Mistérios de Amor Ridge: the Avenger Leanne Banks



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CAPÍTULO SETE
Dara enrijeceu o corpo, mas não se afastou.

— Está sendo bonzinho de novo.

Ridge resistiu ao impulso de acariciar seus cabelos, rebatendo:

— Estou sendo duro. Acabei de lhe dizer uma porção de desaforos.

Muito cansada para discutir, ela suspirou. A escuridão dentro da limusine parecia um cobertor sobre eles, o motor fazia um som agradável.

— Estou com medo — Dara confessou.

— Não há motivo para isso. Sabe que vou protegê-la. Ninguém vai se aproximar de você.

— Não estou com medo de ser ferida, mas de desapontar Harrison.

Harrison. Ridge sentiu um gosto amargo na boca.

— Montgomery.

— Sim. Ele já fez tanto por mim...

A sinceridade na voz de Dara deixou-o cheio de raiva. Ridge suspeitava de que, sob toda aquela publicidade de Montgomery ser um maravilhoso padrinho, ela já fora grata mais do que o suficiente.

— Será que não fez o bastante por ele?

Ela hesitou.

— Penso que não.

Ridge viu-a disfarçar um bocejo. Apesar da estafa, Dara lutava contra o sono. Ridge achou que deveria parar de falar e deixá-la adormecer, porém não podia permitir que ficasse pensando aquelas bobagens.

— Não está trabalhando como uma escrava há quase um ano, cumprindo uma agenda de sessenta horas por semana? Não abandonou seus amigos e sua privacidade?

Relutante, ela concordou:

— Talvez. Mas é temporário. Além disso, sou paga pelo meu trabalho.

— Sim, e Montgomery também, porque você vale ouro nessa campanha.

Dara suspirou de novo. Suas pálpebras pesavam, e estava perdendo a discussão devido à sonolência.

— Você não entende. Ele foi a pessoa que me amparou quando eu era criança. Não quero abandoná-lo agora.

Ridge sentiu um aperto no coração. Sabia o que era ser uma criança que precisava de apoio. Tivera de mendigar os restos que sua avó lhe oferecera. Embora odiasse Montgomery, de certo modo agradecia a ele por ter agido corretamente com Dara. E ela não sabia que preenchera um grande vazio na vida do padrinho: a tristeza de não saber que tinha um filho.

Na verdade, Dara usurpara o que, de direito, pertencia a Ridge. O ressentimento o corroía como ácido. Porém, conhecendo Dara, não conseguia ressentir-se dela. Era sobre Montgomery que despejava toda a responsabilidade, pensando que ele não tivera pena de dominar uma garotinha.

Um longo silêncio pairou sobre eles e, como Dara não continuasse a discussão, Ridge olhou para seu rosto e viu que adormecera. Meiga e confiante, ela se apoiava nele. Sua respiração suave pulsava de encontro ao peito de Ridge.

Seu coração encheu-se de dor. Por que parecia tão perfeito abraçá-la quando sabia que era errado?

Os cílios de Dara eram leques negros sobre seu rosto, e os lábios entreabertos pareciam aguardar por um beijo.

Uma de suas mãos caiu sobre a coxa de Ridge, que, no mesmo instante, ficou excitado. Outra vez o desejo eclodiu, apesar de ele tentar dominá-lo. Ridge queria beijar a boca de Dara, o pescoço, os seios, cada parte proibida e macia do seu corpo. Desejava que Dara o beijasse também. Queria penetrar no seu corpo e olhar em seus olhos durante o ato.

Ridge desejava possuí-la.

Apenas uma vez ansiava por conhecê-la de todas as maneiras possíveis. Apenas uma vez gostaria de sentir que toda a atenção e paixão de Dara se concentravam nele.

Apenas uma vez seria o suficiente, pensou Ridge, permitindo que seus dedos acariciassem os cabelos dela.

Apenas uma vez. Ou duas...


Muito tempo depois de terem voltado para a casa de Dara, Ridge rolava na cama pensando nela. Acostumado a controlar seus sentimentos e emoções, sentia-se tão abalado que poderia dar um murro na parede. Em vez disso, levantou-se e fez um cooper até sentir-se exausto. Depois, dirigiu-se à sala de ginástica e levantou pesos como punição.

