Mestrado em terapia intensiva



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SOCIEDADE BRASILEIRA DE TERAPIA INTENSIVA (SOBRATI)

MESTRADO EM TERAPIA INTENSIVA


VALÉRIA PEREIRA DE MATTOS MORAIS
HUMANIZAÇÃO DA ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM EM UTI NEONATAL.

Artigo científico apresentado a Sociedade Brasileira de Terapia Intensiva (SOBRATI) como parte dos requisitos necessários a obtenção do título de Mestre em Terapia Intensiva.


Orientador: Prof. Dr. Douglas Ferrari

Mestranda: Valéria Pereira de M. Morais


São Paulo 2013





Sociedade Brasileira de Terapia Intensiva
_____________________________________ Artigo Científico Revisão

Mestrado em Terapia Intensiva
1

HUMANIZAÇÃO DA ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM EM UTI NEONATAL

Valéria Pereira de Matos1



Orientador:Dr Douglas Ferrai2


RESUMO
A temática humanização do atendimento em saúde é relevante no contexto atual, pois a constituição de um atendimento baseado em princípios como a integralidade da assistência, e a equidade, dentre outros, demanda a revisão das práticas cotidianas. Objetivou-se analisar a qualidade da assistência sob a ótica da equipe de enfermagem, de acordo com a proposta de atenção humanizada preconizada pelo Ministério da Saúde, Descrever o conhecimento sobre o processo da assistência humanizada na percepção dos profissionais de enfermagem e Identificar as limitações que a equipe de enfermagem encontra para executar o cuidado de forma holística e humanizada. O estudo foi Revisão bibliográfica, com base em artigos e livros. Durante o estudo foram constatado diversos fatores que contribuem para a falta de humanização na assistência de enfermagem, tais como: falta de recursos materiais e humanos, sobrecarga de trabalho, conflitos de relacionamento e falta de infraestrutura. Entretanto, apesar dos obstáculos, a enfermagem tenta desempenhar suas funções de acordo com normas e técnicas preconizadas por cada instituição, praticando o cuidado através de adaptações tanto em recursos humanos e materiais, quanto em assistência prestada para recém nascidos prematuros.

Palavras-chaves: humanização; assistência de enfermagem; UTI – Neonatal.
ABSTRACT
The theme of humanization in health care is relevant in the current context, since the establishment of a service based on principles such as holistic care, and equity, among others, demand the revision of daily practices. This study aimed to analyze the quality of care from the perspective of nursing staff, according to the proposal of humanized care recommended by the Health Ministry, identifying constraints that the multidisciplinary team is to perform care in a humane way, describing the knowledge that assistance in the perception of health professionals. The study was exploratory and qualitative, where he was interviewed a group of ten workers who are part of the team from the neonatal ICU of a hospital in southern Bahia. It was demonstrated that several factors contribute to the lack of humanization in nursing care: lack of material and human resources, work overload, relationship conflicts and lack of infrastructure. However, despite the obstacles, the nurse attempts to perform their duties in accordance with procedures and techniques recommended by the institution analyzed, practicing care through changes in both human resources in materials, as for assistance in preterm infants.
Keywords: humanization; nursing care; ICU - Neonatal
INTRODUÇÃO
A Política Nacional de Humanização existe desde 2003, para efetivar os princípios do Sistema Único de Saúde no cotidiano das práticas de atenção e de gestão, assim como estimular trocas solidárias entre gestores, trabalhadores e usuários para a produção de saúde e a produção de sujeitos. Queremos um SUS humanizado, comprometido com a defesa da vida e fortalecido em seu processo de pactuação democrática e coletiva. Entendemos a humanização do SUS como: valorização dos diferentes sujeitos implicados no processo de produção de saúde: usuários, trabalhadores e gestores; fomento da autonomia e do protagonismo desses sujeitos e dos coletivos; aumento do grau de co-responsabilidade na produção de saúde e de sujeitos; estabelecimento de vínculos solidários e de participação coletiva no processo de gestão; mapeamento e interação com as demandas sociais, coletivas e subjetivas de saúde; defesa de um SUS que reconhece a diversidade do povo brasileiro e a todos oferece a mesma atenção à saúde, sem distinção de idade, etnia, origem, gênero e orientação sexual; mudança nos modelos de atenção e gestão em sua indissociabilidade, tendo como foco as necessidades dos cidadãos, a produção de saúde e o próprio processo de trabalho em saúde, valorizando os trabalhadores e as relações sociais no trabalho; proposta de um trabalho coletivo para que o SUS seja mais acolhedor, mais ágil e mais resolutivo; compromisso com a qualificação da ambiência, melhorando as condições de trabalho e de atendimento; compromisso com a articulação dos processos de formação com os serviços e práticas de saúde; lutar por um SUS mais humano, construído com a participação de todos e comprometido com a qualidade dos seus serviços e com a saúde integral para todos e qualquer um.

