MÉtodos de custeio: uma ferramenta para precificaçÃo da produçÃO



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MÉTODOS DE CUSTEIO: UMA FERRAMENTA PARA PRECIFICAÇÃO DA PRODUÇÃO.

Elias Garcia

Brasil

Universidade Estadual do Oeste do Paraná



egarcia@unioeste.br

Claudia Cristina Wust Casarotto

Brasil

Universidade Estadual do Oeste do Paraná



ccw@certto.com.br

Osmarina Pedro Garcia Garcia

Brasil

Universidade Estadual do Oeste do Paraná



osmarinagarcia@bol.com.br.
Palavras-chave: sistemas – gestão – custos – custeio-decisão

Tema do trabalho: El Costo y la toma de decisiones




Recursos Audiovisuais: projetor multimidia

MÉTODOS DE CUSTEIO: UMA FERRAMENTA PARA PRECIFICAÇÃO DA PRODUÇÃO.


Palavras-chave: sistemas – gestão – custos – custeio-decisão

Tema do trabalho: El Costo y la toma de decisiones




Resumo
O presente estudo foi idealizado com o objetivo de apresentar uma síntese dos conceitos dos métodos de custeio existentes na literatura, bem como mostrar quão importante são cada um deles, pois todos possuem vantagens e desvantagens, cabendo ao contador de custos apenas fazer a análise e apresentar a informação adequada para cada tipo de decisão a ser tomada.

Para a consecução desse opúsculo, em nenhum momento os autores tiveram a intenção de esgotar o assunto, ou mesmo, afirmar qual o melhor método para essa ou aquela atividade empresarial, simplesmente foi objetivado fazer uma coletânia do referencial bibliográfico existente, trazendo a contribuição dos diversos autores que estão publicando nessa área para, num mesmo material, agrupar as principais idéias desses pensadores, mostrando que tipo de decisão pode ser tomada com cada tipo de informação gerada por cada tipo de método de custeio.



MÉTODOS DE CUSTEIO: UMA FERRAMENTA PARA PRECIFICAÇÃO DA PRODUÇÃO.

O patrimônio em ação gera produção, renda, oferecimento de bens e serviços. Tal ação tem seu preço, ou melhor, aglomera custos e despesas.


O custo é a base para que haja produção, produção esta que pode ter como finalidade a criação de bens ou serviços a serem ofertados para um mercado. Em muitos casos, o controle de custos está intimamente relacionado com a excelência na administração dos estoques e na produtividade de máquinas e da mão de obra. Em outros casos, principalmente em empresas de prestação de serviços, outros fatores se tornam mais vistosos, como por exemplo, a excelência no desenvolvimento e aplicação de critérios de rateio.

Pode-se afirmar que a contabilidade de custos baseia-se na mensuração de estoques e produtividade e na utilização de critérios de rateio.

Alguns autores afirmam que o ramo de custos é o maior esforço para tornar a contabilidade uma ferramenta gerencial. A pretensão é trazer para o sistema contábil a incumbência de controlar, determinar e fornecer dados para a alteração dos custos de produção, para o conhecimento do real valor de cada produto ou serviço gerado e dar maior tranqüilidade aos administradores.


1 . BREVE HISTÓRICO SOBRE A CONTABILIDADE DE CUSTOS
Para se entender os métodos de custeio faz-se necessário um comentário sobre sua origem, ou seja, sua história para que se possa compreender a sua utilização e depois adapta-los para os tempos modernos.

Não há como falar em contabilidade de custos sem referir-se à gerencial, pois, esta se utiliza daquela para gerar informações. Logo, estão interligadas e seu surgimento é o mesmo, É unânime entre os autores que o ápice da contabilidade de custos e/ou gerencial se deu com a revolução industrial (séc. XVIII). O cenário da época imediatamente anterior a revolução consistia em transações comerciais entre o proprietário da empresa e o consumidor final, ou seja, geralmente quem fabricava também comercializava, a empresa da época não possuía nível hierárquico, tampouco funcionários com salários. Os bens de consumo eram fabricados na maioria das vezes artesanalmente.

Com o advento da revolução industrial, as empresas que até então fabricavam quase por encomenda se viram diante da necessidade da fabricação em escala e, para tanto, passou-se a contratar funcionários assalariados e comprar matéria prima em maior quantidade, gerando estoques. Esta fabricação em escala levou a uma nova realidade, pois, de meros donos-vendedores do seu próprio trabalho, os empresários tiveram que organizar suas empresas em níveis hierárquicos.

