Movimento, lutas e associativismo



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UERJ, DE PROFESSOR À DOCENTE:

MOVIMENTO, LUTAS E ASSOCIATIVISMO
Carlos Eduardo Martins da Silva

Mestrando em Educação - UNIRIO

e-mail: martinshistoriador@ig.com.br
I – Introdução
Uma dessas nove musas é Clio, a musa da história, filha, da memória, uma das herdeiras da linhagem que se origina do consórcio entre o humaníssimo – ainda que olímpico – Zeus e de Mnemosine, e que ascende a uma aliança carnal entre o céu e a terra, que, por sua vez, gera também o tempo (NEVES, 1998, 2000, apud NEVES 2009, p.18).

O trabalho é fruto das pesquisas em andamento na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) na condição de aluno do Mestrado em Educação dessa universidade. Nessa pesquisa em construção, busco problematizar a experiência constitutiva dos docentes da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) enquanto categoria sócio-histórica.

Ainda na Graduação em História da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), refleti no meu trabalho monográfico sobre a relação entre o movimento sindical docente e o projeto neoliberal nas universidades.

Este trabalho pretende colaborar para a compreensão da construção da identidade dessa categoria social nos quadros da universidade entre as décadas de 1970, período final da Ditadura Militar, e os anos 80, período de redemocratização da sociedade brasileira. Portanto, entre o período das primeiras reuniões clandestinas (1977) até a consolidação da entidade representativa, a Asduerj como entidade representativa e a realização da primeira eleição para reitor na universidade (1985).

Nesse processo, colocamos em diálogo a relação entre o processo de construção da entidade representativa dos docentes com a própria constituição identitária da categoria docente da UERJ, no período final da década de 70 e início da década de 80, do século XX.

Partimos das fundamentais contribuições do historiador inglês E. P. Thompson, e das reflexões de Hobsbawm, F. Dosse e Peter Burke acerca da constituição da classe trabalhadora e do trabalho sobre a origem e gênese da UERJ realizado pela professora e pesquisadora da Universidade estadual, Deise Mancebo (1996), entrelaçando esses estudos com os depoimentos dos entrevistados.

Em nosso trabalho, estabelecemos um movimento permanente entre empiria e teoria na produção do conhecimento histórico. Pois, somos crítico da noção de que a teoria tenha uma sede independente da realidade e de que a empiria por si mesma seja capaz de revelar a realidade.

Buscamos um conceito de história que promova uma ruptura com a dimensão linear e cronológica e encontre perspectivas no tempo do agora, um tempo múltiplo, em que o olhar para o passado constitua uma oportunidade de experiência do historiador com esse passado, possibilitando o conhecimento do presente e construções de projetos futuros. A experiência do historiador com o passado afirma-se como experiência que emerge de sua dimensão coletiva. A construção é essencialmente social.


No que se refere aos defensores da contingência histórica, vale reter a impossibilidade da realização – face a seus postulados e práticas- de uma história–processo alicerçada na dimensão coletiva dos atores e sujeitos sociais, já que contingência e acaso, tornados matérias-primas do fazer historiador, resultarem não somente no distanciamento de toda e qualquer crítica social, como também – e por conseqüência – no distanciamento da própria noção de devir histórico (MENDONÇA, 2009, p.30).
Acreditamos que a memória dos sujeitos históricos nos levará à intensidade dessa dimensão essencialmente coletiva de constituição do movimento docente, em específico, da Asduerj, e suas análises nos possibilitarão descobrir caminhos para a compreensão da trajetória da própria UERJ enquanto instituição social e histórica.

Portanto, de professores universitários horistas, desejosos de Fazer-se docente, transformando-se em professores-pesquisadores e por construírem uma universidade, marcada pela autonomia, democracia e associação entre ensino, pesquisa e extensão, contrapondo-se ao projeto da velha UERJ que valorizava, basicamente, o ensino, com uma estrutura de poder centralizada e ao nesse processo de se constituírem docentes, constroem-se e reconstroem-se em movimento.