Na tarde seguinte, por ocasião de outro comício ao ar livre em Richmond, Ridge já recuperara o autocontrole. Enquanto vigiava a multidão, ficava recordando que Dara já fora atingida por uma garrafa em ocasião similar. Dessa vez, pelo menos, ia ter ajuda da polícia local.

Observando um grupo de jovens de cabeça raspada e camiseta com um lema estampado, acenou para Ray aproximar-se do pódio onde Dara se encontrava.

Quando ela foi anunciada, o povo a recebeu com entusiasmo. Dara começou a falar, e parte da mente de Ridge acompanhou seu discurso. Sem olhar para ela, sabia como a brisa devia estar ondulando seus macios cabelos negros e como olharia através da multidão, procurando por um rosto amigo ou conhecido. Uma vez Dara lhe dissera que ver alguém querido no meio da multidão a acalmava. Ridge podia descrever em detalhes o que ela estava vestindo: um conjunto vermelho com bordas pretas, meias e sapatos pretos. Daria tudo para saber se sua roupa íntima também era preta.

Sabia, porém, que não tinha direitos sobre ela. Só devia protegê-la. Na certa, quando ele acertasse as contas com Montgomery, Dara nunca mais quereria vê-lo.

Lutou contra uma ponta de remorso que o invadiu. Teria de conviver com o desprezo de Dara, contanto que ela estivesse segura.

O olhar de Ridge percorreu o grupo de rapazes carecas. Notou um brilho suspeito na cintura de um deles. Fez sinal para um dos policiais e bateu no ombro do rapaz.

— O que é? O que você quer? — ele perguntou, irritado.

— Tem licença para andar com isso?

Quando o jovem colocou a mão na bainha da calça, Ridge balançou a cabeça em reprovação.

— Nem pensaria em tocar nisso, se fosse você.

— Ei! Tenho porte de arma. Carrego por proteção. Estamos na América. Quem é você, afinal? É da polícia?

— Algo parecido. Estou aqui para garantir que rapazes como você não perturbem o evento. Pode ter porte de arma, mas precisa de uma licença especial para andar com ela disfarçada na calça. — Sorrindo, Ridge tirou o revólver do rapaz e acrescentou: — Mas não precisa confiar na minha palavra. Converse aqui com o simpático policial.

O rapaz começou a gritar uma série de obscenidades, e muitas pessoas se voltaram para ver o que estava acontecendo. Ridge percebeu que Dara interrompera o discurso. Como o rapaz continuasse a fazer escândalo, Ridge segurou-o pela borda da camiseta e sussurrou em tom ameaçador:

— Cale a boca!

O moço tentou se livrar com um repelão.

— O país é livre! Digo o que quiser!

— Poderá falar mais tarde.

Dizendo isso, Ridge o entregou ao policial, assim como a arma.

Carrancudo, o rapaz lançou um olhar ressentido sobre Ridge.

— Vou me vingar. Pode ter certeza. Se depender de mim, Harrison Montgomery não chegará à Presidência.

Enquanto o policial se afastava com o delinquente, Ridge lançou um rápido olhar sobre Dara, que parecia abalada. Ele podia sentir sua apreensão, mesmo estando a muitos metros de distância. Seu primeiro impulso foi tirá-la da plataforma e protegê-la contra qualquer ameaça. Porém, resistindo à tentação, olhou para Dara, colocando o punho sob o queixo, num sinal íntimo que significava "levante a cabeça".

Ridge sentiu o alívio dela, que sorriu, corajosa, para a multidão e deu continuidade ao discurso. Ridge sentiu-se ainda mais preso ao seu encanto.
Mais tarde, Dara foi visitar a mãe na clínica onde ela residia nos últimos anos. Tentava não pensar no rapaz do comício, mas a dura realidade a assombrava. O homem carregava uma arma. Tentou não pensar nele, e concentrar-se em sua mãe, e só quando voltou para casa deixou os pensamentos vagarem enquanto a limusine a conduzia.

Entrando com Ridge na casa, não pôde evitar de lembrar-se da gentileza dele na noite anterior. Ele a deixava confusa, e Dara não sabia lidar com aquilo.

