Missões rurais de educaçÃO



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AS “MISSÕES RURAIS DE EDUCAÇÃO”: UM PROJETO CIVILIZATÓRIO MODELO NO BRASIL DESENVOLVIMENTISTA
Flávio Anício Andrade – UFRRJ/Campus Nova Iguaçu

flavioanicio@gmail.com

Palavras-chave: Estado; educação rural; cidadania.


Introdução
Neste trabalho são apresentados os resultados de um estudo realizado acerca de uma experiência modelo de educação da população rural brasileira. Esta se efetivou no contexto de um projeto de desenvolvimento baseado na difusão dos princípios da racionalização do trabalho e no aprofundamento da vivência dos hábitos, atitudes e valores característicos dos espaços urbano-industriais através de sua máxima extensão no território brasileiro. A análise ora apresentada teve como sua fonte primária privilegiada os relatórios oficiais de avaliação daquela experiência modelar publicados pelo Serviço de Informação Agrícola do Ministério da Agricultura em 1952 sob o título “Missões Rurais de Educação: a experiência de Itaperuna”.

O significativo subtítulo interno da publicação do Relatório Final, “Uma tentativa de organização da comunidade”, já indica o objetivo precípuo de tal experiência modelar de intervenção educativa em uma comunidade rural do país que no alvorecer da década de 50 possuía 70% de sua população localizada na área rural ao mesmo tempo em que alargava as bases de seu processo de desenvolvimento urbano-industrial.

Com efeito, o segundo período histórico em que Getúlio Vargas esteve à frente do poder executivo federal marca a assunção de um projeto de expansão da produção industrial no país capitaneado pelo Estado.

Vai tomando corpo assim, um esforço de “ajustamento” do conjunto da sociedade brasileira aos novos valores, hábitos e atitudes condizentes com o modelo de sujeito produzido pela vida urbana e seu pólo irradiador, o espaço fabril. Neste contexto, o modo de vida rural era identificado ao atraso.

Dessa forma, tratava-se simultaneamente de disseminar novas formas de realização do trabalho (adoção de novos métodos racionais de produção; organização sob formas associativas; etc.) e produzir uma integração ideológica e política mais orgânica das classes subalternas no quadro de uma maior complexificação da estrutura social e, consequentemente de emergência de novos atores e práticas políticas a serem considerados no âmbito de uma ordem política formalmente democrática.

Há que considerar também quanto a este segundo aspecto o próprio quadro internacional de consolidação de dois blocos de influência econômico-político-militar capitaneados respectivamente pelos Estados Unidos da América (EUA) e pela União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS).

A década de 50 marca justamente o momento de institucionalização do fenômeno histórico que ficou conhecido como “guerra fria”. Em termos continentais isso significou a implantação por parte dos EUA, direta ou indiretamente, de uma política de atração dos países da América Latina para sua esfera de influência. Recorrendo para isso à sua forte influência no interior de organismos multilaterais como a Organização das Nações Unidas (ONU) e, em particular, na Organização das Nações Unidas Para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO, na sigla em inglês), seu órgão encarregado das iniciativas nos campos referidos, bem como a outros organismos regionais equivalentes. Um dos focos centrais dessa estratégia constituir-se-á no apoio a iniciativas de caráter formativo destinadas às populações rurais das nações latinoamericanas.

Uma destas iniciativas veio a ser justamente a realização, no ano de 1949, do Seminário Interamericano de Educação de Adultos organizado pelo governo brasileiro, pela citada UNESCO e pela Organização dos Estados Americanos (OEA) na cidade fluminense de Petrópolis.

Uma das ações promovidas pelo governo Vargas a partir das recomendações deste encontro foi a organização de uma experiência modelo de educação no meio rural com base em proposta elaborada em conjunto Manoel B. Lourenço Filho e José Irineu Cabral, respectivamente o Diretor do Departamento Nacional de Educação do Ministério da Educação e Cultura (MEC) e o Diretor do Serviço de Informação Agrícola do Ministério da Agricultura. Sendo que o segundo tornou-se o encarregado de coordenar tal experiência, batizada de 1a Missão Rural de Educação.

Tal Missão, planejada em parceria pelos dois Ministérios supracitados, tinha como objetivo principal gerar subsídios para uma futura política nacional de educação de base para o meio rural propondo “diretrizes técnicas e assistenciais visando a melhoria das condições de vida econômica e social do meio rural” (CABRAL et alli, 1952: s/p.). Durante o segundo governo Vargas e o de seu sucessor eleito, Juscelino Kubistchek, constituiu-se um programa de alcance nacional de Missões Rurais nos mesmos moldes da que ora se analisa.

