Mistérios de Amor Ridge: the Avenger Leanne Banks



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CAPÍTULO ONZE
Dara não conseguia parar de esbarrar nos objetos. Primeiro, foi seu joelho, que colidiu com a cômoda; depois, ralou o queixo na penteadeira. Só acordou definitivamente quando bateu com o dedão do pé na beirada da cama.

Embora dissesse uma série de desaforos a si mesma em frente ao espelho, o brilho de seu rosto não desapareceu. Fitando-se, perguntou a si mesma se não ficaria claro para todo o mundo que Dara Seabrook estava apaixonada por Ridge Jackson. Mas pouco se importava se soubessem.

Após terem feito amor pela segunda vez, Ridge insistira para que ela voltasse ao seu quarto, naquela manhã.

Dara vestiu-se e esgueirou-se pelo corredor até o quarto de Ridge, dessa vez batendo à porta.

Ele a abriu e ergueu as sobrancelhas.

Dara empurrou-o com delicadeza dentro do quarto, passou os braços pelo seu pescoço e beijou-o.

— Bom dia.

— Bom dia. Dormiu bem?

Ela sorriu.

— Como um bebê.

Ridge franziu a testa, virando-se.

— Ainda bem que um de nós conseguiu dormir.

Observando Ridge passar a mão pelos cabelos, notou que estavam muito eriçados. Seu rosto escanhoado apresentava alguns cortes, e os olhos estavam com olheiras profundas. Em qualquer outro homem, aqueles sinais poderiam demonstrar fraqueza, porém Ridge parecia ainda mais perigoso, mais rude e, para desespero de Dara, mais distante do que nunca.

Seu coração entristeceu-se, porém fingiu tranquilidade.

— Você não vai ter um acesso de remorso agora, vai?

Ridge suspirou, olhando para ela.

— Não. Não poderia me arrepender do que houve ontem à noite, nem por um momento. Mas existem coisas que a noite de ontem não pode mudar. Coisas que nada pode mudar.

— Gostaria que você me contasse...

Ridge cortou suas palavras, antes que continuasse.

— Não.


Dara sentiu-se invadida por uma onda de exasperação e impaciência.

— Então não vá fingir que nada houve entre nós. Ou que somos apenas guarda-costas e cliente.

— Você nunca foi apenas uma cliente — ele rebateu. Seus olhos dourados mostravam a turbulência que lhe ia na alma. — Não. Não vou fingir. Mas acho que você não vai ficar feliz quando eu puser todas as cartas na mesa.

Dara franziu a testa. O que significava aquilo?

Rainy chamou, do fundo do corredor:

— Dara! O Sr. Merriman quer vê-la assim que puder.

— Você precisa ir — disse Ridge, dirigindo-se à porta.

Dividida entre a apreensão que notara na voz de Rainy e o fato de tudo estar errado entre ela e Ridge, Dara bloqueou-lhe a passagem.

— Não quero ir. Preciso ter certeza de que você não vai sair de minha vida.

Ouviu o som de súplica na própria voz, mas não se envergonhou disso. Ridge tornara-se importante demais para ela.

A expressão dele endureceu.

— Não sabe o que está me pedindo. — Baixando a cabeça como se carregasse todo o peso do mundo, Ridge suspirou. — Não posso prometer nada, mas saiba que nunca existiu ninguém como você em minha vida. Nunca. — Abriu a porta. — Vamos ver o que Clarence deseja.

Enquanto a seguia pelo corredor e descia as escadas para a imponente sala de estar, cada vez mais Ridge se convencia de que perdera a razão. Deveria ter contado a verdade a Dara. Precisava ter dito que as chances de os dois ficarem juntos era mínima, quase inexistente. Porém, quando olhava dentro de seus olhos, perdia a coragem.

Deparou com Clarence muito perturbado. Estava com o rosto congestionado, enquanto gritava ao telefone:

— O que quer dizer "não temos resposta para a imprensa ainda"? Precisamos contra-atacar imediatamente!

Amassou uma revista e continuou a discutir por mais alguns minutos, desligando, então. Virando-se para Dara e Ridge, disse:

— Não poderia ter acontecido em pior hora. Seis dias para as eleições, e olhe contra o que temos de lutar.

Assim falando, atirou a publicação para Dara, que leu o título da matéria:

— "Nova pílula para aumentar os seios garante resultados positivos."

Ridge lutou contra o riso.

Clarence meneou a cabeça, irritado.

— Não! É a coluna da direita.

— "O filho secreto de Harrison Montgomery" — leu Dara, estupefata.

O sangue pareceu abandonar o corpo de Ridge. Olhou por cima do ombro de Dara, tentando ler o artigo, mas seus olhos não conseguiam focalizar nada. Sentiu como se estivesse girando sem parar. Ouviu, muito longe, a voz de Dara e Clarence.

— Drew telefonou?

— Ele disse que Harrison nem conhece esse rapaz.

— Eu seria capaz de jurar que esse rapaz é Harrison quando moço. Tem certeza de que não é uma antiga foto de campanha?

— A foto não é de boa qualidade, mas esse homem não é Harrison.

— O que faremos agora?

— Estou aguardando por um pronunciamento de Drew.

Dara jogou a revista no chão.

— Willis Herkner escreveu essa tolice. Pode imaginar como isso irá magoar Harrison e Helen? Durante anos tentaram ter filhos. Todos aqueles abortos...

