Missão educativa marista um projeto para o nosso tempo



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6. NA INSTITUIÇÃO ESCOLAR.


126. Um Colégio Marista é um centro de aprendizagem, de vida e de evangelização. Como instituição escolar, leva os educandos a “aprenderem a aprender, a fazer, a conviver e, principalmente, a ser”.130 Como Escola Católica, é uma comunidade em que fé, esperança e amor são vividos e comunicados, e na qual os educandos, progressivamente, são iniciados no permanente desafio de harmonizar fé, cultura e vida.131 Como Escola Católica de tradição marista, adota a abordagem educativa de Marcelino Champagnat para a educação das crianças e dos jovens, do jeito de Maria.

127. As circunstâncias e características dos Colégios Maristas espalhados pelo mundo variam muito, dependendo do contexto social, cultural, político e dos distintos dispositivos legais. Podem estar localizados em zona rural ou urbana. Incluem os diversos níveis de educação: infantil, básica, superior, e a formação docente. Funcionam em regime de externato e de internato. Tanto podem pertencer integralmente ao Instituto como ser dirigidas por Províncias, em convênio com a diocese, a paróquia ou o poder público.

128. Em todas essas nossas instituições escolares, expressamos o nosso sentido de parceria na Missão, na medida em que, unidos, constituímos uma única comunidade educativa: professores, funcionários e pais,132 apoiando-se mutuamente nos seus papéis complementares. Juntos, buscamos desenvolver um padrão de relacionamento que reflita o Evangelho e os nossos ideais maristas, e que testemunhe os valores que desejamos transmitir aos nossos educandos.

129. Juntos, desenvolvemos um projeto educativo e um conjunto de valores norteadores, baseados na ampla visão da Educação Marista apresentada neste documento.133 Tal projeto explicita a nossa identidade, o nosso ideal educativo, a nossa característica peculiar no contexto local e as nossas prioridades. Constitui-se como fonte de inspiração e referência para o planejamento, a execução e a avaliação das estruturas e das atividades educativas.134


31Processo educativo iluminado pela fé


130. Os nossos educandos são o centro das nossas preocupações em tudo o que concerne à vida e à organização escolar. Ajudamo-los a adquirir conhecimentos, competências e valores, por meio da descoberta do mundo, dos outros, de si mesmos e de Deus.135

131. Sabemos que os educandos não são iguais nas suas capacidades pessoais nem nos seus contextos culturais, familiares, religiosos e financeiros. Nos Colégios Maristas, somos sensíveis a tal diversidade, nas nossas políticas educacionais, práticas pedagógicas e quando avaliamos a sua conduta e desempenho acadêmico.

132 Seguindo Marcelino Champagnat, encorajamos as crianças e os jovens no esforço de superação, para que dêem o melhor de si mesmos.136 Comunicamos a nossa crença no seu potencial de crescimento e de êxito.137 Concedemos atenção especial aos educandos mais fracos e vulneráveis. Criamos situações de aprendizagem, onde cada um possa alcançar os resultados propostos e, assim, sentir-se seguro.

133. Definimos programas educacionais, conteúdos curriculares e métodos de ensino à luz do nosso projeto educativo e do que há de melhor no pensamento pedagógico e educacional. Procuramos atender às aspirações dos educandos e dos seus pais no que concerne aos componentes curriculares e às possibilidades de opções universitárias e de qualificações profissionais. Contando com assessoria externa, procuramos garantir que a educação que oferecemos seja social e culturalmente relevante, a longo prazo.

134. Empregamos métodos de ensino que favoreçam uma aprendizagem ativa, em lugar de mecânica. Fomentamos a expressão pessoal dos educandos por meio de projetos culturais, literários, artísticos, científicos e técnicos. Onde possível, proporcionamos oportunidades para experiências concretas de trabalho na comunidade, fora do ambiente escolar.

