Mulheres contabilistas: um estudo das profissionais atuantes no paraná



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MULHERES CONTABILISTAS: UM ESTUDO DAS PROFISSIONAIS ATUANTES NO PARANÁ



EDSON PAES SILLAS

Mestrando do Programa de Mestrado em Contabilidade da UFPR – Universidade Federal do Paraná
EMERSON MUNIZ FREITAS

Mestrando do Programa de Mestrado em Contabilidade da UFPR – Universidade Federal do Paraná

VICENTE PACHECO

Prof. Dr. do Programa de Mestrado em Contabilidade da UFPR – Universidade Federal do Paraná


RESUMO


O presente artigo objetivou analisar as características atinentes às mulheres contabilistas atuantes no estado paranaense. Este representa o primeiro trabalho de uma série de estudos que estão sendo desenvolvidos para analisar, sob diferentes focos, esta classe profissional. De uma população-alvo de aproximadamente 9,5 mil contabilistas, obteve-se uma amostra de 192 mulheres. Foram investigados fatores pessoais e profissionais que as caracterizam e, em seguida, foi realizada uma análise conjunta destes aspectos. Constatou-se aqui que a idade média das mulheres contabilistas é de 37,3 anos e que, em sua grande maioria, são casadas e possuem filhos. Destacou-se ainda que sua maior parte dedica até 4 horas diárias aos trabalhos domésticos e que, assim, sobra pouco tempo para os cuidados pessoais. Quanto aos aspectos profissionais, em média as contabilistas participantes da pesquisa atuam a 13,7 anos na área, e sua maioria possui renda familiar entre 5 e 10 salários mínimos e desenvolve atividades na área fiscal. Adicionalmente, constatou-se que o maior número de contabilistas paranaenses atua na área como proprietária de escritório de contabilidade ou como colaboradora de empresas privadas.

Palavras-Chave: Mulher; Contabilista; Paraná; Trabalho.

1 INTRODUÇÃO

1.1 Contextualização do Problema


Acompanhando o avanço da sociedade, o conceito de trabalho também evoluiu (GOMES, 2005). O surgimento de novas profissões e a necessidade de diferentes habilidades exigidas dos profissionais para desenvolvê-las, permitiu que o trabalho deixa-se de ser tratado como algo desnecessário, como era retratado na antiguidade, para ganhar cada vez mais importância (LEITE, 1994).

Assim como o conceito, o mercado de trabalho foi sendo desenvolvido paulatinamente. Passou-se de uma sociedade em que as funções eram rigorosamente distribuídas entre os sexos, para fase atual da crescente inserção feminina no mercado de trabalho. Leite (1994) destaca que a aceitação da mulher nas atividades chamadas “fora do lar” iniciou a partir da Segunda Guerra Mundial. Contudo, esta aceitação não significa que a divisão das atividades domésticas esteja igualitária. Diversos estudos retratam que os afazeres da casa são desenvolvidos, em sua grande maioria, pelas mulheres (BRUSCHINI, 2007). Atualmente, portanto, as profissionais possuem jornadas duplas, desempenham atividades em seu local de trabalho e em casa.

O estudo em questão preocupa-se, portanto, em buscar as características das mulheres que atuam em uma área profissional específica: a Contabilidade. Para o desenvolvimento do artigo foi escolhido também um Estado, para evitar que diferenças culturais entre as diferentes regiões do Brasil pudessem influenciar nos resultados encontrados. Portanto, optou-se por analisar os aspectos atinentes as mulheres contabilistas atuantes no Estado do Paraná. Justifica-se a escolha desta unidade federativa pela sua representatividade na geração da riqueza nacional (IBGE, 2009). Desta forma, a seguinte questão de pesquisa norteará o desenvolvimento do estudo proposto:

Quais são as características das Mulheres Contabilistas atuantes no Estado do Paraná?

A partir da questão proposta, o objetivo central deste trabalho consiste em avaliar o perfil da mulher contabilistas do Estado do Paraná. Para que este objetivo seja alcançado, serão investigados os aspectos pessoais destas profissionais, bem como suas características profissionais. As informações para que este perfil seja traçado serão obtidos através de survey. Este, entretanto, consiste em um trabalho inicial de uma série de estudos que serão desenvolvidos tendo como foco as mulheres contabilistas paranaenses.

