Mota, Murilo Peixoto. Manual de prevenção às dst/Aids para adolescentes aids o desafio é nosso



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Murilo Peixoto da Mota

Sociólogo da UFRJ, mestre em saúde pública pelo Departamento de Ciências Sociais da Escola Nacional de Saúde Pública/FIOCRUZ.



Publicações mais recentes sobre o tema em questão
MOTA, Murilo Peixoto. Manual de prevenção às DST/Aids para adolescentes AIDS O DESAFIO É NOSSO. Rio de Janeiro: NESC/UFRJ – Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro, 1994.
________. Aids e mulheres da área metropolitana do Rio de Janeiro: uma proposta para prevenção. Núcleo de Estudos de Saúde Coletiva da UFRJ, Rio de Janeiro, mimeo, 1995.
________. Análise de metodologia de investigação: sexualidade. In: "AIDS, Pesquisa Social e Educação" ( CZERESNIA, D.; Santos, E.M.; Barbosa, R.H.S.; Monteiro, S., orgs.), pp.46-64, São Paulo - Rio de Janeiro: UCITEC/ ABRASCO, 1995.
________. Gênero e Sexualidade: Fragmentos de Identidade Masculina em Tempos de AIDS. Cadernos de Saúde Pública, Vol. 14 número 1 (janeiro/março), páginas 145-156, 1996.
_________. O Preservativo sob Gestão dos Programas de DST/AIDS e sua Inserção nas Atividades de Prevenção. Programa Municipal de Prevenção às DST/Aids - Órgão Regional de Execução do Ministério da Saúde (ORE/MS), Santos-SP, mimeo, 1998.

___________. Prevenção entre adolescentes de baixa renda: desafios e possibilidades. Boletim ABIA, Rio de Janeiro, n. 42, out./dez, 1998.

___________. Prevenção de DST/Aids junto a adolescentes da comunidade da Rocinha no Rio de Janeiro-RJ: uma experiência lúdica. Universidade Federal de Pernambuco. Seminário “Sexualidade e Reprodução na Adolescência”, mimeo, 1998.

__________. Os meninos e as meninas da favela: um programa de prevenção e mudança de comportamento em relação às DST/Aids. São Paulo, Fundação Macarthur, mimeo, 1999.

___________. Grupo Resistência Adquirida para Prevenção da Aids com Arte na Rocinha: um programa lúdico pela construção da consciência sexual e cidadania para meninos e meninas. São Paulo, Revista Perspectiva/Marcathur Foundation, n.2/Ano1, 2000.
___________. Manual de prevenção às DST/Aids para adolescentes Aids: resistência adquirida. Rio de Janeiro:DKT do Brasil – Grupo Resistência Adquirida para prevenção da Aids com Arte na Rocinha, 2002.

Summary
This essay gives priority to the construction of the masculine gender as a theme to be reflected about, establishing some questions based on the empirical experience with youngsters, all living in low class communities in Rio de Janeiro City. The essay is concerned with the questioning brought about by the importance of the gender category, so to elucidate masculinity models sustained by these youngsters, with effects on their understandings about sexuality. In this sense, the questioning is brought about so to estimulate the achievement of a research agenda to discuss - in accordance with the construction of the problem - the idea of masculine and of masculinity, not based on existing different sexual concepts between men and women but based on flully achieved sexual practices which are concerned with fantasies and eroticism.
Key words: gender; sexuality; masculinity; youth; low class.

Resumo
Este ensaio prioriza como reflexão a construção de gênero masculino, estabelecendo algumas questões a partir de uma experiência empírica com jovens, moradores numa comunidade de baixa renda da cidade do Rio de Janeiro-RJ. Trata-se do estabelecimento de indagações sobre a importância da categoria gênero como clarificadora de modelos de masculinidade, perpetuados por estes jovens, que influenciam na noção de sexualidade. Neste sentido, questões são levantadas a fim de estimular a realização de uma agenda de pesquisa que aborde, na ordem da construção do problema, a idéia de masculino e de masculinidade, não a partir da diferença sexual existente entre homem/mulher, mas a partir das práticas sexuais construídas que venham relativizar fantasias e erotismos.
Palavras-chave: gênero, sexualidade, masculinidade, adolescência, baixa renda.

Gênero, sexualidade e masculinidade:

reflexões para uma agenda de pesquisa

com adolescentes no contexto de uma experiência
Murilo Peixoto da Mota

Para início de conversa...