Gostaria de poder estalar os dedos e não pensar mais em Ridge. Queria que seu coração batesse normalmente quando ele a olhava, em vez de senti-lo dar pulos dentro do peito. Gostaria de poder lançar um feitiço que fizesse com que não olhasse mais para ele, não dependesse dele e, mais importante, não mais o desejasse.

Ridge interrompeu seus pensamentos.

— Como foi a visita?

— Mamãe lembrou-se de mim, mas não recordou mais nada.

— Podem fazer alguma coisa?

— Estão tentando. A doença é progressiva.

Assim falando, Dara sentou-se no sofá, tirando os sapatos. Sempre gostara daquela sala. Através dos anos, a decoração mudara, porém o ambiente continuava quente e aconchegante, assim como a antiga mesa de bilhar de seu pai. O fogo na lareira ajudou-a a relaxar.

Observando-a, Ridge encostou-se no umbral da porta e perguntou:

— Há quanto tempo ela está naquela clínica?

— Mora lá há cinco anos. Eu estava na quarta série quando foi internada pela primeira vez. Fiquei apavorada.

Dara recordou-se da sensação horrível de ver sua mãe indo embora de ambulância.

— Eu sabia que algo estava errado e morria de medo que ela não voltasse mais. Nossa governanta, Rainy, me ajudou muito. Toda sexta-feira ela me levava a um parque na cidade, e eu brincava no balanço durante horas. Depois, comprava para mim um sorvete de casquinha. — Dara sorriu com suavidade. — Meu sabor preferido era o de uva, e Rainy me chamava à atenção porque eu ficava com bigodes roxos.

Saiu de seu devaneio, ao sentir os olhos de Ridge cravados nela. O clima entre os dois parecia ter mudado desde a noite anterior, permitindo perguntas e respostas pessoais. Dara perguntou-se se estaria imaginando coisas. Disfarçou, brincando:

— Você fez uma simples pergunta e eu contei uma longa história. Vou pegar um refrigerante. Quer?

— Sim. Obrigado.

Dara entregou o refrigerante a Ridge, sentindo-se pouco à vontade com o silêncio que se fizera. Por fim, perguntou sobre aquilo que a incomodava desde o comício:

— Aquele rapaz estava armado, não estava?

O rosto de Ridge era uma máscara de frio controle.

— Sim. Estava.

— Você acha que tinha a intenção de atirar?

— Não hoje.

Dara sentiu pânico, o coração apertado. Respirando com dificuldade, disse:

— Precisamos avisar Harrison. Vou telefonar...

— Já falei com Drew. Eles estão no Texas. Depois de muita discussão, ficou decidido que você irá limitar suas saídas apenas para comícios ao ar livre. Vai ter de resumir seus discursos para sete minutos, e vamos conseguir maior ajuda das autoridades locais para controlar a multidão.

Dara ergueu as sobrancelhas ante o tom de voz de Ridge.

— Parece que não aprova as medidas tomadas.

— Recomendei que cancelassem todos os seus compromissos ao ar livre, mas Drew disse que seria um exagero.

Dara esfregou a marca na testa, pensando. O rapaz não tentara usar a arma. Era muito jovem e com certeza só estava se exibindo para os amigos, tentou convencer a si mesma. O dia das eleições chegaria em poucas semanas, e ela não desejava estragar a animação de Harrison.

— Concordo com Drew. Aparecerei apenas mais algumas vezes ao ar livre. Estamos fazendo tempestade em copo d’água sobre aquele rapaz.

— Foi isso o que Drew disse. Tudo é secundário diante da campanha.

— Não disse que tudo é secundário.

— Mas parece que sua segurança é.

— Claro que não! — exclamou, exasperada. — Com um bando de policiais, você e Ray, acho que minha segurança está garantida. Não quero fraquejar a essa altura. Está quase tudo acabado. Além disso, não acho que você...

Arrependida do que ia dizer, Dara virou-se para o bar.

— Eu o quê?

Ela voltou-se e encarou Ridge, apesar de a proximidade deixá-la nervosa, como sempre.

