Micro-escola, tradiçÃo e renovaçÃO: espaço de novas aprendizagens da educaçÃo formal e não formal



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MICRO-ESCOLA, TRADIÇÃO E RENOVAÇÃO: ESPAÇO DE NOVAS APRENDIZAGENS DA EDUCAÇÃO FORMAL E NÃO FORMAL
Maisa dos Reis Quaresma

Universidade Castelo Branco / RJ



I – INTRODUÇÃO :
A implantação da Micro-Escola, pretendida por licenciandos e estagiários, iniciou-se como experiência piloto, em setembro de 1984, com micro classes de recuperação paralela, envolvendo doze estagiários dos cursos de Letras e dez estagiários do curso de Matemática ministrando aulas para vinte e sete turmas formadas por alunos das Escolas Municipais Coronel Corsino do Amarante, Gil Vicente e Nicarágua do 16º DEC (atual 8ª Coordenadoria Regional de Educação) da Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro. As turmas selecionadas foram as de 5ª série (visando a continuidade de estudos nas séries seguintes do segundo segmento do curso de 1º grau) e de 8º série (permitindo maior embasamento no acesso dos alunos ao curso de 2º grau). Os resultados esperados foram alcançados em dezembro de 1984: aprovação dos alunos nas escola Municipais, reposição de dividas da falta de base, auto-realização dos estagiários com o trabalho intensivo da recuperação de estudos, vivências práticas de salas de aula.

II – O PROBLEMA :
As leis 5692/71 e 9394/96 determinaram um processo sistemático de recuperação de estudos para alunos do ensino fundamental e médio. Esse processo não tem sido implementado, nas escolas, durante cada ano letivo: é a falta de base que se configura, sem o resgate das “dívidas” de conhecimentos não assimilados pelos alunos embora promovidos nas séries. Por outro lado a formação de educadores, licenciandos ou especialistas de educação, especialmente quando da realização das práticas de ensino e estágios supervisionados, evidenciam “ carências” de integração entre teoria e prática. Unindo as duas variáveis “recuperação de estudos” e “integração entre teoria e prática” estruturou-se a proposta de Projeto Micro-escola, desde 1984, na Universidade Castelo Branco, Zona Oeste do município do Rio de Janeiro.

Hoje, a Micro-Escola é uma “Escola Laboratório” que representa a parceria do ensino oficial e privado, ensino fundamental, superior e médio, (através do alunado e docentes) na formação para a cidadania.



A proposta permite a promoção da integração entre ideal e real, a ampliação de experiências, fundamentalmente reais, para atender a demanda dos licenciados e estagiários das FICAB (atual UCB), oferece condições aos alunos das escolas municipais para estudo e esclarecimento de dúvidas que favorecem a promoção na seriação de estudos, a recuperação de conteúdos e de auto-estima, a análise das situações relacionadas com o currículo dos cursos e da falta de base, o resgate para formação da cidadania dos futuros profissionais do ensino e do alunado, no momento histórico. O ano de 1984 tornou-se um marco para realização dos estágios quando da implementação da proposta que recebeu a denominação de Micro-Escola, aprovada pela SESu/MEC e SME/RJ (1985).
III – OBJETIVOS
A partir de 1985 foram definidos os seguintes objetivos, para operacionalização, em cada ano letivo:

  • Possibilitar estudos de recuperação paralela ao alunado do Ensino Fundamental (CA a 8ª série) para embasamento indispensável ao prosseguimento de estudos, realizada por licenciandos e estagiários do Ensino Superior (UCB), previstos nas Leis 5692/71 e 9394/96.

  • Integrar os estagiários, em suas atividades das práticas de ensino e estágios supervisionados, à dinâmica de funcionamento das unidades escolares do sistema oficial de Ensino do Município do Rio de Janeiro, estabelecendo a relação permanente entre teoria e prática.