Este artigo está divido da seguinte forma: 1) Esta introdução, onde são traçados os objetivos a serem alcançados com a pesquisa, a questão norteadora de todo o trabalho, bem como uma breve justificativa; 2) Na segunda será realizada uma contextualização teórica que será utilizada como embasamento das demais atividades desenvolvidas; 3) Os procedimentos metodológicos adotados para a coleta e análise de dados estão descritos na terceira seção; 4) Na quarta parte serão apresentados os resultados encontrados; 5) As principais conclusões e colaborações acadêmicas obtidas a partir da investigação em questão estarão elencadas nesta quinta e última parte do artigo.

2 REVISÃO DE LITERATURA


O conceito de trabalho foi sendo modificado no decorrer dos anos, acompanhando assim as alterações sociais e tecnológicas enfrentadas pela sociedade. A visão do ser humano quanto a esta atividade também evoluiu (GOMES, 2005). Na antiguidade, alguns filósofos desprezaram o trabalho, relegando-o à condição de inferioridade, em virtude de sua natureza ser essencialmente manual (LEITE, 1994). Eles acreditavam que o tempo desperdiçado com estas atividades poderia ser dedicado à reflexão.

No Renascimento, entretanto, houve um maior reconhecimento do conceito de trabalho (GOMES, 2005). Na Inglaterra, nesta época, surgiram filósofos e economistas que propuseram uma nova ótica na relação homem trabalho (SANDRONI, 2001). Contudo, este período não conseguiu, segundo Gomes (2005), proporcionar maiores chances à inserção feminina no mercado de trabalho. Somente a partir da Revolução Industrial, a mulher passou a ser admitida em atividades profissionais. Todavia, elas só eram aceitas no desempenho de funções cujas remunerações eram menores que a dos homens (GOMES, 2005).

Para Leite (1994) o evento mais relevante para mobilização da força de trabalho feminina foi a Segunda Guerra Mundial. Com os homens sendo empregados em frentes de batalha, as mulheres passaram a ser aceitas em atividades que antes eram exclusivamente masculinas (GOMES, 2005). Gomes (2005) destaca que esta inserção feminina no mercado de trabalho provocou grandes transformações na família.

Nas sociedades primitivas, o lar representava a principal unidade econômica de produção (GOMES, 2005). Segundo o autor, ali se desenvolviam as práticas para subsistência da família, e os homens eram educados à realização de atividades “fora do lar”. Enquanto isso, as mulheres assumiam os afazeres domésticos, surgindo assim a rígida divisão de tarefas entre os sexos (GOMES, 2005). Bruschini (2006) constatou que esta segregação persiste até os dias atuais. Em sua pesquisa, ao questionar sobre os cuidados com os afazeres domésticos, 68% da amostra investigada respondeu positivamente. Contudo, quando os respondentes foram segregados de acordo com o gênero, constatou-se que 90% das mulheres responderam que sim, frente a um percentual de 45% de homens que afirmaram realizar as atividades domésticas (BRUSCHINI, 2007).

Com a inserção feminina no mercado de trabalho, a maior mudança ocorrida foi a não mais dedicação exclusiva da mulher às atividades domésticas. Agora, elas passaram a desempenhar múltiplas funções (SPINDOLA e SANTOS, 2003). Além da jornada dupla, outros problemas enfrentados pelas mulheres são listados por Carreira, Ajamil e Moreira (2001), como: 1) salários menores do que os dos homens, mesmo em trabalhos equivalentes; 2) deficiências nas políticas sociais, dificultando o acesso a serviços de apoio familiar, como creches; e, 3) pouca inserção em relações sindicais, com pouco espaço em negociação de acordos coletivos de trabalho.

