Mistérios de Amor Ridge: the Avenger Leanne Banks



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CAPÍTULO TREZE
— Sou da família! — Dara gritou. Acostumada a lidar com histeria, a enfermeira falou em voz baixa mas firme:

— Senhorita, já lhe expliquei: ele não saiu da sala de cirurgia ainda. Assim que for para a U.T.I., poderá vê-lo.

As lágrimas voltaram aos olhos de Dara. Sentia-se tão desamparada... Assim que vira Ridge cair no chão, saltara da limusine, apesar dos gritos instruindo para que permanecesse dentro.

— Havia tanto sangue — murmurou, sua mente atormentada com a imagem do corpo de Ridge, imóvel, na calçada.

— A bala atingiu o baço — explicou a enfermeira, que chamou um atendente, dizendo com compreensão:

— Ele a levará para uma sala tranquila onde poderá esperar. Traga café para a moça. Ela é a afilhada de Harrison Montgomery.

Dara murmurou:

— Harrison está bem. Ridge não.

As horas se passaram e Dara ficou rezando. Quando Clarence chegou e tentou levá-la para casa a fim de tirar suas roupas manchadas de sangue, ela recusou.

— Harrison gostaria... — começou a dizer Clarence.

— Não desejo ouvir falar de Harrison agora.

O homem que ela amava estava morrendo porque protegera Harrison Montgomery, fazendo do próprio corpo um escudo. Dara sentiu como se arrancassem o coração de seu peito. Deixou-se levar pelas lágrimas. Sem jeito, Clarence passou um braço por seus ombros, dando palmadinhas de conforto.

Enfim, o cirurgião apareceu à porta.

— Removemos o baço. Ele perdeu muito sangue, mas esse homem tem uma vontade enorme de viver. Acho que vai conseguir. — Olhou para o relógio. — Vai para a U.T.I. dentro de quinze minutos. A enfermeira me disse que a senhorita é da família.

Dara fungou, aquiescendo:

— Vamos nos casar. Com o canto dos olhos, viu Clarence de queixo caído e virou-se para ele, com ar de desafio: — Não é verdade, Clarence?

— Claro. Vão se casar — repetiu, aturdido.

Dara pareceu recuperar as forças nas pernas e correu para pegar um elevador. Vinte minutos se passaram em vez de quinze, e ela já estava enlouquecendo quando chegaram, empurrando a maca de Ridge. Dara chorou, vendo a cor acinzentada do rosto dele. Os lábios estavam brancos, e seu corpo tinha uma imobilidade tão grande, que Dara ficou imaginando se o médico não se enganara. Porém, o monitor ao lado da maca indicava que seu coração batia.

A cada quinze minutos, Dara sentava-se perto dele e apertava sua mão, alternando palavras de amor e ameaças carinhosas de prendê-lo em um quarto e jogar a chave fora, se ele voltasse um dia a servir de alvo para uma bala.

Ridge acordou durante um desses momentos. Procurou por sua mão.

— Dara...

Apertando os dedos frios, os olhos dela encheram-se de lágrimas.

— Oh, Ridge. Eu te amo muito, e você vai ficar bem.

— Vou? — perguntou ele, com voz pastosa e trêmula.

— Sim. Vai, sim.

Ridge fez uma careta e engoliu com dificuldade. Seus olhos se fecharam.

— Mais alguém foi ferido?

Dara sabia a quem ele se referia, e seu coração se confrangeu.

— Não. Ninguém mais se feriu.

Observou enquanto ele voltava a mergulhar na inconsciência, e foi invadida por um sentimento de paz. Ridge ia viver.

Quando ele voltou a despertar, ouviu a voz de um homem:

— Quero agradecer-lhe por ter salvado a minha vida.

O coração de Ridge acelerou. Tentou abrir os olhos, mas as pálpebras estavam pesadas como chumbo, a boca completamente seca.

— Montgomery?

— Minha dívida com você não tem preço.

Ridge ouviu, mas não acreditou naquelas palavras. Lutou por recobrar o fôlego. Muito ao longe, ouviu o som de um bipe, enquanto a voz continuava:

— Se há algo que eu possa fazer, qualquer coisa...

Uma voz feminina disse:

— Sr. Montgomery, deve sair agora. Ele está muito agitado.

Umedecendo os lábios, Ridge ouviu outra enfermeira concordar. Sentiu uma mão confortando-o, mas não era Dara; então, voltou a dormir.

Sonhos provocados pela anestesia levaram Ridge a uma estranha viagem. Repetidas vezes, viu-se afastando-se e deixando Montgomery levar o tiro. A visão do pai morto sobre a calçada o deixou horrorizado. Tentou alertar Montgomery, gritar, mas não conseguia emitir nenhum som.