Clarence murmurou algo, concordando. Mas os olhos de Ridge estavam hipnotizados pela revista que Dara atirara longe. Ajoelhando-se, pegou-a com cuidado, desamassou e começou a ler. Mudando alguns fatos superficiais, aquela história poderia ser a dele mesmo, percebeu, sentindo-se enjoado. Segundo a matéria, o rapaz vivia no interior, no Estado do Wyoming.

Ridge desconfiou de que aquele escândalo fosse intriga da oposição devido à superioridade de Montgomery na preferência eleitoral. Mas, então, deu uma boa olhada na foto.

Um frio percorreu sua espinha. O rapaz tinha a mesma estrutura óssea, a mesma postura e, podia quase garantir, os mesmos olhos de Harrison Montgomery.

Ridge franziu a testa. Talvez fosse mesmo verdade. Harrison teve um filho com sua mãe. Da mesma forma, poderia ter tido outro com outra mulher.

A voz de Dara despertou-o de seus pensamentos.

— Ridge, por que está rindo? Isso é sério.

Dobrando com cuidado a revista, Ridge fingiu indiferença. Clareou a garganta. Precisava ficar só.

— Tem razão. Além do mais, isso é problema do pessoal de assessoria de imprensa, não meu. Vou correr.

Dara inclinou a cabeça para o lado, pensativa.

— Ridge, você parece um pouco estranho. Sente-se bem?

Gostaria de ter respondido: "Tão bem quanto poderia estar ao saber que não sou o único bastardo do futuro presidente dos Estados Unidos".

— Preciso de um pouco de ar, Dara — disse, simplesmente.

Sentiu que ela o observava, enquanto subia correndo as escadas, mas continuou em frente. Como explicar a Dara o que não conseguia explicar para si mesmo?
Passou o dia correndo, evitando o contato humano. Não foi difícil, pois Dara e Clarence permaneceram muito tempo ao telefone com os outros cabos eleitorais, pelo resto do dia. Ridge não compareceu nem ao almoço nem ao jantar, alimentando-se de sanduíches.

A meia-noite, já estava muito cansado, porém seu cérebro ainda especulava sem parar. Depois de verificar que Dara dormia, foi para a sala de ginástica e iniciou os exercícios habituais de levantamento de peso.

Foi lá que ela o encontrou, meia hora depois.

O ar parecia carregado de nervosismo. Igual às suas próprias emoções.

Encostando-se à parede fria da sala de ginástica que ficava no porão, ela comentou:

— Não o vi o dia todo.

Ridge olhou-a, enxugando a testa com as costas da mão.

— Você estava ocupada.

— Nem tanto.

Sem responder, Ridge continuou a levantar os pesos.

Dara invejou a habilidade que tinha em concentrar sua energia no que quisesse e controlar seus sentimentos.

— Andou me evitando?

— Você e todo o mundo.

— Inclusive você mesmo.

Ridge parou com os exercícios e limpou o rosto com uma toalha.

— Talvez.

Passando as pernas pela prancha, caminhou em direção a Dara, observando-a. Com seu andar compassado e seus músculos fortes, Ridge sempre fazia Dara imaginar um leão.

— Por que não continuou dormindo, querida?

Ridge estava sem camisa, e seu corpo brilhava com uma leve camada de suor. O desejo surgiu em seus olhos.

Dara começou a sentir aquele calor costumeiro irradiar-se em seu próprio corpo. O tórax e os braços de Ridge estavam distendidos devido aos exercícios, e o short de corrida que usava mal cobria as coxas vigorosas. Dara conhecia muito bem a força daquele corpo. Conhecia também a força do seu desejo.

A atração de Dara, naquele momento, era a mais primitiva possível.

— Não conseguia dormir.

— Talvez devesse contar carneirinhos — Ridge brincou.

Dara não estava disposta a brincadeiras inocentes.

— Estou zangada. Na verdade, furiosa com a idéia de que um homenzinho insignificante e intrigante como Willis Herkner possa publicar algo grotesco como aquela notícia e sair dessa sem problemas. Tenho muita energia para ficar apenas deitada e contar carneiros.

Ridge apertou os olhos, balançando a cabeça.

— Não estou com vontade de discutir sobre esse repórter mau-caráter, hoje à noite.

— Então, sobre o que deseja falar?

Os olhares de ambos se cruzaram. Com voz aveludada, Ridge disse:

— Não estou com vontade de conversar, Dara.

— O que gostaria de fazer?

— A seu respeito?

Dara anuiu.

— Não quero conversa. Não quero romance. Quero sexo.

Dara prendeu a respiração. Ela sabia que a resposta seria essa, porém a explicação clara e rude a chocou.

— Pronto — Ridge continuou. — Está satisfeita? A maioria das mulheres procura romance, ternura e muito tempo disponível. Eu não...

Dara recuperou a voz e retrucou:

— Não represento a maioria das mulheres.

Foi a vez de Ridge se surpreender.

— Você não sabe em que está se metendo.

Seu sexto sentido disse a Dara que ele estava, tanto quanto ela, com raiva e carente.

— Vamos descobrir juntos, Ridge.

Os olhos dele, cheios de fogo, percorreram as curvas sob o roupão de Dara. Observou os seios intumescidos por baixo da roupa.

Passou uma das mãos pela cintura de Dara, aproximando-a de si, e enfiou a outra no bolso do roupão, acariciando sua coxa por cima do cetim, tirando um preservativo do bolso.

— Boa menina. Veio preparada.