Nas linhas que seguem proponho-me debater as categorias gênero e sexualidade, tomando como aporte empírico o programa de prevenção às Doenças Sexualmente Transmissíveis e a Aids (DST/Aids), que coordeno junto a adolescentes moradores da comunidade da Rocinha (favela situada na Zona Sul da cidade do Rio de Janeiro-RJ).

O referido trabalho de prevenção às doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) e à Aids levou em conta o desenvolvimento de metodologias que priorizaram a qualificação de jovens como multiplicadores em informação sobre a epidemia, a partir de atividades lúdicas, desenvolvendo oficinas de teatro, expressão corporal, trabalhos com pintura, orientações pedagógicas no campo sexual, vídeo e artes plásticas, além da utilização da mídiai comunitária como forma de estabelecer um diálogo direto com a população local. Vale destacar que durante as atividades são desenvolvidas oficinas de expressão, dinâmicas de sensibilização, atividades de entretenimento, aulas expositivas sobre os aspectos de transmissão e prevenção da Aids, discussões clínicas, além do trabalho de teatro.

Este ensaio prioriza como reflexão a construção sobre a noção de masculino, tentando fazer um liame com algumas reflexões teóricas no campo de gênero. Assim, a indagação que se apresenta, como um dilema inicial que possa dar conta dos objetivos desta escrita, é de ordem metodológica e política. O debate é metodológico, por articular conceitualmente referenciais teóricos das ciências sociais, de maneira não consensual, do campo da sexualidade, os quais abrangem teorias com tradições essencialistas e naturalistas, em detrimento da construtivista. Em outras palavras, grosso modo, o debate se estabelece entre argumentações biológicas/naturais e culturais/históricas, dentro das quais a sexualidade foi nomeada, classificada e representada no contexto da modernidade, tornando-se uma questão importante para as ciências humanas.

Mas, como ressaltei, o debate também é político. Talvez por estabelecer-se num contexto ideológico em que o debate sobre o masculino ainda aponta para uma conexão estreita, qual seja, a da referência contida na condição socioeconômica ou geralmente numa análise com base comportamental, como homem/provedor, homem/machista, homem/crise de identidade, homem/violência, etc. A luta, o desafio, será pensar o masculino não como uma referência centrada no sujeito “homem”, mas no gênero, e esse embate é político. Esse sentido almeja ultrapassar as barreiras do comportamento e das diferenças biológicas, indo em direção à reflexões que dizem respeito às transgressões sexuais, diferenças, desejos e fantasias, priorizando explicitar as representações (masculinas) construídas com a intenção de subordinar a mulher e desvalorizar a esfera do feminino. Mas esta conjuntura nem sempre está direcionada apenas à mulher, mas também a outro homem potencialmente seu rival e competidor, como bem ressaltou Ramirez:

“nos encontros entre homens, expressa-se e se aspira à subordinação do outro, e uma forma de subordinar é situar o outro na esfera do feminino” (1995, p. 77).

O debate, então, afunila-se para uma conexão entre sexo, poder, prazer e seus significados culturais, afirmando o pressuposto de que a sexualidade é parte fundamental da ideologia masculina. Basta ver as relações de poder que ao longo da história justificaram a soberania do masculino sobre o feminino.

Nesta perspectiva metodológica e política proponho colocar em pauta em nossa agenda de pesquisa o debate sobre o masculino, não a partir da diferença sexual polarizada entre os sujeito “homem X mulher”, mas a partir das vivências eróticas vivenciadas que venham dar vazão ao lugar do masculino e do feminino nas relações. Assim, o enfoque sobre o masculino, justifica-se também por tentar desbaratar os significados da vida sexual cotidiana, ainda muito pouco pensada a partir da categoria gênero.

O presente trabalho assim pretende ser uma tentativa de refletir sobre amplas questões, sem a ambição de querer esgotá-las.

Algumas questões de ordem da construção do problema

Ao longo de quatro anos tenho convivido com os adolescentes da comunidade da Rocinha. A entrada na comunidade foi estabelecida primeiramente como campo de pesquisa (ver MOTA, 1998a), desenvolvida para subsidiar a elaboração de minha dissertação, objetivando a obtenção do título de mestre. Tal pesquisa referenciou a construção do programa de intervenção social para a prevenção das DST/Aids na referida comunidade, servindo como uma avaliação das necessidades de meu público alvo, assim como um retorno das reflexões da dissertação para a comunidade.

