Morin, Edgar. Sete Saberes necessários à educação do futuro. 11. ed. São Paulo: Cortez; Brasília,DF: unesco, 2006



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MORIN, Edgar. Sete Saberes necessários à educação do futuro. 11.ed. São Paulo: Cortez; Brasília,DF: UNESCO, 2006.




PRÓLOGO

Há sete saberes fundamentais que a educação do futuro deveria tratar em toda sociedade e cultura, sem exclusividade nem rejeição.


O saber científico no qual o texto se apóia para situar a condição humana desemboca em profundos mistérios referentes ao Universo, á Vida, ao nascimento do ser humano. Aqui se abre um indecidível, no qual intervêm opções filosóficas e crenças religiosas através de culturas e civilizações.


CAPITULO 1 – AS CEGUEIRAS DO CONHECIMENTO: O ERRO E A ILUSÃO


A educação não pode ser cega quanto ao que é o conhecimento humano, seus mecanismos, enfermidades, dificuldades, tendências ao erro e á ilusão.

Todo conhecimento comporta o risco do erro e da ilusão. A educação do futuro deve enfrentar o problema do erro e da ilusão.



Erro e ilusão parasitam a mente humana desde o aparecimento do Homo Sapiens. Se considerarmos o passado e hoje, sentimos que foi dominado por vários erros e ilusões. Marx também enunciou que os homens sempre construíram concepções falsas de si, do que fazem...

    1. O CALCANHAR DE AQUILES DO CONHECIMENTO: a educação deve mostrar que não existe conhecimento que não esteja, em algum nível, ameaçado pelo erro e pela ilusão.

Premissas: o conhecimento não é um espelho das coisas ou do mundo externo, mas todas as percepções são traduções e reconstruções cerebrais baseadas em estímulos captados e codificados pelos sentidos.

Todo conhecimento é tradução e reconstrução, comporta interpretação, o que introduz o risco do erro na subjetividade do conhecedor, de sua visão de mundo e de seus princípios de conhecimento.

      1. Erros Mentais (dificuldade de distinção do imaginário da realidade; subjetivo do objetivo; cada mente mente para si própria; própria memória é fonte de erros inúmeros)

      2. Erros Intelectuais (nossos sistemas de idéias – teorias, doutrinas, ideologias – não só estão sujeitos ao erro, como protegem seus erros: resistem às informações que não lhes convém)

      3. Erros da Razão (racionalidade construtiva elabora teorias coerentes, mas permanece aberta ao que a contesta para evitar que se torne racionalizações – sistema lógico perfeito)

A doutrina que obedece a um modelo mecanicista e determinista para considerar o mundo não é racional, mas racionalizadora. A verdadeira racionalidade, aberta por natureza, dialoga com o real que lhe resiste. O racionalismo que ignora os seres, a subjetividade, a afetividade, e a vida é irracional. A verdadeira racionalidade conhece os limites da lógica, do determinismo e do mecanicismo; sabe que a mente humana NÃO PODERIA SER ONISCIENTE, QUE A REALIDADE COMPORTA O MISTÉRIO. Negocia com a irracionalidade, o obscuro, o irracionalizável. ´E NÃO SÓ CRITICA, MAS AUTOCRITICA. (p.23)

Racionalidade não é só qualidade da civilização ocidental européia. Devemos saber que em qualquer sociedade, mesmo arcaica, há racionalidade na elaboração de ferramentas, na estratégia da caça, no conhecimento das plantas, dos animais, do solo, ao mesmo tempo em que há mitos, magia e religião. (p.24)

Em nossas sociedades ocidentais estão também presentes mitos, magia, religião, inclusive o mito da razão providencial e uma religião do progresso. Começamos a nos tornar verdadeiramente racionais quando reconhecemos os próprios mitos, entre os quais o mito de nossa razão toda-poderosa e do progresso garantido. (p.24)


    1. O IMPRINTING E A NORMALIZAÇÃO

Há um determinismo de paradigmas e modelos explicativos em nossa sociedade. A ele se associa o determinismo de convicções e crenças que impõe a todos a força imperativa do sagrado, a força normalizadora do dogma.

As crenças oficiais e doutrinas reinantes imperam definindo verdades estabelecidas gerando crenças estúpidas não contestadas, que faz reinar em toda parte os conformismos cognitivos e intelectuais. Ocorre o encarceramento do conhecimento.




