Mensuração do Capital Intelectual: o desafio da Era do Conhecimento José Luiz dos Santos



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Mensuração do Capital Intelectual: O Desafio da Era do Conhecimento

José Luiz dos Santos

Doutorando em Economia / UFRGS, Mestre em Ciências contábeis / UNISINOS

Endereço: Rua: Brito Peixoto, 216, Passo D’areia, Porto Alegre/RS-Brasil

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Paulo Schmidt

Doutor em Contabilidade e controladoria / FEA - USP

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José Mário Matsumura Gomes

Mestre em Ciências Contábeis / UNISINOS

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Luciane Alves Fernandes

Mestre em Ciências Contábeis / UNISINOS

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Paulo Roberto Pinheiro

Mestre em Ciências Contábeis / UNISINOS

Endereço: Rua: Brito Peixoto, 216, Passo D’areia, Porto Alegre/RS-Brasil

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Palavras-chave: ativos intangíveis; capital intelectual; conhecimento; mensuração.

Área temática: Valoración de Intangibles

Meios audiovisuais: Data show (power point)



Mensuração do Capital Intelectual: O Desafio da Era do Conhecimento

Palavras-chave: ativos intangíveis; capital intelectual; conhecimento e mensuração.

Área temática: Valoración de Intangibles

Resumo: Neste artigo discorre-se acerca do capital intelectual, atendo-se especificamente ao aspécto de mensuração. Apresentam-se os principais conceitos inerentes ao tema, evidenciando as metodologias utilizadas para a mensuração do capital intelectual, valendo-se do método comparativo para evidenciar as principais semelhanças e diferenças entre os principais modelos. Para atingir esse objetivo, inicialmente, partiu-se da apresentação da sociedade baseada no conhecimento, demonstrando que essa passa a ser utilizada como recurso econômico, o que gera grande transformação nas organizações, impactando na procura constante por parte dos pesquisadores da área contábil de modelos para identificação e mensuração deste ativo intangível. Além disso o artigo apresenta os principais conceitos, natureza e avaliação dos ativos intangíveis e sua relevância para a Contabilidade. Finalmente apresenta os principais modelos utilizados para a mensuração do capital intelectual, identificando as principais semelhanças e diferenças e levantando algumas conclusões.

INTRODUÇÃO

As mudanças na economia mundial, vivenciadas nas últimas décadas que culminaram com a globalização da economia, vêm sendo retratadas por muitos autores consagrados, estudiosos dessa transformação, como um período de transição da passagem de uma sociedade industrial para uma sociedade do conhecimento, onde recursos econômicos tradicionais (terra, capital e trabalho) juntam-se ao conhecimento racional de sua utilização, alterando sobremaneira, a estrutura econômica das nações e principalmente, a forma de atribuir valores ao ser humano, único detentor do conhecimento.

Deste cenário resultam problemas de como as empresas devem gerenciar e tratar contabilmente seus Ativos intangíveis, inclusive o capital intelectual, ressaltando a importância do tema. Além disso, a grande quantidade de obras e artigos existentes sobre o assunto, que é estudado com afinco desde 1986, e a constatação de que a tecnologia da informação, parte integrante desse recurso, cada vez mais aumenta o seu valor econômico na geração do resultado econômico das organizações, formou-se um grande “abismo” entre o valor de mercado e o valor contábil das empresas tornando-se o maior problema a ser solucionado pelos pesquisadores da área contábil.

Em função disso, o objetivo precípuo desse artigo consiste em apresentar os principais conceitos, e o tratamento da mensuração do capital intelectual e a comparação entre os principais modelos utilizados.


2referencial teórico

2.1A sociedade baseada no conhecimento


As grandes mudanças econômicas, tecnológicas, políticas e sociais experimentadas a partir da década de 60, foram produzindo alterações substanciais na estrutura e valores das sociedades.

Neste Processo evolutivo, passa da Sociedade Agrícola para a Sociedade Industrial e Sociedade da Informação e para a era do conhecimento, a qual esta baseada no conhecimento e em valores intangíveis que tal recurso econômico poderá trazer de retorno às Organizações.


2.1.1Características da sociedade do conhecimento


A partir das mudanças ocorridas no cenário mundial, desde o início da civilização até os dias de hoje, enfocando os subsistemas tecnológicos, econômicos, sociais e político, Crawford (1994:22) foi quem melhor sintetizou as características da sociedade do conhecimento, agrupando as características chaves de quatro sociedades, que considerou básicas: sociedade primitiva, sociedade agrícola, sociedade industrial, até a atual, que denominou sociedade do conhecimento.

2.1.2Conhecimento como recurso econômico


Uma vez que a capacidade de adquirir e desenvolver conhecimentos é inerente ao ser humano, isto diferencia este recurso econômico dos demais fatores de produção, pois o conhecimento é um recurso ilimitado, além disso, diferentemente dos recursos naturais que se exaurem com o tempo, os quais representavam a base da sustentação da sociedade industrial, o conhecimento é não-subtrativo.