II- Metodologia e Fundamentação teórica – Caminhos para a investigação
Um foco de atenção aos historiadores sociais poderia ser o processo de interação entre os acontecimentos importantes e as tendências por um lado, e as estruturas da vida cotidiana por outro lado (BURKE, ANO, p.25).
Nas primeiras pesquisas realizadas sobre o movimento docente da UERJ, no período em estudo, percebemos a ausência significativa de fontes históricas secundárias, tais como: livros, publicações, teses, dissertações e trabalhos monográficos que retratassem a temática que ora me proponho investigar nesse trabalho. Por isso, compreendemos a importância das fontes primárias (atas; panfletos e jornais) como também o depoimento oral dos protagonistas desta História que se fez e se faz, interferindo no âmbito social, mas principalmente nos rumos da própria universidade. Segundo Gwyn Prins:
Paul Thompson figura proeminente no “movimento” da história oral que defende o valor das fontes orais na história social moderna, como proporcionando presença histórica àqueles, cujos pontos de vistas e valores são descartados pela “ história vista de cima” (PRINS,1992, p.165).
Neste caminho, faz-se necessário atentarmos para uma escuta sensível ao que trazem os sujeitos históricos de nosso trabalho de pesquisa em questão, os professores da UERJ, essa escuta é de fundamental importância para a construção de caminhos investigativos, que, privilegiando a história oral, poderão anunciar outras fontes históricas das quais lançaremos mão para entretecer um diálogo com o intuito de melhor compreender nosso objeto de pesquisa – os professores em processo de transformação em docentes.

Prins (1992) nos alerta para a perspectiva de um diálogo entre as fontes com as quais pesquisamos, como historiadores, sem que haja supremacia de uma em relação a outra:


A questão é que o relacionamento entre as fontes escritas e orais não é aquele da prima-dona e de sua substituta na ópera: quando a estrela não pode cantar, aparece a substituta: quando a escrita falha, a tradição sobe ao palco. Isso está errado. As fontes orais corrigem as outras perspectivas, assim como as outras perspectivas as corrigem (PRINS,1992, p.166).

No entanto, sabemos que os historiadores, estudiosos da história, que vivem e vivenciam uma sociedade das letras tendem a privilegiarem inconscientemente ou conscientemente a cultura escrita, muitas vezes desprezam a oralidade ou colocam em questão a fidedignidade das fontes orais. Ainda nas palavras de Prins (1992), podemos continuar o diálogo quando o autor nos diz:


Creio que a queixa geral das premissas metodológicas sobre a precisão frequentemente refletem uma crença de que os dados orais não podem explicar a mudança, e que a mudança é o que mais os historiadores estudam. Mas isso não é totalmente verdade; e em algumas circunstâncias, em especial nas sociedades não alfabetizadas ou quase alfabetizadas, a continuidade é muito mais interessante e muito mais difícil que de ser explicada do que a mudança (PRINS, 1992, p.171).
Assim, encontramos na história oral um caminho fértil no campo historiográfico, que a partir da escola dos Annales, com a introdução de novos objetos, abordagens e problemas, ressignificando-os, propôs a emergência de fontes alternativas ao documento escrito com a revalorização do depoimento oral e das imagens. “Uma escola que se define por sua abertura e permite o acesso a novos objetos, novos horizontes para atingir um nível particularmente rico em produção histórica” (DOSSE, 1994, p.224). E ainda, segundo a professora Sonia Regina Mendonça: “Os annalles não forma exitosos apenas ao dar consistência à chamada história-problema. Igualmente conseguiram redirecionar o “fazer historiográfico” no sentido da objetividade” (MENDONÇA, 2009, p.31)

Em nosso trabalho, a história oral foi e é a fonte primária da pesquisa, visto que se constituiu em um importante instrumento do processo investigativo. “Nem sempre é necessário utilizar todas estas fontes. Em função dos objetivos específicos da pesquisa é possível, e até desejável, privilegiar umas e não outras” (BUFFA e NOSELLA, 2009, pag.63)

Percebemos, então, que os depoimentos orais são fundamentais para a compreensão do nosso objeto de trabalho, portanto, fundamentais para a compreensão do período histórico tratado.

Acredito na história oral precisamente porque ela pesquisa a memória de indivíduos como um desafio a essa memória concentrada em mãos restritas e profissionais. E penso que parte de nosso desafio é o fato de que realmente encaramos a memória não apenas como preservação da informação, mas também como sinal de luta e como processo em andamento (PORTELLI, 2000, p.69).


A escola dos Annales enriqueceu os estudos históricos, pois possibilitou uma visão da história vista de baixo, a partir de homens e mulheres comuns, com suas ações sociais e de suas experiências culturais e sociais.
O que essas abordagens têm em comum é a sua preocupação com o mundo da experiência comum (mais do que a sociedade por si só) como seu ponto de partida, juntamente com uma tentativa de encarar a vida cotidiana como problemática (BURKE,1992, p.23).
Os Annalles contribuiram para o crescimento de novos estudos históricos por novos prismas, ainda pouco ou quase nada pesquisados, por outro lado concordamos com a posição crítica da professora Sonia Regina Mendonça ao grupo dos Annales, quando afirma que estes continuavam partilhando de um mesmo ponto comum com a escola que os precedeu, ou seja: “a restrição de suas atividades ao campo acadêmico ou científico, como se sua preocupação fosse descolada da ação política mais ampla” (MENDONÇA, 2007, p.31).

