Mistérios de Amor Ridge: the Avenger Leanne Banks



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Mistérios de Amor

Ridge: the Avenger



Leanne Banks



Desejo NC nº 90
NO ENIGMÁTICO OLHAR DAQUELE HOMEM, ARDIA UMA PAIXÃO QUE NÃO PODIA SER REVELADA...
Ridge Jackson fora contratado para proteger Dara Seabrook, uma missão que ele considerava fácil. Mas, ao conhecê-la, soube que seria uma tarefa bem complicada. Bonita, sensual, Dara o fez descobrir o doce encanto do amor. Só que ela era uma mulher proibida para Ridge, porque lhe despertava lembranças de um passado que ainda não fora esquecido!

Digitalização e revisão: Nell



Multi-author Sons and lovers

  1. Cindy Gerard – Lucas: the Loner – Lucas Caldwell e Kelsey Gates

UM HOMEM SÓ (Desejo 153) PtPt

  1. Susan Connell – Reese: the Untamed – Reese Marchand e Beth Langdon

INFINITO DESEJO (EGA 27.2)

  1. Leanne Banks – Ridge: the Avenger – Ridge Jackson e Dara Seabrook

MISTÉRIOS DE AMOR (Desejo NC 90)


Los Hijos Bastardos del Presidente

  1. Cindy Gerard – Lucas: the Loner: UN HOMBRE SOLO (Deseo 631) Esp

  2. Susan Connell – Reese: the Untamed: UN HOMBRE INDOMABLE (Deseo 637) Esp

  3. Leanne Banks – Ridge: the Avenger: UN HOMBRE VENGATIVO (Deseo 643) Esp

Querida leitora,

De certa forma, todo amor é misterioso. E o mistério de um sentimento que modifica completamente nossa maneira de ver o mundo, de agir, de pensar. Quando estamos apaixonados, um dia cinzento parece ensolarado, um minuto dura uma hora, e vice-versa. Tudo muda sob o efeito do amor: as convicções, os propósitos, os sonhos, enfim, a própria vida.

Em Mistérios de Amor, Ridge e Dara vivem a magnífica experiência de uma paixão que vem revolucionar suas existências, dando-lhes o poder de enfrentar quaisquer obstáculos rumo à felicidade...

Boa leitura.



Roberto Pellegrino

Editor

Copyright © 1996 by Leanne Banks

Originalmente publicado em 1996 pela Silhouette Books Divisão da Harlequin Enterprises Limited.
Todos os direitos reservados, inclusive o direito de reprodução total ou parcial, sob qualquer forma.

Esta edição é publicada através de contrato com a Harlequin Enterprises Limited, Toronto, Canadá.

Silhouette, Silhouette Desire e o colofão são marcas registradas da Harlequin Enterprises B.V.

Todos os personagens desta obra são fictícios. Qualquer semelhança com pessoas vivas ou mortas terá sido mera coincidência.


Título original: Ridge: the Avenger

Tradução: Dorothéa De Lorenzi


EDITORA NOVA CULTURAL

uma divisão do Círculo do Livro Ltda.

Alameda Ministro Rocha Azevedo, 346 – 11º andar

CEP 01410-901 - São Paulo - Brasil


Copyright para a língua portuguesa: 1996

CÍRCULO DO LIVRO LTDA.


Fotocomposição: Círculo do Livro

Impressão e acabamento: Gráfica Círculo




CAPÍTULO UM
A situação era bastante irônica, assim como o sorriso de Dara Seabrook, pensou Ridge Jackson enquanto observava a multidão de estudantes universitários que a cercavam. A afilhada do candidato à presidência, Harrison Montgomery, estava angariando os votos dos jovens com grande sucesso.

Seu entusiasmo e otimismo atraíam aquele grupo de eleitores, que, até pouco tempo atrás, repudiava Montgomery. A imprensa e a televisão estavam aos seus pés. Em outras palavras, Dara era uma preciosidade. E devia ser protegida a qualquer custo.

As universitárias admiravam sua independência e inteligência, assim como o estilo do seu penteado, pensou Ridge, com sarcasmo, lembrando-se do recente retrato de Dara na capa de uma revista de tiragem nacional.

Ridge sabia, porém, que os rapazes não estavam admirando propriamente a inteligência de Dara. Fixavam seus olhos muito azuis e a doce curva dos lábios sorridentes. Os mais ousados baixavam o olhar para o seu corpo. Um corpo, imaginou Ridge, que ficaria muito melhor despido sobre uma cama de lençóis desfeitos do que encoberto, do jeito que estava, por um vestido caro e discreto.

Ela virou-se, e Ridge pôde ver, por baixo da franja de cabelos negros, o curativo branco, que era a razão de sua presença ali. Por um instante, Ridge imaginou, como sempre fazia ao iniciar um trabalho, se iria morrer protegendo aquela mulher. Mas logo afastou o pensamento, considerando de novo a ironia daquela situação. Ele iria proteger a vida de Dara Seabrook com a sua própria e, em troca, ela lhe daria os meios para que Harrison Montgomery fosse destruído.
Clarence Merriman, coordenador da campanha regional, ajudou Dara a se aproximar da limusine, dizendo:

— Você não tinha nada o que fazer aqui hoje. Deveria ter ficado na cama e descansado. Não sei como me deixei convencer a permitir que viesse. Seu rosto está branco como giz.