O local escolhido foi o município de Itaperuna, localizado no noroeste do estado do Rio de Janeiro

A equipe encarregada da execução do trabalho de “mobilização da comunidade” foi composta por dois agrônomos, um veterinário, uma enfermeira sanitarista, uma especialista em economia doméstica e indústrias rurais caseiras e uma assistente social; como pessoal de apoio, um operador de rádio e cinema e um motorista.

Tal equipe, por sua vez, foi dividida por quatro setores de atuação: agropecuário; médico-sanitário; economia doméstica; e serviço social. Vê-se assim, que não há a presença de educadores em sentido estrito. Isto se deve a que a Missão se propunha justamente orientar as professoras rurais (as que se encontravam em exercício e também as que ainda estavam em formação) para que estas viessem a se tornar colaboradoras diretas do trabalho realizado pela Missão e futuras responsáveis pela manutenção dos preceitos orientadores e também dos eventuais resultados obtidos pela Missão.

Despertar a comunidade”: objetivos e pedagogia da 1a Missão Rural de Educação


O alvo privilegiado da Missão constituía-se na população adulta do município. Desejava-se mobilizar os líderes da comunidade (bem como promover o aparecimento de novas lideranças) tendo em vista a disseminação das formas de pensamento e comportamento condizentes com o projeto de melhoramento racional das condições de vida e de trabalho da comunidade.

A par deste objetivo mais amplo, buscava a Missão fazer chegar a todos os membros das comunidades em que atuava – homens, mulheres e crianças – novos conhecimentos, valores e hábitos típicos da civilização urbano-industrial em expansão no país.

Não à toa o trabalho pedagógico da Missão teve como recurso constante o cinema, a música e o rádio, a linguagem audiovisual como forma não somente de facilitar o trabalho de divulgação de ideias e conhecimentos em um ambiente social basicamente iletrado mas também como meio pedagógico em si mesmo na medida em que o contato com tais novas tecnologias (mais particularmente o cinema; porém, é preciso considerar que mesmo o aparelho radiofônico era ainda, via de regra, um objeto raro nas habitações rurais) funcionava tanto como meio de atração quanto como símbolo da modernidade que o Estado então se esforçava por fazer chegar ao interior do país. Um Estado que, por extensão, aparecia como símbolo maior dessa civilização moderna, urbana e pródiga na divisão de seus benefícios e de suas promessas de felicidade.

Como se afirma na parte inicial do Relatório de Atividades que ora tomamos como nossa fonte primária básica, dedicada à descrição da etapa de planejamento da Missão:


Dos estudos então efetuados, decidiu-se que seria experimentado o processo de “organização social de comunidade”,aplicado ao meio rural,utilizando a equipe, de acordo com as circunstâncias, as técnicas de ação individual e de trabalho em grupo, com o objetivo de despertar a comunidade. Os instrumentos de trabalho seriam todos que estivessem ao alcance da Missão: contactos pessoais, visitas domiciliares, reuniões, aulas, demonstrações, campanhas, atividades em grupo, projeção de filmes e diafilmes educativos, programas radiofônicos e, conforme as condições do meio, até mesmo a prestação de alguns serviços assistenciais que serviriam de motivo para atrair as populações à esfera de influência da equipe. (CABRAL et alli, op. cit.: p. 19)
Vê-se assim que o ponto de partida do esforço educativo era a obtenção de uma atitude de boa vontade por parte das comunidades objeto da atuação da Missão tendo em vista evitar desde o princípio qualquer tipo de resistência ou desconfiança quanto às intenções e ao trabalho da equipe educadora. Recorreu-se quanto a este ponto ao fornecimento de uma assistência médica básica, à distribuição de sementes, ao fornecimento de material de ensino às escolas bem como daquele utilizável em atividades de economia doméstica para as donas de casa.

Considerando-se a situação de precariedade em termos das condições de vida da população local (o Relatório da Missão descreve um quadro de ausência de condições higiênicas básicas; a quantidade e qualidade insuficientes da alimentação; a prevalência de enfermidades como a tuberculose, o tifo, a “lepra”, verminoses e anemia generalizadas; e de um alto índice de mortalidade infantil) tal estratégia de sedução apresentou-se como bastante bem sucedida.

Também quanto a esta questão do esforço inicial de aceitação do trabalho da Missão, cabe notar que houve a preocupação por parte da equipe educadora em avaliar as formas de convivência social e o nível de conscientização política existentes nos núcleos urbanos e rurais do município de Itaperuna.

Além da exposição de um quadro desolador em termos das oportunidades de acesso a bens culturais como teatros, cinemas e bibliotecas públicas e também a espaços de socialização como clubes e praças, aponta-se a “ausência de espírito associativo” no seio da população bem como a falta de “espírito de iniciativa e pelo entusiasmo em torno de qualquer manifestação de arte” por parte dos mais jovens em particular. (idem, ibidem: p. 30)

No que se refere ao acesso à educação escolar, a situação de precariedade permanece também sendo a regra.

