Mostra os encantos do Vale do Paraíba



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Mostra os encantos do Vale do Paraíba


Desenvolvendo-se a partir do Rio de Janeiro (cresceu em Resende), a plantação de café ganhou força e deslocou-se para as terras do Norte Paulista, atingindo os municípios de Bananal, Areias, São José dos Campos e Jacareí. Em seguida, alcançou Vassouras e Valença, seguiu para Juiz de Fora e dominou toda a região da Mata Mineira.

Todas as belezas do Ciclo do Café no Vale do Paraíba com suas fazendas, ruínas, objetos e outros vestígios de um passado de glória -, poderão ser vistas até o final de junho, na exposição "Caminhos do Café", promovida pelo Instituto Cultural da Sociedade Nacional de Agricultura. Com o patrocínio do SEBRAE /RJ e o apoio da empresa italiana Illycaffe, a exposição cobre o período que vai da Proclamação da Independência (1822) à Abolição da Escravatura (1888). Cerca de 20 painéis apresentam imagens, reunindo belas fotos de fazendas emblemáticas, sítios históricos, documentos de época, mapas, textos explicativos, história da vida privada e curiosidades que retratam o auge e a decadência da cultura do café no Vale do Paraíba, sob uma ótica contemporânea, com diversas interferências. Também ganha destaque a bandeira original do Brasil Império, cedida pelo príncipe Dom João de Orleans e Bragança, além de uma coleção de louças valiosas do século XIX, de Victorino Chermont de Miranda, com os monogramas de famílias que fizeram história durante a época do Ciclo do Café. A coordenadora da mostra é a professora Heloísa Lustosa e o curador é Nelson Ricardo Martins. As imagens de "Caminhos do Café" foram concebidas a partir de um trabalho de campo realizado pelos fotógrafos Marcelo Magalhães e Carlos Chagas, que percorreram pontos históricos no Estado do Rio. Já a pesquisa ficou a cargo do historiador Eduardo Schnoor.

A exposição também possui caráter educativo , e está aberta à visitação de alunos de escolas públicas. A referida mostra, refere-se somente à região do Vale do Paraíba no Estado do Rio de Janeiro, mas A Relíquia incluiu, nesta reportagem, as fazendas situadas na parte do Estado de São Paulo que ocupam um vasto território desta região, oferecendo, assim, um panorama mais amplo dessas maravilhosas sedes de fazendas de propriedade daqueles que ficaram conhecidos como os "Barões do Café".

O Ciclo-do-Café

O ciclo econômico do café foi relativamente curto - durou menos de um século - mas além de trazer riquezas para o Brasil e para uma casta de fazendeiros, deixou para a posteridade as magníficas sedes de fazendas, verdadeiros palacetes, casarões e solares, testemunho de uma época de opulência e esplendor na região cafeeira.

Depois dos engenhos e do ouro das Gerais, veio o café dominar a economia, cujo ciclo começou a ser formado nos finais de setecentos e foi até meados do século seguinte, quando acabou o tráfego negreiro. Foi com o café que se lançaram os alicerces das grandes propriedades rurais, alcançando o auge após a Independência.

Apresentando uma variedade de estilos arquitetônicos, as sedes de fazendas em princípio obedeceram as linhas de construção urbana, estilo neoclássico, fugindo do colonial. As inovações neoclássicas que chegaram com os arquitetos do Príncipe Regente, foram adaptadas nas construções rurais, principalmente por estarem elas localizadas no interior de difícil acesso.

Como a arquitetura neoclássica é intelectualizada, requerendo o uso correto dos elementos e detalhes arquitetônicos num sistema preciso de relações e proporções, buscando uma harmonia e sobriedade, exigia mão de obra e materiais não disponíveis no campo. Então o estilo sofreu uma simplificação e adaptações.