Na era da informação, o conhecimento tornou-se a principal commodite e alavancador do resultado da atividade econômica, a inteligência organizacional (pessoas inteligentes trabalhando de forma inteligente) deixou de ter um papel secundário, para assumir o papel principal nas entidades.

A informação e o conhecimento diferem dos demais recursos econômicos, porque podem ser utilizados sem, contudo, serem consumidos e por outro lado o custo da sua produção independe do nível de atividade da entidade, ou seja, do número de pessoas que irão se beneficiar do seu uso.

Segundo Stewart (1998, p.152):

Há um paradoxo na Economia da informação e tanto o comprador quanto o vendedor estão sujeitos a ele: o comprador não pode julgar se vale a pena pagar por um pedaço de informação antes de possuí-la; mas, depois que a possui, ele não precisa mais comprá-la.

Portanto, pode-se concluir que o conhecimento vem se somar aos recursos básicos (fatores de produção), indispensáveis para o desenvolvimento contínuo da Economia, não como um substituto e sim como um agente interativo básico para o atual processo de mudança da situação econômica global.


2.2Ativo Intangível

2.2.1Aspectos gerais


Não há como se abordar a problemática existente no tratamento da mensuração do capital intelectual sem antes discorrer, ainda que brevemente, sobre a natureza dos ativos, em especial os intangíveis, que formam uma das áreas mais complexas da Teoria da Contabilidade, não só em virtude das dificuldades de definição, mas principalmente pelas incertezas a respeito da mensuração de seus valores e de sua vida útil.

Antes de se abordar a definição de ativo intangível deve-se, necessariamente, conceituar ativo.

Segundo Hendriksen e Van Breda (1999, p.286), ativos devem ser definidos como potenciais fluxos de serviço ou direitos a benefícios futuros sob o controle da organização.

Nesse sentido Iudícibus (1997, p.124), argumenta que ativos são recursos controlados pela entidade, capazes de gerar fluxos de caixa. O termo controlado na definição anterior engloba, além do controle, o conceito de posse e propriedade.

Martins (1972, p.30) aborda essa questão citando que “ativo é o futuro resultado econômico que se espera obter de um agente”. Na definição enunciada anteriormente, agente possui o mesmo significado de recursos para a Economia, que não se restringe apenas aos bens tangíveis, mas também aos intangíveis.

Ambas as definições acima, embora aparentemente simples, são bastante amplas e complexas. São, contudo, menos precisas, pois não apresentam uma definição clara de quais recursos foram selecionados. Todavia, as mesmas se aproximam mais do conceito de ativo econômico e na opinião de grande parte dos estudiosos pesquisados de Teoria da Contabilidade a tendência futura é de uma aproximação entre a Contabilidade e a Economia.

Outro ponto a ser enfatizado diz respeito aos critérios de reconhecimento dos ativos que, segundo Hendriksen e Van Breda (1999, p.402), devem ser reconhecidos sempre que preencherem os seguintes requisitos:


  • O item corresponda à definição de ativo;

  • Seja relevante – a informação é capaz de fazer diferença na tomada de decisões;

  • Seja mensurável – existência de um atributo relevante de mensuração suficientemente confiável;

  • Seu valor seja preciso – a informação é representativamente verdadeira, verificável e neutra.

Portanto, a maioria dos intangíveis corresponde à definição de ativo e são reconhecidamente relevantes. Os intangíveis, da mesma forma que muitos ativos tangíveis, são de difícil avaliação. Seu custo histórico pode ser determinado tão precisamente quanto o de muitos ativos tangíveis. Logo, os intangíveis devem ser reconhecidos como um ativo.

Existem, contudo, argumentações de que os intangíveis devam ser tratados diferentemente dos tangíveis, a exemplo de Chambers (apud Hendriksen e Van Breda, 1999, p.390), em virtude de algumas supostas características diferenciadoras, quais sejam:



  • Inexistência de usos alternativos – os ativos intangíveis não podem ser transferidos a usos alternativos. Este argumento, segundo Hendriksen e Van Breda (1999, p.390), é correto para a maioria dos intangíveis, contudo, as marcas possuem aplicação a muitos usos alternativos, a exemplo da Disney e Coleman;

  • Separabilidade – os ativos intangíveis não podem ser separados da empresa como um todo ou de seus ativos físicos. Este argumento é correto para a maioria dos intangíveis, todavia, os direitos autorais, as marcas e patentes podem ser compradas e vendidas separadamente;

  • Incerteza quanto à recuperação – os ativos intangíveis possuem alto grau de incerteza a respeito do valor dos benefícios futuros a serem recebidos pela empresa. Novamente esse argumento é válido para a maioria dos intangíveis, mas não se aplica, por exemplo, ao valor investido em uma educação superior, cuja recuperação de seu valor é consideravelmente menos incerta do que o valor investido em um equipamento especializado em um novo laboratório de pesquisa, conforme citado em Hendriksen e Van Breda (1999, p.390).