  • Inserir o Projeto Micro Escola no processo de avaliação do modelo contextual das Práticas de Ensino e Estágios Supervisionados preconizado e implementado em manuais de estágios, desde 1982, com a finalidade de avaliar os currículos dos cursos das FICAB ( atual UCB).

  • Desenvolver, a cada ano letivo, metodologias de ensino que favoreçam novas aprendizagens da educação formal e não formal.


IV – METODOLOGIA


  • Cadastramento das escolas municipais interessadas, sensibilização de diretores e professores através de reuniões ( inicialmente, os próprios resultados da experiência piloto referendaram a proposta).

  • Realização de reuniões da coordenação do projeto Micro Escola com todos os professores responsáveis pelas disciplinas de Práticas de Ensino e Estágios Supervisionados (divulgação junto aos alunos do ensino superior).

  • Cadastramento de licenciandos e estagiários que participarão da proposta (orientados pelos professores de prática de ensino e estágios supervisionados).

  • Realização da matrícula dos alunos do Ensino Fundamental e Ensino Médio (verificação da disponibilidade do horário para frequência as aulas do projeto Micro Escola).

  • Confecção dos horários dos licenciandos e estagiários do Projeto Micro Escola; composição das turmas (listagens enviadas pelas escolas de origem); organização do calendário escolar; verificação das salas disponíveis na UCB para atividades das classes de recuperação.

  • Formação das turmas e divulgação para as Escolas da 8ª CRE/SME/RJ e SEE/RJ.

  • Realização de avaliação diagnóstica dos alunos de cada turma do Ensino Fundamental e Médio.

  • Organização dos planejamentos bimestrais dos alunos de cada turma do Ensino Fundamental e Médio.

  • Acompanhamento semanal dos licenciandos e estagiários, pelos professores das práticas de ensino e estágios supervisionados, com a assistência técnicopedagógica diária (coordenação do Projeto Micro-Escola), estabelecendo-se interfaces com as direções das coordenações de cursos da UCB, escolas oficiais e famílias dos alunos.

  • Realização de reuniões mensais com as finalidades de avaliação e replanejamentos de atividades necessárias no decorrer do processo educativo.

  • Fornecimento das informações da Coordenação da 8ª CRE/RJ, escolas da SEE/RJ, bimestrais, dos resultados de mudanças no desempenho dos alunos das Escolas Municipais e Estaduais. Esse contato oficializa as comunicações verbais obtidas no diálogo com alunos e responsáveis, depoimentos dos professores das turmas de origem (Escolas Oficiais)

  • Realização, a cada semestre, da avaliação geral com a participação de licenciandos, estagiários, professores (Ensino Fundamental , Médio e Superior), representação de alunos e responsáveis, em conselhos de classe.

O Projeto Micro Escola atende, atualmente, alunos das Escolas Municipais, 8ª CRE/SME/RJ E SEE/RJ oferece as práticas de ensino de Português, Inglês, Espanhol, Matemática, Física, Química, Desenho, Educação Física, Biologia, História, Geografia, Ciências. Os estágios supervisionados são realizados por alunos dos cursos de Serviço Social, Terapia Ocupacional (trabalho sócio-educativo) e Pedagogia (Habilitações em Administração Escolar, Supervisão Escolar, Gestão Educacional). Esta equipe realiza um trabalho interdisciplinar junto ao alunado do Ensino Fundamental e Médio oriundo das escolas oficiais favorecendo a inclusão social da clientela.

O Projeto Micro Escola criou a tradição de regência de turma para licenciandos de Pedagogia (necessária ao registro na habilitação escolhida) referendada pela SME/RJ e SESu/MEC, desde 1985.


V – RESULTADOS:
Os depoimentos dos alunos, familiares, professores, licenciandos e estagiários documentam, junto aos dados de promoção dos discentes nas séries, o alcance dos objetivos propostos. A gestão participativa da Micro Escola integra licenciandos, estagiários, professores da Universidade Castelo Branco. Esta gestão conta com recursos materiais necessários, fornecidos pela Instituição, inclusive salas de aula (no total de 17 salas por período letivo) e sala para a administração do Projeto.