A humanização da assistência à saúde é uma demanda crescente no contexto brasileiro, embora não tem se concretizado em alguns serviços, como em UTI Neonatal, não que se possa classificar de “desumanizado e não acolhedor “o serviço de neonatologia, mas que pequenas ações poderiam tornar a assistência de enfermagem, para os RN (recém-nascidos), mais humanizada, onde o ambiente hospitalar não possa causar futuros traumas para esses seres humanos que ainda não estavam prontos para serem exteriorizados por suas genitoras.

Através do atendimento humanizado, a família e o paciente, que passam por um momento de vulnerabilidade emocional, têm um enfrentamento positivo diante da situação que está sendo vivenciada pelos mesmos.

Um exemplo de humanização é o aleitamento materno sob livre demanda, e o alojamento conjunto que favorece o biônimo mãe e filho. Pesquisas revelam que o ambiente hospitalar torna-se menos traumático quando a mãe se faz presente durante o processo de hospitalização. Um dos fatores que contribuem para o sucesso da humanização da assistência é um bom relacionamento entre a equipe de saúde, pacientes e familiares.

Atualmente, espera-se discutir mais a temática sobre o cuidado na enfermagem, não sob a ótica do senso comum que se baseia no cuidado como caritativo, mas sim, na tentativa de discutir o cuidado holístico, além de intencionalmente buscar algumas iniciativas, valores, pensamentos capazes de melhorar o contato humano entre o profissional e o usuário, entre os próprios profissionais da saúde, entre o hospital/unidade básica de saúde/comunidade visando o enfrentamento das lacunas existentes entre este e a atenção integral à saúde do indivíduo.

Os profissionais de enfermagem precisam de um ambiente favorável e condições de trabalho justas para desenvolverem uma assistência qualificada. Para isso é necessário que os gestores realizem uma administração participativa e atuante onde os profissionais sejam envolvidos nas tomadas de decisões e no processo de educação continuada. Durante o estudo forma percebidos diversos fatores, um deles são os conflitos internos entre as diversas categorias de profissionais, tornando o ambiente tenso e não muito acolhedor para o desenvolvimento de sua rotina de trabalho. Outros pontos negativos foram observados como: a sobrecarga na escala de serviço, falta de reposição de materiais danificados, falta de capacitação dos profissionais para operacionalizar equipamentos, a desqualificação da equipe de enfermagem por parte da equipe médica.

O surgimento das UTIs trouxe um universo mais amplo à assistência aos recém-nascidos, permitindo a sobrevivência de bebês que teriam poucas chances de vida há alguns anos atrás. Apesar da importância da UTIN para os neonatos doentes, contraditoriamente, essa unidade que deveria zelar pelo bem-estar da criança em todos os seus aspectos, é por excelência um ambiente nervoso, impessoal e temido para aqueles que não estão adaptados às suas rotinas. Tal ambiente é repleto de luzes fortes e constantes, barulho, mudanças de temperatura, interrupção do ciclo do sono, visto que são necessárias repetidas avaliações e procedimentos, acarretando, muitas vezes, desconforto e dor.

