Mistérios de Amor Ridge: the Avenger Leanne Banks



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CAPÍTULO NOVE
Todos estavam nervosos, na manhã seguinte. Clarence tamborilava os dedos sobre a escrivaninha enquanto aguardava um fax de Drew. Ridge confirmava por telefone as providências tomadas pela polícia local na Virgínia Ocidental, onde seria realizado o comício.

Lutando contra a tensão, Dara ficava andando em volta de Ridge. Concentrado em sua ligação telefônica, ele rabiscava algumas anotações em um caderno. Usava uma camisa branca, com o coldre pendurado. Dara não entendia como ele podia se sentir confortável com uma arma pendurada no ombro.

O rosto e a voz de Ridge estavam tensos. Dara alegrou-se por não ser ela na outra linha. Ele dava medo, da cabeça aos pés, a não ser por uma mecha de cabelos negros que caía em sua testa, emprestando-lhe um ar mais humano. Dara gostaria de tocá-lo, principalmente depois da noite anterior. Imaginou se também era difícil para Ridge deixar de tocá-la, ou se ele conseguia separar pensamentos e emoções, segundo a necessidade. Se conseguia, Dara o invejava.

Desligando o telefone, Ridge perguntou:

— Você está bem?

— Sim, obrigada.

— O tempo está ótimo, e a publicidade antecipada foi muito grande, portanto estamos esperando uma multidão enorme. Chegaremos só quinze minutos antes do seu discurso. Vou levá-la até o palanque. Ray a conduzirá para fora, depois. Então, voltaremos para a limusine.

— Isso não deixa muito tempo para os apertos de mão.

— Sim. Vamos procurar ter o menor número possível de apertos de mão dessa vez.

— Drew concorda com isso?

Ridge não se importava nem um pouco com a opinião de Drew.

Clarence interrompeu, colocando um pedaço de papel no colo de Dara, com expressão preocupada:

— Um fax de Drew. Willis Herkner está farejando algo.

Dara leu a mensagem e balançou a cabeça num gesto de desagrado.

Sem entender o motivo de aquele nome ter aborrecido Dara, Ridge perguntou:

— Quem é Willis Herkner?

Os olhos dela faiscaram.

— Responde pelo apelido de Fuinha e escreve para uma revista de quinta categoria. Se não houver fatos reais, pode ter certeza de que ele encontrará os mexericos mais absurdos e distorcidos para publicar. — Sem disfarçar a raiva, virou-se para Clarence: — O que esse idiota tem contra Harrison?

— Ainda não sabemos. Tudo o que Drew disse foi que ele está tentando cavar toda a sujeira que puder encontrar, desde antes do nascimento de Harrison.

Ridge sentiu a sombra da desgraça pairando sobre eles.

— Gostaria de ver o Fuinha desacreditado. Na verdade, queria ser a pessoa a fazer isso! — Dara exclamou, agressiva.

Ridge lutou contra o sabor amargo da vitória em oposição à sua preocupação com Dara. Queria que todos os aspectos vergonhosos de Harrison Montgomery fossem expostos ao mundo, porém uma parte dentro dele temia que ela fosse magoada. Movimentou os ombros para afastar a tensão.

— Alguém tem idéia do que esse repórter está procurando?

Clarence fez um gesto desanimado.

— Qualquer coisa serve.

— Poderá perseguir Dara?

Clarence e Dara olharam para Ridge, e Clarence fez um ar de surpresa.

— Não pensei nisso.

— O que poderia encontrar a meu respeito?

— Não sei. Poderiam atacar sua mãe...

Dara empalideceu.

— Não se atreveriam. Ela nunca deu escândalos em público e todos sabem de sua doença. Depois das eleições, tirarei férias, e a imprensa se esquecerá de mim.

Ridge sentiu um aperto no coração ao pensar no final da campanha.

Não conseguira nada. Perderia Dara e não se vingara de Montgomery. Estaria enfraquecendo?

Procurou, dentro de si, pelo ódio por Harrison, tão antigo que já fazia parte da sua personalidade. Voltou a senti-lo, como uma brasa acesa em suas entranhas. No mesmo instante, porém, olhou para Dara, tão vulnerável, e a raiva desapareceu. Lutou contra a vontade de pegar suas mãos, a fim de animá-la.

— Talvez não encontrem nada para publicar.

A dúvida brilhou nos olhos dela.

