa Excelência conhece a posição inequívoca da Santa Sé a este propósito, expressa em numerosos documentos, através de contactos directos e indirectos, e nos inúmeros esforços diplomáticos que foram realizados, desde que o Senhor Presidente me visitou, primeiro em Castel Gandolfo, a 23 de Julho de 2001, e de novo no Palácio Apostólico em 28 de Maio de 2002.

4. O claro desejo de todos é que agora esta situação seja resolvida quanto antes possível, com a participação activa da comunidade internacional e, em particular, a Organização das Nações Unidas, a fim de assegurar a rápida volta do Iraque à soberania, em condições de segurança para todo o seu povo. A recente nomeação do Chefe de Estado no Iraque e a formação de um governo iraquiano ad interim constituem passos encorajadores para a consecução desta finalidade. Que esta esperança de paz seja fomentada também na Terra Santa e leve a renovadas negociações, orientadas por um compromisso sincero e firme no diálogo entre o Governo de Israel e a Autoridade Palestina.

5. A ameaça do terrorismo internacional permanece uma fonte de preocupação constante. Ela atingiu seriamente as relações normais e pacíficas entre os Estados e os povos, desde o trágico dia 11 de Setembro de 2001, que não hesitei em definir como "um dia obscuro na história da humanidade". Nas últimas semanas, evidenciaram-se outros acontecimentos deploráveis, que perturbaram a consciência cívica e religiosa de todos, tornando mais difícil um compromisso sereno e decidido nos valores humanos comuns: na ausência de tal compromisso, jamais se vencerá a guerra e o terrorismo. Que Deus dê força e sucesso a todos aqueles que não cessam de esperar e de trabalhar pela compreensão entre os povos, no respeito pela segurança e pelos direitos de todas as nações e de cada homem e mulher.

6. Ao mesmo tempo, Senhor Presidente, aproveito este ensejo para reconhecer o grande compromisso do seu Governo e das numerosas agências humanitárias da sua Nação, particularmente as de inspiração católica, em ordem a ultrapassar as condições cada vez mais intoleráveis em vários países africanos, onde o sofrimento causado pelos conflitos fratricida, as enfermidades endémicas e a pobreza degradante já não pode ser ignorado.

Continuo a acompanhar também com grande estima o seu empenhamento na promoção dos valores morais no seio da sociedade norte-americana, particularmente no que se refere ao respeito pela vida e pela família.

7. Sem dúvida, uma compreensão mais completa a mais profunda entre os Estados Unidos da América e a Europa desempenhará um papel decisivo na resolução dos grandes problemas que acabei de mencionar, assim como muitas outras questões que a humanidade contemporânea está a enfrentar. Senhor Presidente, formulo votos a fim de que a sua visita dê um impulso novo e poderoso a tal cooperação.

Senhor Presidente, durante o cumprimento da sua excelsa missão de serviço à sua Nação e à paz no mundo, garanto-lhe as minhas preces e invoco cordialmente sobre a sua pessoa as bênçãos divinas da sabedoria, da fortaleza e da paz.

Durante o encontro o Presidente George Walker Bush entregou ao Papa a "Presidential Medal of Freedom" (Medalha Presidencial da Liberdade). Palavras do Santo Padre:

Senhor Presidente, estou-lhe grato por este gesto sincero.

Que a aspiração à liberdade, à paz e a um mundo mais humano, simbolizada por esta Medalha, inspire os homens e as mulheres de boa vontade de todos os tempos e lugares.

Deus abençoe a América!


DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II AOS BISPOS DAS PROVÍNCIAS ECLESIÁSTICAS DO COLORADO, WYOMING, UTAH, ARIZONA, NOVO MÉXICO E TEXAS OCIDENTAL (E.U.A.) EM VISITA "AD LIMINA APOSTOLORUM"

Sexta-feira, 4 de Junho de 2004

Queridos Irmãos Bispos

1. "O motivo da nossa acção de graças contínua a Deus é o seguinte: quando ouvistes a Palavra de Deus, que vos anunciámos, acolheste-la não como uma palavra humana, mas como ela realmente é, como Palavra de Deus, que age com eficácia em vós que acreditais" (1 Ts 2, 13). É com este trecho de São Paulo que vos dou as afectuosas boas-vindas, Bispos da Igreja que está no Colorado, Wyoming, Utah, Arizona, Novo México e Texas Ocidental, por ocasião da vossa visita ad limina Apostolorum. Enquanto dou continuidade à minha reflexão sobre o munus propheticum do Bispo, desejo considerar hoje sobre a vossa tarefa urgente de evangelizar a cultura.

