Missão educativa marista um projeto para o nosso tempo



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3. Entre os jovens, especialmente os mais carentes

89(52) Os jovens que Champagnat desejava servir preferencialmente.


Já que desejam consagrar-se à instrução das crianças – finalidade de sua vocação – o que eu aprovo totalmente, gostaria de que vocês dedicassem os primeiros passos de seu zelo às crianças mais ignorantes e mais abandonadas. Assim, proponho-lhes ensinarem nas aldeias da paróquia.

Vida, p. 69.

A instrução das crianças em geral e, em particular, dos pobres órfãos, é o objetivo de nosso Estabelecimento. Assim que terminarmos a casa de l’Hermitage e que pudermos utilizar uma boa captação de água para atender às necessidades da obra, receberemos as crianças das casas de caridade; ensinar-lhes-emos um ofício, dando-lhes educação cristã. As que mostrarem pendor para a virtude e a ciência serão aproveitadas na casa.



Prospectus, 1824, 10.

O objetivo da Congregação é também dirigir abrigos ou patronatos para a reabilitação de jovens com problemas ou expostos a perder os bons costumes.



Statuts, 1828, 9.

Os Irmãos de Maria, que têm por objetivo principal a educação dos pobres, ensinarão a leitura, a escrita, o cálculo, os rudimentos da Gramática e sobretudo a prática da Religião. Suas escolas serão gratuitas e acordarão com os municípios os meios de lhes garantir uma existência honesta e pouco onerosa.



Statuts, 1830, 1

90(53) Seguindo o exemplo do Fundador


A pobreza de coração do Padre Marcelino Champagnat revela-se sobretudo em sua confiança na Providência. A fundação de nosso Instituto é a prova, sempre atual, de que a fé permite todas as audácias.

Constituições, 33.

Por fidelidade a Cristo e ao Fundador, amamos os pobres. Prediletos de Deus, eles atraem sobre nós os favores divinos e nos evangelizam.

Guiados pela voz da Igreja, de acordo com nossa vocação própria, nós nos solidarizamos com os pobres e suas causas justas. Reservamos-lhes nossa preferência, onde quer que estejamos e qualquer que seja nosso trabalho. Gostamos dos lugares e das casas que nos permitem partilhar a condição deles e aproveitamos das ocasiões de contato com a realidade de sua vida cotidiana.

A preocupação pelos pobres leva-nos a descobrir as causas de sua miséria e a libertar-nos de qualquer preconceito ou indiferença para com eles. Torna-nos mais responsáveis no uso dos bens que devemos partilhar com os mais necessitados.

Evitamos escandalizá-los com um teor de vida demasiado confortável.

Nossa missão de educadores junto aos jovens compromete-nos a trabalhar pela promoção da justiça.



Constituições, 34.

A experiência ensina que a vitalidade de uma família religiosa está intimamente ligada à maneira como ela pratica a pobreza evangélica... Nossa preferência é para com os pobres, com os quais partilhamos nossa vida e nosso trabalho.



Constituições, 167.

91(54) Os clamores dos jovens


Para nós, filhos de Champagnat, esses clamores tornaram-se “sinais dos tempos”:

O clamor sofrido de tantos pobres e marginalizados, de todo o mundo, deixados à beira do caminho.

O clamor angustiado dos jovens desempregados, cujos talentos são menosprezados.

O clamor silencioso dos rejeitados, dos sem-voz, sem liberdade, dos que padecem extrema solidão.

O clamor desesperado de jovens que buscam o sentido de sua vida e procuram a felicidade em paraísos artificiais.

Clama ao céu a injustiça dessas estruturas geradoras de tanto sofrimento:

O clamor de meninos e meninas de rua, abandonados, condenados a vida subumana.

O clamor de crianças vítimas da fome e da guerra.

O clamor de crianças desanimadas diante do fracasso escolar.

O clamor de crianças de famílias mal constituídas ou desfeitas.

O clamor de crianças que sofrem violência sexual.

Por trás de cada um desses rostos sofridos, está o rosto de Jesus. Por trás desses clamores, ressoa o grito de Jesus na cruz.

Mas há também gritos e sinais de esperança:

dos que se comprometem em garantir os direitos humanos;

de todos os que constroem a paz;

dos que combatem a miséria;

de todos os que trabalham por uma sociedade mais justa;

dos que participam da missão de educar;

de todos os que se empenham na salvaguarda da criação;

de todos os que anunciam o Evangelho.

Nesses sinais de esperança germinam as sementes do reino de Deus e manifesta-se a presença do Espírito.

Irmãos Solidários, p. 4 (n. 5, 6, 7).

92Sinais de Esperança


A sede e a busca de Deus e do sentido da vida por parte dos jovens, embora, às vezes, o façam em manifestações equívocas.