— Talvez não, mas, se eu puser as mãos em Willis, acabo com ele!

— É difícil acabar com ele — Clarence comentou, desanimado.

Ray interrompeu a conversa, entrando na sala.

— É hora de irmos.
Após as duas horas de viagem de carro para a Virgínia Ocidental, a primeira coisa que Ridge notou foi que a multidão presente era quase o dobro do que Drew previra. Uma fanfarra de ginásio tocava a jingle da campanha de Montgomery. Cerveja e refrigerantes eram servidos de graça. Apenas algumas nuvens pairavam no céu, e o calor estava acima do esperado.

O comício mais parecia uma festa prestes a se transformar em bagunça. Para piorar a situação, um grupo de estudantes pacifistas estava doutrinando uma turma de veteranos da guerra do Vietnã, e uma organização extremista incomodava todo o mundo.

Ridge reprimiu a vontade de cancelar tudo, uma premonição de tragédia o pressionando, mas, carrancudo, abriu a porta do carro para Dara.

Ela lançou-lhe um rápido olhar ao sair da limusine; usava um conjunto azul que fez Ridge recordar-se do vestido de veludo da noite anterior. Engraçado como ambos os trajes caíam igualmente bem nela, apesar de tão diferentes. O vestido de veludo era macio e romântico, o conjunto era clássico e vibrante.

— O que há de errado, Ridge? Você parece estar espumando de raiva.

— Não é isso. Apenas gostaria de torcer o pescoço de Drew. Lembre-se: sete minutos. Não prolongue o discurso.

— Nunca faço isso!

Ridge quase riu do tom de voz dela.

— Ótimo. E nada de muita confraternização depois. Clarence contatou as autoridades locais, e todos já sabem que você terá de ir embora logo. Ray a tirará do palanque, e nós a escoltaremos de volta para o carro.

Tocando na borda dos óculos de sol que Ridge usava, Dara tentou aliviar a tensão, fazendo uma brincadeira:

— As lentes espelhadas brilham tanto que eu poderia usá-las como espelho para passar batom.

Ridge teve um pensamento erótico, mas disfarçou.

Dara inclinou a cabeça para um lado, fazendo com que uma mecha de cabelos encobrisse um dos olhos.

— Diga em voz alta, Ridge.

— O quê?

— O que você estava pensando. Diga em voz alta.

Dara aproximou-se tanto que ele sentiu seu perfume envolvê-lo.

Alguma coisa na voz dela não permitia que ele desobedecesse.

— Estava pensando num modo criativo de tirar seu batom depois que você tivesse usado as lentes dos meus óculos como espelhinho.

— Há um nome para homens como você.

E, assim dizendo, encaminhou-se para o palanque.

Ridge acertou o passo com ela e, observando a multidão, perguntou:

— Que nome é esse?

— O mesmo dado para mulheres. — Dara atirou os cabelos para trás, na típica pose sensual que deixa os homens loucos. Ridge não fugiu à regra. Com voz aveludada, concluiu: — Provocadores. Você sabe, aquelas pessoas que prometem, mas não cumprem.

Então, afastando-se de Ridge, Dara sorriu para o policial que lhe estendia a mão e subiu no palanque.

Seu discurso durou seis minutos e cinquenta e oito segundos. Ridge sentiu que Dara o olhava, e fez um sinal de aprovação com a cabeça. Ela sorriu e piscou.

A multidão aplaudiu entusiasmada, enquanto ela descia do palanque. Após assegurar-se de que Ray esperava por ela, Ridge passeou o olhar pelas pessoas em volta. Apesar do aviso do prefeito sobre Dara ter de partir logo, um grande número de convidados vinha em sua direção.

Ridge ficou tenso, esperando que Ray tivesse o bom senso de apressar o passo. Era isso o que ele estava fazendo, mas uma menina surgiu com dois botões de rosa para Dara, que se abaixou para beijá-la.

A sua direita, um dos extremistas começou uma rixa com outro homem. Um terceiro meteu-se no meio e, em segundos, a confusão estava formada. Ridge correu para Dara no momento em que Ray levava um soco. Empurrando a multidão, Ridge viu Dara cair, e seu coração pareceu parar no mesmo instante.

As pessoas se acotovelavam tanto que seria difícil passar um fio de cabelo no meio delas. Porém, em cinco segundos que pareceram horas, Ridge alcançou Dara, levantou-a do chão e arrastou-a em meio ao tumulto.