Na verdade, Dara sentia-se mesmo tonta, mas jamais admitiria isso. Fingiu não entender a preocupação de Clarence e continuou andando, os saltos dos sapatos pretos afundando no gramado do campus.

— Pare de se preocupar, Clarence. A foto que tiraram para o jornal vai ser em preto-e-branco, portanto ninguém notará.

— Eu estou notando!

Ele estava indignado. Mostrou-se preocupado e segurou-a pelo cotovelo, comentando:

— Seu rosto está parecendo massa de pastel.

— Massa de pastel ou giz, afinal?

Dara sorriu para aquele homem excêntrico que ela escolhera como seu anjo da guarda, ironizando:

— Seus elogios à minha beleza envaidecem-me, mas meu estômago está roncando. Por que não comemos um hambúrguer a caminho do hotel? Aí você poderá me trancar no quarto, vou tirar estas roupas e...

Dara parou de falar abruptamente, ao ver um estranho alto que a observava, parado junto à limusine. Seus olhos eram diferentes, quase dourados. Mirou-a como a tomar nota da sua altura, peso e marcas de nascença, tudo em questão de segundos.

O terno azul-marinho não escondia os ombros largos, os cabelos negros chegavam-lhe até o colarinho, e Dara poderia ter visto nele apenas mais um homem bonito, se não fosse pelo seu ar determinado.

Ele transpirava masculinidade e força, não da forma estudada e falsa dos muitos aspirantes à política que ela encontrava todos os dias, mas de um modo que nada tinha a ver com ternos elegantes ou família influente. Dara admirou aquela rara qualidade e, ao mesmo tempo, sentiu-se intimidada.

Estava acostumada a ser observada, mas não com tanta intensidade. Aborrecida, olhou para Clarence, que examinava seu caderninho de notas.

— Oh, quase ia esquecendo — disse ele, enquanto o vento de outono virava as páginas do caderno. — O senhor deve ser o Sr. Ridge Jackson, da... da...

Clarence vasculhou suas anotações.

— Segurança Sterling — Ridge completou, com uma voz que misturava a frieza do aço com a maciez do veludo. Voltou a olhar para Dara. — Estou aqui por causa da Srta. Seabrook.

Dara sentiu um frio no estômago.

O homem apresentou sua carteira de identidade e abriu a porta da limusine, dizendo:

— Sei que a Srta. Seabrook está com a agenda cheia para hoje à noite, portanto achei que poderíamos nos conhecer a caminho do hotel.

Olhando para todos os lados, menos para Dara, Clarence clareou a garganta, antes de responder:

— Sim, é claro.

E então ela compreendeu que haviam providenciado um novo anjo da guarda, e não estava muito certa se gostava daquilo. Olhou para Clarence.

— Um momento. Pensei que tivéssemos discutido isso ontem à noite. Achei...

— Está fora da alçada do Sr. Merriman, Srta. Seabrook. O próprio Sr. Montgomery providenciou meus serviços.

Clarence olhou compungido para Dara.

— Irei no banco da frente enquanto vocês dois travam conhecimento.

Dara começou a ficar com dor de cabeça. Olhou em silêncio para o segurança, cruzando os braços sobre o peito. Toda a campanha publicitária estava começando a se concentrar nela. Tinha mais quatro semanas pela frente, antes de se expor ao público, e precisaria de todo autodomínio para controlar sua crescente impaciência com a curiosidade fútil da imprensa sobre seus cabelos, suas roupas e o esmalte que usava nas unhas. Sentia-se solitária e desconfortável. Um guarda-costas o tempo todo ao seu lado era a gota d’água para levá-la a um esgotamento nervoso.

Usou um tom de voz ríspido, pois sentiu que diplomacia não daria certo com aquele homem:

— Sua presença não é necessária, Sr. Jackson.

Ridge ergueu as sobrancelhas.

— O que me diz da garrafa de cerveja que atiraram em você?

Dara resistiu ao desejo de tocar no curativo e balançou a mão em um gesto de pouco-caso.

— Foi um incidente sem importância. Só levei alguns pontos.

— É meu trabalho fazer com que tais incidentes sejam evitados, e sei que levou quinze pontos.

Dara irritou-se com a invasão de privacidade. Alguém do comitê eleitoral dera todos os detalhes do ocorrido para aquele estranho. Insistiu:

— Isso é bobagem. Não estou correndo perigo. Não preciso de guarda-costas.

Ele não pareceu nem um pouco intimidado, porém Dara percebeu um ligeiro brilho de compreensão em seus olhos.

— Não cabe a você decidir, Srta. Seabrook.

Dara sentiu-se frustrada, mas sabia que não podia fazer uma cena. A imprensa estava por toda a parte. Entrou no carro, apoiou a cabeça no estofamento de couro e decidiu telefonar para o padrinho assim que chegasse ao hotel.

Voltou a examinar Jackson. Era muito alto, e o físico magro denotava agilidade.