— Acho que você jamais deixará que me machuquem. Você é tão obcecado com a minha segurança que seria capaz de pedir a Drew que mandasse a Aeronáutica em meu socorro, se realmente achasse que eu correria perigo.

— Na verdade, fiz algumas sugestões para Forrester. Porém ele é um bitolado que só enxerga a Casa Branca. Quando se trata da sua segurança, não vê um palmo diante do nariz. Porém, não vou tentar ensinar-lhe o seu trabalho, pois também não gosto que se metam no meu.

— Oh, e você não é bitolado, por acaso? Mal posso ir até a esquina comer um hambúrguer sem que você resmungue sobre segurança.

— Faz parte do meu serviço — respondeu Ridge, com os dentes cerrados.

— Bem, não precisa ser tão fanático. Às vezes penso que você gostaria de me trancar num quarto apenas com...

Os olhos de Ridge faiscaram, apesar de ele não dizer nada. Nem precisava. Dara sabia no que estava pensando. Ela mesma imaginou como seria ficar trancada com Ridge em um quarto.

— Acabe a frase. Disse que eu gostaria de trancá-la em um quarto apenas com?

Dara preferiria morrer a confessar que adoraria trancar-se com Ridge, longe do mundo, e satisfazer, de uma vez por todas, aquele louco desejo. Portanto, respondeu:

— Pão e água.

A risada de Ridge se fez ouvir, límpida.

— Você não está falando sério.

— Claro que estou. Você adora castigar, Ridge.

De imediato, a mão dele segurou seu pulso, o rosto a poucos centímetros do seu, o olhar de fera fazendo-a tremer. A voz de Ridge soou calma e sincera:

— Não é verdade, e você sabe disso.

— Não tenho por que acreditar em você.

— Diz isso por causa do que aconteceu conosco aquela noite?

Dara relembrou toda a dor e humilhação, e repetiu as mesmas palavras que ele usara:

— Sim. Você disse que foi um erro. A "proximidade" causou aquilo. Não se lembra? Foi meu maiô que atraiu você. Não fui eu.

Ridge repetiu as palavras que já usara inúmeras vezes, como um mantra:

— Tinha de manter a cabeça fria. Preciso ficar alerta.

— E eu também! — rebateu Dara, desesperada.

Tentou livrar-se, mas Ridge continuou segurando-a.

— Tive de dizer aquelas coisas. Precisava manter a distância entre nós dois.

— O que está tentando me dizer, Ridge? Que não foi só meu maiô que o atraiu? Que eu o atraio também?

— Sim. Mas há razões...

— Porque você é meu guarda-costas e não deve se envolver com a cliente?

— Isso também, porém gostaria que fosse tudo assim tão simples.

— Então qual é o problema? Você é casado? Noivo?

— Não existe mais ninguém. Mas há uma outra razão que nos mantém afastados.

— Qual?


— Não posso dizer.

— Não está sendo justo.

— Não há nada de justo nesta situação. Por acaso acha certo eu passar as noites sonhando com você? Ou ter de me manter longe, dia após dia, lembrando do seu gosto, do seu cheiro... E naquela noite nós não fizemos tudo apenas por um triz. Por um triz!

Dara não sabia se gritava, chorava ou implorava. Mordeu o lábio, evitando olhar para Ridge.

— Então, se existe uma razão tão forte para você não ficar comigo, por que diz que sou atraente?

Um silêncio angustiado pairou sobre os dois.

— Talvez eu não seja o super-homem que você imagina.

Dara mal podia respirar. Ridge parecia estar com as mãos tão amarradas quanto ela.

— Então, o que vamos fazer?

Ele quase riu. Mas seu rosto continuou impassível.

— Vamos parar de fingir que nos odiamos. Você continua com a campanha eleitoral, eu tomo conta de sua segurança.

— E?


— E vou continuar enlouquecendo por sua causa.

Aquilo não a confortou muito. Dara sabia agora, mais do que nunca, o significado da palavra "frustração".

— Posso enlouquecer com você, Ridge?

CAPÍTULO OITO


— Gostaria de parar em um restaurante mexicano antes de ir à festa na lanchonete — anunciou Dara, sorvendo a brisa da manhã de sábado.