Com os pulmões doloridos pelo esforço, relanceou um olhar para ela. Um hematoma já estava aparecendo em uma das faces. Um dos ombros do conjunto azul se rasgara e estava manchado. Dara olhou para Ridge, em choque:

— Ray! Ele ainda está lá! Ray! Precisamos...

Era inacreditável. Dara quase fora pisoteada e estava se preocupando com outra pessoa.

— Fique quieta. Vou levá-la para o carro.

As sirenes da polícia já soavam, quando ele abriu a porta da limusine e colocou Dara no assento. Clarence saiu do próprio carro, correndo. Viera dirigindo porque planejava ficar mais tempo no comício.

— Oh, meu Deus! Ela está bem?

— Não sei. Acho que em estado de choque.

Ridge estava desesperado. Tirou o paletó e enrolou-o em volta de Dara, perguntando:

— Onde dói?

— O lado do rosto e o ombro, mas acho que estou bem.

Sua voz soou trêmula ao erguer a mãos até o rosto.

Ridge sentiu um aperto no peito ao vê-la tão pálida e assustada.

— Precisamos tirá-la daqui agora.

— Não! Você precisa buscar Ray. E se ele foi pisoteado tentando me proteger?

— Faz parte do trabalho dele proteger você. Também estou preocupado com Ray, porém a prioridade agora é Dara Seabrook. Ray...

Dara apertou a mão de Ridge com desespero e começou a tremer.

— Não! Eu estou bem. Você deve voltar e trazer Ray. Foi tudo culpa minha! Se eu não tivesse parado para beijar aquela garotinha, isso não teria acontecido.

Ridge teria batido nela, se não sentisse tanta pena.

— Não foi culpa sua.

— Encontre Ray!

Ridge coçou a nuca. Dara estava pedindo para ele quebrar uma regra-chave. Um guarda-costas nunca perde seu cliente de vista. Nunca. Jamais.

Agora, sirenes de ambulâncias confundiam-se com as da polícia, e alguém gritava ordens pelo alto-falante. Ridge olhou para a multidão, que parecia estar se dispersando rapidamente. Volveu os olhos para Dara, desejando tirá-la dali o mais depressa possível.

Ela suspirou, pedindo outra vez:

— Por favor...

— Certo. Clarence, fique com ela até eu voltar. Mantenha as portas do carro trancadas. Grite ao primeiro sinal de perigo.

Clarence fez um aceno afirmativo. Ridge fechou a porta do carro e embrenhou-se na multidão, passando pelo palanque. Ray já estava sendo atendido por um dos médicos da equipe de emergência.

— Você está bem? — Ridge perguntou ao colega.

— Só uns arranhões. Talvez algumas costelas quebradas, por isso querem me levar ao hospital. Como está Dara? Tentei tirá-la de lá, mas juro que aquele tumulto começou num piscar de olhos.

— Ela está um pouco abalada, mas vai ficar bem. Está muito preocupada com você.

Ray fez uma careta de dor.

— Dara é muito bondosa. Vá embora. Diga a ela que estou bem.

Missão cumprida. Ridge conduziu um dos médicos até a limusine e fez com que examinasse Dara. Quando afirmou que ela estava bem, Ridge partiu, rememorando cada detalhe do incidente. Ficava se remoendo, perguntando-se como poderia ter evitado o ocorrido, o que poderia ter feito para proteger Dara melhor.

Embora não culpasse Forrester, ao chegar em casa Ridge já se decidira. Não haveria mais comícios ao ar livre para Dara. E Drew e qualquer outro iria se ver com ele se não concordasse com isso.

Apesar dos protestos de Dara, Ridge mandou chamar um médico para examiná-la mais uma vez. Clarence despachou comunicados sobre o acidente e filtrou as perguntas dos repórteres. Atendendo a todos, e em especial Dara, Rainy serviu sopa e sanduíches.

Três horas depois de terem chegado, Drew telefonou.

— Como vai ela? — perguntou.

— Está bastante abalada — Ridge informou.

— O que houve?

Embora esperasse por aquilo, Ridge não gostou do tom de voz acusador de Drew.

— A multidão foi muito maior do que você previu, Forrester. Poderíamos ter empregado mais policiais, mas precisaríamos de um exército para lutar contra aqueles extremistas.

— Isso é horrível para a nossa imagem!

— É seu problema, não meu — respondeu Ridge, sem nenhuma simpatia por ele.