Como até então os empresários formavam seu preço de venda com base no valor pago ao seu fornecedor, visto que seus insumos eram basicamente mão de obra, na maioria das vezes própria, e matéria prima, a partir da produção em escala criou-se uma demanda por informações contábeis para se chegar ao preço de venda. Segundo JOHNSON (1996 p. 6): “Na falta de informações de preços dos processos de transformação ocorrido dentro de suas organizações, os proprietários criaram indicadores que sintetizassem a eficiência com a qual a mão de obra e matéria prima eram convertidos em produtos acabados, indicadores servindo também para motivar e avaliar os gerentes que supervisionavam o processo de transformação”. Neste cenário que se começa a perceber os primeiros indícios da contabilidade gerencial que ao que consta eram bastante simples, porém, atendia às necessidades da época.

Com o progresso da indústria e com as grandes invenções como as ferrovias e o telégrafo, as empresas agora podiam expandir seu mercado para outras localidades, porém, nota-se que não houve grandes mudanças no setor da contabilidade gerencial, as grandes empresas começaram a necessitar de maior número de informações e com qualidade para administrar seus negócios, verificar o desempenho de cada setor da empresa. Criou-se então, a demanda por indicadores diversos e distintos conforme a área de atuação da empresa para planejamento e controle, no que diz respeito à eficiência de suas atividades de compra, formação de preço de venda enfim, surgiram a partir desta demanda novos índices, tais como margem bruta por departamento e giro de estoque.

Portanto observa-se que a contabilidade gerencial não teve a finalidade primeira de medir lucros, mas sim a eficiência departamental que não se percebia um grande interesse em saber o lucro, mas se o sistema operacional era eficaz. Pode-se dizer que a escrituração era feita à parte por outro setor, e os sistemas gerenciais e financeiros eram independentes.

Uma grande evolução das contabilidades gerencial e de custos observa-se já no final do século XIX, quando as empresas começaram a diversificar seus negócios, passaram a fabricar e comercializar os produtos, ou seja, as empresas que antes apenas precisavam de indicadores para medir a eficiência ou eficácia de seu centro de produção, agora se vê diante de uma realidade na qual torna-se importante saber se é mais importante fabricar outro produto ou vender seu próprio produto.

Com a diversificação, a gerência precisa cada vez mais de números capazes de avaliar seus estoques, preço de venda, custo da mão de obra, custo da matéria prima e custos indiretos relativos aos produtos ou a comercialização, enfim toda gama de informações para tomada de decisão.

Chega-se ao século XXI, e com ele a tão famosa globalização, ou seja, o cenário atual, onde as indústrias têm a concorrência cada vez maior, consumidores mais exigentes, e para adequar-se a tal época, as indústrias têm que se adaptar as exigências desse mercado que não mais aceita os preços fixados pelas indústrias ou comerciantes, hoje, os consumidores é que fazem o preço. Na época industrial, a principal razão para se calcular o custo do produto era para se definir o seu preço. Hoje a empresa que quer sobreviver neste mercado, precisa ter um custo abaixo do preço que o mercado está disposto a pagar, ou seja, o cálculo do custo do produto passa a ser necessário para saber se a empresa tem ou não condição de competir no mercado, o custo para preço de venda deixa de ter a tonalidade principal desse cálculo.Chega-se a conclusão que os métodos de custeio necessitam ser priorizados nas empresas modernas por uma questão de sobrevivência.

2. A CONTABILIDADE DE CUSTOS NA PRÁTICA
De uma forma geral, as organizações e as pessoas que nela atuam se acostumam com uma forma de trabalho e a consideram a melhor. Qualquer proposta de controle enfrenta reações e pode provocar crises, ambos prejudiciais à organização. Desta forma, a implantação de um sistema de custos carece de uma boa dose de política, paciência e capacidade de convencimento.

O primeiro ponto a ser esclarecido é que está sendo buscado unicamente a sobrevivência e o progresso da organização. Mesmo assim, existirão indivíduos que se acharão em perigo, pois toda mudança gera racionalização e, possivelmente, cortes.