No início as construções eram do tipo usada nos engenhos, seguindo-se os casarões com muitas janelas e portas, um tipo de sobrado que ocupava uma área menor que a construção do térreo e o casarão de um só pavimento sobre porão alto. Nestas construções destacava-se o solar, normalmente com alpendre e escadarias e muitas janelas. Depois começaram os cuidados com o mobiliário, luxo dos interiores, com colunas e pilastras, pinturas e painéis decorativos, tudo sugerindo uma ambientação neoclássica, seguida depois pelo ecletismo da arquitetura. Os salões eram mobiliados com o mesmo luxo das melhores residências da Corte. Traziam da Europa espelhos e cristais venezianos, baixelas de prata e ouro, finas tapeçarias orientais e móveis de jacarandá estilo inglês, porcelanas chinesas, pratas inglesas e portuguesas, obras de arte as mais variadas.

A exposição

Sobre a mostra do ICSNA, a curadora Heloísa Lustosa Escreveu: "A exposição Caminhos do Café apresenta, através de registros fotográficos, documentos e objetos, aspectos importantes sobre a civilização do café no Vale da Paraíba Fluminense, e o que restou desta época de barões, viscondes e marqueses. Mostraremos a ascensão e queda de uma estrutura baseada na submissão de milhares de negros vindos da África, que não só gerou e dilacerou extensas fortunas, como deu subsídios para a construção do Estado Nacional." Já o Presidente da Sociedade Nacional de Agricultura, Octávio Mello Alvarenga, declarou que "Houve um tempo em que o Brasil teve um símbolo dominante: o café. Existiu um Instituto Nacional do Café. A produção de café, a venda de café, a garantia de preço frente o excesso de produção, levaram a medidas radicais: destruição de sacas, erradicação de plantações - verdadeiras novelas policiais inseridas no romance de amor pela bebida que possibilitou a Voltaire e Balzac manterem-se ativos durante suas noites de criação literária.

Segundo a história foi uma muda furtada na Guiana Francesa que iniciou o ciclo da cafeicultura brasileira. E de acordo com estudiosos da matéria, as plantações de café, no Rio de Janeiro, tiveram início no centro da Cidade. Foi, porém, na região do Vale do Paraíba que o produto, ainda ao tempo do Império, alcançou sua maioridade, chegando a símbolo nacional quando suas folhas passaram a figurar na primeira bandeira do País. O império brasileiro se desvinculava de Portugal - e dois produtos do novo continente foram inseridos na nova bandeira: fumo e café."

As Fazendas

Real Fazenda de Santa Cruz

Após a expulsão dos jesuítas, a Real Fazenda de Santa Cruz, no Rio de Janeiro, tornou-se propriedade da Coroa Portuguesa, sob responsabilidade direta do Vice - Rei. Quando aqui chegou D. João VI, a então Real Fazenda estava passando por um grave desarranjo administrativo, fazendo com que o monarca convidasse o viajante inglês John Mawe para ocupar a sua direção. Com ele a Real Fazenda se transforma em uma Superintendência com várias atribuições, entre as quais abastecer de gêneros e madeiras as solicitações da administração portuguesa no Rio de Janeiro; atender às necessidades de hospedagem da Família Real e de sua comitiva; alojar os visitantes ilustres e os ministros que vinham despachar; organizar a alimentação das tropas sediadas em Santa Cruz e as forragens dos animais.

Entre as principais atividades da Real Fazenda, estava a venda da produção de milho, feijão, farinha, arroz, hortaliças, carne verde (gado vivo) e salgada, aguardente, lenha, couros, registrando-se ainda, o aluguel de pastos. Para completar, a fazenda era o local de aquartelamento das tropas e das guardas em trânsito destinadas ao serviço no Rio de Janeiro. Ela era dividida em Feitorias e as principais eram a de Santarém, Bom Jardim e Peri Peri. A de Santarém era considerada a mais importante e local onde se desenvolveu a lavoura cafeeira.

D. Pedro I foi o que mais frequentou esta fazenda. Ele saía pela manhã de São Cristovão e chegava à tarde a Santa Cruz. Daqui ele partiu para abafar uma sedição, conhecida com a bernarda de Francisco Inácio, na Província de São Paulo, em agosto de 1822, que culminou com o Grito da Independência. A sua primeira parada foi na Fazenda da Olaria, em São João Marcos, onde se juntaram à comitiva, cinco filhos das principais famílias da região que estavam apoiando a "Causa do Brasil". O ano de 1822 não foi só o da nossa Independência; neste ano o café começou a passar o açúcar com principal produto agrícola no Vale do Paraíba.