Puxou o roupão para baixo, colocou as mãos quentes sobre as nádegas de Dara, e beijou-a na boca. Fez com que ela mexesse os quadris contra o seu corpo, em movimentos eróticos, produzidos para excitar a ambos.

Dara perdeu o controle. Ridge tirou-lhe a camisola e ergueu-a do chão, a fim de beijar seus seios. Ela passou as pernas em volta do corpo másculo, apertando-se de encontro a ele.

— Você é tão doce, tão sexy, Dara... Quero você assim.

Agachando-se, acariciou-a intimamente com a boca.

Dara fechou os olhos, ante a invasão sensual da língua de Ridge. Seus lábios vorazes a deixaram muda, em êxtase. Mal conseguia respirar. Com imensa facilidade, ele fez com que atingisse o clímax, mais de uma vez.

Ridge levou-a para o tapete. Deitaram-se, e ele penetrou-a, explodindo de prazer.

Momentos depois, vestiu as roupas e ajudou Dara a colocar seu roupão. Acompanhou-a até o andar de cima e tentou colocá-la na cama, mas Dara não largou sua mão.

Lendo seus pensamentos, Ridge disse, com um olhar meigo:

— Vou ficar.

Admiradíssima, Dara exclamou:

— Você soube, sem que eu pedisse!

Ele passou as mãos pelos cabelos longos e negros.

— Não consegue esconder muita coisa de mim.

— Mas você não parece muito feliz com isso.

— Não estou acostumado com esse tipo de coisa. Com o brilho que vejo em seus olhos.

Sem poder mais se conter, Dara confessou:

— Então sabe que eu te amo.

Ridge ficou imóvel.

— Você não sabe tudo a meu respeito.

— Nem preciso. O que devo fazer para provar? Contar a Harrison? Contar ao mundo? Enviar uma nota explicativa para os jornais?

Ridge começou a mover a cabeça, irritado, mas Dara continuou:

— Devo pedir para que o demitam, para acabarmos com essa relação nos atrapalhando? O que quer de mim? Entrego a você meu corpo e meu coração. Quero ter um filho com você. Quero...

Ridge a fez calar-se, colocando a mão sobre sua boca.

— Pare! Não precisa provar nada para mim. Tomarei conta de você de qualquer modo. Acha que deixaria um outro protegê-la?

Dara sentiu um pouco de alívio. Embora o futuro fosse incerto, sem sombra de dúvida Ridge importava-se com ela.

— Apenas queria que você soubesse que eu te amo, Ridge.

Olhando para Dara como se ela fosse algo maravilhoso e mágico que poderia desaparecer a qualquer momento, ele murmurou:

— Eu sei.
Na manhã seguinte, Ridge acordou com o estranho ruído do tique-taque de um relógio dentro de seu cérebro. Um ritmo sempre igual, persistente, monótono, que não o deixava esquecer dos segundos, minutos, horas e dias se passando.

Faltavam cinco dias para as eleições, quando então seria forçado a deixar Dara para sempre. E o que ele conseguira?

Aquela pergunta o atormentava enquanto observava Dara dando uma entrevista em uma estação de rádio. Ainda odiava Harrison Montgomery. Porém, em algum momento ao longo da jornada, desviara-se do seu grande objetivo de vingança. De algum modo, seu fascínio por Dara conseguira aplacar a frustração que o alimentara todos aqueles anos, pedindo por justiça.

Quem pensaria que a educada Dara Seabrook teria afinidade em todos os sentidos, até em pontos que ele nem imaginara, com um bastardo sem educação como ele? Quem pensaria que poderia olhar para ele como se fosse o único homem no mundo? Sentiu uma dor profunda quando recordou-se das palavras: "Quero ter um filho com você".

Quase tivera um colapso cardíaco ao ouvi-la dizer aquilo.

Nunca se alegrara com a presença constante de alguém querido em sua vida. Nem mesmo sua avó, nem sua mãe, muito menos seu pai. Seria maravilhoso ter Dara. O contraste entre sonho e realidade era tão grande que teve vontade de esmurrar a parede. Odiava pensar que teria de magoá-la.

Ridge lutava contra a raiva, cada vez que Dara defendia Harrison do escândalo sobre o filho ilegítimo. Após duas entrevistas em estações de rádio e uma em jornal, já não aguentava mais. Porém, mais uma vez, lá estava ele, acompanhando-a ao programa diurno de entrevistas ao vivo.

— Uma última chamada — disse a locutora. — Will, você está no ar com Dara Seabrook.

A voz esganiçada de um homem soou pelas ondas do rádio.

— Srta. Seabrook, como pode ter tanta certeza de que seu padrinho não engravidou uma mulher e a abandonou junto com o filho? Pode ter acontecido mesmo antes de a senhorita ter nascido.

Dara ficou chocada ante as palavras grosseiras do homem. Segundos preciosos se passaram antes que ela fizesse a conexão mental: O tal de Will era Willis Herkner. Sentiu muito ódio. O que ela gostaria de responder seria cortado pela censura. Respirou fundo e, calma, respondeu:

— É difícil para algumas pessoas entender o conceito de caráter. Embora seja verdade que eu não tenha conhecido Harrison Montgomery na juventude, conheço seu caráter. Harrison salvou a vida de meu pai. Não é o tipo de homem que daria as costas para o próprio filho.

— Emocionante. Por que não concede uma entrevista para a American Investigator e dá seu depoimento?

