Mistérios de Amor Ridge: the Avenger Leanne Banks



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CAPÍTULO CINCO
Acima do rumor em seus ouvidos, Ridge distinguiu a voz de Dara.

— Harrison, este é Ridge Jackson, meu guarda-costas.

— Prazer em conhecê-lo — disse Montgomery, estendendo a mão. — Suas referências são excelentes. Tirei um peso dos ombros ao saber que alguém com experiência está protegendo minha afilhada.

Ridge assentiu, em silêncio, apertando a mão de Montgomery. O que deveria dizer? "Obrigado, papai"?

E então aquele momento passou, sobre o qual fantasiara durante toda a sua infância: o instante em que seu pai diria que procurara por seu filho durante muito tempo e estava tão feliz por tê-lo encontrado. Após a morte da mãe, as fantasias de Ridge haviam mudado, e ele sonhara em cuspir no rosto de Montgomery quando o encontrasse pela primeira vez, amaldiçoando-o.

No momento da realidade, todavia, Ridge ficou paralisado e nada fez.

Prendeu a respiração até que Harrison e sua Dara fossem levados às pressas para o estúdio onde o público os aguardava. Uma onda de tristeza e raiva percorreu Ridge. Afastou com irritação aquele sentimento e tomou posição. Montgomery não era importante. Afinal, tinha um trabalho a fazer.

Ridge concluiu, com frieza, que eles formavam um casal de sonhos, em frente à platéia. Montgomery e Dara respondiam sobre todos os assuntos com segurança, desde como ajudar os necessitados até o tipo de roupa favorita de cada um, e se Dara tinha ou não alguém especial em sua vida.

Diante daquela pergunta, ela fez uma pausa, e seus olhos procuraram Ridge, incertos.

O senador veio em seu socorro.

— Se existe alguém, ela vai ter de pedir a aprovação do padrinho.

O público riu.

Uma jovem fez a próxima pergunta:

— Senador Montgomery, já que nunca teve filhos, como pode entender de verdade os crescentes problemas que os pais têm de enfrentar ao criar crianças na sociedade moderna?

Ridge ficou estático.

O rosto de Montgomery refletiu um lampejo de tristeza.

— É verdade que Helen e eu nunca tivemos filhos, embora os quiséssemos. Dara foi a filha que nunca concebi, e tive a sorte de participar de todos os estágios de sua vida desde a infância.

Assim dizendo, Montgomery sorriu para Dara, acariciando-lhe a mão.

Ridge sentiu o estômago revirar.

Montgomery iniciou seu discurso propriamente dito:

— Como presidente dos Estados Unidos, será meu dever não olhar para sexo, raça, religião ou experiências pessoais ao tomar decisões políticas. Eu...

Ridge não prestou atenção ao restante do discurso. Como em um sonho, o estúdio de televisão pareceu sumir, e ele estava de novo no ambiente pobre de sua infância, na sua casa, com sua mãe, enquanto lhe sobrevinha a última crise. Foi quando destilara todo o ódio que sentia por Harrison Montgomery e contara a Ridge que ele era filho ilegítimo do político.

Ridge poderia causar um estrago enorme na estrada de Montgomery para o sucesso, se resolvesse falar agora. Teria sua vingança, a melhor que poderia imaginar: com muito público.

Não soube o que o impediu. A idéia o tentava, agravada pela vingança. Mas, ao pensar em tentação, lembrou-se de Dara. Não conseguia explicar por que seu desejo por ela se intensificara tanto, quase fazendo-o esquecer da necessidade de castigar Harrison Montgomery.

Voltou a lembrar-se da mãe na manhã seguinte à revelação sobre seu pai. Ela estava fria... morta. Como gostaria que tivesse sido Harrison no lugar dela!

O público irrompeu em aplausos, e Ridge acordou de seu sonho. Seu olhar encontrou o de Dara. Havia algo diferente naquela moça. Ela irradiava uma espécie de luz e, quando Ridge estava em sua companhia, percebia que passara a vida imerso na escuridão.

Nesse momento, Montgomery passou um braço ao redor de Dara. Ridge cerrou os dentes. Sentia o dilema de estar entre o desejo e o ódio.
Dara não conseguia mais aguentar aquela inquietação. Ridge estava calado fazia muito tempo, olhando para o céu de Manhattan.

Muito longe dela.

Embora aquele comportamento não fosse novidade, dessa vez a incomodava mais do que sempre. Impaciente, resolveu fazer alguma coisa.