— Dara está muito abalada mesmo? Talvez pudesse aparecer para a imprensa hoje à tarde ou amanhã, a fim de acalmar os curiosos. E o rosto? Acha que pode disfarçar o hematoma com maquiagem?

— Ela ficará de repouso vinte e quatro horas. O médico disse que precisa de descanso. Quanto ao hematoma, vai doer muito ainda, embora você não dê a menor importância para isso.

— Percebi seu sarcasmo, Jackson. Tenho um trabalho a fazer e...

— Sim. Bem, o trabalho que você me deu também não é exatamente um passeio no parque.

Drew suspirou, impaciente.

— Talvez eu devesse falar com Dara.

— Ela está dormindo.

— Quando acordar, diga para me telefonar. Quero falar com ela. Preciso me assegurar do quanto isso a afetou e se poderá...

Drew calou-se, como se, por fim, tivesse percebido o quanto estava sendo insensível.

— Se ela poderá ainda ser útil a você e Montgomery — concluiu Ridge em voz baixa, mas cheia de raiva.

— Não disse isso.

— Nem precisava. Tenho de ir. Avisarei Dara.

— Espere! Precisamos fazer os arranjos para os últimos dois comícios.

Ridge contou até dez para se acalmar.

— Dara não irá participar mais de nenhum comício ao ar livre.

— Ora, pare com isso! Já discutimos o assunto.

— Isso foi antes. Agora, esta é a decisão. Desde meio-dia e meia de hoje, a aparição de Dara Seabrook nos últimos dois comícios da campanha foi cancelada.

— Você tomou essa decisão sem me consultar?

— Sim.

Um silêncio mortal se seguiu, após o qual Drew sussurrou:



— Quando Harrison tomar conhecimento disso, você estará na rua antes que...

Ridge interrompeu-o, calmo:

— Ótimo. Mande que ele telefone. Não tenho mais nada para falar com você. — E desligou na cara de Drew Forrester, coisa que o encheu de satisfação.

Trinta minutos depois, enquanto mordiscava um sanduíche feito por Rainy, o telefone voltou a tocar. Dessa vez, era o próprio Harrison Montgomery. Ridge perdeu o apetite.

— Sobre o que aconteceu hoje... — começou Montgomery.

Ridge não o deixou terminar.

— O senhor quer me pôr na rua. Muito bem, mas não permitirei que Dara apareça em nenhum outro evento público. Ela foi a única pessoa a sair ferida de sua campanha. O senhor me contratou para impedir que isso acontecesse, e macacos me mordam se vou permitir que aconteça de novo!

— Estou telefonando para me desculpar pela conduta de meu diretor de relações públicas. Se você acredita que algum dos aparecimentos de Dara possa ser perigoso, pode cancelá-lo. Ela possui a rara qualidade de encantar as câmeras. As pessoas são cativadas apenas vendo suas fotografias. Quando descobrem como é acessível, querem chegar mais perto. Sou o primeiro a reconhecer que ela foi a principal responsável pelo nosso sucesso de mídia. Mas não permito que sofra por causa da campanha.

Ridge não conseguia falar. Montgomery se preocupando com alguém além dele mesmo? Seria possível? A amargura voltou a invadir Ridge. Sempre tivera certeza de que nada era mais importante para aquele homem do que chegar à Presidência.

Montgomery continuou, uma ponta de cansaço na voz:

— Creio que ela está dormindo. Ouvi dizer que os ferimentos não são graves. Como está ela?

— Abalada. Acho que só voltará ao normal amanhã ou depois de amanhã.

O outro suspirou, e Ridge percebeu alívio.

— Gostaria de ter notícias quando Dara acordar pela manhã.

— Direi a ela.

O tom de comando voltou à voz de Montgomery.

— Tome conta da minha afilhada.

— Tomarei — respondeu Ridge, de pronto, sentindo que a primeira parte do seu plano fora um sucesso: Montgomery confiava nele.

Ridge, porém, não se sentia tão satisfeito como deveria. Por quê?

CAPÍTULO DEZ


“Apenas por uma hora”, foi o pensamento de Dara, enquanto passeava pelo parque tranquilo de sua infância. Nuvens ameaçadoras cobriam o céu, e a temperatura esfriara um pouco, mas ela sentia-se tão aliviada por ter escapado que teria caminhado até em meio a um nevoeiro.