2. Persuadida da sua competência de portadora da Revelação de Jesus Cristo (cf. Fides et ratio ), a partir de Pentecostes a Igreja empreende a sua própria peregrinação, proclamando: "Jesus Cristo, o Filho de Deus, é o "caminho, a verdade e a vida"" (Jo 14, 6). A sua confiança fundamenta-se sobre o facto de ela saber que tal mensagem encontra a sua origem no próprio Deus. Na sua bondade e sabedoria, Deus entrou na história humana a fim de que nós, através do seu Filho, a soma total da Revelação, compartilhássemos a sua vida divina (cf. Dei Verbum, 2). Por conseguinte, a dinâmica fundamental da missão profética da Igreja consiste em mediar o conteúdo de fé presente nas várias culturas, permitindo que as pessoas sejam transformadas pela força do Evangelho, que imbui o seu modo de pensar, os seus paradigmas de juízo e as suas normas de comportamento (cf. Sapientia christiana, Prefácio I).

A observação do meu predecessor, o Papa Paulo VI, de que "a ruptura entre o Evangelho e a cultura é, sem dúvida, o drama do nosso tempo", hoje é evidente como "crise de significado" (cf. Fides et ratio, 81). Posições morais ambíguas, a deturpação da razão por parte de particulares grupos de interesse e a absolutização da dimensão subjectiva são apenas alguns exemplos de uma perspectiva de vida que não busca a verdade e abandona a procura do fim último e do significado da existência humana (cf. ibid., n. 47).

Contra a obscuridade desta confusão, a luz da verdade que proclamais abertamente (cf. 2 Cor 4, 2) há-de resplandecer como "diaconia" de esperança, orientando os homens e as mulheres a fim de que cheguem a compreender o mistério da sua vida de modo coerente (cf. ibid., n. 15).

3. Como ministros da verdade, com a coragem que vos foi transmitida pelo Espírito Santo (cf. Pastores gregis, 26), o vosso testemunho anunciado e vivido do "sim" extraordinário de Deus à humanidade (cf. 2 Cor 1, 20) manifesta-se como um sinal de força e de confiança no Senhor e gera uma vida nova no Espírito.

Hoje, há pessoas que consideram que o cristianismo está a ser esmagado pelas estruturas, dado que é incapaz de corresponder às exigências espirituais das pessoas em geral. Todavia, longe de ser algo meramente institucional, o centro vivo da vossa pregação do Evangelho é o encontro com nosso Senhor. Com efeito, somente conhecendo, amando e imitando Cristo podemos, juntamente com Ele, transformar a História fazendo com que os valores evangélicos exerçam uma influência na sociedade e na cultura.

Então, é óbvio que as vossas actividades devem orientar-se para a proclamação de Cristo. Efectivamente, o vosso dever de integridade pessoal torna contraditória qualquer separação entre vida e missão. Enviados em nome de Cristo, como Pastores para o pastoreio de algumas porções do Povo de Deus, vós deveis crescer com eles como uma só mente e um só coração, no Espírito Santo (cf. Pastores gregis, 43). Portanto, exorto-vos a estar próximos dos vossos sacerdotes e do povo a vós confiado: imitai o Bom Pastor, que conhece as suas ovelhas e chama cada um pelo nome. Inspirados pelos grandes Pastores que nos precederam, como São Carlos Borromeu, a vossa amizade e a vossa escuta dos sacerdotes e dos fiéis leigos, assim como o vosso contacto directo com os marginalizados, serão quasi anima episcopalis regiminis. Desta maneira, difundi o vosso ensinamento, mediante o exemplo concreto de fé e serviço humildes, encorajando nos outros o desejo de levar uma vida de seguimento autêntico.

