Mestrado sobrati kátia Freitas Jaber aspectos sociais que interferem no atendimento


Política de saúde do Município de estudo



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3.3 Política de saúde do Município de estudo
Além das ações mínimas de atenção básica a serem asseguradas em todos os municípios brasileiros, independente de seu porte populacional, a NOAS 01/01 propõe a formulação de módulos assistenciais resolutivos, formados por um ou mais município que garantam o acesso dos cidadãos a um conjunto de ações de saúde freqüentemente necessários para atender os problemas mais comuns, que nem sempre podem ser resolvidos pelos municípios.

No município em estudo, a falta de um Plano Diretor, que preveja a divisão do território em regiões/microrregiões de saúde, segundo critérios sanitários epidemiológicos, geográficos, sociais e ofertas de serviços e acessibilidade; conter o diagnóstico dos princípios de saúde e as prioridades de intervenção para constituição dos módulos assistenciais resolutivos, visando garantir a atenção básica; definir os fluxos de referência para todos os níveis de complexidade e o mecanismo intermunicipal. Este fator vem atingindo diretamente a assistência de emergência, pois as unidades básicas de saúde uma vez não seguindo critérios de um planejamento, enviam sua clientela para unidade emergencial, onde a grande complexidade acolhe os clientes deste município e dos vizinhos.



Gráfico 1



Gráfico 2


Procedência dos clientes

01/05/10 a 30/11/10

Gráfico 3


3.4 O exercício da cidadania
O cidadão deve ser um agente de transformação na sociedade no resgate da dignidade da pessoa e da qualidade de vida. É tendo a responsabilidade de agir, de dar razão à ação e de arcar com as conseqüências que se aprende a viver junto; assim, reflitamos sobre a participação pública na tomada de decisões.

A bioética do cotidiano, voltada para a exigência de humanizar a medicina, articulando fenômenos complexos, como a evolução científica da medicina, a socialização da vida, inclusive a alocação de recursos para a saúde. A cidadania é compreendida como o exercício da plenitude dos direitos, como garantia da existência física e cultural e o reconhecimento como ator social. Precisamos de instâncias representativas que defendam direitos e deveres na tomada de decisões diante da alocação e da gestão de recursos à saúde.

O direito à vida e, conseqüentemente à saúde, é o bem maior de qualquer cidadão e, como tal, deve se sobrepor às disposições políticas e ideológicas e merecer atenção priorizada. O estado tem por função e obrigação assegurar a todo cidadão moradia, saúde, educação, lazer, trabalho, cultura, segurança... no centro de todo processo político deve estar o cidadão, que é uma pessoa revestida de plenos direitos civis, políticos e sociais que tem a obrigação de trabalhar pela proteção do Estado no usufruto dos direitos.

Os dados abaixo fornecem subsídios para o desenvolvimento deste estudo, através de questionários descritos a seguir:


1 => Qual o motivo da internação na Unidade de Emergência?

  1. falta de condições da unidade básica;

  2. acesso mais fácil à emergência;

  3. acreditar na complexidade tecnológica da emergência.

2 => Qual a idade?



  1. abaixo de 40 anos;

  2. entre 40 e 65 anos;

  3. acima de 65 anos.

3 => Qual o sexo?



  1. masculino;

  2. feminino.

4 => Qual a renda familiar?



  1. 01 salário mínimo;

  2. 02 salários mínimos;

  3. 03 salários mínimos;

  4. acima de três salários mínimos.

5 => Qual o tempo de permanência na emergência?



  1. 01 dia;

  2. 02 dias;

  3. 03 dias;

  4. acima de três dias.

6 => Qual o meio de transporte que trouxe até a emergência?



  1. carro próprio;

  2. ambulância da unidade básica;

  3. ambulância do GSE.

7 => Possui plano de saúde?



  1. Sim;

  2. Não.

8 => Quanto tempo levou para ser atendido?



  1. menos de uma hora;

  2. uma hora;

  3. mais de uma hora.

9 => Existe rede assistencial à saúde próximo a sua moradia?



  1. sim;

  2. Não.

10 => Qual a segurança de estar em um leito de emergência?



  1. garantir atendimento mais rápido;

  2. diminuir custo financeiro com exames, consultas e remédios;

  3. esperar um atendimento mais humanizado;

  4. maior segurança que será atendido.

5.1. Visão da saúde do município pelo grupo pesquisado

Entre as diretrizes políticas consolidadas pela Constituição, no cenário nacional estão os de uma radical transformação do sistema de saúde brasileiro, que vem interferindo no quadro de saúde/doença, inclusive neste município. Fatores abaixo relacionados foram mencionados pelo grupo em estudo, como agentes que dificultam a assistência básica:


  1. baixa qualidade dos serviços oferecidos nas unidades básicas de saúde, dificultando um diagnóstico e tratamento precoce;

  2. um quadro de doenças de todos os tipos, condicionado pelo tipo de desenvolvimento do município em questão;

  3. falta de mecanismo de acompanhamento, controle e avaliação dos serviços pelos órgãos competentes;

  4. falta de visão do homem como um ser integral, biopsicossocial, que deverá ser atendido nesse parâmetro;

  5. falta de uma rede de serviços de saúde favorecendo a atenção a todos os níveis de complexidade;

  6. ações de promoção, proteção e recuperação da saúde formam também uma compartimentação.




  1. CONCLUSÃO

Quem cuida e se deixa tocar pelo sofrimento humano do outro, torna-se um radar de alta sensibilidade, se humaniza no processo e, para além do conhecimento científico, tem a preciosa chance e o privilégio de crescer em sabedoria. Esta sabedoria nos coloca na rota da valorização e descoberta de que a vida não é um bem a ser privatizado, muito menos um problema a ser resolvido nos circuitos digitais e eletrônicos da informática, mas um bem fundamental, um “mistério” e dom, a ser vivido prazerosamente e solidariamente partilhado com os outros.

A situação de saúde e da vida da população brasileira é preocupante. O SUS, embora tenha sido institucionalizado a partir de um conceito de saúde, não desenvolvendo ações que levem em conta fatores sociais, econômicos e ambientais que afetam os determinantes sociais, econômicos, culturais e políticos que interferem nas condições de vida e saúde da população.

Para melhorar realmente as condições de saúde de uma população um objetivo social relevante em todas as sociedades, são necessárias mudanças profundas dos padrões. A emergência vem sendo a captadora de todos os doentes do município, ora ser a demanda intensa devido ao não funcionamento de outros segmentos da saúde.

A enfermagem tem sofrido pressões da sua clientela na emergência, uma vez que os problemas sociais invadem a classe menos favorecida da população. Os enfermeiros por serem formadores de opinião tem sofrido com o tamanho avanço científico sem um projeto social.

Procurando oferecer uma contribuição aos enfermeiros que atuam em unidades de emergência apresentamos este relato, nos qual descrevemos as principais angústias dos familiares e pacientes de uma emergência, sabendo que muitos enfermeiros deixam se envolver na assistência sem uma intervenção das necessidades psicossociais.




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