Fazenda Três Saltos

A Fazenda dos Três Saltos, localizada em Piraí - RJ, talvez seja uma das mais representativas do mundo dos senhores de escravos do século XIX no vale do Paraíba. Acompanhando a expansão territorial causada pela abertura do Caminho Novo da Piedade (Lorena/Rio de Janeiro) e pelo contínuo uso da antiga Estrada das Boiadas (Lorena/Resende/São João Marcos), vários fazendeiros locais, muitos originários da Ilha dos Açores, pleitearam terras para agricultar. Este pedido muitas vezes era feito por moradores do Rio de Janeiro, que desejavam obtê-las para revender e auferir lucros. Outros pretendiam se estabelecer, como a família Pernes Lisboa, cujo pai servia na milícia da Candelária no Rio de Janeiro. Havia também os que já praticavam a lavoura e queriam legitimar e aumentar as suas posses.

Este é o caso das Três Saltos. Os seus requerentes. José e Joaquim Gonçalves de Moraes e o cunhado Manuel Gonçalves Portugal - moradores na região de São João Marcos - receberam a concessão da fazenda em 1808. As terras desta sesmaria ficavam entre o Ribeirão da Maria Preta, Rio Paraíba e Piraí, e dela se originaram as fazendas da Grama, Pinheiro, Botafogo, Vargem Alegre, Bela Aliança, Três Saltos, Três Poços, Santa Angélica, Confiança e Aymorés.

José Gonçalves de Moraes, barão com grandeza de Piraí, agraciado em julho de 1841, nasceu em 1776 e faleceu na fazenda dos Três Saltos em 10 de outubro de 1859. Viveu 83 anos, uma idade rara para este século. Casou-se com Cecília Pimenta de Souza Breves, nascida na Fazenda da Manga Larga em 1782 e falecida em 1866. Este casamento uniu os Moraes aos Breves, montando uma das maiores e mais importantes redes familiares do Vale do Paraíba, destacando-se o seu cunhado, Joaquim José de Sousa Breves ("O rei do café").

Fazenda Paraíso

Tendo pertencido a Domingos Custódio Guimarães, a Fazenda Paraíso (Rio das Flores, RJ), localizada às margens do Rio Preto, entre Afonso Arinos e Rio das Flores, impressiona pelo seu tamanho e é considerada uma das mais belas fazendas do fastígio cafeeiro.

Nobilitado primeiro Barão (1854) e, depois, Visconde do Rio Preto (1867), Domingos Custódio iniciou sua fortuna associado a José Francisco de Mesquita, Barão, Visconde, Conde e, por fim, Marquês do Bonfim, que era dono de uma importante Casa Bancária no Rio de Janeiro. A principal atividade dessa sociedade era o abastecimento de carne verde (gado vivo) para a Corte. Os lucros obtidos com a atividade foram aplicados inicialmente na aquisição da Fazenda Paraíso, voltada para a produção cafeeira e principal propriedade e moradia do Visconde do Rio Preto, que possuía diversas fazendas.

A construção da sede iniciou-se em 1845 e, mesmo tendo o Barão aplicado grandes somas em cafezais e em escravos o seu legado foi um dos maiores deixados por um fazendeiro identificado com o café. Em 1868, com a sua prematura morte (apoplexia em uma festa na fazenda Paraíso), os seus herdeiros, esposa e três filhos, sendo um deles filho natural, repartiram a assombrosa soma de 1.942:727$791 (o equivalente nos dias de hoje a R$ 67.995.200,00).

A partir de 1873, com o falecimento da Viscondessa do Rio Preto, a Paraíso passa para Domingos Custódio Guimarães filho, o segundo Barão do Rio Preto, ficando com este até a sua morte, em 1876. A Baronesa, sua esposa, herda a Paraíso, e a passa para o filho (e neto do Visconde do Rio Preto) Dominguinhos, que a vende ao sogro, o Barão de Aliança.

O segundo Barão de Rio Preto, foi um grande colecionador de arte, que encomendou vários quadros ao pintor italiano Facchinetti. O quadro em que o artista retrata a Fazenda Paraíso foi dado de presente pelo Barão de Aliança ao seu motorista. Em 1912, a Fazenda Paraíso é vendida à família Arantes, seus donos até hoje.