Nesse contexto, torna-se necessário definir intangíveis. O termo intangível vem do latim tangere ou tocar. Logo, os bens intangíveis são aqueles que não podem ser tocados, porque não possuem corpo físico. Contudo, a tentativa de relacionar a etimologia da palavra intangível à definição contábil dessa categoria, não será exitosa, haja vista que muitos outros ativos não possuem tangibilidade e são classificados como se tangíveis fossem, tais como despesas antecipadas, duplicatas a receber, aplicações financeiras etc. “Isto porque os contadores têm procurado limitar a definição de intangíveis restringindo-a a ativos não circulantes” conforme afirmam Hendriksen e Van Breda (1999, p.388).

Existem grandes discordâncias entre autores da Teoria da Contabilidade sobre a definição de intangível, a exemplo de Most e Hendriksen (apud Iudícibus, 1997, p.208). A complexidade dessa definição é tão abrangente a ponto de Martins (1972, p.53), ao abordar o assunto em sua tese de doutoramento, iniciar com “definição (ou falta de)”.

Diante disso, a definição mais adequada é, segundo Iudícibus, a de Kohler (apud Iudícibus, 1997, p.203) que define intangível como “ativos de capital que não tem existência física, cujo valor é limitado pelos direitos e benefícios que, antecipadamente, sua posse confere ao proprietário”.

Com base nas definições anteriormente enunciadas, pode-se classificar como intangíveis os seguintes elementos:

Com base nas definições anteriormente enunciadas, pode-se classificar como intangíveis os seguintes elementos:


  • gastos de organização;

  • marcas;

  • pesquisa e desenvolvimento;

  • goodwill;

  • direitos de autoria;

  • patentes;

  • franquias;

  • desenvolvimento de software;

  • licenças;

  • matrizes de gravação;

  • certos investimentos de longo prazo.

Qual é o valor da imagem, da estrutura de distribuição utilizada, das marcas e patentes, da clientela, dos recursos humanos, de uma empresa? As respostas para estas perguntas, preocupação constante dos gestores das organizações, deveriam ser dadas pela Contabilidade. Porém, cada vez mais as demonstrações contábeis tradicionais não suprem esta necessidade, visto a grande diferença existente entre o valor patrimonial e o valor de mercado das organizações

2.3Capital intelectual

2.3.1Principais conceitos de Capital intelectual


Capital intelectual pode ser conceituado segundo Brooking (1996: 12-13) como “uma combinação de ativos intangíveis, frutos das mudanças nas áreas da tecnologia da informação, mídia e comunicação, que trazem benefícios intangíveis para as entidades e que capacitam o funcionamento das mesmas”, divididas em quatro categorias: ativo de mercado; ativos humanos; ativos de propriedade intelectual; ativos de infra-estrutura.

Pode-se verificar na classificação anteriormente citada, não obstante a sua significativa importância, que existe uma mistura no seu escopo de vários outros ativos intangíveis identificáveis, a exemplo de franquias, direitos autorais e patentes, o que faz com que haja uma superposição de intangíveis dificultando o entendimento do referido conceito.

Mac Donald (apud Stewart 1998: 60) define capital intelectual como “o conhecimento existente em uma organização e que pode ser usado para criar uma vantagem diferencial”. Esta definição, na realidade, apresenta a composição do capital intelectual e a função que o mesmo exerce na entidade e não o que ele é.

Já Edvinsson & Malone (1998:9) utilizam a linguagem metafórica, comparando a entidade à figura de uma árvore, considerando a parte visível (tronco, folhas e galhos) ao que está registrado nos organogramas, nas demonstrações financeiras; e a parte invisível - abaixo da superfície (sistemas de raízes) – ao capital intelectual, que são fatores dinâmicos ocultos que embasam a entidade visível formada por edifícios e produtos. Além disso, os referidos autores dividem em três categorias os fatores ocultos: capital humano; capital estrutural; capital de clientes. Novamente, observa-se no conceito anteriormente citado, a superposição do conceito de intangíveis dificultando o entendimento do referido conceito.

Klein e Prusak (1994:1), por sua vez o definem como sendo o “material intelectual que foi formalizado, capturado e alavancado a fim de produzir um ativo de maior valor’”. Uma observação importante contemplada na definição anterior, é a distinção entre material intelectual e de capital intelectual em relação a outros ativos intangíveis identificáveis, a exemplo de patentes e banco de dados que, conforme dispõe o FAS n.º 142, devem ter seus valores registrados separadamente.

Segundo Stewart (1998) o capital intelectual pode ser encontrado em três lugares: nas pessoas; nas estruturas; nos clientes. O capital humano é a capacidade necessária para que os indivíduos ofereçam soluções aos clientes, é a fonte da inovação e renovação. Mas para compartilhar, transmitir e alavancar os conhecimentos, são necessários ativos estruturais, ou seja, capital estrutural é a capacidade organizacional que uma entidade possui de suprir as necessidades do mercado. Já o capital de clientes é o valor dos relacionamentos de uma entidade com as pessoas com as quais realiza operações.