— Vou nadar um pouco na piscina — anunciou.

Ridge virou-se para ela.

— Pensei que estivesse cansada.

Ela encaminhou-se para o quarto.

— Estou, mas acho que algumas braçadas vão me ajudar a dormir melhor hoje à noite. Se não quer ir, chame Ray.

Uma parte dela queria que Ridge fizesse aquilo, mas ele respondeu:

— Eu vou.

— Ótimo. Vai queimar nesse seu terno de lã, junto à piscina aquecida.

Esperava mesmo que ele o queimasse.

Na piscina, Ridge ficou observando Dara nadar de um lado para o outro, com movimentos sincronizados. Não estava competindo, mas também não estava brincando. Com seu maiô preto e os longos cabelos molhados parecendo uma cortina de seda negra sobre a água, Dara era uma imagem graciosa e sexy.

Ridge pensou que deveria ter deixado Ray vir em seu lugar. Apenas aquela vez. Entretanto, lá estava ele, vigiando Dara.

Ela mergulhou e começou a voltar com braçadas compassadas. Cada vez que erguia o braço, seus seios arqueavam-se para cima e os olhos de Ridge se fixavam naquelas curvas femininas.

Dara batia as pernas, e o olhar de Ridge acompanhava o movimento dos quadris. Por um longo instante, cravou os olhos na junção das coxas brancas e sentiu uma enorme excitação. Forçou-se a desviar o olhar.

Dara nadou mais um pouco de costas e depois mudou para nado de peito. Ela queria ficar muito cansada; tanto que, quando sua cabeça tocasse o travesseiro, caísse em um sono profundo e sem sonhos. Evitando o olhar de Ridge, subiu a escadinha e pegou a toalha. A fim de quebrar o silêncio, perguntou, enquanto se enxugava:

— O que achou do especial da MTV?

Ridge deu de ombros.

— Parece que foi bom. A multidão adorou você, e Montgomery deve ter ganhado mais alguns votos.

— Drew estava em estado de graça.

— Pensei que você quisesse matá-lo — lembrou Ridge, outra vez, enquanto a conduzia ao elevador.

Apesar do seu humor, Dara sorriu.

— Já que Harrison depende tanto dele, decidi poupá-lo até depois das eleições. Tenho a impressão de que você não gosta muito de Drew.

— Jamais gostei muito de políticos.

Dara concordou. Podia perceber isso. Ridge não era homem para aceitar falsidade e bajulação.

— Então, o que achou de Harrison?

Ele hesitou, e Dara notou. Por fim, respondeu, como se a frase em si mesma explicasse tudo:

— Ele é um político.

Entraram no elevador, e Dara voltou-se para Ridge.

— Sei que pode ser uma profissão mal conceituada, mas alguém tem de fazer o trabalho. Harrison, sem dúvida, possui mais caráter do que a maioria dos políticos. Ele...

— Como pode afirmar isso?

Dara encontrou o olhar frio de Ridge, imaginando o que o faria dizer aquilo.

— Conheço Harrison desde pequena. Ele sempre esteve ao meu lado. Houve até ocasiões em que minha mãe estava doente e ele me levava para ficar na sua casa.

Ridge insistiu:

— Mas você não ficava com ele todas as horas do dia, ficava?

— Bem, não, mas...

— Então não sabe como ele é quando você não está por perto. Não sabe que tipo de negócios ele tem. Nem se já fez coisas ilegais. E também, não pode pôr a mão no fogo pelo casamento dele.

Dara soltou um suspiro nervoso.

— Pelo amor de Deus! Harrison e Helen estão casados há trinta anos!

Algo brilhou nos olhos de Ridge, mas logo desapareceu.

— Alguns homens têm uma visão muito flexível sobre o casamento.

Dara ficou em silêncio e seguiu-o até a suíte. Orgulhava-se de confiar sem reservas em seu padrinho, mas, se havia um ponto obscuro na vida de Harrison, era o seu relacionamento com a esposa Helen. Dara não conseguia entender muito bem, mas algo na maneira cerimoniosa como os dois se tratavam fazia com que suspeitasse que as coisas entre eles não eram tão maravilhosas assim. Talvez estivesse sendo tola e fantasiosa, mas não pretendia confessar aquelas dúvidas a ninguém.

Ficou aborrecida por Ridge ter tocado na ferida e entrou pela porta da suíte, dizendo:

— Você é muito presunçoso em ficar especulando sobre o caráter de Harrison quando nem o conhece.

