Mestrado sobrati kátia Freitas Jaber aspectos sociais que interferem no atendimento



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MESTRADO SOBRATI

Kátia Freitas Jaber


ASPECTOS SOCIAIS QUE INTERFEREM NO ATENDIMENTO

À GRANDE EMERGÊNCIA

CAMPOS DOS GOYTACAZES/RJ

FEVEREIRO/2012


Kátia Freitas Jaber

ASPECTOS SOCIAIS QUE INTERFEREM NO ATENDIMENTO

À GRANDE EMERGÊNCIA

Dissertação apresentado Sociedade Brasileira de Terapia Intensiva – SOBRATI – como parte do requisito para obtenção do título de Mestre em Terapia Intensiva.
Orientadora: MSc. Dolores Fernandes


CAMPOS DOS GOYTACAZES/RJ


FEVEREIRO/2012

DEDICATÓRIA

Aos meus colegas de trabalho, por terem me estimulado no estudo deste Mestrado terem me mostrado a necessidade de manter continuamente aprendendo, a fim de valorizar o ideal da minha profissão.

Age sempre de tal modo que trates a humanidade, tanto na tua pessoa como na do outro, como fim e não apenas como meio”.

Kant
DECLARAÇÃO DE AUTORIA

Eu, Kátia Freitas Jaber, RG 03930322-7 IFP/RJ, declaro para os devidos fins, sob as penas da lei, que o trabalho intitulado: Aspectos Sociais que interferem no atendimento à Grande Emergência é de minha autoria, estando o Mestrado de Terapia intensiva autorizada a divulgá-lo, mantendo cópia em biblioteca, podendo inclusive publicá-lo em revista e boletim da instituição, indicando a devida autoria supracitada, sem ônus referentes a direitos autorais.


Campos dos Goytacazes, 30 de janeiro de 2011

_________________________________________

Kátia Freitas Jaber

RESUMO

Este estudo surgiu perante meus questionamentos frente à realidade do setor de emergência que passa por situações sociais que interferem no atendimento. Esta realidade agride as condições de cidadania do indivíduo. Trata-se de um fenômeno não esporádico no nosso país. Ao assistir ao paciente, o enfermeiro é capaz de visualizar quais são as principais necessidades básicas. No entanto, os aspectos sociais vêm levando um grande número de pessoas a procurar o setor de emergência. De forma que esta literatura será mais uma fonte para discutir a condição de trabalho do enfermeiro no tratamento dos doentes e procurar contribuir para a sensibilização da equipe de saúde em condições adversas.




Palavras-chave: Emergência; Atendimento; Aspectos Sociais.

ABSTRACT

This study front to the reality of the emergency sector appeared before my questionings that passes for social situations that intervene with the attendance. This reality attacks the conditions of citizenship of the individual. One is about a not sporadical phenomenon in our country. When attending the patient, the nurse is capable to visualize which is the main basic necessities. However, the social aspects come taking a great number of people to look the emergency sector. Of form that this literature will be plus a source for nursing academics, that argue the condition of work of the nurse in the treatment of the sick people and to look for to contribute for the sensitization of the team of health in adverse conditions.



Key-words: Emergency; Attendance; Social Aspects

SUMÁRIO


  1. INTRODUÇÃO.......................................................................................................................09




  1. FATORES RELACIONADOS À SAÚDE DE UMA POPULAÇÃO................................10




  1. ASPECTOS ECONÔMICOS E FINANCEIROS QUE DIFICULTAM O ACESSO DA POPULAÇÃO À SAÚDE.......................................................................................................22




  1. CONCLUSÃO.........................................................................................................................42




  1. REFERÊNCIAS......................................................................................................................44


LISTA DE GRÁFICOS

38
38


39

Gráfico 1 – Atendimento por especialidade.............................................................................


Gráfico 2 – Procedência dos clientes.........................................................................................
Gráfico 3 – Atendimento pela equipe multiprofissional.............................................................


  1. INTRODUÇÃO

Subitamente, uma doença ou agravo coloca uma pessoa em situação de risco imediato de morte ou incapacidade. Nos grandes centros urbanos, este parece ser um risco crescente, gerando na população um sentimento de risco constante, ou seja, de vir a sofrer um dano à saúde capaz de ameaçar a sua vida, ou a de alguém querido.