Em algum lugar do seu inconsciente mais profundo, uma voz terrível o lembrava:

Você queria que ele morresse.

Não!

Ridge mexia a cabeça, agitado.

Você queria que ele morresse!

Eu só queria um pai!

— Pare, Ridge, por favor!

A voz de Dara, implorando, penetrou em seus pesadelos. Mãos frescas acariciaram sua testa.

— Tem de parar de se torturar.

Ridge piscou. Sua visão estava turva, mas sabia que era Dara. Sentiu o calor voltar a seu corpo. O terror desapareceu. A visão dela começou a entrar em foco, e ele murmurou:

— Eu amo você.

Os olhos dela estavam cheios de lágrimas e de amor. Parecia cansada, mas linda. Tocando sua testa, faces e boca, mordia o lábio, tentando se controlar.

Ridge sentiu como se um enorme e terrível peso o abandonasse, como se estivesse curado de uma doença incurável. Levou um momento para perceber do que se tratava. Olhou pra Dara, surpreso, e disse:

— Eu não o odeio mais.
Casaram-se três semanas depois e, embora Ridge preferisse ir para o Taiti, Dara insistiu em um vôo mais curto. Acabaram indo para a ilha de St. John. Na verdade, ele não podia se queixar, enquanto sua esposa lhe trazia outro suco de frutas do bar bem abastecido de seu bangalô privado na praia. Não se cansava de olhá-la, vestindo quase nada: uma frente-única justa e uma minissaia que o fazia imaginar se estava usando algo por baixo. Dara o colocara no portão de entrada e fizera ameaças terríveis, caso ele se movesse.

A campainha tocou, e ela entregou-lhe a bebida, apressada. Quando ele esticou a perna na espreguiçadeira, Dara ameaçou:

— Não ouse se mexer. Só vou levar um minuto.

E foi buscar uma carta. Atirando-a displicentemente sobre uma mesinha, juntou-se a Ridge na espreguiçadeira dupla para ver o pôr-do-sol.

Ele passou um braço pelo seu ombro e perguntou:

— Vai me dizer o que há naquela carta?

Ela entrelaçou as pernas macias nas dele.

— Não. Vou seduzir meu marido.

Pressionou os lábios na orelha de Ridge, e o sangue dele começou a latejar nas veias.

Sorridente, Ridge voltou-se e beijou-a com paixão.

— Já que não podemos fazer amor na praia durante esta viagem, pensei... — ela começou, tomando fôlego, depois do beijo.

— Por que não?

Dara hesitou.

— Bem, seu ferimento, é claro.

Cauteloso, Ridge levantou-se.

— Sabe, você tem esse hábito irritante...

Dara arqueou as sobrancelhas.

— Outro?


— Posso não estar preparado para uma maratona, mas nada me impede de um pouco de ação na praia.

Ela sentou-se.

— Ridge, não quero que se machuque.

— Então, levaremos um cobertor. A areia incomoda mesmo.

Estendeu a mão para Dara e, quando ela se negou, Ridge perguntou:

— O que há? Ficou medrosa de repente?

Com os olhos faiscando, Dara ergueu-se da cadeira.

— Se você for parar no hospital de novo...

Ridge deixou-a falar mais um pouco, enquanto desciam os degraus para a praia particular. Ele sabia que era ela quem mais precisava se recuperar do trauma vivido.

Apertou a mão de Dara e puxou-a.

Dara parou de falar, e seus olhos se encontraram.

Ridge soltou os cabelos negros e sedosos da trança complicada que Dara fizera e desabotoou a frente-única, revelando os seios despidos para o sol e seus olhos. Pressionou os dedos sobre os lábios dela, balançando a cabeça.

— Às vezes não acredito que tudo deu certo. — Desceu as mãos para os seios macios. — Saber que você é minha...

Dara enlaçou-o, dizendo:

— Pode acreditar.

Ridge estava no paraíso. Fez um carinho na testa de Dara.

— Não teria me importado se você tivesse votado em seu padrinho nas eleições. Não entendi por que quis viajar sem votar.

Dara abanou a cabeça em negativa.

— Ele não precisava de mim. Você sim.

As palavras simples o surpreenderam. Seu senso de lealdade era muito claro.

— Sempre precisarei de você. — Nas últimas semanas, tinha aceitado sua necessidade de Dara e até agradecido. Sorriu. — Começo a me perguntar quando minha esposa irá me seduzir na praia.