Ridge olhou pela janela da limusine, estreitando os olhos, e comentou:

— Não foi este o caminho que combinei com o motorista.

Dara relanceou o olhar para as arcadas douradas e sentiu-se feliz por desafiá-lo.

— Clarence está tentando me acalmar com comida.

A limusine entrou no estacionamento da lanchonete, e Dara sentiu que seu bom humor voltava. Esboçou um amplo sorriso.

— Como quer seu hambúrguer?
De volta para a suíte do hotel, Dara relanceou os olhos pela lista de regras, diretrizes e precauções que Ridge Jackson lhe dera. Sentia-se dividida entre desinteresse, impaciência e um desejo enorme de mandar aquele homem sumir. Estava prestes a ceder ao ímpeto, quando Jackson falou:

— Não ouviu uma só palavra do que eu disse.

Ela fez um gesto de negativa e levantou-se:

— Ouvi os primeiros quinze minutos. Depois disso, tive certeza de que me levaria para uma câmara de torturas. Então me concentrei na perspectiva do banho que pretendo tomar. Por ora, a única coisa que desejo é me livrar destas roupas e mergulhar numa banheira de água quente cheia de sais aromáticos.

Aquela descrição aguçou a fantasia de Ridge Jackson. Era fácil imaginá-la nua e molhada. Seu batom sumira, e Ridge não sabia como ficava melhor: com a cor vermelha, provocante, ou com os lábios ao natural. Tentou não pensar naquilo.

— Poderá tomar banho logo. Precisamos combinar uma senha para...

— Mais tarde. Sua conversa reduziu meu banho de uma hora para quinze minutos. Ainda não estou convencida de que vai ficar. Mas, caso fique, como já me informou sobre todas as suas regras, vou lhe dar a minha: Não atrapalhe meu banho!

Assim dizendo, Dara deu-lhe as costas e entrou no quarto, fechando a porta.


— Não gosto dele — disse Dara para seu padrinho, Harrison Montgomery, enquanto se ensaboava na banheira.

Ouviu o som da risada abafada pelo telefone.

— Não acredito. Você gosta de todo o mundo.

— Não preciso de um guarda-costas.

Harrison riu outra vez.

— Sabe como eu e Helen a amamos. É a filha que nunca tivemos. Se algo lhe acontecesse enquanto faz campanha eleitoral para mim, jamais me perdoaria.

Ouvindo a sincera preocupação na voz do padrinho, Dara suspirou. Tentava convencer os outros de sua coragem sobre o incidente, mas, na verdade, sentira medo, apesar de não admitir.

— Foram só alguns pontos, querido.

— Está certo. Mais quatro semanas, e então poderá viajar para uma ilha ensolarada e esquecer tudo sobre política e guarda-costas.

Dara sentiu a voz inflexível por trás da delicadeza e soube que teria de aguentar um guarda-costas.

— Precisa ser ele?

— Por acaso foi mal-educado com você?

O tom de Harrison era ameaçador.

— Não, mas você não poderia ter arrumado alguém mais... Ou talvez alguém menos...

— O quê?

Menos seguro de si? Menos dominador? Menos sexy?

Dara chutou as bolhas de sabão, frustrada.

— Alguém mais parecido com Clarence?

— Clarence não mataria uma mosca. Consegui o melhor para esse tipo de trabalho. Andei checando, e a Segurança Sterling tem uma ótima reputação. Falei com o gerente da agência e pedi que me enviasse seu melhor guarda-costas.

Assunto encerrado. Ao terminar a conversa pelo telefone, ela sabia que o padrinho pusera um ponto final naquilo.

Dara estava presa a Jackson.
Ridge observou Dara e sentiu seus olhos azuis sobre ele. Seu rosto dizia que iria tolerá-lo, mas não se renderia. Ela não era o que Ridge imaginara. Sob todo aquele encanto suave e meigo havia uma vontade de aço.

Dara olhou-o de alto a baixo com insistência, e Ridge irritou-se.

— Está tudo bem? Quer me olhar mais de perto?

— De onde estou a visão é muito boa. Tenho certeza de que muitas mulheres costumam dizer que você é bonitão, mas isso não vem ao caso. Falei com Harrison, e ele afirmou que você é o melhor profissional no ramo.

Ridge sentiu um ligeiro arrepio ao ouvir que Montgomery conhecia suas habilidades.

Como permanecesse em silêncio, Dara suspirou:

— Ele também insiste em que seja meu guarda-costas.

— Se odeia tanto a idéia de ter um guarda-costas, por que não acaba com esse problema e desiste de ser cabo eleitoral?

Dara balançou a cabeça em negativa.

— Não é uma opção. Devo muito a Harrison e posso ajudá-lo agora, nessa função. Além disso, acredito nele. Harrison Montgomery nasceu e foi criado para ser presidente.

Ouvindo aquilo, uma profunda amargura tomou conta de Ridge. Sabia que Montgomery vinha de um lar abastado, com pais compreensivos, frequentara as melhores escolas e casara-se com uma mulher de classe. Por outro lado, ele, Ridge, crescera em meio à pobreza, criado por uma mãe solteira e alcoólatra, e só terminara o colegial numa escola pública. Porém, com a ajuda dos fuzileiros navais, vencera sua revolta e conseguira ser alguém na vida. A cega admiração de Dara por Montgomery trouxe à tona todo o seu cinismo.

