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Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior


Secretaria de Comércio Exterior

BALANÇA COMERCIAL – DEZEMBRO/1999


US$ milhões FOB



I – DEZEMBRO

Em dezembro, a balança comercial brasileira apresentou superavit de US$ 249 milhões, resultado de exportações de US$ 4.673 milhões e importações de US$ 4.424 milhões. Este valor de exportação é o maior desde julho/1998, que registrou US$ 4.970 milhões. Na comparação com dezembro/98, o aumento foi de 18,5% e, frente ao mês anterior, de 16,8%. Tomando-se o movimento médio diário de dezembro/99 (US$ 203,2 milhões), o crescimento sobre dezembro/98 (US$ 179,3 milhões) foi de 13,3%, enquanto que sobre novembro/99 (US$ 200,1 milhões) o crescimento foi de 1,5%, tendo em vista a diferença de dias úteis entre esses meses (dez/1999: 23, dez/1998: 22 e nov/1999: 20). Do lado da importação, houve, em valor, decréscimo de 0,8% sobre dezembro/98 e de 2,3% ante novembro/99, sendo que, pela média diária, a taxa de redução ficou em patamar ainda mais elevado: -5,1% e -15,1%, respectivamente.


O superavit de dezembro constituiu-se no primeiro saldo positivo para meses de dezembro desde 1993, e é o 5 mês de superavit do ano (fevereiro, abril, maio e julho). Vale acrescentar que dezembro de 1998 apresentou deficit de US$ 514 milhões.
Saldo Comercial Mensal– Janeiro/1998 a Dezembro/1999

US$ milhões FOB


No mês de dezembro, todas as três categorias de produtos apresentaram expansão, tanto em relação a novembro/1999, quanto em comparação com dezembro/1998, com destaque para os produtos industrializados, que aumentaram as vendas em cerca de 20% (semimanufaturados: 30,0% e manufaturados: 16,0%), nos dois períodos comparativos. Quanto aos básicos, a expansão de receita alcançou 13,9% sobre dezembro/1998 e 8,6% sobre novembro/1999. Relativamente a dezembro de 1998, os aumentos mais expressivos foram observados para os seguintes produtos: básicos: farelo de soja (63,1%), carne de frango (37,5%), fumo (28,0%), carne bovina (96,1%) e soja em grão (50,5%); semimanufaturados: açúcar em bruto (54,1%), semimanufaturados ferro/aço (78,8%) e celulose (30,8%); e manufaturados: automóveis (59,1%), aviões (5,5%), calçados (5,7%), autopeças (43,2%), motores (43,8%), laminados planos de ferro/aço (56,1%) e aparelhos transmissores e receptores (97,4%). Por mercados, sobressaíram no mês, na comparação com igual período de 1998, a ampliação das vendas para a ALADI (+17,1%); Mercosul (+11,3%); EUA (+21,7%); União Européia (+10,3%) e Ásia (+5,1%).
Na importação, as compras de matérias-primas e produtos intermediários cresceram 10,0%, tendo apresentado elevados incrementos as aquisições de autopeças, produtos minerais e partes e peças de produtos intermediários e as de combustíveis (133,3%), principalmente devido aos gastos com petróleo, em vista do aumento dos preços internacionais do barril do óleo, que, no período comparativo, passaram de US$ 10,70 para US$ 24,50/barril). As demais categorias apresentaram queda: bens de capital (-17,2%, já que, em 1998, houve acúmulo de importações no mês de dezembro, por conta da expectativa de fim do sistema de ex-tarifário) e bens de consumo (-25,9%, sendo -29,0% nos duráveis). As compras de produtos natalinos foram, na maioria, menores em dezembro de 1999, comparativamente ao mesmo mês de 1998: frutas (-44,4%); pescado (-44,6%) e conservas alimentícias (-56,4%). A exceção ficou por conta de bebidas, que aumentaram a importação em 27,0%.

II – JANEIRO-DEZEMBRO

A balança comercial em 1999 apresentou exportações de US$ 48.011 milhões e importações de US$ 49.210 milhões, resultando em saldo negativo de US$ 1.199 milhões, o que representa sensível melhora em relação ao deficit registrado em 1998, de US$ 6.590 milhões. A queda do deficit comercial, em relação a 1998, se deve a uma redução das importações, de 14,8%, combinada com uma queda nas exportações de apenas 6,1%.