Evitava pensar na reação de Ridge se a encontrasse ali. Desde o dia do comício, sabia que era vigiada a cada minuto, inclusive quando dormia. Forçada a demonstrar uma aparência de serenidade para deixar os outros bem, sentia-se como uma chaleira fervendo, prestes a explodir por dentro.

Dissera a Rainy que precisava de um pouco de silêncio, um pouco de tempo sozinha. Teve de usar de muita persuasão, mas, enfim, a governanta concordara em dar-lhe cobertura.

Dara apertou a jaqueta de brim contra a o peito e ajeitou-se no assento infantil do balanço. Apesar do desconforto, permaneceu sentada, balançando-se em círculos, dando impulso na areia suja com o bico do tênis, e tentando recuperar um pouco de sua paz interior. Não permaneceu ali por mais de quinze minutos, quando ouviu o som abafado de passos sobre as folhas mortas. Não precisou erguer os olhos para saber de quem se tratava.

— Sente-se também, Ridge.

Após uma breve hesitação, ele sentou-se em outro balanço, o rosto tenso.

— Você saiu sem me avisar.

— Sim. Precisava ficar sozinha um pouco. Todos estão me... sufocando.

— Eu poderia ter dado um jeito para...

— Não — interrompeu, nervosa, levantando-se. — Você teria dado um jeito para eu sair, mas estaria rondando como um bom guarda-costas, e eu não precisava de um guarda-costas, e sim de um amigo. Ou de ninguém.

Enfiando as mãos nos bolsos, Dara virou-se devagar. Ouviu o ranger das correntes do balanço quando ele se levantou também e ficou ao seu lado.

Ridge segurou seu braço de modo que ela teve de encará-lo.

— Não quero nenhum joguinho hoje. Você tem passado por maus pedaços, e eu me preocupo.

Suas palavras a comoveram. A chaleira interior começou a ferver outra vez. Dara inclinou-se para Ridge. Mais por necessidade do que por audácia, perguntou:

— Quer me abraçar?

Os olhos dele escureceram, e ela percebeu a luta interior entre resistir e ceder. A hesitação foi um pouco longe para os nervos abalados de Dara. Suspirando, ela deu as costas para ele.

Imediatamente, viu-se envolvida por trás, suas costas contra o peito de Ridge.

— Você não dá muito tempo para um sujeito se decidir, não é verdade, Dara?

Volteando em seus braços, ela pressionou o rosto contra o pescoço de Ridge, aspirando o cheiro de sua jaqueta de couro e da loção. Ele era alto, forte, quente, sua energia masculina, irresistível. Ela acariciou-lhe as costas.

Como Dara se mantivesse calada, Ridge passou os dedos pelos cabelos dela.

— Você tem o hábito irritante de...

— Outro? — disse Dara, sorrindo contra o seu peito. Como era bom abraçá-lo.

— Hábito de ser imprevisível.

— Meu padrinho diz que é um dos meus atrativos.

— Vocês dois se falaram hoje pela manhã?

Ela se afastou um pouco, fazendo um gesto positivo de cabeça.

— Está ameaçando pegar um avião para me ver, mas eu lembrei-lhe o almoço que vamos ter juntos na véspera das eleições. — Sentindo o corpo de Ridge enrijecer, acrescentou: — Gostaria que você não o detestasse...

— Detesto política.

— Harrison não é de todo mau. Se ele não tivesse salvado meu pai de uma armadilha no Vietnã, eu não estaria aqui hoje.

Dara sentiu aquela antiga dor no peito por nunca ter conhecido seu pai.

— Os dois tornaram-se grandes amigos. Dizem que Harrison jamais voltou a ser o mesmo após a morte de meu pai, anos depois.

Vendo a expressão solene no rosto de Ridge, ela o beliscou.

— Por que fez isso, Dara?

— Porque parece que você comeu uma fruta ácida. Vou lhe dizer uma coisa que vai fazê-lo sentir-se melhor: Harrison me mandou fazer tudo o que você ordenar, e que tomará conta de mim.

Ridge ficou muito quieto. Depois, perguntou:

— Ele disse mesmo isso?

Ela observou o estranho brilho de ansiedade nos olhos de Ridge.

— Sim, mas não quer dizer que eu vá obedecer. Tenho aversão a seguir ordens de guarda-costas.

— Que tal seguir as ordens de alguém que se importa com sua segurança? Alguém que se importa com você?

— Cuidado. Posso levar isso ao pé da letra.