— Acho que concorda com tudo o que seu padrinho diz.

Dara pensou um pouco e olhou-o com curiosidade.

— Não. Não diria que concordo com tudo o que ele prega. Mas acredito que será um grande líder para o nosso país. Minha opinião pode ser em parte influenciada por meu vínculo pessoal com ele. Harrison foi sempre a mão forte que me ajudou na vida desde que nasci.

Um clarão escuro e doloroso cruzou seu olhar, e a voz suavizou-se.

— Algumas vezes, apenas ele me deu forças.

Ridge ficou pensando qual o motivo da dor que vislumbrou, mas ela logo sorriu, confiante.

— Isso, porém, é uma outra história que não deve interessá-lo, portanto...

— Não aposte nisso.

— Não apostar em quê?

— Não tenha tanta certeza de que não me interesso em ouvir qualquer coisa a seu respeito.

Dara sentiu uma estranha excitação invadi-la. O olhar firme de Ridge fez com que se atrapalhasse toda.

— Eu... eu...

Ela ficou louca de raiva com sua gagueira. Tivera o melhor professor de dicção do país. Por que estava gaguejando agora?

Ridge continuou:

— Conhecer você faz parte da minha tarefa, e, como Montgomery já lhe disse, faço meu trabalho muito bem.

Dara entendeu. Na verdade, Ridge não estava interessado nela como pessoa, mas apenas profissionalmente. Uma onda de humilhação a invadiu, seguida de ódio. Por que deveria se importar com o que Ridge Jackson pensava a seu respeito? Ele era apenas babá de uma moça crescida.

— Precisamos ir embora para o jantar na Câmara do Comércio, Sr. Jackson. Já telefonei para meu acompanhante...

Incapaz de lembrar-se do nome, Dara franziu o cenho, procurando por sua agenda na bolsa.

— Tom — conseguiu dizer, por fim, sentindo o olhar de Ridge sobre ela e imaginando por que ele fazia com que se sentisse mais nervosa do que quando precisava enfrentar uma platéia com centenas de pessoas.

— Tom Andrews. Disse que o apanharíamos no caminho. Tudo bem?

— Ótimo. Deseja seu agasalho?

— Sim.

Dara fez menção de pegar a estola, mas Ridge a colocou em seus ombros.



— Sabe que está a salvo comigo, não sabe, senhorita?

— Claro — ela murmurou, mas algo naquela voz fez com que não se sentisse nada segura.


Ridge observava a multidão, não Dara. Afinal, era aquele seu trabalho. Mesmo assim, estava sempre consciente de cada movimento que ela fazia. Enquanto examinava as saídas, ouviu-a fazer propaganda de Harrison Montgomery. Com os olhos percorrendo a multidão, ficou imaginando como Dara conseguira motivar aquelas pessoas conservadoras a aplaudirem-na, após um breve discurso. Se ela era a arma secreta do padrinho, certamente era muito eficiente. Ridge percebeu que Montgomery acabava de conquistar mais eleitores.

Foi o suficiente para quase fazê-lo vomitar. Porém manteve o sangue-frio, como vinha fazendo ao longo de catorze anos. O momento certo chegaria, Ridge tinha certeza, e então poderia vingar-se de Montgomery. O ódio de Ridge pelo candidato à Presidência era tão intenso que desejava destruí-lo, e agora era o momento de começar a pôr seu plano em prática.

O primeiro passo era conquistar a confiança de Montgomery. Se Ridge tivesse querido consumar sua vingança a distância, bastaria ter entrado em contato com uma daquelas revistas de escândalos e contado sua história, mas arruinar Montgomery não era o suficiente. Ridge queria que Montgomery sofresse muito, que sentisse um décimo daquilo que ele sofrera ao ver a mãe morrer. Talvez, aí, o ódio tanto tempo reprimido, pudesse acabar. Então encontraria a paz...

Ridge olhou para Dara e viu-a consultar o relógio de pulso. Mandou buscar a limusine enquanto ela se despedia.

— Foi maravilhoso — disse Dara ao prefeito. — Agradeço o convite de hoje à noite.

Seu acompanhante postou-se ao lado, dizendo:

— Deixe-me levá-la até o carro. Tem certeza de que não quer sair para um drinque? Há um bar muito agradável logo ali na esquina. — Assim dizendo, colocou a mão no ombro dela, acrescentando: — Se preferir fugir da multidão, poderemos ir até meu apartamento.

Dara fez um gesto de negativa e sorriu, exibindo as covinhas do rosto.

— Adoraria, mas foi um dia muito cansativo. Talvez em outra ocasião...

Tom Andrews usou todo o seu charme.

— Ora, vamos lá, só um drinque. Fui apresentado a uma linda mulher e tenho de lhe dizer adeus três horas depois?

Caminhando logo atrás do casal, Ridge não podia culpar Tom por ser tão insistente. Porém, tinha certeza de que Tom estava pensando em usar Dara para seus fins políticos, já que estava concorrendo ao senado estadual.