135. Promovendo a participação e a criatividade no processo de aprendizagem, contribuímos para que o aluno adquira autoconfiança. Buscamos não apenas desenvolver seu conhecimento e competência, mas levá-lo a aprender como trabalhar e pesquisar em equipe, a se comunicar efetivamente com os outros e a assumir responsabilidade.

136. Na nossa ação educativa, ajudamos o educando a desenvolver o seu juízo crítico sobre os valores subjacentes nos conteúdos que estudam. Levamo-los a refletir sobre as aspirações espirituais da humanidade e sobre o modo como vêm sendo expressas, nos diversos contextos culturais, ao longo da história.138

137. Coerentes com o nosso ideal de proporcionar uma educação verdadeiramente integral, incluímos nas experiências de aprendizagem dos nossos educandos a educação física, da saúde e do meio ambiente. Estimulamos as atividades esportivas como meio para desenvolver as suas habilidades físicas e a sua coordenação motora, a formação da personalidade, o espírito de equipe, a disciplina pessoal, o reconhecimento das suas próprias limitações, a capacidade de aceitar o fracasso e o desejo de obter êxito.

138. Na formação dos nossos educandos, damos especial destaque para o uso dos modernos meios de comunicação social, tais como a imprensa, a televisão, o cinema e a tecnologia da informação. Desenvolvemos as suas habilidades para que participem plenamente da sociedade contemporânea e para que estejam conscientes de como esses meios os estão influenciando para o bem ou para o mal.139

139. Somos empreendedores, nossos Colégios Maristas, na dotação de materiais e de recursos, exigidos pelas rápidas transformações econômicas, tecnológicas, científicas e sociais. Ao realizá-lo, procuramos ser prudentes no nosso orçamento e contribuições escolares solicitadas às famílias, de modo que não se excluam os menos favorecidos.

140. As nossas instituições escolares estão abertas a todos os educandos, independentemente das suas crenças religiosas, desde que as suas famílias aceitem nosso projeto educativo. Respeitosos da sua liberdade pessoal, oferecemos formação moral e espiritual para todos. Atuamos para que dêem sentido às suas vidas e se comprometam a respeitar a integralidade da criação e a viver honestamente.140

141. Em todas as nossas instituições escolares, estabelecemos estruturas de atendimento pessoal e de orientação. Assim, será possível conhecer melhor os nossos educandos, proporcionar-lhes o devido acompanhamento e favorecer o seu desenvolvimento pessoal e habilidades sociais. Para aqueles que apresentam dificuldades particulares, facilitamos o acesso a orientadores ou outros profissionais.

142. Quando as sanções disciplinares são necessárias, respeitamos a dignidade pessoal dos nossos educandos. Repudiamos os castigos corporais, as penalidades humilhantes ou qualquer severidade excessiva.141 Pelo contrário, apelamos ao senso de responsabilidade pessoal e coletiva dos educandos.142

143. A nossa tradição marista, no que se refere à disciplina, enfatiza a criação de um ambiente estimulador e fraterno, de calma e ordem, em que os educandos possam estudar e aprender, em que se possam prevenir os problemas antes que ocorram. Os regulamentos das nossas instituições escolares devem refletir claramente o nosso compromisso “com o espírito evangélico de liberdade e de caridade”.143


32Empregamos os nossos esforços para fazer das nossas instituições escolares centros de evangelização.


144. Fiéis à nossa Missão de evangelizar por meio da educação,144 com a finalidade de ajudar os nossos alunos a “harmonizar fé, cultura e vida”,145 desenvolvemos projetos explícitos para alimentar a sua fé pessoal e seu compromisso social.

145. No centro do nosso currículo escolar está o programa de educação religiosa, que deve ser abrangente, sistemático e de acordo com as orientações da Igreja.146 O nosso objetivo é familiarizar os nossos educandos com a história de Jesus e com o que isso significa para ser cristão no mundo de hoje. Oferecemos, sempre que oportuno, iniciação sacramental em colaboração com as paróquias.

