Missão educativa marista um projeto para o nosso tempo


COM ESTILO MARISTA PRÓPRIO



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5. COM ESTILO MARISTA PRÓPRIO.


97. O nosso estilo educativo baseia-se em uma visão integral, que se propõe conscientemente a comunicar valores. Ao partilharmos essa visão com outros educadores, principalmente os cristãos, empregamos uma abordagem pedagógica própria, desenvolvida inicialmente por Marcelino Champagnat e pelos primeiros Maristas, e que era inovadora em muitos aspectos.

98. Fazemos nossa a convicção de Marcelino Champagnat: “para bem educar as crianças é preciso, antes de tudo, amá-las, e amá-las todas igualmente”.103 Desse princípio fundamental decorrem as características próprias do nosso estilo educativo: presença, simplicidade, espírito de família, amor ao trabalho, ser e agir do jeito de Maria. Procuramos adotar essas atitudes e valores como o nosso modo próprio de inculturar o Evangelho. É o conjunto desses elementos e a sua interação que dão ao nosso estilo a sua originalidade, inspirada pelo Espírito Santo.


25Presença104


99. Educamos, sobretudo, sendo presença junto às crianças e aos jovens, demonstrando-lhes que nos preocupamos com eles e estamos atentos às suas necessidades. Dedicamos-lhes o nosso tempo, além das relações meramente profissionais, buscando conhecer cada um pessoalmente. Individualmente, e como grupo de educadores, estabelecemos com eles um relacionamento baseado no amor, que crie um clima favorável à aprendizagem, à educação dos valores e ao seu desenvolvimento pessoal.105

100. Esforçamo-nos para nos aproximar da vida dos jovens.106 Buscamos encontrá-los nos seus próprios ambientes e através de sua própria cultura. Criamos oportunidades para nos envolver nas suas vidas e acolhê-los nas nossas. Na ação escolar, procuramos prolongar a nossa presença através do tempo livre, do lazer, das atividades esportivas e culturais, ou quaisquer outros meios.

101. Nossa presença não deverá ser excessivamente vigilante, tampouco negligentemente tolerante. Ajudamos os jovens com nossa presença preventiva, aconselhamento e prudência. Tentamos, respeitosamente, ser firmes e exigentes com eles, permanecendo, contudo, otimistas e sempre dando prioridade ao seu próprio desenvolvimento.107

102. Por meio da nossa presença atenta e acolhedora, marcada pela escuta e pelo diálogo, conquistamos a sua confiança e promovemos neles uma atitude de abertura. Isto é tanto mais verdade quanto mais tempo permanecemos com eles. Se esta relação não é possessiva, pode daí nascer uma amizade duradoura.


26Simplicidade108


103. A nossa simplicidade se expressa no trato com as crianças e os jovens, sobretudo por meio de uma relação autêntica e sincera, tomada despretensiosamente e sem duplicidade. Declaramos o que acreditamos e demonstramos acreditar no que declaramos. Tal simplicidade é fruto da unidade entre espírito e coração, ser e agir, revelando que somos sinceros em relação a nós mesmos e a Deus.109

104. À simplicidade acrescentamos a humildade e a modéstia, que constituem as “três violetas” da nossa tradição marista, permitindo que Deus aja por meio de nós, buscando “fazer o bem sem barulho”. Sendo conscientes das nossas limitações e potencialidades, estaremos mais aptos a compreender os jovens, respeitando-os na sua dignidade e liberdade.110

105. A nossa maneira de educar, como a de Marcelino Champagnat, é pessoal, prática e enraizada na vida real. De igual modo, a simplicidade de expressão, que evita toda a ostentação, orienta a nossa resposta às possibilidades e às exigências das nossas obras educativas atuais. No nosso ensino e estruturas organizacionais, demonstramos a simplicidade como critério.

106. Orientamos os jovens a adotarem a simplicidade como um valor para as suas próprias vidas, encorajando-os a serem autênticos em todas as situações, abertos e verdadeiros, e firmes nas suas convicções. Em um mundo impregnado de superficialidade, nós os ajudamos a valorizar a si mesmos e aos demais pelo que são, não se deixando seduzir pelo ter e pela fama. Contribuímos também para que valorizem uma vida integrada, equilibrada e baseada no amor, construída sobre a rocha do amor de Deus.