Dara afastou-se um pouco de Tom.

— Adorei conhecê-lo, também, mas estou com uma agenda lotada para as próximas quatro semanas. Talvez depois das eleições...

— Só uma hora para nos conhecermos melhor.

Aos ouvidos de Ridge, a voz de Tom soou dez por cento desesperada, vinte por cento sedutora e setenta por cento hipócrita.

Ou Tom estava se fazendo de desentendido, ou tinha a sensibilidade de um elefante. Ridge decidiu que não deixaria Dara a sós com aquele homem. Ainda não haviam combinado uma senha, então ele deu um passo à frente e apontou para a porta de entrada.

— A limusine está ali, Dara. Lembre-se de que deve acordar cedo amanhã.

Ela olhou para Ridge, embaraçada:

— Na verdade, eu estava planejando dormir...

— E o doutor insistiu para que você descansasse — interrompeu Ridge, virando-se para Tom. — Tenho certeza de que compreende. — E empurrou Dara para o carro.

Tom gritou para ela:

— Você tem meu endereço. Telefone!

— Sim, Tom, obrigada.

Dara lançou um olhar de desaprovação para Ridge enquanto ele tentava jogá-la para dentro do carro.

— Quer esperar um minuto? Não desejo ser mal-educada.

— Faz parte do meu serviço evitar que você fique muito exposta. Estamos no meio da rua.

Ela fez um gesto de aborrecimento e entrou no carro.

— Nunca mais faça isso, Ridge. Não vou permitir que aja como se fosse minha governanta. Não pretendia continuar a noite com Tom, mas você não tem direitos sobre minha vida particular.

— É meu dever protegê-la, não importa com quem esteja.

— E se eu quiser ter um encontro? Até onde vai seu dever? Pretende invadir meu quarto também?

Ridge semicerrou os olhos ao ouvir aquilo. Em outras circunstâncias, aquela insinuação teria provocado uma boa resposta. Se estivesse no quarto de Dara Seabrook, não ficaria só tomando conta dela, com certeza.

— De acordo com sua ficha, desde que tornou-se cabo eleitoral, nunca teve um envolvimento romântico ou levou um homem para passar a noite em seu quarto...

Dara ficou indignada. Mesmo na penumbra do carro, Ridge pôde perceber suas faces vermelhas.

Minha ficha! Quem foi o patife que lhe deu esse tipo de informação particular a meu respeito? Quem...

— É procedimento de rotina.

Ridge manteve a voz calma, lembrando que a ficha também dizia que Dara não costumava se exaltar com facilidade.

— Essas informações são dadas para que eu conheça seus hábitos. Se quiser, eu as mostro para você.

Dara parecia querer avançar contra ele, e Ridge não sabia se aquilo o irritava ou divertia.

— Pode estar certo de que vou querer vê-las, mas há o outro lado da questão. Se terei de ficar com você todos os dias, durante as próximas quatro semanas, quero sua ficha também.


CAPÍTULO DOIS


Dara pensou que talvez tivesse ido longe demais.

Ridge ficou olhando para ela com ar de desafio. Desabotoou o paletó, revelando o coldre escuro da arma em contraste com a camisa branca e recostou-se no assento da limusine, as pernas afastadas, numa típica postura masculina, e perguntou, com aquela voz de veludo e aço que começava a soar familiar para Dara:

— O que deseja saber?

Ela imaginou que Ridge usava o mesmo tom de voz ao falar com uma namorada, só que, no caso, perguntaria: "O que deseja que eu faça, meu bem?"

Dara censurou-se por aqueles pensamentos. Brincar com Ridge era brincar com fogo. Se fosse prudente, deveria esquecer aquela história. Porém seu orgulho feminino estava em jogo e ela pressentiu que, se voltasse atrás agora, perderia sua autonomia nas próximas quatro semanas. Esquecendo o medo, Dara empertigou-se no assento e respondeu:

— Idade.


— Trinta anos.

— Há quanto tempo está nesse serviço?

— Por quê?

— Seus modos, seu jeito de andar, os sapatos bem engraxados...

— Dez anos, como fuzileiro.

— E é guarda-costas há...

— Dois anos, como civil. Trabalhei em casos especiais como guarda-costas ainda quando era fuzileiro.

Dara hesitou. Seu instinto pedia que respeitasse a privacidade dos outros, mas continuou:

— Família?

— Não tenho ninguém. Minha mãe e meus avós já morreram.

Sem esposa. Sem mãe. Sem filhos. Dara pensou que nada disso era da sua conta.

— Você não gosta de falar a seu respeito, não é?

— Aprendi que devo manter conversação com os clientes. Torna o trabalho mais leve. Porém a maioria não está interessada em mim. Apenas espera que eu faça meu serviço.

Dara imaginou o tipo de cliente habitual de Ridge: homens de negócios, talvez cantores de rock, estrangeiros... Provavelmente o tratavam como se fosse parte da mobília.

— Acho que não sou como a maioria de seus clientes, sou?

— Não.


— O que mais sabe a meu respeito?