Diante disso, capital intelectual é a diferença entre o valor de mercado das ações em circulação da entidade e o valor do ativo líquido, organizado a partir de idéias e informações coerentes, capazes de serem descritas, compartilhadas e exploradas e que tenham aplicação prática.

2.4Mensuração do Capital Intelectual


Abordado sob o ponto de vista prático, a medição do capital intelectual é um assunto de grande importância para a entidade, visto refletir mais acertadamente seu valor real, além de demandar apoio à gestão mais eficiente de seus ativos intangíveis no apoio corporativo de aumentar o valor dos acionistas, proporcionar informação mais atuais aos investidores e potencializar os retornos futuros de caixa.

Todavia, uma vez que se aceita a importância de medir o capital intelectual e da sua inclusão nas demonstrações contábeis da entidade, depara-se com um novo problema que é o de sua mensuração. Empresas como a Xerox, Skandia, Celemi, Dow Chemical se enquadram na vanguarda desse tema e colocam em prática modelos de medição adequados a suas características e particularidades.


2.5Modelos DE Mensuração do Capital Intelectual


A pesquisa sobre a mensuração de ativos intangíveis, especialmente o capital Intelectual das organizações tem produzido uma infinidade de propostas de métodos e teorias nestes últimos anos. Constata-se que do final do século XX e o início deste século à mensuração do capital Intelectual tem sido estudada com afinco por muitos pesquisadores nos meios acadêmicos, porém terá de superar um conjunto de limitações que impedem sua mais rápida expansão nos setores empresariais, onde muitas companhias embora conscientes de sua importância não se mensuram e informam o seu capital Intelectual.

Conforme artigo publicado por Sveiby em janeiro de 2001 a pesquisa sobre a mensuração de ativos intangíveis ou do capital intelectual das empresas tem produzido uma infinidade de propostas de métodos e teorias nos últimos anos. Cita o autor ser possível distinguir quatro categorias de metodologias de avaliação, que ele, fazendo referencia a Luthy (1998) e Williams (2000), assim classifica:



  • direct Intellectual Capital Methods (DIC): Estima o valor monetário dos ativos intangíveis pela identificação dos seus vários componentes que, quando estimados, podem ser diretamente avaliados de maneira direta ou como um coeficiente agregado;

  • market Capitalization Methods (MCM): Calcula a diferença entre a capitalização de mercado de uma companhia e os ativos dos acionistas (stockholders’ equity) como o valor de seus recursos importantes ou ativos intangíveis;

  • return on Assets Methods (ROA): A média das receitas antes dos impostos de uma empresa em um determinado período é dividida pela média de valor dos seus ativos tangíveis. O resultado é o ROA (Return on Assets – retorno sobre ativos), que é então comparado com a média do seu segmento;

  • scoread Methods (SC): Os vários componentes de ativos intangíveis ou do capital intelectual são identificados e os indicadores e os deslocamentos predominantes são gerados e relatados nos scorecards ou como gráficos.

Diante disso, constata-se que existem vários modelos que buscam mensurar os ativos intangíveis e o capital intelectual das entidades. Para o objetivo do estudo abordam-se em mais detalhes os modelos: “Diferença ou Razão entre o Valor de Mercado e o Valor Contábil” (Market-to-book); “Q” de Tobin; “Navegador do Capital Intelectual” (Stewart); Skandia (Edvinsson e Malone); e Sveiby. Como cada um desses modelos de mensuração possui peculiaridades e limitações, enfoca-se na seqüência suas metodologias.

2.5.1Diferença ou Razão entre o Valor de Mercado e o Valor Contábil (Market-to-book)


A comparação entre o valor de mercado e o valor contábil tem sido utilizada para determinar o capital intelectual de duas formas: pela diferença (subtração) ou pela razão (divisão) entre eles.

Góis (2000) abordando a relação entre o valor de mercado e o valor contábil, afirma que pela facilidade do cálculo, este método tem sido o mais difundido para a mensuração do capital intelectual. Conforme o autor, baseado nas demonstrações contábeis publicadas, apura-se o valor do capital intelectual pela diferença entre o valor de mercado das ações negociadas em Bolsa de Valores e o valor do ativo da empresa expresso no Balanço Patrimonial.

Neste modelo, conforme Stewart (1998) e Luthy (1998), o capital intelectual é calculado utilizando-se a equações apresentadas nas Figuras 1 e 2.

CI = VM - VC

Onde:

CI = Capital Intelectual



VM = Valor de Mercado (preço por ação multiplicado pelo número total de ações do capital da empresa)

VC = Valor Contábil (Valor registrado no Patrimônio Líquido da entidade)



Figura 1: Método Diferença entre o Valor de Mercado e o Valor Contábil

CI = VM / VC

Onde:

CI = Capital Intelectual



VM = Valor de Mercado (preço por ação multiplicado pelo número total de ações do capital da empresa)

VC = Valor Contábil (Valor registrado no Patrimônio Líquido da entidade)



Figura 2 Método Razão entre o Valor de Mercado e o Valor Contábil (Market-to-book)

Conforme demonstrado na Figura nº 1, a simplicidade característica do modelo talvez seja sua maior virtude, devido ao fato de que o valor de mercado de uma empresa é maior do que o seu valor contábil faz sentido então atribuir a diferença ao Capital Intelectual.