    1. A NOOLOGIA: POSSESSÃO: a esfera das coisas do espírito humano. Produto de nossa alma e mente, a noosfera está em nós e nos estamos na noosfera. Desde o inicio da humanidade, está a noosfera com o surgimento dos mitos, deuses e o extraordinário levante de seres espirituais que nos arrastaram a coisas grandiosas e massacres. Vivemos numa selva de mitos que enriquecem as culturas. (p.28)




    1. O INESPERADO

Somos surpreendidos pelo inesperado. É que nos instalamos de maneira segura em nossas teorias e idéias, e estas não têm estruturas para acolher o novo. Entretanto, o novo brota sem parar. E QUANDO O INESPERADO SE MANIFESTA, É PRECISO SER CAPAZ DE REVER NOSSAS TEORIAS E IDÉIAS. (p.30)
1.5 A INCERTEZA DO CONHECIMENTO

Este é um problema-chave: instaurar a convivialidade com nossas idéias quanto com nossos mitos. A mente humana deve desconfiar de seus produtos “ideais”. (p. 32)



Precisamos desenvolver nova geração de teorias abertas, racionais, criticas, reflexivas, autocríticas, aptas a se auto-reformar.

O

CAPITULO 4 – ENSINAR A IDENTIDADE TERRENA

DEVER PRINCIPAL DA EDUCAÇÃO É DE ARMAR CADA UM PARA O COMBATE VITAL PARA A LUCIDEZ.
(p. 33)
A era planetária se inicia no século XVI e estamos desde o fim do século XX na fase da mundialização (era das telecomunicações, informação e internet).

Nosso modo de conhecer o mundo se atrofiou, em vez de desenvolver a capacidade de contextualizar e globalizar, o que seria uma exigência da era planetária (pensar a multidimensionalidade, complexidade, a relação todo-partes).



O planeta não é um sistema global, mas um turbilhão em movimento, desprovido de centro organizador. (p.64) O planeta exige um pensamento policentrico (...) nutrido das culturas do mundo, consciente da unidade e diversidade da condição humana. EDUCAR PARA ESTE PENSAMENTO É A FINALIDADE DA EDUCAÇÃO DO FUTURO: CONSCIENCIA E IDENTIDADE TERRENAS. (p.65)
4.1 A Era Planetária: faz uma retrospectiva desde a criação do cosmo há 15 bilhoes de anos... inicio da aventura da hominização há 5 milhoes de anos... 100 mil anos do surgimento do Homo Sapiens .... e 10 mil anos do nascimento das civilizações históricas....

A diáspora humana não produziu uma cisão genética. Provocou a diversidade cultural...”A riqueza da humanidade reside na sua diversidade criadora, mas a fonte de sua criatividade está em sua unidade geradora”. (p.65)

1492 – Conquista do Globo: catástrofes, escravidão, bacilos e vírus da Eurásia/America (levam para America a varíola, gripe, tuberculose e levam da América a sífilis), troca de culturas (milho, batata, feijão, tomateXgado bovino, cavalos, vinhedos);

Século XX - duas guerras mundiais, rapidez de transito, planeta encolhe, europeu ouve a radio japonesa, toma cha do Ceilão, veste camiseta, cueca do Egito ou Índia, paletó da Austrália, Relógio é suíço ou japonês, os óculos são feitos de casco de tartaruga equatorial...



Enquanto o europeu está neste circuito planetário de conforto, grande número de africanos, asiáticos e sul-americanos acha-se em um circuito planetário de miséria. (p.68) Sofrem na pele as flutuações do mercado mundial, são expulsos do campo, por processos mundializados, aspiram à vida de bem-estar ocidental.

A mundialização é sem duvida unificadora, mas é preciso acrescentar imediatamente que é também conflituosa sem sua essência”. (68-69) O mundo torna-se uno e dividido.


CONCEBIDO UNICAMENTE DE MODO TÉCNICO-ECONOMICO, O DESENVOLVIMENTO CHEGA A UM PONTO INSUSTENTAVE, INCLUSIVE O CHAMADO DESENVOLVIMENTO SUSTENTAVEL. É NECESSÁRIA UMA NOÇÃO MAIS RICA E COMPLEXA DO DESENVOLVIMENTTO, QUE SEJA NÃO SOMENTE MATERIAL, MAS TAMBÉM INTELECTUAL, AFETIVA, MORAL... (P.69-70)
4.2 O Legado do Século XX: o século XX foi o da aliança de duas barbaries: guerras/fanatismos e da racionalização (conhece o calculo e ignora o individuo, seu corpo, sentimentos e sua alma)

4.2.1 A herança de morte: Armas nucleares (crescimento do poderio da morte) e Os novos perigos (morte ecológica e a rebeldia das forças de morte:vírus da aids nos invadiu, as bactérias resistem aos antibióticos).