Diversos pesquisadores tem destacado também o papel da mulher como empresária (WILKENS, 1989; LEITE, 1994; STILL e TIMMS, 1998; CARREIRA, AJAMIL E MOREIRA, 2001; MUNHOZ, 2000; MACHADO, 2002; GOMES, 2005). Para Munhoz (2000) as barreiras enfrentadas pelas mulheres nas organizações, estão contribuindo para que elas optem por investir em empreendimentos próprios. Estudos apontam, inclusive, que a sobrevivência de empresas geridas por mulheres tem atingido um tempo superior ao padrão médio das pequenas empresas (STILL e TIMMS, 1998; MACHADO, 2002).

Esta crescente inserção feminina no mercado de trabalho e em atividades empreendedoras também é observada ao restringir a análise ao campo de atuação da Ciência Contábil. De acordo com o Conselho Federal de Contabilidade (2010), 37% dos profissionais contábeis registrados no órgão são mulheres. A Região Norte do Brasil é a que apresenta um maior percentual de pessoas do gênero feminino registradas, totalizando 47% (CFC, 2010). A entidade destaca ainda que em Estados dessa região, como Pará e Roraima, o número de mulheres contabilistas chega a 49%.

Os estados que apresentam um menor percentual são Paraná e Santa Catarina (CFC, 2010). De acordo com informações extraídas do sítio do Conselho Regional de Contabilidade do Estado do Paraná, 33% dos registros ativos são de mulheres. Contudo, mesmo apresentando a menor proporção feminina, o Estado do Paraná demonstra a relevância desta classe profissional para o estado. Um dos exemplos deste destaque está na implantação de um encontro exclusivo para mulheres contabilistas paranaenses, assim como é feito a nível nacional (CRC-PR 2010).

Este interesse em estudar as características atinentes às mulheres contabilistas não é encontrado apenas nos órgãos da classe. O assunto é tema, inclusive, de diversos estudos acadêmicos (FRENCH e MEREDITH, 1994; LYNN, CAO e HORN, 1996; BARKER e MONKS, 1998; MENDES, SILVA e RODRIGUES, 2007; FIGUEIREDO, 2008; WALKER, 2008; WALLACE, 2009). Os trabalhos foram desenvolvidos sob diferentes focos, como as características das mulheres contabilistas em países específicos, como Estados Unidos (FRENCH e MEREDITH, 1994), Canadá (WALLACE, 2009) e Irlanda (BARKER e MONKS, 1998), restritos a áreas de atuação (MENDES, SILVA e RODRIGUES, 2007; FIGUEIREDO, 2008), e sobre a história da atuação feminina na contabilidade (WALKER, 2008).

O presente estudo, todavia, procura avaliar alguns aspectos relacionados às mulheres contabilistas do Estado do Paraná. Este artigo consiste no primeiro de uma série de estudos que estão sendo desenvolvidos com foco em diferentes frentes relacionadas a estas profissionais. A seguir, serão apresentados os procedimentos metodológicos utilizados no desenvolvimento deste trabalho para, logo após, relatar os resultados encontrados.


3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS


Tipologia de Pesquisa

O presente estudo pode ser classificado como formal, descritivo, transversal e ex post facto (COOPER e SCHINDLER, 2003; BEUREN, 2003, AAKER, KUMAR e DAY, 2004; HAIR Jr. et al, 2005; MALHOTRA, 2006). Por envolver procedimentos precisos e especificações das fontes de dados para o alcance do objetivo apresentado, caracteriza-se como formal (COOPER e SCHINDLER, 2006).

Como busca identificar características específicas das mulheres contabilistas do Estado do Paraná, este artigo é considerado descritivo. Para Malhotra (2006) este tipo de pesquisa deve ser realizado para descrever as características de grupos relevantes, estimar a porcentagem de unidades em uma população que exibe determinado comportamento, determinar percepções sobre fatos ou fenômenos, identificar o grau de associação de variáveis e, por fim, fazer previsões específicas (HAIR Jr. et al, 2005).

A investigação em questão foi desenvolvida com base em informações obtidas em um único período e, portanto, caracteriza-se como transversal. Além disso, apresenta-se como um estudo ex post facto em virtude dos pesquisadores não terem a possibilidade de intervenção nas variáveis observadas. Quanto a questão de pesquisa proposta, o trabalho é considerado quantitativo (AAKER, KUMAR e DAY, 2004). Por fim, destaca-se que os dados serão coletados de forma primária, por intermédio de survey (COOPER e SCHINDLER, 2006).