O desejo dos pobres e marginalizados de se tornarem protagonistas de sua libertação e desenvolvimento, particularmente diante de estruturas opressivas.

A luta dos cidadãos na implantação de estruturas democráticas em seu país, para conseguir que os direitos humanos e a liberdade sejam mais respeitados.

A crescente sensibilidade pelos valores da cultura.

A criação de associações não governamentais e de organizações populares para realmente socorrer as vítimas de catástrofes, guerras, fome e de outras necessidades.

O trabalho dos jovens na implantação da justiça e o seu compromisso de promover a transformação social.

Depois do Vaticano II, a Igreja modificou sua imagem e tomou maior consciência de sua missão. Entre outros, destacamos três aspectos mais significativos:

consciência de ser Povo de Deus;

opção preferencial pelos pobres;

visão do mundo, onde o Espírito está agindo.

Concretamente, apesar das múltiplas tensões, estão se produzindo modificações no funcionamento da Igreja e na abordagem de sua missão:

diálogo com as outras religiões;

respeito pelas outras culturas;

papel e participação dos leigos, homens e mulheres;

reconhecimento da subsidiariedade e do pluralismo;

ênfase da dimensão comunitária.



Irmãos Solidários, p. 12-13 (n. 8, 9, 10).

93(55) Como tratar com os alunos difíceis


João Batista fica órfão e vive um pouco como um selvagem. O Padre Champagnat, auxiliado por pessoas piedosas, vem em socorro da mãe moribunda, abandonada pelo marido numa pobreza extrema. Depois da morte da mãe, João Batista não conseguiu viver com as crianças da família caridosa, dos vizinhos que o acolheram. Então M. Champagnat o confia aos Irmãos. O Ir. João Batista, historiador de nosso Fundador, escreveu:

“Acostumado a viver na vadiagem e a seguir sem freio as más inclinações, não agüentou enquadrar-se em regulamentos de escola... Fugiu várias vezes, preferindo mendigar comida e viver vida de rua a submeter-se à disciplina escolar. Os Irmãos...desanimados... acabaram pedindo ao Pe. Champagnat que o abandonasse à própria sorte, ‘pois, disseram-lhe: estamos perdendo tempo com esse rapaz. Mais cedo ou mais tarde, seremos obrigados a mandá-lo embora’. M. Champagnat teve de exortar os Irmãos à paciência e à coragem durante longos meses. Finalmente, João Batista Berne ‘mudou inteiramente, tornou-se calmo, dócil, ajuizado, parecia um anjo’. Depois da primeira Comunhão, solicitou admissão ao noviciado. Veio a ser Irmão piedoso, regular, obediente. Faleceu como um santo, na idade de vinte e um anos, nos braços do Padre Champagnat, cheio de gratidão pelo grande bem que lhe fizera.”



Cadernos Maristas, IV, p. 74-75; cf. Vida, p. 477-479.

94(57) Audazes e determinados


Cremos que participamos da missão de Jesus, “enviado para anunciar a Boa Nova aos pobres”. E porque hoje, mais do que ontem, aumenta o número de pobres e marginalizados a quem o Evangelho não é anunciado, sentimo-nos chamados a reviver “a experiência do jovem Montagne”, por fidelidade a Cristo e ao Fundador; a despertar para a solidariedade e para a evangelização; esse é o melhor serviço que possamos prestar à humanidade.

Irmãos Solidários, p. 19 (n. 10).

Chegou o momento de assumir, coletivamente, de modo decidido e sem equívocos, o apelo evangélico à solidariedade.



Irmãos Solidários, p. 21 (n. 20).

Vamos aos jovens lá onde eles estão. Vamos com ousadia aos ambientes, talvez inexplorados, onde a espera de Cristo se revela na pobreza material e espiritual. Em nossos encontros, manifestamos-lhes atenção marcada pela humildade, simplicidade e esquecimento de nós próprios.

Apresentamos-lhes o Cristo, a Verdade que liberta, Ele que chama a cada um pelo nome. Ajudamo-los a descobrir sua vocação na Igreja e no mundo. Permanecemos disponíveis ao Espírito Santo que nos interpela através das realidades de suas vidas e que nos impulsiona a ações corajosas.

Constituições, 83.

95Discernir os apelos


A fidelidade à nossa missão exige atenção contínua aos sinais dos tempos, aos apelos da Igreja e às necessidades da juventude. Esta atenção facilita-nos a adaptação das estruturas e a tomada de decisões corajosas, por vezes inéditas. A escolha de nossas opções apostólicas faz-se no discernimento comunitário e com a mediação dos Superiores.

Constituições, 168.