— Como eleitor, tenho todo o direito de especular sobre o caráter de um homem que está concorrendo à Presidência — replicou Ridge com voz indiferente, fechando a porta e acrescentando: — Além disso, foi você quem pediu minha opinião.

Dara ficou ainda mais furiosa, porque era verdade.

— Bem, talvez você esteja apenas presumindo que Harrison tem a mesma opinião leviana que você a respeito das mulheres. Pelo menos, ele tem mantido um sólido relacionamento há muitos anos.

Ridge replicou com cinismo:

— Fico imaginando quantas outras mulheres ele teve ao longo de todos esses anos.

— Talvez, mas não é problema seu. — Dara estava irritadíssima e respirou fundo, olhando para Ridge. — É melhor pararmos com esta discussão, antes que eu tenha de voltar para a piscina e dar mais algumas braçadas para me acalmar. Eu precisava relaxar, e você acabou estragando tudo.

Aproximando-se de Dara, Ridge semicerrou os olhos.

— Foi você quem começou esta discussão, e eu não sabia que fazia parte das minhas funções ajudá-la a relaxar.

— Bem, se fazia, sem dúvida nenhuma você falhou. Seria mais fácil relaxar num quartel da Gestapo!

Determinado, Ridge aproximou-se mais e imprensou Dara contra a parede.

— Se faz parte do meu trabalho ajudá-la a relaxar, diga e farei todo o possível. Sabe como sou em relação a trabalho.

Pôs as mãos nos ombros de Dara.

Ela prendeu a respiração, sussurrando:

— O que está querendo dizer?

— Que há mais de um modo de relaxar.

Ela sabia a que Ridge se referia. Engoliu em seco.

— Pensei que quisesse manter nosso relacionamento em base estritamente profissional, Ridge, e que não sentisse nada por...

Dara encontrou o olhar de predador, quente, excitado e excitante.

Ridge aproximou-se mais e apanhou a toalha que a envolvia, dizendo:

— Não quero nada entre nós. Você quer?

A toalha caiu.

Os lábios de Ridge deslizaram sobre os de Dara, que sentiu-se invadida por um calor repentino.

Toda sua feminilidade estava à flor da pele. O sangue latejava em suas têmporas. Sua excitação fora tão rápida e intensa que teve de lutar para manter o equilíbrio e não cair.

— Nunca me senti tão quente, Ridge. É um tanto... assustador.

Sua ingênua honestidade, a maneira como se entregava desarmaram Ridge. Ele, que nunca amara ninguém, sentiu que Dara era a mulher mais adorável do mundo.

Passou a mão pelos cabelos sedosos e fez com que ela erguesse a cabeça para fitá-lo.

— É assustador ou excitante?

Com olhos que diziam desejá-lo com intensidade, Dara respondeu:

— Tão excitante que chega a dar medo.

Colando sua boca à de Dara, baixou as alças do maiô até a cintura e segurou os seios, fazendo com que ela gemesse de prazer.

Dara desabotoou a camisa de Ridge, e ele a puxou para si. Os seios despidos esfregaram-se contra o peito musculoso, fazendo seu sangue ferver.

Dara sentia que ele chegava ao limite do autocontrole. Tinha certeza de que não possuía a prática de Ridge em questões de sexo, mas ele parecia não se importar. Dara passou a mover o corpo no mesmo ritmo dele.

O fogo explodiu dentro de Dara, e ela estremeceu da cabeça aos pés.

Ridge a segurou contra o peito, enquanto voltava à realidade. Os músculos de suas coxas estavam retesados como se tivesse participado de uma maratona. Ansiava por carregá-la para a cama e fechar a porta. Por outro lado, seu instinto lhe dizia que havia cometido o maior erro de sua vida. Mas com ela ali, aninhada em seu peito como uma boneca de seda, ele só pensava nas coisas que não fizera...

Dara murmurou:

— Não consigo dar um passo, e estou ouvindo sinos.

— É o telefone.

Dara sentiu-se aliviada.

— Vamos atender — sugeriu Ridge, embora não fizesse nenhum movimento para afastar-se dela.

— Como?

Com o coração leve outra vez, Ridge sorriu.



— Assim.

Tomando-a nos braços, passou pelo quarto e entrou no banheiro, fazendo-a sentar-se junto à pia. O telefone continuou a tocar.

— Vou atender no quarto. E avisarei, seja lá quem for, para chamar amanhã.