Nesta linha, Jóia (2001, p. 55) demonstra a existência do capital intelectual utilizando o modelo da razão de valor de mercado para valor contábil (M/C), conforme o apresentado na Figura nº 2. Essa razão mostra que quando a M/C for maior do que 1 (um), existe capital intelectual, pois mostra que quanto mais a empresa possui conhecimento, maior será o valor dessa relação (M/C). Para ilustrar essa relação, a Figura nº 3 apresenta o caso Microsoft e o da IBM.


Empresa

Valor de Mercado

Valor Contábil

M/C

IBM

US$ 70,7 Bilhões

US$ 16,6 Bilhões

4,26

Microsoft

US$ 85,5 Bilhões

US$ 930 Milhões

91,94

Figura 3: Modelo da razão do valor de mercado para o contábil

Fonte: Jóia, Luiz Antônio. Medindo o Capital Intelectual. Revista de Administração de Empresas- FGV/SP. São Paulo, Vol.41, n.2, abr/jun-2001 : 56.

Além disso, para Stewart (1998), tal modelo apresenta-se frágil quando variáveis exógenas interferem no mercado, a exemplo das alterações na legislação tributária ou na conjuntura econômica da política nacional tem influência no mercado de ações, podendo ocasionar uma queda na cotação das negociadas em Bolsa.

Em relação a esse modelo Lev (2001, p. 13) registra que o Valor Market-to-book, também conhecido como Razão M/B é resultante da “divisão do valor de mercado das empresas pelo valor de seus ativos líquidos, conforme constam de seus balanços patrimoniais. Além disso, este indicador é “freqüentemente mencionado como o motivo principal para a atenção que vendo sendo dada aos Ativos Intangíveis”. Para justificar a afirmativa, ele apresenta dados evidenciando o crescimento da razão M/B das 500 maiores empresas americanas desde o final dos anos setenta, quando o quociente era pouco maior do que 1,0, até março de 2000, quando chegou a representar aproximadamente 6,0.

Considera-se, portanto, que ambos os modelos são frágeis, pois existe uma simplificação em virtude da grande maioria dos ativos físicos ou financeiros encontram-se no Balanço Patrimonial registrados pelos seus custos históricos e não pelo custo de reposição desses.

2.5.2“Q” de Tobin


Uma das ferramentas iniciais para medir o Capital Intelectual foi o modelo “Q” de Tobin. Desenvolvido pelo Premio Nobel James Tobin, visa medir a relação entre o valor de mercado e o valor de reposição dos ativos físicos. As empresas intensivas em conhecimento, a exemplo da Microsoft, têm valores de “Q” superiores aos de empresas de transformação mais básicas, ou seja, indústrias do início da cadeia produtiva.

Famá e Barros (2000, p. 27) relatam que o quociente proposto originalmente por Tobin, passou a ser conhecido como o “Q” de Tobin e é definido como “a relação entre o Valor de Mercado de uma empresa e o valor de reposição de seus ativos físicos. Assim, ele representa a razão entre dois valores atribuídos ao mesmo conjunto de Ativos.”,ou seja, de acordo com tais autores: “relaciona-se com a definição do valor de mercado da empresa e com a consideração do valor de reposição dos Ativos em lugar de seu valor contábil”. Portanto em sua formulação básica, o “Q” de Tobin pode ser expresso como na figura nº 4.

“Q” = (VMA + VMD) / VRA

Onde:


VMA = Valor de Mercado das ações (capital próprio da firma)

VMD = Valor de Mercado das dívidas (capital de terceiros empregado)

VRA = Valor de Reposição dos Ativos da firma.

Figura 4: Método “Q” de Tobin

Segundo Stewart (1998, p. 202), o ganhador do prêmio Nobel James Tobin desenvolveu este método para aplicação em decisões de investimentos da empresa independentemente de influências macroeconômicas como a taxa de juros, sendo utilizado para ativos específicos como veículos e máquinas industriais ou para a empresa como um todo. Embora não se tratando de uma medida desenvolvida para a medição do Capital Intelectual, especificamente, configura-se num bom referencial ao comparar valor de mercado da empresa e o custo de reposição de seus Ativos.

Analisando esse modelo em relação aos modelos anteriormente abordados, nota-se como ponto favorável o fato de que, ao considerar o custo de reposição dos ativos da entidade, acaba com as distorções oriundas das várias formas de avaliação a que os Ativos podem ser submetidos, conforme relatado nos capítulos e tópicos iniciais desse trabalho. Entretanto, não está imune aos efeitos do mercado como os modelos já mencionados.

2.5.3Navegador do Capital Intelectual – Modelo de Stewart


Esse modelo proposto por Stewart (1998), é também denominado de Navigator, porém também é conhecido como Navegador do capital intelectual. O autor entende que o capital intelectual deve analisar o desempenho da empresa sob várias perspectivas, citando como exemplo: Razão do valor de mercado/valor contábil, medidas de capital do cliente, medidas de capital humano e medidas de capital estrutural. Ainda o autor sugere adotar-se um gráfico circular, cortado por várias linhas, em forma de uma tela de radar.