Assistir o RN em sua totalidade é uma atividade muito ampla, enfatizamos a importância do envolvimento da equipe de enfermagem na assistência ao binômio mãe e filho, ressaltando a necessidade de humanizar essa assistência, facilitando a interação entre equipe profissional RN-mãe. Esse cuidado proporciona a recuperação do RN de forma satisfatória e contribui para minimizar os efeitos nocivos provocados pela hospitalização, tornando os pais elementos participativos desse processo, além de contribuir para uma boa qualidade de sobrevida do bebê. Diante do exposto, levantamos o seguinte questionamento: qual a percepção dos profissionais de enfermagem sobre humanização da assistência prestada em UTI – Neonatal?

Objetivando-se Analisar a qualidade da assistência sobre a ótica da equipe de enfermagem, de acordo com a proposta de atenção do Ministério da Saúde. Descrever o conhecimento sobre o processo da assistência humanizada na percepção dos profissionais de enfermagem e Identificar as limitações que a equipe de enfermagem encontra para executar o cuidado de forma holística e humanizada

O interesse em pesquisar e esclarecer sobre a percepção da equipe de enfermagem sobre humanização da assistência, surgiu durante a e atuação na UTI- neonatal.


REFERENCIAL TEÓRICO
Humanização
A palavra humanização pode ser entendida como a maneira de ver e considerar o ser humano a partir de uma visão global, buscando superar a fragmentação da assistência. Um dos aspectos que envolvem uma prática dessa natureza está relacionado ao modo como lidamos com o outro. Assim, essa característica implica em fazermos a diferença, tratando-o com dignidade e respeito, valorizando seus medos, pensamentos, sentimentos, valores e crenças, estabelecendo momentos de fala e de escuta (REICHERT; LINS; COLLET, 2007).

Nos últimos dez anos, as iniciativas de humanização da assistência têm trazido ao debate a importância de se articular a qualidade técnica da atenção dispensada e as tecnologias de acolhimento e suporte aos pacientes, estas iniciativas têm se apresentado em diversos campos de atenção, mas foram inicialmente implantadas no cuidado ao parto e ao recém-nascido, uma das característica para o processo de humanização da assistência implica em praticar o cuidado de forma holística, envolvendo o indivíduo e sua família como um todo. (MORAES et al, 2004).

De acordo com Ferreira; Vieira, (2003), apud Souza e Ferreira (2010), para os pais a UTI Neonatal é um ambiente de esperança e de medo. Esperança por saber que este é um local preparado para atender melhor seu filho e aumentar as chances de sobrevida. Medo por saber dos riscos inerentes aos pacientes que vão para tal ambiente, e ainda, sentimentos de frustração, por não estarem em geral, preparados para esta separação. Na intenção de diminuir os efeitos dessa separação, têm surgido métodos que buscam garantir à mãe e à criança a oportunidade de estarem juntos após o parto para que o desenvolvimento do apego não seja prejudicado.

Portanto, na UTIN, o cuidado de enfermagem deve estar voltado às necessidades da criança e sua família, desenvolvendo uma proposta do cuidado centrado na família, encorajando-os ao envolvimento afetivo e no cuidado de seu filho. Com isso, pretende-se preservar a indissolubilidade do binômio mãe-filho, reduzindo assim o tempo de internação, aumentando o calor afetivo e a colaboração da equipe de saúde, criando um vínculo de confiança entre família e equipe (OLIVEIRA; COLLET; VIEIRA, 2006).


A Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN)
A estrutura e organização da UTIN devem levar em conta os avanços terapêuticos e tecnológicos disponíveis para o cuidado do recém-nascido de alto risco para que possa atender a essas novas realidades. Todo planejamento e organização da UTIN, da escolha do material, recursos humanos, bem como planta física, deve levar em consideração e enfatizar o cuidado centrado na família em todos os aspectos da assistência, da admissão até a alta hospitalar, quando então a assistência integral ao recém-nascido de alto risco e família será enfatizada. A estrutura do hospital onde será implantada a UTIN deverá ser analisada para se certificar de que possui todos os serviços técnicos e humanos de apoio para atender as demandas do cuidado do recém-nascido enfermo, 24 horas por dia, como: laboratório clínico e patológico, radiologia, farmácia, ECG, serviço social, ecocardiograma, gasometria, banco de sangue, entre outros (TAMEZ e SILVA, 2006).

Na UTIN há equipes especializadas de médicos e enfermeiros, além de outros profissionais de saúde e pessoal de apoio contando com a retaguarda de exames complementares, laboratoriais e radiológicos, tudo funcionando 24 horas por dia; equipamentos modernos como incubadoras, respiradores, monitores cardíacos e de oxigenação, entre muitos outros, são obrigatórios neste ambiente de UTIN de modo a garantir todos os cuidados que o bebê precisa.



Atuação da enfermagem no processo de humanização
A Enfermagem tem papel relevante na manutenção das condições da vitalidade dos recém nascidos, devendo fundamentar suas ações em conhecimentos científicos. Cabe ao enfermeiro da UTI - neonatal organizar o ambiente, planejar e executar os cuidados de enfermagem de acordo com a necessidade individualizada e resposta de cada criança, exercendo assim, uma assistência integral, de qualidade e humanizada (SCOCHI, 2001).

A capacitação dos profissionais de enfermagem para aprender as necessidades singulares de cada bebê é de grande importância para que os procedimentos e cuidados de rotina, dolorosos e invasivos, sejam empregados de forma individualizada e singular. Um dos primeiros passos nesse sentido é a observação acurada das respostas comportamentais e fisiológicas do bebê, visando à diminuição do estresse e da dor, contribuindo para o seu conforto, segurança e desenvolvimento (REICHERT; LINS; COLLET; 2007).

A UTI - Neonatal é por excelência, o ambiente destinado ao atendimento de bebês de alto risco e, para tanto, exige de toda a equipe um preparo que sustente a complexidade das atividades desenvolvidas. No tocante à equipe de enfermagem assume um leque de atribuições, capacidades e responsabilidades que são essenciais para avaliar, entender e apoiar com segurança o RN e a sua família durante o tempo crítico de permanência no hospital. (MOREIRA, 2001).

Segundo Martins (2001), o contato direto com seres humanos coloca o profissional de saúde diante de sua própria vida, saúde ou doença, dos próprios conflitos e frustrações. Se ele não tomar contato com esses fenômenos, correrá o risco de desenvolver mecanismos rígidos de defesa que podem prejudicá-lo tanto no âmbito profissional quanto no pessoal, como também este profissional da saúde, ao entrar em contato com os seres humanos, pode utilizar o distanciamento como mecanismo de defesa. Muitos profissionais de saúde submetem-se, em sua atividade, a tensões provenientes de várias fontes: contato frequente com a dor e o sofrimento e com pacientes terminais, receio de cometer erros, relações com pacientes difíceis. Sendo assim, cuidar de quem cuida é condição suficiente para desenvolver projetos de ações em prol da humanização da assistência.