Não há escolas primárias em número suficiente para atender a faixa etária a ela correspondente e as poucas existentes encontravam-se mal localizadas. Com exceção daquele ministrado nos poucos grupos escolares localizados no município, o ensino alcança tão somente a 3a série primária. O ensino secundário contava com um único estabelecimento privado para sua oferta. Este mesmo estabelecimento era o único a oferecer o curso normal. O magistério, por sua vez, apesar de numeroso segundo a avaliação da equipe educadora, concentrava-se na sede do município e nos distritos onde havia um grupo escolar. Nas áreas rurais em sentido estrito encontrou-se grande carência de professoras primárias, havendo “escolas estaduais servidas por moças que nem sequer o curso primário possuem”, como se afirma no Relatório. (idem, ibidem: p. 31)

Tal eram os condicionantes negativos que, no entendimento dos organizadores da Missão, impediam o desenvolvimento econômico e social das comunidades interioranas do país em geral.

Tratava-se então de instituir uma prática pedagógica cuja característica central se constituía em um esforço consciente e dirigido de promoção do máximo de oportunidades para que cada participante dos momentos coletivos de tomada de decisões acerca dos problemas e possíveis iniciativas de melhoria da comunidade pudesse se manifestar em igualdade de condições frente a todos os demais; em especial, relativamente àqueles percebidos habitualmente como os legítimos (e exclusivos, bem entendido) possuidores da prerrogativa de uso da palavra e de comando das ações.

A própria dinâmica dos eventos realizados sob este princípio, toda sua mise-en-scène, foi pensada como materialização deste intuito. De uma longa lista de 14 itens descrevendo as práticas que deveriam ser adotadas pela equipe educadora constava, por exemplo, os seguintes procedimentos:
a) visitas domiciliares, para contacto pessoal e direto com as famílias, especialmente no meio rural;

b) contactos pessoais frequentes com os serviços públicos e instituições privadas, com as autoridades e com os elementos mais representativos das localidades;

c) atitude informal em todas as ocasiões, para evitar constrangimento por parte das pessoas mais simples e para não fazer crer aos presentes haver distinções especiais em relação às pessoas influentes;

d) trabalho em grupo, adotando o sistema de reuniões públicas ou com grupos distintos, segundo as conveniências, prescindindo, nessas oportunidades, do hábito tradicional da constituição da mesa dirigente e de dar destaque a determinadas pessoas. Nessas reuniões o comparecimento se fazia em perfeita igualdade de condições e cada pessoa presente era solicitada a expor suas ideias e opiniões com inteira liberdade;

(...)

k) condicionar as soluções dos problemas à iniciativa e às sugestões partidas dos próprios interessados, como meio de evitar medidas artificiais e em desacordo com a psicologia e a realidade do meio;



l) atuação simultânea com todo o elemento humano, independentemente de idade, sexo, condição social etc., como meio de mobilização geral da comunidade a favor das iniciativas em projeto ou em curso;

m) emprego constante dos instrumentos de ensino áudio-visual, como subsídio ao trabalho educativo;

n) acentuação do aspecto educacional do trabalho, a fim de afastar a ideia de uma possível assistência a ser prestada pela Missão, diminuindo o esforço pessoal e das instituições na solução dos problemas da comunidade. (idem, ibidem: p. 43-44)
Temos aí, portanto, uma permanente preocupação tanto com a obtenção de um apoio constante por parte das autoridades constituídas do município – os líderes políticos e religiosos bem como todos aqueles que ocupassem um lugar de destaque na vida social local – tendo em vista simultaneamente dar maior autoridade simbólica, maior legitimidade aos olhos da população, às atividades realizadas no âmbito da Missão; e também produzir um comportamento duradouro destas mesmas lideranças com os princípios daquela mesma Missão visando, em última instância, garantir a continuidade da experiência tornando suas realizações permanentes e, por assim dizer, blindando-a contra possíveis descontinuidades causadas por mudanças na ordem política local.

Neste aspecto, é interessante notar que nas práticas pedagógicas da Missão encontrava-se refletida uma concepção de que acima dos interesses particulares e imediatos deveria ser levado em consideração por parte tanto dos homens e mulheres públicos quanto de cada membro da população o interesse coletivo presente e futuro, o bem comum em suma.