Dara encontrou o olhar de Ridge e sentiu um friozinho no estômago ante as promessas que viu nos olhos leoninos e as sugestões que sua voz deixava perceber. A expressão de Ridge passeou com aprovação pelos seios despidos de Dara.

Ainda haveria mais.

Ela estava atônita com a intensidade de sua própria paixão. Não houvera preliminares suaves e tímidas, nem da parte dela nem da dele. Quando Ridge a beijara, parecia que Dara derretera. Seu coração ainda batia descompassado.

Ela molhou as mãos trêmulas sob a água da pia. O cheiro de Ridge estava à sua volta. Parte dela não desejava se livrar daquele aroma.

Seu cérebro começou a funcionar, e a voz da razão disse-lhe que perdera o juízo. Afinal, não estava ciente de que Ridge era um solitário, um homem que não se envolvia emocionalmente com ninguém? Ele próprio não lhe dissera? O que estava fazendo, entregando o corpo e o coração a um homem daqueles?

Ouviu a voz profunda de Ridge do outro lado da parede, e lembrou-se de seus gemidos quando estavam abraçados. Seu corpo tremeu de paixão. Ela era um poço de contrastes: desejo e dúvida, certeza e incerteza. Dividida, Dara ergueu as alças do maiô e lavou o rosto.

Um segundo depois, Ridge apareceu na porta.

Já não era o mesmo: seus olhos estavam sem vida, e sua boca endurecera.

Confusa, Dara sentiu-se mal. Mais uma vez ele estava pondo uma barreira entre os dois. Ela tentou descobrir o motivo daquela mudança de atitude.

Com voz inexpressiva, entregando-lhe o telefone, Ridge anunciou:

— Seu padrinho quer falar com você.

Dara ficou olhando para ele, sem nada dizer. Impaciente, Ridge colocou o fone em sua mão.

— Tome.


E, então, saiu da suíte. Dara mordeu o lábio, sob uma inexplicável sensação de perda. Teve medo de que Ridge não voltasse. Nem naquela noite, nem nunca.

CAPÍTULO SEIS


— Aqui está o último — disse Clarence com voz triunfante, erguendo o jornal para Dara ver melhor. — Um dos cabos eleitorais do presidente Pierson abandonou o navio.

Dara não pareceu muito interessada. Estava incomodada pelo silêncio de Ridge, que mal falara com ela naquela manhã. Dara voltou sua atenção para o artigo do jornal, lendo em voz alta:

— Beth Langdon. Aqui diz que ela se casou há pouco tempo na França. Não era ela quem estava fazendo força para conseguir fundos para os desabrigados?

— Ela mesma. Agora está pondo a boca no mundo, dizendo que Pierson não tem intenção de cumprir tudo o que prometeu. Como se ninguém soubesse... Ela foi inteligente se descartou Pierson.

Dara olhou para Clarence.

— Eu concordava com ela quanto aos desabrigados.

— Sabe quanto isso custaria para os contribuintes americanos?

— E você tem idéia do mal que é deixar essas pessoas na rua?

— Você não está entendendo. Vou lhe mostrar a pesquisa de Harrison e...

— Conheço a plataforma eleitoral dele, mas não concordo com essa parte. — Sentiu-se impaciente com a expressão alarmada de Clarence. — Oh, não se preocupe. Vou guardar esta opinião para mim mesma. Conheço minhas obrigações. Devo representar Harrison. Se tiver de discutir com ele, farei isso em particular.

Clarence pareceu aliviado.

— Ainda bem. — Olhou para o relógio. — Já que só sairemos dentro de uma hora, vou dar alguns telefonemas.

— Não ligue para mim, Clarence. Levantei com o pé esquerdo. — Deu-lhe um abraço carinhoso.

O rosto redondo dele encheu-se de rugas de preocupação enquanto saía da sala, comentando:

— Talvez você possa descansar um pouco no avião. Seus compromissos para os próximos dias serão muito cansativos.

— É verdade. Além de dois comícios ao ar livre, terei a reunião de caridade. Vou tentar descansar no avião.

Mas Dara não estava certa se era de descanso que precisava. Sentindo a presença de Ridge às suas costas, ficou imaginando a razão de estar tão rebelde. Seriam os nervos de final de campanha? Seria por causa do telefonema de Harrison na noite anterior? Quisera saber se ainda estava insatisfeita com seu guarda-costas. Dara dissera que estavam se dando bem. Naturalmente, não mencionou que quase tinham ido para a cama.

Acabara perdendo a paciência com Harrison, coisa que nunca acontecera antes, e dissera:

— Por que você não checa a ficha de Ridge?