Fazenda Vista Alegre

O estabelecimento do açoriano Francisco Martins Pimentel na região de Valença - RJ, é anterior a 1829. Visconde por Portugal, a sua trajetória é idêntica a de vários grandes proprietários do vale. Iniciou sua fortuna plantando café e perdeu tudo plantando café. No decorrer da vida, o Visconde de Vista Alegre investiu parte de seu lucro na representação pessoal e, como alguns fazendeiros, tinha uma banda de música própria.

Em agosto de 1869 ele recebeu o pianista americano Gotchalk e em setembro de 1876, quando a bancarrota se avizinhava, hospedou na Vista Alegre o Conde D'Eu e a Princesa Isabel, promovendo animados saraus, cavalgadas e passeios no lago. Em 1881, o Visconde e a Viscondessa hipotecam a fazenda para a firma comercial "Manoel Esteves & Filhos". Estas propriedades foram dadas em garantia de uma dívida de 120:000$000 (o equivalente, nos dia de hoje, a R$4.200.000,00), contrariando junto a esta Casa comercial.

O curioso é que a firma à qual a fazenda estava hipotecada pertencia ao seu cunhado e a executante era Maria Francisca Pimentel, irmã do Visconde. Foi ela quem fez transferir todo o mobiliário da Vista Alegre para outra fazenda de sua propriedade, entregando-a para o Banco Hypotecário do Brasil, com o intuito de saldar algumas dívidas. Em 1901, a Fazenda Vista Alegre vai a leilão, sendo adquirida pelos descendentes do Barão de Oliveira Castro, que arremataram, na mesma ocasião, a fazenda Chacrinha e a Campo Alegre.

Hoje propriedade de Délio e Clair de Mattos, a Vista Alegre é um dos solares construídos no apogeu do café, depois de 1855. As suas linhas neoclássicas são uma memória das fortunas geradas pelos "grãos vermelhos do vale". Em vez de extensos terreiros de café, um longo gramado ocupa seu lugar e uma bela paineira mantém-se como testemunha de tempos idos quando tudo era café. (Fonte: Sonia Mattos, diretora do Preservale).

Fazenda São Fernando



Fundada por Fernando Luís dos Santos Werneck, a Fazenda São Fernando, em Vassouras - RJ, foi inicialmente uma produtora de gêneros, entre os quais o café ainda era um conviva. Em 1850, quando falece o seu primeiro proprietário, a viúva, Jesuína Polucena, herda uma casa de vivenda, armazém para o café, paiol para o milho, 16 lances de senzalas, um chiqueiro, 189 cativos e 87.000 pés de café. O valor líquido de tais bens alcançava 184:865$204 (o equivalente, nos dias de hoje, a R$ 6.470.800,00). Após a morte de Fernando Luís dos Santos Werneck, Jesuína Polucena casa-se com o espanhol João Arsêncio Moreira Serra, sendo sob a administração do segundo marido que ocorre o apogeu da fazenda.

De 1850 a 1855, a São Fernando sofre melhorias e ampliações em seus prédios. Neste período, foi construída uma enfermaria para os escravos e introduzidos um engenho a vapor, engenho de cana e forno. A produção cafeeira aumenta devido à ampliação do plantio de café, chegando, em 1865, a 207.000 pés. Mas a decadência se avizinhava: desse total de pés de café, 80.000 eram considerados velhos, a ponto de não mais produzirem, e 35.000 já contavam mais de 11 anos de idade. Quanto aos escravos, são reduzidos drasticamente, chegando a 77 cativos.

Em 1865, falece João Arsênio, deixando como sua herdeira a enteada Guilhermina Leopoldina de Oliveira Werneck, que vende a fazenda em 1865 para Mathias Bernadino Alexandre. Em 1867, a São Fernando é comprada por José Ferreira Neves, que morre em 1879 e a sua viúva casa-se com José Benedito Marcondes Machado, que não consegue retomar os tempos de outrora. Mais uma vez a fazenda muda de mãos, adquirindo-a o português Francisco Gomes Lavina, que falece em 1918. Hoje, a fazenda pertence a Ronaldo Cezar Coelho, que a adquiriu em 1983.