Dara mostrou os dentes em um arremedo de sorriso.

— Oh, não acho que as pessoas tenham interesse em ouvir minha história nessa revista, Will. Sabe, tenho o hábito de dizer a verdade.

E continuou, sabendo que Drew iria beijá-la ou matá-la pelo que iria dizer agora.

— A maioria das pessoas sabe que a Investigator não é uma publicação séria. Seu forte são as fofocas, bastante rudes, sem fundamento. Esse tipo de tablóide é muito bom para embrulhar as compras na mercearia ou forrar a gaiola de passarinhos, e só.

— Ora, sua...

O produtor desligou a chamada de Willis, e a locutora clareou a garganta para seus comentários finais:

— Estamos com o tempo esgotado. Agradecemos muito a nossa convidada, Dara Seabrook.

Minutos depois, Dara se encontrava a salvo, no banco de trás da limusine, ao lado de Ridge. O celular estava tocando. Afundando a cabeça no ombro dele, ela soltou um gemido.

— Tenho de atender?

— Quer que eu atenda por você?

— Por favor.

— Ok. Alô, Jackson falando. Ela está exausta, Drew. Ligará para você mais tarde.

Dara ouviu o zumbido da voz de Drew pelo aparelho, mas não distinguiu as palavras.

Ridge conteve o riso.

— Sim, ela fez aquele comentário sobre a gaiola de passarinho por conta própria. Não estava no texto que você lhe deu. Telefone amanhã. Até logo.

Uma semente de esperança nasceu em Dara. Se Ridge conseguia brincar, conversar e fazer amor com ela, talvez as coisas pudessem dar certo entre eles. Talvez ele não partisse após as eleições. Embora não esquecesse que Ridge sempre insistia no fato de que não poderiam ficar juntos, Dara mantinha a esperança.

Após um jantar agradável com olhares significativos, ela tomou uma chuveirada enquanto Ridge a esperava no quarto.

Secando os cabelos com uma toalha, ela saiu do banheiro e deparou com Ridge lendo atentamente a American Inuestigator. Franziu as sobrancelhas. Pensara ter jogado a revista fora. Aproximando-se, tocou no ombro de Ridge.

— Onde encontrou isso?

Pego em flagrante, ele fechou a revista e jogou-a sobre a escrivaninha.

— Achei no lixo, lugar a que pertence. — Levantando-se, enfiou as mãos nos bolsos.

Desconfiada daquela atitude, Dara ficou olhando para Ridge, pensativa.

— Achei que não se interessasse por campanhas políticas.

O olhar de Ridge estava frio.

— E não me interesso.

— Então por quê...

Ridge deu de ombros.

— Fiquei imaginando quem seria o sujeito da foto.

Pegando a revista, Dara abriu-a.

— Ele se parece muito com Harrison.

— Sabe quem é?

Ela balançou a cabeça em negativa, achando a atitude de Ridge muito estranha.

— Você não tem nada a dizer?

— Sobre o quê? — perguntou, forçando um tom de pouco-caso. — Ou ele é ou não é filho de Harrison.

Dara sentiu-se apreensiva.

— Bem, você não acredita nessa história, acredita?

Novamente, Ridge deu de ombros.

— Minha opinião não interessa. Não dou entrevistas.

— Não vá me dizer que crê nessa mentira!

— Bem, o homem na foto parece demais com Montgomery... — E olhou para a revista, como se um imã o atraísse.

Dara sentia-se confusa e alarmada. Sua intuição dizia que algo estava errado, algo importante.

— Você não foi admirador de Harrison desde o início. Agora que penso a respeito, sua antipatia por ele parece quase um problema pessoal. — De repente, Dara sentiu um frio na espinha. — O que está acontecendo? Você já o conhecia?

Os olhos de Ridge fixaram-se nela. Ficou imóvel, uma expressão fria no rosto que encheu Dara de medo. Com voz baixa e ameaçadora, Ridge respondeu:

— Jamais tinha visto Harrison Montgomery antes daquele programa da MTV.

Dara começou a tremer, mas algo lhe disse que pegara o fio da meada e iria desenrolar todo o novelo.

— Então, qual seu interesse nessa historia? Você está sempre pronto a criticá-lo. Deve ter tido algum relacionamento com ele, mesmo que indireto. Alguma coisa.

Ridge deu-lhe as costas, sem nada responder.

Parecia que uma faca rasgava o coração de Dara. Voltou a encará-lo, sentindo que o Dia do Juízo Final se aproximava.

— Você o odeia.

Ridge avisou:

— Não me faça falar, Dara.

Tremores percorriam o corpo dela, sem parar. Entretanto, precisava de respostas. Repetiu, suspirando:

— Você o odeia.

O rosto de Ridge ficou muito pálido e algo dentro dele pareceu explodir. Por entre os dentes cerrados, sibilou:

— Sim. Eu o odeio.

A força de seu ódio atingiu Dara como uma bofetada. Ela deu um passo atrás, sentindo um vazio total. Tentou abrir a boca e pronunciar a pergunta: "por quê?", mas nenhum som saiu de seus lábios.

Ridge deu um passo adiante, o rosto, uma máscara de amargura.

— Já que você é tão curiosa, devo dizer que tenho um ótimo motivo para odiar Harrison Montgomery. Talvez seja hora de contar-lhe a respeito. — Com o dedo, apontou para o próprio peito: — Aquele sujeito é meu pai.