Ficou recordando o longo silêncio do padrinho, cheia de remorso. Estava perdendo o controle.

Suspirando, Dara virou-se, dando com Ridge sentado no sofá, os olhos semicerrados, observando-a.

— Vamos continuar fingindo que nada aconteceu ontem à noite, Ridge?

Ele desviou os olhos da folha de papel em que escrevia.

— Nada deveria ter acontecido.

Mas algo aconteceu.

Ridge fez pouco-caso, porém Dara percebeu um brilho de culpa em seu olhar, quando respondeu:

— Muita proximidade facilitou as coisas. Perdemos o controle. Foi um erro.

Que simplicidade! A calma dele fazia com que Dara desejasse gritar. Respirou fundo.

— Parece que você já viveu essa experiência antes. Teve o mesmo tipo de problema com outras clientes?

— Não. Mas você não é uma cliente comum. — Atirou a caneta para um lado, exclamando, frustrado: — Pelo amor de Deus, Dara! Você estava usando um maiô que faria qualquer homem perder a cabeça.

— Então, tudo se resumiu ao maiô que eu usava?

Ridge passou a mão pelos cabelos, em um gesto de desespero.

— Por que fica lembrando aquilo?

— Porque fico sentindo o seu perfume e a pressão da sua boca e suas mãos em cima de mim. Porque... deixei você se aproximar.

Seus olhos azuis estavam cheios de acusações, e Ridge sentiu um aperto no coração. Ficara acordado toda a noite, pensando em Dara.

Cerrou os dentes, aborrecido. Quando arquitetara seu plano de vingança contra Montgomery, não contara com Dara virando tudo de pernas para o ar. Nada de bom poderia surgir de um relacionamento entre eles. Ridge sabia. Sempre soubera. Quando Montgomery telefonara na noite anterior, Ridge se dera conta da inutilidade de um namoro entre ele e Dara.

— Descul...

— Não ouse se desculpar! — cortou Dara, a voz rouca, lutando contra as lágrimas. — Já é insulto suficiente você chamar o que aconteceu de "erro". Se tem a intenção de se desculpar por ter me beijado, abraçado, por ter permitido que eu o tocasse, serei capaz de esbofeteá-lo.

Levantando-se com dignidade, ela foi embora. Ridge sentiu-se como o pior dos cafajestes. Com certeza, nada faria se ela o tivesse esbofeteado.
Viajaram para o Estado da Virgínia, última etapa da campanha, e Dara nunca mais mencionara o incidente, continuando a tratar Ridge muito bem. Ao contrário do que se pudesse esperar, era muito educada com ele. Ridge tinha uma enorme sensação de perda, mas dizia a si mesmo que fora melhor assim.

Quando chegaram à enorme casa em estilo georgiano onde Dara passara sua infância, em Middleburg, a governanta da família Seabrook, Rainy, recebeu-a com um abraço apertado e deu as boas-vindas a Ridge, Clarence e Ray. Depois de acomodarem os homens em seus respectivos aposentos e repassarem o cardápio, Rainy e Dara puseram rapidamente a conversa em dia.

Mal haviam se instalado, e Dara já deixava de jantar para ir a um compromisso. Trajando um vestido preto com a borda do decote em cetim branco, passou por Ridge, exalando seu perfume favorito.

Ridge a alcançou quando pegava o casaco no armário junto à porta.

— Aonde vai? Não há programação para hoje à noite.

— É uma festa de caridade. Não tem nada a ver com a campanha, portanto não precisa vir atrás de mim.

Franzindo a testa, Ridge ajudou-a a vestir o casaco, perguntando:

— E por que isso não estava na minha agenda?

Ajeitando os cabelos para fora da gola, Dara explicou:

— Talvez porque não diga respeito à campanha. É particular.

— Um encontro?

— Não. Olhe, não faça drama. O clube feminino da cidade está patrocinando um pequeno show artístico para auxiliar crianças com pais que sofrem de doenças mentais. Encontrei uma das organizadoras no ano passado na clínica onde está minha mãe, e ela me pediu para participar. O motorista vai me levar e esperar por mim; portanto, pode tirar folga. Não precisa bancar a babá hoje à noite.

Ele poderia ficar ali discutindo com Dara para sempre. O profundo decote mostrava o suficiente para fazer com que recordasse os seios macios e cheios entre as suas mãos, contra seu peito. Os lábios dela estavam vermelhos como amoras, mas eram seus olhos azuis que deixavam Ridge fora de si.