Com um olhar provocante, que excitou Ridge, Dara tirou o cobertor das costas dele e estendeu-o na areia branca. Então, voltou-se e começou a beijá-lo com lábios úmidos e sensuais, até que seu sangue começou a ferver em uma certa parte do corpo. As mãos de Dara acariciaram sua pele ao mesmo tempo que a brisa marinha. Seus mamilos encostaram-se ao peito de Ridge. Puxou o short do marido.

— Por que não tiramos sua saia? — Ridge sussurrou.

Dara continuou acariciando-o com intimidade.

— Por que não se deita sobre o cobertor?

Ridge gemeu. Não conseguia discutir com ela, enquanto era acariciado daquele modo. Obedeceu e deitou-se. Dara juntou-se a ele, serpenteando o corpo e beijando-o no pescoço. Ridge não aguentava mais.

— Querida, vamos tirar sua sa...

Parou de falar, aos sentir que suas mãos tocavam a carne nua das nádegas de Dara. Agradeceu aos céus por ter uma esposa tão criativa. Deslizou a mão para a frente do corpo dela e encontrou-a muito excitada.

Brincou com o corpo de Dara até sentir, pela sua respiração, o quanto estava ansiosa. Ela caiu sobre o corpo de Ridge, mergulhando nele.

Ambos suspiraram de satisfação. Os cabelos dela acariciavam as faces de Ridge, e seus olhos estavam enevoados de paixão e amor. Ridge sentiu quase uma dor física ao vê-la assim. Dara ficou movendo-se devagar, ao embalo do murmúrio das ondas, até que os dois gritaram em êxtase. O sol já desaparecera, mas a noite e a vida juntos apenas começavam.


Na manhã seguinte, ao acordar, Ridge deparou com Dara numa camiseta enorme, sentada de pernas dobradas do outro lado da cama, lendo os jornais. Suas sobrancelhas estavam cerradas em concentração. Afastou os cabelos do rosto e balançou a cabeça.

— Incrível — ela murmurou.

Ridge sentou-se.

— O que houve?

Dara o encarou.

— Bem, não sei se você vai acreditar nisso. Nem eu mesma sei se acredito.

Ridge sentiu que ela estava nervosa e também franziu as sobrancelhas, perguntando:

— Do que se trata?

Dara evitou olhá-lo. Hesitante, explicou:

— Acho que é melhor eu começar do princípio.

— Certo.

Tomou fôlego, mexendo com gestos nervosos o jornal.

— Contratei um detetive para descobrir quem era o rapaz da foto daquela reportagem escandalosa, e ele conseguiu descobrir. Então, entrei em contato com o homem. Bem, na verdade falei com sua esposa; o nome dela é Kelsey, e ela não queria falar comigo até que mencionei Harrison e o fato de ele poder ter mais de um filho ilegítimo, mas não tinha certeza... — Dara parou de falar, observando Ridge. — Você está zangado.

Ridge sentia a cabeça rodar. Não sabia se estava zangado ou não.

— Não estou — respondeu.

— Mas você ainda não disse nada.

— Não tive oportunidade. O que a levou a fazer isso?

— Naquela noite, peguei-o examinando aquela foto. Pude ver pelo seu rosto que estava sofrendo. Doeu-me vê-lo naquele estado, então decidi descobrir o máximo que podia e deixá-lo resolver que medidas tomar.

O rosto de Dara estava cheio de tristeza.

Ridge pensou como sua mulher agia com simplicidade e decisão quando o via sofrendo, e tomava conta dele. Tocado pela profundidade dos sentimentos dela, puxou-a para si, dizendo com voz rouca:

— Você é extraordinária! Lê meus pensamentos. Como é o nome dele?

O rosto de Dara pareceu encher-se de alívio.

— Lucas. Lucas Caldwell. A mãe dele conheceu Harrison na universidade.

O coração de Ridge deu um pulo.

— Quer dizer que tenho um meio-irmão no Estado do Wyoming? Foi lá que Montgomery estudou, certo?

Dara fez um gesto, concordando, e pegou a mão de Ridge.

— Ele quer conhecer você.

Foi demais para ele. Um mês atrás, não tinha família, não tinha ninguém. Agora possuía Dara e um irmão. E ela iria trazer esse irmão para conhecê-lo.

— O que você sabe sobre ele? O que...

Dara colocou os jornais sobre o colo dele.

— Tudo o que sei está aqui.

Quando Ridge pegou a primeira folha do jornal, ela o reteve.

— Há mais uma coisa que você precisa saber: Kelsey Caldwell, a esposa, acha que existe ainda uma outra peça nesse quebra-cabeça.