Dara balançou a cabeça. Era impossível. Não podia ser verdade. Não podia... Com voz fraca, perguntou:

— Como? Deve haver um erro...

Houve um erro. E esse erro sou eu.

Como Dara nada dissesse, ele soltou um riso seco, sem alegria.

— Não acredita em mim, não é mesmo? Todo esse tempo não quis lhe contar porque sabia como a verdade faria você sofrer.

Dara não emitiu um som. Parecia estar vivendo um pesadelo. Ouvia Ridge. Podia vê-lo. Mas não conseguia sentir nada.

— Você está pensando que eu não me pareço com ele. Tem razão. Não pareço, mesmo. Com exceção de um detalhe.

Assim falando, Ridge abaixou a cabeça bem perto do rosto de Dara.

— Veja meus olhos.

Ela fitou aqueles olhos leoninos, olhos dourados, a mesma cor e feitio dos olhos de seu padrinho. E o quarto começou a girar.

CAPÍTULO DOZE


Dara demorou a recuperar o fôlego. Porém o mesmo não se deu com sua mente, que corria em diferentes direções. Cobriu os olhos e balançou a cabeça. Pensou que precisava raciocinar.

Olhando para Ridge, ergueu as mãos, impotente:

— Como? Quando?

— "Como" é óbvio. Minha mãe foi para Hollywood, tomou parte em alguns filmes de segunda classe e procurou viver o mais intensamente possível. Isso incluiu festas loucas e um namoro de seis meses com Harrison Montgomery.

Confusa, Dara franziu a testa.

— Mas pensei ter ouvido você dizer que ela foi para Hollywood depois que você nasceu.

— Essa foi a segunda vez.

Dara mordeu o lábio.

— Não faz sentido. Harrison não teria se envolvido com sua mãe. Ele já era...

A verdade surgiu diante de seus olhos e ela se interrompeu, o estômago embrulhado. Terminou a frase com um sussurro:

— ...casado. Sua mãe não contou a Harrison que estava grávida? Ele sabia?

— Ela tentou contar. Deixou mensagens no escritório dele, mas, àquela altura, já haviam terminado o namoro. Voltou para o Mississipi até o final da gestação e depois regressou a Hollywood, assim que foi possível.

Dara continuou a balançar a cabeça, como se desejasse varrer aquela revelação de seu cérebro. Seu mundo desabara de repente.

— Parece tudo tão irreal. Não sei o que pensar. Quando foi que ela lhe contou sobre Harrison?

O rosto de Ridge parecia esculpido em pedra, ao responder:

— Na noite em que tomou uma overdose. Eu tinha dezesseis anos.

Horrorizada, Dara sentiu um nó na garganta. Suspirou, aproximando-se de Ridge.

— Oh, Deus!

Ele se afastou, e Dara sentiu o coração gelar.

— Isso faz muito tempo...

Ela podia ver, entretanto, que, para Ridge, era como se tivesse, acontecido no dia anterior. Ele vinha sofrendo durante anos e alguém precisava aliviar aquela dor. Alguém tinha de esclarecer as coisas.

— Temos de contar a Harrison, Ridge.

— Não.

A voz dele não deixava dúvidas de que não cederia. Seus punhos estavam cerrados, o rosto, congestionado de ódio, e seus olhos, mais frios do que o aço.



— Passei a vida toda sem pai. Não preciso dele agora.

Por um instante, o remorso pareceu tomar conta de seu rosto, e então sua expressão tornou-se tão distante que assustou Dara.

— Agora sabe por que não podemos ficar juntos. — Afastou-se de novo, quando Dara tentou abraçá-lo, concluindo: — Meu ódio por Harrison Montgomery é tão grande quanto o seu amor por ele.

Dara ficou imóvel ante aquela declaração. Piscou os olhos, para clarear os pensamentos, dar sentido àquela incrível situação, mas sua mente e seu coração não conseguiam se controlar e, antes que pudesse dar-se conta do que acontecia, Ridge havia ido embora. Ela queria gritar seu nome, ir atrás dele, mas não sabia o que dizer.


Ridge tirou as roupas e vestiu o calção de corrida. Precisava correr o mais depressa e o mais longe que suas pernas conseguissem levá-lo. Enfiou os tênis e quase derrubou Rainy, que vinha subindo as escadas.

— Desculpe — murmurou, saindo pela porta da frente.

A noite estava escura como breu. Combinava com seu estado de espírito. Ridge queria se esconder da realidade, de Dara, de seus pensamentos e de seu coração.

Enquanto corria, pensamentos confusos entrelaçavam sua mãe, Harrison e Dara. Ficava pensando se o rapaz da foto na revista escandalosa era outro dos "erros" de Harrison. Nesse caso, Ridge possuía um meio-irmão. Não sabia o que sentir a respeito, nem a respeito de nada. A única coisa sobre a qual tinha conhecimento era da terrível sensação de ter perdido Dara.

A realidade abateu-se sobre Ridge, não importando o quanto corresse ou para onde fosse. Lutou para afastar a imagem de tristeza de Dara. Parte de sua alma desejava não ter contado nada a ela. A outra parte estava aliviada por ter contado. O terrível segredo fora revelado e, como suspeitara, Dara não teria forças para suportar.

Horas depois, Ridge estava debaixo do chuveiro, iniciando o lento e deliberado processo de tirar Dara Seabrook dos seus pensamentos. Era uma questão de sobrevivência.