O deficit consolidado para períodos de doze meses apresenta consistente tendência de redução, conforme se observa no gráfico a seguir.
Déficit Comercial Acumulado em Períodos de Doze Meses

US$ milhões FOB

Na análise da balança comercial de 1999 deve ser considerado o fato de que este foi um ano de consolidação de mudanças importantes, no âmbito interno e externo. A séria crise financeira internacional, iniciada na Ásia no final de 1997, expandiu seus efeitos para as principais economias do mundo, sobretudo as emergentes, no decorrer de 1998, redundando em dificuldades para as exportações brasileiras, afetadas pelo escasseamento de linhas de financiamento externo, redução da demanda internacional e queda dos preços das principais commodities da nossa pauta de exportação.
No final de 1998, com o desencadear da crise russa, as consequências adversas da conjuntura mundial alcançaram mais de perto o Brasil, o que levou, em janeiro de 1999, à necessidade de mudança da política cambial para o sistema de taxas flutuantes. No primeiro momento após a mudança do câmbio, a taxa oscilou fortemente, em busca do ponto de equilíbrio da cotação do dólar, o que provocou forte retração das operações de comércio exterior. Este efeito pode ser facilmente observado no desempenho das exportações e importações do primeiro bimestre do ano, que apresentaram os mais baixos valores dos últimos seis anos.
A instabilidade do mercado financeiro internacional também reduziu, significativamente, a disponibilidade de linhas de crédito para financiamento dos exportadores brasileiros, ao final de 1998. Em janeiro de 1999, o volume de Adiantamentos de Contratos de Câmbio (ACC) caiu ao nível mais baixo desde 1994 e as taxas de juros aumentaram substancialmente, situação que perdurou por todo o primeiro semestre do ano.
No decorrer de 1999, a economia brasileira mostrou excepcional capacidade de recuperação e, já no terceiro trimestre do ano, os índices de atividade industrial e do PIB mostravam reação positiva, revertendo as expectativas pessimistas de vários analistas de mercado. Os indicadores econômicos do encerramento de 1999 foram bastante positivos: mercado cambial com relativa estabilidade, taxa de inflação inferior a 9% ao ano, taxa básica de juros decrescente, economia crescendo entre 0,5% e 1,0% e investimentos externos diretos da ordem de US$ 30 bilhões, 15% acima dos níveis observados em 1998.
No âmbito externo, verificou-se a melhoria do cenário internacional, pela recuperação econômica de importantes mercados para os produtos brasileiros, principalmente da Ásia e da Europa, inclusive os do Leste Europeu, e da América Latina, como o México, além da manutenção do ritmo de crescimento da economia norte-americana. A análise por mercados confirma esta relação, posto que os melhores desempenhos de 1999 foram registrados nas vendas para os Estados Unidos, Ásia e Europa Oriental.

Ao mesmo tempo, os preços das commodities começaram a apresentar reação positiva, a partir do segundo semestre de 1999, amenizando a curva declinante que se observava desde 1997, com o início da crise asiática.


A disponibilidade de linhas de crédito para ACC e ACE, no quarto trimestre de 1999, voltou aos níveis do período anterior à crise russa e o custo destas linhas vem caindo progressivamente, o que constitui um fator relevante para a retomada dos negócios, tanto para as grandes, como para as empresas de menor porte.

Este conjunto de fatores se refletiu claramente na melhora do desempenho das exportações brasileiras, ensejando a retomada do ritmo de negócios, em especial a partir de agosto. O gráfico a seguir retrata a progressiva recuperação das exportações, em 1999, comparativamente a 1998.



Exportação e Importação – Variação Relativa Acumulada – 1999/98

Verifica-se, portanto, que a desvalorização do real, não obstante beneficiar diretamente as exportações, por si só não constituiu instrumento suficiente para gerar maior dinamismo nas vendas externas. Outros fatores foram condições também importantes para a reação das vendas brasileiras: o período necessário ao ajustamento da economia como um todo, logo após a mudança da política cambial, com a expectativa quanto ao nível de atividade da economia e das taxas de juros; a estabilidade do mercado financeiro internacional, que influiu diretamente na disponibilidade de linhas de crédito para os exportadores; a demanda externa, principalmente da América Latina, que compra 40% dos nossos manufaturados; e a recuperação dos preços internacionais.