Ainda de acordo com esse autor, a humanização é um processo amplo, demorado e complexo, ao qual se oferecem resistências, pois envolve mudanças de comportamento, que sempre despertam insegurança. Os padrões conhecidos parecem mais seguros; além disso, os novos não estão prontos nem em decretos nem em livros, não tendo características generalizáveis, pois cada profissional, cada equipe, cada instituição terá seu processo singular de humanização.
METODOLOGIA

O presente artigo foi conduzido por um estudo bibliográfico realizado através de livros, artigos e acesso a internet. Gil (2006, p. 50) relata que “a principal vantagem da pesquisa bibliográfica reside no fato de permitir ao investigador a cobertura de uma gama de fenômeno muito mais ampla do que aquela que poderia pesquisar diretamente”. Para Lakatos (2005), a pesquisa bibliográfica tem como finalidade colocar o pesquisador em contato direto com tudo aquilo que foi escrito sobre determinado assunto, com o objetivo de permitir ao pesquisador o reforço paralelo na análise de sua pesquisa ou manipulação de suas informações. Assim não se trata de repetição do que já foi dito ou escrito sobre determinado assunto, mais permite uma análise sob novo enfoque. (TRUJILLO, 1974)

Para realizar a pesquisa foram utilizados os descritores: Humanização, assistência de enfermagem. Na busca foram detectados 20 artigos relacionados ao tema na base de dados citados, sendo selecionados os mais recentes, considerando um período de 5 anos (2002-2009).

Posteriormente, foi feita a leitura dos artigos, os quais foram analisados e selecionados as pesquisas interessantes para esse estudo, elaborando-se assim o teor completo do artigo que se apresenta.



RESULTADOS E DISCUSSÕES

De acordo com Martins (2001, p.2):A prática da humanização deve ser observada ininterruptamente. O comportamento Ético deve ser o princípio de vida da organização, uma vez que ser ético é preocupa-se com a felicidade pessoal e coletiva.

O processo de humanização é visto como uma forma de assistência, cujo cuidado está relacionado a um tipo de atendimento que envolve um processo assistencial resultante do conhecimento e da prática das várias categorias profissionais atuantes na produção de cuidados em saúde. Os profissionais de enfermagem definem de diversas formas o significado para humanização da assistência, e sua percepção para promoção no seu ambiente de trabalho. Grande parte dos trabalhadores estão insatisfeitos, principalmente no que se refere ao reconhecimento de seus serviços para com a empresa, tornando assim o cuidado pouco humanizado, para oferecer um atendimento humanizado é preciso que as pessoas sejam tratadas como seres humanos.

Na humanização do cuidado Neonatal, o Ministério da Saúde preconiza várias ações, as quais estão voltadas para o respeito às individualidades, à garantia da tecnologia que permita a segurança do recém-nato e o acolhimento ao bebê e sua família, com ênfase no cuidado voltado para o desenvolvimento e psiquismo, buscando facilitar o vínculo pais-bebê durante sua permanência no hospital e após a alta (REICHERT; LINS; COLLET, 2007).

Segundo Scochi (2000, p34) “a importância da manutenção da qualidade de vida do prematuro internado em uma UTI Neonatal determinou a busca de um atendimento individualizado [...], ao desenvolvimento integral do bebê e sua família”.

O desejo em promover uma assistência humanizada é comum a toda equipe a toda equipe de enfermagem, pois os membros da equipe tenta realizar seus procedimentos com qualidade, mas nem sempre é possível obedecer ao atendimento individualizado de cada bebê, pois sobrecarga de serviço impede que o cuidado seja prestado de forma humanizada. A rotina do ambiente de trabalho causa estresse aos funcionários e impõem uma sobrecarga funcional muito intensa.

Para que o trabalho não se torne mecanizado e desumano, é necessário que os profissionais estejam instrumentalizados para lidar as situações do cotidiano, recebendo auxílio psicológico e aprendendo a administrar sentimentos vivenciados na prática assistencial. Vale salientar que, o desenvolvimento de ações humanizadas seja a filosofia da instituição. Portanto, esta deve estar comprometida com um projeto terapêutico que contemplem a humanização das relações de trabalho, da assistência e do ambiente de trabalho. Nesse contexto, é fundamental o incentivo à equipe, valorizando os profissionais enquanto seres bio-psico-sociais, pois, quando se sentem mais respeitados, valorizados e motivados como pessoas e profissionais, podem estabelecer relações interpessoais mais saudáveis com os pacientes, familiares e equipe multiprofissional (CINTRA; NISHIDE; NUNES, 2003).