Universalizar, ou seja, trazer todo o grupo a participar da implantação pode ser um bom começo. Demonstrar interesse pelas experiências existentes e pelos sistemas existentes procurando aproveita-los ao máximo possível também ajuda muito. Divulgar os resultados ressaltando a contribuição de cada um fecha o cerco na luta contra a resistência.

Enfim, tão importante quanto a elaboração é saber implantar um sistema de custos. Sobre este assunto será tratado um pouco mais quando da exposição conceitual dos métodos de custeio visto que estes são imprescindíveis para a execução do controle.



3. MÉTODOS DE CUSTEIO
Custeio, segundo MARTINS (2000:41) significa “método de apropriação de custo”, e cada profissional utiliza o que mais se adequar a sua área de atuação ou que melhores informações gerarem ao gestor da empresa, dependendo assim da necessidade de informações de cada empresa. Existem vários métodos, dentre os quais pode-se citar, Custeio por absorção, custeio direto, custeio padrão, ABC, custeio pleno e custeio meta.


3.1 CUSTEIO POR ABSORÇÃO

Este método de custeio considera todos os custos diretos e indiretos incorridos na produção para apurar o seu custo final.

Para FLORENTINO (1983:37) “no custeamento por absorção procura-se descarregar ao máximo toda a gama de custos existentes na empresa, mas, assim mesmo, em certos casos, os gastos de caráter tipicamente de administração geral poderão ficar fora da absorção e ser levado ao resultado”.

Segundo MARTINS (2000:41-42) “custeio por absorção é o método derivado da aplicação dos princípios de Contabilidade geralmente aceitos, nascido da situação histórica mencionada. Consiste na apropriação de todos os custos de produção aos bens elaborados, e só os de produção; todos os gastos relativos ao esforço de fabricação são distribuídos para todos os produtos feitos”.

Este método de custeio não fere os princípios contábeis sendo esta uma das razões que o torna o mais utilizado dos métodos. No Brasil fiscalmente falando, este método é obrigatório e é o único aceito pela legislação.

3.1.1 VANTAGENS DO CUSTEIO POR ABSORÇÃO.
Apenas a título de colaboração, a seguir apresenta-se algumas vantagens do custeio por absorção:

- Está de acordo com os princípios contábeis geralmente aceitos e com a legislação fiscal, fato que não interfere na contabilidade gerencial, que não está adstrita ao arcabouço legal;

- Os custos fixos de produção assumem grande relevância

- Tem melhor aceitação, por ser de fácil implementação já que todos os custos inerentes à produção são absorvidos pelo custo unitário;

- É interessante para empresas que tem giro próprio de seus produtos;

- O custo fixo é levado a estoque e só transforma-se em resultado no momento da venda;

- Cria dentro da empresa um sistema de taxa que fornece aos seus gestores um indicativo de prioridade no consumo dos recursos.

3.1.2 DESVANTAGENS DO CUSTEIO POR ABSORÇÃO
Seguindo o mesmo raciocínio afirmado anteriormente, a seguir são apresentadas também algumas desvantagens do custeio por absorção:

- Incorpora ao valor dos estoques os custos fixos indiretos, o que gera uma superavaliação de estoques, pois, custos indiretos fixos deveriam ser registrados como despesa do período a que se refere.

- Promove distorções nas decisões devido à arbitrariedade dos rateios e de incentivar a superprodução;

- Destaca-se o seu uso apenas para relatórios contábeis externos;

- Leva a decisões econômicas inadequadas, incentivando a redução dos custos unitários;

- Contêm quase sempre uma arbitrariedade, pois, as alocações são feitas sem vincular o custo a cada produto;

- O custo unitário sempre é mascarado por incorporar o custo fixo indireto.

3.2 CUSTEIO VARIÁVEL OU DIRETO

Nesse sistema de custeio, somente os custos que forem conseqüência da produção farão parte do cálculo do custo unitário do produto. Nesse sistema deve-se classificar os custos do produto e os custos fixos e variáveis, onde os custos variáveis serão apropriados ao custo do produto e os custos fixos serão diretamente lançados ao resultado do período em que ocorreram.

Segundo FLORENTINO (1983:37) “a técnica do custeio direto segue o princípio de não ratear e não distribuir, aos custos dos produtos, as parcelas de custos fixos. Na técnica do custeio direto todos os custos diretos variáveis são imputados aos custos dos produtos ou serviços mediante sistemas de apuração e medição”.