Com a água quente fustigando sua pele, ficou relembrando as táticas para se concentrar no trabalho. Manteria a situação apenas no campo profissional. Evitaria conversas particulares. Esqueceria que fizeram amor. Esqueceria o som do seu riso, o aroma de sua pele.

Soltou um gemido. Seria mais fácil esquecer o próprio nome.

Ao puxar a cortina do chuveiro, levou um susto ao ver Dara, que, de imediato, entrou na banheira com ele. Os olhos dela brilhavam com lágrimas recentes, seu rosto mostrava tristeza, porém determinação também, e ela estava completamente nua.

Ridge sentiu o coração saltar. Virou-se e ficou encarando os ladrilhos da parede, cada músculo de seu corpo retesado.

— Vá embora — murmurou.

Com doçura e firmeza, Dara respondeu:

— Não.

— Aqui não é seu lugar.



— Sim, é.

Ela colocou as mãos nas costas de Ridge, que sentiu o calor do corpo dela, fechando os olhos.

— Nunca dará certo. Partirei no dia seguinte às eleições — avisou, sua voz soando estranha aos próprios ouvidos.

As mãos de Dara desceram para sua cintura, e ela encostou os seios nas suas costas.

— Então partirá sabendo que eu te amo mais do que tudo.

Os pulmões de Ridge pareciam querer arrebentar. O tremor na voz de Dara o desarmou.

— Dara...

Sentiu os lábios dela sobre sua pele e um soluço abafado.

— Não vou embora — teimou Dara. — Ainda não.

Incapaz de ouvir o som magoado de sua voz, Ridge virou-se e prendeu-a nos braços.

— Por que faz isso comigo?

Beijando seu peito, ela respondeu:

— Já disse: eu amo você.

Excitação e frustração tomaram conta de Ridge.

— Mas...

Com o rosto coberto de dor, Dara impediu que continuasse a falar.

— Ridge, você e eu estamos sofrendo, e não suporto ficar longe. Não consigo.

Ele pensou que seu coração fosse explodir. Baixou a cabeça e sugou uma gota d’água na pele de Dara, que fechou os olhos e enterrou o rosto em seu peito.

Não havia palavras que explicassem o que sentia com a presença dela. Sempre fora um solitário. Sempre esperara por rejeição. Ela lhe oferecia compreensão.

Passando as mãos pelo pescoço de Ridge, Dara o beijou com ternura nos lábios. Sua língua penetrou, fazendo Ridge sentir um suave desejo. Continuaram se beijando até que o calor ardente voltou a tomar conta dos dois.

Afastando-se devagar, Dara fixou os olhos nele.

— Deixe-me fazê-lo se sentir melhor esta noite — murmurou.

Passando as mãos pela pele acetinada da cintura e das coxas de Dara, Ridge confessou:

— Já fez.

Um pálido sorriso de malícia feminina pairou em seus lábios, antes de beijar-lhe o pescoço.

— Ainda não acabei.

Ridge sentia paixão e confiança, uma irresistível combinação. Dara era mais do que desejo físico. Ele tinha posto seu coração nas mãos dela. Com violência, respondeu ao seu chamado.

Dara acariciou o tórax de Ridge com delicadeza e sensualidade ao mesmo tempo. Suas mãos desceram pelos braços dele, alcançaram seus dedos, conduzindo-os até seus seios. Segurando-os, já intumescidos, Ridge sugou-os, ouvindo o gemido de Dara.

A água do banho continuava quente, mas Ridge estava muito mais..

Ela passou a mão pelos quadris e abdome de Ridge, que prendeu a respiração.

Mantendo os olhos nos dele, Dara acariciou-o de leve e voltou a afastar a mão.

Ridge soltou um gemido torturado. Desejava erguê-la do chão e penetrar em seu corpo, de imediato. Lutando por se controlar, fechou os olhos.

Queria discutir, mas as mãos de Dara não paravam de acariciá-lo. Não conseguia articular uma só palavra. A sensação dos seios dela contra suas costas e as pernas acetinadas se esfregando nele o deixavam louco.

No momento seguinte, os lábios dela escorregaram para seu abdome, e a ponta de seus seios rasparam sua pélvis.

Dara beijou-o entre as coxas, ficando com a cabeça a poucos centímetros do ponto mais sensível de seu corpo.

Ridge não sabia o que dizer.

— Dara...

Olhando para cima, sem afastar os olhos dele, ela o beijou mais intimamente.

A sensação da boca de Dara o enlouqueceu. Um grito rouco saiu da garganta de Ridge, que perdeu o controle. Tentou afastar-se.

Dara não permitiu.

— Deixe — pediu.

Uma série de gemidos abafados ecoou sobre as paredes de ladrilhos até Ridge emudecer. Os lábios úmidos e a língua de Dara o fizeram entrar em êxtase. A paixão o cegou. Como em meio a um nevoeiro, observou-a enquanto fazia seu ritual erótico. Mas, por mais físico que fosse aquele momento, Ridge sentia Dara tão perto de seu coração quanto de seu corpo.

Em desespero, ela dissera para Ridge: "Deixe-me fazê-lo sentir-se melhor".

Com sua boca, seu corpo, Dara tentava dar-lhe alívio. Tudo nela falava de amor. Só desejava amar Ridge.

Ele então esqueceu todos os preconceitos, todos os obstáculos. As barreiras caíram por terra. Todos os motivos por que não podiam ficar juntos desapareceram. Dara o modificara. Se Ridge gostava ou não daquilo, era irrelevante. Ambos pertenciam um ao outro.