Foi analisado nos estudos que , mesmo a instituição não oferecendo meios materiais, físicos e psicológicos para a promoção da assistência humanizada, os funcionários tentam na maioria das vezes aplicar esse processo, e quase sempre ficam frustrados, pois se tornam impotente diante das situações que embora tivesse o desejo de realizar uma assistência humanizada, não pode fazer porque se deparou como muitos obstáculos.

Para Souza e Ferreira (2010) a tecnologia é muito útil, porém, não é infalível. E, ainda, o cuidado individualizado do doente sobreviveu a todas as modas e é, de longe, muito valorizado pelo paciente e seus familiares. Às vezes o sucesso é perdido, não por falta de vontade nem recursos, mas por não se canalizar as energias numa única direção. A organização do trabalho da produção de saúde pode produzir no trabalhador o sentimento de impotência profissional, e essa impotência pode resultar em situações conflituosas que emergem das formas objetivas impostas pelas prescrições e das exigências subjetivas dos aspectos afetivos e relacionais presentes no cotidiano.

Por isso, entende-se que algumas das situações de impasses dentro do processo de trabalho podem apontar para uma necessidade de mudanças na organização da rotina, nas quais se conte com a efetiva participação dos trabalhadores em algumas instâncias do gerenciamento institucional para padronizar as ações ou legitimar as rotinas construídas ao longo dos anos.

Para tanto, conforme apontam Lacaz e Sato (2006), tal ação implica em identificar os problemas de cada situação juntamente com os sujeitos envolvidos no processo, não cabendo tão somente ao gestor a tarefa de pensar e replanejar. São medidas que minimizam conflitos, uma vez que visam diminuir a distância entre o planejamento da gestão e a atividade profissional.

As diretrizes preconizadas pelo programa Nacional de Humanização não são devidamente atendidas, embora estes pré-requisitos sejam fundamentais para que a instituição seja reconhecida como Hospital Amigo da Criança. Algumas condições foram incorporadas pelo Ministério da Saúde como ação prioritária em 1992. Desde então, com o apoio das Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde, vem capacitando profissionais de saúde, realizando as avaliações e estimulando a rede hospitalar para o credenciamento.  Já são mais de 20 mil hospitais credenciados na IHAC em todo o mundo e no Brasil já há 336 Hospitais Amigos da Criança.



Princípios do Humaniza SUS

São princípios da Política Nacional de Humanização da Atenção e Gestão do SUS:



Inseparabilidade entre a atenção e a gestão dos processos de produção de saúde - Refere-se a práticas interdependentes e complementares. A incorporação da humanização deve ocorrer considerando-se tal entendimento.
Transversalidade - Trata-se de concepções e práticas que atravessam as diferentes ações e instâncias, que aumentam o grau de abertura da comunicação intra e intergrupos e ampliam as grupalidades, o que se reflete em mudanças nas práticas de saúde.
Autonomia e protagonismo dos sujeitos - Têm relação com a co-responsabilidade entre gestores, usuários e a participação coletiva nos processos e na gestão (HumanizaSus, 1992).

Para que a assistência de enfermagem ao RN seja de qualidade, é fundamental atender às necessidades de repouso, calor, nutrição, higiene, observação e atendimento contínuo aos bebês, a observação rigorosa do comportamento da criança deve ser feita antes dela ser submetida a uma manipulação, durante os cuidados rotineiros e depois da execução dos mesmos, com a finalidade de identificar sinais de dificuldade de adaptação do bebê ao ambiente extra-uterino. Porém, vale ressaltar que não deve se deter apenas ao atendimento das necessidades biológicas do RN, mas envolver suas necessidades emocionais, apreendendo-o de forma holística.