146. Nas aulas de educação religiosa, focalizamos os educandos e não apenas os conteúdos: “falamos-lhes e os deixamos falar”,147 buscando ajudá-los a descobrir valores nos quais fundamentem as suas vidas. Além da sala de aula, oferecemos outras oportunidades para que expressem e desenvolvam a sua fé. Organizamos grupos de oração, retiros e outras experiências espirituais, abertas para todos.148 Celebramos a nossa fé, nos momentos especiais do ano, com liturgias cuidadosamente preparadas, nas quais se reúne a comunidade cristã dos pais, educadores e educandos.

147. Estamos atentos ao clima religioso da escola, como, por exemplo, o que diz respeito a imagens, orações diárias e espaços para o sagrado. Encorajamos expressões da nossa visão cristã do homem, do mundo e de Deus, mediante a linguagem e os símbolos contemporâneos, especialmente criações artísticas.

148. Para os jovens que desejam continuar aprofundando sua formação espiritual, iniciamos movimentos apostólicos dentro da escola. Acompanhamo-los de perto, no seu processo de amadurecimento progressivo, ajudando-os a crescer dentro da dinâmica desses movimentos.149

149. Para aqueles que desejam identificar-se mais estreitamente com a nossa espiritualidade marista, criamos movimentos apostólicos maristas. Coerentes com a nossa tradição, priorizamos a formação na oração, um forte compromisso social e eclesial e uma experiência significativa de comunidade. Apresentamos Maria e Marcelino Champagnat como modelos da nossa caminhada para Jesus.

150. Integramos as nossas instituições escolares no plano de pastoral da Igreja local. Nos países em que a Escola Católica se tem tornado a principal experiência de Igreja para muitos educandos e educadores, assumimos as responsabilidades pastorais e missionárias que isso implica, encorajando os católicos a se unirem à comunidade da sua Igreja local.150

151. Embora todos partilhem da responsabilidade pela vida de fé na escola, desenvolvemos estruturas de animação pastoral para coordenar os nossos esforços. Além de desempenharmos papel ativo na educação religiosa e nas atividades pastorais, nós, que estamos diretamente envolvidos neste apostolado, buscamos estar mais próximos pessoalmente dos educandos e dos colegas de trabalho, provendo o acompanhamento necessário e requerido.

152. Educamos pela solidariedade, sobretudo acolhendo, na mesma instituição escolar, crianças e jovens de diferentes contextos sociais e religiosos, assim como educandos desfavorecidos e marginalizados.151 Para ajudar os nossos educandos a viver de maneira positiva essa diversidade crescente nas nossas obras apostólicas, educamo-los para o diálogo e para a tolerância.152 Criamos um clima de aceitação, respeito mútuo e de ajuda, encorajando os mais fortes a apoiar os mais débeis.

153. Educamos para a solidariedade, apresentando-a como “a virtude cristã dos nossos tempos”,153 como imperativo moral para toda a humanidade, no quadro da atual interdependência global e das penetrantes “estruturas de pecado”.154 Incorporamos o desafio da solidariedade no nosso currículo, assim como ensinamos a Doutrina Social da Igreja em nossas aulas de educação religiosa e de ética.

154. Desenvolvemos a abertura em face das necessidades materiais, culturais e espirituais da humanidade, em uma perspectiva local e global. Envolvemos os nossos educandos em ações caritativas que os ponham em contato com situações de pobreza que lhes estão próximas e mobilizamos toda a comunidade educativa para expressões concretas de solidariedade.155

155. Por meio do nosso trabalho em centros de formação docente, além de prover a formação profissional, buscamos comunicar a nossa visão integral da educação e garantir a preparação para a catequese e a educação religiosa. Acompanhamos cada um, pessoalmente, na sua integração de fé, cultura e vida, como convém a futuros educadores cristãos. Também os animamos a oferecer seu serviço educativo, pelo menos durante algum tempo, em regiões mais carentes.

