Modalidade não-iniciante. DuraçÃo estimada 80 minutos. Plot



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GOL A GOL”




CATEGORIA

Longa-metragem digital de ficção.
MODALIDADE

Não-iniciante.
DURAÇÃO ESTIMADA

80 minutos.
PLOT

Homem adulto revisita sua infância e enfrenta a si mesmo criança numa partida de gol a gol.
SINOPSE (MÉDIA)
Curitiba, 2.021, num futuro ecologicamente nada promissor. Gol a Gol é uma fábula musical regada a realismo mágico, imagens oníricas, toques de ficção científica e canções  que contam e cantam o drama ético e dilema existencial de Pedro - que larga sua paixão pelo desenho em troca de uma vida segura de executivo na Seguradora Sol[AR]is (especializada em apólices contra danos ambientais). De um lado, o discurso distorcido da empresa; de outro, sua paixão de infância por Cindy – agora uma ativista ambiental atuante fora do país, com quem não se encontrava há vinte anos.
Após retomar a prática do desenho à mão (atividade agora clandestina) e cometer um crime aparentemente sem razão, Pedro é colocado em tratamento no Sistema Orwell de Monitoramento para abrandar seus recentes desvios. Ali, entre memórias da infância e juventude e saltos ora para um passado no qual fatos históricos se misturam com devaneios, Pedro acerta as contas com o passado numa partida de Gol a Gol contra si mesmo.

SINOPSE (CURTA)
Opção 1:

Fábula Musical. Curitiba, 2021: Pedro vive um drama existencial entre sua vida de executivo numa seguradora contra danos ambientais e sua paixão pelo desenho e pela ativista Cindy – seu amor de infância. Em tratamento no “Sistema Orwell” e entre memórias juvenis e de criança, acerta as contas numa partida de Gol a Gol contra si mesmo.


Opção 2:

Num futuro imaginário, PEDRO vive solitário e estafado com seu trabalho na Seguradora Sol[ar]is – que vende apólices por danos ambientais. Em saltos para um passado nostálgico e para um futuro pouco promissor do ponto de vista sócio-ambiental, onde fatos históricos se misturam a fantasias, o personagem revisita memórias e desejos reprimidos de sua infância e juventude, num clima onírico marcado por simbolismos. Num tom de fábula, PEDRO acerta as contas com o passado numa partida de gol a gol contra si mesmo ainda criança. Atormentado, mata a VELHA TIA que vendia doces na escola e que, para sua desgraça, também é avó de CINDY – seu amor de infância – com quem não teve coragem de seguir.



JUSTIFICATIVA

a) DO CONCEITO:

Num futuro imaginário um executivo saudosista (PEDRO) sonha e, numa viagem ao passado, disputa uma partida de gol a gol contra si mesmo ainda criança (PEDRINHO), revisitando memórias e desejos reprimidos. Num clima onírico e simbólico acompanhamos tais momentos através de aparelhos eletrônicos que o monitoram em seu reencontro com personagens arquetípicos que habitaram sua infância. Com traços de um realismo mágico que prevê possíveis desdobramentos sócio-ambientais num futuro 10 anos distante, no qual as pessoas tentam clandestinamente driblar as imposições do sistema vigente, a Seguradora Solaris é a metáfora das conseqüências desse futuro nada promissor.


b) DO GÊNERO:

Numa clara alusão à George Orwell em “1984”, acompanhamos os flashbacks e textos que povoam a trama através de câmeras de segurança, megafones, rádios e televisões, entre outros, que registram a jornada de PEDRO por estes espaços da memória, misturando fatos históricos do passado com um futuro pouco promissor. O leve deslocamento temporal de parte das ações 10 anos ao futuro abre margem para sutis discussões sobre os já anunciados problemas ambientais e sociais da nossa época. Sem entrar na ficção-científica propriamente dita, o roteiro cita e tangencia tais discussões. Por outro lado, o deslocamento para o tempo passado através das memórias de PEDRO e da recontextualização e manipulação de fatos históricos contrasta com o simbolismo atemporal da ficção criada, de modo a provocar um estranhamento justamente pela distorção destes fatos supostamente documentais: assim, enquanto os personagens assistem ou escutam de maneira paródica trechos de outras cenas em aparelhos, cria-se um universo em que eles parecem presos a um mundo de fábulas, no qual cores e objetos são imaginados e percebidos como desvios da realidade.




c) DA LINGUAGEM E ESTILO:

Inspirado na melancolia e na opressão ao espírito renovador da criança frente a um mundo tecnocrata e controlador – retratado em filmes como “The Wall”, de Allan Parker – “GOL A GOL” é uma fábula adaptada a partir de contos do livro Cancha 2, de Adriano Esturilho. O apreço por uma estética saudosista à lá Jean Pierre-Jeunet, de “Ladrão de Sonhos” e “Amelié Poulain”, conduz a história proposta ao uso de muita cor, de deformações na perspectiva e de trabalhos gráficos com textos que criem texturas para valorizar o caráter literário dos contos originais, equilibrando a presença da palavra, tanto escrita quanto falada, com as imagens simbólicas recriadas dos fluxos da memória de PEDRO. Deste modo os diálogos são, por vezes, substituídos por letras de canções, por paródias jornalísticas e por trechos dos textos dos contos originais, explorados seja por sua sonoridade, seja por sua interferência concretista, num breve flerte com os clipoemas. Na busca por uma poesia visual, o ritmo idealizado é tal que permita uma fruição sem “solavancos”, onde cada retalho de