A necessidade de manutenção de uma porta de entrada qualificada e integrada na atenção de urgência e emergência tem causado uma discussão em torno da regulação, como conceito atrelado à capacidade de resposta frente às demandas de saúde, e como instrumento de ordenação e orientação da assistência, em seus diversos níveis. Desse modo, a recente estruturação de centrais de regulação nos estados apresentam-se como ferramenta importante para a implementação de regionalização da saúde, otimizando a busca pela melhor alternativa terapêutica do momento, de acordo com as necessidades do usuário.

No Brasil, o processo regulador da atenção suplementar em saúde tem se construído dentro da perspectiva de regulação das condições contratuais, sobretudo para a correção das falhas de mercado (BRASIL/ANS, 2003). Fica limitada ao universo de cobertura e abrangência de cada empresa, cooperativa ou seguro, balizada pelas regulamentações específicas – Lei 9.656 e Resoluções CONSU números 10 e 13 a regulação específica da atenção de urgência e emergência. Para o usuário, a Lei trouxe a garantia legal do cumprimento dos itens contratuais quanto à cobertura de procedimentos, incluído-se os de urgência e emergência, que passam a constar obrigatoriamente no elenco de ações a serem ofertadas pelo contrato.





  1. FATORES RELACIONADOS À SAÚDE DE UMA POPULAÇÃO


2.1 Fatores sociais, econômicos e culturais

A saúde de uma população está relacionada com diversos fatores sociais, econômicos e culturais. No país em desenvolvimento, agrega-se a isso um fator de maior relevância, quando se analisa a qualidade e o acesso aos serviços de saúde, as políticas de ajuste estrutural, que foram aplicadas no final da década de 70 e o início dos anos 80. Estas políticas estão baseadas na diminuição dos gastos públicos como forma de reduzir os deficits dos Governos, no pagamento dos serviços de saúde e outros serviços sociais pelos usuários, no congelamento dos salários e na redução do setor público.

A aplicação destas políticas contribuiu para a quebra do sistema de saúde pública e para a deteriorização da sua capacidade preventiva e curativa. Uma das conseqüências foi o aumento da vulnerabilidade dos setores mais pobres da sociedade, causada pelo aumento dos preços dos alimentos, maiores custos do atendimento à saúde, diminuição dos salários reais e a elevação do desemprego. Podemos afirmar que as políticas de ajuste estrutural causaram um considerável atraso no setor de saúde do país e uma piora dos indicadores de saúde, acompanhados de aumento de doenças que já haviam sido erradicadas em muitas regiões, como a desnutrição, tuberculose e enfermidades de transmissão sexual. Quando os governos responsáveis por tomar decisões nas áreas sociais fazem com que os mais pobres tenham de pagar em maior proporção os custos relacionados com a saúde, significa que ela não é mais um direito básico para aqueles que mais necessitam.

Segundo o princípio das políticas de ajuste, a possibilidade dos cidadãos de acederem à saúde e de poder ou não curar torna-se uma função direta e explícita do dinheiro. Está-se afirmando com este princípio, na prática e no direito, uma cidadania que poderíamos chamar de monetária, já que o acesso à atenção à saúde e à cura depende do pertencimento ou não a uma classe social que permita o exercício deste direito.

A saúde de uma população está intimamente relacionada ao modo de produção da sociedade. Além de bens e serviços, são produzidas relações sociais constituídas históricas e socialmente, que se expressam em diferentes condições de vida e trabalho, de saúde, adoecimento e morte. É um contexto de profundas diferenças sociais que atuam os determinantes dos processos de saúde-doença, cujo enfrentamento não é possível apenas no âmbito do setor saúde, passando necessariamente por articulações intersetoriais e por políticas sociais gestadas a partir da sociedade civil.

Esta profunda desigualdade nas condições de vida e trabalho expressa-se também no modo como se dá a distribuição, apropriação e ocupação do espaço urbano e de sua infra-estrutura, serviços e equipamentos sociais como escolas, creches, parques, serviços de saúde, saneamento básico, entre outros. Há diferenças profundas no que diz respeito à qualidade dos serviços e no direito ao acesso a esses mesmos serviços.