4. Um elemento fulcral para um novo ímpeto na vida cristã, a que exortei toda a Igreja (cf. Novo millennio ineunte, 29), é o testemunho profético inequívoco por parte dos homens e das mulheres consagrados à plenitude da verdade de Cristo.

Tendo a sua origem na natureza radical da sua sequela de Cristo, este testemunho profético dos religiosos caracteriza-se pela sua profunda convicção do primado com que Deus e as verdades do Evangelho conseguem plasmar a vida da Igreja, e pelo seu compromisso em assistir a comunidade cristã na promoção de todos os sectores da sociedade civil, mediante estas mesmas verdades.

Na esteira do secularismo crescente e da aumentada fragmentação do saber (cf. Fides et ratio, 81), surgiram "novas formas de pobreza", de modo particular nas culturas que gozam de bem-estar material, que reflectem "o desespero da falta de sentido" (Instrução da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica Recomeçar a partir de Cristo: Um renovado compromisso da vida consagrada no terceiro milênio, n. 35). A falta de confiança na capacidade do ser humano de conhecer; a aceitação de "verdades parciais e provisórias" ( Fides et ratio, 5); e a busca insensata de novidades; tudo isto põe em evidência a tarefa cada vez mais difícil de transmitir às pessoas, de modo particular aos jovens, uma compreensão do fundamento e da finalidade autênticos da vida do homem.

Diante destas imperfeições trágicas do desenvolvimento social, a maravilhosa gama de carismas próprios de cada um dos Institutos religiosos deve ser colocada ao serviço do conhecimento e da realização total do Evangelho de Jesus Cristo, o único que "revela plenamente o homem ao próprio homem, descobrindo-lhe a sua excelsa vocação" (Gaudium et spes, 22). De particular importância nas culturas dominadas pelo secularismo é o compromisso dos religiosos no apostolado de "caridade intelectual". A caridade "ao serviço da inteligência", através da promoção da excelência nas escolas, do compromisso em prol do saber, do aprofundamento da relação entre a fé e a cultura, farão com "que se respeitem, por toda parte, os princípios fundamentais de que depende uma civilização digna do homem" (Instrução... op. cit., n. 38), também nos campos político, jurídico e educativo.

5. O nascimento da missão profética dos leigos constitui um dos tesouros da Igreja no terceiro milénio. O Concílio Vaticano II justamente analisou de modo pormenorizado o dever dos leigos, de "procurar o sinal de Deus, tratando das coisas temporais e orientando-as em conformidade com Deus" (Lumen gentium, 31). Todavia, é também verdade que ao longo dos últimos quarenta anos, enquanto a atenção política à subjectividade do homem se concentrou nos direitos individuais, no cenário público houve uma rejeição crescente do reconhecimento de que todos os homens e todas as mulheres recebem a sua dignidade essencial e comum de Deus e, juntamente com ela, a capacidade de orientar para a verdade e a bondade (cf. Centesimus annus, 38). Desapegados desta visão de unidade fundamental e de finalidade de toda a família humana, por vezes os direitos reduzem-se a reivindicações egoístas: a difusão da prostituição e da pornografia, em nome de uma opção adulta; a aceitação do aborto, em nome dos direitos da mulher; e a aprovação de uniões entre indivíduos do mesmo sexo, em nome dos direitos das pessoas que são homossexuais.

Perante este pensamento erróneo mas difundido, deveis fazer tudo o que vos for possível para animar os leigos na sua "responsabilidade singular" de "evangelizar a cultura... e de promover valores cristãos na sociedade e na vida pública" (Pastores gregis, 51). Falsas formas seculares de "humanismo", que exaltam os indivíduos de maneira a fazer deles autênticos ídolos (cf. Christifideles laici, 5) somente podem ser contrastadas mediante a descoberta da dignidade genuína e inviolável de cada pessoa humana. Esta dignidade sublime manifesta-se em todo o seu esplendor quando se consideram a origem e o destino da pessoa. Criados por Deus e redimidos por Cristo, nós fomos chamados a ser "filhos do Filho" (cf. ibid., n. 37).