4.2.2 A morte da modernidade

4.2.3 A esperança: as contracorrentes (ecológica, qualitativa, vida poética contra o utilitarismo, busca da temperança contra o consumismo, relações solidárias contra o reino do lucro, pacificação das mentes e alma), o jogo contraditório dos possíveis (A possibilidade antropológica, sociologica, cultural, ESPIRITUAL de progresso restaura o principio da esperança, mas sem certeza “cientifica”, nem promessa histórica. (p.75)
EDUCAÇÃO: APRENDER A ESTAR AQUI NO PLANETA: APRENDER A VIVER, A DIVIDIR, A COMUNICAR, A COMUNGAR...

Desenvolver a consciência antropológica (reconhece a unidade na diversidade), ecologica (consciência de habitar com todos os seres mortais a mesma esfera viva, biosfera), cívica terrena (responsabilidade e solidariedade para com os filhos dal Terra), CONSCIENCIA ESPIRITUAL DA CONDIÇÃO HUMANA,... QUE NOS PERMITE CRITICAR-NOS MUTUAMENTE E AUTOCRITICAR-NOS E COMPREENDER-NOS MUTUAMENTE. (p. 76-77)


CAPÍTULO 5 – ENFRENTAR AS INCERTEZAS

Devemos estar preparados para o inesperado, compreendendo que na historia humana há uma incerteza irremediável.

A historia humana foi e continua a ser uma aventura desconhecida. Grande conquista da inteligência seria poder enfim se libertar da ilusão de prever o destino humano. O destino permanece aberto e imprevisível. Com certeza, existem determinantes econômicas, sociológicas e outras, mas estas encontram-se em relação INSTAVEL E INCERTA. (p. 79)

A civilização moderna viveu com a certeza do progresso histórico. Hoje somos tomados da consciência dde que o progresso é possível, mas incerto.



5.1 INCERTEZA HISTÓRICA: o futuro chama-se incerteza.
5.2 HISTORIA CRIADORA E DESRUIDORA

O surgimento do novo não pode ser previsto. O surgimento de uma criação não pode ser conhecido por antecipação, senão não haveria criação (p. 81) Foi assim com todas as invenções técnicas, com oi capitalismo, com as grandes religiões universais, com as grandes ideologias nascidas de mentes marginais....

A historia não constitui um evolução linear: é feita de inovações, criações e destruições. A historia conhece turbulências, desvios, fases imóveis, . A historia é um complexo de ordem, desordem e organização. OBEDECE AO MESMO TEMPO A DETERMINISMOS E ACASOS...


5.3 UM MUNDO INCERTO: Também o universo obedece ao jogo e risco da ordem, desordem e organização.
5.4 ENFRENTAR AS INCERTEZAS

A educação do futuro deve se voltar para as incertezas ligadas ao conhecimento.



5.4.1 Incerteza da realidade: a realidade não é facilmente legível. Nossa realidade não é outra senão nossa idéia da realidade.

IMPORTA SER REALISTA NO SENTIDO COMPLEXO: COMPREENDER A INCERTEZA DO REAL, SABER QUE HÁ ALGO POSSIVEL AINDA INVISIVEL NO REAL (p.85)

5.4.2 Incerteza do conhecimento: conhecimento comporta o risco de ilusão e erro. O conhecimento é a navegação em um oceano de incertezas, entre arquipélagos de certezas. (p. 86)

5.4.3 AS INCERTEZAS E A ECOLOGIA DA AÇÃO: aqui Morin coloca algo fundamental: Toda ação e escolha é uma aposta (consciência do risco e incerteza).

A ecologia da ação: logo que alguém realiza um ação, ela começa a escapar de suas intenções, pois entra num universo de interações e é finalmente o meio ambiente que se apossa dela, no sentido de que pode contrariar a intenção inicial.



A ecologia da ação é levar em consideração a complexidade que ela supõe, ou seja O ALEATORIO, O ACASO, IMPREVISTO, INESPERADO, CONSCIENCIA DE DERIVAS E TRANSFORMAÇÕES. (P.87)
5.5 IMPREVISIBILIDADE EM LONGO PRAZO
5.5.1 O desafio e a estratégia: Para enfrentar a incerteza da ação, deve-se recorrer á aposta e estratégia. A estratégia elabora um cenário de ação que examina as certezas e as incertezas da situação, as probabilidades e improbabilidades. Usa-se de prudência, audácia, em momentos diversos, estabelece-se compromissos, etc...

Pode-se lutar contras as incertezas da ação, pode-se mesmo supera-las, mas ninguém pretende te-las eliminado em longo prazo. (p.91)
O DESEJO DE LIQUIDAR A INCERTEZA PODE ENTAO NOS PARECER UMA ENFERMIDADE PROPRIA A NOSSAS MENTES, E TODO DIRECIONAMENTO PARA A GRANDE CERTEZA PODERIA SER SOMENTE UMA GRAVIDEZ PSICOLOGICA.
p. 92 – “Vimos que o inesperado torna-se possível e se realiza; vimos com freqüência que o improvável se realiza mais do que o provável; saibamos, esperar o inesperado e trabalhar pelo improvável”.