— Tirarei folga quando você tirar. Quando deve estar nesse compromisso?

Dara ergueu as mãos.

— Você é impossível! Continuaria a discussão, mas sei que seria perda de tempo.

Ridge lutou para não sorrir.

— Seria mesmo. Quando?

— Tenho de sair dentro de dois minutos.

Olhando-o da cabeça aos pés, de modo a fazer a temperatura dele subir, Dara comentou:

— O jeans terá de servir.

Umas cinco respostas vieram à cabeça de Ridge. Seu instinto sexual adoraria tirar sua roupa e a de Dara, e qualquer coisa que ela estivesse usando por baixo, e continuar do ponto onde haviam parado na outra noite. Amaldiçoando sua memória tão realista, Ridge mordeu a língua e deu meia-volta.

— Dois minutos — sussurrou.

Em trinta minutos chegaram ao hotel onde haveria o evento. Descendo do carro, Dara tomou o braço de Ridge.

— Precisamos acertar umas coisinhas.

Sentindo a tensão na voz dela, ele concordou com um gesto de cabeça e conduziu-a para a entrada. Embora estivesse ao lado de Dara, o olhar de Ridge se concentrava nas pessoas à volta.

— Pode ir, Dara.

— Não quero um guarda-costas esta noite. Eu...

Impaciente, Ridge interrompeu-a:

— Já discutimos isso.

— Agora é diferente. O que vou fazer hoje à noite não tem nada a ver com a campanha.

— Continua sendo meu trabalho. Vou mantê-la a salvo até o final das eleições.

— Que coisa! Poderia olhar para mim e me ouvir?

Ridge percebeu o quanto estava nervosa. Com cautela, ele voltou-se para Dara.

— Haverá crianças aqui hoje à noite. Não quero você sacando a arma e assustando todo mundo.

Aquilo mexeu com o ego de Ridge.

— Não tenho o hábito de assustar crianças.

— Acredito. Não estou sabendo me explicar bem. Conheço várias pessoas aqui presentes, e desejo ser apenas uma simples convidada.

— O que quer dizer com isso?

Dara colocou os cabelos para trás das orelhas, em um gesto que Ridge já conhecia e que significava embaraço.

— Quero dizer que não desejo explicar a presença de um guarda-costas a todo o mundo. Iria distrair as pessoas, e eu não poderia realizar o que vim fazer aqui.

— Não irei embora — ele afirmou, determinado.

— Não lhe pedi isso! Apenas... Prefiro apresentá-lo como meu acompanhante, e não como guarda-costas. Isso quer dizer que terá de agir de maneira diferente. — Seu rosto assumiu a conhecida expressão de raiva. — Você precisará fingir que gosta de mim. Acha que consegue?

A insolência nos olhos azuis e o tom de voz de Dara poderiam tê-lo ofendido, mas Ridge achou-a muito sexy. Tomando sua mão, passou-a pelo seu braço e baixou a cabeça.

— Nunca recebi queixas quando tive de demonstrar interesse por uma mulher.

Dara engoliu em seco. O feitiço voltara-se contra o feiticeiro. Deveria ter sido mais delicada e evitado o mau humor. Mas, conhecendo Ridge como já conhecia, aquela resposta de duplo sentido não a surpreendeu.

O olhar de fera a intimidava, e ela não conseguia raciocinar direito. "Fique calma. Ele já fez de você gato-sapato uma vez."

Por toda a noite, Ridge exibiu uma faceta que Dara até então desconhecia. Cordial com as senhoras, polido com os homens e muito simpático com as crianças.

Atrás do palco, enquanto lia o seu discurso, Dara observou Ridge de longe. Um garotinho de cinco anos lutava contra o desconforto da gravata, dizendo:

— Essas roupas são bobas.

Abaixando-se, sorridente, Ridge ajeitou-lhe a gravata, consolando:

— Tudo isso vai acabar num piscar de olhos. E depois... — sussurrou em tom conspirador — vai poder comer quantos docinhos quiser.

Os olhos do menino se arregalaram.

— Quantos eu quiser? Vou comer dez!

E saiu correndo para dar a boa nova aos amiguinhos.

Dara balançou a cabeça com fingida contrariedade.

— Os pais dele não vão gostar nada disso.

Ridge levantou-se, dando de ombros.

— Ele vai parar no quinto doce. A antecipação é metade do divertimento. — E, olhando para o relógio, observou: — O show começa dentro de cinco minutos. O que deseja beber?

Dara juntou os papéis do discurso.

