Modelo de relatório final de projetos de pesquisa



Baixar 57.3 Kb.
Encontro25.07.2016
Tamanho57.3 Kb.


MODELO DE RELATÓRIO FINAL DE PROJETOS DE PESQUISA

Nome do projeto: Avaliação do Estado Nutricional de Crianças Regularmente Matriculadas na Fundação Matriculadas na Fundação Joana de Angelis no Município de Tubarão- SC

Nome do proponente do Projeto: Maria Helena Marin



  1. Descrição do trabalho realizado.’Os alunos da instituição foram pesados e medidos, o cardápio avaliado e comparado com o preconizado.

2 – Recursos utilizados e origem dos mesmos (listar material permanente e material de consumo).



  1. Balança digital- curso de Nutrição

  2. Fita métrica metálica- do professor

  3. Esquadro de madeira- do professor

  4. Peso padrão- do professor

  5. Jogos didáticos do curso de Nutrição



3 –Avaliação comparativa entre os objetivos propostos no projeto e os resultados obtidos.

4 - Dificuldades encontradas.

Presença das crianças nos dias da pesquisa

Não foi previsto entrevista com os pais o que prejudicou o resultado, pois faltaram alguns dados referentes a alimentação


5 –Metas a serem alcançadas na próxima etapa da experiência ( se houver).

Continuar a avaliação nutricional com as crianças, entrevista com os pais e inicio educação nutricional com as crianças.


6 -Data da informação: 15/09/2008
7 - Assinatura

Resumo: a detecção de alterações na composição corporal durante a infância é muito importante, por permitir uma intervenção precoce e prevenir complicações. Este estudo teve como objetivo avaliar o estado nutricional de 81 crianças matriculadasem uma creche, visando determinar o estado nutricional das crianças. As medidas antropométricas das crianças foram obtidas através de peso e altura. Os resultados encontrados foram 2,47% de baixo peso, 8,64% risco de baixo peso, 64,20% eutrofia, 12,35% sobrepeso e 12,35% de obesidade. Quanto ao cardápio servido as crianças, observou-se pouca variedade de alimentos grande consumo de carboidrato simples, adequado consumo de leite e baixo consumo de frutas e verduras. Ao término do estudo observou-se que a maioria das crianças encontra-se eutróficas com uma tendência a sobrepeso e obesidade o que nos remete a necessidade de maior estudo bem como acompanhamento nutricional, mudança nos hábitos alimentares, visando melhorar os índices nutricionais e a qualidade de vida das crianças.
INTRODUÇÃO

A Nutrição pode ser definida como o processo pelo qual ingerimos os nutrientes essenciais e os usamos para obter outras substâncias de que o nosso corpo necessita (Wenck: Bare; Dewan, 1983). Ela desempenha um papel multidimensional na qualidade de vida porque contribui para o bem estar físico, psicológico e interpessoal (Padilla, 1994).

Mondini e Monteiro (1994) referem que através de uma dieta adequada em quantidade e qualidade o organismo adquire energia e nutrientes necessários para o bom desempenho de suas funções vitais, e distúrbios alimentares podem ocorrer em conseqüência ao consumo insuficiente de alimentos (deficiências nutricionais) ou ao consumo excessivo de alimentos (sobrepeso/ obesidade).

Atualmente, segundo Corso, et al. (2003) em muitos países, dentre os problemas que acometem as crianças além das formas crônicas e agudas de desnutrição, o sobrepeso vem sendo uma importante questão enfrentada.

A fome diminuiu, mas continua causando mortes em países subdesenvolvidos, enquanto a obesidade é um importante problema de saúde publica em países desenvolvidos e subdesenvolvidos. (Araújo, et al, 2006)

A desnutrição condiciona crescimento e desenvolvimento deficientes, maior vulnerabilidade a doenças infecciosas, comprometimento de funções reprodutivas e redução da capacidade de trabalho. E a obesidade por sua vez está associada a várias doenças, entre diabetes mellitus e certos tipos de câncer. Tanto desnutrição como obesidades são, portanto, agravos relevantes para a saúde dos indivíduos. A maior ou menor relevância epidemiológica destes distúrbios em uma dada sociedade dependerá essencialmente da magnitude que alcancem. (Mondini; Monteiro, 1994).