O ambiente da UTI é diferente dos outros setores de internação de um hospital. Ele possui algumas características próprias, tubos, drenos, fios, luzes, aparelhos, alarmes, e outros, e a convivência diária dos profissionais e dos pacientes internados com situações de riscos, a necessidades do conhecimento técnico - cientifico e dos equipamentos para garantir o tratamento das patologias, a ansiedade presente entre a equipe de profissionais, os familiares e o paciente (NASCIMENTO e MARTINS, 2003, p. 8).
A equipe funciona como um elo entre a família e UTI neonatal, garantindo informações, esclarecendo dúvidas e preparando-a para o ambiente da UTI. Os terapeutas geralmente convidam os pais a participarem da internação do filho, o que é de extrema importância para que elabore os seus conflitos acerca do nascimento do bebê e comece a interagir com o mesmo, podendo reconhecê-lo como seu. A comunicação entre pais e equipe de saúde não é realizada de forma eficiente, assim como o diálogo dos familiares com a equipe. O contato maior da família é com técnicos de enfermagem e enfermeiro, esses por sua vez não estão inseridos dentro de um contexto de humanização ofertado pela instituição devido a sobrecarga de suas atividades laborais.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Através dos resultados deste estudo, foi possível evidenciar que a produção de cuidado humanizado no âmbito da UTI neonatal ainda é um desafio, sendo grandes as dificuldades e os obstáculos encontrados pelos profissionais em seu processo de trabalho. A visão dos profissionais em relação à assistência prestada, é a de garantir satisfação ao cliente interno e externo, implementando o conceito da equidade, e criando um ambiente menos hostil - o que ajuda o paciente a diminuir o nível de estresse e, consequentemente, se recuperar mais rápido.

Algumas instituições tem como rotina a não liberação dos genitores no acompanhamento do RN, resultando no distanciamento dos entes queridos e contribuindo para um dos maiores problemas enfrentados pelos acompanhantes dos RN’s internados na UTI. O conceito de humanização busca resgatar o valor da proximidade com o paciente, evitando que a sobrecarga de trabalho, a falta de materiais e o descaso com a equipe de enfermagem permitam que a mesma torne-se cada vez mais desumana e mecânica. Em geral, nota-se uma disposição não favorável ao acolhimento das mães e o reconhecimento das necessidades dos bebês, embora a equipe promova uma assistência de enfermagem que responde as necessidades exigidas pelo setor.

Várias evidências demonstraram que um ambiente de trabalho desfavorável contribui para a falta de uma assistência humanizada, pela equipe de enfermagem, como: espaço físico inadequado; limitações de horário para as mães que amamentam; recursos humanos insuficientes; falta de treinamentos/capacitação acerca da temática humanização; falta de acolhimento, inclusive para os funcionários. Apesar de entender que a falta das "condições humanizadas do trabalho" impõem limites para oferecer ao usuário uma assistência qualificada e humanizada, foi observado no estudo que os desgastes não obscurecem o prazer que os trabalhadores desfrutam de suas atividades, principalmente quando estas se apresentam em forma de reconhecimento do trabalho bem-sucedido pelo os mesmos.

A equipe médica atuante contribui para que a UTI - neonatal tenha um clima hostil e frio, onde os mesmos não praticam uma assistência humanizada e acolhedora. Hoje, na formação acadêmica, o médico toma conhecimento da necessidade de acolher os familiares, já que é comprovado que eles são parte importante no restabelecimento do paciente, porém, nem todos possuem essa visão. Sensibilizar a equipe que atua na UTI neonatal sobre o processo de humanização é um passo importante.

A responsabilidade dos profissionais perpassa as intervenções tecnológicas, inclui a avaliação das necessidades dos familiares, grau de satisfação dos clientes sobre os cuidados realizados, além da preservação da integridade. É correto afirmar que a humanização renasce para valorizar as características do gênero humano. É imprescindível no processo de humanização uma equipe consciente dos desafios a serem enfrentados e dos limites a serem transpostos.