— O habitual. Formou-se em artes há três anos e foi trabalhar para Montgomery. Recebi um resumo sobre seus contatos mais próximos e alguns hábitos: não gosta de dormir muito tarde quando tem um dia cheio pela frente. Não costuma ser autoritária, mas faz valer sua opinião. Tenho de concordar com isso.

— E não agiria assim se estivesse na minha situação?

Ridge afrouxou a gravata.

— Sim. A ficha diz que você tem muitos amigos, mas colocou-os em segundo plano por causa das eleições. Mantém contato com sua mãe. Saiu com uma dúzia de homens nos últimos meses por questões de interesse da campanha de seu padrinho, e recusou um segundo encontro com todos eles.

— E acha difícil entender por quê? Tenho sempre um acompanhante para cada compromisso da agenda. Faz parte do trabalho, mas esses homens são todos iguais. Todos querem a mesma coisa, e não se trata do meu coração ou do meu corpo.

Ridge olhou para as pernas de Dara, como se duvidasse daquela última afirmação.

Ela ajeitou o vestido e continuou:

— Todos querem me usar para se aproximar de Harrison.

— E você permite?

Dara hesitou, tentando perceber como a conversa voltara para um campo tão pessoal.

— Minha ficha não informa isso, Ridge?

Ele sustentou-lhe o olhar e meneou a cabeça, negando.

Dara suspirou. Ainda sentia uma ponta de dor ao lembrar-se de como se apaixonara por um homem que a usara para conseguir associar-se a seu padrinho. A experiência fora traumática.

— Parece tolice, mas quero que os homens se interessem por mim pelo que eu sou. Quero alguém que não se importe com o fato de eu ser afilhada de Harrison Montgomery.

Dara estava muito consciente da proximidade de Ridge, dos joelhos quase se tocando, do seu perfume almiscarado e másculo misturando-se ao dela, e sentia-se curiosa a respeito dele.

— E você? O que deseja de uma mulher?

Um silêncio pesado caiu sobre eles. Ridge inclinou-se para Dara e colocou as mãos sobre suas pernas. Seus dentes brilharam em um sorriso cheio de malícia.

— Está me fazendo uma proposta, Srta. Seabrook?

O coração de Dara disparou.

— Eu... eu... não! Estava só imaginando...

— Também imagino o que se passa na sua cabeça quando suas pálpebras estremecem.

Com a boca seca, Dara olhou para Ridge.

Ele introduziu o polegar debaixo da barra do seu vestido e começou a deslizá-lo pela coxa de Dara, enquanto dizia:

— Imagino até muito mais, porém, se pensa que vou me aproveitar de você, tranquilize-se. Meu trabalho é proteger seu corpo, e o farei, ainda que isso signifique protegê-la de mim mesmo.

Ridge parou de acariciá-la e afastou-se.

— É minha política nunca me envolver com os clientes.

Dara sentia-se impotente. Deveria ter dado um tapa em Ridge. Da próxima vez o faria. Tomando fôlego e rezando para que suas mãos parassem de tremer, respondeu:

— Muito bem. Parece uma política muito sábia.

Soltou um suspiro de alívio quando a limusine parou na porta do hotel.


Clarence entregou a sacola para Dara com uma expressão desconfiada.

— Aqui estão. Como você encomendou.

Sentada no sofá da sala de visitas da suíte do hotel, ela olhou dentro da sacola e sorriu.

— Obrigada. Parecem ótimos. Encontrou alguém para me ensinar?

Clarence arrumou a gravata borboleta.

— Perguntei discretamente a algumas pessoas no comitê eleitoral, mas ninguém parece ter nenhuma experiência com... patins.

Ridge observava a cena com interesse.

Dara suspirou, afastando uma mecha de cabelos úmidos para trás da orelha. Acabara de tomar banho, e vestia jeans com rasgões estratégicos que deixavam ver um pouco de pele nua, e uma camiseta bem justa nos seios. Parecia mais uma colegial do que a sofisticada deusa da imprensa. Estava sem maquilagem e descalça.

— Daria tudo para não ter de fazer isso.

Clarence aquiesceu, com simpatia.

— Forrester deveria ter falado com você antes, mas sabe como ele é impulsivo. Poderíamos tentar cancelar.

— Mais fácil morrer.

Ridge tentava juntar os pedaços da conversa. Sabia que Drew Forrester era o assessor de imprensa de Montgomery. Perguntou, por fim:

— Cancelar o quê?

Ambos olharam para ele, os olhos de Dara cheios de reserva. Tentava ignorar a presença de Ridge desde a noite anterior, e ele imaginava que fora por causa da sua atitude ousada no carro, presumindo que Dara queria flertar com ele. Não deveria ter feito aquilo, mas ela era tão arrogante que quis dar o troco, e agora estava um tanto arrependido. A última coisa de que precisava era ser seduzido pela afilhada de Montgomery.

— Cancelar o quê? — voltou a perguntar.

Foi Clarence quem respondeu:

— Bem, parece que o Sr. Forrester aceitou um convite para a Srta. Seabrook participar de um torneio de atletismo para promoção da campanha do Sr. Montgomery.