O horário está organizado, para funcionamento, durante a semana e aos sábados quando estagiários e licenciandos inovam as práticas pedagógicas, com “Oficinas de criatividade”, “ Ensino através de módulos”, “ Aulas práticas de matemática nas quadras de esporte”, “ Trabalho sócio-educativo do serviço social e da terapia ocupacional”, “ Ensino através de jogos e recreação”, “ O Rap como recurso didático” , “Aulas de Alfabetização de Jovens e Adultos”, “Preparatório para o vestibular”, “Projeto Ser Letrado” , entre outros.

O controle sistemático dos efeitos, os índices de aprovação nas escolas municipais quando da realização dos conselhos de classe finais, de cada ano letivo, podem demonstrar os resultados das atividades da Micro Escola, acompanhados pela 8ª CRE/SME/RJ, escolas estaduais da SEE/RJ.

Destaca-se, na Micro Escola, o trabalho sócio-educativo do serviço social (implantado há 10 anos) e o apoio da terapia ocupacional, envolvendo também os responsáveis pelos alunos, nas questões que dificultam a sua aprendizagem e integração social.

A infra-estrutura criada, para execução do projeto, oferece condições de controle e avaliação: fichas de matrícula, documentos normativos, roteiros de atividades, calendário escolar, horários dos licenciandos, e das turmas em funcionamento, diários de classe, material de estágio, planejamento de aulas, recursos materiais, organização de arquivos para registro de controle de resultados de avaliação de atividades planejadas, pequena biblioteca.

A programação é variada e também interfere na ação educativa voltada para qualidade de vida na comunidade, cooperando com instituições externas que ajudam os mais necessitados: as festas da Micro escola tem como característica a doação de alimentos, para os mais carentes que estão abrigados em orfanatos ou asilos, integra-se com as atividades do Programa Alfabetização Solidária (PAS) e Programa Brasil Alfabetizado (PAB) na Zona Oeste do município do Rio de Janeiro.

Até o ano de 2005, mais de 12 mil alunos das escolas Municipais da 8ª CRE/SME/RJ e SEE/RJ e mais de 1000 estagiários já vivenciaram as atividades propostas na Micro Escola, ampliando-se, cada vez mais, a projeção dos resultados nas comunidades do Rio de Janeiro. As oportunidades que a proposta oferece tem atraído licenciandos e estagiários de outras instituições de ensino superior: Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Faculdades Simonsen, Universidade Federal Fluminense (UFF), Centro Universitários Moacir Bastos (MSB), Universidade Gama Filho (UGF), Univercidade, Universidade Veiga de Almeida (UVA).
VI – CONCLUSÃO:
O rótulo da “falta de base” desmitificou-se com a definição dos conteúdos curriculares que impediam os alunos de prosseguirem os estudos. Várias pesquisas realizadas, junto aos professores da Educação Básica, evidenciam que o Projeto Micro Escola inovou também neste sentido porque identificou o problema e tem trabalhado no sentido de superação dos obstáculos iniciando, após a avaliação diagnóstica dos alunos, a recuperação de conhecimentos e da auto-estima individual.

A proposta é simples, tem demonstrado que “a mudança no quadro da Educação Básica está nas mãos dos dispostos a agir”.


VII – BIBLIOGRAFIA:
BRASIL. Lei 5692 de 1971. Fixa as bases do ensino de 1º e 2º graus. Diário Oficial da República Federativa do Brasil, Brasília. DF, 11 de agosto de 1971.

_____ Lei 9394 de 1996. Lei de diretrizes e bases da educação nacional Diário Oficial da Republica Federativa do Brasil, Brasília, DF, 23 dez 1996.

_____ Ministério de Educação e do Desporto. Plano decenal de educação para todos. 1993-2003. Brasília, DF 1993.

QUARESMA, Maisa dos Reis. Relatórios de avaliação final do Projeto Micro Escola 1984-2005. Mimeografados.






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