memória seja costurado com um tratamento musical e em que a literatura se insira como um rendilhado que permeie o filme e o unifique. A história seria, assim, entrecortada por canções já compostas pelo roteirista, acentuando seu clima fantasioso, onde o elemento musical se firmaria como parte indissociável da narrativa e não apenas como mero pano de fundo. A substituição de parte dos diálogos por outros recursos enfatiza ainda a solidão do personagem principal. Esta estrutura e os saltos entre o tempo presente e passado objetivam a criação de uma dialética entre imagens, textos e sons, inicialmente desconexos, mas que uma vez trabalhados simultânea ou paralelamente, sugerem uma leitura transversal dos temas discutidos. Apesar do conteúdo subjetivo, centrado na relação entre PEDRO e sua memória, e da sobreposição de significados, espera-se que o espectador, ainda que exposto ao excesso de informações, consiga embutir as suas próprias memórias nas lacunas deixadas pelas memórias de PEDRO.
b) DO TEMPO DA NARRATIVA

A história se passa em três tempos distintos, intercalados na montagem do filme:



PEDRO NA INFÂNCIA
- Meados da década de 1980. Cenas apresentadas sob a forma de sonhos, memórias e lembranças do PEDRO adulto, o que permite o clima onírico e de realismo mágico marcado por simbolismos. Nesse tempo, o personagem principal é tratado como PEDRINHO, então com 8 anos e que em algumas cenas contracena com PEDRO, seu duplo adulto. Nesse tempo, o personagem é marcado pela timidez e pelo tratamento preconceituoso de seus colegas de escola. A opressão ao espírito infantil, que aos olhos do mundo pode soar transgressor, também está muito presente.


PEDRO NA JUVENTUDE - Final da década de 1980 e primeira metade da década de 1990, entre os 13 e 18 anos de PEDRO. As cenas deste tempo são marcadas pela aproximação de PEDRO com seu amor platônico da infância, CINDY, e por uma tentativa de quebrar sua timidez através da sua paixão pelo desenho.


PEDRO NA VIDA ADULTA - Projetado 10 anos à frente de nossa época atual, em torno de 2017, este tempo apresenta um futuro próximo sob o foco dos problemas ambientais e políticos. Dentro do espírito de fábula tais questões, já tão presentes nos tempos atuais, mas tratadas ainda como algo distante, são condensadas de modo a mostrar o absurdo da situação e sua influência direta no dia-a-dia.

c) DO ESPAÇO DA AÇÃO

O Espaço é a cidade de Curitiba. A opção por uma construção simbolista e pelo clima onírico afastam a trama de um possível naturalismo na construção desse espaço. Seu status de capital ecológica e de cidade urbanisticamente projetada para o futuro, moldado principalmente na década de 1990, torna a cidade um interessante palco para as discussões levantadas sobre os desdobramentos ambientais e tecnológicos dos próximos 10 anos.  Mais do que mostrada em imagens, a cidade de Curitiba e o mundo a sua volta são comentados e retratados nos textos e nos diálogos dos personagens. As locações realistas estão presentes apenas nas cenas do tempo de juventude de PEDRO.



RELEASE

Os noticiários jornalísticos estampam que a onda de inflação mundial se instala devido à alta dos alimentos e a conseqüente discussão sobre o biodiesel. O aquecimento global deixou de ser uma tese alarmista e já se materializa no aumento de fenômenos naturais como tufões, avanços de marés, etc. As raras enchentes em nosso país passaram a fazer parte do calendário dos estados de Santa Catarina, Minas Gerais e até da cidade de São Paulo – a capital comercial do país. Tais temas indicam a urgência de discussões sobre a sustentabilidade do planeta nos próximos 50 anos. Nunca um futuro fatalista ou até mesmo apocalíptico, típico de romances e filmes de ficção científica, mostrou-se tão real e possível.


“GOL A GOL” procura demonstrar como essa temática ecológica, normalmente discutida com distanciamento e abstração, está inserida no contexto de nossas decisões políticas e econômicas, inclusive num país como o Brasil que, por possuir fartos recursos naturais, sempre pareceu estar à margem desse tipo de conseqüência.


Dentro da estrutura da trama que apresenta PEDRO, o público é convidado a repensar seu comportamento dentro da cultura mercantil da globalização. A metáfora proposta pela Seguradora Sol[AR]is (especializada em apólices contra crimes e catástrofes ambientais ao mesmo tempo em que possui empresas poluidoras) e pela figura de PEDRO (um funcionário exemplar, apesar de discordar da filosofia da empresa, que larga seu desejo pessoal em troca de uma confortável vida de executivo) coloca em cheque o futuro que estamos preparando para a próxima geração.


O filme dá continuidade às pesquisas artísticas da Processo MultiArtes, que atua no teatro, música, literatura e cinema, sempre tentando investigar e produzir uma linguagem que aproxime o grande público de uma arte que convide à reflexão. Para tal, a mescla e boa convivência de linguagens eruditas (o cinema experimental) e populares (o vídeo-clipe e a música pop) é um caminho a ser aprimorado.


    “GOL A GOL” parte do universo literário de Esturilho no livro [Cancha 2] – cantigas para perverter juvenis. A temática jovem já sugerida no livro é um importante atrativo e elemento de identificação do público alvo do projeto. O aprofundamento da temática ambiental (dada no roteiro) torna a obra original ainda mais interessante e oportuna para nossa atualidade. O tom fabular e de realismo mágico adotado em união à estrutura musical proposta deve resultar em um filme que explora caminhos de linguagem ainda pouco visitados pelo cinema paranaense e até mesmo brasileiro.










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