Desta maneira, repito agora ao povo dos Estados Unidos da América que o Mistério pascal de Cristo é o único ponto de referência seguro para toda a humanidade, na sua peregrinação de unidade e de paz autênticas (cf. Ecclesia in America, 70).

6. Estimados Irmãos, é com afecto e gratidão fraterna que compartilho convosco estas reflexões e que vos encorajo a dividir os frutos do carisma de verdade, que o Espírito derramou sobre vós. Unidos na proclamação da Boa Nova de Jesus Cristo e orientados pelo exemplo dos Santos, continuai a caminhar com esperança!

Enquanto invoco sobre as vossas pessoas a intercessão de Maria, "Estrela da Nova Evangelização", concedo-vos do íntimo do coração a minha Bênção Apostólica, assim como aos vossos presbíteros, aos religiosos e aos fiéis leigos das vossas dioceses.


DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II AOS MEMBROS DO SÍNODO PERMANENTE DA IGREJA GRECO-CATÓLICA UCRANIANA

Quinta-feira, 3 de Junho de 2004

Senhor Cardeal Venerados Irmãos no Episcopado

1. É-me grato poder realizar este encontro convosco, que aqui estais a representar a Igreja Greco-Católica Ucraniana, os seus pastores, os religiosos, as religiosas, assim como todos os seus fiéis leigos.

Senhor Cardeal, agradeço-lhe as amáveis expressões que me dirigiu em nome de todos os seus coirmãos, e desejo assegurar-lhe que estou próximo de vós com o meu afecto, a oração e a admiração mais profunda pela vitalidade da vossa Igreja e pela fidelidade que a tem caracterizado ao longo dos séculos.

Enriquecida pelos testemunhos heróicos, prestados inclusivamente nos períodos mais recentes, ela continua a comprometer-se em programas pastorais que contam com a colaboração generosa e concorde do clero e dos leigos, em ordem a uma obra eficaz de evangelização, favorecida por um clima de liberdade que hoje se respira também no vosso País.

2. É por estes motivos que compartilho a vossa aspiração, solidamente alicerçada inclusive na disciplina canónica e conciliar, a gozar da plena configuração jurídico-eclesial. Compartilho-a na oração e também no sofrimento, esperando o dia estabelecido em que, como Sucessor do Apóstolo Pedro, poderei confirmar o fruto maduro do vosso desenvolvimento eclesial. Entretanto, bem sabeis que o vosso pedido está a ser analisado com seriedade, inclusivamente à luz das avaliações feitas pelas outras Igrejas cristãs.

Que esta expectativa não constitua um impedimento para a vossa coragem apostólica, nem um motivo para extinguir ou então atenuar o júbilo do Espírito Santo, que o anima e estimula, querido Cardeal Husar, assim como os seus Irmãos Bispos, juntamente com os sacerdotes, os religiosos e os fiéis leigos, a assumir um compromisso cada vez mais intenso no anúncio do Evangelho e no consolidamento da vossa tradição eclesial.

Venerados Irmãos, peço-vos que transmitais aos vossos fiéis a expressão da minha lembrança sincera e a certeza da minha oração constante, juntamente com a Bênção Apostólica que, do íntimo do coração, vos concedo a vós e a todos os membros da Igreja Greco-Católica Ucraniana!


DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II AOS FUNCIONÁRIOS E AGENTES DA SEGURANÇA EM LES COMBES

17 de Julho de 2004

Daqui a pouco voltarei para Roma, mas antes de me despedir destes lugares, permiti-me renovar-vos a expressão dos meus sentimentos mais cordiais, caros Dirigentes, Funcionários e Agentes da Polícia do Estado, dos Carabineiros, da Guarda Fiscal, da Polícia Penitenciária e da Guarda Florestal. Nestes dias, fostes para mim como que "anjos da guarda" que, com eficácia e discrição, vigiaram para o bom êxito da minha permanência no Vale de Aosta. Estou-vos cordialmente grato por isto. Dirijo um agradecimento sincero também a vós, queridos responsáveis e agentes da Gendarmaria do Vaticano, sempre diligentes no cumprimento do vosso dever.

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