Conclui-se que, a oferta de uma assistência humanizada não tem sido realizada de forma eficaz nos Hospital Infantil, devido ao dimensionamento inadequado de funcionários existentes no setor e sobrecarga de trabalho, impossibilitando a existência de tempo e estrutura para promover uma assistência humanizada, conjugada ao acolhimento das necessidades intersubjetivas dos pacientes e dos profissionais de enfermagem.



REFERÊNCIAS

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http://portal.saude.gov.br/portal/saude/cidadao/Acesso em : 12 de maio de 2011

CINTRA, Eliane de Araújo; NISHIDE, Vera Médici; NUNES, Wilma Aparecida Assistência de enfermagem ao paciente gravemente enfermo. 2ª edição. São Paulo: Atheneu, 2003

FIGUEIREDO, Nébia Maria Almeida. Método e metodologia na pesquisa científica. 3 ed. São Caetano do Sul: Yendis, 2009

LACAZ, F. A. C, SATO L. Humanização e qualidade do processo de trabalho em saúde. In: Deslandes S.F, (org). Humanização dos cuidados em saúde: conceitos, dilemas e práticas. Rio de Janeiro: Fiocruz; 2006. p. 109-139.

MARTINS, M. C. F. N. Humanização das relações assistenciais: a formação dos profissionais de saúde. São Paulo: Casa do Psicólogo; 2001

MORAES, Janaína Corrêa, et al. Assistência prestada na unidade de terapia intensiva adulta: Visão dos clientes. Revista Nursing. V. 79, n.7, p. 29-35 2004.


Disponível em: Acesso em: 23 jun 2011

MOREIRA, Maria Eliane de Araújo. Estressores em mães de recém-nascidos de alto risco: sistematização da assistência de enfermagem. 158 f. Tese (mestrado). João Pessoa. Programa de Pós-Graduação em Enfermagem/ UFPB, 2001.


NASCIMENTO, E.R.P.; MARTINS J.J. Reflexões acerca do trabalho da enfermagem em UTI e a relação deste com o indivíduo hospitalizado e sua família. Nursing Revista Técnica de Enfermagem 2003 v.3 p.29 p. 26-30.

OLIVEIRA, Beatriz Rosana Gonçalves de; COLLET, Neusa; VIEIRA, Cláudia Silveira A humanização na assistência à saúde. Revista Latino-Am Enfermagem, v. 14, n. 2, p. 277-284, 2006. Disponível em: Acesso em: 12 maio 2011
REICHERT, A. P.S; LINS; R.N.P. COLLET, N. Humanização do cuidado da UTI Neonatal, Revista Eletrônica de Enfermagem, v.09, n. 01, p 23-26, 2007 Disponível em Acesso em: 23 jun 2011.

SCOCHI, Carmen Gracinda Silvan. A humanização da assistência hospitalar ao bebê prematuro: bases teóricas para o cuidado de enfermagem. 122 f. Tese (mestrado). Ribeirão Preto: USP/Escola de Enfermagem, 2000.

SOUZA Kátia Maria Oliveira de; FERREIRA Suely Deslandes. Assistência humanizada em UTI neonatal: os sentidos e as limitações identificadas pelos profissionais de saúde. Revista Ciência & Saúde Coletiva, v.15 n.2 p. 23-28, Rio de Janeiro, 2010 Disponível em: Acesso em: 3 jun 2011

TAMEZ, Raquel Nascimento; SILVA, Maria Jones Panjota. Enfermagem na UTI neonatal: assistência ao recém-nascido de alto risco. 3ª edição, Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2006.




1Enfermeira especialista em Gestão Hospitalar, e-mail: valeria_pmm@hotmail.com


2 Professor Orientador. Medico intensivista; Diretor do instituto brasileiro de terapia intensiva


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