Quase, sem que a opinião pública se dê conta, vem acontecendo nos últimos anos sérias mudanças nas estratégias sanitárias globais, traduzidas na prática por um distanciamento do Estado de suas responsabilidades de proporcionar atenção à saúde para todas as pessoas ou pelo menos para aquelas mais carentes.
2.2 O homem e a saúde

Ao final do século XVIII e início do século XIX é que a ordem econômica capitalista se consolida, e a desintegração social de comunidades de pequenos produtores teve papel fundamental, pois ocorreu a liberação dos vínculos de dependência com a soberania feudal.

Com o passar do tempo, foi-se perceber do que o capitalismo liberal mantinha as pessoas sob pressão e com ansiedades. A desigualdade de condições sócio-econômicas associadas à exploração da força de trabalho começou a gerar conflitos que demonstram o descontentamento e a sensação de impotência para mudança, bem como uma forma de expressar a fragmentação do sistema.

No capitalismo baseado no Calvinismo, o trabalho é demasiadamente valorizado e gerador de riquezas, pois ela deve ser criada e reinvestida na produção de novas riquezas, sendo condenado seu uso para o prazer da vadiagem e de aproveitamento pecaminoso da vida. Nesta época, a saúde era vista com os olhos da classe dominante, que necessitava da força de trabalho para a manutenção do sistema e passava a legitimar a relação dominador/dominado.

A Revolução Industrial aumentou os domínios nos campos de atividade econômica. Os burgueses em ascensão tornam-se patrões de vizinhos empobrecidos no momento em que injetam capital nas fabriquetas a fim de que sejam inseridas no novo sistema. As mudanças ocorreram, como cita Deane (1975, p. 11):

na aplicação sistematizada e generalizada do conhecimento científico ao processo de produção nacional; atividade econômica com vistas ao mercado internacional; o êxodo rural; a exposição da produção que antes era realizada pela família e agora pela empresa; alteração entre o uso de instrumentos e trabalho humano; surgimento de novas classes sociais.

Hoje, o trabalho está cada vez mais direcionado à busca da satisfação das necessidades básicas, de realização dos sonhos e das fantasias. O indivíduo produtivo torna-se integrado ao que culturalmente representa boas condições de saúde, pois participa da elaboração necessária ao bom desenvolvimento da organização, da família, da comunidade em que vive e de sua própria vida enquanto responsável por si próprio.

2.3 Instituição hospitalar: uma visão sócio-cultural

O processo evolutivo da instituição hospitalar, segundo Pitta (1991), iniciou tendo a função de esconder os pobres, doentes e vadios do convívio social cuidando-os até a morte.

Hoje sua função principal é salvar vidas, buscar técnicas capazes e adequadas ao tratamento bem como facilitar a pronta recuperação.

No processo evolutivo, o aspecto saúde-doença é guiado pela ideologia dominante nos contextos social, político, econômico e cultural das mais diferentes épocas históricas e seus contextos, o que faz ser vista como uma condição relativa e dinâmica. Segundo Rezende (1986) nas três últimas décadas, enquanto instituição, a saúde tem preenchido espaços no setor econômico, nos meios de comunicação, nas políticas públicas e enquanto necessidade social.

Hoje, também a enfermagem engloba uma história progressiva com caráter científico e um desenvolvimento linear. O dinamismo da assistência de enfermagem está incorporado às novas tecnologias e procedimentos no trabalho com objetivo de aprimorar o ato de cuidar.

Conforme Pitta (1991), apesar de toda transformação e progresso, falar em hospital, doença, possibilidade de perda, sofrimento, dependência e rompimento do processo produtivo causa ansiedade e desconforto às pessoas. Parece que dificilmente a imparcialidade sobrepõem-se ao profissionalismo puro.

Torna-se explícito que o paciente internado carrega consigo a patologia a ser tratada, todos os problemas conseqüentes, suas crenças, a própria percepção de seu estado e suas fantasias.

O paciente é despojado de si mesmo e inserido ao todo. A ameaça dos seus sonhos,as conquistas, aos objetivos de vida torna-se constante. Ela abre mão, muitas vezes, de seus valores, suas ambições, e até mesmo de sua identidade.



2.4 O contexto psicossocial de pacientes internados na Unidade de Emergência

Família é a instituição que funciona como base de convívio social das pessoas. São elas que preparam o ser humano para enfrentar o mundo exterior, inserindo-o definitivamente em uma comunidade, na qual interagirá e formará novas famílias.