Este modelo tem a vantagem da fácil visualização e do acompanhamento da evolução do desempenho da empresa. Portando deve-se ter cuidado especial na escolha dos índices de desempenho, afim de que sejam adequados à estratégia empresarial adotada.


2.5.4Modelo Skandia – Edvinsson e Malone


Desenvolvido por Leif Edvinsson é uma forma de mensuração do processo de criação de ativos na empresa. Ele desenvolveu uma teoria do “Capital Intelectual” que incorpora elementos de Konrad e do Balanced Score Card (Kaplan e Norton, 1992).

Nos modelos econômicos tradicionais se utiliza normalmente o capital financeiro unicamente, porém a empresa sueca Skandia propôs o “Esquema Skandia de Valor”, onde se propõe que o capital intelectual está composto por: Capital humano e capital estrutural, este por sua vez se divide em: capital de cliente e capital organizacional.

A fim de avaliar o Capital Intelectual da empresa Skandia, Edvinsson e Malone (1998) definiram um conjunto com dezenas de índices e indicadores, que permitissem mensurar o seu desempenho e os agruparam em cinco áreas distintas, conforme relacionadas abaixo:


  • foco financeiro;

  • foco nos clientes;

  • foco nos processos;

  • foco na renovação e desenvolvimento;

  • foco humano.

Segundo Antunes (1999) a combinação dessas cinco áreas culmina em um relatório diferente, pois elas apontam para diversos aspectos que dão o caráter dinâmico, por isso o relatório foi denominado de Navegador.

Os tipos de capitais em que o capital intelectual pode ser dividido, além dos básicos (capital humano e capital estrutural), a saber: capitais de clientes, capitais organizacionais, capitais de inovação e capital de processos, estão representados por áreas de foco. Essas áreas representam a direção onde a empresa focaliza a sua atenção e delas provém o capital intelectual.

Edvinsson e Malone (1998, p. 166) relatam que a fim de estabelecer uma equação que traduzisse em um único número o Capital Intelectual, de modo que se pudesse realizar comparações entre empresas, a equipe fixou os seguintes passos:


  1. identificar um conjunto básico de índices que possa ser aplicado a toda sociedade com mínimas adaptações;

  2. reconhecer que cada organização possa ter um capital intelectual adicional que necessite ser avaliado por outros índices;

  3. estabelecer uma variável que capte a não tão-perfeita previsibilidade do futuro, bem como a dos equipamentos, das organizações e das pessoas que nela trabalham.

Com base nesses princípios os autores propuseram a seguinte fórmula:

Capital Intelectual Organizacional = iC , i = (n/x)

Onde:

C = valor monetário do capital Intelectual



I = Coeficiente de Eficiência n = somatório dos valores decimais dos nove índices de eficiência propostos pelos autores.

X = o número desses índices, no caso x = 9.



Figura5: Fórmula do CI da Skandia

Fonte: adaptado de Edvinsson e Malone

O valor de “C” é obtido de uma relação que contém os indicadores mais representativos de cada área de foco, avaliados monetariamente, excluindo os que pertencem mais propriamente ao Balanço Patrimonial. Estes indicadores referem-se ao exercício social, a exemplo das receitas resultantes da atuação em novos negócios; investimentos no desenvolvimento de novos mercados, do setor industrial, de novos canais, investimentos em TI aplicada a vendas, serviços, suporte e à administração; investimentos em novos equipamentos de TI, no suporte aos clientes, no serviço de clientes, no treinamento de clientes etc.

Verifica-se que, no modelo apresentado, as mensurações do Capital Intelectual, embora mais abrangente do que nos modelos anteriores, dizem respeito a indicadores não-financeiros que conduzem a resultados financeiros. Apresenta-se como um modelo dinâmico e contínuo, haja vista as características interativas do modelo, porém apenas a identificação dos parâmetros relacionados não é segurança de bons resultados para a organização. O aspecto dinâmico leva à necessidade constante alimentação dos componentes que integram o capital intelectual. Portanto deverá ter um meio eficaz do gerenciamento que abranja tais características do modelo.


2.5.5Modelo de Sveiby


Sveiby (1998, p. 233) justificando a criação de um modelo de avaliação para o ativo intangível, menciona que: “Indicadores-chave” alternativos oferecem novos e interessantes ângulos e são de grande valor para investidores e gerentes. Desde a década de 1950, e mesmo antes, as empresas calculam alguns indicadores não-monetários para corroborar os estudos sobre eficiência, mas nunca divulgam em seus relatórios anuais”.

O referido autor discorre cita que as principais razões para a não mensuração e divulgação dos ativos intangíveis, nos relatórios das empresas são a de que, primeiro muitos gerentes consideram essas informações inúteis, em segundo lugar, o receio de que os indicadores não financeiros traduzam informações por demais reveladores de suas estratégias para o mercado e finalmente não existe um modelo teórico rigoroso para esse tipo de relatório (avaliação de capital intelectual).