Por esta definição constata-se que a diferença entre o custeio por absorção se dá quando se faz o levantamento dos custos de mercadorias e ou serviços vendidos. No primeiro, todos os custos relativos aos produtos aplicados no período são considerados para se fazer o resultado, já nesse, apenas os custos de produtos vendidos no período são considerados, e os custos fixos não entram nesse cálculo, que são levados ao resultado como despesas fixas e não como custo de produção.

Outra definição desse custeio foi feita por Martins (2000:216), “no custeio direto, só são alocados aos produtos os custos variáveis, ficando os fixos separados e considerados como despesas do período, indo diretamente para o resultado, para os estoques só vão, como conseqüência, custos variáveis.”

Pode-se concluir que o custeio variável não se preocupa com a obtenção do custo unitário ao contrário do custeio por absorção.

O custeio direto ou variável não é aceito pelo fisco, pelos auditores independentes nem por contadores, embora do ponto de vista gerencial é o que melhor mostra as variações, por tratar os custos fixos como despesa, deixando os custos variáveis mais visíveis aos olhos dos gestores. Este método fere os princípios contábeis, pois apropria os custos fixos de produção como despesas dentro do período independente de sua venda ou não, pois o princípio da competência prevê que se deve apropriar as receitas e delas deduzir todos os sacrifícios envolvidos na sua obtenção. Então, fabrica-se hoje, incorre-se o custo de fabricação hoje, porém a receita pode não ser de todos os produtos fabricados, pode-se vender boa parte da produção em outro período, daí, a não aceitação deste método pelo fisco, pois, não seria correto lançar todo custo fixo contra as vendas de hoje se parte da produção ficou em estoque.

Do ponto de vista da gestão, a empresa pode fazer a apropriação pelo custeio direto, e ao encerrar o exercício, faz-se os ajustes necessários no resultado para o levantamento do Balanço e DRE do período.



3.2.1 VANTAGENS DO CUSTEIO DIRETO
Na concepção de BERTI (2002:92), o custeio direto possui várias vantagens em relação aos demais, conforme abaixo:

- O impacto dos custos fixos nos resultados é salientado porque o total desses custos aparece no demonstrativo de resultados;

- Os custos de manufatura e os demonstrativos de resultado pelo sistema de custeio direto refletem uma melhor apresentação do que pelo custeio por absorção, por essa razão a gerência entende mais facilmente os relatórios mostrados na forma do custeio direto.

- O custeio direto adapta-se melhor aos instrumentos de controle da organização, tais como o custo-orçado e os orçamentos.

- O custo dos produtos é medido objetivamente, pois, não sofrerá processos arbitrários ou subjetivos de distribuição dos custos comuns;

- O lucro líquido não é afetado por mudanças de aumento ou diminuição de inventários;

- Os dados necessários para a análise das relações custo-volume-lucro são rapidamente obtidos no sistema de informação contábil;

- É mais fácil para os gerentes industriais entenderem o custeamento dos produtos sob o custeio direto;

- O custeamento direto é totalmente integrado com o custo-padrão e com o orçamento flexível, possibilitando o correto controle de custos;

- O custeamento direto constitui um conceito de custeamento de inventário que corresponde diretamente aos dispêndios necessários para manufaturar os produtos;

- O custeamento direto possibilita mais clareza no planejamento do lucro e na tomada de decisões;

- O custeio direto oferece mais informações úteis e relevantes para a tomada de decisão, principalmente por evidenciar, de forma clara e objetiva, a margem de contribuição que a instituição precisa ter para suportar determinado volume de atividade, de modo a absorver os seus custos fixos e gerar resultados favoráveis.


3.2.2 DESVANTAGENS DO CUSTEIO DIRETO
Utilizando-se do mesmo autor (BERTI, Op. Cit), várias desvantagens também podem ser observadas no desenvolvimento desse método, tais como:

- As dificuldades encontradas na separação entre custos fixos e custos variáveis são uma constante. Os erros ou inconsistências na classificação dos custos e ainda as mudanças dos custos variáveis torna este custeio limitado.

- A exclusão dos custos fixos indiretos para valoração dos estoques causa a sua subavaliação, fere os princípios contábeis e altera o resultado do período;

- Na prática, a separação dos custos fixos e variáveis não é tão clara como parece;

- O custeamento direto é um conceito de custeamento e análise de custos para decisões de curto prazo.