Constructos e Definições Operacionais

Para operacionalização da pesquisa em questão, dois constructos relacionados às mulheres contabilistas do Estado do Paraná foram avaliados:



Aspectos Pessoais: neste constructo, foram avaliadas as características da amostra investigada que estão ligadas a rotina e caracterização destas mulheres, sem que haja ligação visualmente direta com a vida profissional.

Aspectos Profissionais: foram elencadas neste constructo as características que determinam as mulheres profissionalmente, como área e tempo de atuação.

População e Amostra

De acordo com informações contidas no sitio do Conselho Regional de Contabilidade do Estado do Paraná, 9.505 dos contabilistas registrados no Estado do Paraná são mulheres. Este número representa 33% do total de profissionais vinculados ao órgão paranaense da classe contábil. Portanto, este é o valor de elementos da população investigada no presente artigo.

O questionário desenvolvido para utilização nesta investigação foi enviado, de forma aleatória, para as diferentes regiões do Estado do Paraná. Ao final, foram retornados 193 questionários respondidos, oriundos de 52 cidades paranaenses diferentes. Um desses questionários foi descartado da análise, por não estar preenchido em sua totalidade. Assim, ao final, obteve-se uma amostra não-intencional de 192 mulheres contabilistas. Calculando o tamanho da amostra de acordo com a equação apresentada abaixo (BARBETTA, REIS e BORNIA, 2004, p. 193), e considerando erro tolerável de 10%, constatou-se que o número de elementos da amostra obtida é superior a considerada aceitável.

em que:


: representa o número de elementos da amostra;

: representa o número de elementos da população;

: representa o valor da abscissa da curva normal associada ao nível de confiança;

: representa o erro tolerável da amostra, em porcentagem; e,

 e : representam a probabilidade de escolha de um dado elemento, aleatoriamente.

Pré-Teste

Primeiramente, o questionário desenvolvido foi submetido a um Pré-teste. Este Pré-teste foi realizado com profissionais de 3 diferentes cidades paranaenses: Curitiba, Londrina e Maringá. No total, 15 mulheres participaram desta etapa inicial, sendo 5 de cada município. Estas contabilistas relataram dificuldade na interpretação de duas questões. Desta forma, as questões foram reformuladas e apresentadas a 3 diferentes contabilistas, que não encontraram dificuldade de entendimento das perguntas, ficando definido assim o instrumento que seria utilizado para coleta de informações.


4 ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

Características Pessoais das Mulheres Contabilistas do Estado do Paraná


Inicialmente, buscou-se avaliar os aspectos pessoais que caracterizam a mulher contabilista no Estado do Paraná. Para alcançar esta finalidade, investigou-se a média de idade destas profissionais, seu estado civil e o número de filhos, o tempo em que ela se dedica às atividades domésticas, e o quanto ela dedica para cuidados pessoais.

Com base nas respostas obtidas por intermédio da aplicação de questionário, observou-se que a idade média das contabilistas que atuam no estado paranaense é de 37,3 anos. A figura I apresenta a distribuição destas profissionais dispostas por classes de idade. Optou-se, por utilizar 25 e 50 anos de idade como limites iniciais e finais da análise, respectivamente. Na primeira classe, portanto, foram classificadas as mulheres que possuem menos de 25 anos e, no último grupo, encontram-se àquelas que possuem mais de 50 anos. Os extratos intermediários foram formados englobando um intervalo de 5 anos.





Figura 1 – Idade das Mulheres Contabilistas do Estado do Paraná

Fonte: Dados da Pesquisa

A Figura 1 possibilita observar que as contabilistas que atuam no Estado paranaense possuem, principalmente, entre 25 e 30 anos ou no intervalo compreendido entre 40 e 45 anos. Assim, isto leva a entender que esta classe profissional paranaense é formada, principalmente, por dois grupos distintos. O primeiro é composto por mulheres que não possuem uma idade elevada, mas que já ultrapassaram a fase de início de sua carreira profissional. Já o segundo grupo é constituído por profissionais que já atuam a mais tempo no mercado de trabalho e que ainda possuem uma longa trajetória profissional.

