Missão educativa marista um projeto para o nosso tempo



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MISSÃO EDUCATIVA MARISTA

UM PROJETO PARA O NOSSO TEMPO



Discípulos de Marcelino Champagnat,

Irmãos e Leigos, juntos na missão, na Igreja e no mundo,

entre os jovens, especialmente entre os mais abandonados,

somos semeadores da Boa-nova

com um estilo Marista próprio,

na instituição escolar e

em outras estruturas de educação,

olhamos para o futuro com audácia e esperança.

Comissão Internacional de Educação Marista

(1995-1998)



MISSÃO EDUCATIVA MARISTA

UM PROJETO PARA O NOSSO TEMPO

2ª edição

São Paulo, 2000

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)

(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

Missão educativa marista : um projeto para nosso tempo / Comissão Interprovincial de Educação Marista (1995-1998); [tradução Manoel Alves, Ricardo Tescarolo] -- 2. ed. -- São Paulo : SIMAR, 2000.


Título original: In the footsteps of Marcellin Champagnat.

Bibliografia.

1. Champagnat, Marcelino, Santo, 1789-1840

2. Evangelização 3. Irmãos Maristas - Educação

I. Comissão Internacional de Educação Marista (1995-1998)

00-2519 CDD-370.1



Título Original: In the Footsteps of Marcellin Champagnat – A Vision for Marist Education Today

Tradução: Ir. Manoel Alves, Ricardo Tescarolo

Revisão das notas: Joaquim Silveira

Revisão sintática: Ir. Virgilio Josué Balestro
Diagramação:

SIMAR - Secretariado Interprovincial Marista

Rua Cesário Ramalho, 288 - Cambuci

SÃO PAULO - SP - 01521-000

Telefone / FAX: (11) 270 5576

Correio eletrônico: simar@marista.org.br


SUMÁRIO


Comissão Internacional de Educação Marista

(1995-1998) ................................................................... 6

Apresentação ................................................................ 7

Introdução .................................................................... 14


1. Discípulos de Marcelino Champagnat. ..................... 18

2. Irmãos e Leigos, juntos na missão, na Igreja

e no mundo. .................................................................. 28

3. Entre os jovens, especialmente entre os mais

abandonados. ............................................................... 36

4. Somos semeadores da Boa-nova. ........................... 41

5. Com um estilo Marista próprio ................................. 51

6. Na instituição escolar ............................................... 60

7. Em outras estruturas de educação .......................... 71

8. Olhamos para o futuro com audácia e esperança. 83


Anexo 1 - Questões para reflexão e

aprofundamento ..................................... 87

Anexo 2 - Textos históricos e subsídios

correspondentes às notas de rodapé ..... 90

Anexo 3 -. Índice temático .......................................... 173

Bibliografia .................................................................. 183



Comissão Internacional de Educação Marista (1995-1998)

Ir. Henri Vignau - Conselho Geral - Roma

Ir. Jeffrey Crowe - Conselho Geral - Roma

Ir. Carlos Martinez Lavin - México

Ir. Dominick Pujia - Estados Unidos

Ir. Honoré Rakatonorivo - Madagascar

Ir. Manoel Alves - Brasil

Ir. Manuel de Léon - Filipinas

Ir. Mark Farrelly - Austrália

Ir. Maurice Bergeret - França

Ir. Miguel Cubeles - Espanha

Prof. Alberto Libera - Bolívia

Profa. Emma Casis - Filipinas

APRESENTAÇÃO


Com imensa alegria, apresento aos Irmãos e leigos, Educadores Maristas, o presente documento intitulado MISSÃO EDUCATIVA MARISTA – Um projeto para o nosso tempo. Este é “um documento oficial do Conselho Geral para orientar a Missão Educativa do Instituto em resposta ao mandato do XIX Capítulo Geral de 1993”. Ele integrará a agenda do próximo Capítulo Geral, para ver que aprimoramentos ou adaptações serão necessárias e decidir se é oportuno considerá-lo um documento oficial do Instituto.

1Agradecimentos


Meu primeiro pensamento, ao escrever esta apresentação, é de gratidão a todos os Educadores Maristas, cujo amor pelas crianças e jovens e cuja dedicação à sua Missão Educativa lhes têm permitido não somente prolongar o espírito que herdamos de Marcelino Champagnat, mas também enriquecê-lo durante 181 anos de nossa história marista. É evidente que estou pensando, de maneira especial, naqueles Irmãos que tiveram de lidar com mudanças educacionais e socioculturais e foram bastante criativos para dar respostas específicas às necessidades que surgiam. De modo particular, gostaria de agradecer a todos aqueles que, ao longo de nossa história, têm buscado manter viva a finalidade fundacional de Marcelino Champagnat: oferecer uma educação a todos aqueles privados da oportunidade de adquiri-la ou marginalizados pela sociedade.