Quando o enfermeiro não se relaciona com seus pacientes e familiares, não procurando compreendê-los para solucionar ou minimizar seus problemas, promove a inviabilização da interelação terapêutica, perdendo, consequentemente, um poderoso instrumento de cuidado de enfermagem.

Cada parente reage de uma forma perante a internação de seu paciente na unidade de emergência, o que dificulta o manejo. Cada membro da família também tem sua singularidade, mas que não pode ser ignorado ou até mesmo excluído durante o processo terapêutico.

A influência dos valores e costumes de uma comunidade humana sobre a percepção dos sintomas, da enfermidade, sua interpretação e técnicas de tratamento. Enfim, não se pode compreender as reações das pessoas frente às questões ligadas ao binômino saúde-doença sem considerar a cultura em que foram educados e formas culturais específicas de organização social nessa área.

Franco e Jorge (2002) colocam que as instituições hospitalares não estão preparadas para trabalhar com o familiar, ou seja, não existe sua institucionalização, ficando o doente longe de seu parente, induzindo-o ao padecer psíquico. Citam que a enfermagem tem dado uma importância em especial para a abordagem holística, mas a prática, muitas vezes, tem-se encarregado de contrair essas expectativas.

Papp (1992) afirma que o terapeuta deve centrar sua atenção na compreensão do comportamento de um indivíduo e não primeiramente, na causa que o levou ao comportamento, além de como pode afetar o dos demais integrantes, no intuito de reestabelecer a homeostase familiar. Essa forma de interação é chamada por ele de organização circular.

Ao reportarmos-nos ao paciente internado na unidade de emergência, é importante lembrar que este requer cuidados imediatos. Essa situação pode provocar, na família, sentimentos de importância, fraqueza e despreparo, como explicita Papp (1992). Assim, é nessa hora, na qual a família pode não ter condições de enfrentar os conflitos internos sozinha, que o enfermeiro deve tornar-se co-participe desse processo, já que seu potencial terapêutico pode amenizar o sofrimento psíquico causado por essas transformações.

Em um hospital, a prioridade da equipe de saúde é o tratamento do doente, e, da família, é o cuidado do familiar paciente, às vezes, em detrimento do próprio cuidado individual de cada um dos membros, tendo, em conseqüência, toda a sua vida e dinâmica diária modificada. Se a doença é considerada como um momento de crise, que exige atenção, solidariedade e apoio incondicionais dos membros familiares, a família exige, então, a permanência ao lado de seu parente querido como modo de mostrar interesse e dedicação (MOTTA; FRANCO e JORGE; HENCKEMAIER, 2002).

No entanto, ao se falar de unidade de emergência, esses valores perpetuados pela família muitas vezes são deixados em segundo plano, já que nela os familiares não podem acompanhar totalmente o familiar-paciente, mas em horários predeterminados pela equipe de saúde e pela instituição para a realização de visitas.

O sofrimento vai além do saber físico. Caracteriza-se por uma função de conotações culturais, subjetivas, sociais e espirituais, ou seja, é a ansiedade, a depressão, a solidão e o sentimento de não sentido da vida. Em função disso, o sofrer acentua o processo de desestruturação da família porque invade toda a sua integridade enquanto grupo social, alterando todas as perspectivas futuras (PESSINI, 2002).

O profissional de saúde que desvaloriza as contribuições culturais da família no processo de adoecimento enriquece a postura etnocêntrica das relações, o que só aumenta o grau de distanciamento entre profissionais e família do paciente, já que os conhecimentos biomédicos muitas vezes podem se sobrepor às visões de mundo e experiências de familiares.


2.5 A unidade de emergência
Define-se unidades de emergência como locais apropriados para o atendimento de pacientes com afecções agudas específicas onde existe um trabalho de equipe especializado e podem ser divididas em pronto atendimento, pronto socorro e emergência (WEHBE e GALVÃO, 2001).