Por isso, Sveiby (1998, p. 234) propõe o modelo denominado “Monitor de Ativos Intangíveis”, que abre uma possibilidade para a mensuração dos ativos intangíveis, principalmente do capital intelectual. Para a melhor compreensão do método julga-se oportuno à apresentação da Figura nº 6.

Ativos Intangíveis

Estrutura Externa

Crescimento /Renovação

Crescimento Orgânico do volume de vendas.

Aumento da participação de mercado.


Estrutura Interna

Crescimento/Renovação

Investimento em tecnologia da informação. Parcela de tempo dedicado às atividades internas de P&D. Índice de atitude do pessoal em relação aos gerentes, à cultura e aos clientes.



Competência das Pessoas

Crescimento/Renovação

Parcela de vendas geradas por clientes que aumentam a competência.

Aumento da experiência média profissional. (número de anos). Rotatividade de competência.


Ciência

Lucro por cliente. Vendas por profissional




Eficiência

Proporção de pessoal de suporte. Vendas por funcionário de suporte.



Eficiência

Mudança no valor agregado por profissional.

Mudança na proporção de profissionais.


Estabilidade

Freqüência da repetição de pedidos.

Estrutura etária.


Estabilidade

Idade da organização.

Taxa de novatos.


Estabilidade

Taxa de rotatividade de profissionais.



Figura 6: Monitor de ativos intangíveis, adaptado de Sveiby (1998, pg. 238)

Verifica-se no modelo proposto por Sveiby que a competência das pessoas traduz às atitudes dos funcionários defrontando-se com as situações cotidianas, internas ou não, as quais implicam em geração de valor para a organização.

Em relação à estrutura Interna envolve fatores desenvolvidos, criados ou mantidos internamento pelos funcionários, tais como: patentes ou sistemas de informações gerenciais. Portanto a organização torna-se mais competitiva quando essa estrutura consegue apoiar adequadamente a competência das pessoas, otimizando o desempenho dos funcionários. Já a estrutura externa manifesta-se através do relacionamento da organização com terceiros, ou seja: clientes, fornecedores, governos, entre outros, assim como a percepção que estes detém da mesma.

Portanto conforme demonstrado verifica-se como vantagem do modelo apresentado por Sveiby, para a possibilidade de mensuração do Capital Intelectual, ser simples e de fácil interpretação, porém limitado no aspecto financeiro, devido a utilização de indicadores não-financeiros.

Finaliza-se o estudo apresentando-se as principais semelhanças e diferenças encontradas nos modelos comparados, conforme a Figura nº 7.

Método

Semelhanças

Diferenças

Comentários

Diferença entre Valor de mercado do Valor Contábil


Mensura o capital intelectual tomando como base o valor de mercado, fator também utilizado pelos demais modelos comparados.


Não utiliza indicadores não-financeiros, conforme os modelos de Stewart, Skandia e de Sveiby e sim apura um valor absoluto para o valor do capital intelectual, também se diferenciando do modelo “Q” de Tobin e Market-to-book por esse motivo.

Devido a não utilização de indicadores de eficácia da gestão, além de utilizar, para a equação, os ativos físicos registrados a custo histórico e não a custo de reposição. Questiona-se se este valor é realmente o capital intelectual, pois não estabelece uma relação interativa e sinérgica entre os fatores financeiros e não financeiros, que agregam valor à organização.

Market-to-book


Mensura o capital intelectual tomando como base o valor de mercado, fator também utilizado pelos demais modelos comparados.

Não utiliza indicadores não-financeiros, conforme os modelos de Stewart, Skandia e Sveiby e nem o valor absoluto, conforme o modelo Diferença de valor de mercado do valor contábil. Calcula um único indicador financeiro que estabelece uma relação entre o valor de mercado com o valor contábil. Portanto também se diferenciando do modelo “Q de Tobin” por este fator.

Além do comentário anterior, pode-se acrescentar de que este modelo assume de que se o índice apurado for menor do que “um” a organização não tem capital intelectual, portanto bastante falho como modelo de mensuração deste intangível.

Stewart – Navegador do Capital Intelectual

Utiliza o valor de mercado e o valor contábil em um de seus indicadores, portando também sofrendo a influência das variáveis do mercado, da mesma forma de todos os demais modelos comparados. Utilizado por Edvinsson e Malone na proposição do modelo do grupo Skandia, portanto tendo metodologia semelhante aos modelos da Skandia e de Sveiby.

Contempla na sua concepção vários indicadores não-financeiros elaborados com base nos objetivos estratégicos da organização, focalizando as áreas de crescimento, renovação, eficiência e estabilidade.

Modelo que deve ser personalizado para cada tipo de organização, independentemente de serem do mesmo setor diferenciando-se da metodologia utilizada nos modelos “Diferença entre o Valor de Mercado do Valor Contábil”, “Market-to-book” e “Q de Tobin”.



