Microcurrent electrical stimulation venous ulcer healing



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ELETROESTIMULAÇÃO COM MICROCORRENTE NA CICATRIZAÇÃO DA ÚLCERA VENOSA
MICROCURRENT ELECTRICAL STIMULATION VENOUS ULCER HEALING
Solange Aleixo da Silva *, Francisco de Assis Lima das Chagas *, Ernani Viana de Freitas Filho**, José Artur de Paiva Veloso ***, Maria da Conceição Barbosa dos Santos ****.
*Graduanda do Curso de Graduação Bacharelado em Fisioterapia da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba, João Pessoa-PB.

*Graduando do Curso de Graduação Bacharelado em Fisioterapia da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba, João Pessoa-PB

** Fisioterapeuta especialista em Unidade de Terapia Intensiva, docente da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba, João Pessoa-PB

*** Fisioterapeuta Mestre em Ciências da Nutrição pela Universidade Federal da Paraíba, docente da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba, João Pessoa-PB



**** Fisioterapeuta especialista em Dermato-funcional, docente da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba, João Pessoa-PB.
Endereço para correspondência: Maria da Conceição Barbosa dos Santos. Rua Siqueira Campos, 503- Centro - CEP 58103.052, Cabedelo/Pb. santos.maria25@hotmail.com

RESUMO
A úlcera é uma patologia crônica, podendo ser progressiva, que se não tratada pode levar a serias complicações podem evoluir para necrose, amputação do membro e até morte, ficam localizadas nos membros inferiores, preferencialmente na região maleolar interna, podendo ser desencadeadas por traumas, infecções, insuficiências venosas. Os processos ulcerosos cutâneos crônicos são fatores de grande interesse para os profissionais da saúde que buscam conhecimentos do processo de reparo tecidual. Compreende-se que a utilização da microcorrente nas ulcerações venosas promovem respostas endógenas que resultam em melhores respostas terapêuticas para o reparo tecidual, entre os efeitos fisiológicos encontram-se: o restabelecimento da bioeletricidade tecidual com o incremento do transporte pela membrana plasmática, o aumento da síntese de adenosina trifosfato e do transporte de aminoácidos, a aceleração da síntese de proteínas e o estímulo ao crescimento do tecido conjuntivo. O presente estudo teve como objetivo analisar o efeito da microcorrente na cicatrização das úlceras venosas. Tratou-se de um estudo experimental com análise de dados quantitativo, realizado na Fundação Otacílio Gama anexo da Clinica Escola de Fisioterapia da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba, participaram da pesquisa 20 voluntários do Projeto de Extensão em Lesões Cutâneas, com idades entre 40 e 70 anos de ambos os gêneros, os quais foram avaliados e reavaliados através de Ficha de Avaliação Fisioterapêutica Dermatofuncional contendo dados sociodemográficos, perimetria da área ulcerada com régua, anamnese e fotos, seguidos de protocolo com MENS cujos parâmetros utilizados foram 0,5 Hz; 250 pulsos durante 30 minutos, com os MMII elevados a 45º, duas vezes por semana totalizando 20 sessões. Observou-se no presente estudo uma redução de 80% da área ulcerada na amostra e 20% de cicatrização total. Demonstrando que a microcorrente foi eficaz no tratamento das lesões cutâneas sendo de grande relevância e contribuição na área da fisioterapia dermato-funcional.
Palavras-chave: Ulcera venosa, Microcorrente, cicatrização.
ABSTRAC
The ulcer is a chronic condition and may be progressive, which if left untreated can lead to serious complications can progress to necrosis, limb amputation and even death, are located in the lower limbs, preferably in internal malleolar region, which may be triggered by trauma, infections, venous insufficiencies. The chronic skin ulcer processes are of great interest factors for health professionals who seek knowledge of the tissue repair process. It is understood that the use of microcurrent in venous ulcers promote endogenous responses that result in improved therapeutic responses to tissue repair, including the physiological effects are: restoring the tissue bioelectric with the increase of transport through the plasma membrane, increased adenosine triphosphate synthesis and amino acid transport, acceleration of protein synthesis and stimulating growth of connective tissue. The present study aimed to analyze the effect of microcurrent on the healing of venous ulcers. This was an experimental study with analysis of quantitative data, carried out in the Annex Otacílio Gamma Foundation Clinic School of Physiotherapy, Faculty of Medical Sciences of Paraíba, 20 volunteers participated in the survey Extension Project in Skin Lesions, ages 40 and 70 years of both genders, who were assessed and reassessed by the Physical Therapy Evaluation Dermatofuncional It sociodemographic characteristics, girth ulcerated area with ruler, history and photos, followed by protocol MENS whose parameters were 0.5 Hz; 250 pulses for 30 minutes, with the high 45 ° LL twice a week a total of 20 sessions. It was observed in the present study, a 80% reduction of the ulcerated area on the sample and 20% of the total healing. Demonstrating that microcurrent was effective in the treatment of skin lesions is of great relevance and contribution in the field of physiotherapy functional dermatomyositis
Key-words : Venous ulcer , Microcurrent , healing.
INTRODUÇÃO

