Ministro do Esporte Agnelo Queiroz



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Discurso de Posse

Ministro do Esporte Agnelo Queiroz

Data: 03.jan.2003


Com a humildade dos que reconhecem a grandeza da missão, assumo o Ministério do Esporte distinguido pelo honroso convite do Excelentíssimo Senhor Presidente da República.


Ao abraçar este desafio que o destino me reserva, tenho consciência do momento histórico que ora vivemos. Seja na política, na economia, na área social e nos esportes. Eu assumo um Ministério com a convicção de que fazemos parte de algo muito maior. Fazemos parte de um projeto de governo que mudará este Brasil, e mudará para melhor, para muito melhor.


Ontem, começamos uma nova fase na história do Brasil. Uma fase de retomada da atividade econômica, o que inclui aumentar a produção e gerar empregos. Mas é uma fase também – e principalmente – de retomada da ética social, da redução das desigualdades, do combate à fome e da inclusão dos milhões de nossos irmãos que vivem na miséria.


Na área dos esportes, a tarefa deste novo Ministério será a de incluir a atividade esportiva neste projeto. De um lado, o esporte como gerador de uma dinâmica econômica própria, capaz de produzir riqueza e de criar empregos. De outro, o esporte com a função de incluir socialmente todos os brasileiros. De fazer com que todos tenham acesso a atividades que venham a produzir uma sociedade com mais saúde, com mais qualidade de vida. É hora de investir no esporte como fator de desenvolvimento humano.


Nem todo menino que se diverte com sua bola de meia em espaços restritos quer ser um Ronaldinho. Ele quer o direito de brincar. Ele quer ter o mesmo direito que outros têm de usufruir de um espaço para preencher seu tempo livre, para conviver com sua comunidade, para se desenvolver física e intelectualmente.


Senhoras e senhores, esta é uma tarefa entusiasmante.

Gostaria de dizer que o Partido Comunista do Brasil se orgulha de estar participando deste processo, junto com o Partido dos Trabalhadores, junto com Luiz Inácio Lula da Silva, desde a época em que o medo costumava vencer a esperança.


Os tempos são outros. Os ventos são bons, diria Lars Grael. Pela primeira vez na história do Brasil, o Ministério do Esporte é uma Pasta específica, com foco único no desenvolvimento de uma política nacional de esporte e lazer. Temos um clima favorável o ano inteiro à prática esportiva e um povo plenamente identificado com os valores intrínsecos ao esporte e com os ídolos que ele produz. Temos criatividade e um profundo sentido de adequação às adversidades. Somos também um povo alegre, sensível e emotivo.

Paradoxalmente, o esporte no Brasil ainda é praticado por uma parcela restrita da população. Aos poucos, porém, temos tido a consciência da importância que o esporte pode assumir na construção de relações sociais mais saudáveis e humanas, tornando-se mais inclusivo e democrático.

Nesse sentido, o esporte será neste Governo um poderoso instrumento de inclusão social, sobretudo para o universo de 32 milhões de crianças e adolescentes, de zero a dezessete anos de idade, que vivem hoje em situação de pobreza absoluta.

É fato absolutamente comprovado que o ócio leva, entre outros males, à criminalidade e ao uso de drogas. Iremos ampliar o trabalho preventivo, através da difusão da prática esportiva. Já existem inúmeras experiências de sucesso dessa natureza no Rio de Janeiro, em São Paulo e em outras cidades brasileiras, com estatísticas relevantes de redução da violência nas comunidades assistidas e nos arredores. Iremos, enfim, tentar contornar, em âmbito nacional, a triste realidade do sistema penitenciário brasileiro, no qual dois terços da população carcerária possuem entre 18 e 24 anos. Teremos como missão evitar, através do esporte e do lazer, que grande parte da nossa juventude tenha o presídio como destino...

Estou certo de que um amplo programa de inclusão social através do esporte, incentivado pelo governo federal, pode abranger milhões de jovens. Para tanto, vamos mapear e utilizar estruturas esportivas ociosas. Vamos estabelecer parceria com o Ministério da Educação, mobilizando as escolas (públicas e privadas), de forma a dotá-las não só de infra-estrutura esportiva adequada, mas também de professores, equipamentos etc. Tenho a certeza de que o Ministro Cristovam Buarque conhecedor dessa realidade incluirá o esporte no seio do projeto pedagógico das escolas. No esporte, como na vida, a escola é a base de tudo. É na escola que a criança tem o primeiro contato com o esporte, devendo ser estimulada a praticá-lo e a compreender os benefícios que ele acarreta para o seu desenvolvimento físico, intelectual e social. Os jovens talentos são detectados nessa fase. O desporto educacional, sem dúvida, com a parceria que estabeleceremos com o Ministro Cristovam Buarque, será prioritário nesta gestão governamental

Paralelamente, vamos também aprofundar a parceria com as Forças Armadas no sentido de implantar imediatamente o projeto "Forças no Esporte", o qual oferecerá atividade esportiva em instalações militares a milhares de jovens, em diversos pontos do território nacional. Estaremos, assim, cumprindo determinação do presidente Lula de integrar todos os órgãos de seu governo em torno das ações sociais.

Vamos estabelecer parcerias com milhares de clubes sociais através da Confederação Brasileira de Clubes; com instituições como o SESI, SENAI e SESC; com as empresas nacionais e internacionais que produzem materiais esportivos; e com várias ONG’s que já desenvolvem ações nesse sentido.