Penteara os cabelos negros em um rabo-de-cavalo, vestia uma blusa branca de babados, jeans preto e meias curtas, estando, no momento, sem sapatos, o rosto sem maquilagem. Olhou para Ridge, e uma força muito feminina, que ele nunca notara antes, emanava dos olhos azuis.

Ridge sentiu algo diferente em Dara, como se ela estivesse desafiando os impedimentos que ele apresentara, e demonstrasse com clareza que gostava dele. No mesmo instante, o corpo de Ridge respondeu ao chamado, e ele ficou excitado. Perigosamente excitado.

Pensara que, se admitissem a atração mútua, as coisas seriam mais fáceis. Agora, porém, não tinha mais tanta certeza. Se existia uma mulher que poderia dominá-lo, essa mulher era Dara. Lutou contra o desejo de desabotoar os pequenos botões de pérolas da blusa muito feminina, lembrando-se de que não tinham futuro juntos. Só porque não conseguia parar de se excitar todas as vezes em que a via, não deixaria de cumprir seu trabalho, falhando na segurança.

— Festa na lanchonete? — ele perguntou, voltando ao assunto.

— Acho que esqueci de lhe contar, ontem à noite — disse Dara, sorrindo.

— Segundo sua agenda, você vai a uma reunião para arrecadar fundos para a campanha, hoje à noite — afirmou Ridge.

— Certo. Só que vou a uma festa hoje à tarde.

— Gosto de saber das coisas com antecedência.

Dara impacientou-se.

— Ia lhe contar, mas a pessoa encarregada ligou para mim ontem de manhã. Não tive oportunidade de avisá-lo porque conversamos sobre outras coisas, ontem à noite.

Ridge não respondeu à alusão das "outras coisas". Depois que ela fora dormir, ficara uma hora no portão dos fundos, esforçando-se para pensar apenas em métodos para evitar que Dara levasse um tiro.

— Quando você faz uma mudança de programa que envolve segurança, deve me comunicar o mais rápido possível.

— Isso foi o mais rápido que consegui. E você não precisará vir comigo se não quiser.

— Vou aonde você for.

Dara quis dar uma resposta ferina. Em vez disso, sorriu. Olhando de soslaio para Ridge, perguntou com malícia:

— A todo lugar? Gostaria que assim fosse...

Ridge teve de lutar contra o convite sensual.

— Você não facilita as coisas entre nós quando fala desse modo.

— Facilitar as coisas não fazia parte de nosso acordo. Avise-me se mudar de idéia. — Ela estava mais audaciosa do que nunca.

— Dara...

— Ok. A festa será das duas às três da tarde e não vou ficar no restaurante mexicano por mais do que cinco minutos. — Olhando para as roupas de Ridge, acrescentou: — Não precisa se trocar.

— Obrigado — respondeu ele com ironia.
Às três e meia, Dara estava sentada com doze crianças na lanchonete. Todos, inclusive ela, usavam sombreros de abas largas.

Por cima do ombro, Dara olhou para Ridge e pediu que se aproximasse.

— Ponha um chapéu e junte-se a nós. Todo mundo está usando, menos você.

Ele teve de engolir em seco para não rir. Dara convencera a todos a usar sombreros. Ridge recusou a sugestão.

— A aba desse chapéu vai impedir minha visão periférica.

— Que visão periférica? A coisa mais semelhante a uma arma aqui dentro é um revólver que espirra água.

Ridge não se convenceu.

— Tenho de vigiar as portas.

— Será que todos os guarda-costas são assim tão irascíveis?

— Não. Só os bons.

— Um dia desses eu vou...

Uma garotinha pulou no seu colo, interrompendo a frase e pedindo atenção. Dara abraçou a pequenina, mas continuou para Ridge:

— Vou guardar um desses sombreros, e você vai ter de usá-lo no dia das eleições.

— De jeito nenhum.

Resistindo ao desejo de beijar aquela boca atrevida, Ridge voltou para o seu posto de observação. Ele gostava de discutir com Dara e sabia que ela se sentia tão à vontade com ele que também adorava brincar, mas aquilo não ajudava a manter a necessária distância entre os dois. Dara insistia naquele joguinho de provocação que o torturava.