27Espírito de família111


107. O grande desejo e legado de Marcelino Champagnat é que nos relacionemos uns com os outros e com as crianças e jovens a nós confiados, como membros de uma família que se ama.112 Propomo-nos realizar isso, mesmo nas nossas obras educacionais mais complexas.

108. Onde quer que estejamos, comprometemo-nos a construir comunidade entre todos aqueles que participam das nossas instituições e atividades, os que trabalham conosco, as crianças e os jovens sob a nossa responsabilidade e as suas famílias.113 Cada um deve sentir-se em casa entre nós. Uma acolhida calorosa, aceitação e sentido de pertença deve prevalecer, de modo que todos se sintam estimados e valorizados, qualquer que seja a sua função ou posição social.

109. A nossa forma de nos relacionarmos com as crianças e jovens é ser irmãos e irmãs para com eles.114 Como em família, compartilhamos a vida com os seus sucessos e fracassos; apresentamos padrões de honestidade, respeito mútuo e tolerância, mostramos-lhes que acreditamos na sua bondade, não confundindo a pessoa, com os seus atos, quando um erro é cometido. Estamos prontos a confiar uns nos outros, a nos perdoar e a nos reconciliar.

110. No âmbito escolar, o nosso espírito de família se opõe a uma educação de massa ou orientada para os resultados acadêmicos, que não respeita a dignidade e as necessidades individuais dos educandos. Pelo contrário, damos atenção preferencial àqueles, cujas necessidades são maiores, aos que são mais carentes ou que atravessam momentos difíceis.

111. Os que exercem funções de direção ou coordenação adotam uma estrutura organizacional que reflita nossos valores. Encorajam um espírito de parceria, de responsabilidade compartilhada e, ao mesmo tempo, de autonomia responsável de cada pessoa envolvida no processo educativo.

28Amor ao trabalho115


112. Marcelino Champagnat era homem de trabalho, enérgico inimigo da preguiça. Ele próprio formou-se com esforço tenaz e total confiança em Deus, e com essas características impregnou o seu ministério paroquial, fundou a sua família religiosa e empreendeu todos os seus projetos.116 Marcelino Champagnat, como construtor, mostra-nos a importância de estarmos dispostos a “arregaçar as mangas”, preparados para fazer o que for necessário à realização da nossa Missão. Seguimos o seu exemplo, sendo generosos de coração, constantes e perseverantes no trabalho cotidiano, bem como nos esforços empreendidos na nossa própria formação permanente.

113 No ambiente escolar, o amor ao trabalho implica uma cuidadosa preparação das nossas aulas e atividades educacionais, a correção das tarefas e dos projetos dos alunos, o planejamento e a avaliação das nossas atividades, os programas e o acompanhamento daqueles que experimentam qualquer tipo de dificuldade.117 Isso exige que sejamos prospectivos e decididos a desenvolver respostas criativas às necessidades das crianças e dos jovens.

114 Em uma sociedade afetada pelo consumismo e pelo desperdício, optamos por preparar as novas gerações para descobrir a dignidade do trabalho. Pelo nosso exemplo, elas aprendem que o trabalho é um meio importante de realização pessoal, dando sentido à vida, e de contribuição para o bem-estar econômico, social e cultural da sociedade. Desse modo, cada um de nós torna-se “co-criador”, continuando a obra da Criação, com alegria e esperança.

115 Reconhecemos a trágica realidade do desemprego. Em tal situação, oferecemos ajuda concreta para que os jovens mantenham a sua dignidade e auto-estima, e sejam criativos e perseverantes nos seus esforços de preparação para o trabalho.