Sendo que tanto a desnutrição quanto a obesidade determinam conseqüências para a saúde dos indivíduos faz-se necessário suas identificações. A detecção de alterações na composição corporal durante a infância é muito importante, por permitir uma intervenção precoce e prevenir complicações, para isso, avaliação antropométrica é comumente utilizada em tais diagnósticos. (Silva, et al, 2003).

Diante do exposto, avaliamos o estado nutricional de crianças de 2 a 6 anos matriculados na Fundação Educacional Joanna de Angelis, visando determinar o estado nutricional das crianças.



MATERIAIS E METODOS
O estudo foi realizado com 81 crianças de 2 a 6 anos de idade e de ambos os sexos, que freqüentam regularmente na creche da Fundação Joana de Angelis, localizada no município de Tubarão – SC.

Primeiramente foi realizada uma visita ao local, onde foi exposto o estudo, e solicitado autorização para sua realização. Em seguida foram realizadas visitas para coleta dos dados antropométricos.

As crianças foram pesadas com balança eletrônica marca MARTE, com capacidade máxima de 150kg e sensibilidade de 100g, estavam descalço e com roupas leves.

A estatura foi medida com fita métrica, afixada em parede sem rodapé, estando a pessoa em posição reta, com os pés unidos e descalços, mãos ao lado do corpo e cabeça posicionada num ângulo de 90º com auxilio de esquadro de madeira.

Após a coleta de dados, estes foram avaliados utilizando como parâmetro o índice de massa corporal (IMC) para idade e gênero de acordo com o Ceter for disease Control and Prevention- CDC, do National Center for Health Statistics – NCHS, no programa epidemiológico EPI INFO versão 3.3.2, e apresentados em forma de tabelas.

RESULTADOS E DISCUSÃO

 

Foram avaliadas 81 crianças de 2 a 6 anos de idade, destas 46 são do sexo masculino e 35 do sexo feminino, correspondendo a 56,79% e 43,20% respectivamente.



Com relação ao estado nutricional obteve-se os resultados apresentados no tabela no1. 

Tabela no 1 – Distribuição das crianças matriculadas na creche Joana de Angelis segundo gênero e estado nutricional. Tubarão SC, 2007

 


Estado Nutricional

Masculino

Feninino

 

n

%

n

%

Baixo peso

01

2,17%

01

2,86%

Risco baixo peso

04

8,7%

03

8,57%

Eutrofia

25

54,35%

27

77,14%

Sobrepeso

09

19,56%

01

2,86%

Obesidade

07

15,22%

03

8,57%

Total

46

56,79%

35

43,20%

 

O grupo feminino apresentou 2,86% de baixo peso, 8,57% risco de baixo peso, 77,14% eutrofia, 2,86% sobrepeso e 8,57% obesidade. Entretanto com estudo de Silva, et al (2003) a prevalência de sobrepeso foi muito maior com 27,0% e a de obesidade foi mais próxima ao nosso estudo com 9,8%.

O grupo masculino apresentou 2,17% baixo peso, 8,7% risco de baixo peso, 54,35% eutrofia, 19,56% sobrepeso e 15,22% obesidade. Também comparando com estudo de Silva, et al (2003) a prevalência de sobrepeso foi de 17,6% e a de obesidade foi de 13,0%, portanto valores próximos ao encontrado.

Observa-se que os valores de baixo peso e risco de baixo peso foram semelhantes entre ambos os sexos, as maiores diferenças foram encontradas em sobrepeso e obesidade, ficando o sexo masculino com valores superiores em sobrepeso com 16,7% acima, e obesidade com 6,65% acima, em relação ao grupo feminino. Entretanto outro estudo semelhante realizado com crianças atendidas num consultório privado de Recife demonstrou prevalência de sobrepeso de 12,8% e 14,7%, do sexo masculino e feminino, respectivamente, apresentando então o sexo feminino índice maior. (Alves,1984)



Tabela nº 2- Distribuição das crianças matriculadas na creche Joana de Angelis segundo idade e estado nutricional- Tubarão, SC-.2007