Deve-se considerar, também, a necessidade do tempo para a retomada de negócios e revisão de estratégias pelas empresas tradicionais e de prospecção de novos contratos, para as empresas que não têm tradição no mercado. No caso de produtos manufaturados, este tempo pode ser ainda mais longo, tendo em vista o ciclo de produção destes bens.
Por sua vez, a importação, embora com taxas negativas decrescentes, mostrou, no decorrer de 1999, curva de desaquecimento suave, refletindo, basicamente, a diminuição das compras de bens de consumo, hoje reduzidas a 15% da pauta de importações, tendo sido de 19% em 1998. Vale lembrar que, em muitos setores, essas importações vêm sendo substituídas pela produção interna, seja por força do encarecimento do produto estrangeiro após a mudança cambial, seja pela maior capacidade industrial, ampliada por novos investimentos, a exemplo daqueles realizados nos setores automobilístico e eletroeletrônico.
As importações de bens de capital e de insumos apresentaram quedas menos expressivas do que as de bens de consumo. Ressalte-se que as aquisições dos itens dessas categorias, principalmente bens de capital, têm característica de maior essencialidade, uma vez que estão voltadas para a modernização e maior dinamismo do parque produtivo brasileiro.
O fato das importações não terem decrescido tanto quanto estimavam vários analistas de mercado, após a mudança do câmbio, explica-se pelo alto nível de penetração dos bens importados na indústria brasileira, que alcança, segundo estudo do Departamento Econômico do BNDES, cerca de 20%. De acordo com o gráfico anterior, que compara as taxas de variação dos períodos acumulados de 1999 com iguais meses de 1998, as importações registraram, em janeiro, queda de 21,5%, em relação a 1999, e chegaram a –14,8%, no fechamento do ano.

As aquisições de combustíveis em 1999, por sua vez, apresentaram aumento de 3,7%, em conseqüência da elevação dos preços internacionais do petróleo, de US$ 8,6, em janeiro, para US$ 24,5/barril, em dezembro (185%), uma vez que, em volume, as importações do produto decresceram 17,1%. Cabe assinalar que a elevação das cotações externas do petróleo deveu-se, sobretudo, à redução da oferta por partes dos países exportadores do produto.



I - EXPORTAÇÃO
COMPARAÇÃO PREÇOS/QUANTIDADES - O aspecto mais relevante a ser considerado na análise da exportação de 1999 é que, não obstante a diminuição da receita, em relação ao ano passado, houve expressivo aumento das quantidades embarcadas, sobretudo de produtos manufaturados: segundo índices calculados pela FUNCEX, na comparação com 1998, as quantidades exportadas aumentaram 7,7%, enquanto os preços decresceram 11,5%. O aumento de quantidades é mais significativo para os semimanufaturados, chegando a 16,8%, com queda de preços de 15,7%. Relativamente aos básicos, a redução dos preços foi de 16,1%, tendo as quantidades crescido 8,7%. Quanto aos manufaturados, o aumento do quantum exportado alcançou 4,3%, enquanto os preços decresceram 10,8%. Nos gráficos a seguir, que apresentam a evolução do índice de quantum das exportações gerais, dos produtos básicos, semimanufaturados e manufaturados, em comparação com 1998, pode-se observar a contribuição dos três setores no desempenho das exportações, especialmente o de semimanufaturados, cujos volumes mensais exportados, à exceção de janeiro, ficaram acima de 1998, e dos manufaturados que tiveram crescimento ao longo do ano, superando, a partir de agosto, os volumes embarcados em 1998.


É de se ressaltar, ainda, que o aumento de 7,7% no volume exportado pelo Brasil em 1999, sobre 1998, encontra-se bem acima da taxa prevista pelo FMI para o crescimento das exportações mundiais, tanto para as economias industrializadas (2,8%), quanto para as economias em desenvolvimento (2,4%), em igual período comparativo, demonstrando, que, a despeito dos problemas enfrentados em 1999, o Brasil ampliou a sua participação no mercado mundial em volume exportado.

No quadro abaixo, verifica-se a eventual perda de receita cambial, havida em 1999, em decorrência da queda dos preços de importantes produtos da pauta de exportação brasileira: em exercício de comparação das quantidades exportadas neste ano com os preços praticados em 1998, para as mais importantes commodities da pauta brasileira, que representam 42% do total, chega-se ao montante de US$ 4,8 bilhões (10% do total exportado pelo Brasil):

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