Outro ponto que deve ser destacado é o número muito próximo de mulheres que formam a primeira e a última classe de idade investigada. As mulheres que possuem 25 ou menos anos totalizaram 13, ao passo que 14 é o número de mulheres com mais de 50 anos. Com isso, pode-se entender que a área profissional está sofrendo uma renovação igualitária. Isso porque as profissionais que estão se aproximando da idade de deixarem de atuar e as mulheres que estão iniciando no campo de trabalho são, praticamente, em mesmo número. Contudo, esta análise esta sendo desenvolvida apenas com ênfase quantitativa. Não pretende-se aqui, portanto, avaliar se a qualidade dos serviços prestados estão melhorando ou decaindo com o fenômeno observado.

Em continuidade a análise das características pessoais das mulheres contabilistas que atuam no Estado do Paraná, questionou-se às profissionais que contribuíram para a pesquisa o seu estado civil e se possuem ou não filhos. O resultado obtido encontra-se na Figura 2.





Figura 2 – Estado Civil e Filhos

Fonte: Dados da Pesquisa

A grande parte das mulheres contabilistas do Estado do Paraná é casada e possuem filhos. Das 192 entrevistadas, 141 delas são casadas, totalizando mais de 70% da amostra pesquisada. O estado civil que apresentou o segundo maior número de profissionais foi o solteira, onde 34 mulheres afirmaram que pertencem a este grupo.

Quanto à pergunta se possuem ou não filhos, a maioria (104 entrevistadas) afirmaram que os tem. Este número correspondeu a 55% da amostra investigada. Na figura 2 foi realizado também o cruzamento do estado civil das mulheres contabilistas do Estado do Paraná e se possuem filhos. Grande parte das profissionais casadas, em um total de 88 entrevistadas (62%), responderam que possuem filhos. Em contrapartida, a maioria das mulheres solteira não tem filhos. Somente 3 em cada 20 profissionais solteiras que fizeram parte da análise são mães.

Adicionalmente, foi investigado o tempo em que as mulheres contabilistas gastam com atividades domésticas e também aquele dedicado aos cuidados pessoais. Na figura 3, são apresentados os resultados das horas dispostas diariamente pelas entrevistadas aos afazeres do lar.



Figura 3 – Tempo Dedicado Diariamente às Atividades Domésticas

Fonte: Dados da Pesquisa

O maior número de contabilistas integrantes da amostra investigada respondeu que gastam entre 2 e 4 horas com atividades domésticas. No total, 73 mulheres responderam que, diariamente, gastam este tempo com os afazeres de casa. Apresentando uma quantidade de respostas próxima ao observada no primeiro grupo, encontram-se as mulheres que informaram disponibilizar de seu tempo até duas horas para as rotinas de dona de casa. Portanto, corrobora-se para as contabilistas, o fato da profissional mulher, de um modo geral, possuir jornada dupla de trabalho. Destaca-se também que as contabilistas que responderam não gastar nenhum tempo em casa representaram minoria nesta pesquisa.

A figura 4, por sua vez, apresenta o resultado quanto ao questionamento do tempo dedicado aos cuidados pessoais. Objetivou-se, com essa pergunta, avaliar se, mesmo dedicando grande parte do tempo seu tempo ao trabalho e às atividades domésticas, a contabilista paranaense consegue dispor de algumas horas para dedicação pessoal.





Figura 4 – Tempo Dedicado aos Cuidados Pessoais

Fonte: Dados da Pesquisa

Com base nas respostas obtidas no questionário de pesquisa, maior parte das contabilistas que atuam no Estado paranaense dedica muito pouco tempo a cuidados pessoais. Isso pode acarretar, sobretudo, em uma redução da motivação destas profissionais. Como elas dispensam grande parte do tempo para o papel de contabilista e de dona de casa que desempenham, o pouco que sobra para dedicarem ao papel de mulher pode acarretar em desmotivação. Portanto, este pode ser um ponto de análise para diferentes órgãos da sociedade, no que tange não só o desenvolvimento profissional das contabilistas, mas também um aumento na qualidade de vida destas profissionais.