Na ordem da construção do problema, me pergunto: como os meninos, em situação de pobreza, constróem e vivenciam os direitos, permissões, proibições e responsabilidades, no processo de aprendizagem e sociabilidade da vida erótica cotidiana, que reproduzem e hierarquizam as relações sócio-sexuais entre homens e mulheres? Em que sentido os estereótipos de gênero influenciam na visão de mundo, no comportamento, nas representações eróticas do menino adolescente em situação de pobreza? Em que medida as noções de gênero estabelecem limites e possibilidades para as realizações eróticas seguras para às DST/Aids, tendo em vista as vulnerabilidades sociais de tais adolescentes? Como as representações de gênero se estabelecem na construção do imaginário dos meninos da favela? Como se dão as relações afetivo-sexuais e quais as suas variações no campo homoerótico masculino? Como são constituídos seus ritos de passagem sexuais?

Para início de conversa, vale destacar que o referencial de discussão aqui proposto participa da idéia de que a compreensão do sexo social, ou melhor, do gênero, é uma das relações estruturantes que dão ao sujeito oportunidades de escolhas, interesses, oportunidades, vivências. Assim, gênero está sendo observado a partir das questões articuladas por Scott (1990), que o conceitua como designação das relações sociais entre os sexos, rejeitando as explicações biológicas que argumentam a soberania do poder masculino sobre o feminino. Nesta argumentação, o gênero abre a possibilidade de relativizar as construções sociais dos sujeitos, distinguindo prática sexual de papéis sexuais numa perspectiva relacional.

A incorporação da categoria gênero nesta perspectiva será estruturante nessa reflexão. Primeiro, por trazer à tona a realidade masculina apontando os conteúdos simbólicos perpetuados culturalmente e que influenciam na idéia de sexualidade. Segundo, por indicar determinações e particularidades que possibilitam demonstrar o modo como a subordinação econômica e o acesso à escolaridade apresentam-se como relevantes na (de)marcação das trajetórias de vida sexual masculina, aspecto que me interessa pensar.

O que se propõe vai no sentido de situar a sexualidade num quadro mais amplo da vida privada, incluindo aí as formas de amor, as sensações de prazer e os códigos de intimidade. Valendo-me das palavras de Janine Pierret, quando afirma, ao citar T. Zeldin:

“O problema não é tanto saber quem deita com quem, mas sobretudo quais são os sentimentos, as emoções que as pessoas experimentam, o que se passa na cabeça das pessoas” (PIRRET, 1998, p. 64).

Talvez a discussão relacional do gênero articule estas facetas da vida sexual, possibilitando pensar mais as formas de experiências e suas conseqüências do que propriamente as suas causas, trazendo à tona o cotidiano (relacional) da vida privada.

Heilborn (1994) salienta que o caráter relacional do gênero diz respeito à dominação e à opressão que transformam as diferenças biológicas entre os sexos em desigualdades sociais ou exclusão. Uma questão que me toma e me inquieta neste debate trata justamente de refletir como o gênero permite apreender mudanças e permanências nas relações de socialização de meninos adolescentes, descortinando mecanismos de ruptura ou de recondução de hierarquia de gênero, levando-se em conta outra diferenciação, a inserção de classe, mas com um enfoque para o debate sobre a vivência sexual e o erótico em seu contexto.

Prioritário neste exercício será buscar trazer à tona a realidade masculina/feminina do adolescente de baixa renda, mas pensando sobre o lugar dos homens na conjuntura em que são construídos os estereótipos morais de gênero e suas transgressões. Para isso, interessam-nos as histórias de iniciação sexual dos adolescentes, suas práticas, seus scripts sexuais, levantados por parâmetros metodológicos qualitativos, utilizando os referenciais antropológicos que venham mapear etnograficamente os discursos que fazem referência à masculinidade e à feminilidade. Em outras palavras, esta perspectiva antropológica para a análise relacional sobre o gênero funda-se na necessidade de respondermos: como são os modos de vida sócio-sexual dos sujeitos moradores em favela? Como o tempo (geração), o espaço (casa e rua), as hierarquias de organização social (família), os rituais de conduta/sedução sexual (script sexual) e as diferenças morais entre os sexos (masculino/ativo e feminino/passivo), são produzidos e sancionados através de sistemas simbólicos de representações que os organizam? Partindo do pressuposto de que o domínio das idéias e dos valores detém, para o pensamento antropológico, uma realidade coletiva, autônoma e parcialmente inconsciente para os sujeitos membros da cultura estudada, somente os referenciais da antropologia podem ajudar a clarificar as condições e contradições da vida social na forma como buscamos compreender (GEERTZ, 1997).