O coração de Dara batia forte.

— Talvez devesse.

Ela prendeu a respiração. Jamais na vida desejara tanto que um homem a beijasse. Jamais desejara tanto beijar um homem, deixar suas emoções transbordarem, satisfazer e ser satisfeita, compartilhar os sentimentos e a paixão. Balançou a cabeça como se quisesse afastar aqueles pensamentos. Não se sentia forte o suficiente para aguentar outra rejeição naquele momento.

— Sabe, Ridge, ainda há muito coisa que desejava conhecer a seu respeito.

— Vá em frente. Pergunte.

Dara desprendeu-se dos braços de Ridge e, segurando sua mão, puxou-a para caminhar.

— Sorvete favorito?

— De morango, feito em casa.

— Quando foi a primeira vez que provou?

— No quintal de minha avó. Ela preparou para celebrar a volta de minha mãe.

— A volta de sua mãe?

— Ela foi para Hollywood por um certo tempo, queria ser atriz. Não deu certo, então voltou para o Mississipi.

— Você morou com sua mãe depois que ela voltou?

Ridge entrelaçou os dedos nos de Dara.

— Só às vezes.

Dara sentiu amargura naquela voz e tentou desviar o assunto.

— Nome da primeira garota que beijou.

Ridge parou e olhou para Dara, louco para beijá-la.

— Mary Beth Cannaday. Eu tinha treze anos.

— Apenas por curiosidade, quantas mulheres você...

Ridge ergueu as sobrancelhas.

— Tem certeza de que quer saber?

Seu tom era rouco e sensual, deixando Dara excitada. Voltando a caminhar, ela respondeu:

— Talvez não. Quantos amigos você tem?

— Poucos. Meu estilo de vida não permite muita atividade social.

— Você se sente sozinho?

— Sim.

— De noite?



Ele demorou tanto para falar que Dara pensou que não fosse responder.

— Sim — disse, afinal.

Ela respirou fundo e olhou para o outro lado.

— O que quer de mim, Dara?

— Oh, não, não me pergunte isso. Posso acabar dizendo, e você faria o que sempre faz: retrocederia.

Cheio de frustração, Ridge segurou os pulsos de Dara, impedindo seus movimentos. Suas mãos eram fortes, mas não a machucavam. Seus olhos, cheios de fogo, penetraram até sua alma.

— Quero estar com você, Dara, de todas as maneiras que possa pensar. E de algumas em que você nem pensa. Começando por isto.

Baixou a cabeça e beijou-a.


Os lábios de Dara ainda latejavam horas depois. Ficou debaixo do chuveiro, tirando o condicionador dos cabelos e imaginando se conseguiria sair viva daquela situação. Pensara que tomando banho eliminaria do corpo os efeitos causados por Ridge, mas era em vão. Seus seios estavam pesados, os mamilos, inchados, como se ele a tivesse acariciado por horas. Sua pele estava sensível, como se Ridge a houvesse afagado de modo a prepará-la para o ato do amor. Mas nada disso acontecera.

Ele a beijara por um longo tempo, até fazer Dara perder a noção de onde estava, e depois se afastara.

Talvez, se tivesse deixado as coisas assim, Dara pudesse ter se recuperado. Mas não deixou.

Passou a noite inteira olhando para ela. Como um menino guloso observando um bolo de chocolate, ficou passeando os olhos pelo corpo de Dara. Durante todo o jantar, ela sentiu o calor, o desejo, a paixão emanando de Ridge.

Dara desligou o chuveiro e enrolou uma toalha na cabeça. A ansiedade era tão grande, que sentia falta de ar. Será que estava louca? E se Ridge se afastasse dela definitivamente?

Apertando a toalha na cabeça, tentava evitar pensar naquilo. Seguindo o ritual de passar loção no corpo e creme hidratante, pôs algumas gotas de perfume e tentou manter-se tranquila. Podia estar morta de medo, mas, em seu coração e sua mente, sabia que chegara a hora.


Ridge estava deitado na cama, os braços por trás da cabeça, os olhos fechados. Não se dera ao trabalho de tirar a roupa nem o coldre com a arma. No estado de espírito em que se encontrava, tanto fazia se encontrar em um celeiro quanto naquele quarto de visitas confortável, com carpete macio e cama larga. Mantendo os olhos fechados, sabia ter deixado apenas a lâmpada de cabeceira acesa, porém não estava com sono.