A diretora da escola, Liz Clayton, segurou o seu chapéu, comentando, sorridente:

— Quando a Srta. Seabrook perguntou o que poderia trazer para a festa e eu sugeri chapéus, não esperava por estes.

Ridge concordou, olhando para os rostos animados das crianças. Não precisava ser um gênio para entender o motivo do pedido. Várias delas estavam recebendo tratamento de quimioterapia e tinham começado a perder os cabelos.

— Organizam estas festas todos os meses? — Ridge perguntou.

— Sim. Foi uma grande oportunidade conseguir a presença da Srta. Seabrook.

— Quer dizer, a cobertura da imprensa — disse Ridge, referindo-se aos repórteres que haviam saído um pouco antes.

— Sobrevivemos à custa de doações particulares, portanto qualquer publicidade é bem-vinda, e a Srta. Seabrook leva publicidade aonde quer que vá. Deve ser difícil para ela manter sua vida privada.

Ridge não confirmou nem desmentiu. Ficava aborrecido por ver que todos desejavam se aproveitar um pouco de Dara, sem entender que ela precisava descansar.

— As crianças a adoram — a diretora afirmou.

Ridge sentiu um aperto no coração. Viu Dara com seu sombrero, cercada por crianças, umas abraçadas a ela, outras disputando seu colo. Deixara em casa os vestidos elegantes, os sapatos de saltos altos e o sorriso estudado.

Ao mesmo tempo, ela o fazia rir e queimar de desejo, mas, sobretudo, fazia com que se sentisse protetor e sensível. Compreendeu, por fim, que ela era tudo o que sempre quisera.

Lembrou-se de Harrison Montgomery e desejou com todas as forças que ela não tivesse nenhuma ligação com aquele homem. A insatisfação invadiu cada parte do seu íntimo. Um vazio terrível apossou-se de Ridge, mas a verdade permanecia, imutável: Dara era tudo o que sempre quisera e não podia ter.
Naquela noite no banquete, Dara teve de redobrar os esforços para ficar atenta à conversa ao redor. Um convidado comentava sobre o campeonato de futebol. Outro lamentava sobre a maioria democrata no senado, enquanto sua esposa elogiava o vestido de Dara.

Apesar do seu estado de ânimo, Dara sorria, atendendo a todos. Por dentro, estava fervendo. Não porque estivesse fazendo calor, nem por causa do vestido de veludo azul que usava. Pegava fogo por causa de Ridge.

Pensara que tinham chegado a um entendimento na noite anterior, portanto convidara-o a ir com ela no banco de trás da limusine, até o banquete. Ridge se recusara. E, ainda por cima, tivera a audácia de aconselhá-la a só dançar com os homens que conhecia.

Dara estava tão furiosa que não dirigira nem mais um olhar para ele, depois daquilo. Embora não fosse do tipo infantil que gostava de provocar ciúme dançando apenas com um homem a noite toda, sentiu-se tentada a dar uma lição em Ridge, e resolveu agir.

Sorrindo para o advogado de meia-idade sentando ao seu lado, Dara sugeriu:

— Esta é uma de minhas canções favoritas. Gostaria de dançar comigo?

O homem se empertigou, sorrindo também.

— Será um prazer.

E assim transcorreu a noite. Dara jantou em quinze minutos, sentou-se durante os discursos, foi uma vez retocar a maquiagem, mas passou o resto do tempo dançando sem parar com todos os homens que a convidaram. Na hora de ir embora, aproximou-se de Ridge.

— Estou pronta — disse ela, com voz inocente, ignorando o rosto sério dele.

Ele a conduziu até a limusine. Dara agradeceu quando Ridge abriu a porta e, ao entrar no carro, sorriu docemente para ele, comentando:

— Grande orquestra.

Ridge bateu a porta com força. Dessa vez, porém, aquele gesto rude agradou muito a Dara.

Na viagem de volta, ela tirou os sapatos e cochilou. Acordou quando a limusine chegou à porta de casa. Tentou calçar os sapatos, mas seus pés estavam muito inchados. Desistiu e resolveu ir descalça. Afinal, não teria de andar muito.