E, neste sentido, sem abrir mão das contribuições da Escola dos Analles e da perspectiva de estarmos trabalhando com as vozes dos sujeitos sócio-históricos comuns, da história submersa, em nosso trabalho, caminhamos no sentido de contemplar uma visão materialista da História, “Com base nesta concepção teórico-metodológica que descreve o particular, explicitando suas relações com o contexto econômico, político, social e cultura” (BUFFA e NOSELLA, 2009, P.72)

Assim, mesmo aceitando a contribuição que a Escola dos Annales traz para os instrumentos da nossa pesquisa, não nos privamos de fazer críticas a essa própria escola, pois o “aspecto político parece morto no horizonte do seu discurso, - assim como [ocorre] o abandono de toda a dialética entre presente e futuro” (DOSSE, 1994, p.224). Em uma posição um pouco diferente da escola dos Annales, acreditamos que o aspecto político está vivo em nossas reflexões, pois se o nosso processo histórico é eminentemente social, ele também é perceptível em seus aspectos políticos.

A famosa definição de história social de G.M.Trevelyan como a “a história com a política posta de lado” é atualmente rejeitada por quase todo o mundo. Em vez disso nos percebemos preocupados com o elemento social na política e com o elemento político na sociedade. Por um lado, os historiadores políticos não mais se restringem à alta política, aos líderes, à elites (BURKE, 1992, p.37).

E no mesmo campo de raciocínio de Peter Burke que Jim Sharpe, em seu artigo, “A história vista de baixo”, levanta uma questão que consideramos muito importante ao nosso trabalho, que é a articulação entre o aspecto social e o político, pois, segundo o autor: “A história das pessoas comuns, mesmo quando estão envolvidos aspectos políticos de sua experiência passada, não pode ser dissociada das contribuições mais amplas de estrutura social e poder social” (SHARPE, 1992, p 54).

A articulação de um movimento permanente entre a teoria e empiria na produção do conhecimento histórico tem sido uma busca em nossas pesquisas e, além do pensamento de Burke, encontramos no historiador inglês E. P. Thompson, uma importante referência teórica e de grande contribuição para o desenvolvimento do nosso trabalho, pois o autor do clássico “A formação da classe operária inglesa”, consegue dar vida e sentimento aos sujeitos sociais, compreendendo o contexto histórico que compõe o cenário de sua análise, colocando ênfase sobre a participação e a ação ativa dos sujeitos na construção dos seus próprios interesses e ações coletivas, elaborando suas próprias identificações.

Nesse sentido, a categoria “experiência” possibilita (re)estabelecer o “elo” entre o ser social e a sua consciência social. A categoria experiência nos é útil para resgatar a dimensão humana do processo social.

O que descobrimos (em minha opinião) está num termo que falta: “experiência humana”. É esse, exatamente, o termo que Althusser e seus seguidores desejavam expulsar, sob injúrias, do clube do pensamento, com o nome de “empirismo”. Os homens e mulheres também retornam como sujeitos, dentro deste termo – não como sujeitos autônomos, indivíduos livres, mas como pessoas que experimentam suas situações e relações produtivas determinadas como necessidades e interesses e como antagonismos, e em seguida “tratam” essa experiência em sua consciência e sua cultura (as duas outras expressões excluídas pela prática teórica) das mais complexas maneiras (sim, “relativamente autônomas”) e em seguida (muitas vezes, mas nem sempre, através das estruturas de classe resultantes) agem, por sua vez, sobre sua situação determinada. (THOMPSON, 1988, p182).

Considerando que o trabalho sobre a classe trabalhadora inglesa, realizado por E. P. Thompson foi de fundamental importância no sentido de possibilitar a autoidentificação por meio da história. E ainda segundo Burke (1992):

... os historiadores- de Edward Thompson a Roger Chartier – foram muito bem-sucedidos ao revelar as inadequações das explicações materialistas e deterministas tradicionais do comportamento individual e coletivo de curto prazo, e na demonstração que tanto na vida cotidiana, quanto nos momentos de crise, o que conta é a cultura (BURKE, 1992, p.35).

Assim, privilegiamos a história oral em nossa pesquisa, sendo o depoimento oral o núcleo deste trabalho, a ligação com a movimentação “da multidão” dos professores da Uerj e dos movimento gerado por essa movimentação da “plebe” na virada do anos 70 para os 80 do século passado. “A própria leitura das fontes não é fácil e depende da ótica teórica e ética e da política do pesquisador” (BUFFA; NOSELLA, 2009, p.58).