Estava, sim, muito excitado.

Jamais imaginara que um homem pudesse se sentir daquela maneira em relação a uma mulher. Seu coração batia descompassado, seus pulmões tinham dificuldade em aspirar o ar, e sua virilidade estava em constante estado de desejo.

Se isso não bastasse, Ridge tinha certeza de que seu cérebro fora afetado também. Só assim era possível explicar o fato de apenas conseguir pensar em Dara e nada mais.

Sentou-se na cama no mesmo instante em que Dara entrou no quarto e fechou a porta atrás de si.

Ela suspirou fundo, fazendo com que os seios se erguessem e a atenção de Ridge fosse dirigida para o roupão de cetim florido, que cobria todas as curvas de seu corpo, dos ombros aos pés descalços. O coração dele parecia querer sair pela boca. Dara estava pronta para ir se deitar, mas a poucos passos de distância da sua cama.

Os cabelos úmidos estavam soltos sobre os ombros, seu perfume, sensual e convidativo, penetrou nas narinas de Ridge. Olhava para ele com um misto de desejo, determinação e incerteza.

Foi a incerteza no olhar de Dara que fez com que Ridge lutasse para manter a cabeça no lugar em tal situação. Pigarreou.

Como se soubesse o que ele iria dizer, Dara ergueu a mão.

— Não fale. Apenas escute. — Deu alguns passos em direção à cama. — Sei que você me quer. Diz que tem razões que o impedem de se aproximar de mim. Talvez seja verdade. Mas eu não compartilho essas razões. A única coisa que compartilho com você é essa vontade terrível de estarmos juntos.

Colocou a mão no bolso do roupão, retirando alguns preservativos, que atirou sobre a cama. Ridge ficou olhando para os pacotinhos e pensou que ia ter um ataque cardíaco. Seis! Olhou para Dara, sem conseguir dizer nada.

Ela baixou o olhar, num gesto vulnerável e sedutor. O corpo de Ridge parecia querer explodir, e ele tentava desviar a atenção para o outro lado, que estava irremediavelmente preso ao corpo maravilhoso à sua frente. A expressão que dizia "estou pronta" estampava-se na atitude dela, tornando a atmosfera tensa e fazendo ferver o sangue nas veias de Ridge. O roupão entreabriu-se, quando Dara colocou um joelho sobre o colchão e sua coxa macia e nua apareceu, tentando Ridge.

Fechando os punhos, ele disse a si mesmo que iria mandá-la embora.

Colocando a mão sobre o ombro dele, Dara inclinou-se para a frente, fazendo o roupão abrir-se mais, revelando parte dos seios. Ridge fechou os olhos, sentindo que ela tirava o coldre de seu ombro. Tentou ter forças para dizer "não", porém não conseguiu.

Dara deixou o roupão escorregar de seu corpo para a cama, e o tecido fez um leve ruído. Seus lábios macios tocaram o rosto de Ridge, e ele esqueceu de que sentiria remorso no dia seguinte. Afinal, Dara era tudo o que desejava e não podia ter.

Sentiu seu perfume e abriu os olhos. Nua e bela, sentava-se à sua frente, a pele pálida, e as curvas, femininas. Uma veia pulsava em seu pescoço, denunciando desejo, e aquilo fez crescer a excitação de Ridge.

Havia um hematoma no ombro delicado, uma lembrança de sua coragem no comício do dia anterior. Os lábios de Ridge queimavam com vontade beijar aquele ferimento. Os seios eretos de mamilos rosados subiam e desciam a cada suspiro. Sua cintura estava curvada, pondo em evidência os quadris que pareciam esculpidos para o toque das mãos de Ridge.

Ridge a queria. Mas não apenas seu corpo. Queria seu riso, sua paixão, sua doçura. Deus, queria sua alma!

Todos os protestos se calaram antes mesmo de serem ditos. A razão cedeu. Dara era tudo o que ele sempre desejara, e Ridge poderia tê-la, pelo menos por uma noite.

Seus lábios se uniram, proporcionando um pouco de alívio à grande tensão. A pele dela estava fria, e Ridge teve certeza de que poderia aquecê-la.

Antes que se desse conta do que acontecia, ele estava deitado sobre Dara.

Com naturalidade, ela perguntou:

— É muito atrevimento dizer que tenho imaginado você sem roupa?

Ridge soltou um riso áspero, sentou-se e tirou a camisa, começando a desabotoar o jeans.