O ponto de partida desse debate sobre a sexualidade, então, está comprometido com uma abordagem estruturalista ou pós-estruturalista, para incluir o filósofo Michel Foucault como um dos inspiradores dessa “vontade de saber” sobre o sexo e a construção da sexualidade. Nesta conjuntura, afirma Margatreth Rago:

“a alternativa de tematização das relações de gênero no campo pós-estruturalista revela-se extremamente enriquecedora, de certo modo, bastante condizente com a própria vocação desta categoria relacional e sobretudo cultural” (RAGO, 1996, p. 36).

Nesta perspectiva, a sexualidade poderá ser vista e percebida a partir de inúmeras outras esferas para além da saúde reprodutiva, tais como o script sexual de sedução, os conteúdos eróticos, o menu de práticas sexuais vivenciadas por determinado grupo social, atendendo aos nossos interesses de investigação aqui expostos.

O gênero, nesta perspectiva, revela novas possibilidades, como observar que há, nas relações entre os sujeitos, uma natureza assimétrica, segundo a qual a diferença sexual não está somente sediada na especialização da saúde reprodutiva, mas também em muitos outros campos da vida cotidiana sexual, ente eles o erótico. Esta vertente de pensamento vem tornar pública as inquietações que buscam ir para além do gênero, desbaratando os discursos naturalistas que insistem em apostar na oposição masculino/feminino e em sua linearidade.

O pressuposto que se coloca é o de que o erótico e as formas como é vivenciado possibilitam-nos entender os liames e fluxos estabelecidos entre a vida privada e a pública, entre o que se estabeleceu como norma e o que se vive como transgressão das regras culturais que regulamentam nossa cultura. É neste sentido, que Parker (1994) chama atenção para um fato que nos leva a relativizar as condutas sexuais entre o mundo público e o privado, diz ele:

“a própria classificação de determinadas práticas como aceitáveis ou admissíveis e de outras como proibidas ou banidas, abre, ao mesmo tempo, a possibilidade de alguma forma de transgressão, na qual as regras e regulamentos que estruturam a conduta sexual na vida cotidiana normal podem ser questionadas, burladas ou até subvertidas. Talvez mais do que qualquer outra coisa, é a noção de transgressão que define a ideologia do erotismo na cultura brasileira contemporânea”. (PARKER, 1994, p. 144).

É através do erotismo que a liberdade de condutas se manifesta, que as normas deixam de funcionar no mundo da privacidade, cujas práticas sexuais se estabelecem a partir de parâmetros mais condizentes com o desejo sexual individual do sujeito. Incluem-se aí as práticas sexuais entre homens que não se identificam ou nomeiam-se como homossexuais. Assim, entende-se que o gênero, ao fundar-se com o contexto erótico, se articula não apenas entre masculino e feminino ou entre o lugar do homem e mulher na sociedade, mas com as estruturas sociais, como a diferenciação etária, os esquemas de privilégios das diferenças de classe, as hierarquias, as dominações, os poderes, as fronteiras entre o mundo público e o mundo privado. Observo que aí avançamos para uma perspectiva mais ampla, qual seja: pensar o que distingue, o que entrelaça, o que mantém e o que (des)estrutura o masculino e o feminino como um padrão de diferença socialmente engendrado.

A análise sobre os meninos em situação de pobreza pretende vislumbrar tal articulação num sentido de abrir o debate. Considero que pensar a construção da masculinidade a partir de uma situação concreta, empírica, exemplificando-as, nos dá amplas possibilidades de reflexão, pois possibilita-nos ir no cerne da questão: explicitar os imperativos simbólicos que imperam entre homens e mulheres, originados por constrangimentos morais provenientes da ordenação da cultura. Em outras palavras, saliento que, a partir de minhas observações no campo, percebi que os homens com conduta homoeróticaii, aparentemente ocupam lugar de destaque nas relações de poder na comunidade da Rocinha – como aconselhadores, líderes religiosos, líderes em escola de samba e iniciadores dos ritos de passagem da vida sexual de muitos outros adolescentes, o que aponta para parâmetros que incitarão à necessidade de uma investigação exaustiva e detalhada, ou seja, perguntar: qual o lugar, o espaço e o poder incorporados por homens gays em tais comunidades? Em que momento o homoerotismo apresenta-se reproduzindo o estereótipo do gênero ao mesmo tempo em que o transgride? Que representação de masculino está colocada por estes homens? Quais as noções existentes sobre o masculino entre os meninos que se relacionam sexualmente com outros meninos? São estas, e algumas outras, as questões que me instigam.
Gênero, masculinidade e diferença sexual