.

A úlcera é uma perda de continuidade da pele, aguda ou crônica, de uma superfície epidérmica, dérmica ou mucosa, que pode ser acompanhada de processo inflamatório. Nos membros inferiores, os três principais tipos de úlcera são: arteriais, neuropáticas e venosas, sendo a última com prevalência de 80% dos casos, sua incidência têm crescido em concordância com o aumento da expectativa de vida da população mundial, e a prevalência também vem sendo modificada, sendo maior em pessoas acima dos 65 anos. A cicatrização de feridas é um evento complexo, que envolve a interação de diversos componentes celulares e bioquímicos que ocorre espontaneamente, sem intervenções externas, mas que, quando tratada através de artifícios, tende a ocorrer de forma mais rápida e com melhores resultados funcionais e estéticos. A possibilidade de acelerar a cicatrização e a completa reversão da lesão cutânea, através de recursos químicos, medicamentosos ou físicos, tem sido objeto de investigação de inúmeros pesquisadores [1].



Os efeitos fisiológicos das microcorrentes devem ter relação direta com as propriedades biológicas teciduais sendo que a base desses efeitos está relacionada com a capacitância celular. A correta aplicação das microcorrentes em um local lesionado aumenta o fluxo de corrente endógena, permitindo recuperar sua capacitância. Isso ocorre pelo reabastecimento de Adenosina Trifosfato, em que os nutrientes podem novamente ir para o interior das células lesionadas e os resíduos dos produtos metabólicos podem fluir das células. As razões para a utilização são: maior compatibilidade biológica com efeitos de cura a nível subumbral; neutraliza com mais eficiência a polaridade oscilante das células lesadas; correntes menores que 600 mA, aumentam disponibilidade de ATP; aumentam a permeabilidade celular; aumenta a capacidade local de síntese de proteínas; permite maior movimento de moléculas [2].

Os equipamentos de microcorrentes são especificamente projetados para imitar e ampliar os sinais bioelétricos minuciosos do corpo humano. Atuam realizando um trabalho nas células criando um canal que liga a corrente elétrica para poder propiciar a compensação da diminuição da corrente bioelétrica disponível para o tecido lesionado. Isto aumenta a habilidade e propicia condições biológicas ideais ao corpo para poder transportar nutrientes e resíduos metabólicos das células na área afetada. A descoberta da teoria dos semicondutores, a qual determina que estejam entre um isolante e um condutor de carga elétrica, e transportam pequenas cargas de corrente elétrica (microcorrente e nanocorrente), conduzindo esta a longas distâncias, compreendemos o transporte de carga no corpo humano, que antes de 1930 era obscuro [3].

Partindo destas informações, surgiu o interesse em realizar o estudo cujo objetivo foi avaliar os efeitos da microcorrente no reparo tecidual nas úlceras venosas, contribuir na melhora da função dos portadores desta patologia, bem com nas pesquisas na área da fisioterapia dermatofuncional.
MATERIAL E MÉTODOS
Pesquisa clínica intervencionista de caráter experimental com abordagem quantitativa para análise dos dados. Participaram da pesquisa 20 voluntários, que foram selecionados conforme conveniência e surgimento dos casos, observando os critérios de inclusão. A amostra foi retirada do Projeto de extensão de lesões cutâneas na Fundação Otacílio Gama anexo da Clínica Escola de Fisioterapia da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. Considerou-se como critérios de inclusão para a amostra: idade entre 40 e 70 anos; ambos os gêneros, presença de úlcera venosa crônica em membros inferiores; disponibilidade e voluntariedade para a aplicação do protocolo estabelecido para o tratamento da disfunção instalada. Os critérios de exclusão foram: idade inferior 40 anos e superior a 70 anos; hipertensão arterial não controlada, úlceras infectadas.