O diálogo entre “as Histórias” (oral, vista de baixo, micro-história e Escola dos Annales) possibilitou um enriquecimento da pesquisa histórica, possibilitando ao pesquisador em seu trabalho iniciar a construção de uma das diversas e diferentes análises históricas possíveis que possibilitam/possibilitem uma identificação entre os indivíduos de uma mesma categoria social, dando-lhes voz e pertencimento social. Compreendemos que o processo histórico é o processo social inserido na sua temporalidade.


II- Falar em universidade: Falar em UERJ?

A UERJ mudou se a despeito de sua gênese e é quase irreconhecível se comparada à UDF, à URJ e à UEG das três primeiras décadas (MANCEBO, 1996, p.219).


Trabalhando com a temática dos movimentos sociais no interior da universidade e no nosso caso em específico com a categoria docente de uma universidade estadual, torna-se fundamental questionar se essa universidade social e historicamente constituída, atualmente consolidada, mereceria, à luz da compreensão contemporânea de universidade, tal denominação no período por nos estudado.
Merecer o nome de universidade significa constituir-se e funcionar como uma instituição autônoma de ensino, pesquisa e extensão. Significa que seus estatutos e regimento geral reagem à efetivação dessa autonomia, que a efetivação dessa autonomia, que se traduz pela existência e funcionamento democrático de órgãos colegiados deliberativos superiores e dos níveis de unidades médias (faculdades) (SGUISSARDI, 2007, p.231-232).
A Universidade nasceu da união de quatro escolas de caráter privado em sérias crises financeiras, a pesquisa da professora Deise Mancebo (1996), sobre a história da UERJ, possibilita compreender os primeiros momentos da universidade: “A universidade nasceu a partir de unidades isoladas, autônomas do ponto de vista patrimonial, administrativa e financeiro, voltadas exclusivamente para um ensino de qualidades duvidosa, salvo exceções” (MANCEBO, 1996, p. 209).
O investimento na qualidade do ensino, a questão acadêmica e principalmente a capacitação do corpo docente não faziam parte do projeto educacional da universidade, pelo menos até a década de 70 e início da década de 80, pois, segundo a autora: “Apesar de, vez por outra, aparecerem citações nos boletins sobre a necessidade da pesquisa, o projeto que, na prática, se exercitava era o de um “escolão de 3º grau”” (MANCEBO, 1996, p. 127).
A universidade não desenvolvia nas primeiras décadas de vida universitária um regime de trabalho e de salários que possibilitasse a dignificação salarial do seu quadro de professores e que garantisse, por tabela, a permanência física e intelectual dentro da universidade, enquanto professores-pesquisadores.
Os salários eram baixíssimos, inferiores inclusive aos dos professores do estado que lecionavam no 2º grau, não sendo incomuns os atrasos de pagamentos. Não havia outros incentivos materiais para a retenção de docentes na instituição: os professores eram horistas, não havia bolsas para a pesquisa ou carga horária destinada para tal (MANCEBO, 1996, p. 126).
A estrutura da carreira dos professores da Uerj era controlada pelos catedráticos, comprovando a estrutura altamente verticalizada, hierarquizada e de profundo autoritarismo de poder no interior da universidade: “O preenchimento dos cargos de instrutores, assistentes de ensino e adjuntos era feito “mediante a indicação prévia do catedrático”(MANCEBO, 1996, p. 128).
Nesse sentido, uma universidade com alto grau de hierarquização e centralização do poder, deveria manter os sujeitos sociais que vivenciavam essa estrutura de poder e em especial, os professores, sobre controle permanente.

Por fim, o controle ideológico sobre os professores não era desprezível. Além da própria estrutura da carreira, que mantinha o docente sob o controle da cátedra, havia as regras as regras específicas que pautavam o comportamento docente: seus membros deveriam abster-se, no exercício dos seus respectivos cargos ou funções, de pronunciamentos que possuíssem caráter político-partidário e deveriam concentrar-se, por exclusividade, nas lições, exercícios, pesquisas e demais atividades que lhes são inerentes (MANCEBO, 1996, p. 128).


Se hoje somo sabedores, enquanto pesquisadores e estudiosos, que a Uerj avançou no caminho criativo de se constituir em uma universidade pública, socialmente reconhecida, portadora de um corpo docente qualificado e de uma produção acadêmica consolidada, surgirá, então, uma questão que nos parece fundamental para o desenvolvimento desse trabalho: Quais são os agentes sociais e políticos dessa transformação no interior desse micro espaço social que compõem o nosso quadro de trabalho?