Sem dúvida, o gênero é uma das categorias mais emergentes do debate sobre a sexualidade no campo das ciências humanas. Vale ressaltar que o panorama de reflexão proposto veio à tona a partir do movimento feminista e seu compromisso em expor criticamente o sistema de poder culturalmente engendrado, que legitima certas representações, atitudes e poder do masculino em detrimento do feminino.

O gênero aponta para determinado tipo de análise que vislumbra transcender ou (re)pensar o processo histórico de construção e representação sobre o lugar político da mulher, pensado, refletido e reivindicado por elas. Além disso, os estudos feministas demonstraram a possibilidade de abalar o mito da inferioridade física e intelectual, provando que poderiam participar do mundo público masculino do mesmo modo que os homens. Nesta linha de argumentação, Margareth Rago (1996) é crítica e faz indagações importantes que nos leva a relativizar algumas argumentações que buscam reivindicar a igualdade da presença feminina nas histórias do passado dando muita atenção às formas de atuação das ações das mulheres heróicas e lutadoras, fato que cairia, numa nova mistificação das mulheres, erigida em símbolos do bem e do mal, num mundo masculino profundamente abalado, desgastado e desprestigiado. Neste sentido, ressalta a autora, dialogando com os historiadores:

“(...) ao contrário, deveriam deslocar o foco de atenção para os modos de produção de sua identidade/subjetividade como figuras excluídas, silenciadas, passivas, românticas, estigmatizadas, a exemplo das feiticeiras na Idade Média, das índias no Período Colonial, das prostitutas na Modernidade”? “(...) Afinal, refletíamos nós, historiadores, os resultados da utilização de um ou outro viés teórico poderiam evocar imagens muito diferentes das mulheres no passado: heroinas e românticas, de um lado; passivas e submissas, de outro.” (RAGO, 1996, p. 35).

Como se vê o tema é polêmico, pois numa exigência marcada por uma abordagem teórica e metodológica das ciências sociais, o gênero, enquanto categoria, vislumbra mostrar a mulher numa perspectiva fora do contexto em que sempre foi representada, ou seja, como mãe, esposa, do lar, percebida a partir de outros parâmetros teóricos, que envolva uma análise de conjuntura mais política, não essencialista. O que implica dizer que, com o gênero, abandonou-se a definição mais tradicional de papéis sexuais, valorizando-se cada vez mais a dimensão de relatividade entre o indicador anatômico e a elaboração cultural (HEILBORN, 1994).

O gênero passa a privilegiar o exame dos processos de construção das diferenças, a partir das relações que as constróem. Assim, gênero especifica as formas como o poder se articula em momentos datados social e historicamente, variando dentro do tempo e inviabilizando o tratamento da diferença sexual como uma coisa dada pela natureza (HOLLANDA, 1994). O cânone deste debate nos parece estruturante para o tema central dessa exposição, pois esboça a preocupação da inesgotável procura da definição do gênero, em graus diversos de complexidade. Assim, quando nos deparamos com a reflexão sobre a identidade feminina e o lugar da diferença sexual a partir de uma conotação de que o sexo e a sexualidade são construções sociais e, por assim ser, levam-nos a relativizar a nossa própria cultura, podemos observar que este debate avança para uma análise das relações entre o masculino e o feminino sem restringi-lo a uma reflexão sobre homens e mulheres.

Vale destacar que, de fato, o conceito é complexo, mas não me interessa aqui debater as articulações conceituais sobre esta categoria, mas demostrar o quanto ela se aproxima de um recorte que problematiza o pensamento da diferença. Esta perspectiva sobre o gênero abre amplas possibilidades analíticas, pois refere-se aos sexos a partir de uma perspectiva histórica, e portanto mutante e dinâmica, que informa sobre a produção e reprodução das diferenças entre masculino e feminino, sem priorizar uma visão heterossexual e a imposição hegemônica da diferença entre homens e mulheres, com um pressuposto anatômico centrado nos corpos.