Tal fato, considerando-se a tênue aderência a este princípio basilar da concepção política moderna de cidadania que constitui uma das marcas históricas da formação social brasileira até os dias de hoje, assume particular relevo. Mais ainda quando se pensa que menos de cinco anos separavam o triênio 1950-52, o período abarcado pelo Relatório aqui analisado, do fim do Estado Novo varguista e que mesmo o período do governo do General Eurico Dutra não pode exatamente ser chamado de democrático em sentido pleno pois que durante sua vigência, em que pese o retorno de certas garantias constitucionais e direitos políticos básicos, o Estado não hesitou em cassar a vontade de uma expressiva parte do eleitorado que havia votado nos candidatos do Partido Comunista, ele mesmo proibido de continuar existindo legalmente.

Dessa forma, a 1a Missão Rural de Educação poderia ser tomada também como exemplo de materialização de uma concepção de cidadania compartilhada por componentes do aparelho de Estado e que, mesmo que não se possa tomá-la como majoritária no seio deste último, apresentava-se como um importante fenômeno no quadro das relações entre Estado e sociedade no Brasil.

Através da Missão buscava-se a disseminação de uma nova cultura política no país, uma vivência capilar dos instrumentos participativos característicos do que se consagrou como o fundamento de um regime político verdadeiramente democrático. Na parte do Relatório dedicada à descrição das orientações gerais e técnicas adotadas pela Missão nota-se um tom de orgulho frente ao sucesso obtido com o respeito àquele sentido do bem comum pelos componentes da equipe educadora e que, exatamente pela existência deste comportamento exemplar, pôde também ser incorporado pela população das comunidades onde se realizou o trabalho educativo:
(...) nos povoados onde se realizou com maior intensidade o trabalho da Missão, há orientações diversas tanto do ponto de vista político como religioso. Num deles, predomina a corrente que apóia o governo; no outro, a corrente oposicionista. Num, a Igreja Batista é o centro religioso da comunidade; no outro, a população é católica. Em ambos, porém, atuou a Missão, sem que nenhum choque se tenha produzido.

Nas duas comunidades houve, por parte da equipe, atuação idêntica e a reação local correspondeu integralmente. Pode-se ainda assinalar que, hoje, as duas comunidades estão ligadas por um aço comum – a associação de moradores, cujo órgão superior se compõe de representantes dos dois povoados. Nenhuma divergência se manifestou por ocasião das várias reuniões conjuntas em que foram tratados problemas de interesse comum e que, uma vez solucionados, viriam beneficiar a todo o distrito. (idem, ibidem: p. 42)


Porém, apesar da relevância do fenômeno acima exposto, fica patente da leitura da lista parcial de “técnicas de trabalho” acima transcrita que o foco privilegiado das atividades da Missão, no que diz respeito à produção das condições necessárias à realização positiva de seus propósitos, era a influência sobre aqueles que pudessem se tornar lideranças locais imbuídas de um espírito de iniciativa advindo exatamente da interiorização dos preceitos, orientações e práticas constantemente disseminados pela equipe educadora.

Tal objetivo encontra um perfeito exemplo nas estratégias educativas mais gerais adotadas por aquela mesma Missão e cuja primeira manifestação pode ser vista na importância atribuída ao aspecto da divulgação de todas as etapas e procedimentos envolvidos no trabalho de sua equipe executora a fim de que o universo populacional de onde as possíveis lideranças comunitárias viriam a surgir pudesse “(...) interpretar os objetivos da Missão em cada oportunidade que se apresentava.” (idem, ibidem: p. 45)

Neste ponto não houve oportunidade nem local que não tivesse sido utilizado para levar a cabo este mesmo esforço de divulgação:
Interpretação e informação ao público foram feitas de forma sistemática, tanto pelo rádio, em transmissões regulares, como nas reuniões, quer na sede, quer na zona rural. O programa semanal de trabalho era afixado em quadro negro, na sede da Missão, e os convites para reuniões ou avisos eram feitos pelo rádio e por meio de pequenos cartazes colocados nas vitrines de casas comerciais. Dessa forma, qualquer pessoa interessada poderia tomar conhecimento e comparecer, se lhe aprouvesse. (idem, ibidem: p. 45)
Além destes, os outros instrumentos educativos de massa largamente utilizados pela Missão, como já mencionado, foram o cinema e os meios impressos.

Quanto ao primeiro, utilizando uma unidade móvel de projeção, foram organizadas sessões ao ar livre com programação voltada a públicos específicos e adaptada de acordo com a ocasião, quando necessário, pois que visariam cumprir uma função tanto educativa quanto recreativa. Em cada uma destas sessões exibia-se normalmente de 4 a 5 filmes. Segundo o relato da equipe da Missão, a reação da audiência nas primeiras sessões era de riso geral mesmo quando se tratava de documentários pois que a experiência do cinema era algo inédito para o grosso da população do município. Com o tempo, porém, a intenção educativa dos filmes escolhidos com tal propósito passou a ter maior eficácia.