Fazenda do Governo

A Fazenda do Governo, localizada em Paraíba do Sul - RJ, é uma das mais antigas do Vale do Paraíba. A sesmaria onde foi construída, no sertão da Serra do Frade e da Tocaia Grande, na Vargem do Rio Paraíba, foi pedida à Coroa, em 1703, por Jorge Pedroso de Souza, da vila de Paraty, e concedida em 1723.

Segundo artigo da professora Maria Beltrão, Os Caminhos do Ouro - O caminho do Ouro e a Fazenda do Governo, Revista Brasilis, ano 2, n° 1, novembro e dezembro / 2005 (pág. 65 a 78), o nome da fazenda se origina de um de seus proprietários, o Governador e Capitão General da Capitania do Rio de Janeiro, Aires de Saldanha, que a adquiriu, em 1723, de José da Costa Almeida e de sua mulher, Maria Ribeiro. Em 1741, a Governo é vendida para Pedro Dias Paes Leme, passando, em 1792, para os genros, cabendo ao capitão Antônio José da Costa Barbosa, por cabeça de sua mulher, comprar a parte referente a Antônio José da Cunha, casado com a outra herdeira.

No ano de 1799, Costa Barbosa obtém mais uma sesmaria de terras, localizada no fundo da Fazenda do Governo. Mesmo brigando com os seus vizinhos por motivos de limites, Costa Barbosa monta outra fazenda, a Bela Vista, dividida em dois sítios: a Cascatinha e as Três Barras. Ao morrer, deixa estas propriedades para suas três filhas, ficando a Bela Vista para Adelaide e a Governo dividida entre Pulicena Augusta e Francisca Cândida. Pulicena fica com a sede da fazenda, que passa a ser chamada de Governo Velho, e a parte destinada a Cândida, casada com Luís Nicolau Favre, batizada de Fazenda do Eremitório.

Em 1835, Pulicena Augusta, não suportando mais o marido, consegue o divórcio perpétuo e partilha amigável de todos os bens do casal. Mas José Linhares não admite sair da fazenda do Governo, obrigando a ex-mulher a vender a sua parte. Luis Favre, que havia aparelhado a Eremitório, tornando-se importante senhor de engenho e plantador de café, comprou a Governo entre 1839 a 1847.

Luis Favre falece em 1847 sem descendência, e sua viúva casa-se com o advogado Joaquim Pereira da Cunha, filho do marquês de Inhambupe , que foi ministro da fazenda e senador do Império de 1826 a 1837. Foi no tempo de Joaquim Pereira da Cunha que esta fazenda chega ao seu apogeu.

Por motivos de dívida, Joaquim Pereira da Cunha entrega a fazenda para os herdeiros do barão de Diamantina. No decorrer do século XIX e XX, a Governo, que hoje se chama Maravilha, teve diversos proprietários, o que resultou numa contínua divisão de terras, destruição e abandono de prédios de serviços e casas de vivendas. Restou a sede da fazenda em perfeito estado, devido ao trabalho de restauração implementado pela professora Maria Beltrão, sua atual proprietária desde 1975. A Fazenda do Governo apresenta-se hoje majestosa, sendo a única que manteve o traçado original, com pequenas alterações ao longo dos séculos. A fachada é a mesma de 1823, seu interior é recheado com magnífico mobiliário de época dos séculos XVIII e XIX, possuindo uma decoração mais aproximadamente possível do que era uma fazenda rica da época.

Fazenda Boa Vista

Em uma época de grande riqueza proporcionada pela cafeicultura, a Fazenda Boa Vista se tornou a maior produtora de café da sua região. Localizada no município de Bananal, que por sua vez fica situado no extremo leste do Estado de São Paulo, a Boa Vista, hoje reciclada em hotel-fazenda, continua ostentando toda a beleza e solidez de mais de 200 anos atrás.

A sede da fazenda Boa Vista foi construída na década de 1780, no estilo casarão com um pavimento sobre porão alto. Outra característica, além da horizontalidade, é a existência, no centro da fachada principal, de uma grande escadaria que leva a um copiar, que neste caso lembra uma varanda. O acesso à casa é feito por uma alameda de palmeiras imperiais, o que lhe dá um ar majestoso.