Agradeço sincera e especialmente àqueles Irmãos que, animados de espírito apostólico, mesmo quando sua idade ou saúde os impedia de prosseguir, com todo o vigor, o trabalho que realizaram ao longo de suas próprias vidas, foram capazes de descobrir novas maneiras de presença e novas tarefas que poderiam executar no ministério apostólico da educação, dentro ou fora do sistema escolar.

Expressando o meu agradecimento, não poderia esquecer aqueles leigos e leigas que, durante estas recentes décadas, se têm engajado na educação inserida no contexto da ação marista. Penso neles especialmente por seu entusiasmo e amor pela obra educacional de Marcelino Champagnat. Confiança mútua entre Irmãos e leigos maristas tem facilitado descobrir os dons de cada um e trabalhar numa ação educacional conjunta, baseada na complementaridade de nossas vocações. A experiência de “parceria na Missão” que estamos habitualmente vivendo juntos, Irmãos e leigos, impulsionou a iniciativa deste documento e foi a fonte de inspiração para a sua redação.

2A Comissão Internacional


O Conselho Geral confiou a elaboração deste documento a uma comissão internacional composta de Irmãos e leigos. Tenho consciência de que eles dedicaram muito tempo a isso, promovendo consultas em todo o Instituto, vivendo momentos de busca e certo grau de frustração motivada pela complexidade que este tema tem em si, e pela multiplicidade de realidades vividas no Instituto no que concerne à sua Missão Educativa, realidades que nem sempre podem ser igualadas umas às outras.

Gostaria de mencionar nominalmente os membros da comissão, como meio de agradecer e congratular-me com eles pelo serviço que nos prestaram e pelo amor que colocaram na realização da tarefa que lhes foi confiada. São eles: Irmão Jeffrey Crowe (Conselheiro Geral), Irmão Henri Vignau (Conselheiro Geral), Irmão Carlos Martínez Lavin (México), Irmão Dominick Pujia (EUA), Irmão Manoel Alves (Brasil), Irmão Honoré Rakatonorivo (Madagascar), Irmão Manuel de Léon (Filipinas), Irmão Mark Farrelly (Austrália), Irmão Maurice Bergeret (França), Irmão Miguel Cubeles (Espanha), Prof. Alberto Libera (Bolívia) e Profa. Emma Casis (Filipinas).


3As etapas da caminhada


Começando com os anos logo após o Concílio Vaticano II, o Instituto Marista teve de confrontar-se com novas situações que o afetaram em vários níveis.

Na primeira etapa, foi necessário que os Irmãos, em atitude de escuta do mundo e da Igreja, reestudassem as origens do Instituto e as intuições fundacionais de Marcelino Champagnat, avaliando, assim, a nossa trajetória através da história, formulando novamente a nossa identidade e, a partir daí, a nossa atual Missão de Evangelização, de maneira coerente com a inspiração que deu origem ao Instituto. Tudo isso foi maravilhosamente expresso nas Constituições do Instituto, texto fundamental para os Irmãos, aprovadas pela Santa Sé, em 1986.

Vou citar, das Constituições, quatro artigos que podem ajudar-nos a melhor situar a Missão do Instituto Marista e o documento que ora apresento. Por favor, tenham consciência de que estou transcrevendo apenas algumas partes de cada artigo.

Marcelino Champagnat “fundou o nosso Instituto para a educação cristã dos jovens, particularmente os mais necessitados”. (artigo 2)

Suscitado pelo Espírito Santo, o nosso Instituto é enviado pela Igreja. Continuando o Padre Champagnat, evangeliza, sobretudo educando os jovens, particularmente os mais abandonados.” (artigo 80)

Trabalhando em instituições escolares ou em outras estruturas de educação, consagramo-nos a serviço da pessoa humana, por amor ao Reino.” (artigo 85)

Partilhamos a nossa espiritualidade e nossa pedagogia com os pais, professores e outros membros da comunidade educativa.” (artigo 88)

Ulteriormente, os Capítulos Gerais promoveram a renovação do Instituto, considerando as mudanças mais significativas que ocorreram nas nossas sociedades e os vários campos nos quais realizamos a nossa Missão Educativa. Deixe-me mencionar algumas mudanças, à guisa de exemplo:

A mudança de mentalidade de estruturas, levando-nos da “escola dos Irmãos” para a “escola marista”, incluindo aqui Irmãos e leigos, caracteriza uma escola baseada na “parceria na Missão”, na qual Irmãos e educadores leigos são indistintamente chamados a assumir responsabilidades de animação e/ou administração.

O impacto das mudanças culturais que ocorrem em nosso mundo sobre a educação, que afetam os seres humanos em todas as suas dimensões, com ênfase especificamente na cultura orientada para os jovens, e as mudanças sociais e políticas daqueles países, onde o Instituto está presente.

