Mujeres Libres



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Mujeres Libres
Foi um grupo formado em 1936 em Barcelona durante a Guerra Civil Espanhola (1936-1939). Suas fundadoras eram militantes anarquistas da CNT (Confederação Nacional do Trabalho), preocupadas com a libertação da mulher espanhola e a importância de sua emancipação na revolução. Antes mesmo da guerra, as mulheres da Espanha já participavam ativamente da luta trabalhadora, tanto em greves quanto na luta armada. Tinham experiência na militância anarquista também na CNT, e eram tratadas como iguais pelos companheiros.

Reconheceram nas mulheres espanholas a ignorância e a escravidão, presentes em todas as classes, e começaram a sonhar com a emancipação feminina. Conheceram grupos com este objetivo, mas que pretendiam alcança-lo por competições entre os sexos, sobre vantagens físicas e intelectuais, ou pretendendo que a emancipação ocorresse fortalecendo a feminilidade e colocando a maternidade como central na vida e nos direitos da mulher, ou ainda que a libertação ocorresse pelo sufrágio universal, pois poderiam votar como os homens. Este era o chamado movimento “burgues hasta la medula” (Federica Montseny – uma das organizadores do grupo).

Não satisfeitas, decidiram seguir seu próprio caminho, rompendo com o tradicionalismo e, ao invés de comparações com o sexo oposto, reforçar os valores característicos das mulheres, suas diferenças temperamentais e espirituais, sua individualidade fundamental para a construção de um mundo melhor. Eram poucas militantes e, para propagar suas ideias, criaram em maio de 1936 a revista Mujeres Libres. Enquanto esta repercutia e cada vez mais mulheres mostravam interesse, começou a Guerra Civil na Espanha. Abandonadas e sozinhas, surgiu nelas uma necessidade de se unir as companheiras, formar um grupo para ampará-las, ajudar a causa antifacista e conseguir a emancipação feminina.

Nasceu assim a Organização Mujeres Libres.

Criaram-se Seções de Trabalho ligadas às atividades mais necessárias à guerra, formadas pelas mulheres com mais aptidão ou vocação para as tarefas: Transportes, Saúde, Metalurgia, Comércio e Oficinas, Vestuário, Serviços Públicos e Brigada Móvel (esta última era formada pelas mulheres que não se encaixaram em nenhuma outra seção mas que estão prontas para prestar qualquer ajuda). Organizaram apoio para as mulheres nas milícias, que participavam ativamente da guerra e precisavam de abrigo e comida, assim como realizaram exercícios de tiro. Formaram uma escola para enfermeiras e uma clínica de emergência para cuidar dos feridos em batalha. Conseguiram que um hospital de Barcelona realizasse nascimentos, cuidado pós-natal para as mulheres, cuidado com a saúde das crianças, controle de nascimento e discussões sobre sexualidade. Cerca de um mês depois de sua formação, já contavam com 3000 afiliadas. Além das seções de trabalho foram criados grupos de cultura e liberatórios de prostituição, que ofereciam uma possibilidade de mudança na vida de muitas mulheres oprimidas e humilhadas.

A partir de 1937 cresce a influência stalinista no governo republicano, que passa a proibir as mulheres de participarem da milícia, colocando-as na retaguarda, o que contribui para a fragmentação das forças contra os fascistas.

Em 1939 a guerra acaba, e os republicanos são derrotados.

Após a vitória fascista a mulher na Espanha volta ao seu papel de submissão, as que lutaram e se diziam antifascistas foram violentamente perseguidas, torturadas e mortas, muitas foram enviadas a campos de concentração. As sobreviventes permaneceram no exílio por muito tempo.


Mujeres Libres não era uma entidade feminista, pois não se identificava com o movimento da época, mas sim um centro de capacitação da mulher, onde esta poderia aprender, ajudar e criar relações de companheirismo e solidariedade, criando uma consciência do que é ser mulher.
Elas lutaram por liberdade, lutaram por sua emancipação, por capacitação da mulher cultural, econômica e socialmente, por igualdade e respeito. Quiseram unir forças aos homens, lutar lado a lado, sem diferenciação. Sabiam que não mudariam o mundo, mas poderiam inspirar mulheres no futuro, para que um dia sejamos todas realmente livres.
A liberdade da mulher é a condição da liberdade do homem, e vice-versa; essa é a liberdade como nós libertários e libertárias entendemos. Ela não visa substituir homens por mulheres na hierarquia da exploração, mas sim suprimir a exploração do homem pelo homem, seja macho ou fêmea. É permanecendo juntos, não em oposição uns aos outros, que lograremos êxito. É nisso que nós nos distinguiremos daquelas que reivindicam o feminismo e que não questionam os fundamentos dessa sociedade.” Sara Berenguer (Ex-secretária do Comitê Revolucionário da CNT-FAI e ex-secretária da Propaganda do Comitê Regional de Mujeres Libres).

Movimentos atuais

Nas décadas de 30 e 40 predominavam movimentos feministas que valorizavam a mulher por sua função reprodutora, colocando a maternidade como o bem mais valioso de sua vida, e que acreditavam que a libertação feminina ocorreria pela diferenciação entre os sexos, comparando suas “capacidades biológicas” e características. O movimento vencia com a conquista do voto para as mulheres, acesso ao mercado de trabalho, ingresso em escolas, mas assim que estes espaços foram conquistados, elas se mostraram satisfeitas e abandonaram a luta.

Apesar de algumas feministas continuarem a publicar periódicos e livros denunciando as origens da desigualdade sexual, fazendo um estudo social, político, cultural e biológico sobre a opressão feminina, somente na década de 70, após um período de grande mobilização estudantil, contra o colonialismo e o racismo, em que o individual passa a ser coletivo e político, é que o movimento feminista ressurge e toma forma: são formados grupos de trabalho, debates, cursos e as mulheres vão às ruas por suas reivindicações.

As causas do movimento agora giram em torno da sexualidade, da ideologia e formação da mulher. O poder e o conhecimento sobre o próprio corpo, o quanto o corpo da mulher é de domínio masculino e da sociedade, e não dela própria. Até que ponto as características ditas “femininas” são naturais, ou são resultantes da construção histórica e cultural do ser humano. O homem “superior” e a mulher “inferior” são produto de uma construção ideológica e não de uma diferenciação biológica. Lutamos por igualdade entre os sexos, em todos os âmbitos sociais.


Não se nasce mulher, torna-se mulher” Simone de Beauvoir


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