EPÍLOGO


A outra peça do quebra-cabeça era Reese Marchand. O homem era um trapaceiro regenerado que passara os últimos anos ganhando dinheiro nas mesas de jogo de Monte Carlo. Sua mãe se apaixonara por Harrison quando este trabalhara na Embaixada Americana em Paris, trinta e seis anos antes, e Reese fora o resultado desse envolvimento.

Alto, moreno e esguio, Reese tinha a sofisticação do ator Cary Grant, com um toque descuidado de James Dean. Dara suspeitou que ele devia ter sido um grande malandro. A razão de estar regenerado era evidente: sua bela e loira esposa, já em adiantado estado de gravidez. Beth Langdon Marchand era claramente o centro de sua vida.

Dara observou aquele estranho grupo de pessoas na sua sala de estar e mal pôde acreditar que aquilo acontecia de verdade. Todos haviam comparecido e, baseando-se em como os três irmãos tinham simpatizado um com o outro à primeira vista naquele importante fim de semana de fevereiro, ela suspeitou que aquilo fosse o início de um grande relacionamento entre os filhos de Harrison Montgomery.

Havia um clima de calor humano e entendimento no grupo. Cada um dos três homens encontrara sua mulher ideal. Embora Dara sempre tivesse acreditado que o amor torna tudo possível, estava maravilhada pelo modo como esse sentimento poderoso agira nessa situação tão fora do comum.

Com sua esposa Kelsey a tiracolo, Lucas Caldwell, o mais velho dos três, saboreava seu licor, depois do jantar, e discutia negócios com Ridge.

Reese pegou um taco e admirou a antiga mesa de bilhar. Com um sorrisinho maroto nos lábios, convidou:

— Alguém quer jogar uma partida?

Kelsey foi a primeira a se levantar. Era uma ruiva de olhar audacioso.

— Bilhar é para maricas. Além disso, só três podem jogar. Vamos jogar com oito bolas.

Em silêncio, Reese olhou para Lucas, que, sorrindo, caminhou até à mesa. Com sua voz aveludada, disse:

— Estou nessa.

— Também estou — disse Ridge, e Dara desconfiou que ele quisesse conhecer os outros irmãos também no jogo.

Reese piscou o olho, com seu charme de jogador.

— Vamos fazer a vontade da dama.

No início, Dara achou que Lucas e Ridge eram mais parecidos: trabalhadores, intensos, observadores. Por outro lado, Reese gostava de contar piadas e deixar todo mundo à vontade. Porém, na noite anterior, Ridge, um profissional na arte da observação, corrigira Dara:

— Reese é observador também: Porém, é sutil, usa o charme europeu que aprendeu em Monte Carlo, e as pessoas baixam a guarda.

Dara concordou.

Beth estava hesitando entre jogar com os outros e ficar folheando um álbum de retratos. Olhou em dúvida para seu ventre protuberante, e depois para o marido, Reese. Por fim, lançou um sorriso brilhante.

— Faz tempo que não jogo, mas prefiro ficar vendo fotografias e repousar um pouco. Afinal, o bebê está para chegar.

Reese riu e, como se um ímã o atraísse, correu para Beth e beijou-a, dizendo:

— O pai de seu filho agradece.

A sala estava carregada dos bons fluidos do amor e da afeição. Como se estivesse sendo abraçada, Dara sentiu o olhar de Ridge pousado nela.

— Você vem jogar conosco? — ele perguntou.

— Hoje não.

Estava tão nervosa que poderia roer todas as unhas. Tinha de fazer força para não ficar colada à janela, e parecia ter um nó dentro do estômago.

Será que ele viria?

Ridge a observou, sabendo muito bem o que ela estava pensando, e ele não queria vê-la sofrer.

Dara tentou se convencer de que tanto fazia se o novo presidente viesse à sua casa ou não. Durante seus inúmeros telefonemas para Kelsey e Beth, mencionara a possibilidade de conseguir a presença de Harrison naquele encontro. Por mais que fosse surpreendente, apesar de terem educação e passados diferentes, os três filhos tinham a mesma opinião sobre Harrison Montgomery: não desejavam começar um relacionamento amigável na Casa Branca com o pai. Apenas queriam encontrá-lo cara a cara, informalmente.

O estômago de Dara voltou a incomodá-la. Olhou pela janela, vendo a neve cair.

Será que ele viria? Será que a visita aplacaria a dor de Lucas, Reese e, em especial, de Ridge? Seria possível que isso viesse a acontecer naquela noite?

Quando a empregada de Dara atendeu à porta, seus olhos se arregalaram.

— Sr. Mon... — balbuciou, e logo corrigiu: — Sr. presidente!