— Água. Não precisa...

Ridge colocou a mão sobre os papéis.

— Sabe, não deveria desencorajar a escória quando tentamos ter um pouco de traquejo social.

— Nunca o chamei de escória.

Os olhos de Ridge perscrutaram Dara, e ela teve medo de que ele visse o que desejava esconder.

— E nunca deveria. Mesmo que fosse a verdade. Talvez seja por isso que não é difícil fingir gostar de você, Dara. É muito delicada. Então, o que quer beber?

Ela sentiu que não estava mais tão aborrecida com Ridge. Com um gesto involuntário e instintivo, desejando aplacar a dor por trás do cinismo dele, segurou sua mão, afirmando:

— Você não é escória.

Ele enlaçou os dedos nos dela.

— Antes de conhecê-la pessoalmente, tinha rotulado você como alguém superficial. Também não é verdade.

Dara sentiu uma onda de ternura. Como ansiava pelo toque de suas mãos e seus lábios! Ele se tornara uma obsessão, que devia esquecer. Afastou a mão, mas a sensação da palma grossa de Ridge continuou.

— Vou tomar um chá bem gelado.

Forçou-se a não olhá-lo enquanto Ridge ia até o bar.

O programa desenrolou-se sem novidades, terminando com uma adolescente lendo um poema original. Com voz suave e clara, ela contou a história de sonhos desfeitos e medo. Ridge surpreendeu-se ao sentir como o poema o fazia lembrar-se da própria infância. Sentiu toda a solidão e insegurança, como se fora ontem. Observou Dara ouvindo, os olhos cheios de lágrimas.

Ela era uma romântica, e agora Ridge entendia por que se sentira tão abalada na noite da piscina. Dara não era mulher de levar o sexo na brincadeira. Para ela, emoção e sentimento faziam parte um do outro. Ela devia ter dito "não" naquela noite.

Observou como enxugava as lágrimas num gesto discreto, antes de beijar a jovem declamadora. Então, fez seu discurso e levou a platéia a uma verdadeira ovação. Ridge notou como estava cansada, e ficou preocupado.

Quando as palmas cessaram, a imprensa surgiu de todos os lados. Saindo de trás do palco, ele logo assumiu seu posto ao lado dela.

— Srta. Seabrook, o que acha da recente queda de popularidade do outro candidato?

Dara hesitou antes de reassumir o papel de pessoa pública. Ridge quase podia sentir as molas rangendo, como se ela fosse um robô.

— Popularidade costuma ser algo fugaz. Fico feliz por Harrison Montgomery continuar na liderança.

— O senador Montgomery irá alterar sua estratégia, agora que as eleições estão na reta final?

— Não que eu saiba. Mas... — Dara ergueu a mão em protesto, quando um outro repórter ia fazer nova pergunta — não estou aqui para falar sobre as eleições. Vim por causa desse maravilhoso grupo de crianças. A coordenadora, Sílvia Turner, ficará feliz em responder suas perguntas e aceitar suas generosas contribuições.

O pedido explícito de doações fez com que a multidão risse, bem-humorada. Dara virou-se para Ridge, e ele logo perguntou, em voz baixa:

— Vamos embora?

Ela tomou a mão que ele ofereceu, sem hesitar.

— Sim.


Dara não se lembrava de ter sentido tanto cansaço em toda a sua vida.

Ridge pegou o casaco atrás do palco e colocou-o nos ombros dela.

— Obrigada — Dara murmurou, sentindo o olhar de Ridge cheio de atenção. Despediu-se de algumas crianças, mas a exaustão a estava vencendo.

Ridge passou o braço ao seu redor.

— A limusine está lá fora.

Soltando um profundo suspiro, Dara lutou contra a necessidade de encostar o rosto no ombro dele, de aninhar-se em seus braços. Ele estava apenas desempenhando seu papel de acompanhante, lembrou-se.

Enquanto saíam para a noite, Dara forçou-se a se lembrar que Ridge não se importava com ela de verdade, mas, naquele momento, ela estava feliz com a farsa.

Ele fez com que ela entrasse na limusine, e Dara aconchegou-se no estofamento macio. Teve a estranha sensação de que tudo girava ao seu redor, apesar de saber que estava imóvel.

— Você vai ficar bem sozinha? — ele perguntou, pondo a cabeça dentro do carro.

Emocionada pela consideração e o calor em seus olhos, teve trabalho em responder:

— Eu...