No total foram realizadas em torno de 100 sessões, assistidas por cerca de 30.000 pessoas, preferencialmente na área rural (uma a duas vezes por semana) e nas sedes dos demais distritos municipais bem como nas fazendas da região nas quais se pudesse reunir um grande número de pessoas. Também foram realizadas sessões na própria sede do município e mesmo em outros municípios vizinhos sob pedido. Antes das sessões e durante seus intervalos eram apresentadas músicas populares ou folclóricas selecionadas de acordo com um programa também previamente organizado. Quando destinada ao público infantil a sessão era acompanhada por histórias musicadas. Eventualmente havia a participação de crianças e moças da comunidade local, principalmente nas sessões ocorridas na área rural, cantando ou declamando.

As transmissões radiofônicas se iniciaram em novembro de 1950 por ocasião do oferecimento voluntário da rádio local de dois horários na sua programação para uso da Missão. Tais programas passaram a ser irradiados regularmente quatro vezes por semana e foram denominados “O Nosso Lar” (voltado para temas afeitos à economia doméstica e às indústrias rurais caseiras) e “O Homem e a Terra” (voltado às práticas agropecuárias, aos cuidados com a saúde e à higiene e também à organização comunitária). A estrutura destes programas era variada, sendo os temas apresentados na forma de aulas, palestras e esquetes, mas sempre abordando assuntos de interesse local. Não raro, segundo o relato da equipe educadora, participavam dos programas alguns “elementos da cidade”, chegando mesmo a substituir quando necessário aos membros da equipe.

Por último, quanto às estratégias pedagógicas, foi dada atenção a uma constante distribuição de folhetos, monografias e cartazes para um público selecionado do qual faziam parte agricultores, professores e os que demonstrassem maior interesse no trabalho da Missão. Também se fez a distribuição deste material impresso para as instituições envolvidas nas atividades desta bem como foram afixados cartazes nos pontos centrais dos povoados, nos bares e comércio em geral e onde mais se obtivesse visibilidade.

O conteúdo do material impresso, por sua vez, versava sobre temas relacionados principalmente à saúde, agricultura, economia doméstica e indústrias rurais. Especial atenção foi dedicada aí às escolas visitadas pelos membros da Missão as quais receberam uma coleção completa de publicações e cartazes cada. Da mesma maneira foi distribuída uma grande quantidade de publicações para as demais escolas primárias e para os cursos de ensino supletivo. Finalmente quanto a este tema houve a preocupação com a produção de publicações especialmente voltadas ao meio rural por parte do Serviço de Informação Agrícola em Parceria com o Departamento Nacional de Educação.

Pode-se concluir a partir da descrição acima que o esforço pedagógico da Missão procurava dar conta de todos os momentos da vida da população local passíveis de representar uma oportunidade de aprendizagem e interiorização da mensagem trazida por aquela.

Da mesma forma, era preciso mobilizar os sujeitos mais capazes de amplificar aquela mesma mensagem no seu agir cotidiano. Bem mais do que as autoridades públicas, era preciso conquistar quem efetivamente pudesse exercer uma influência constante e próxima sobre o maior número de indivíduos na região abarcada pela ação da Missão.

Neste ponto, a necessidade de melhoria da merenda escolar serviu também como meio através do qual buscou a Missão mobilizar os pais dos alunos em torno de um tema que os deveria interessar diretamente.

Antecipando uma lógica distributiva que viria a se constituir posteriormente em uma das características da ação dos poderes públicos no campo da educação,o mecanismo de destinação das verbas referentes à compra de merenda por parte de cada escola do município de Itaperuna obedecia a uma lógica administrativa assentada no binômio centralização-distribuição, isto é, através do instrumento da Caixa Escolar todas as escolas recolhiam junto aos pais uma contribuição monetária que era em seguida remetida a uma Caixa Escolar central de donde tal verba seria redistribuída de acordo com a necessidade de cada escola.

Se à primeira vista este mecanismo aparenta ser uma forma mais equânime de gestão dos recursos (na medida em que não penalizaria as escolas das localidades menos providas de recursos), na prática este acabava por representar um prejuízo às escolas que, apesar de terem arrecadado tal contribuição, não recebiam posteriormente nenhum recurso por elas requisitado. Imperava, portanto, na gestão da Caixa Escolar municipal uma completa desordem.

Enxergou a equipe educadora aí uma oportunidade de contribuir para produzir um maior comprometimento dos que compunham a Diretoria da Caixa Escolar, lideranças potenciais no contexto do projeto político do qual a Missão era o arauto, frente processos mais racionais de gestão dos recursos obtidos por aquele mecanismo. Ao mesmo tempo, se buscou fazer com que os pais dos alunos (de novo aqui, antecipando um esforço ainda hoje presente na educação brasileira) passassem a se comprometer mais eficazmente com o instrumento das Caixas Escolares e, por extensão, com a qualidade da educação oferecida aos seus filhos.