Aspectos Profissionais das Mulheres Contabilistas do Estado do Paraná


Na análise do perfil da mulher contabilista do Estado do Paraná foram investigados também os aspectos profissionais em que a amostra estudada apresenta. Para isso, questionou-se a renda familiar auferida, o tempo que atua profissionalmente, o papel e funções que desempenha no trabalho e se realizam atividades complementares. A Figura 5 elenca o primeiro aspecto que teve atenção na pesquisa em questão.



Figura 5 – Renda Familiar Mensal

Fonte: Dados da Pesquisa

A maior parte das contabilistas paranaense afirmou que sua renda familiar mensal fica compreendida no intervalo de 5 a 10 salários mínimos. Em seguida, aparece a classe que compreende a renda entre 1 e 5 salários mínimos. Com um número muito próximo de mulheres que responderam estar neste grupo, a classe das contabilistas que afirmaram auferir renda familiar entre 10 e 15 salários mínimos foi a que teve a terceira maior frequência de respostas. Nestes três grupos de renda familiar estão englobadas 87% das entrevistadas. Considerando os dois intervalos intermediários (compreendendo assim profissionais com renda familiar entre 5 e 15 salários mínimos), esse percentual representa 62% da amostra. Desta forma, 6 em cada dez profissionais que atuam em Contabilidade em território paranaense estão dispostas nesta faixa de renda.

O tempo médio de atuação profissional da amostra investigada é de 13,7 anos. A Figura 6 apresenta a distribuição das contabilistas de acordo com o tempo que desempenham atividades na área.





Figura 6 – Tempo de Atuação Profissional

Fonte: Dados da Pesquisa

As mulheres contabilistas no estado do Paraná, em sua grande maioria, possuem de 5 a 10 anos de atuação. Isso representa 28% da amostra pesquisada, que não apresentou classe que destoasse de maneira intensa dos demais grupos. Curiosamente, o número de ingressantes no mercado de trabalho, ou seja, o grupo de profissionais que possuem menos de 5 anos de atuação, apresentou-se superior ao dobro do grupo que representa as contabilistas mais experientes. Este fato pode ser indício de um maior interesse das mulheres por esta área de atuação, bem como na renovação do quadro de profissionais atuantes.

O papel de atuação e a atividade desempenhada também foram objetos de análise. No primeiro aspecto buscou-se avaliar o local de desempenho de suas rotinas profissionais. Enquanto, com a segunda variável, a finalidade foi verificar o mapeamento dos diferentes campos de atuação em Contabilidade. Os resultados obtidos estão condensados graficamente na Figura 7.





group 11Figura 7 – Papel de Atuação e Atividades Desempenhadas

Fonte: Dados da Pesquisa

Das profissionais que compuseram a amostra investigadas, a maioria informou que são proprietárias de escritório contábil ou que atuam como colaboradoras em empresas privadas. Considerando as profissionais que possuem escritório contábil e àquelas que atuam como colaboradora destes estabelecimentos, 55% das mulheres contabilistas paranaenses desempenham suas funções em instituições prestadoras de serviços contábeis. Destaca-se, adicionalmente, o pequeno número de profissionais que afirmaram trabalhar em entidades públicas e de terceiro setor, totalizando somente 11% das entrevistadas.

Quanto à principal atividade, o maior número de profissionais respondeu que desempenham rotinas na área fiscal. Este número representa aproximadamente 48% das profissionais entrevistadas. Isso corrobora a, ainda, grande influência exercida pelos aspectos atinentes ao Fisco à área contábil no Brasil. As mulheres que atuam nesta frente com ênfase estratégica, classificadas na atividade de Planejamento Tributário, representaram somente 7% da amostra em questão.

Para finalizar a investigação das características profissionais das mulheres contabilistas paranaenses, foi questionado se são realizadas atividades contábeis complementares àquela principal. O resultado está disposto na Figura 8.



Figura 8 – Realização de Atividades Profissionais Extras

Fonte: Dados da Pesquisa

Das contabilistas entrevistadas, 142 informaram que não desempenham atividades profissionais complementares à principal. Contudo, destaca-se que o número de mulheres que afirmaram ter outra ocupação profissional foi representativo. Um total de 26% das contabilistas paranaenses desempenha funções extras.