CAPÍTULO 6 – ENFRENTAR A COMPREENSÃO

A comunicação triunfa (fax, celulares, telefones, internet), mas permanece a incompreensao.



O problema da compreensão torna-se crucial para os humanos. DEVE SER UMA DAS FINALIDADES DA EDUCAÇÃO DO FUTURO.

EIS A MISSAO ESPIRITUAL DA EDUCAÇÃO: ENSINAR A COMPREENSAO ENTRE AS PESSOAS COMO CONDIÇÃO E GARANTIA DA SOLIDARIEDADE INTELECTUAL E MORAL DA HUMANIDADE. (p. 93)

O problema da compreensão tem dois pólos: o da compreensão entre humanos (origens culturais distintas) e o pólo individual das relações particulares entre próximos, cada vez mais ameaçado pela incompreensão.


6.1 AS DUAS COMPREENSOES

  1. Compreensão intelectual, inteligibilidade e explicação.

  2. Compreensão humana intersubjetiva, inclui processo de empatia, identificação, projeção que pede abertura, simpatia e generosidade.


6.2 EDUCAÇÃO PARA OS OBSTACULOS À COMPREENSAO

-ruido, mal entendido;



-polissemia de uma noção;

  • Ignorância dos ritos e costumes do outro

  • Incompreensão dos valores imperativos no seio de outra cultura (respeito aos idosos, obediência incondicional das crianças, crença religiosa)

  • Impossibilidade de compreender as idéias ou argumentos de outra visão de mundo,

  • Impossibilidade de compreensão de outra estrutura mental.


6.2.1 EGOCENTRISMO: provocado pela autojustificação, autoglorificação e a tendência a jogar sobre o outro a causa de todos os males. A incompreensão de si (mascaramento das próprias fraquezas e carências) é fonte importante da incompreensão do outro. O mundo dos intelectuais, escritores ou universitários é o mais gangrenado pela hipertrofia do ego.

6.2.2. ETNOCENTRISMO, SOCIOCENTRISMO: nutrem xenofobias e racismos e podem mesmo despojar o estrangeiro da qualidade de ser humano. Baseia-se em racionalizações.

6.2.3 ESPIRITO REDUTOR: reduzi o conhecimento do complexo a um de seus elementos. A compreensão, por exemplo, pede que não se feche, não se reduza o ser humano a seu crime. Não são somente as vias econômicas, jurídicas, sociais, culturais que facilitarão as vias de compreensão, é preciso também recorrer as vias intelectuais e éticas para desenvolver a dupla compreensão, intelectual e humana.
6.3 ETICA DA COMPREENSAO: favorecem a compreensão, o bem pensar (apreende em conjunto o texto e o contexto, o ser e seu meio ambiente)e a introspecção (A PRATICA MENTAL DO AUTO-EXAME PERMANENTE É NECESSARIA, JÁ QUE A COMPREENSAO DE NOSSAS FRAQUEZAS OU FALTAS É A VIA PARA A COMPREENSAO DAS DO OUTRO. SE DESCOBRIMOS QUE SOMOS TODOS SERES FALÍVEIS, FRAGEIS, INSUFICIENTES, CARENTES, ENTAO PODEMOS DESCOBRIR QUE TODOS NECESSITAMOS DE MUTUA COMPREENSAO). P. 100

O AUTO EXAME CRITICO PERMITE QUE RECONHEÇAMOS E JULGUEMOS NOSSO EGOCENTRISMO.
6.4 A CONSCIENCIA DA COMPLEXIDADE JHUMANA: deve ser buscada na literatura romanesca e no cinema e requer...

6.4.1 Abertura subjetiva (simpática) em relação ao outro

6.4.2 Interiorização da tolerância: a verdadeira tolerância não é indiferente às idéias, mas supoe convicção eescolha ética, e ao mesmo tempo aceitação da expressao das idéias, convicções, escolhas contrarias às nossas. Um grau de tolerância é, além de respeitar a expressão de idéias antagônicas ás suas, perceber que há uma verdade na idéia antagônica à nossa que deve ser respeitada. A tolerância vale para as idéias, mas não para os insultos, agressões, atos homicidas. (p.102)

CAPÍTULO 7 – A ÉTICA DO GÊNERO HUMANO


Gênero Humano: significa desenvolvimento conjunto das autonomias individuais, das participações comunitárias e do sentimento de pertencimento à espécie humana.

A ética propriamente humana ou antropo-ética, supõe a decisão consciente e esclarecida de:



  1. assumir a condição humana na complexidade de nosso ser;

  2. alcançar a humanidade em nós mesmos;

  3. assumir o destino humano em suas antinomias e plenitude.