— Se é isso o que quer ver...

— Não é só isso.

Assim dizendo, ela beijou-lhe o abdome, subindo até o peito musculoso.

Com movimentos rápidos, Ridge descartou-se do jeans e da roupa de baixo, e puxou Dara contra si, derrubando-a sobre a cama.

Os cabelos dela espalharam-se sobre a colcha como um leque negro. Seus olhos estavam enormes, os lábios inchados pelos beijos de Ridge.

— Há muita coisa que quero fazer — Dara murmurou, com suspiros entrecortados, em tom de desafio.

— Tentarei satisfazê-la.

Ridge abaixou-se até o mamilo rosado. Deliberadamente, sua mão começou a percorrer cada milímetro do corpo de Dara, a boca acariciando do pescoço aos dedos dos pés. Quando Ridge beijou os ferimentos na testa e no ombro, como quem beija uma criança, as lágrimas vieram aos olhos de Dara.

— Ei, o que é isso? — perguntou Ridge, quando seus dedos sentiram a umidade nos olhos dela.

Dara mordeu o lábio, dizendo:

— Você está sendo bonzinho comigo de novo.

— E então você chora. Não quero provocar isso.

Passou as mãos fortes pelas costas femininas, descendo pelos quadris até o início das coxas. Seus olhos escureceram, cheios de intenções sensuais.

Ridge explorou com as mãos a parte de seu corpo mais sensível ao prazer. Dara ficou muito excitada. Sugou a língua de Ridge entre os lábios, e ele gemeu, mergulhando os dedos dentro de seu corpo.

Ridge fechou os olhos. Os músculos dos ombros enrijeceram quando Dara os tocou. Seu tórax vigoroso esmagou-lhe os seios, excitando ainda mais os mamilos já intumescidos. Suas coxas poderosas puseram-se firmes entre as coxas de Dara. Toda a sua virilidade foi pressionada contra o corpo dela.

Pegando um preservativo, rasgou o invólucro e o colocou. Afastou bem as coxas de Dara e, por um instante, os olhares de ambos se cruzaram. Com as narinas dilatadas, Ridge mergulhou nela, que sentiu sua potência invadindo-a. Porém, o que mais a excitou foi o olhar de posse de Ridge.

Ele colocou as mãos de Dara sobre seus ombros, dizendo com voz rude:

— Segure-se.

Então, Ridge possuiu Dara, excitando-a de tal modo que ela sentiu que enlouquecia de prazer.

Estreitando os olhos em sensual concentração, Ridge começou a mover-se de maneira lenta e ritmada, fazendo com que Dara ficasse à beira do êxtase.

— Não resista, querida. Quero você toda. Quero tudo o que tem para me dar.

Indefesa, Dara contorcia-se também, absorvendo todas as sensações, a voluptuosidade do corpo de Ridge contra o seu, os corpos molhados pela transpiração.

Com movimentos vigorosos, ele continuou a penetrá-la e acariciá-la, até que o corpo de Dara foi invadido por espasmos. Por um instante divino, ela enrijeceu e mergulhou num prazer indescritível.

Enquanto Dara saía do êxtase, Ridge acelerou os movimentos, os olhos dourados brilhando de prazer, e chegou ao clímax.

Rolando para o lado, sentiu-se como um homem das cavernas, mas Dara parecia estar muito satisfeita.

Para Ridge, o fato de tê-la possuído não era tudo. Afastando-se devagar, olhou para ela, maravilhado.

Naquele momento, aquela mulher incrível, maravilhosa, era apenas dele, corpo e alma.

Porém uma parte de Ridge, bem lá no fundo, permanecia cheia de dúvidas. Não ia durar. Ele ainda tinha contas a ajustar com Montgomery. Dara iria afastar-se dele quando soubesse a verdade. Seu passado triste voltou a assaltá-lo, mas Ridge tentou não pensar a respeito. Não deixaria nada estragar aqueles momentos.

Os olhos dela estavam cheios de ternura.

— Você é o homem da minha vida.

Ridge voltou a sentir como se um muro de concreto estivesse apertando seu peito. Dara sabia como alcançar seu coração, sempre com honestidade e meiguice. Ridge pensou no que teria feito de bom na vida para merecê-la e concluiu que absolutamente nada. Em silêncio, ele a apertou contra si, imaginando até quando poderia fingir, e se algum dia poderia esquecê-la.

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