 Estado nutricional

Idade

Total

 


 

2-3 anos

N      %

3-4  anos

N     %

4-5 anos

N     %

5-6 anos

N      %

 

Baixo peso

5,26% 

 6,25%

 0%

 0%

2,47%

Risco baixo peso

 0%

 12,5%

 14,29%

 9,37%

8,64%

Eutrofia

 68,42%

 62,5%

 57,14%

 65,62%

64,2%

Sobrepeso

 15,79%

0%

 21,43%

 12,5%

12,35%

Obesidade

 10,52%

 18,75%

 7,14%

 12,5%

12,35%

Total

 23,46%

 19,75%

 17,28%

 39,5%

100%

 

Analisando o grupo por faixa etária, sem distinção de sexo (tabela no 2), destaca-se baixo peso com 6,25% a faixa etária de 3 a 4 anos, e risco de baixo peso com 14,29% na faixa etária de 4 a 5 anos. O sobrepeso ficou com maior destaque na faixa etária de 4 a 5 anos com 21,43%, e a obesidade destacou-se mais em crianças de 3 a 4 anos com 18,75%. 

 Dentre as crianças estudadas, 2,47% apresentou baixo peso, 8,64% risco de baixo peso, em estudo  sobre a população brasileira infantil Mondini e Monteiro, (1994)  encontrou prevalência  de 13,1 % de desnutrição infantil, valor que se aproxima ao encontrado.

Observa-se também 64,20% eutrofia, 12,35% sobrepeso e 12,35% obesidade. Sendo que Silva, et al (2003) em estudo similar com crianças em idade pré- escolar apresentou índice de obesidade similar com 11,3% e índice superior de sobrepeso com 22,6%.

No estudo observou-se também o número de refeições diárias servidas na creche bem como sua composição qualitativa. O cardápio e distribuição dos horários das refeições está descrito no quadro numero 1
Quadro nº1- distribuição do cardápio por refeição e dia da semana


 DIA

LANCHE

ALMOÇO

LANCHE

JANTAR

SEGUNDA FEIRA

café com leite e bolacha

arroz, feijão, omelete, farofa e salada diversa

mingau ou fruta

sopa de macarrão, omelete, farofa, e salada diversa

TERÇA FEIRA

café com leite e pão

galinha ensopada com batata  e cenoura, polenta, arroz, farofa e salada diversa.

nescau e bolacha

minestra, farofa, e salada diversa

QUARTA FEIRA

café com leite e bolo

carne de panela, purê  de batata, macarrão, farofa, e salada diversa.

nescau e pão

risoto, farofa, e salada diversa

QUINTA FEIRA

mingau ou café com leite e bolacha

galinha assada, maionese, arroz, feijão, farofa, e salada diversa

nescau e bolo

macarronada, farofa, e salada diversa

SEXTA FEIRA

café com leite e bolo

arroz, feijão, carne moida, omelete, farofa, e salada diversa

xxxxxxxx

sopa de verduras, farofa, e salada diversa

Fonte: Fundação Joana de Angelis 
 Ao analisarmos a alimentação oferecida na creche observamos que as crianças recebem quatro refeições diariamente, distribuídas em lanche, almoço, lanche e jantar, garantindo a maioria das refeições do dia, sendo que a segundo a nova Pirâmide Alimentar Brasileira os alimentos devem ser distribuídos em seis refeições (Brasil, 2005), sendo que na creche não são oferecidos apenas café da manhã e lanche da noite.

Observa-se que a alimentação é pouco variada, carente em frutas e fibras, estas que devem estar presentes diariamente na dieta, pois as frutas contribuem para proteger a saúde e diminuir o risco de doenças crônicas e também são fontes de fibras (Philippi, 2008). O Guia Alimentar para População Brasileira recomenda o consumo diário de três porções de frutas e três de legumes e verduras, e enfatiza a importância de variar o consumo. (Brasil, 2005)

A dieta fornece grande quantidade de carboidratos simples e é importante ressaltar que o consumo excessivo de Carboidratos em relação ao gasto exigido pode promover acúmulo de gordura corporal, seria importante dar preferência as formas integrais que garantem a manutenção do teor de vitaminas, minerais, ácidos graxos essenciais e fibras, assim como também cereais, raízes e tubérculos (Philippi, 2008). Também fornece leite todos os dias, que é fonte de cálcio, importante nas fases iniciais da vida. Mas deveria haver maior oferta deste nutriente, pois são necessárias três porções ao dia de fontes de cálcio para cobrir suas recomendações (Philippi, 2008).