Modelo proposto com o objetivo de identificar, mensurar e gerir o capital intelectual, de acordo com o planejamento estratégico de cada organização, utilizando sua gestão como vantagem competitiva na criação de valor à organização.

... Continuação



Método

Semelhanças

Diferenças

Comentários

Skandia – Edvinsson e Malone

Utiliza-se do valor contábil de alguns ativos em alguns de seus indicadores, valor este também utilizado pelos demais modelos comparados. Abrange na sua concepção metodológica as definições dos modelos de Stewart e Sveib, portanto sendo similar a esses modelos.

È dinâmico, interativo e contínuo no que diferencia dos modelos: ”Diferença entre o Valor de mercado do Valor Contábil”, “Market-to-book” e “Q de Tobin”.

Modelo desenvolvido pelo grupo Skandia para reportar ao mercado o valor de seu capital intelectual em relatório complementar as Demonstrações Contábeis, mostrando a criação de valor nas áreas de foco do capital humano, e do capital estrutural, sendo o capital estrutural decomposto em: capital de clientes, capital organizacional, capital de inovação e capital de processos. Portanto exigindo do grupo o acompanhamento contínuo da gestão do capital intelectual.

Sveiby

Seleção de indicadores, baseado nos objetivos estratégicos da organização conforme os modelos de Stewart e da Skandia, abrangendo as áreas de crescimento, renovação, eficiência e estabilidade. Personalizado para cada tipo de organização da mesma maneira do que os modelos de Stewart e da Skandia.

Utilização de indicadores-chave, não financeiros, o que o diferencia dos modelos: Diferença entre o Valor de Mercado do Valor Contábil”; “Market-to-book” e “Q de Tobin”.

Modelo Utilizado para a gestão do capital intelectual, sendo utilizado pela Skandia para a concepção do seu modelo.

Figura 7: Principais semelhanças e diferenças entre os métodos de mensuração do capital intelectual.

Finalmente, constata-se que diante do elevado grau de subjetividade dos modelos propostos, talvez não seja factível a escolha de um entre eles para definir-se como modelo padrão para a mensuração do capital intelectual para qualquer tipo de organização, e sim utiliza-los como fonte de pesquisa, em busca de modelo aceito universalmente como ferramenta de mensuração do capital intelectual.


3CONCLUSÃO


Iniciou-se este estudo apresentando a contextualização da sociedade sustentada no conhecimento, seu conceito e suas principais características, a partir de então se demonstrou a crescente importância que o capital intelectual vem assumindo no contexto atual e a necessidade premente de identificar a sua natureza, mensuração e principais características.

Constatou-se que os modelos de diferença entre o valor de mercado e o valor contábil e Market-to-book são métodos que utilizam metodologias simplistas, que por utilizarem na mensuração do capital intelectual o custo histórico dos ativos físicos para comparar com o valor de mercado, são influenciados pelas variáveis que afetam o mercado além de não considerarem o custo de reposição desses ativos, portando não podendo ser considerados como um bom método de avaliação do capital intelectual. Embora o método “Q” de Tobin corrija a imperfeição dos modelos citados visto utilizar na mensuração do Capital Intelectual a razão entre o valor de mercado e o valor de reposição dos ativos físicos evidenciando a existência ou não do capital intelectual, também sofre restrições pela não utilização de indicadores não financeiros que mensurem a eficiência do recurso do conhecimento.

Já o Navegador do capital intelectual de Stewart, Skandia de Edvinsson e Malone e o modelo de Sveiby, embora utilizem em algum de seus indicadores da matriz de mensuração do capital intelectual do valor de mercado, conforme os modelos já comentados, são modelos utilizam indicadores não-financeiros principal diferença para os métodos já relatados e conforme evidenciado no escopo do trabalho são semelhantes entre si, visto nas suas concepções abrangerem indicadores que permitem a identificação, mensuração e gerenciamento do capital intelectual, embora complexos e de um alto grau de subjetividade. Cabe também salientar de que o método da Skandia é o único entre os métodos comparados que combina indicadores financeiros e não-financeiros na sua concepção além de ser também o único que é relatado ao mercado na forma de relatório complementar as Demonstrações Contábeis.

Para finalizar conclui-se que a principal constatação desse estudo é a existência de muitas restrições, especialmente a falta de objetividade, para que a contabilidade efetive a mensuração desse recurso do conhecimento denominado capital intelectual. Além disso, a sua mensuração não conta ainda com metodologia consolidada e aceita sem questionamento pela comunidade contábil, bem como o atual estágio da economia deixa claro à grande necessidade de apurar-se o valor desses recursos captados e mantidos pela organização, pois o mesmo tem valor e, portanto deve ser objeto de estudo da Contabilidade, haja vista que alteram o valor econômico do patrimônio das organizações.

Entretanto, nenhum dos métodos comparados pode ser considerado como definitivo para a solução desse problema servindo apenas como ponto de partida para novos experimentos na busca de um modelo que venha a solucionar o problema da mensuração dos ativos intangíveis em especial o capital intelectual.

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