3.3 CUSTEIO BASEADO EM ATIVIDADES – ABC.
Esse método de custeio procura amenizar as distorções ocasionadas pelos rateios dos custos indiretos, abordadas nos métodos tradicionais de custeio como o absorção e o direto. Essa abordagem divide a empresa em atividades, ou seja, cada atividade descreve o que é feito, quanto tempo é gasto, que tipo de recursos são utilizados para cada atividade.Esse método de custeio faz o rastreamento dos custos, enquanto que os métodos mais usados (absorção e direto) fazem rateio de custos.

O activity based costing-ABC, surgiu no fim dos anos 80 e está se aprimorando até os dias atuais. Seu desenvolvimento deu-se devido a grande concorrência, pois, nestes tempos não mais a mão de obra e as máquinas eram os diferenciais competitivos, assim os gestores passaram a necessitar de informações gerenciais além dos relatórios financeiros. Passa-se a partir daí a necessitar de informações mais precisas dos processos produtivos.

Outro fator que contribuiu para o desenvolvimento do ABC é que até o início dos anos oitenta, os custos indiretos de fabricação não representavam tanto no contexto da produção, porém com o desenvolvimento da tecnologia, os custos indiretos (CIF) passaram a representar níveis acima de 30% do custos dos produtos, e os critérios de rateio ficaram cada vez mais subjetivos, provocando grandes distorções muito grandes na composição do preço dos produtos.

O CAM I (1991) – The Consortium for Advanced Manufacturing International – definiu o custeio baseado em atividades como um método que reconhece o relacionamento causal dos direcionadores de custos para custear as atividades através da mensuração dos custos e do desempenho do processo relativo às atividades e aos objetos dos custos.

Segundo BORNIA (2002:125) “a idéia principal do ABC é tomar os custos das várias atividades da empresa e entender seu comportamento, encontramos bases que representem as relações entre os produtos e essas atividades.”

Para KAPLAN (1998:94) “um modelo ABC é um mapa econômico das despesas e da lucratividade da organização baseada nas atividades organizacionais”.

O método ABC foge da observância dos custos vistos de forma vertical, ou seja, analisada por índices de volume de produção ou de horas máquina, passa a fazer a análise horizontal dos custos. Na análise vertical os custos são apropriados aos bens e ou serviços, aos objetos de custeio, através das atividades realizadas em cada departamento, esta seria a análise vertical. No ABC a análise horizontal reconhece que um processo é formado por um conjunto de atividades encadeadas, exercidas através de vários departamentos da empresa. Para MARTINS (2000:305) “este tipo de análise faz com que haja o aperfeiçoamento através da melhoria de desempenho na execução das atividades”.

COGAN (1994:66-67) descreve a análise horizontal com precisão, “a organização é cortada transversalmente pelos seus processos/subprocessos de negócios, cada um deles constituído de uma série de atividades, que por seu turno são compostos por grupos de tarefas”.

Este método não é muito utilizado devido a sua complexidade no que tange ao mapeamento das tarefas e/ou processos produtivos. É necessário conhecer a fundo o chão de fábrica para que o modelo de custeamento seja correto. COGAN (1999:47) afirma que “não mais se poderá custear os produtos à distância e, principalmente, sem conhecer perfeitamente o que acontece no chão de fábrica, ou seja, de como na realidade se processa o consumo dos recursos de produção”. Esta colocação de Cogan é muito interessante pois, surge juntamente com este método a figura profissional do contador ou engenheiro de produção fazendo um efetivo conhecimento da empresa, o responsável pelos custos não poderá faze-lo sem conhecer como se procede tal serviço ou tarefa. Surge assim o profissional com postura gerencial.

O enunciado fundamental do ABC prescreve que: “As atividades das áreas funcionais da empresa consomem recursos; os produtos consomem atividades”.

RECURSO

ATIVIDADE

PRODUTO



3.3.1 VANTAGENS DO CUSTEIO ABC
- Identifica os custos no processo produtivo e não por volume produzido, o que facilita localizar as tarefas dispendiosas com maior precisão;

- Considera cada tarefa da empresa para ratear custos indiretos de produção;

- Deixa claros os desperdícios existentes nas despesas indiretas ao contrário do que acontece no sistema tradicional onde a ênfase está na redução de custos diretos;

- Facilita a determinação de custos relevantes;

- Avalia a eficiência e a eficácia da atividade;

- Determina as metas de curto e longo prazo da empresa;

- Identifica as atividades da empresa;

- Faz um rastreamento de custos ao invés de rateio de custos.