Para o Ministério da Saúde (1985), pronto atendimento é a "unidade destinada a prestar, dentro do horário de funcionamento do estabelecimento de saúde, assistência a doentes com ou sem risco de vida, cujos agravos a saúde necessitam de atendimento imediato"; pronto socorro é o "estabelecimento de saúde destinado a prestar assistência a doentes, com ou sem risco de vida, cujos agravos a saúde necessitam de atendimento imediato. Funciona durante às 24 horas do dia e dispõe apenas de leitos de observação"; e emergência é a "unidade destinada a assistência de doentes, com ou sem risco de vida, cujos agravos a saúde necessitam de atendimento imediato".

Devem ser considerados na implantação e desenvolvimento de unidades de emergência: área geográfica, recursos humanos e materiais disponíveis. Na organização de um serviço de emergência eficiente e eficaz, são imprescindíveis as figuras do diretor e o coordenador do serviço de trauma. O primeiro, em geral, é um médico; o cargo de coordenador deve ser ocupado por enfermeiro que tenha extenso conhecimento dos aspectos que envolvem o cuidado do paciente com trauma (WEHBE e GALVÃO, 2001).

Conforme definição do Conselho Federal de Medicina - CFM, pela Resolução 1451/95,URGÊNCIA, é “a ocorrência imprevista de agravo à saúde com ou sem risco potencial de via, cujo portador necessita de assistência médica imediata”, e EMERGÊNCIA, é “a constatação médica de condições de agravo à saúde que impliquem em risco iminente de vida ou sofrimento intenso, exigindo, portanto, o tratamento médico imediato”.

Assim, o balizamento é dado pela irreversibilidade da morte ou de uma condição de dano permanente à saúde. Conforme a Resolução, o médico enfeixa total autonomia para a definição do que é ou não condição de urgência/emergência.

O conceito de soberania do ato médico, do ponto de vista jurídico, confirma a situação de autonomia inquestionável, e não pode sofrer influência ou constrangimento por parte de nenhum outro profissional, nem mesmo outro médico (BRAGA, 2003).

O atendimento de urgência/emergência, no Estado do Rio de Janeiro, não se encontra limitado à demanda que chega aos serviços assim classificados, e nem à especialidade médica de socorrista. O Parecer 35/95, do Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro – CREMERJ afirma que a especialidade não deve se constituir em entrave ao atendimento à população.

Apenas em condições classificadas como de urgência e emergência, e sem a presença de outro médico, é que a responsabilidade para a prestação do primeiro atendimento é colocada. Contudo, contrapõe-se a esta responsabilização o fato de que o médico poderá recusar-se a prestar seus cuidados se avaliar que a situação requer conhecimento além do seu alcance, ou seja, insuficiente ou inadequado.


2.6 A enfermagem e a situação de emergência frente a humanização da emergência
Profissionais atuantes na unidade de emergência precisam receber treinamento específico, seja técnico e científico, seja uma educação continuada que esteja voltada para o autoconhecimento, para que tenham domínio de suas próprias emoções e conhecimento de seus limites e de suas possibilidades. Contudo, a angústia e a ausência de informações aos familiares são fontes de tensão nesse ambiente (TACSI e VENDUSCOLO, 2004).

Nos grandes centros urbanos, os serviços de pronto atendimento recebem uma demanda de pacientes bastante alta. Sendo assim, a tendência da equipe é trabalhar com rapidez e eficácia a fim de minimizar as situações de risco de vida. Em face de um paciente em situação de risco iminente, ocorre nos profissionais e, sobretudo, na equipe de enfermagem, uma diversidade de respostas subjetivas, as quais são produto de uma reação intensa a essas experiências, bem como das relações que se estabelecem com o paciente e sua família. Trata-se de conseqüência da sensibilidade característica dos seres humanos (TACSI e VENDUSCOLO, 2004).

Ademais, o papel do enfermeiro na unidade de emergência consiste em obter a história do paciente, fazer exame físico, executar tratamento, aconselhando e ensinando a manutenção da saúde e orientando os enfermos para uma continuidade do tratamento e medidas vitais. É de responsabilidade do enfermeiro desta unidade a coordenação da equipe de enfermagem enquanto parte vital e integrante da equipe de emergência (WEHBE e GALVÃO, 2001).

Segundo Gomes (1994), os "enfermeiros das unidades de emergência aliam à fundamentação teórica (imprescindível) a capacidade de liderança, o trabalho, o discernimento, a iniciativa, a habilidade de ensino, a maturidade e a estabilidade emocional". Então, é preciso constante atualização destes profissionais, eis que desenvolvem com a equipe médica e de enfermagem habilidades para que atuem em situações inesperadas de forma objetiva e sincrônica.