Em seu artigo intitulado “A tecnologia do gênero”, Tereza de Lauretis abre um interessante debate sobre o conceito de gênero propondo uma discussão sobre como esta categoria também tem suas dimensões limitadoras. A autora aponta para o fato de que a primeira limitação está centrada na discussão de diferença sexual, pois

“confina o pensamento crítico e feminista ao arcabouço conceitual de uma oposição universal do sexo (a mulher como a diferença do homem, com ambos universalizados; ou a mulher como diferença pura e simples e, portanto, igualmente universalizada), o que torna difícil, se não impossível, articular as diferenças entre mulheres e Mulher.” (LAURETIS, 1994, p. 207).

Vale destacar que a autora propõe que o sujeito seja constituído no gênero sim, mas não pela diferença sexual e pelas experiências de relações de sexo, mas também pela de raça e classe.

Nestes parâmetros, considero que o filósofo Michel Foucault poderá dar pistas para uma releitura sobre as relações de poder e sobre o debate da diferença, lugar onde a categoria gênero se engendra. Aproveito para pegar “carona” nas reflexões de Correia (1996), pois contribuem nesta reflexão chamando atenção para o fato de que a leitura de Foucault:

“não implica em desconhecer permanências e continuidade, como é o caso da desigualdade entre os gêneros que parece ficar retida no interior dos dispositivos de conformação e controle da sexualidade através dos tempos. Mas sim, reconhecer que a variabilidade histórica é tão importante na análise da sexualidade quanto de qualquer outro fenômeno social e político”. (CORREIA, 1996, p.153)

Em outras palavras, a autora quer chamar atenção para o fato de que discutir sexualidade implica fundamentalmente numa discussão política, pois ela é, por si mesma, uma forma superior de controle e dominação dos indivíduos, e sua politização é um exercício de desvelar seus dispositivos.

Esta idéia me parece interessante para o contexto que gostaria de abstrair aqui, cujos parâmetros tentam abarcar uma experiência concreta com os adolescentes, num trabalho que envolve e pressupõe discutir a sexualidade. Pois, nesta perspectiva, o gênero possibilita, além de uma análise reflexiva sobre o lugar político da mulher na sociedade, discutir sem traumas e rancores o próprio homem, sem “engessá-lo”, pensando que é ele em si um representante da arbitrariedade cultural legada às mulheres. Assim, pensar o homem a partir da categoria gênero será pensar a própria mulher, pois, como bem acentua Scott (1990), um implica no estudo do outro, pois o mundo das mulheres faz parte do mundo dos homens.

Gostaria de salientar neste debate que não temos mais que ficar pensando em olhar o homem como oprimido nem como opressor, mas em como o masculino se engendra na dinâmica dos gêneros. Quem sabe assim possamos ir “para além do bem e do mal” e avançamos na possibilidade de compreender o passado histórico, apontando os aspectos da construção de simbolismos e representações, que legitimam a hierarquia do masculino em detrimento do feminino? Tudo leva a crer que o cerne da questão também está na tentativa de mudar e desconstruir o evento paradigmático patriarcal de nossa vida cotidiana, que tanto nos limita, nos atrapalha, nos inviabiliza como humanos, independente de sermos homens ou mulheres.

A perspectiva dada por Connell (1995) para pensar o homem a partir dos referenciais conceituais que priorizam pensar o masculino e o feminino desloca o debate das diferenças no sexo para o debate sobre as relações. Para esse autor, o que está em jogo são “masculiniades” (no plural). Neste sentido, acrescenta, o debate sobre o masculino deve necessariamente incluir homens e mulheres sem universalizá-lo. Esta dimensão vem significar que o gênero é muito mais que interações entre homens e mulheres ou caracterizações corpóreas da diferença sexual. É muito mais amplo, pois envolve a política e a ideologia difundidas historicamente pelos aparelhos ideológicos de Estado, tais como, a família, a religião e a escola.

Acrescento que necessitamos incluir no campo do debate que envolve gênero e sexualidade uma reflexão mais aprofundada sobre o contexto erótico. Pensar o erótico será incluir também os imponderáveis mecanismos de controle e poder da vida privada e suas transgressões, buscando esmiuçar as entranhas que envolvem igualdade entre os gêneros e o que se distingue culturalmente serem diferentes entre homem e mulher, masculino e feminino.