No passado recente, crianças e jovens eram, em certo sentido, “sujeitos passivos” da educação. Eles iam à escola para receber orientações, valores, formação religiosa e conhecimentos que os preparariam para a vida. E tudo isso enfatizava certos aspectos da organização escolar e a maneira de agir das pessoas que se dedicavam à educação. Hoje, novos conceitos de educação e relações interpessoais requerem dos educadores um especial talento para penetrar no mundo dos jovens, caminhar ao lado deles como seus amigos, motivá-los e acompanhá-los enquanto buscam pessoalmente realizar aquilo a que são chamados.

Acrescentarei um quarto aspecto: a pluralidade educacional que existe no Instituto. O fato de estarmos presentes em quase 80 países implica diversidade no planejamento educacional, idiossincrasias locais, conviver ecumenicamente com outras religiões, enfrentar intolerância ou exclusão religiosa, liberdade para desenvolver o currículo, financiamento público para a educação. Além disso, os Irmãos, algumas vezes, animam ou administram escolas diocesanas que possuem seus próprios programas educacionais.

Tudo isso com conseqüências para a Missão Educativa Marista, tendo-nos talvez faltado criatividade para promover iniciativas que nos permitiriam estar com as crianças e os jovens em “novos contextos culturais” nos quais eles vivem. Temos estado, algumas vezes, muito passivos diante da discriminação ou da falta de assistência financeira de certos governos em relação à Escola Católica, e em alguns lugares apoiamos escolas que atendem primeiramente estudantes da classe média e oriundos de famílias economicamente estáveis.

Além disso, nesses países, abandonamos talvez a iniciativa de desenvolver, com ajuda vinda da sociedade, outras possibilidades, favorecendo a criação de novas formas de presença na pastoral da educação para estudantes que carecem de recursos ou que estão à margem da sociedade.

4Momento histórico


A diversidade de países, culturas e sistemas educacionais nos quais o Instituto Marista está presente têm-nos conduzido a uma maior descentralização. Apesar disso, é possível identificar os elementos fundamentais que caracterizam o nosso estilo de educação. A Comissão que elaborou o documento com o título “A Missão Educativa Marista – um projeto para o nosso tempo” tentou dar relevo à atualidade do documento, o qual fornece instrumentos que ajudarão Irmãos e leigos a discernir a nossa Missão em fidelidade ao carisma herdado de Marcelino Champagnat e, a partir desse mesmo ponto de vista, avaliar os frutos humanos e evangélicos das nossas ações educacionais, transformando-as ou transferindo-as, se for necessário.

O documento convida-nos a olhar para o futuro com audácia e esperança, mas sugere algumas orientações para guiar-nos ao longo desta caminhada. Reafirma o importante papel realizado pela escola, mas também nos convida a empreender novos projetos educacionais, dentro ou fora do sistema escolar, sempre considerando a nossa preferência pelos estudantes menos favorecidos, os desafios com que os jovens devem confrontar-se, a presença e proximidade devidas a eles, porque, em nossos dias, nós, educadores, “devemos ouvir, questionar, investigar, rezar e olhar para o nosso mundo através dos olhos da juventude”.

Sublinho o convite para abrir-nos para a solidariedade universal, buscando maneiras de colaborar com outros grupos, sejam eclesiais, humanitários ou governamentais, ou com organizações mais diretamente envolvidas com a dignidade e os direitos da criança.

5Caminhemos juntos, Irmãos e Leigos.


Nas visitas que faço às Províncias, tenho encontros com vários grupos de leigos nas nossas escolas. Em uma ocasião, fiquei agradavelmente surpreso pelo modo como um grupo se expressou a seu respeito: “Em nossa Província, estamos fazendo isto ou aquilo..., temos implantado um programa..., quando o nosso Irmão Provincial nos visita...”. Os Irmãos do Conselho Geral têm tido experiências similares. Quando as pessoas falam dessa maneira, eu não necessito perguntar se elas se sentem parte da Família Marista e se Marcelino Champagnat ocupa um lugar importante no seu comprometimento na educação cristã. Esta maneira de falar permite-me considerá-los como meus Irmãos e Irmãs Maristas Leigos com os quais posso abertamente partilhar as alegrias, as limitações e as esperanças que vivemos no Instituto Marista.

Espero que este documento nos ajude a caminhar juntos, Irmãos e leigos. Seguramente, necessitamos de um pouquinho de paciência e habilidade para superar os erros que podemos cometer, porque todos nós temos de aprender como realizar a nossa “parceria na Missão”, para que ela desabroche. Sobretudo, podemos ajudar-nos uns aos outros, para crescermos no espírito educativo que herdamos de Marcelino Champagnat. A sua canonização oferece-nos oportunidade para ler e absorver profundamente as páginas que seguem.

Desejo, por fim, expressar o meu reconhecimento e a minha gratidão em nome dos Irmãos do Conselho Geral e deixar a minha cordial saudação para vocês todos.

Roma, 15 de agosto de 1998.



Ir. Benito Arbués, fms

Superior Geral
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