A busca do comprometimento das lideranças municipais formalmente constituídas não foi em geral obtida no grau desejado pelos componentes da Missão. Também por isso o esforço mais constante da Missão se destinou à mobilização dos que pudessem vir a se tornar futuros responsáveis pela perenidade do que viesse a ser produzido durante a presença daquela mesma Missão nas comunidades do município.

Para a equipe educadora encarregada das atividades desta última quem melhor poderia cumprir tal papel seria o “elemento feminino”. Tratava-se, portanto, de educá-lo para tal tarefa.



A dona de casa, a enfermeira e a professora: a conquista do “elemento feminino” como estratégia pedagógica
O campo inicialmente privilegiado pela equipe educadora da Missão foi ao da alimentação, seja relativamente aos hábitos de consumo seja quanto à disseminação de técnicas de produção.

Tendo como foco a questão da qualidade e qualidade da dieta da população em geral e dos escolares em particular, procurou-se irradiar uma determinada racionalidade a partir da qual o conjunto da vida social pudesse passar a se estruturar.



Partindo da constatação de um quadro de absoluta penúria das condições de alimentação nas escolas e desconhecimento concomitante de noções dietéticas básicas por parte da população feminina em geral e das professoras em particular, iniciou-se um esforço de (re)educação tanto de umas quanto de outras visando a promoção, em última instância, do aparecimento de atitudes de iniciativa por parte do conjunto da população referentes à própria melhoria das condições materiais de existência (sem a qual o próprio desenvolvimento da região ficaria comprometido). Daí a eleição da escola como foco primordial da ação da Missão já que a partir dos alunos se acreditava poder alcançar mais facilmente os seus pais. Escola esta que até aquele momento não vinha cumprindo absolutamente seu papel de agência de civilização do meio rural:
Constatou-se, através estreito contato com o Grupo Escolar e com as professoras, a quase inexistência de orientação aos alunos sobre assuntos relativos à alimentação, tanto na escola quanto no lar. Não há nenhuma preocupação no sentido de dar à criança conhecimento sobre pequenas plantações, culturas, criação, etc., o que ficou patenteado pela falta de atividades desse gênero no Grupo, que não possui horta, pomar ou criação de qualquer espécie. É pouco o material educativo, tal como: quadros, cartazes, livros e folhetos sobre alimentação e assuntos domésticos. De um modo geral, as professoras locais não estão preparadas para a transmissão destes ensinamentos. (idem, ibidem: p. 58)
Procurou-se frente a este quadro atuar no sentido da elevação dos conhecimentos de professoras e demais profissionais das escolas. A cozinha escolar tornou-se um laboratório de aplicação exemplar de métodos mais racionais de organização de coisas e pessoas. O Setor de Economia Doméstica da Missão assumiu a tarefa de reorganização deste espaço físico no intuito de promover por extensão uma reorientação do conjunto das práticas escolares e da mentalidade de seus profissionais:
O Setor iniciou um trabalho sistemático de orientação junto à encarregada da preparação da merenda, tanto no que se refere à instalação da cozinha, melhoria da sua organização, como quanto à higiene dos utensílios e composição de merendas mais nutritivas. Como resultado foram adotadas novas práticas, tais como: ferver os utensílios após o seu uso (canecas, colheres, etc.); técnica correta de lavar a louça; enriquecimento de merendas. Realizou-se, ainda, no Grupo, um inquérito alimentar respondido por 283 escolares, tendo sido constatado que, naquele dia, somente 105 crianças trouxeram merenda de casa, e 54 receberiam na escola. As merendas, entretanto, eram sem valor qualitativo, observando-se a falta absoluta de orientação nesse sentido; somente 5 crianças faziam uso do leite e 24 de frutas. As demais merendas constavam quase integralmente de pão com manteiga. (idem, ibidem: p. 59)
Um outro foco de atuação da Missão foram as próprias famílias componentes de cada comunidade ou, para ser mais exato, as mulheres sobre as quais recaía a responsabilidade por todas as tarefas domésticas. Utilizando-se a oferta de oportunidades de aprendizagem de conhecimentos relacionados à vida doméstica, procedeu-se a uma tentativa de mudança dos hábitos e formas de comportamento então naturalizados:
Graves também são os problemas com referência à habitação, arranjo do lar, administração da casa etc. A ação do Setor [de economia doméstica], no meio rural, obedeceu à mesma orientação seguida pelos demais; processou-se junto aos grupos, às famílias e indivíduos. Iniciou-se, depois dos contatos normais com a população, através de visitas domiciliares e reuniões como elemento feminino, pelos cursos de corte e costura e trabalhos manuais.