Apresenta pouca variedade de alimentos, sendo na maioria preparações assadas e cozidas com pouca fritura. E dietas saudáveis devem incorporar alimentos e/ou preparações, diminuindo o consumo de gorduras e açucares e aumentando o de frutas, legumes, verduras, grãos integrais, leite e derivados. Deve haver um estimulo ao consumo dos alimentos regionais e locais, pois além da valorização cultural, provavelmente serão consumidos alimentos com maior valor nutritivo e saboroso. O consumo adequado e variado, com presença de todos os grupos de alimentos, contribui para a promoção da saúde. ( Philippi, 2008)


CONCLUSÃO

As crianças avaliadas em grande maioria apresentam eutrofia (64,20%), destacando-se índices de obesidade sobre peso relevante, principalmente no gênero masculino, com 15,22% e 19,56% respectivamente. Apresentam também índices de desnutrição no geral de 2,47% e baixo peso de 8,64%, que são valores significantes. Fato que deve ser acompanhado, pois tanto a obesidade quanto a desnutrição são fatores de risco para diversas doenças.

Com relação à alimentação detectamos carência de variedades, frutas e fibras. A variedade de alimentos atrairia mais a atenção das crianças, e a inclusão de frutas e legumes variados deixaria os pratos mais coloridos e atrativos, oferecendo alimentos de maior valor nutricional.

Observamos a necessidade de maior estudo e acompanhamento nutricional, e mudanças na alimentação para melhorar os índices nutricionais e a qualidade de vida das crianças.

 

 



REFERENCIAS
ALVES J.G.; Sobrepeso em crianças atendidas em um consultório pediátrico privado do Recife. Pediatria S Paulo, SÃO PAULO, v. 6, p. 69-73, 1984.
ARAÚJO, M. M. F; et al. O papel da amamentação ineficaz na gênese da obesidade infantil: um aspecto para a investigação de enfermagem. Acta paul. enferm. São Paulo, v.19, n.4, out./dez. 2006.
____. Ministério da Saúde . Guia Alimentar para População Brasileira. Brasília, 2005
CORSO, A. C. T, et al. Sobrepeso em crianças menores de 6 anos de idade em Florianópolis, SC. Revista de Nutrição. Campinas,v.16, n.1, jan./mar. 2003
MONDINI, L.; MONTEIRO, C.A. Mudanças no Padrão de Alimentação da População Urbana Brasileira (1962-1988). Revista Saúde Pública, n.28, v.6, p.433-439, 1994.
MONDINI, L.; MONTEIRO, C.A. Relevância epidemiológica da desnutrição e da obesidade em distintas classes sociais: métodos de estudo e aplicação à população brasileira. Revista Brasileira de Epidemiologia, São Paulo, n.1, v.1, abr.1998.
PADILLA, Geraldine V, PhD.. O papel da nutrição na qualidade de vida. Atualidades dietéticas, Abbot, Ano I, (2), Agost o de 1994.
PHILIPPI, Sonia Tucunduva. Pirâmide dos alimentos: fundamentos básicos da nutrição. Barueri, São Paulo: Manole, 2008.
SILVA, G. A. P. ; et al. Prevalência de sobrepeso e obesidade em crianças pré-escolares matriculadas em duas escolas particulares de Recife, Pernambuco. Rev. Bras. Saúde Mater. Infant. Recife, vol.3, no.3, july/sept. 2003.
WENCK, D. A., Baren, M.and Dewan, S. P.. Nutrition: the callenge of being well nourished, 2nd ed., Reston Publishing, Reston, VA, 1983


Compartilhe com seus amigos:


©principo.org 2019
enviar mensagem

    Página principal