A antropo-ética nos ensina a assumir a missão antropológica do milênio:



  1. lutar pela humanização da humanidade;

  2. pilotar duplamente o planeta: obedecer à vida e guiar a vida;

  3. alcançar a unidade planetária na diversidade;

  4. respeitar no outro a diferença e a identidade;

  5. desenvolver a ética da solidariedade;

  6. ensinar a ética do gênero humano.


7.1 Ensinar a democracia: individuo enquanto cidadão, responsável pela sociedade (circuito individuo/sociedade, democracia que dialoga consenso/conflito, comunidade nacional/antagonismos sociais e ideológicos.

Democracia do século XXI será confrontada com o problema do desenvolvimento gigantesco da maquina em que ciência, técnica e burocracia estão associadas, na fragmentação do saber, conhecimento reservado a especialistas. Todo cidadão deve ter o direito ao conhecimento.

Democracia implica na luta pela diminuição do fosso ignorantes x especialistas e peritos.

A SALA DE AULA DEVE SER O LOCAL DE APRENDIZAGEM DO DEBATE ARGUMENTADO, DAS REGRAS NECESSÁRIAS À DISCUSSAO, DA TOMADA DE CONSCIENCIA DAS NECESSIDADES DE COMPREENSAO DO PENSAMENTO DO OUTRO, DA ESCUTA E DO RESPEITO ÀS VOZES MINORITÁRIAS” (P. 112-113)




CAPITULO 2 – OS PRINCÍPIOS DO CONHECIMENTO PERTINENTE



2.1 DA PERTINENCIA NO CONHECIMENTO

A era planetária necessita situal tudo no contexto e no complexo planetário. O conhecimento do mundo como mundo é necessidade ao mesmo tempo intelectual e vital.

Para articular os conhecimentos e assim reconhecer e conhecer os problemas do mundo, é necessária a reforma do pensamento. Entretanto essa reforma é paradigmática e não programática: é questao fundamental da educação. O modo como organizamos o pensamento.

A educação do futuro deverá enfrentar uma inadequação: de um lado os saberes desunidos, de outro os problemas cada vez mais multidisciplinares.


Dar visibilidade ao contexto, global, multidimensional e complexo.
2.1.1 O CONTEXTO

Situar as informações e dados em seu contexto para que adquiram sentido.


2.1.2 GLOBAL

As relações entre o todo e as partes. O global é mais que o contexto, é o conjunto das diversas partes ligadas a ele de modo inter-retroativo ou organizacional. O planeta é mais do que um contexto: é o todo ao mesmo tempo organizador e desorganizador de que fazemos parte.

É impossível conhecer as partes sem conhecer o todo, tampouco conhecer o todo sem conhecer particularmente as partes. (PASCAL)

Tanto no ser humano como nos outros seres vivos existe a presença do todo no interior das partes: cada célula contém a totalidade do patrimônio genético de um organismo; a sociedade como um todo está presente em cada individuo, na sua linguagem por exemplo, obrigações...


2.1.3 MULTIDIMENSIONAL

Unidades complexas são multidimensionais: o ser humano e´ao mesmo tempo biologico, psíquico, social, afetivo e racional. A sociedade comporta as dimensões histórica, econômica, sociológica, religiosa....



O conhecimento pertinente deve reconhecer esse caráter multidimensional e nele inserir dados...
2.1.4 COMPLEXO

O conhecimento pertinente deve enfrentar a complexidade. Complexus: o que foi tecido junto; de fato, há complexidade quando elementos diferentes são inseparáveis constitutivos do todo (como o econômico, o político, o sociológico, o psicológico, o afetivo, o mitológico) e há um tecido interdependente, interativo, inter-retroativo.

Em conseqüência, a educação deve promover a inteligência geral apta a referir-se ao complexo, ao contexto, de modo multidimensional e dentro da concepção global.
2.2 A INTELIGENCIA GERAL

A mente humana é GPS: aponta e resolve problemas gerais. Quanto mais poderosa é a inteligência geral, maior é sua faculdade de tratar de problemas especiais.



A educação deve favorecer a aptidão natural da mente em formular e resolver problemas essenciais e estimular o uso total da inteligência geral. ESTE USO TOTAL PEDE O LIVRE EXERCICIO DA CURIOSIDADE, A FACULDADE MAIS EXPANDIDA E A MAIS VIVA DURANTE A INFANCIA E ADOLESCENCIA, QUE COM FREQUENCIA A INSTRUÇÃO EXTINGUE.

Falsa racionalidade= conhecimentos especializados
2.2.1 A ANTINOMIA (humanidades versus ciências naturais)

Superar a antinomia do progresso do pensamento redutor.