O corpo de Ridge teve espasmos, consequência das carícias de Dara e do conhecimento de que ela era insubstituível em sua vida. Acabando com o pouco de distância que ainda havia entre os dois, Ridge puxou-a pelos cabelos.

— Preciso de você.

Uma única lágrima tremeluzia nos olhos dela.

Ridge ergueu-a, empurrando-a de encontro à parede de ladrilhos do chuveiro, e possuiu-a. Dara enlaçou seu corpo com as pernas, com toda a força.

Com o coração aos pulos, Ridge murmurou, enquanto chegava ao orgasmo:

— Meu lar...
Na manhã seguinte, Dara persuadiu Clarence a substituí-la em uma aparição pública, enquanto tentava comunicar-se com Harrison. Falara com o padrinho assim que a história escandalosa da revista fora publicada, e agora desejava ter respostas a certas perguntas. De muito bom grado, fizera o possível para promover Harrison durante aquele último ano, e ainda achava que ele seria o presidente ideal para o país. Porém não iria mentir para encobrir seus pecados do passado. Nem relegar para segundo plano sua relação com Ridge.

A noite chegou, e Harrison ainda não tinha respondido às suas chamadas; então, Dara resolveu outra coisa: descobriria quem era o homem da foto, com ou sem a permissão de Harrison.

Enquanto Dara e Ridge ouviam um CD de jazz no sofá da sala, ela tentou, com diplomacia, abordar o assunto que a vinha preocupando:

— Acha que um dia irá dizer a Harrison que é seu filho?

No mesmo instante, o olhar de Ridge tornou-se alerta. Aprumou-se no sofá, depondo a xícara de café sobre a mesinha.

— Não em breve.

Dara tamborilou os dedos no braço do sofá.

— Gostaria que houvesse um meio de...

— Não há — interrompeu Ridge. — Não se trata de um conto de fadas onde, no final, o pai saúda o filho perdido há muito tempo, de braços abertos.

Aborrecida, Dara franziu o cenho.

— Não sabemos como ele irá reagir, já que talvez nem saiba que tem um filho.

— Pouco me importa como reagirá.

Ridge levantou-se, indo até a lareira.

Dara percebeu que era o orgulho masculino falando mais alto, após tantos anos de mágoa. Com um suspiro, ela também se levantou e foi até Ridge.

— Talvez você o odeie, mas isso é uma coisa que o incomoda. Não o deixa tranquilo. Não sei avaliar muito bem o quanto você sofreu, mas, como mera observadora, posso dizer que esse assunto está mal resolvido.

Como Ridge mantivesse a expressão de pouco-caso, Dara gesticulou, tentando explicar:

— É como uma canção sem um final. Nunca termina, e você fica sempre matutando: "E se eu tivesse agido assim... se eu tivesse agido do outro jeito..."

Ridge explicou, seco:

— Não quero fazer amizade com ele. Quero vê-lo pagar pelo que fez o mais rápido possível.

O coração de Dara sobressaltou-se. Colocou a mão sobre o braço de Ridge, sentindo a tensão que emanava dele.

— Não creio que você o odeie tanto assim.

Os olhos dele brilharam de raiva.

— Então saiba que está errada. Passei os melhores anos de minha vida pensando em me vingar de Harrison.

Dara tremeu, percebendo a força daquele sentimento negativo. Temia que tanta amargura destruísse o próprio Ridge. Temia que ele se consumisse de tanto ódio. A única coisa que a confortava era que, até então, Ridge falara mais do que agira.

— Se você realmente quisesse destruí-lo, já o teria feito, porque não faltaram oportunidades. Por que não as usou?

Ridge encarou Dara, pensativo:

— Você sabe por quê.

Aturdida, ela enlaçou os dedos nos dele.

— Não, na verdade não sei.

Ridge puxou-a para si, seus olhos procurando os de Dara.

— Então, desconhece seu próprio poder. O motivo pelo qual não crucifiquei Montgomery é você.
Dara ponderava sobre as palavras de Ridge no dia seguinte, enquanto ia encontrar-se com Harrison para um almoço em Washington. Era véspera das eleições e, pela primeira vez na vida, sentia-se mal com a idéia de ver o padrinho. Ridge não falava muito, mas seu olhar dizia que não desejava que Dara revelasse seu segredo para Harrison.

Suspirando, ela deu uma olhada na seção de esportes do jornal, sem prestar atenção, e olhou o dia frio de outono pela janela do carro.

— Já faz tempo que não vejo nem falo com Harrison. Sinto-me esquisita em saber que vou vê-lo hoje, imaginando o que dizer.

— Por minha causa.

— Em parte. Mas tenho outras perguntas que gostaria de ver respondidas, como, por exemplo, por que Harrison não respondeu às minhas chamadas. Estou tensa também porque é o fim da campanha eleitoral. O ritmo tem sido tão frenético... — Dara não queria falar das coisas que separavam Ridge dela. Mudou de assunto. — Queria saber que ilha ensolarada deverei visitar. Tem alguma sugestão?

Ridge virou-se para ela. Aquela súbita mudança de assunto o surpreendeu. A imagem de Dara vestindo um exíguo biquíni, deitada na areia de uma praia ou no convés de um barco, fez seu sangue ferver. Imaginou se teria a intenção de ir sozinha.

— Há o Caribe, se deseja um lugar mais próximo. As Bermudas são um pouco frias nesta época do ano. É um longo vôo até o Taiti, mas vale a pena.