Diante de explanação sobre o procedimento a ser realizado os voluntários assinaram o termo de consentimento livre esclarecido conforme resolução n° 466/12 do Conselho Nacional de Saúde, que rege as declarações e diretrizes envolvendo seres humanos sob a ótica do indivíduo, este estudo foi aprovado pelo comitê de ética da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba.

Como instrumento para coleta dos dados foi elaborado pelos pesquisadores ficha de avaliação contendo os itens de interesse do estudo: dados sociodemográficos; anamnese; exame físico; registro de foto; além da aplicação do protocolo. As condutas foram realizadas duas vezes por semana, em dias alternados, seguindo o protocolo preestabelecido. Os voluntários foram posicionados em decúbito dorsal confortável na maca, com elevação dos membros inferiores a 45º, realizou-se a assepsia com algodão e álcool a 70% na região a ser tratada, foi aferida através da perimetria da úlcera, (largura X comprimento) para cálculo da área lesionada com régua métrica, bem como a mensuração do membro edemaciado com fita métrica. Os elétrodos de carbono (3x5cm) foram posicionados e fixados na pele com fita crepe para a eletroestimulação com microcorrentes, cujos parâmetros utilizados foram 0,5 Hz e 250 pulso, corrente subsensorial, com duração de 30 minutos, equipamento Neurodhyn Esthetic®, da marca Ibramed, ilustrado nas figuras 1,2,3.

O edema em membros inferiores frequentemente está presente bem como a hiperpigmentação, a lipodermatoesclerose que se trata de uma fibrose crônica da derme e do subcutâneo, ocasionando uma pele firme e endurecida. A microcorrente aumenta a mobilização de proteínas para o sistema linfático, pois, quando são aplicadas em tecidos traumatizados, as proteínas carregadas são postas em movimento, e sua migração para o interior dos vasos linfáticos torna-se acelerada, absorvendo o fluido do espaço intersticial, ocorrendo melhora no edema devido ao aumento do metabolismo venolinfático [4].


RESULTADOS E DISCUSSÃO
Diversas etiologias estão envolvidas na formação de uma úlcera, sendo que 90% das úlceras de membros inferiores são decorrentes de insuficiência venosa crônica, insuficiência arterial e neuropatia diabética. Podem ser únicas ou múltiplas, com diversas variações de tamanho, tendendo a serem irregulares e rasas raramente atingindo músculos, fáscia e ossos, no presente estudo comprova-se o percentual de 35% dos participantes têm mais de uma úlcera.

Embora não se possa acelerar o processo de cicatrização existe vários fatores, locais e sistêmicos, que afetam adversamente a cicatrização das feridas, os fatores locais estão relacionados principalmente ao movimento e à presença de resíduos dentro da ferida, diminuições na temperatura ambiental exercem uma vasoconstrição reflexa autonômica, que reduz a microcirculação local, através da diminuição da oxigenação e nutrição tecidual [5]

A resolução do processo inflamatório está associada ao restabelecimento da bioeletricidade tecidual, à ação no sistema linfático, à regeneração tecidual e à obtenção da homeostase, mediante o processo de cura. Este efeito anti-inflamatório também vem em decorrência do aumento da circulação local, concomitantemente a uma elevação da defesa orgânica por meio da fagocitose pela ação de macrófagos e anticorpos [6,7]. Os efeitos das microcorretes são acumulativos e bastantes efetivos, pois normalmente são vistos durante ou após as primeiras sessões, como podemos observar nas figuras 4 e5, antes e após tratamento.