A origem da Fazenda Boa Vista encontra-se na Sesmaria do Caminho Novo, doada a Manoel de Sá Carvalho, natural de São Luiz do Paraitinga, nascido em 1723 e falecido em 1755, ainda solteiro. A Sesmaria era contígua a de Pedro de Almeida Leal (Água Comprida e Pirapitinga), com a qual defrontava-se a oeste do Estado. O sucessor de Sá Carvalho foi Antônio Rodrigues Pinto. Sua filha Ana Maria casou-se com Luiz José de Almeida e juntos deram impulso à fazenda produzindo anil e cana-de-açúcar. Entretanto, foi Luciano José de Almeida, filho do casal, nascido em 1796, na sede da fazenda, quem a converteu em uma das mais opulentas fazendas da região como maior produtora de café. A Fazenda Luanda, de Pedro Ramos Nogueira (Barão de Joatinga), anexada à Boa Vista (conhecida pelos escravos por "Canjungo" - origem africana) foram berço e feudo dos Almeidas.

Em 1842, Luciano José de Almeida hospedou o Barão de Caxias, comandante das tropas da Corte, destacadas para o combate dos rebeldes liberais de Silveiras. Prestou-lhe total assistência, reabastecendo as tropas e fornecendo animais de carga, gesto retribuído pelo Governo Imperial conferindo-lhe a Comenda de Cristo.

Com o falecimento do Comendador Luciano José de Almeida, herdou a fazenda D. Maria Joaquina Sampaio de Almeida, com 1.500 braças de frente por 3.500 de fundo, uma área de 323 alqueires geométricos. Possuía 700.000 cafeeiros. Conhecida como "A Matriarca", D. Maria Joaquina assumiu a direção da Fazenda Boa Vista e outras propriedades da família com energia e competência, ampliando as lavouras de café, aumentando o número de escravos, multiplicando seu patrimônio. A fazenda possuía farmácia própria e Padre capelão residente.

Além da Boa Vista, outras terras e fazendas pertenceram ao Comendador: Fazenda Cachoeira Córrego Fundo com 228 alqueires, 800.000 cafeeiros e 52 escravos; Sertão da Jararaca, com 330 alqueires de campos e matas; Fazenda "Fazendinha", vizinha da Resgate, herdada por José de Aguiar Valim e sua esposa Alexandrina (que sucederam "A Matriarca"); Fazenda Campo Alegre, no Município de Barra Mansa-RJ, com 222 alqueires e 317.000 pés de café; Sertão do Olho D'água, no Município de Arapeí, com 61 alqueires; Fazenda Bocaina, em Silveiras, com 800 alqueires no campo da fazenda e 220 no sertão; campos e matas na Serra da Bocaina, com 1.400 alqueires e 400 cabeças de gado. No total o feudo dos Almeidas totalizava 3.995 alqueires de terras, 1.810.000 cafeeiros, 810 escravos, tropas de 149 muares, 800 cabeças de gado e 20.000 arrobas de café colhido. Todas anexadas às dependências da Fazenda Boa Vista.

Com o falecimento de D. Maria Joaquina, em 1882, herdou a propriedade D. Alexandrina, esposa do Comendador José de Aguiar Valim, que a vendeu ao Diplomata Plínio de Oliveira, passando para os seus filhos Luiz e Eugênio Torres de Oliveira, que a venderam ao Dr. Aurélio Pires de Albuquerque. Em 1913, já desmembrada, pertenceu ao francês Emilie Levy. Em 1930 passou a ser de propriedade da família Pires.

Fazenda Resgate



A sede da Fazenda Resgate, testemunha de uma época de grande riqueza e ostentação, pode ser considerada uma jóia entre as fazendas construídas no glorioso Ciclo-do-café. A construção do palacete é do clássico tipo "casarão de um só pavimento sobre porão alto", cercada de belos jardins, pequenos lagos com cisne e patos e renques de soberbas palmeiras.