Ela inclinou a cabeça para o lado, em dúvida.

— Qual você escolheria?

— Eu não vou viajar.

— Oh, não vai? Isso dificulta as coisas para mim.

— O que quer dizer?

Ela encostou-se em Ridge.

— Decidi me dedicar à campanha neste ano que passou, a fim de poder fazer, depois, algumas das coisas que nunca fiz antes. Mergulhar, praticar pesca submarina e... — Sorriu, completando: — Fazer amor na praia. Se você não vier comigo, terei de riscar essa atividade de minha lista.

Suspirou, fingindo preocupação.

— A menos que... bem, você acha que poderia encontrar um outro que...

— Sua bruxinha!

Ridge agarrou-a, colocando-a sobre o colo. Ele ainda custava a acreditar que Dara lhe pertencia.

— Se vai fazer amor na praia, então será comigo.

Dara voltou a sorrir.

— Então, posso manter essa atividade na lista?

Passou as mãos pelo pescoço de Ridge e beijaram-se longa e voluptuosamente, só parando quando a limusine estacionou na porta do hotel em Washington.

Os olhos de Dara brilhavam de paixão.

— Você não joga limpo comigo, Ridge. Como posso ter uma conversa inteligente com os figurões da política depois de um beijo desses?

Ela era tão encantadora, simples e direta que Ridge desejaria pôr o mundo a seus pés. Tirou-a do colo, com relutância.

— Dei o troco, depois daquela bobagem que disse sobre fazer amor na praia com outro.

Ridge saiu da limusine, olhando em todas as direções. Nada de imprensa ou grupo de protestos à vista, reparou com satisfação. Dando a mão para Dara descer do carro, voltou a notar como estava nervosa, mordendo o lábio. Ridge desejava beijá-la e afastar aquela ansiedade.

— Você está bem?

Dara aprumou-se.

— Estou. — E começou a andar em direção ao hotel.

A personalidade "Dara-profissional" já assumira, pensou Ridge.

Quando chegaram ao restaurante, ele poderia ter jurado que ela já não pensava em sua vida particular, mas apertou sua mão e sussurrou:

— Eu amo você. Não se esqueça.

Ridge sentiu a garganta secar.

— Não me esquecerei.

Ela acenou para Drew e um congressista do outro lado da sala, murmurando:

— Também gostaria de avisá-lo de que nunca fiz amor em uma limusine. — Encarou Ridge. Aquele era o olhar de uma mulher que sabe o que quer e quem quer. — Acha que pode dar um jeito para providenciar isso?

Antes que ele tivesse tempo de responder que "daria um jeito" nela a qualquer hora, em qualquer lugar, Dara já fora para a mesa.

Enquanto o almoço prosseguia, Ridge ficou tomando conta, de modo profissional. Vários homens discursaram, já anunciando Montgomery como vencedor por uma grande margem de votos. Pouco entusiasmado, Ridge teve de concordar. Montgomery iria vencer, e ele tinha de admitir que seria um bom presidente.

Ficou pensando, admirado, como podia ter sentimentos tão controvertidos sobre outro ser humano. Em geral, seu instinto a respeito das pessoas era rápido e definitivo: simpatia, antipatia ou indiferença. Tentou imaginar Montgomery trinta anos atrás. Que tipo de homem teria sido? Desde então mudara muito? Seria possível?

Aquela perspectiva o deixou confuso, questionando seu ódio. Teria continuado com seus pensamentos, se um agente do Serviço Secreto não o informasse que uma grande multidão se formara fora do hotel. Uma enorme manifestação pública começara.

Quando o almoço terminou, Ridge e Dara seguiram Harrison Montgomery, sua esposa Helen e os agentes do Serviço Secreto para fora do hotel. Ridge ficou tenso ao reconhecer o mesmo grupo extremista que causara problemas no comício de Dara.

— Quero você dentro do carro imediatamente, Dara.

Sempre político, Montgomery acenou para a multidão. Um repórter perguntou-lhe o que pensava da manifestação, e ele sorriu, dizendo:

— Esta é uma das grandes coisas de nosso país. Todos têm o direito de se expressar.

Ridge empurrou Dara em direção à limusine.

Desejando tirar o melhor partido possível da situação, em vez de seguir seu esquema original, Montgomery empurrou Helen em direção ao seu carro e foi caminhando para a limusine de Dara, tendo mais tempo para acenar ao público.

Ridge rangeu os dentes, notando que os agentes do Serviço Secreto eram forçados a se separar em dois grupos. Enquanto Montgomery abraçava Dara em um gesto calculado para atrair a imprensa ávida por fotos, Ridge observou a multidão.

— Não sabe como apreciei o que você fez por mim — disse Montgomery a Dara.

Com voz trêmula, ela respondeu:

— Precisamos conversar.

Com o canto dos olhos, Ridge o viu fazer uma aceno relutante.

— Telefono para você mais tarde, querida — Harrison respondeu.

A multidão pareceu ficar mais agitada.

— Mais tarde — repetiu Ridge, ansioso por ver Dara dentro do carro.

Mal tomara aquela providência, ouviu o primeiro tiro, seguido por gritos e exclamações de histeria.

Batendo a porta do carro com força, Ridge viu um espaço aberto na frente de Montgomery. Um arrepio o percorreu e ele agiu por instinto.

Postou-se na frente de seu pai e levou o tiro que era destinado a Montgomery.


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