III - UERJ em movimento: fazer-se docente e a Asduerj.

Fazer-se, porque é um estudo sobre um processo ativo, que se deve tanto á ação humana como aos acontecimentos. A classe operária não surgiu tal como o sol numa hora determinada. Ela estava presente ao seu próprio fazer-se (THOMPSON,E.P., 1987,Vol.I, p.9).


O golpe social, caracterizado pelas forças sociais dominantes, então hegemônicas na sociedade, como ‘revolução’(1964) desestruturou todo o sindicalismo brasileiro, intervindo nas associações sindicais e nos sindicatos mais combativos, dirigentes presos, proibições de greves e manifestações sociais e na universidade, como parte da sociedade, perseguição aos movimentos sociais, principalmente ao movimento estudantil. Sobre esse período na Uerj,
Trabalhei, principalmente, com a hipótese de que não houve, no caso desta universidade, a necessidade de uma intervenção militar, como em outras escolas do país; o colaboracionismo estabelecido em 64, e reafirmado em 68, com o regime militar, traduzia afinidades que já estavam delineadas bem antes do golpe (MANCEBO, 1996, p. 11).

No período histórico entre final da década de 70 e início da década de 80, do século passado Importantes categorias sociais, como por exemplo, professores das redes públicas do ensino básico, metalúrgicos, bancários, petroleiros começam e se reorganizar e iniciam intensas mobilizações, especificamente por salário e condições justas de trabalho e vida e por democracia em um sentido mais geral.


Quando a Asduerj foi fundada, em 1979, vivíamos um momento oposto, de grande efervescência política. Era um momento fundamental das lutas do nosso país; a luta pela democracia, contra a ditadura, no qual se avançava na conquista de direitos. Era um ressurgimento das lutas; momento das greves do operariado no ABC paulista. (MARCONSIN, 2010, p. 26)i .
Nesse contexto, os professores universitários também se articulavam, organizando-se e fundando as suas respectivas associações docentes por todo país. No estado fluminense, os professores universitários da PUC fundam a Adpuc e os professores da UFF fundam a Aduff.
O contexto social foi o principal fator. A ditadura militar governava o país em quanto o processo de luta procurava reorganizar inúmeras entidades, havia lutas da sociedade, pela anistia ampla, geral e irrestrita, por uma constituinte livre e soberana e pelas eleições diretas para a presidência da República. A Asduerj integrou-se às lutas sociais e surgiu do seu desenvolvimento (SANTOS, 2010, p. 8).
Na Uerj, em meados de 1978, o professor Ricardo Santos, do Instituto de Biologia, inicia o movimento de convocação de alguns professores para reuniões “clandestinas” e iniciam o movimento de formação da Apuerj. Devido à repressão política no campus Maracanã ser muito intensa, as primeiras reuniões clandestinas aconteciam no centro Biomédico, localizado fora do campus central. Fato interessante, pois existia uma maior liberdade no centro biomédico, com uma maior “vista grossa das autoridades”, e por outro lado no centro biomédico, encontravam-se alguns professores com trajetória de militância na clandestinidade.

Do ponto de vista acadêmico, os setores da área biomédica sempre se opuseram à política de investimento patrimonial e á opção pelo ensino. Não só fizeram frente a essas tendências como conseguiram, apesar das extremas dificuldades, construir espaços, com práticas diferenciadas, nos quais a pesquisa e a qualidade acadêmica eram preocupações centrais (MANCEBO, 1996, p.212).


Em 1978 foi formada pelos professores da área biomédica a comissão pró-Apuerj: Ricardo Santos (ex-militante do PC do B), Antonio Augusto Quadra, Valdinez Lima de Oliveira e Antonio Carlos de Carvalho e, posteriormente, José Eustáquio Bruno (ex-militante do MEP). Os professores Ronaldo Coutinho (Direito) e Antonio Carlos Ferrão (Ciências Sociais), foram chamados, mas participaram de poucas reuniões alegando intensa repressão no maracanã.

Em função de toda mobilização desses pioneiros e da possível mobilização em torno dessa associação que estava em seu nascedouro, o poder central da universidade (reitoria) organiza um grupo de professores de sua confiança (Ivair Radmacker, Omir Fontora, Evanildo Bechara e Tarcísio Padilha) com o intuito de enfraquecer o movimento livre e controlar essa movimentação, copiaram o edital da Copuerj e convocaram a categoria para uma assembléiaii, dentro da universidade, dias antes da convocada pelo grupo dos “autênticos”.