Vendo o motorista caminhar até a casa, Dara ficou imaginando por que ele deixara o motor ligado. Pôs a mão na maçaneta. A voz de Ridge soou pelo interfone da limusine:

Por favor, Srta. Seabrook, fique no carro.

Franzindo a testa, ela notou que ele voltara ao tratamento cerimonioso. Apertando o botão do interfone, perguntou com voz fria:

— Por que, Sr. Jackson?

Silêncio. Por fim, Ridge respondeu com voz grave, controlada:

— Porque a noite não terminou ainda.

— Tem algo a ver com minha segurança?

— Pode ser.

Ela imaginou o que ele queria dizer com aquilo. Sentiu um friozinho percorrer sua espinha. Mas tinha certeza de que, por mais que Ridge estivesse zangado com ela, jamais lhe faria mal. Afinal, como ele já dissera milhares de vezes, era responsável por sua segurança e seu bem-estar.

Dara não respondeu, e o carro partiu. Ela recostou-se no assento, curiosa de saber o que Ridge pretendia.

Após alguns minutos, o carro parou. Dara olhou para fora da janela e não viu nada, a não ser um campo aberto.

A porta se abriu, e Ridge olhou para ela. Tirara o paletó e a gravata. Usava suspensórios pretos sobre a camisa branca, e as mangas estavam arregaçadas. Seus ombros pareciam enormes, e toda a sua aparência era muito masculina.

— Pode descer agora.

Dara relutou.

— Que lugar é este?

— Um campo, longe de sua casa. Tudo bem, estamos sós.

Dara pareceu ler nos olhos de Ridge a frase: "Você pediu por isto".

— Se não se importa, vou ficar no carro.

Estendendo o braço para ela, Ridge retrucou:

— Importo-me sim. Saia.

— Por quê?

— Para termos uma discussão pacífica. Ou uma briga com berros que não serão ouvidos pela sua governanta. Você escolhe.

Suspirando, Dara enfiou os sapatos e saiu do carro, não aceitando a ajuda de Ridge.

Passando a mão pela cintura dela, Ridge começou a caminhar.

— Divertiu-se hoje à noite?

Dara ignorou a suavidade ameaçadora na sua voz.

— Bastante. Considerando o tipo de festa, passei uma noite agradável.

Respirando fundo, sentiu o cheiro de feno, folhas caídas e a loção de Ridge. Estrelas brilhavam no firmamento. A lua cheia iluminava o campo como se fosse dia. Uma brisa suave os envolvia. Se não estivesse tão nervosa, até que aproveitaria aquele passeio.

— Não sabia que gostava tanto de dançar, Dara.

— Estava inspirada.

— Quantos daqueles homens você já conhecia?

— Não sei... Talvez dez.

— Você dançou com trinta e quatro homens.

— Não contei.

Eu contei porque faz parte do meu trabalho.

— Então deve ter percebido que todos os meus parceiros de dança foram perfeitos cavalheiros.

Ridge parou de andar, abruptamente.

— Eu disse a você para só ficar na companhia de homens que conhecesse. Por que desobedeceu minhas instruções?

— Porque você não agiu com educação.

— Eu... o quê?

— Você agiu como um idiota!

— E você como uma pirralha mimada!

— Agi como uma mulher independente. Você fez uma sugestão, pensei a respeito e resolvi ignorá-la.

— Conversa! Você ficou furiosa porque não me sentei ao seu lado na limusine.

Dara quis negar, mas mudou de idéia.

— E daí?


Ridge não esperava por aquilo. Ela apontou um dedo para ele.

Você disse para pararmos de fingir ter ódio um do outro. Levei ao pé da letra e convidei-o a sentar-se comigo. Você recusou. Feriu meus sentimentos. Então, recomendou que eu não dançasse com estranhos e bateu com a porta no meu nariz.

— Não fiz isso. Tem idéia da sua aparência hoje? De como esse vestido a deixa atraente?

Baixando os braços, Dara examinou sua roupa. O veludo moldava cada curva do seu corpo, terminando um pouco acima dos joelhos. Dara o comprara porque gostara da cor azul e do decote e também porque adorava o contato suave do veludo.