Quando se comenta a respeito da democratização do acesso ao esporte e à atividade física, é importante ressaltar que o lazer e a saúde são direitos sociais, constitucionalmente garantidos a todos os brasileiros. O acesso democrático ao esporte e ao lazer deverá levar em consideração as peculiaridades regionais e a indispensável continuidade das ações. Não basta a realização de um ou outro evento isolado. A atividade física regular representa prevenção aos problemas de saúde. Neste particular, pretendo estabelecer sólida parceria com o Ministério da Saúde para que, conjuntamente, possamos conscientizar a sociedade dos benefícios de um estilo de vida ativo. Nessas ações estaremos valorizando os professores de educação física, indispensáveis para o desenvolvimento e a continuidade de programas desse gênero. O Ministério do Esporte irá também apoiar eventos esportivos de criação nacional com identidade cultural como, futebol de areia, capoeira, futevôlei, jogos rurais, jogos indígenas, etc. A questão, porém, é incentivar a comunidade a realmente praticar estes esportes e não somente observá-los como telespectadores ou assistentes.

No que tange as manifestações esportivas, refiro-me, agora, ao desporto de rendimento. O desporto de rendimento é o vértice de uma pirâmide cuja base, para ser ampliada, necessita dos resultados favoráveis dos melhores atletas do desporto brasileiro, em suas várias modalidades. A recente conquista do Campeonato Mundial de Vôlei pela equipe brasileira, ampliou de 20% a 30% a freqüência nas escolas de vôlei existentes no país. Os resultados favoráveis do Guga trouxeram orgulho aos brasileiros e saudáveis dificuldades para os administradores dos clubes sociais e esportivos, tendo em vista a cobrança dos associados por maior quantidade de quadras de tênis. Os exemplos são inúmeros, relacionando as conquistas esportivas à multiplicação do número de praticantes de cada modalidade. O esporte de rendimento é a alavanca para o incremento do desporto educacional e de participação, além de facilitar, sobremaneira, a realização dos programas de inclusão social que iremos desenvolver.

Ainda sobre o desporto de rendimento, trago de minha atividade parlamentar para o Ministério do Esporte a preocupação com a qualidade e a legalidade do gasto público. Assim, combaterei o que for nocivo ao esporte e valorizarei tudo aquilo que puder contribuir para o seu crescimento. No futebol, por exemplo, temos, tecnicamente, o que há de melhor no mundo. Mas, essa excelência não pode existir somente dentro do campo. O Brasil deve ter o melhor futebol também fora do campo, em sua estrutura interna, na sua organização. Sobretudo, temos de ter o melhor futebol do mundo no respeito ao torcedor, à sua segurança, o que inclui paz e tranqüilidade nos estádios.

À imprensa esportiva brasileira, o meu reconhecimento. Em vários momentos, sua combatividade tem sido decisiva para a preservação dos princípios éticos e morais que devem orientar não só o esporte mas também o comportamento de toda a sociedade brasileira.

Neste momento, faço saudações aos dirigentes de clubes, dos comitês olímpico e paraolímpico, aos presidentes de confederações e federações e, em especial, aos atletas. Quantos de nós já não rompeu madrugadas em frente à televisão para acompanhar e torcer pelos êxitos de nossos atletas, nas mais diferentes modalidades? Alguns atletas aqui presentes - que muito me honram com o seu comparecimento - já nos emocionaram inúmeras vezes, valorizando o sentimento pátrio e aumentando a nossa auto-estima.

Peço a vocês, dirigentes e atletas brasileiros, que assumam comigo este Ministério.

Nos primeiros meses de 2003 espero ver aprovado no Congresso Nacional o projeto "Bolsa Atleta", de minha autoria, que irá beneficiar desde os atletas vencedores de Olimpíadas Colegiais e Jogos da Juventude até os atletas olímpicos que eventualmente não possuam patrocínio.

Apesar das notórias dificuldades econômicas e financeiras que o País enfrentará em 2003, farei contatos com o Ministério da Fazenda tentando viabilizar o incentivo fiscal que já consta no Estatuto do Desporto, projeto que tramita na Câmara dos Deputados, cujo relator é o eminente e amigo Deputado Gilmar Machado.

Enfim, mais que planos, propostas ou promessas, trago, nesta hora, uma mensagem de unidade, uma palavra de fé na obra que juntos poderemos construir.

A indústria do esporte é a indústria do início deste século. É um dos mercados de trabalho que mais cresce no mundo. No Brasil, segundo estimativas recentes, o setor "esportes" movimenta 20 bilhões de reais por ano e emprega aproximadamente 300 mil pessoas. A arrancada esportiva de um país amplia o turismo e abre portas para o comércio externo. A par da grandiosidade econômica deste segmento, tenho entusiasmo especial ao imaginar o esporte como fator de desenvolvimento humano, vertente prioritária da ação governamental que juntos iremos empreender.
Tenho pressa, porque o ritmo da atividade assim o exige. Tenho limitações, porque elas existem nos homens apesar da nossa vontade contrária, mas tenho, acima de tudo, um desejo enorme de acertar e de contribuir para o engrandecimento do desporto nacional.

A todas as autoridades, desportistas, amigos e familiares aqui presentes, que com seu comparecimento muito me alegram e encorajam, apresento os meus sinceros agradecimentos. Valho-me da ocasião para formular a todos um feliz 2003, extensivo, é claro, ao desporto nacional.


Viva o esporte brasileiro!

Muito Obrigado!


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