Era uma época dura. Eu fui o primeiro presidente eleito da Asduerj. A entidade não possuía uma sede, pois a Uerj não cedia uma sala, alegando que não reconhecia a Asduerj, porque havia outra associação, a Associação de professores da UERJ (Apuerj).Esta havia sido fundada por iniciativa da reitoria e de diretores de unidades, para impedir a criação de uma associação independente, que realmente lutasse pela democratização da universidade (LAURIA, 2010 p.6).
A comissão autêntica pró-Apuerj “invadiu” a assembléia convocada pelo grupo da reitoria e o professor Ricardo Santos leu um manifesto explicando o processo para a categoria e criticando a intervenção da reitoria no movimento. Esses militantes proibidos de realizar suas assembléias dentro da universidade a convocaram para outro espaço, a ABI, em defesa da independência política e ideológica da categoria, fundando, então, a Asduerj. Esse ato político foi extremamente importante, pois possibilitou o início do processo de experiência sindical da categoria e a formação de uma pré-identificação entre a multidão-categoria e a sua opção de direção.
Encontramos as dificuldades e os medos da sucessão do reitor, cuja visão de uma associação docente era a de linha auxiliar do poder. Sentiram também uma ameaça á ordem interna e à linha de sucessão já traçada pelas lideranças do poder vigente. Este é um contexto específico em que ocorreu a fundação da sobrevivente Asduerj, pois a Apuerj foi extinta em outro momento (SANTOS, 2010, p 8).
Sob o meu ponto de vista, esse “golpe baixo” buscava claramente confundir a categoria. Porém, a reitoria, ao mobilizar a parte significativa da categoria, na lógica de uma “liberdade negativa” contribuiu ainda que parcialmente para a quebra da hegemonia cultural na universidade. E.P.Thompson nos ajuda a compreender tal processo quando nos diz que: “Uma hegemonia desse tipo induz exatamente aquele estado de espírito em que as estruturas estabelecidas da autoridade e os modos de exploração parecem fazer parte do próprio curso da natureza” (1998, p.46).

Nesse período os professores poderiam ser demitidos sem uma justificativa. Não havia ingresso por concurso público, as relações de trabalho eram regidas pela CLT, lógica do sistema privado, e ocorriam alguns casos de perseguições políticas. Ocorreram alguns casos de demissão por apoiar e participar do movimento docente. Na palavras de Lauria: “Era um tempo que permitia que um professor ou qualquer servidor fosse demitido por uma simples iniciativa do seu chefe imediato” (2010 p.6)

No final de 1979, os professores da PUC e da Uerj decretaram greve por melhores salários. A realização de assembléias conjuntas possibilitou a experiência da categoria com a Asduerj e Apuerj. Esta dualidade na direção da luta fortaleceu a Asduerj e caracterizou a Apuerj como linha auxiliar da Reitoria, condenando-a à extinção no nascedouro (SANTOS, 2010, p.9).

A greve iniciada durou cerca de um mês e “A luta concreta, que paralisou toda a Uerj e outras universidades, mostrou quem defendia os docentes e quem vinha para dissuadi-los das lutas especificas e gerais da época” (SANTOS, 2010, p.9). As lutas sociais e políticas contra as precárias relações de trabalho e contra o autoritarismo em vigor na sociedade e na universidade vão transformar esses “homens-massa” em sujeitos sociais do seu próprio processo histórico.

A experiência coletiva desenvolvida no processo de lutas durante a greve docente possibilitou a construção de uma identidade social própria. Se antes era um conjunto de “meros” professores (ensino) isolados em suas respectivas unidades, agora cria-se uma perspectiva social para vir a ser uma categoria capaz de se auto-construir docente (professor-pesquisador) e de construir uma idéia geral de universidade. Esse processo ganha fôlego em 1983, com a eleição de uma nova diretoria da Asduerj, que passa a desenvolver um série de lutas no interior da Universidade, na perspectiva da afirmação da docência na/da categoria. Como nos indica o professo Roberto Santos:
Foi um período de grandes mudanças, que contribuíram sobremaneira para todo o processo de reestruturação que teria sequência na Uerj e onde a asduerj consolidou-se enquanto entidade, ajudou a fundar outra entidades, como a Asuerj, e conduziu diversas e importantes lutas: a salarial, a do primeiro atrasadão, o plano de carreira docente (encaminhado junto com a estrutura acadêmica dos departamentos aos conselhos superiores), com mudança substancial na carga horária da maioria dos professores da Uerj. Ocorreu o primeiro congresso interno da Uerj e nesse período passei a presidência ao professor Luiz Fernando, que representou a Asduerj enquanto eu escrevia minha tese de doutorado em São Paulo (SANTOS, 2010, p.11).
E dialogando com o pensamento do professor Ricardo Santos, trazemos ao diálogo, também, a voz do professor José Eustachio Bruno, que em seu depoimento nos diz:

Foi também uma entidade que teve lutas importantíssimas sob o ponto de vista acadêmico, com grandes participações nos avanços acadêmicos-científicos da universidade. Quando começamos a gestão, os professores da UERJ tinham um dos piores salários do Brasil e nós conseguimos, com muita luta, através daquilo que à época se chamava Plano de Carga Horária proporcionalidade de salário. (BRUNO, 2010,p.14)


Por mais esforços que setores mais à esquerda da direção da entidade, tenham feito na direção de uma perspectiva uma filiação da categoria a uma perspectiva classista, não havia um centralismo ideológico que garantisse uma unidade de ação política em relação à sociedade brasileira, mesmo participando ativamente do Andes-SN e da CUT.

Dirigimos a Asduerj no período 1985 e 1987. Quando falamos dirigimos não é por plural de modéstia, mas sim porque tivemos uma gestão de cuja administração todos os diretores participavam ativamente com idéias e atos. Talvez isso explique o sucesso que tivemos tento no campo econômico quanto no campo acadêmico (Bruno, 2010, p.14).

Ainda dialogando com Bruno: “Tínhamos uma direção colegiada de pessoas muito sérias, de amplo espectro ideológico. Nunca houve atestado ideológico para participar de nossa diretoria e creio que de nenhuma outra diretoria da Asduerj” (Bruno, 2010, p.16).
A unidade e organicidade entre os dirigentes docentes estava diretamente ligada à defesa da dignificação categoria, e à democracia interna, esses dois elementos eram entendidos como fundamentais para a transformação da Uerj em uma universidade autônoma e democrática, em que a associação entre o ensino, a pesquisa e a extensão, fizessem parte constitutiva dessa nova Uerj. E o professor nos diz:
Tenho muito orgulho de fato: durante nossa gestão produzimos a I mostra de produção científica da UERJ, que foi promovida pela Asduerj. A mostra demonstrou o quanto a Asduerj estava inserida e preocupada com o avanço acadêmico dentro da UERJ, afinal suas preocupações não eram apenas salariais ou de interesses da categoria, mas também com relação ao destino da universidade (BRUNO, 2010, p.16).
A entidade docente, do ponto de vista da sua base social, transformou-se em um sindicato de ofício. A categoria ficou estabelecida no campo de consciência vertical e de acordo com os depoimentos, a ausência de uma perspectiva ideológica unitária por parte da direção que conseguisse, aliado à uma organização sindical forte, filiar e unificar a consciência comum – ideologias e objetivos – de categoria a uma consciência horizontal. Em seus estudos sobre a cultura popular tradicional, E.P.Thompsom afirma, a necessidade “de ir além da visão de que os trabalhadores, nessa época, estavam confinados às lealdades fraternais e á consciência vertical dos ofícios específicos, de que isso inibia solidariedades mais amplas e a consciência de classe horizontal”. (1998, p.45)

A questão democrática, amplamente colocada na sociedade brasileira e na(s) universidade(s), não foi objeto de aprofundamento teórico e ideológico pelo movimento docente, esse expressou um anseio por democracia em acordo com a luta mais geral da sociedade brasileira. No interior da universidade, a luta democrática significava lutar por eleições livres e diretas para a reitoria, centros, unidades e órgãos colegiados, mas não observamos entre os depoentes, posições políticas que tipificassem a democracia no espaço Uerj, como por exemplo, o peso de cada categoria (professores, funcionários e estudantes) no processo eleitoral.