Pelo fato da situação alimentar ser tão precária, teria sido desejável iniciar pelo desenvolvimento de um programa sistemático sobre alimentação. Este, entretanto, estaria condicionado a providências conjuntas, por parte da Missão e da população local, para o fomento da produção variada, instalação de hortas e pomares, e que deveriam preceder a qualquer iniciativa por parte do Setor. O problema, entretanto, não foi descurado. A educação sobre alimentação, nos povoados, foi lenta, porém constante. Em todas as visitas domiciliares foi abordado o assunto e dadas instruções sobre preparação e apresentação dos alimentos ou mesmo sobre seu aproveitamento. (idem, ibidem: p. 52-53)


Para além de uma aprendizagem de técnicas de confecção de certos objetos materiais, tais cursos acima mencionados representaram um meio através do qual se buscou também fazer surgir futuras lideranças da comunidade ou ao menos futuras mães de família imbuídas do espírito de organização da própria vida e do ambiente familiar segundo concepções mais racionais e “civilizadas”:
Com o desenvolvimento dos cursos, algumas alunas que demonstraram maior aproveitamento, passaram a atuar como auxiliares da especialista do Setor, assumindo o encargo de certas atividades no grupo, preparando-se, dessa forma, para uma futura liderança junto a novos grupos. Aliás foi preocupação constante do Setor este aspecto do trabalho educacional, considerando a escassez de pessoas habilitadas, na zona rural, para os trabalhos domésticos em bases racionais. (idem, ibidem: p.66)
A formação desta “nova mulher do campo” deveria vir a se tornar, segundo as recomendações da equipe educadora, um programa formativo permanente a se realizar em todas as regiões rurais do país. Assim, através de tal formação se produziria uma das condições fundamentais de superação do atraso da população do campo em relação aos valores e práticas inerentes ao projeto de desenvolvimento econômico e social brasileiro construído de forma mais acelerada a partir dos anos 50:
Em face da grande deficiência de conhecimentos atualizados e técnicas adequadas, entre os elementos que lideram os programas educacionais no campo das atividades domésticas, especialmente no que se refere à preparação para os encargos da vida da família, torna-se premente a necessidade da administração de cursos regionais, intensivos, de curta duração, para preparar líderes, elementos interessados no ensino em geral e também atuais e futuras donas de casa, a fim de capacitá-las para o desempenho de suas funções tanto na escola, como no lar e na comunidade.

Nesses cursos, seriam transmitidas noções básicas, orientação e informação geral, sobre assuntos tais como: orçamento, organização da casa, administração dólar, métodos de trabalhos domésticos, arranjo e higiene dólar, escolha, confecção e conservação da roupa etc. (idem, ibidem: p. 67)