Na primeira parte desta seção, em que foram apresentadas as características pessoais destas profissionais, foram destacadas sua atuação no papel de mãe e dona de casa. Aqui, todavia, acrescentou-se os aspectos inerentes ao trabalho destas mulheres e, adicionalmente, destacou-se que algumas profissionais executam trabalhos extras para complementação de renda. Na próxima seção, procurar-se-á investigar os aspectos observados de maneira conjunta, para que seja apresentado um mapeamento maior das mulheres contabilistas do Estado do Paraná.


Análise Conjunta dos Aspectos Investigados


Na avaliação inicial do perfil da contabilista paranaense, foram investigados os aspectos pessoais e profissionais que caracterizam estas profissionais. Nesta segunda fase, são realizadas análise conjuntas destes fatores. Primeiramente, relacionou-se a idade das mulheres que participaram da pesquisa com a renda familiar auferida. O resultado desta análise encontra-se disposta na Figura 9.



Figura 9 –Idade e Renda Familiar das Contabilistas do Estado do Paraná

Fonte: Dados da Pesquisa

Nesta análise foi observada a relação entre a idade das mulheres contabilistas do Estado do Paraná e sua renda familiar. Na classe que representa as profissionais com a menor faixa etária, compreendendo àquelas que possuem 25 anos ou menos, predomina a renda entre 1 e 5 salários mínimos. Entretanto, este fenômeno não é exclusivo a este grupo. As mulheres que possuem entre 45 e 50 anos, em sua maioria, também responderam ter renda familiar neste patamar. Contudo, a proporção em relação as demais faixas salariais foi menor que a observada no primeiro grupo.

Um grande grupo de profissionais informaram que possuem renda familiar entre 5 e 10 salários mínimos, principalmente àquelas que possuem entre 25 e 40 anos. Outro ponto que deve ser destacado é o crescimento do percentual de mulheres que possuem mais que 20 salários mínimos, ao passo que avança-se nas classes de idade. O grupo de mulheres que possuem mais de 50 anos, por exemplo, é aquele que possui o maior número de profissionais classificadas na classe mais elevada de renda familiar.

Neste estudo, entretanto, a idade não foi analisada em conjunto com a renda familiar obtida. Esta variável foi observada também em relação às atividades que as contabilistas paranaenses desenvolvem. Esta investigação foi realizada, para ver se existem atividades contábeis desenvolvidas por classes etárias específicas. A figura 10, portanto, demonstra o resultado desta observação.

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Figura 10 – Idade e Atividades Desenvolvidas pelas Contabilistas Paranaenses

Fonte: Dados da Pesquisa

Como foi observado na seção anterior, a atividade na qual o maior número de contabilistas atua no Estado do Paraná é a Fiscal. Quando analisada a sua distribuição de acordo com a idade das profissionais, pode-se afirmar que não existe uma concentração em uma faixa etária. Em todas as classes investigadas, um número representativo de mulheres exercem atividades fiscais. Pode-se destacar também que esta área está despertando um grande interesse das novas profissionais. Isso porque grande número de contabilistas com até 25 anos afirmaram atuar neste campo.

Com base nas respostas obtidas com as profissionais que compuseram a amostra, observou-se também que a inserção de mulheres na área de auditoria e tributária está sendo realizada somente após completarem 25 anos. Fato inverso é visto quanto as atividades ligadas a Contabilidade Pública. Isso porque, as contabilistas que desempenham funções ligadas a este campo estão dispostas nas classes com mulheres até 45 anos.

Na Figura 11, no primeiro momento, foi confrontado o tempo que as contabilistas se dedicam a trabalhos domésticos e a realização de atividades profissionais extras. Em seguida, esta última variável foi analisada em conjunto com a que classifica as profissionais de acordo com o tempo dedicado aos cuidados pessoais.