Uma das grandes lutas desse período foi a das eleições diretas para a reitor. Levantamos essa bandeira, discutida no primeiro encontro de associações docentes, que viria depois a constituir o sindicato nacional dos docentes de Ensino Superior (Andes-sn). O então deputado estadual Luiz Alfredo Salomão elaborou projeto de lei, considerado inconstitucional pelo STF nas vésperas de realização das eleições – a primeira experiência no país. Realizamos assembléias com mais de duas mil pessoas no indignadas com a decisão do STF. Fomos para a s ruas protestar e decidimos transformar a eleição em consulta. Nessa consulta foram eleitos Hésio Cordeiro e Ivo Barbieri (ambos sócio fundadores da Asduerj) com ampla vantagem sobre o segundo colocado (SANTOS, 2010, p.11).
Ainda sobre o processo eleitoral desenvolvido durante a gestão de um governador eleito democraticamente pela população do estado do Rio de Janeiro e ex-perseguido político pela ditadura instalada pelo golpe militar de 1964, o professor do Instituto de Biologia e então presidente da Asduerj afirma que:
O governador Brizola escolheu seu nome de confiança e não um dos eleitos. Rasgamos a sua carta-compromisso assumida durante a campanha e houve novo protesto e mobilização. Ivo Barbieri foi nomeado vice-reitor de Charley Fayal. Posteriormente, com a constituinte de 1988, a eleição direta para reitor se tornou legal. Os dois primeiros reitores da UERJ eleitos pelo voto direto foram respectivamente Ivo Barbieri e Hésio Cordeiro. Tive a oportunidade de participar deste rico e proficiente processo histórico (SANTOS, 2010, p.11.)
A construção da entidade docente e da própria categoria são fruto do mesmo processo histórico. O movimento docente (re)construiu a universidade, em processo de luta e mobilização romperam com a lógica do “escolão” de nível superior de ensino “sem pesquisa”, com uma estrutura de poder centralizado na universidade, A luta por salários justos e um plano de carreira, associada à luta por democracia, inserem-se na perspectiva de dignificação da categoria professor, agora auto-confeccionado docente e são esse dois elementos que indossociados garantem as condições de reprodução das necessidades da vida individual, garantindo a possibilidade desse (ex) professor sentir-se e tornar-se professor-pesquisador, na luta por democracia, em professor-pesquisador-cidadão. “A asduerj organizou e conduziu memorável luta que culminou com a criação de um sistema precursor do regime de trabalho que vigora até hoje... Sob a ótica de hoje, não parece muito, porém, à época foi uma “revolução” (ABREU, 2010, p 18).

Esses velhos-(agora)-novos, sujeitos sociais, foram criados no interior do próprio movimento, construindo-se a partir das próprias experiências do cotidiano, isto é do social, vivenciando o espaço social constituído denominado Uerj, assim transformaram esse “escolão” em universidade e se (auto)transformaram-se em docentes.



IV - Conclusão
Assim continuamos a luta, porque a história não acabou. Fukuyama estava errado (MARCONSIN, 2010, p.29).
A antiga universidade pública e gratuita foi transformada em uma nova universidade: pública, gratuita, autônoma, de qualidade acadêmica respeitável e socialmente referenciada. Essa foi a mais importante vitória de todo o processo de desdobramento das lutas sociais da categoria social em fazer-se docente e construírem a Asduerj. Nesse sentido reconstruir a memória do movimento docente na UERJ é (re)construir uma parcela significativa da própria memória dessa universidade, visto a baixa produção acadêmica sobre a Uerj, apesar dos seus 60 anos.

A memória dos sujeitos históricos nos levou à intensidade dessa dimensão, essencialmente coletiva de constituição do movimento docente e as suas análises nos levaram a descobrir caminhos para a compreensão da trajetória da própria UERJ enquanto instituição social e histórica.

A perspectiva de trabalho com a história oral possibilitou a compreensão da história dos sujeitos desse trabalho que tiveram sua versão “sufocada” pela historiografia oficial.

Considero esse trabalho em andamento, a pesquisa histórica sobre os docentes continua e percebermos que existe uma série de questões merecedoras de debates e análises mais aprofundadas.

Uma questão é a que a experiência social da categoria ficou circunscrita a sua própria identidade enquanto categoria social, merecendo um estudo mais aprofundado sobre a relação entre a identificação social da categoria e a estrutura social da sociedade nacional brasileira.

A segunda questão é a compreensão atual do movimento docente, da Uerj e de como estão os “nossos” docentes em seu estar fazendo-se na atual conjuntura de implementação do modelo neoliberal e consequentemente de transformação no mundo do trabalho.

O pesquisador de uma instituição, na verdade, cria uma realidade totalmente original, quase uma “ficção”,melhor dizendo, cria uma obra de arte, rica de sentidos. Esta obra, porém, não é uma construção arbitrária, menos ainda uma mentira, pois tem as fontes como base, tampouco é uma reprodução mecânica de algo que está fora dele. É uma obra de cultura enraizada, de um lado, em fontes e valores do passado e, de outro em Valores do presente, em defesa de um projeto social (BUFFA, 2009, pag.72).

V - Referências Bibliográficas
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i Os depoimentos de Ronaldo Martins Lauria, Ricardo Santos, Jose Eustachio Bruno e Roberto Abreu, são ex- presidentes da Asduerj e de Cleir Marconsin, atual presidente da Asduerj estão contidas na Revista Advir nº 24 de julho de 2010.


ii A assembleia de fundação da Apuerj na Uerj contou com a presença de 400 professores e a assembléia de fundação da Asduerj na ABI contou com a presença de 92 professores.


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