O que se apresenta para o gênero então, tem por base a vida social dos sujeitos, ou seja, está no cotidiano, na concretude das relações, quando se estabelece e se exprime no campo simbólico ou material. É aí que me pergunto: como o gênero enquanto noção, representação, atitude, comportamento e discurso se constitui e se interioriza no sujeito adolescente? Como as noções de masculinidade são perpetuadas entre os adolescentes? As noções de gênero influem nas práticas sexuais homoeróticas?


Algumas reflexões a cerca da adolescência e do adolescente

Quando se fala em adolescente algumas correntes disciplinares no campo “psi”, grosso modo, refere-se a uma fase da vida, um período conturbado de descobertas sexuais e transformações biológicas que vêm caracterizar uma geração ou uma faixa etária dos sujeitos durante o seu crescimento individual. Acrescento que neste debate conceitual sobre a adolescência falta um certo ingrediente analítico que venha relativizar as influências sociais, determinando a formação do corpo e a construção da consciência dos indivíduos.

Mais especificamente, no caso dos adolescentes da favela, vale refletir que a realidade social antecipa-lhes responsabilidades e afazeres, muito próprios da vida do adulto. Assim, esse adolescente se confronta com inúmeras contradições impondo-lhes um cenário de grande vulnerabilidade sócio-sexual. Alguns adolescentes têm problemas mais particulares, como procurar alimento, se proteger da violência, buscar um lugar para dormir, enfrentar o alcoolismo familiar, e até mesmo questões pontuais, mas que ocorrem em grande escala, tais como incesto, estupro, aborto, drogas ilícitas. Tudo isso de maneira muito precoce.

Nesse sentido, gostaria de relativizar essa idéia hegemônica que enquadra e formaliza a vida dos adolescentes a partir de parâmetros bio-psíquicos na forma como tradicionalmente vem sendo utilizada, aspecto que já vem sendo criticado pelas ciências sociais. A categoria, na forma hegemônica como vem sendo percebida por algumas disciplinas, com destaque para a psicologia e a medicina, não ajuda a entender os sistemas culturais/sexuais do adolescente da favela, ou seja, aquela velha fórmula que vê o adolescente dentro de uma perspectiva hormonal e biológica, uma sexualidade natural e impulsiva que determina sua visão de mundo, não se enquadra muito bem à realidade dos jovens de baixa renda. Em outras palavras, quero afirmar que essa categoria, na forma como está sendo colocada, não dá visibilidade necessária para entendermos esse jovem.

Neste aspecto, Vera Paiva chega a ressaltar que a “sexualidade adolescente talvez seja a mais difícil de ser resgatada de uma visão essencialista do sexo, que concebe uma sexualidade natural e a-histórica (PAIVA, 1996, p. 213). Utilizando a categoria “adolescente”, muitas vezes, estamos nos referindo a todo um discurso moral do sexo, feito por uma faixa etária que precisa ser controlada, interditada, higienizada e modelada, a partir de uma perspectiva heterossexual cuja reprodução é algo a ser proibido, a ponto de a gravidez ser chamada de indesejada.

Fica claro por exemplo, que o crescimento dos pelos, dos seios, a primeira menstruação, a primeira ejaculação, a prática da homossexualidade, a masturbação, a primeira transa, as rebeldias e as inconstâncias, possuem significados intrinsecamente ligados ao mundo público e privado onde esses jovens vivem e experimentam sua sexualidade, onde, inclusive, a gravidez tem significados simbólicos e representações a serem melhor analisadas.

Neste sentido, alguns estudos (ver HEILBORN, 1997; PAIVA, 1998) observaram que as meninas, por exemplo, vivem situações tão particulares que muitas vezes encaram a gravidez como rito de passagem para a vida adulta, uma possibilidade de sair de casa, construir uma outra família, como se realizassem um sonho apaixonado, um ideal que na pior das hipóteses só lhe acarretará mais problemas. Isso sugere também uma reflexão sobre o motivo de sempre considerarmos a gravidez na adolescência como indesejada; pode ser inesperada, mas quando a ser indesejada é questionável. Já os meninos são muito influenciados pelos colegas, pelo grupo de convivência que reafirma os estereótipos da masculinidade, portanto, muitas vezes, estão prontos para qualquer ejaculação, sem se preocupar em classificar suas condutas de heterossexual, homossexual ou bissexual. Aí entram as questões das dicotomias do ativo/passivo, como influenciadores constituidores das noções de identidade, sem que isso lhes acarrete questões a serem pensadas no campo erótico.