3.3.2 DESVANTAGENS DO CUSTEIO ABC
Do ponto de vista geral, deve-se observar que o ABC também apresenta desvantagens, tais como:

- Devido ao seu minucioso detalhamento, o mesmo pode tornar-se inviável por exigir um número excessivo de informações;

- Custo – benefício da implantação nem sempre é positivo.
3.4 CUSTEIO ABC versus CUSTEIOS TRADICIONAIS
É de fundamental importância salientar as diferenças entre os métodos tradicionais de custeio e o ABC, procurar expor seus diferenciais é o objetivo deste item.

O custeio ABC tem como seu maior diferencial o rastreamento dos custos diretos, indiretos, fixos e variáveis fazendo a apropriação deste ao nível de atividades na empresa, não diferenciando os custos e sim os medindo nas suas respectivas atividades.

Segundo BRIMSON (1996:31) “a diferença é que na contabilidade tradicional os custos são acumulados e controlados pelo total e por categoria dentro de cada unidade organizacional, enquanto na contabilidade por atividades os custos são associados com aquilo que a organização faz (unidades de trabalho)”.

Os métodos tradicionais de custeio diferenciam os custos diretos e indiretos de fabricação e fazem a alocação desses custos, ou melhor, o rateio com base na mão de obra direta, horas máquina, volume de produção etc. Muitos autores criticam os métodos tradicionais devido ao fato desses promoverem distorções na acumulação dos custos indiretos por considerar apenas os fatos volumétricos de medição, enquanto que no ABC a acumulação de custos tem seu foco voltado aos recursos e as atividades que geram este custo, podendo assim facilitar a identificação de desperdícios.

Pode-se notar pelo exemplo acima que o rateio dos custos possui maior número de detalhes em relação aos métodos tradicionais por alocar por atividades os custos e não por índices volumétricos, percebe-se então a diferença básica entre os métodos de custeio tradicional e o ABC. Os sistemas tradicionais distorcem custos de produtos, clientes e segmentos, enquanto o ABC consegue mostrar claramente o que cada uma faz. Para fins didáticos, convém apresentar a análise do ABC do ponto de vista gerencial, pois, o método de custeio em questão trouxe consigo uma mudança de mentalidade e da forma de trabalho do setor produtivo, pois com o rastreamento por atividade tornou-se visível as tarefas que agregam e as que não agregam valor aos produtos ou serviços . Outro fator de destaque é que o aperfeiçoamento torna-se constante na mão de obra direta, dando liberdade a estes de criar e inovar.

3.5 CUSTEIO META
Esta modalidade de custeio surgiu nos anos 90 primeiramente nas indústrias japonesas, com a finalidade de se estabelecer um custo máximo permitido para determinado produto ou serviço. A colocação principal desta técnica é que os custos não são o fator predominante para fixar o preço de venda, o que quando do seu surgimento revolucionou o modo de pensar da classe atuante, que até então considerava os custos dos produtos como fator fundamental para a fixação do preço de venda, considerando as palavras de Peter Drucker, que afirma que “o preço conduz aos custos” em oposição ao conceito anterior do custo levar ao preço”.

O custo meta ou custo unitário máximo permitido é aquele que vai atender o preço que o mercado deseja pagar, menos o lucro desejado pela empresa, e este lucro seria representado por um percentual sobre as vendas. Portanto o custo unitário total não pode exceder o custo unitário máximo permitido, ou custo meta. Considera-se ainda que este método de custeio pode, no decorrer da vida útil do produto ou serviço, melhorar o custo dos mesmos, ou seja, reduzir para estar em contínuo melhoramento, e se o custo pode ser ajustado, assim também a maneira como se trabalha, pois sabe-se que as pessoas envolvidas no desenvolvimento das tarefas no chão de fábrica são as que mais próximas se encontram do produto, e são as que mais capacidade têm para que ocorra o melhoramento.

Conforme afirma COGAN (1999:97) ”em síntese, o custeio meta é uma ferramenta de gerenciamento estratégico que busca reduzir o custo do produto durante seu ciclo de vida”.