O responsável pela construção do palacete (1850), foi um arquiteto inglês cujo nome se perdeu no tempo. O pintor espanhol Villarongo pintou a casa com belíssimos afrescos. Originalmente a fazenda, bem mais antiga que a casa, tinha 10 mil hectares e produzia quase tudo, café, cana-de-açúcar, algodão, verduras e hortaliças, tinha gado, carneiro, galinha e outras aves, porco, só se comprava ferro e sal. A entrada da magnífica sede é feita por uma escadaria que leva a um copiar, dando acesso a um belo hall de entrada. Como a maioria das fazendas antigas, a Resgate possui um sistema que "impedia" a entrada de visitas não íntimas no núcleo familiar da casa. Uma porta logo na entrada principal bloqueava a passagem para os outros aposentos e ao lado duas alcovas eram usadas para hospedar as pessoas que vinham de fora (chegavam a cavalo) e tinham que dormir do lado de fora da casa, afastadas do núcleo familiar.

No salão azul, Villarongo pintou três painéis com as riquezas da fazenda. Na tela, ele já pinta o desastre que ia acontecer, a falência da terra causada pelos colonos europeus que não conheciam a terra tropical.

Fazenda Florença

Na primeira metade do século XIX, o Brasil vivia uma era dourada em função, principalmente, dos altos preços do café - o ouro verde. Nesta época de opulência, os "barões do café" usavam a riqueza para diversos fins, mas o mais visível foi a construção de magníficas sedes de fazenda, luxuosos palacetes que ainda resplandecem sob o sol do Vale do Paraíba e outros lugares.

A região de Vassouras e Valença, onde se inclui a bucólica Conservatória, era o cenário da maior produção de café do mundo. Pois foi ali, no apogeu do Ciclo-do-Café, que a sede da Fazenda Florença foi construída no longínquo ano de 1852. Mas a sua história recua mais no tempo, até princípios do século XIX.

Foi no início deste século que Custódio Ferreira de Leite veio de São João Del Rey - Minas Gerais, para o Vale do Paraíba, atraído pela riqueza do café. Foi ele o grande responsável pela construção da Estrada de Ferro D. Pedro II que trouxe o trem até Conservatória e também pela abertura de uma filial do Banco Agrícola no Interior da Província. Veio a ser o Barão de Ayuruoca, fundador de Barra Mansa. Filho de senhores de minas de ouro trouxe consigo inúmeros parentes, entre eles seu irmão Anastácio Leite Ribeiro.

Comendador Anastácio Leite Ribeiro adquiriu duas sesmarias que confrontavam com a sesmaria dos índios Araris no Conservatório de Santo Antonio do Rio Bonito, hoje Conservatória. Casou-se com Maria Esméria D'Assunção e teve vários filhos, dentre eles José Leite Ribeiro que fundou a Fazenda Florença. José Ribeiro morreu em 1861, ficando a fazenda com seus herdeiros até 1902, quando foi adquirida pela família de Leupércio de Castro que lá permaneceu até 1998.

A casa da Fazenda Florença apresenta um estilo colonial com toques neoclássicos. Sua característica é do tipo casarão construído sobre porão baixo, com planta em forma de "U", pátio interno com fonte e o grande alpendre frontal formando uma varanda saliente, com escadarias laterais, o que a diferencia da maioria. O alpendre, de influência italiana, é sustentado por colunas de madeira trabalhada, apoiadas em pilares de cantaria.

A sede da Fazenda Florença, que continua produtiva, nunca precisou ser restaurada, pois todos os seus proprietários sempre cuidaram muito bem dela. Ainda existe o portal original da senzala.

Localizada a quatro quilômetros de Conservatória, no Estado do Rio de Janeiro, dentro de uma reserva ecológica cercada por belíssimas montanhas, a Fazenda Florença é repleta de histórias. Uma delas relata que o Imperador D. Pedro II, quando foi inaugurar a estação de trem em Conservatória, almoçou com a sua comitiva na fazenda. Em homenagem ao imperador, um imenso retrato seu pintado a óleo impõe-se na sala de estar.



Fonte: Instituto Cultural da Sociedade Nacional de Agricultura, Revista do IPHAN, “Fazendas Cafeeiras”, Arquivo A Relíquia. Fotos A Relíquia e reproduções.

Colaborou: Litiere C. Oliveira e Michele Nascimento


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