É interessante observar que os meninos geralmente falam com facilidade sobre suas práticas sexuais e costumam ver a experiência sexual como sinal de masculinidade. As meninas falam de sexo com suas melhores amigas, mas costumam se entregar de corpo e alma às grandes paixões, o que também as torna vulneráveis aos desejos sexuais masculinos (ver MOTA, 1998). A partir das intervenções realizadas no programa de prevenção às DST/Aids da Rocinha, percebi que os meninos parecem estar portando preservativos mais como um símbolo de masculinidade ou uma brincadeira do que propriamente como um uso. Isso quando têm acesso a eles.

Diante de tantas questões, fica claro que as noções estereotipadas de gênero são entraves para o trabalho de sensibilização e enfrentamento da epidemia de DST/Aids, o que nos leva a estabelecer um trabalho de desconstrução desses estereótipos durante os trabalhos realizados. Alguns meninos oscilam entre uma heterossexualidade afirmada e entre uma homossexualidade circunstancial. As meninas têm uma visão de sexo cheia de tabus e contradições, a liberdade marcada pela perda da virgindade, experiência com abortos, abandonos afetivos e o sonho de um casamento ideal.

Nesta perspectiva, a idéia de adolescente e adolescência devem ser encaradas como um fenômeno universal sim, mas moldado por particularidades culturais, influenciado por questões econômicas e políticas que, se esquecidas no âmago das intervenções educacionais, acabarão no recinto ingênuo de sua própria pedagogia.

O construtivismo sugere que examinemos a cultura na qual nossos jovens foram sexualizados para que, se necessário for, eles aprendam a desconstruí-la, com os mecanismos de resistência que conhecem. Encarar o sexo e a sexualidade dos jovens nesta perspectiva é percebê-lo como sujeitos sexuais, agentes e responsáveis por suas ações, dotados de direitos e deveres para consigo mesmos e para com a sociedade.

Com certeza, são muitas perguntas e poucas respostas. Então, continuo indagando: como se dá a prática homoerótica entre adolescentes masculinos moradores em favela? Como se dá a iniciação sexual desses jovens? Quais os significados eleitos como ritos de passagem de transições da vida? Quais as dimensões simbólicas que envolvem a prática sexual e seus riscos? Como os meninos constróem a noção de diferença sexual e as representações de gênero? Em que momento da prática sexual o uso do preservativo ainda é negligenciado na prática sexual cotidiana dos adolescentes? Como se constrói as diferenciações sexuais entre meninos e meninas na família de baixa renda? Quais as reais dimensões desta categoria adolescente e a sua possibilidade de dar visibilidade ao contexto do jovem de baixa renda, tendo em vista que os mesmos têm responsabilidades de adulto mas não têm os mesmos direitos?

Enfim, a tentativa de buscar refletir sobre tais questões interage com uma perspectiva às vezes chamada de utópica, qual seja, contribuir para as lutas mais amplas e por uma ordem social mais justa que dê lugar e vez às diferenças e aos diferentes. Quem sabe desbaratar as redes de significados simbólicas da construção da noção de gênero, as formas como os adolescentes moradores em favelas vivenciam as praticas homoeróticas, não seja uma pista para entendermos algumas questões relativas à sexualidade adolescente, cuja marca de classe social pode ser um pilar importante para pensarmos as formas como são experimentadas as normas, as regras e suas transgressões relacionadas à sexualidade?

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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i Temos um programa na Rádio Comunitária Rocinha FM-105,7, que vai ao ar todas as sextas-feiras de 17 às 19 horas. Participamos de uma coluna no jornal comunitário Correio da Zona Sul. Já realizamos quatro programas de TV, cooordenado pelo ator Cláudio Sant´Ana, no canal comunitário da Rocinha junto ao Núcleo de Vídeo da Associação Padre Anchieta.

ii O conceito de homoerotismo aqui proposto está pautado nas reflexões de Jurandir Freire Costa em seu livro intitulado “A inocência e o vício” (1992) reflete criticamente sobre as limitações da classificação médico-científica do termo “homossexualidade”, como limitador, universalista e essencialista, não dando conta dos amplos sentidos eróticos da prática sexual dos homens que fazem sexo com homens.



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