Desse modo, o enfermeiro que atua nesta unidade deve ter "conhecimento científico, prático e técnico, afim de que possa tomar decisões rápidas e concretas, transmitindo segurança a toda equipe e principalmente diminuindo os riscos que ameaçam a vida do paciente" (MARTIN, 1988).

A humanização no contexto hospitalar, face às situações sociais de internação na unidade de emergência parece-nos ainda apenas presente na teoria e na literatura, já que a premissa básica desses setores continua sendo o tratamento da doença grave, ou seja, do físico, do patológico, escanteando o tratamento do ser humano e de sua família que o acompanha. Pensamos que somente poderemos humanizar nossa assistência prestada quando passarmos a incluir no ambiente terapêutico as vivências e relações sociais dos nossos pacientes.

Sendo a emergência uma porta aberta para as emergências clínicas e traumáticas; associadas aos fatos sociais da região caracterizados pelo desemprego, desnível social, falta de estrutura em outras áreas de saúde no município, que vem sobrecarregando os leitos da emergência, fazendo com que o enfermeiro por muitas vezes exilem os familiares do paciente, esquecendo-se que este também é formado de emoções, vínculos e motivações; ao mesmo tempo a enfermagem de um modo geral o tecnicismo assume um papel relevante na prestação da assistência de enfermagem e o imediatismo das atividades determina a sua qualificação. Dessa forma, o comportamento puramente técnico, muitas vezes, leva a equipe a sobrepor seus conhecimentos aos do paciente e de sua família, contribuindo ainda mais para o desmantelamento das relações interpessoais equipe de enfermagem-família do paciente.

Deve-se recordar que cada pessoa, sendo única, responde às condições adversas com sua vida de maneiras totalmente distintas. O acometimento de uma doença, mesmo tendo à mesma etiologia, pode desencadear insegurança, dúvidas, contradições e ansiedades dos mais variados estilos possíveis. E, logicamente, assim reagirá a família, enquanto instituição social e também exclusiva em suas peculiaridades.

Por mais breve que seja, um olhar, um diálogo, são formas de humanização que dificilmente serão esquecidas pelos pacientes e por seus familiares. A enfermagem deve aproveitar os seus momentos de assistência e trabalhar neste contato as necessidades biopsicossociais abalados do paciente, pois este é o novo paradigma da enfermagem.

Diante das características específicas da unidade de emergência, o trabalho em equipe torna-se fundamental. Logo, o enfermeiro "deve ser uma pessoa tranqüila, ágil, de raciocínio rápido, de forma a adaptar-se, de imediato, à cada situação que se apresente à sua frente", ou seja, preparado para o enfrentamento de intercorrências emergentes. Para isso, necessita de conhecimento científico e competência clínica (experiência) (WEHBE e GALVÃO, 2001). Mas, isso não é tudo.

Wehbe e Galvão (2001), ao descreverem um conjunto das atividades desenvolvidas pelos enfermeiros de emergência de um hospital em que atuaram, afirmam que, embora os profissionais estivessem envolvidos na prestação de cuidados diretos ao paciente, em muitos momentos houve “uma sobrecarga das atividades administrativas em detrimento das atividades assistências e de ensino”.

Dada esta realidade vivenciada pelos enfermeiros, a literatura analisa a função administrativa do enfermeiro no contexto hospitalar, enfatizando que este profissional "tem se limitado a solucionar problemas de outros profissionais e a atender às expectativas da instituição hospitalar, relegando a plano secundário a concretização dos objetivos do seu próprio serviço" (TREVIZAN, 1988).

Assim, enfermeiros precisam repensar sua prática profissional porque "quando o enfermeiro assume sua função primordial de coordenador da assistência de enfermagem, implementando-a por meio de esquema de planejamento, está garantido o desenvolvimento de suas atividades básicas (administrativas, assistências e de ensino) e promovendo, conseqüentemente, a melhor organização do trabalho da equipe, que passa a direcionar seus esforços em busca de um objetivo comum que é o de prestar assistência de qualidade, atendendo às reais necessidades apresentadas pelos pacientes sob seus cuidados" (PEIXOTO apud WEHBE e GALVÃO, 2001).


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