O custeio meta utiliza-se de outras ferramentas para fazer sua implantação, ou melhor, seu cálculo. Para se chegar ao valor do custo meta faz-se necessário saber quais os componentes que irão fazer parte do processo, ou seja, se a empresa fabrica um determinado produto deve-se saber quais tarefas, maquinários, matéria prima etc., estão envolvidos para se chegar até o produto final. Porém, torna-se importante colocar novamente que este custeio tem como conceito a seguinte fórmula:


CUSTO META=Preço que o mercado deseja pagar – Lucro desejado pela empresa
Quando se tem o custo meta e o produto a ser fabricado, é aconselhável a utilização do método ABC para o cálculo do custo, isso faz com que utilize-se um custeio para que se fixe o outro.

Outro modo de se calcular o custo meta é a utilização do custeio do ciclo de vida, que considera todas as despesas que incidem no ciclo de vida do produto, desde a pesquisa até a situação de ser descartado. Um bom exemplo da vida útil é que ao se projetar determinado produto no seu desenho já se começa a imputar custos. Quando se tem em mãos que um produto vai onerar muito a longo prazo, há que se fazer ajustes para diminuir os mesmos antes de seu processamento.



3.6 CUSTO PADRÃO
Esta metodologia chamada “custo padrão” também conhecida como custo pré-determinado pode ser conceituado como o custo que a empresa determina como meta a ser alcançada para um determinado período para um produto ou serviço específico.

Para PADOVEZE (1994, p.263) “o custo padrão é uma das técnicas para avaliar e substituir a utilização do custo real”.

O conceito de custo padrão mais aceito é o que se chama de padrão corrente, que é calculado para um determinado período, levando em consideração as deficiências que existem na empresa como desperdícios, matéria prima de qualidade ruim, equipamentos sucateados, falta de energia etc., o que difere do custo padrão ideal que não leva em consideração estes detalhes da empresa, pois, nasceu da tentativa de se criar um custo em laboratório, um custo pronto e que o levou ao esquecimento, ao desuso. O padrão corrente por sua vez é o mais utilizado, por aproximar-se da realidade da empresa. Na concepção de MARTINS (2000:333) “o custo padrão corrente é o mais científico, no sentido de que faz a união entre aspectos teóricos e práticos da produção, enquanto o custo estimado só levaria em conta os práticos, podendo por isso nunca apontar defeitos ou ineficiências que seriam sanados com aquele”.

O objetivo principal do custo-padrão é fixar um padrão de comportamento para os custos, ou seja, determinar qual o montante máximo para determinado produto ou serviço e ao final do período se apuram esses custos, fazendo-se a comparação com os incorridos na realidade. Diante das comparações faz-se a análise para tomar as decisões cabíveis.

Segundo BORNIA (2002:89) o método do custo padrão consiste em:

a) fixar um custo padrão, que servirá de referência para a análise dos custos;

b) determinar o custo realmente incorrido;

c) levantar a variação (desvio) ocorrido entre o padrão e o real;

d) analisar a variação, a fim de auxiliar na procura das causas (motivos)que levaram aos desvios.

Os padrões são calculados pela engenharia de produção em conjunto com a contabilidade de custos, estes padrões devem levar em consideração o pessoal envolvido na meta a ser fixada, ou seja, um padrão que seja muito difícil de ser alcançado a curto prazo pode levar a desmotivação da mão de obra direta ou do chão de fábrica que são os mais envolvidos com as tarefas, se estes não virem os resultados, pode ser que o padrão não seja um benefício e passe a ser um ônus desnecessário para a empresa.



3.6.1 VANTAGENS DO CUSTO-PADRÃO
Algumas das vantagens que o Custo padrão proporciona:

- Controlar e reduzir os custos: com a comparação padrão-real torna-se possível identificar os pontos de maior custo;

- Promover e medir a eficiência: pode-se verificar se os departamentos estão aptos para os padrões;

- disponibilidade antecipada de dados: com os padrões é possível prever quais custos irão incorrer, ou pelo menos se ter uma idéia;

- facilita as projeções: por ter os dados já “orçados” podem-se projetar os custos mais facilmente;

- calcular e determinar os preços de venda: com o custo padrão pode-se determinar não somente quanto custa um produto ou serviço, mas também quanto deveria custar, e quais as possíveis causas para o custo em excesso;

- Instrumento de decisão: em face às comparações com custo padrão, e o incorrido em determinado período, a gerência, supervisores e funcionários, passam a ter consciência dos custos e principalmente nos níveis de gerência é possível modificar, acrescentando ou eliminando alguma etapa do processo, matéria prima ou mesmo modelagem de produtos para se chegar aos custos determinados.