— A cor é bonita e não é tão diferente dos outros que eu...

Ridge pôs tocou sua face.

— A cor faz seus olhos parecerem safiras. — Correu os dedos pelo pescoço de Dara, um dedo tocando a extremidade do profundo decote em "V". — O veludo é suave, e a sua pele, mais ainda. Mostra o suficiente para deixar um homem louco, imaginando o resto que está cobrindo.

O dedo de Ridge penetrou no decote, e Dara prendeu a respiração. Ele acariciou a ponta enrijecida de um de seus mamilos, fazendo com que ela sentisse um calor se alastrar por todo o corpo. Gemendo, segurou o braço de Ridge.

Percebendo que cruzara a linha de perigo, ele retirou a mão.

— Garanto que todos os homens que seguraram você hoje desejaram levá-la para casa e ver o que havia debaixo deste vestido.

Dara não acreditava que estivesse tão sensual, embora três dos convidados tivessem sugerido um encontro tranquilo após o banquete. Seu rosto devia tê-la traído, pois Ridge gracejou:

— Quem tentou conquistá-la?

— Ninguém que me interessasse.

A ironia dos dois discutindo em meio àquela paisagem romântica aborreceu Dara. Ela queria encostar-se no peito de Ridge, e não brigar como criança. Revelou, audaciosa:

— Sabe, Ridge, eu não precisava ter dançado com trinta e quatro homens para me sentir feliz. Bastaria ter dançado com um.

Ridge a pegou pelos ombros, por trás dela. Dara sentiu o hálito quente em sua nuca.

— Não podemos... — começou Ridge.

— Não me diga o que podemos ou não fazer. Não me venha com a ladainha sobre os deveres de um guarda-costas e a misteriosa razão por que você não pode me abraçar. Acho que brigo com você porque não posso tê-lo. Cada vez que dançava, hoje, pensava estar dançando com você. Devo ser uma idiota, pois não vejo nenhum pecado nisso. Pronto! Isso deve ter feito seu ego machista inchar de satisfação. — Engoliu as lágrimas, frustrada. — Estou muito cansada. Quero ir para casa.

Deu dois passos, mas as mãos de Ridge a seguraram. Puxou-a e acariciou seus cabelos.

— Você tem a mania irritante de dizer coisas que me tiram do sério. Passei toda a noite entre o desejo de amassar o nariz de cada sujeito que sorria para você e torcer seu pescoço por ser tão linda.

— Não precisa ter ciúme de nenhum daqueles homens.

— Eles seguraram você, e eu não.

Dara esteve prestes a dizer que a culpa era dele, mas calou-se.

Com um olhar estranho, Ridge levou a mão esquerda de Dara até seu ombro. Olhando-a com seus olhos quase dourados, apertou sua outra mão contra o peito, aproximando o corpo. As coxas musculosas de Ridge roçaram as pernas de Dara, e ela sentiu sua excitação.

Passando a mão pelas nádegas arredondadas, Ridge a apertou ainda mais. Abaixou a cabeça e beijou-lhe o ombro. Dara sentiu-se tonta.

— O que estamos fazendo?

— Dançando — respondeu Ridge, com a língua acariciando sua pele e movendo os quadris junto aos dela.

Ela arqueou o corpo.

Gemendo, Ridge começou a mover os pés ao som de uma música imaginária. Beijou a testa de Dara, dizendo, com voz trêmula:

— É só uma dança.

Dara pressionou os lábios no seu pescoço.

O luar banhava tudo, e o desejo os invadiu. Ridge a apertava tanto que parecia querer fundir os dois corpos. Ela tentou se acalmar. Era apenas uma dança, não tinha maior significado.

Um caleidoscópio de emoções a invadiu. Era difícil para Dara raciocinar direito nos braços de Ridge. O barulho das folhas caindo no solo parecia o som de uma orquestra em surdina. O pulsar de seus corações eram os violinos. A música soava em sua mente. Fechou os olhos e só pensou em Ridge. Tudo era mágico. Repetiu as palavras dele, em um sussurro:

— É só uma dança.

Seus pés seguiam o ritmo dele, que acrescentou:

— Só um pouco de loucura.


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