Harrison Montgomery ergueu a mão, metida num luva de couro, e balançou a cabeça, dizendo:

— Obrigado. Não precisa me anunciar.

Tremia muito, mas não por causa do frio. Afinal, era uma noite especial. A noite de encarar os deslizes de seu passado.

Seu assessor de imprensa, Drew Forrester, desaconselhara-o a comparecer àquele compromisso, mas, por uma vez na vida, Harrison inclinou-se perante o destino.

Aceitou o fato de que chegara a hora. Sentia-se mais tenso do que no dia em que assumira a Presidência. E, mesmo sabendo o que ainda estava por vir, não se sentia preparado para encontrar-se frente a frente com aqueles a quem tanto fizera sofrer.

No final do corredor, o som de risos e de tacos de bilhar se chocando chamou sua atenção para a sala de estar.

Todo seu corpo vibrou de antecipação. Seguindo os sons, caminhou devagar até as portas duplas e forçou-se a olhar a cena por trás dos caixilhos de vidro.

Três homens e uma mulher estavam jogando na mesa de bilhar. Mais com pena do que culpa, examinou a prole que sempre fora sua, mas com a qual nunca teria intimidade.

Seu coração apertou-se, e Harrison lembrou-se das mulheres que haviam gerado seus filhos. Sempre dirigido por uma ambição desmesurada, ele as tratara com desdém. Donna Caldwell fora um deslize da mocidade. O remorso o invadiu ao perceber como arruinara a vida de uma jovem pura e ingênua. Sylvie, a mulher que o conquistara. Fechou os olhos, lembrando com doce amargura da moça que realmente amara, mas com quem não se casara. E Jenna Jackson fora uma jovem cheia de paixão, um bálsamo para seu orgulho masculino ferido. Após seu casamento com Helen, fora com Jenna que afogara as mágoas quando soubera que Sylvie encontrara outro homem para casar.

Quem poderia adivinhar que Helen era estéril?

Cheio de tristeza, Harrison observou seus três filhos. A camaradagem entre eles era evidente. Haviam superado a triste circunstância de seus nascimentos, tornando-se homens fortes. Apesar de sua posição e poder, Harrison compreendeu que não era ninguém para seus filhos. Perdera todos os acontecimentos marcantes de suas vidas. Perdera muito. Lutou contra a triste realidade de que por trás de seu retumbante, luminoso sucesso, jazia um poço escuro de fracasso pessoal.

De acordo com as informações que recebera a respeito de cada um de seus filhos durante aquele mês, Lucas iria lutar contra seus projetos sobre os direitos de pastagens dos fazendeiros. Iria desafiá-lo e, ponderou Harrison, examinando o homem alto e forte, iria vencer. Reese, um executivo bem-sucedido no ramo de champanhe francês, iria vencer a vinícola americana com seu charme e conquistar seu espaço. O coração de Harrison ficou triste ao olhar para seu filho mais novo: Ridge salvara sua vida e teria o amor e dedicação de sua afilhada para sempre.

O calor que vinha da sala de estar o chamava, prometendo alívio para seus ossos enregelados. Preso àquela cena, Harrison abriu as portas de par em par e adiantou-se, desejoso de obter alguma coisa que sempre lhe escapara, durante toda a vida.

Sentiu o silêncio ao seu redor, viu o olhar surpreso de Dara e percebeu que seu momento particular de introspecção terminara. Ela levantou-se depressa, os dedos entrelaçados.

Chamou, com voz trêmula:

— Ridge, Reese, Lucas.

Harrison lutou por recobrar a coragem.

Enquanto ele penetrava na sala, Dara adiantou-se.

— Há alguém aqui que deseja conhecê-los — anunciou.

Três cabeças morenas ergueram-se em sua direção. Harrison jamais enfrentara momento tão assustador em toda a sua vida. O olhar conjunto de seus três filhos era mais pesado do que qualquer problema político que pudesse enfrentar. Esperava que esse olhar viesse carregado de condenação e mesmo de desprezo. Em vez disso, quando olhou dentro dos olhos deles, viu paz e uma grande força interior. E então Harrison Montgomery teve o pleno conhecimento de que um Ser Divino transformara em algo bom seus maiores erros.


LEANNE BANKS é uma das mais renomadas romancistas dos Estados Unidos. Reconhecida por seus escritos sensuais, recebeu um prêmio da revista Romantic Times. Leanne gosta de criar histórias com um toque de humor, muita sensualidade e personagens fortes que ficam na lembrança das leitoras por muito tempo. Leanne adora participar da vida de seus filhos, dançar com o marido na intimidade de seu lar e sair para jantar... sempre que possível.
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