96(58) Transformar nossas obras


As obras estão influindo enormemente em nossa vida, e isso é normal. Mas é importante que essa influência não nos domine, que não nos prive de liberdade evangélica. É preciso procurar como transformar nossas obras para que respondam aquilo de que a Igreja e os jovens precisam, para que nos ajudem a ser verdadeiramente aquilo a que fomos chamados e a que entregamos nossa vida: apóstolos de Jesus Cristo, discípulos de Champagnat.

Ir. Benito Arbués. Caminhar em paz, mas depressa. Circulares, v. XXX, I, p. 44 (n. 31).


97(59) Enfrentando alguns riscos


Tenhamos a audácia de abandonar certas seguranças para mais nos aproximarmos dos pequenos e dos pobres. Não receemos ir ao encontro de todos os que estão nas fronteiras da sociedade. Como catequistas, sejamos entusiásticos anunciadores da Boa Nova.

Irmãos Solidários, p. 8 (n. 20).

Nos tempos modernos, a atividade missionária desenvolveu-se sobretudo em regiões isoladas, longe dos centros civilizados e inacessíveis por dificuldades de comunicação, de língua e de clima. Hoje a imagem da missão ad gentes talvez esteja mudando: lugares privilegiados deveriam ser as grandes cidades, onde surgem novos costumes e modelos de vida, novas formas de cultura e comunicação que, depois, influem na população. É verdade que a “escolha dos menos afortunados” deve levar a não descuidar dos grupos humanos mais isolados e marginalizados, mas também é verdade que não é possível evangelizar as pessoas ou pequenos grupos, descuidando dos centros onde nasce — pode-se dizer — uma nova humanidade, com novos modelos de desenvolvimento. O futuro das jovens nações está se formando nas cidades.

Falando de futuro, não é possível esquecer os jovens que, em numerosos países, constituem mais da metade da população. Como proceder para que a mensagem de Cristo atinja esses jovens não-cristãos, que são o futuro de inteiros continentes? Evidentemente, já não bastam os meios tradicionais da pastoral: são necessárias associações e instituições, grupos e centros específicos, iniciativas culturais e sociais para os jovens...

Redemptoris Missio, 37(b).

98(60) Sentido de urgência


“É importante criar novas presenças que sejam pontos de referência para recriar nossa vida em missão, segundo o carisma do Pe. Champagnat. A refundação do Instituto precisa dessas fundações que tornem visível e atual a intuição do Pe. Champagnat, sensível às necessidades de seu tempo, sobretudo diante da ignorância religiosa e das situações de pobreza da infância e da juventude (cf. Constituições 2). Sei que é difícil pensar nisso, quando se constata a limitação dos recursos humanos. É aí onde se estabelece a avaliação, creio eu, da fortaleza ou debilidade de nossa fé.”

Ir. Benito ARBUÉS, Caminhar em paz, mas depressa, Circulares, v. XXX,I, p. 44-45 (n. 31).

Nosso pensamento se dirige às jovens gerações que se acham excluídas do âmbito escolar, aos 130 milhões de crianças e adolescentes impossibilitados de freqüentar a escola e aos 100 milhões, aproximadamente, que abandonam a escola antes de completarem sua educação (cf. UNESCO, Relatório da Comissão Internacional sobre a Educação para o século XXI, 1966). Esta realidade, junto à extrema pobreza das famílias, deveria levar-vos a investir corajosamente seu carisma educacional, nascido do ardor da caridade, em novas fundações onde as várias formas de pobreza são piores, e em respostas pedagógicas responsáveis e adequadas às novas exigências da formação integral da juventude.

Sagrada Congregação para a Educação Católica, Carta aos Superiores Gerais, p. 11.

O Capítulo pede ao Instituto que se comprometa prioritariamente com os mais pobres. Cada Província entrará num processo de discernimento. Depois implantará, nos próximos quatro anos, pelo menos um projeto significativo de presença marista junto às crianças e aos mais abandonados. Esse projeto será elaborado e realizado em colaboração com leigos.

Irmãos Solidários, p. 9 (n. 27).

Cremos que a opção preferencial pelos pobres é imperativo evangélico que nos compromete a trabalhar em nossa missão de educadores para a promoção da justiça e que nos torna corajosos, para irmos a lugares talvez inexplorados. E porque hoje, mais do que ontem, apesar dos progressos tecnológicos, o analfabetismo está aumentando, sentimo-nos chamados a enfatizar a solidariedade como princípio essencial de nossa educação e a colocar nossas instituições a serviço dos pobres.

Empenhar os responsáveis, em todos os níveis, a privilegiar os novos projetos destinados às crianças e aos jovens desfavorecidos.

Engajar todas as Unidades Administrativas à maior colaboração entre si, possibilitando maior mobilidade dos Irmãos, quando se trata de um projeto de solidariedade.



Irmãos Solidários, p. 19-20 (n. 9, 14, 15).
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