Mas não apenas uma nova “mãe de família” deveria ser formada. Era necessária a formação de um novo “elemento feminino” em seu conjunto. Mais especificamente, a continuidade da extensão para as áreas interioranas do país daquele esforço civilizatório do qual a 1a Missão Rural de Educação aparece como exemplo paradigmático dependeria estrategicamente da existência de mulheres que, devido à natureza educativa mesma de seu exercício profissional, deveriam exercer impreterivelmente uma função de liderança frente ao meio em que atuam. Tal percepção se exemplifica perfeitamente, por sua vez, no fato de que mesmo um curso de enfermagem foi planejado e executado sob sua égide:
Foi organizado em agosto de 1950 um curso de enfermagem para atender à solicitação de um grande número de moças e senhoras, inclusive inúmeras professoras. (...) Neste curso visou-se, não somente ministrar ensinamentos de arte de enfermagem, como também, despertar nas alunas uma consciência comunitária, chamando-lhes a atenção para os problemas médico-sociais de sua cidade e, especialmente, os das populações rurais, incentivando-lhes o desejo de cooperar na sua solução, e descobrir líderes capazes de assegurar a continuidade do trabalho da Missão. Assim, por várias vezes, algumas moças da cidade e professoras acompanharam os técnicos da equipe em suas idas à roça.
Seguindo o mesmo intuito, o Setor de Serviço Social da Missão organizou dois cursos destinados tanto ao público feminino em geral quanto às professoras em específico. Tais cursos foram respectivamente o de “Formação Social” e o de “Atividades de Grupo”. O curso de Formação Social foi criado com a intenção de mobilizar senhoras e moças da sede do município em torno da resolução dos problemas sociais presentes neste último, fazendo com que aquelas viessem a se tornar sujeitos ativos nas ações de organização e execução de um programa de elevação das condições de vida da população local. Neste sentido, o que a equipe educadora procurou foi
(...) influir no sentido de que se processasse uma renovação de mentalidade, despertada para a realidade dos problemas sociais, não apenas no âmbito local, mas ainda no nacional e até mesmo no internacional. Grande atenção foi dada à questão da responsabilidade pessoal em face dos problemas da comunidade, bem como a da sede em relação aos distritos. Focalizaram-se questões de ordem administrativa e técnica, assim como de organização ou funcionamento de serviços assistenciais e educacionais. O máximo de participação das alunas no debate dos assuntos foi sempre procurado e estimulado, a fim de que as aulas não permanecessem num plano teórico. (idem, ibidem: p. 81-82)
Já o curso de Atividades de Grupo voltou-se para uma melhoria das práticas docentes na escola primária assim como para a promoção de um maior comprometimento das professoras frente a necessidade de elevação das capacidades intelectuais não apenas dos alunos como também de seus pais. A professora primária, pela posição social que ocupa na comunidade, deveria estar sempre liderando os esforços de organização da vida comunitária e das iniciativas de criação de espaços de elevação cultural e convivência ainda não existentes na localidade onde se encontra a escola:
O curso de Atividades de Grupo reuniu 43 professores, funcionando à tarde, duas vezes por semana. Constava de aulas teóricas, debate e trabalhos práticos. Abordaram-se questões de pedagogia moderna, no sentido de promover uma certa renovação nos métodos de ensino. Particular atenção foi dispensada ao estudo das instituições escolares e extra escolares – bibliotecas infantis, clubes agrícolas e clubes recreativos etc. – não tanto em sua estrutura,mas quanto ao processo de sua implantação e aos princípios que devem reger o seu funcionamento,para que sejam, de fato, instituições dinâmicas, integradas na escola e para que proporcionem aos escolares oportunidades de um autêntico aprendizado de vida democrática. Acentuou-se ainda a importância da colaboração entre a escola e a família, examinando-se algumas formas em que poderiam efetivar-se – visitas domiciliares, círculos de pais e mestres etc. (idem, ibidem: p. 82)
Vê-se dessa forma, que a necessidade de melhoria da escola serviu também como meio através do qual buscou a equipe educadora atuar privilegiadamente junto aquela que estava em contato mais próximo e permanente com as comunidades rurais, ou seja, a professora rural. Novamente aqui foi o tema da racionalização das práticas, hábitos e métodos vigentes na escola que serviu de mote para um trabalho de formação dos que pudessem garantir a continuidade da disseminação dos valores a partir dos quais atuava a Missão.

Considerações finais
Da análise das atividades da 1a Missão Rural de Educação pode-se concluir que o projeto de desenvolvimento do país, posto em prática pelo Estado em bases mais complexas a partir dos anos 50, caracterizou-se também por um imprescindível esforço de disseminação para o conjunto da sociedade brasileira dos princípios organizativos inerentes aos espaços fabris que desejavelmente deveriam vir a ser a locomotiva da produção da riqueza nacional. Simultaneamente buscou-se também a incorporação ativa de um contingente maior da população brasileira à ordem política democrática instaurada no pós-guerra.

A experiência piloto de organização comunitária combinada com a oferta de oportunidades de elevação da escolaridade aqui discutida aparece como exemplo paradigmático do esforço industrializante encetado pelo Estado. Tratava-se de criar pólos de irradiação de um novo padrão de vivência econômica, política e social baseado no associativismo e na criação de espaços de organização da vida política em nível local visando tanto a elevação dos índices de produtividade e renda de uma dada comunidade das regiões mais interioranas do país quanto a propagação dos valores e práticas mais típicos de uma sociedade democrática.



O discurso referente ao campo da educação em particular e dos processos formativos em geral, formulado no momento histórico aqui abordado, assume que os princípios e práticas a estes correspondentes deveriam vir a ser adotados também no âmbito do setor produtivo agrícola e, intrinsecamente ligado a este primeiro objetivo, como forma de educar o conjunto da população brasileira no sentido da incorporação de novos hábitos e atitudes típicos do que poderíamos denominar uma “civilização industrial”, a qual deveria suplantar os vícios arcaicos característicos de uma sociedade cuja área rural permanecia oferecendo escassas condições de vida e participação nos rumos de sua comunidade à grande maioria de seus habitantes.

Referências Bibliográficas
CABRAL, José Irineu, LUPPI, Plínio, PEREIRA, Aylda Faria da Silva, GUEDES, Ruth & TORRES, Yonita Ascenço. Missões Rurais de Educação: a experiência de Itaperuna. Rio de Janeiro, Ministério da Agricultura/Serviço de Informação Agrícola: 1952. 205 p.






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