116 Mediante a pedagogia do esforço, procuramos ajudar as crianças e os jovens a desenvolver caráter forte e vontade firme, consciência moral equilibrada e valores sólidos em que fundamentar as suas vidas. Desenvolvemos um sentido de motivação e de organização pessoal que se traduza no adequado emprego do seu tempo, dos seus talentos e da sua capacidade de iniciativa. Promovemos o trabalho em equipe, ajudando-os a adquirir um espírito cooperativo e de sensibilidade social, para servir aos que necessitam.

29Do jeito de Maria118


117. Maria é para nós modelo perfeito de Educador Marista, como ela foi para Marcelino Champagnat. Mulher e leiga, e primeira discípula de Jesus, orienta nosso caminhar na fé. Como educadora de Jesus em Nazaré, inspira o nosso estilo educativo.

118. Maria foi peregrina na fé, como nós. Embora educada na tradição do seu povo, ela admirou-se com a extraordinária intervenção de Deus na sua vida. Ainda que “escolhida entre todas as mulheres”,119 conheceu a dureza de dar a luz um filho em lugar inóspito e distante do lar, e de viver como refugiada. Os seus pés conheceram o pó das estradas.120

119. Maria experimentou as alegrias e as dificuldades da vida. Maravilhou-se diante da grandeza de Deus, mesmo quando se sentia perplexa. Na fé, abriu-se à ação do Espírito Santo. Na fé, ponderou os acontecimentos da sua vida e da vida de seu Filho. Na fé, respondeu com o coração aberto, sem esperar respostas para todas as suas perguntas, desde o “sim”, na Anunciação, até o sofrimento ao pé da Cruz.121 Na fé, ela humildemente se tornou membro da nova família de seguidores de Jesus, que desejavam apenas cumprir a vontade do Pai.122

120. Maria manteve, em todos os momentos, a sua missão de mãe e de educadora na comunidade cristã. Junto com José, em Nazaré, propiciou a Jesus a unidade familiar e o amor de que necessitava para crescer na sua humanidade.123 Na adolescência de Jesus, deu-lhe espaço para desenvolver sua própria identidade. Mesmo quando isso provocou algum mal-entendido, comunicava-lhe a sua confiança e continuava ajudando-o a crescer “em sabedoria, idade e graça”.124

121. A dimensão marial de nossa espiritualidade se expressa sobretudo nas atitudes de Maria para com os outros e para com Deus. Ela nos convoca, no seu cântico, o Magnificat,125 a testemunhar a solidariedade de Deus com o seu povo nas suas necessidades e sofrimentos. Ela nos convida a fazer tudo o que Jesus disser.126 Ela é, no nosso meio, símbolo de unidade e de missão, como foi para os Apóstolos no dia do Pentecostes.127 Como Marcelino Champagnat, vemos em Maria a nossa Boa Mãe e Recurso Habitual,128 expressando-lhe a nossa devoção de modo pessoal, familiar, simples e segundo as práticas da Igreja e das tradições locais.

122. Impregnamos desta dimensão marial, conscientemente, a nossa catequese e os nossos momentos de oração com as crianças e os jovens. Convidamos todos eles a amar e honrar Maria, inspirando-os a imitar a sua ternura, a sua força, a sua constância na fé, e a dirigir-se a ela, com freqüência, na oração.

123. Em tudo o que fazemos, associamo-nos a Maria, para fazer Jesus nascer nos corações das crianças e dos jovens: “Tudo a Jesus por Maria. Tudo a Maria para Jesus”.129 

30Herdeiros de um ideal


124. Nós nem sempre fomos criativos e fiéis como poderíamos na resposta às necessidades da juventude. Entretanto os nossos contatos com contextos culturais e religiosos em todo o mundo têm enriquecido a nossa herança, pelo zelo de gerações de Irmãos e de um número crescente de Leigos nas últimas décadas. Enriquecemo-nos, também, ao longo dos anos, ao incorporarmos as inovações das abordagens pedagógicas e do desenvolvimento do pensamento teológico.

125. A mesma fidelidade criativa e o mesmo zelo nos levam, em cada uma de nossas ações apostólicas, a seguir Marcelino Champagnat, permanecendo entre as crianças e os jovens, especialmente os mais abandonados, como semeadores da Boa Nova, com o nosso estilo próprio de Maristas.





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