Dara o interrompeu:

— Drew prometeu às três maiores redes de televisão e espalhou aos quatro ventos que eu irei patinar na parada da próxima semana. — Tirou da sacola o par de patins in-line rosa e preto, comentando, com um olhar de desafio para Ridge: — Estou surpresa que isso não estivesse também na minha ficha: não sei patinar, não sei esquiar, mal sei dançar. Levei muito tempo para aprender a andar de saltos altos.

Ridge conteve a vontade de rir com aquela confissão.

— Por acaso sabe patinar, Ridge? Poderia ajudar Dara?

Ela levantou-se do sofá, aborrecida.

— Claro que não, Clarence. Não faz parte das obrigações do Sr. Jackson me ensinar a patinar, e tenho certeza de que ele também não sabe.

Ridge rebateu, em um tom casual:

— Sei, sim, e poderia ensiná-la. Já patinei muito quando garoto. Cheguei a ganhar um prêmio.

Estava surpreso por lembrar-se de algo bom de sua adolescência, quando tudo de que recordava sempre eram suas tristezas e as crises da mãe.

Clarence ficou animado. Perguntou que número de patins Ridge calçava e já estava longe quando Dara tentou detê-lo.

— Clarence! Espere! Não quero... Oh, Deus, salve-me dos homens que controlam minha vida. — Virou-se para Ridge: — Não sabe no que está se metendo. Pode ser bom com uma arma, em lidar com bandidos, mas isso vai ser pior.

— Sou paciente.

— Vai precisar de muita paciência e habilidade.

— Sou habilidoso.

— Você não entende. Vai ser necessário um milagre. Nem ao menos consigo equilibrar um livro na cabeça por um segundo. Sou uma mulher desequilibrada!

Um silêncio mortal invadiu a sala enquanto Ridge tentava conter o riso. Dara ficou embaraçada.

— Não quis dizer nesse sentido.

— Sei que não.

— Quis dizer que tenho problemas em me equilibrar sobre as coisas, como patins e saltos altos.

— Entendi.

Dara lançou um olhar ameaçador para Ridge.

— Se ouvir você fazer uma gracinha sequer sobre eu ser desequilibrada...

— Eu não disse nada...

— Mas pensou!


Três horas depois, em um pequeno e tranquilo parque, depois de ter caído sentada no concreto vinte vezes, Dara começou a tirar os patins.

— Chega! Não vou conseguir sentar por uma semana.

— Você está desistindo — Ridge comentou, surpreso.

— Não estou, não. Tentarei de novo dentro de alguns dias.

Surpresa, ela sentiu as mãos de Ridge sobre as suas.

— Uma última tentativa. Dessa vez, seguro você.

Dara não queria que ele a tocasse e já recusara seu auxílio antes.

— Não vai poder me ajudar na parada. Tenho de conseguir sozinha.

— E vai conseguir. Venha!

Com gentileza, fez com que ela se erguesse. Dara protestou:

— Vou cair novamente. Vou...

A voz de Ridge soou cheia de determinação, seu corpo, um muro sólido e forte:

— Não, não vai. Você vai aprender a patinar. Garanto.

Dara sentiu um frio no estômago.

— Você sempre foi assim determinado?

Um brilho surgiu nos olhos de Ridge, como se estivesse se lembrando de algo.

— Creio que sim. Alinhe os patins. Olhe para cima. Se ficar olhando para os pés, acabará tropeçando. Tem de ver para onde anda. — Começou a patinar atrás de Dara, empurrando-a de leve. — E você? Quando começou a ser teimosa?

Apoiando-se em Ridge, Dara tentava ignorar os braços fortes, o modo como as mãos seguravam sua cintura, o hálito cheirando a menta junto ao seu rosto.

— Acho que usei o termo "determinado".

— Está certo. Sempre foi assim determinada?

Começaram a patinar com mais velocidade, e Dara apertou o braço dele.

— Foi minha mãe quem me criou. Ela era muito doente. Tive então de ser a parte forte.

Sentiu o olhar de Ridge pousado intensamente sobre ela.

— Minha mãe também era muito doente.

Uma onda de mútua compreensão os invadiu. Por um momento, algo os uniu. O mesmo tipo de experiência que os moldara, ferira e deixara marcas. Dara percebeu que tinham alguma coisa em comum e, pela primeira vez em muito meses, não se sentiu sozinha.

— Por quanto tempo ela esteve doente, Ridge? Aquela pergunta fez voltar a distância entre os dois.

Ridge respondeu, seco:

— Do dia em que nasci até o dia em que morreu. Ela era alcoólatra.

Dara sentiu a dor naquelas palavras. Ele encarou-a. Dara achava aqueles olhos fora do comum e agora entendia o porquê: eram imperiosos e indomáveis, como os olhos dos leões.

A proximidade de Ridge transmitia sensualidade e emoção. O peito dele estava muito próximo dos seios de Dara, e o coração dela batia descompassado. Sentiu um enorme desejo de continuar se abrindo para Ridge.

— Minha mãe tem uma doença mental. Quando toma os remédios, fica bem, mas às vezes se esquece. Gostaria de ter tido meu pai por perto. E o seu pai?

O olhar de Ridge se tornou sombrio.

— Também não estava presente.

— Meu pai morreu. Ele...