Os grandes progressos das especializações disciplinares do século XX estão dispersos... Nossos sistemas de ensino provocam a disjunção entre as humanidades e as ciências, assim como a separação das ciências em disciplinas hiperespecializadas, fechadasa em si mesmas.
D

    1. Contribuição das ciências humanas: infelizmente são as ciências humanas que, hoje, dão a menor contribuição o estudo da condição humana, porque estão desligadas e compartimentadas. Há necessidade em repensar uma ciência antropossocial religada, que conceba a humanidade em sua unidade antropológica. Desse modo, no aguardo dessa religação, seria importante que o ensino dessas ciências fosse orientado para a condição humana, tanto da Psicologia, da Sociologia, da Economia. Ressalta que um ensino sobre os mitos e as religiões seria orientado para o destino mítico-religioso do ser humano. DE FATO, AS RELIGIÕES, OS MITOS, IDEOLOGIAS DEVEM SER CONSIDERADOS EM SEU PODER E ASCENDÊNCIA SOBRE AS MENTES HUMANAS E NÃO MAIS COMO “SUPERESTRUTURAS”.(42)


A História deveria contribuir para o conhecimento da condição humana, incluindo o destino determinado e aleatório da humanidade, que não obedece a determinismos ou a uma lógica técnico-econômica, ou orientada a um progresso infinito. NÃO EXISTEM LEIS DA HISTÓRIA, MAS A UM DIÁLOGO CAÓTICO, ELA ESTÁ SUJEITA A ACIDENTES, E A UM MOVIMENTO, ÁS VEZES ROTATIVO, ENTRE O ECONÔMICO, O SOCIOLÓGICO, O TECNICO, O MITOLOGICO, O IMAGINARIO. (42)

LIVRO: MORIN, CABEÇA BEM FEITA.
esse modo, AS REALIDADES GLOBAIS E COMPLEXAS FRAGMENTAM-SE; O HUMANO DESLOCA-SE; SUA DIMENSAO BIOLOGICA, INCLUSIVE O CEREBRO, É ENCERRADA NOS DEPARTAMENTOS DE BIOLOGICA; SUAS DIMENSOES PSIQUICA, SOCIAL,
RELIGIOSA E ECONOMICA SÃO AO MESMO TEMPO RELEGADAS E SEPARADAS UMA DAS OUTRAS NOS DEPARTAMENTOS DE CIENCIAS HUMANAS... P. 40
O enfraquecimento da percepção global gera BAIXA RESPONSABILIDADE (se é responsável somente pela tarefa especializada) e enfraquecimento da SOLIDARIEDADE (perda dos vínculos com a sociedade).

2.3 OS PROBLEMAS ESSENCIAIS

2.3.1 DISJUNÇÃO E ESPECIALIZAÇÃO FECHADA

Hiperespecialização (especialização fechada em si mesma) impede a percepção global e o essencial. Até mesmo os problemas particulares são tirados de seu contexto.


O recorte das disciplinas impossibilita o apreender “o que está tecido junto’, ou seja o complexo.
2.3.2 REDUÇÃO E DISJUNÇÃO: leva a restringir o complexo ao simples. Aplica às complexidades vivas e humanas a lógica mecânica e determinista da maquina artificial. Essa lógica exclui todo conhecimento não quantificavel, eliminando o elemento humano do humano, isto é, paixões, emoções, dores e alegrias.

O PRINCIPIO DA REDUÇÃO OCULTA O IMPREVISTO, O NOVO E A INVENÇÃO (p. 42)
2.3.3 A FALTA RACIONALIDADE: o hiumano deve se beneficiar das tecnicas, mas não submeter-se a elas.

A falsa racionalidade é a racionalização abstrata e unidimensional, onde intenções salutares conduzem a efeitos nocivos. Gerou paradoxos... avanços gigantescos no seculo XX em todas as areas do conhecimento cientifico e tecnico, com cegueiras globais.
POR TODA ARTE E DURANTE DECADAS, SOLUÇÕES PRESUMIVELMENTE RACIONAIS TRAZIDAS POR PERITOS CONVENCIDOS DE TRABALHAR PARA A RAZAO E PARA O PROGRESSO E DE NÃO IDENTIFICAR MAIS QUE SUPERSTIÇÕES NOS COSTUMES E NAS CRENÇAS POPULARES, EMPOBRECERAM AO ENRIQUECER, DESTRUIRAM AO CRIAR”. ( p. 44)
CONCLUSAO DO CAPITULO: não se trata de abandonar o conhecimento das partes pelo conhecimento das totalidades, mas CONJUGÁ-LAS.


CAPITULO 3 – ENSINAR A CONDIÇÃO HUMANA

A educação do futuro deverá ser centrada na condição humana. Os humanos devem se reconhecer em sua humanidade comum e na diversidade cultural, inerente a tudo o que é humano.