Fazendo um sinal para o motorista, Ridge sentou-se no banco de trás junto de Dara, em vez de ir na frente, tomando a decisão por ela.



— Vou preparar um drinque para você, Dara.

Fechou a porta do carro, e ela repousou a cabeça no estofamento. Tremendo, apertou o casaco contra o corpo.

— Não há margaritas no carro.

Ridge abaixou-se, procurando entre as várias garrafas de bebida no minibar da limusine.

— Mas temos uísque, bourbon, gim... — Olhou para ela. — Você não gosta muito de bebida forte, não é? Eis um vinho tinto que não foi aberto.

Assim dizendo, Ridge derramou um pouco em um copo plástico. Dara protestou:

— Acho que não...

— Bem, tome, de qualquer maneira. Está pálida como cera.

Relutante, ela aceitou.

— Você está parecendo Clarence.

— Por que aceitou participar daquela festa beneficente? — Ridge perguntou, ignorando o comentário.

Sentindo um tom de reprovação, Dara respondeu, surpresa:

— Já lhe contei sobre minha mãe. Foi um impulso natural me envolver nesse assunto.

Ridge meneou a cabeça com ar de crítica.

— Não pensou nas lembranças ruins que isso lhe traria? A campanha estava deixando-a cheia de dinamismo. Olhe para você agora: parece um balão murcho.

Ridge tinha razão. Tomando um gole, Dara fechou os olhos.

— Pensei que ninguém notaria.

— A maioria das pessoas não deve notar, mas eu estou com você diariamente. Precisaria estar cego para não ver que está com os nervos à flor da pele. Não pode dizer "sim" para todo o mundo. Vão acabar com você.

Dara sentiu um aperto no coração. Era verdade. A pressão constante da vida que levava a estava esgotando. Porém, sabia que a vitória do padrinho dependia muito de seu desempenho. Harrison contava com ela, e Dara não queria desapontá-lo. Olhou para Ridge e, sem conseguir evitar, perguntou:

— Está querendo dizer que já não sirvo para nada?

— Não. Só quis dizer que não deveria ter aceitado o convite de hoje.

— Não pude evitar. Tinha prometido no ano passado e... estava bem até ouvir aquele poema. Tentei não pensar em minha mãe, mas todas as emoções vieram à tona e, antes que percebesse, comecei a chorar.

Sentindo que novas lágrimas ameaçavam rolar, Dara passou os dedos no canto dos olhos e virou a cabeça para o outro lado.

— Estou chorando de novo. Desculpe. Avisei que iria ser péssima companhia.

Apesar de seu embaraço, as lágrimas teimavam em cair.

Pondo as mãos em seus ombros, Ridge forçou-a a virar-se.

— Você vai ter de fazer muita força para ser má companhia. Tome. — Entregou-lhe um lenço.

A gentileza só fez aumentar as lágrimas e, antes que se desse conta do que acontecia, Dara viu-se nos braços dele, o rosto enterrado em seu ombro.

— Não seja bonzinho comigo. Está piorando a situação.

Ridge a fitou, confuso. Então, semicerrou os olhos e esboçou um sorriso irônico.

— Acho que esta é uma daquelas situações em que é bom a gente ser um cafajeste. Muito bem, lá vai: você foi uma idiota em se meter nesse evento de hoje à noite. Precisa aprender a ser dura e dizer "não". E acabou de estragar meu lenço, o que é o mais grave.

— Exasperado, passou a mão pelo pescoço. — Olhe, aquele poema mexeu comigo também, e, comparado a você, tenho a sensibilidade de um rinoceronte.

Dara sentiu um grande alívio. Toda aquela história de segurar sua mão e servir vinho era a maneira de Ridge demonstrar simpatia.

— Então você me entende, Ridge?

Com um tom de voz quente e íntimo que fez o coração de Dara fraquejar, ele respondeu:

— Sim. Acho que sim.

— Obrigada.

Ela sentiu o calor do seu olhar e quis tocá-lo, beijá-lo.

Mais uma vez aquela invisível compreensão entre os dois surgiu, e Dara quase atirou-se nos braços de Ridge. Fez um gesto na direção dele, mas uma voz dentro dela pediu cautela. Afinal, já o interpretara mal uma vez.

— Não sabia que guarda-costas se preocupavam tanto com o estado emocional de seus clientes.

Uma mistura de frustração, doçura e paixão cruzou o semblante de Ridge. Impulsivamente, puxou Dara para seus braços, murmurando:

— Talvez não seja minha função, mas alguém tem de se preocupar com você.


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