3.6.2 DESVANTAGENS DO CUSTO PADRÃO
- Os próprios padrões: por ter um padrão, às vezes a gerência se vê bitolada a este e não procuram alterar propósitos mudando um ou outro detalhe;

- Motivação x Desmotivação: quando os padrões são fixados como inatingíveis as pessoas envolvidas acabam desanimando, o que pode colocar a metodologia em franco declínio na organização;

- Longo período de maturação: para que os padrões sejam coerentes devem sempre ser alterados, pois quando da sua implantação, irá ocorrer uma série de imperfeições e com o passar do tempo deverão ser aperfeiçoados, porém tais mudanças podem levar ao descrédito.
3.7 CUSTEIO PLENO
Esta metodologia também conhecida como RKW, nasceu na Alemanha, consiste no método em que todas as despesas tanto de produção como despesa da administração da empresa são rateadas. A técnica utilizada para esse rateio são semelhantes às dos custeio tradicionais e cada departamento da empresa recebe sua cota de custos de maneira que no final, o rateio será sobre os produtos da empresa.

Com este rateio chega-se ao valor unitário do produto.

Conforme conceituam NASCIMENTO & VARTANIAM (1999:34), “ método de custeio pleno é aquele em que todos os custos e despesas de uma entidade são levados aos objetos de custeio, normalmente unidades de produtos e/ou ordens de serviços”.

É necessário esclarecer que este método de custeio é usado exclusivamente para fins gerenciais, podendo ser implantado nas empresas, dependendo das informações que se pretende.



3.7.1 VANTAGENS DO CUSTEIO PLENO

A maior vantagem deste método é o fato de levar em consideração todos os gastos de uma organização sem exceção.



3.7.2 DESVANTAGENS DO CUSTEIO PLENO

Este método de custeio não faz distinção entre custos fixos e variáveis, o que pode levar a empresa a não vender determinado produto por não cobrir o custo do produto, porém o custo estaria distorcido visto que uma parcela dos custos fixos totais já está embutida ao produto e o custo unitário do produto não é real.

- É aplicado ao custo dos produtos um índice percentual igual para fazer a provisão de lucros, o que pode levar a uma superestimativa de lucros ou esconder um produto que não dá lucro devido ao custo de fabricação ser elevado.

- Nesse método, considera-se a eficiência máxima da empresa, não leva em consideração a concorrência, o que pode acarretar um preço de venda irreal, pois, para manter-se no mercado a empresa deve ter um preço competitivo.

- No dia-dia torna-se impossível encontrar o custo unitário do produto (CPV) por possuir a parcela de custo fixo total, assim como despesa operacional unitária.

- Também não são considerados as oscilações no volume de produção e os efeitos desta no custo unitário.

Nota-se que as desvantagens desse método de custeio são muitas, o que torna o método pouco utilizado no Brasil.


4. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Encerrando esse opúsculo, a conclusão a que se chega é que o sistema de informação contábil está habilitado para gerar informações variadas, dependendo do tipo de decisão a ser tomada, conforme exposto no decorrer deste trabalho, pois enquanto o método de custeio direto propicia informações para decisões de curto prazo, onde os custos do período não são relevantes, através da análise da margem de contribuição, o custeio por absorção realça os resultados de longo alcance, ou seja, o resultado contábil. Também foi exposto o método ABC que está preocupado com a eliminação de rotas ou atividades que não agregam valor ao produto, auxiliando nas decisões gerenciais. Portanto, conclui-se que a contabilidade possui um arcabouço teórico muito grande, e que seus usuários podem contar com informações diferenciadas para cada tipo de decisão. O que também ficou evidente durante a realização desse trabalho é que está faltando para os profissionais que atuam na linha de frente das organizações maior conhecimento para disponibilização das ferramentas que podem ser utilizadas pelos gestores, e, principalmente aos contadores, fica um alerta, que de nada adianta existir uma infinidade de maneiras para executar uma determinada ação para obter informações se estas não são repassadas ao principal usuário, que é o tomador de decisão, para a definição de estratégias gerenciais.

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