O elétron é a unidade fundamental da energia, Faraday denominou ânodo o poló positivo, dando o nome cátodo ao negativo, foi o primeiro a postular que os elétrons movimentavam-se do ânodo para o cátodo, quando que hoje em dia se sabe que o movimento é exatamente o oposto, os elétrons deslocam-se do cátodo para o ânodo, ou seja, do negativo para o positivo. Os meios condutores destes elétrons são os sistemas biológicos fluidos, tais como, sangue, linfa e água, nos quais estão contidos os íons sódio, cálcio, cloretos, que conduzem acorrente elétrica. Quando a corrente é conduzida por estes íons, ocorre secundariamente o fenômeno da eletrólise, no qual a eletricidade “quebra” a substância condutora em seus componentes, como por exemplo, no caso da água, sua molécula é partida em dois átomos de hidrogênio e um de oxigênio [8]

A estimulação elétrica por meio de microcorrentes pode desencadear efeitos bioquímicos nos tecidos biológicos, podendo restabelecer a bioeletricidade do tecido, aumento da permeabilidade das membranas celulares e do transporte de aminoácidos além de auxiliar na sín­tese proteica. Aplicada sobre lesões cutâneas, favorece o reparo tecidual, por normalizar o fluxo endógeno das correntes (bioimpedância elétrica) de lesão que se encontram na mesma faixa das microcorrentes (em microamperes), tornando explícita a ideia de que a microcorrente se define como uma eletroestimulação fisiológica, homeostática e normalizadora [4,9].

A excitação elétrica de uma ferida é capaz de multiplicar as células do tecido conjuntivo, elevar a concentração de receptores de fator de crescimento que aumenta a formação de colágeno. Portanto, a terapia com microcorrentes podem ser vista como um catalisador útil na iniciação de reações elétricas que provem o reparo tecidual [6]. Os autores [4,7,9] corroboraram com os resultados deste estudo demonstrando que a utilização da terapia com microcorrentes para úlceras venosas é promissora e, como tal, poderá oferecer uma abordagem não farmacológica desde que a lesão não esteja infectada, demonstrando assim que a microcorrente foi eficaz na redução da área ulcerada dos participantes da pesquisa, ilustrado na tabela I.


CONCLUSÃO
Através da utilização da eletroterapia desenvolveram-se métodos fisioterapêuticos aperfeiçoados, habilidade na fisioterapia, sendo marca identificadora do símbolo profissional. Baseando-se nos estudos realizados conclui-se que o uso da estimulação por microcorrentes nos processos de cicatrização como no reparo tecidual são de grande valia para os protocolos de tratamentos nas ulceras venosas.

Conforme objetivos propostos para este estudo, a microcorrente mostrou-se eficaz contribuindo com o tratamento das lesões por úlceras venosas, uma vez que 80% da amostra reduziram significativamente a área ulcerada e 20% obteve a cicatrização total. Evidencia-se também a importância da fisioterapia dermatofuncional nas práticas clínicas por meio de aperfeiçoamento das técnicas e recursos, seguindo os passos da evolução da humanidade e enriquecendo os conhecimentos científicos.


REFERÊNCIAS


  1. Zuffi, FB. A Atenção dispensada aos usuários com úlcera venosa: percepção dos usuários cadastradas nas equipes de saúde da família. Dissertação para o título de mestre na Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo, 2009.

  2. Agne, J.E. Eletroterapia: teórica e prática Jones E, Agne – Santa Maria : Orium, 2009.

  3. Starkey, C. Recursos terapêuticos em fisioterapia. São Paulo: 1° ed. São Paulo: Manole, 2001.

  4. Borges, FS. Dermato-funcional: Modalidades Terapêuticas nas Disfunções Estéticas. São Paulo: Phorte, 2010

  5. Neto JCL. Considerações sobre a cicatrização e o tratamento de feridas cutâneas em equinos. 2003.

  6. Robbins, LS. Fundamentos de Robbins -Patologia Estrutural e Funcional. 6. ed Rio de Janeiro, Guanaba Koogan, 2001..

  7. Mackler, L. Robinson, AJ. ; Snyder- Eletrofisiologia clínica: eletroterapia e teste eletrofisiológico. 2ª ed. Porto Alegre: Artmed, 2001.

  8. Guirro, E.; Guirro, R. Fisioterapia Dermato-Funcional. 3. ed. São Paulo: Manole, 2004

  9. Demir, H. Balay, H. Kirnap, M. A comparative study of the effects of electrical stimulation and laser treatment on experimental wound healing in rats. J Rehabil Res Dev. 2004;41(2):147-54.


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