Conhecer o humano é situa-lo no universo sem depara-lo do Universo: ‘quem somos?’ é inseparável de ‘onde estamos?’, ‘ de onde viemos?’, ‘ Para onde vamos?’. (p.47)

A educação do futuro deve promover grande remembramento dos conhecimentos provenientes das ciências naturais, das ciências humanas e das humanidades.


3.1 ENRAIZAMENTO / DESENRAIZAMENTO DO SER HUMANO: somos duplamente enraizados no cosmo físico e esfera viva, mas também desenraizados da natureza. Estamos dentro e fora da natureza.


      1. A condição cósmica: num cosmo em ordem, desordem, organização como auto-organização viva, ocorre a aventura humana.

3.1.2 A condição física: uma porção de substancia física se organizou sobre a terra. Nós os seres vivos somos uma migalha da existência solar.

3.1.3 A condição terrestre: pertencemos ao destino cósmico, mas estamos marginalizados em nossa Terra. Nossa terra é o teceirro satélite de um sol destronado de seu posto central numa galáxia periférica de um universo em expansão. A vida se desenvolveu em diversas espécies e em ecossistemas que concorrem pela vida e morte.

Como seres vivos deste planeta, dependemos vitalmente da biosfera. RECONHECER NOSSA IDENTIDADE TERRENA FISICA E BIOLOGICA.



3.1.4 A condição humana: mostra a importância da hominização para a educação voltada para a condição humana, por que nos mostra como a animalidade e a humanidade constituem juntas, nossa condição humana.

Cerebralização, evolução, varias espécies humanas, bipedização, erguimento do corpo, etc. Complexificação social, cultural (capital adquirido de saberes, de crenças, etc...)



Como o ponto de holograma, trazemos no seio de nossa singularidade não somente toda a humanidade e toda a vida, como também todo o cosmos, INCLUINDO SEU MISTERIO QUE, SEM DUVIDA, JAZ NO FUNDO DA NATUREZA HUMANA. (p. 51)


    1. O HUMANO DO HUMANO

      1. Unidualidade: o humano é simultaneamente plenamente biológico e plenamente cultural.

      2. O circuito cérebro/mente/cultura:

cérebro(aparelho biológico dotado de competência para agir, perceber, saber, aprender), mente (capacidade de consciência e pensamento).

Cultura como realização humana pela e na.

A mente humana é criação que emerge e se afirma na relação cérebro-cultura. O surgimento da mente intervem no funcionamento cerebral e retroage sobre ele.



      1. O circuito razão/afeto/pulsão: o cérebro humano contem paleocefalo (agressividade, pulsões primarias e cio), mesocéfalo (antigos mamíferos, afeto, memoria), neocortex (aptidoes analíticas, lógicas, estratégicas, que a cultura permite atualizar constantemente).

A racionalidade não dispoe DE PODER SUPREMO. É UMA INSTANCIA CONCORRENTE E FRAGIL: PODE SER DOMINADA, SUBMERSA OU ESCRAVIZADA PELA AFETIVIDADE OU PULSAO.(P.53) A PULSAO HOMICIDA PODE SERVIR-SE DA MARAVILHOSA MAQUINA LOGICA E UTILIZAR A RACIONALIDADE TECNICA PARA ORGANIZAR SUAS AÇÕES. (p.54)

      1. O circuito individuo/sociedade/espécie:

A sociedade vive para o individuo, o qual vive para a sociedade, a sociedade e o individuo vivem para a espécie, que vive para o individuo e para a sociedade.
Todo desenvolvimento verdadeiramente humano significa o desenvolvimento conjutno das autonomias individuais, das participações comunitárias e do sentimento de pertencer á espécie humana. P.55”.

    1. UNITAS MULTIPLEX: UNIDADE E DIVERSIDADE HUMANA


A educação do futuro deve cuidar para que a idéia de unidade da espécie humana não apague a idéia de diversidade e vice-versa.

A unidade não está nos traços biológicos apenas, mas há também diversidade propriamente biológica no seio da unidade humana. AS próprias culturas tem traços comuns e princípios geradores ou organizacionais comuns.j


      1. A esfera individual: nessa esfera existe unidade/diversidade genética.

      2. A esfera social: existe unidade/diversidade das línguas (somos gêmeos pela linguagem e separados pela língua), das organizações sociais e culturais.

      3. Diversidade cultural e pluralidade de indivíduos: EXISTE EM CADA CULTURA UM CARATER ESPECIFICO DE CRENÇAS, IDEIAS, VALORES, MITOS, TRADIÇÕES E MORTOS. AS CULTURAS SÃO FECHADAS E ABERTAS.