156. A nossa presença no campo do ensino superior nos oferece um contexto privilegiado para promover o diálogo entre fé e pensamento contemporâneo. Apresentamos elevados padrões acadêmicos de ensino e pesquisa, contribuindo para o progresso social e cultural, e proporcionando capacitação profissional e formação pessoal para os futuros líderes. Pelo nosso apostolado universitário, ajudamos os estudantes a integrar o seu desenvolvimento na fé com ética pessoal e sentido de justiça social.156

157. Convidamos os nossos ex-alunos, em particular os mais jovens, a integrarem as nossas ações pastorais e sociais, e a expressarem a formação que receberam sua vida pessoal e na sua atividade profissional.


33Transformando as nossas instituições escolares.157


158. Evitamos toda a forma de elitismo. Asseguramo-nos de que “os resultados acadêmicos, a reputação e o lucro nunca sejam obstáculos para a abertura das nossas escolas para os menos dotados ou que pertençam a famílias economicamente menos favorecidas”.158 Naquelas situações em que não existem subsídios do governo para a manutenção das Escolas Católicas, apelamos à solidariedade de todos, a fim de assegurar o acesso dos materialmente pobres.159

159. Adaptamos o currículo por nós oferecido, onde isso seja possível, para melhor atender às aptidões dos educandos e responder às realidades sociais sempre em mudança, incluindo programas de orientação vocacional que preparam a sua inserção no mundo profissional e no mercado de trabalho em geral.

160. Em colaboração com outros, fundamos novas instituições escolares, ou deslocamos as já existentes, colocando-as a serviço das famílias das regiões mais empobrecidas ou densamente povoadas, ou daquelas à margem da sociedade. Demonstramos similar iniciativa, ao estabelecermos centros profissionalizantes para atender às aspirações dos que buscam uma educação complementar ou dos excluídos do sistema educativo.

161. Identificamos, quanto antes, os educandos que estão em “situação de risco” e, em consonância com as suas famílias, elaboramos as estratégias adequadas de intervenção. Para tais crianças e jovens, e para os que possuem deficiências, desenvolvemos outros serviços especializados ou mesmo estabelecemos escolas alternativas.

162. Nas situações em que os educandos e as suas famílias estão submetidos a séria exploração, adotamos uma abordagem educativa baseada na comunidade, adaptada ao contexto social e especialmente orientada para ajudar tais crianças e jovens, a fim de que se tornem agentes da sua própria emancipação e da transformação social.

34Somos todos chamados a ser líderes.


163. Na condição de educadores, todos somos chamados a exercer liderança profissional e pastoral. Participamos de programas de formação continuada em serviço, a fim de qualificar a nossa competência pessoal nesses domínios, buscar juntos as estratégias e os métodos mais apropriados na educação da juventude de hoje e para aprofundar a nossa compreensão do caráter específico da espiritualidade e da educação católica marista.

164. De modo especial, os nossos diretores são desafiados a ser pessoas de visão, a viver o núcleo dos valores maristas e a guiar outros a vivê-los. Mais do que qualquer um, representam Marcelino Champagnat para a comunidade educativa, conduzindo-a com confiança e otimismo, animados pela espiritualidade apostólica marista.

165. Desempenhamos papel ativo nos organismos de Educação Católica dos nossos países. Partilhamos a nossa experiência educativa e evangelizadora, e aprendemos com a experiência dos outros. Juntos, cooperamos com as autoridades da Igreja, para que se mantenham em contato com a realidade do nosso apostolado. Por meio de tais organismos, da mesma forma, procuramos contribuir com a definição das práticas e políticas educacionais em âmbito local e nacional.

166. Na ação diária, árdua e laboriosa da vida escolar contemporânea, permanecemos pessoas de esperança, animadoras das crianças e dos jovens. Para todos, tanto a nós quanto aos nossos educandos, apresentamos um convite à fé, de nos tornarmos “uma humanidade nova”, pessoas de imaginação, de compromisso e de amor.160


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