Figura 11 – Atividades Profissionais Extras x Dedicação ao Trabalho Doméstico e Atividades Profissionais Extras x Tempo com Cuidados Pessoais

Fonte: Dados da Pesquisa

Analisando os gráficos dispostos na Figura 11, não é possível afirmar que existem diferença do tempo gasto com atividades domésticas, comparando as contabilistas que exercem atividades profissionais extras e as que não exercem. Essa distinção também não pode ser feita considerando o tempo dedicado aos cuidados pessoais.

CONSIDERAÇÕES FINAIS


A inserção da mulher no mercado de trabalho encontra-se em uma crescente e este fenômeno está recebendo cada vez mais atenção de órgãos de classe e da comunidade acadêmica. Nesta nova configuração profissional, a Ciência Contábil também apresenta evolução. Com isso, o presente trabalho objetivou analisar o perfil das mulheres contabilistas atuantes no Estado do Paraná.

Os dados para a análise em questão foram obtidos por intermédio de uma survey, em que foram obtidos, ao final, 192 questionários respondidos. Este, portanto, foi o número de elementos da amostra não-intencional para buscar mapear os aspectos inerentes à estas profissionais. Trata-se aqui de um estudo inicial de uma série de pesquisas cujo foco é a mulher contabilista paranaense.

Em um primeiro momento, preocupou-se em avaliar os aspectos pessoais que caracterizam a mulher contabilista no Estado do Paraná. Verificou-se que a idade média destas profissionais é de 37,3 anos. Evidenciou-se também que existe um equilíbrio entre experiência e inovação, em virtude de um maior número de mulheres estarem compreendidas nas faixas etárias entre 25 e 30 anos e também entre 40 e 45 anos. Em sua grande parte, as contabilistas afirmaram ser casadas, totalizando 70% da amostra investigada. Sua grande maioria também respondeu que possuem filhos.

Investigando ainda os fatores pessoais destas profissionais, foi questionado sobre o tempo que elas gastam com atividades domésticas e com os cuidados pessoais. A maioria das mulheres contabilistas paranaenses afirmaram que gastam em media de 2 a 4 horas diárias com os afazeres de casa e que sobra muito pouco tempo para se dedicarem aos cuidados pessoais. Neste ponto, portanto, ficou evidenciada a múltipla jornada encarada pelas mulheres. Este aspecto merece atenção, pois a falta de tempo para se cuidarem pode ocasionar problemas de saúde futuros.

O segundo prisma de análise utilizado na pesquisa em questão relacionou-se aos fatores profissionais. Foi constatado que as mulheres contabilistas possuem, em sua maioria, renda familiar entre 5 e 10 salários mínimos. Estendendo as classes de renda investigadas, observou-se uma concentração de 62% dos elementos da pesquisa no grupo que elenca as mulheres que auferem renda familiar de 5 a 15 salários mínimos. Foi questionado ainda o tempo de atuação das contabilistas paranaenses. Em média, estas mulheres já trabalham na área a 13,7 anos. Com as respostas obtidas a esta questão, foi encontrado indícios de um maior interesse das mulheres na Ciência Contábil. Isso porque o número de profissionais ingressantes na profissão superou o dobro daquelas que possuem maior tempo de experiência.

Quanto ao papel de atuação destas profissionais, a maior parte das mulheres afirmou que são proprietárias de escritórios de contabilidade ou que atuam como colaboradoras de empresas privadas. Considerando as contabilistas que trabalham e que possuem escritórios de contabilidade, foi constatado que 55% das mulheres atuam nestes estabelecimentos de prestação de serviços, demonstrando a importância destas organizações para à classe. Investigando a atividade que as mulheres desempenham, verificou-se nesta pesquisa a forte influência tributária ainda sofrida pela contabilidade. Um total de 48% da amostra investigada respondeu que atua em funções ligadas a área fiscal.

Por fim, recomenda-se aqui estudos que ampliem os aspectos abordados neste artigo. Mostra-se salutar também a investigação detalhada dos aspectos que caracterizam as profissionais que atuam em campos específicos da contabilidade, como auditoria, perícia e docência. Adicionalmente, pesquisas podem ser realizadas em outras unidades da federação, fazendo comparação com os resultados obtidos neste artigo.

REFERÊNCIAS


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