— Teria sido melhor que o meu tivesse morrido também — cortou Ridge, a voz sem emoção, os olhos cheios de ódio.

Dara sentiu que ele se tornava mais uma vez distante e, embaraçada, olhou para os patins, tropeçando, arremessando-se, sem querer, sobre o peito de Ridge.

— Oh! Desculpe.

— Você olhou para baixo de novo — ele murmurou, sua boca muito próxima à testa de Dara.

Lutando por recobrar o equilíbrio, ela disse:

— Eu sei, eu sei. Acho que já tive bastante aula por hoje. O concreto já fez muitos estragos no meu traseiro.

— Pare de me empurrar. Vai levar outro tombo.

Dara pensou que cair seria melhor do que continuar segurando Ridge.

— Vou sentar e tirar os patins.

— Deixe-me ajudá-la.

— Não!

Ridge olhou para ela, espantado. Dara tentou sorrir, falando em voz mais baixa:



— Obrigada, mas posso me ajeitar sozinha. Você já fez demais.

Aquelas últimas palavras eram a pura verdade. Ridge fizera demais.


Após deixarem o parque, Ridge conservou-se a distância, de propósito. Dara voltou a falar o mínimo possível com ele. Ridge sentiu falta das confidências no parque, embora soubesse que aquilo não deveria ter acontecido.

Ele sentira vontade de beijá-la. Não com suavidade, mas um beijo de tirar o fôlego, as línguas se tocando. E não era apenas assim que desejava tocar em Dara.

Ridge decidiu tirar aquilo da cabeça. Precisava de Dara, mas não como mulher. Precisava dela para atingir Montgomery.

Ao chegarem à suíte do hotel, ela leu as mensagens recebidas e franziu a testa.

— Preciso telefonar para minha mãe e para Drew.

Preocupada, correu para o quarto.

— Ela está bem, Dara?

Ela olhou para Ridge, seus olhos se encontrando pela primeira vez desde que haviam deixado o parque. Um misto de cautela e desejo de se abrir brilhava nos olhos azuis de Dara, e Ridge viu que se enganara ao pensar que ela era fria e superficial.

— Não sei — respondeu, baixando o olhar. — Obrigada por perguntar.

Duas horas depois, após ficar ouvindo a voz abafada de Dara ao telefone e o barulho da água do banho, Ridge a viu voltar à sala escura onde ele assistia à televisão. Ela olhou, gulosa, para os dois pedaços de pizza dentro da caixa de papelão.

— Sirva-se — ofereceu Ridge.

— Tem certeza?

De pé junto à mesinha de café, Dara ficou imaginando se não teria sido melhor ficar no seu quarto o resto da noite. Poderia esperar até a manhã seguinte para contar a Ridge sobre as mudanças de plano, mas sentia-se agitada e faminta.

— Pode comer. Quer cerveja ou refrigerante?

— Creio que não há margaritas aí nem biscoitos de chocolate, certo?

Ridge sorriu.

— Essa é uma lista dos seus petiscos favoritos?

— Parte da lista. Já tomei um bom banho. Ainda bem que não caí de joelhos patinando hoje; assim, posso esconder a vergonha do público.

— Creio que é por causa disso, então, que você não se senta. Que tal levarmos uma almofada da próxima vez?

— E fazer com que a imprensa publique uma foto minha caindo na almofada?

Ridge entregou-lhe um refrigerante.

— Devo cuidar do seu corpo e, creia-me, seu traseiro é muito bonito para...

Do meu traseiro cuido eu, muito agradecida. Não precisa se preocupar tanto com ele. Creio que minha segurança, de modo geral, é que é sua principal obrigação.

— Se você quer assim...

Nervosa, Dara engoliu um pedaço de pizza. A meia-luz, com o jeans puído e a camisa aberta, Ridge estava muito sexy. Ela se apressou em acender as luzes.

— Como está sua mãe, Dara?

— Bem, mas vou telefonar mais para ela nas próximas duas semanas. Pareceu-me um pouco solitária.

Ridge percebeu os olhares furtivos de Dara sobre o seu peito, e uma onda de orgulho masculino o percorreu, mas logo reprovou-se.

Dara estava ruborizada.

— Estou muito cansada. Obrigada pela pizza. Acho que vou dormir. Boa noite. — Começou a dirigir-se para o quarto, mas parou no meio do caminho. — Só mais uma coisa. Drew disse que vamos gravar uma entrevista com a MTV, portanto nos encontraremos com Harrison na próxima...

— Harrison — repetiu Ridge como se tivesse levado um banho de água fria. Sentiu as pernas bambas.

Dara sorriu.

— Sim. Harrison Montgomery, o futuro presidente dos Estados Unidos da América. Nossa entrevista será na próxima semana. Se quiser conhecê-lo, poderei apresentá-lo.

Ridge não disse nada. Não conseguia falar. Em meio a seus pensamentos atribulados, viu Dara ir para o quarto e fechar a porta. Se quisesse conhece-lo, ela poderia apresentá-lo. Aquelas palavras ecoavam em seu cérebro, e ele pensou o que Dara Seabrook sentiria se soubesse que iria apresentar Montgomery a seu filho Ridge.

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