      4. SAPIENS /DEMENS:

O século XXI deve abandonar a visão unilateral que define o ser humano pela racionalidade (homo sapiens), pela técnica (homo faber), pelas atividades utilitárias (homo economicus)”.

O ser humano é COMPLEXO E TRAZ EM SI CARACTERES ANTAGONISTAS: sapiens e demens (sábio e louco), faber e lúdico (trabalhador e lúdico), empiricus e imaginarius (empirico e imaginário), etc.

O HOMEM DA RACIONALIDADE É TAMBÉM O DA AFETIVIDADE, DO MITO E DO DELIRIO. (...). ASSIM, O SER HUMANO NÃO SÓ VIVE DE RACIONALIDADE E DE TECNICA, ELE SE DESGASTA, SE ENTREGA, SE DEDICA A DANÇAS, TRANSES, MITOS, MAGIAS, RITOS. (...) AS CRENÇAS NOS DEUSES NÃO PODEM SER REDUZIDAS A ILUSOES OU SUPERSTIÇÕES: POSSUEM RAIZES QUE MERGULHAM NAS PROFUNDEZAS ANTROPOLÓGICAS, REFEREM-SE AO SER HUMANO EM SUA NATUREZA”. (p. 58-59)


E, NO SER HUMANO, O DESENVOLVIMENTO DO CONHECIMENTO RACIONAL-EMPIRICO-TÉCNICO JAMAIS ANULOU O CONHECIMENTO SIMBOLICO, MITICO, MAGICO OU POETICO”. (P. 59)

      1. HOMO COMPLEXUS: somos seres infantis, neuróticos, delirantes e também racionais.

A LOUCURA É TAMBÉM PROBLEMA CENTRAL DO HOMEM E NÃO SEU DEJETO E DOENÇA.

OS PROGRESSOS DA COMPLEXIDADE SE FAZEM AO MESMO TEMPO, COM E POR CAUSA DA LOUCURA HUMANA. (p. 60)
O pensmento, a ciência, as artes foram irrigadas pelas forças profundas da afetividade, sonhos, angustias, medos, esperanças... nas criações humanas há sempre uma dupla pilotagem sapiens/demens.
A EDUCAÇÃO DO FUTURO DEVERÁ SER O EXAME E O ESTUDO DA COMPLEXIDADE HUMANA.



    1. Primário – MORIN, CABEÇA BEM FEITA

Propõe partir as interrogações básicas: o que é o ser humano? A vida? A sociedade? A verdade? Alimentando a curiosidade natural a toda consciência que desperta, fomentando um programa interrogativo.

Partindo das interrogações se chegaria à compreensão da natureza biológica e cultural do ser humano. De um lado, seria dado inicio à Biologia com seus múltiplos aspectos (físico, químico); por outro lado, seriam descobertas as dimensões psicológicas, sociais, históricas da realidade humana. Tudo isso, sem compartimentar as disciplinas, onde possam ser diferenciadas, mas não isoladas.

Visando inserir o homem no mundo físico e vivo e o que o diferencia dele, seria contada a aventura cósmica, tal como podemos discerni-la atualmente. (com indicações do que é hipotético, desconhecido, misterioso).

A partir da aventura da hominização, seria colocado o problema do surgimento do homo sapiens, da cultura, da linguagem, do pensamento, o que permitiria introduzir a Psicologia e a Sociologia.

As aulas de conexão bioantropológica deverão ser dadas com a indicação de que o homem é, simultaneamente, totalmente biológico e cultural, e que o cérebro em Biologia e a mente estudada em Psicologia são duas faces da mesma realidade.

À medida que as matérias são distinguidas e ganham autonomia, é preciso aprender a conhecer, ou seja a separar e a unir, analisar e sintetizar.

O que é uma coisa? É preciso ensinar que as coisas não são apenas coisas, mas também sistemas que constituem uma unidade, a qual engloba diferentes partes, entidades inseparavelmente ligadas a seu meio ambiente.

O que é uma causa? É preciso aprender a ultrapassar a causalidade linear causa-efeito, para compreender a causalidade mútua inter-relacionada, a causalidade circular (retroativa, recursiva), as incertezas da causalidade.

Assim, será formada uma consciência capaz de enfrentar complexidades.



A aprendizagem da vida será realizada por duas vias, a interna e a externa. A Via interna passa pelo exame de si, da auto-análise, a auto-crítica, mostrando os erros ou deformações que ocorrem nos testemunhos mais convictos.

A via externa seria a introdução, desde muito cedo, ao conhecimento das mídias (televisão, videogames, anúncios publicitários, etc). Em vez de denunciar estes meios, o professor irá tornar conhecidos os modos de produção dessa cultura.

Naturalmente, o ensino da língua, da ortografia, da História, do cálculo seria integralmente mantido ao longo do primeiro grau.





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